ESCOMBROS poema de jorge barbosa filho
Maio 7, 2008 de Equipe Palavreiros da Hora
derrubo as paredes das palavras
para beber o ar e o sol
e tomar um porre com o tempo
sendo a fala a ginga
o vento olhar de farol
eu trago o sotaque
de todos os lugares
e de lugar nenhum
eu fumo os horizontes
e bato as cinzas
na língua das nuvens.
eu chovo, eu relampejo
inundo e fulmino
precipito rumo ao abismo
e meu verso é um risco
não começo, não acabo
desabo acima de tudo e de todos
se no meu verbo eu não caibo
não espero, não paro
meu poema é um grito
veloz de meus remorsos
e para o nosso assombro
encontrei seus olhos perdidos
nestes escombros.
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