SEM AS POEIRAS DE VOLTAIRE - poema de tonicato miranda
Maio 15, 2008 11:16 am de Equipe Palavreiros da Hora
Uma mariposa cinza
com a ponta de uma das asas quebrada,
mas com um desenho magistral,
mais trabalhado que kambé,
mais variado do que Roman
mais surpresa do que Poty,
mais elegante do que Mazé,
muito menor do que o sorriso da Desi
desceu em queda livre
de Piraquara a Morretes.
Depois de quase ser comida por um pombo,
uma gralha sobrevivente
e um gavião ancião;
depois de quase cair num canavial,
quase beijar uma grande pedra
às margens do Marumbi,
após a descida vertiginosa do cimo
dos picos da Serra do Mar,
pousou a teu pés.
Não declamou para ti
Ana Cristina César,
como era de se esperar,
mas Voltaire
“eu não beijo a poeira dos vossos pés,
porque vós quase não caminhais,
vós levitais nos meus pensamentos“.
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