REFLEXO poema de deborah o’lins de barros

Ninguém gosta do espelho.

Em frente a eles nos vemos…

 

É na frente do espelho que

A mulher quase magra

Admira tristemente

As celulites não admitidas

E as insulta,

Como se a própria mulher

Não tivesse parte nisso.

 

É na frente do espelho que

O velho quase brocha

Raciocina friamente

Que a gostosa com quem dorme

É uma prostituta,

E não são seus lindos olhos azuis

Que a mantém perto dele.

 

É na frente do espelho que

O juiz quase honesto

Se envergonha inconscientemente

Das atrocidades absolvidas

E as ignora,

Se enganando que no juízo final

Outro juiz o julgará inocente.

 

Ninguém gosta do espelho…

Em frente a eles nos vemos.

E quando vemos que estamos com defeito

Fechamos os olhos imediatamente.

Nos envergonhamos,

Nos insultamos,

Nos avacalhamos,

Depois esquecemos, abrimos os olhos

E seguimos em frente.

 

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