TOTALITARISMOS, SOCIALISMO, CAPITALISMO…e depois? - por márcio salgues
Maio 4, 2008 22:59 pm de Equipe Palavreiros da Hora
“A revolução mais necessária parece ser a mais improvável” Herbert Marcuse.
Nesses tempos em que os noticiários falam de milhões de reais - ou de dólares – trocando de mãos – normalmente inescrupulosas - com uma frugalidade tal que parece se tratar de um prato de alface, uma ninharia qualquer, a única impressão que me resta é a da falência dessa democracia inerte, de vitrine, bem como do, já ruim, Estado de Bem Estar social.
Referi-me à nossa democracia como sendo “de vitrine” pelo seu aspecto meramente decorativo, freqüentemente exibido ao mundo como um belo exemplo de democracia. Ainda que esse “belo exemplo” seja forjado a cada eleição, quando somos forçados, sob a pena da Lei, a “escolhermos livremente” aqueles que irão legislar sobre nossas vidas, nos governar e cuidar da nossa sociedade, administrando o dinheiro que nos é cobrado para fazer funcionar o sistema de “bem estar social” que não funciona, visto que os cidadãos comuns, por sua própria posição dentro do organograma social, alijados que são da estrutura do poder, apenas tentam se manter vivos, em busca de alimento e manutenção da prole.
Para essa “livre escolha” nos são oferecidos candidatos previamente fabricados, forjados numa retórica enganosa, maquiados com recursos hollywoodianos de som e luz, cheios de efeitos especiais e interpretações dramáticas. Ora, não são gente como a gente. São personagens irreais, tão fictícios quanto seus programas promocionais que, como toda boa produção cinematográfica, custa bem caro e alguém tem que pagar a conta. Como aprendemos desde crianças que dinheiro não nasce em árvores, não sei porquê a sociedade não protesta contra esse espetáculo carnavalesco cuja conta será paga por ela mesma. Ou seja, dentro desse modelo de democracia que nos é imposto, apertar o botão “Confirma” tem sido um gesto parecido com o apertar o botão da descarga do vaso sanitário só que, despejando algo com pelo menos seis zeros.
Referi-me também ao Estado falido não em termos financeiros, pois, como lembrei no início, dinheiro em caixa existe, nos dois. Mas, falido na sua missão precípua de promover o tal bem estar social do seu povo. Sendo assim, o Estado deixou de ser, perdeu o rumo ou está vivendo uma crise de legitimidade – e não estou falando a respeito do governo – compelido pelas forças de mercado em torno das quais o mundo gira como se fosse uma das Leis da Física.
O Estado tornou-se, assim, apenas mais uma empresa capitalista que não compete apenas com suas concorrentes mundiais, mas, e também sob a pena da Lei, com seus cidadãos, drenando seus recursos na forma de impostos. Pior ainda, uma empresa que não gera renda nem bem estar, apenas consome como uma praga, gasta, desvia as riquezas que deveria produzir em benefício comum. O Estado tornou-se uma máquina de engorda para os que o administram e nós os carvoeiros que alimentam as caldeiras.
O Socialismo sucumbiu à corrupção humana, os regimes totalitários sequer merecem alguma consideração, o Capitalismo fincou suas raízes. E este, por sua vez, já traz em sua natureza a necessidade de corromper como ferramenta adicional para a obtenção do lucro. Uma social-democracia de fato, nunca saiu do campo das idéias. O que nos reserva o futuro? Definitivamente, não sei.
