Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida:
só de momentos – não perca-os agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.



Publicado por Helio Freitas em Agosto 30, 2008 22:08 pm às 22:08 pm
Esse texto, se não me engano, foi gravado pelo Tônio Luna (que lastimavelmente nos deixou há alguns anos). Sua voz e interpretação muito valorizaram e deixaram ainda mais emocionante a mensagem. Ao lê-la, lembrei dele.
Publicado por AROLDO BARBOSA em Agosto 31, 2008 16:35 pm às 16:35 pm
sinceramente, o autor está certo.Já andei descalço em todas as estações do ano.Já vi o amanhecer em várias cores.Já vi o sol se por e também já senti o sol na pele o dia todo:eu estava no vale do jequitinhona.Aroldo Barbosa/Diamantina/MG
Publicado por Cleto de Assis em Setembro 2, 2008 10:39 am às 10:39 am
“Ah, se eu pudesse”, outro nome para “Instantes”, leitura de fim-de-semana publicado por Vidal, é um dos mistérios internetianos. Já foi atribuído ao argentino Jorge Luís Borges e rotundamente rechaçado pela viúva de Borges. Passaram a atribuí-lo a uma norte-americana que se chamaria Nadine Stair. E o poema (ou poemeto, como o classificam críticos mais severos) circulou pelo mundo todo. A versão em português passou pelo espanhol ou nos chegou por meio de versões quase literais do inglês (que seria o original). Ele se parece com outro, atribuído a Gabriel García Márquez, também desmentido pelo escritor colombiano. Para quem quiser aprofundar-se um pouco no “mistério”, sugiro a leitura do Jornal de Poesia, com artigos da escritora Betty Vidigal (http://www.jornaldepoesia.jor.br/autoria.html#betty) e outros que se interessaram pelo assunto.
Publicado por renivaldo ribeiro em Setembro 6, 2008 0:07 am às 0:07 am
Prefiro algo melhor, do que desejar fazer o que não fiz no passado em uma outra oportunidade. Que tal fazer agora, a partir deste instante, fazer aquilo que se tem vontade? Eu olho para trás e vejo o que vivi, mas está no passado, não posso mudar o que vivi, o que fui ou que fiz… e escolho o que fazer hoje. Errar mais ou menos, não importa, se se sentiu feliz com o que produziu ótimo, se não, mude agora enquanto pode. O ontem é produzido agora e o amanhã é só possibilidades.
Publicado por Tonio Luna em Setembro 9, 2008 12:46 pm às 12:46 pm
Prezado Hélio,
Este texto foi mesmo gravado pelo meu pai. A autoria foi atribuída a várias pessoas mas mesmo assim não se sabia quem era o verdadeiro autor.