ESCOMBROS poema de jorge barbosa filho

derrubo as paredes das palavras

para beber o ar e o sol

e tomar um porre com o tempo

sendo a fala a ginga

o vento olhar de farol

eu trago o sotaque

de todos os lugares

e de lugar nenhum

eu fumo os horizontes

e bato as cinzas

na língua das nuvens.

 

eu chovo, eu relampejo

inundo e fulmino

precipito rumo ao abismo

e meu verso é um risco

não começo, não acabo

desabo acima de tudo e de todos

se no meu verbo eu não caibo

não espero, não paro

meu poema é um grito

veloz de meus  remorsos

e para o nosso assombro

encontrei seus olhos perdidos

nestes escombros.

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