CANÇÃO DA PRAIA poema de nelson padrella

Abertos os braços da alma, recebo-te em júbilo.

Somos um os dois, amante e noivo.

Ao teu encontro vou como à rocha o mar.

Espuma e véu e sal, azul e ar.

 

Correm cristais de luz por teus cabelos.

Voam em bandos sutis borboletas.

A solidão é assim o mar que bate

e regressa vencido para marrar outra vez.

 

Fecho os braços da alma em torno de mim.

Caem nuvens fechadas sobre o mar escuro.

Somos dois, agora, amante e noivo,

que se separam como o oceano inventa marés.

 

Na amplidão o gozo de saber-te luz,

os prazerosos ontens sepultados.

Cai uma chuva de pétalas de rosas

e eu mergulho no poço de rãs e musgos.

 

Há um prego na memória enferrujando datas.

Tesouros de desejos entre paixes náufragos.

Nada resta agora se é tudo só espaço,

apenas o espaço de uma praia esquecida.

3 Respostas to this post.

  1. Publicado por Manoel de Andrade em Maio 10, 2008 20:12 pm às 20:12 pm

    Que belo poema, Padrella! Que lição de lirismo… e que versos bem achados. Neste poema trouxeste a chave das palavras de que nos fala Drumond.

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  2. Oi Padrella,

    gostei de:

    “mergulho no poço de rãs e musgos”

    e

    “Há um prego na memória enferrujando datas”

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  3. Publicado por ione prado em Novembro 25, 2008 12:27 pm às 12:27 pm

    Lindo!
    Parabéns.

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