CANÇÃO DA PRAIA poema de nelson padrella
Maio 7, 2008 de Equipe Palavreiros da Hora
Abertos os braços da alma, recebo-te em júbilo.
Somos um os dois, amante e noivo.
Ao teu encontro vou como à rocha o mar.
Espuma e véu e sal, azul e ar.
Correm cristais de luz por teus cabelos.
Voam em bandos sutis borboletas.
A solidão é assim o mar que bate
e regressa vencido para marrar outra vez.
Fecho os braços da alma em torno de mim.
Caem nuvens fechadas sobre o mar escuro.
Somos dois, agora, amante e noivo,
que se separam como o oceano inventa marés.
Na amplidão o gozo de saber-te luz,
os prazerosos ontens sepultados.
Cai uma chuva de pétalas de rosas
e eu mergulho no poço de rãs e musgos.
Há um prego na memória enferrujando datas.
Tesouros de desejos entre paixes náufragos.
Nada resta agora se é tudo só espaço,
apenas o espaço de uma praia esquecida.
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Que belo poema, Padrella! Que lição de lirismo… e que versos bem achados. Neste poema trouxeste a chave das palavras de que nos fala Drumond.