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Posts de Julho, 2008

 
Não há balas perdidas. Existe um número preciso de disparos sem o qual a guerra não se realiza plenamente. A este número, imensurável porém limitado e apenas conhecido pelo contador sobre-humano, corresponde um número proporcional de vítimas.
            A 15 de setembro de 1945, faltava que uma bala fosse disparada para completar a ação total [...]

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Era uma vez um país onde muitos acocaram na boquinha da garrafa, adoraram a Eguinha Pocotó e dançaram o créu com a Mulher Melancia. E na semana em que este país aprovou a pesquisa com as células-tronco e deu um passo definitivo à civilidade, nesta mesma semana e neste mesmo país, Carlão e Bernardinho se [...]

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Dançando entre os pingos da chuva quente
Que caiu de repente
Você vem e abraça-me fortemente
Vez ou outra vem o choro calmamente
Choro um amor contido
Ainda bem que tu me olhas docemente
Não podes imaginar meu sonho partido
Por te amar escondido
Um amor sem ser correspondido
Dançando na chuva vejo teu bailar descontraído
O amor nos dá maior percepção
Para sabermos quando estás [...]

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Conta que o presidente Luiz Horácio e sua comitiva visitavam o sertão nordestino para aferir o sucesso do Programa Nordeste Fértil.
 
Nesse Projeto foram construídas muitas cisternas espalhadas pelos municípios e a água era conduzida por meio de tubos de ferro fundido para quase todo o sertão nordestino.  Com essa medida o solo estaria mais [...]

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De todos os bêbados convictos que conheci, Adilson, o Jabá (ou Xarope, como era chamado pelos colegas do ofício), foi o mais feliz e fiel executor da arte de beber. Ninguém sorriu tanto na vida, diante de uma cachacinha da boa, como o inesquecível Adilson.
      Para cada gole, principalmente quando alguém pagava, já que era [...]

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 Silente e impassível
o mar
navega sua beleza
em  preguiçosas caudas
e barbatanas velozes,
ilumina-se em translúcidas medusas
e na cromática simetria das escamas.
Refrata a luz e a vida
no remanso submerso das águas,
em seus relicários de pérolas
e no  balé  itinerante dos cardumes.
Mar, ó mar…
escondeste teus íntimos mistérios
na pressão insuportável dos abismos
nessas paisagens indevassáveis da vida
onde transitam  feições primordiais jamais iluminadas.
Abres, contudo, [...]

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Há só três pontos de vista sobre os acontecimentos no mundo: 1) o da liberdade, do progresso econômico-social-político e autodeterminação dos povos, 2) o do capitalismo-imperialismo, com sua dominação política e produção-destrutiva dos recursos e bens naturais, e 3) o de Vargas Lhosa, Arthur Virgílio-Fernando‑Henrique Cardoso‑Roberto Freire e outros imbecis de vários matizes. Essa redução [...]

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A terra ainda era menina demais, pois esta história remonta aos longínquos anos em que os homens ainda se dedicavam à vida pacata. O mundo humano se resumia a uma família e a porção de terra conhecida ainda era reconfortante, muito parecida com o paraíso. Na vila, única, se via apenas uma grande casa cercada [...]

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Lustroso um astro volante
Rompera as humildes relvas:
Com seu vôo rutilante
Alegrava à noite as selvas.
Mas de vizinho terreno
Saiu de uma cova um sapo,
E despediu-lhe um sopapo
Que o ensopou em veneno.
Ao morrer exclama o triste:
- Que tens tu de que me acuses?
Que crime em meu seio existe?
Respondeu-lhe: - Porque luzes?

 
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a poeta Marquesa de Alorna.

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Outra vez Hermes Lucas Perê e outra vez poetas brasileiros contemporâneos. Onde foram parar aqueles guris, acho q. da USP, q. apareceram uma vez na Veja falando de poesia & experimentos de linguagens?! Isso, faz mais ou menos dezessete anos. Lembro q. a repórter (ou o) ouviu Hilda Hilst e Leminski, poesia em camiseta e [...]

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(líricas de um evangelho insano)

Travessia, sumidouro,
fratura d’água, dentirrostro
atravessa o escorso do vento,
perde-se  além do vidro da ilha,
escorre pela vinha dos olhos,
arriba nos pássaros da estiagem,
não diz a palavra caída,
nem rejunta a perdida sombra,
mas, se encolhe no verso vazado,
recicla de azul o céu molhado de aço,
dorme pelos caminhos murchos,
e sob os ossos  escreve na transmigração impressentida…
a rotunda forma de bebidas quimeras,
impermanência coagulada,
líquido tempo, vazante…
Afunda na garganta, das rosas!

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A verticalidade
vertiginosa
da poesia mergulha
o cotidiano da novidade
no esquecimento
da atualidade
horizontal da prosa

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Os puristas e conservadores entortarão o nariz para essa idéia no mínimo original e exótica. Uma empresa lançou há pouco tempo na Espanha um produto que está fazendo o maior sucesso: o papel higiênico literário. Isso mesmo: papéis higiênicos, com papel e tinta especiais, trazendo obras de escritores clássicos: Cervantes, Shakespeare, Unamuno e outros grandes [...]

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A cada encontro uma nobre ocasião
Sem precisar você é precisa
Um beijo na medida proibida
Vindo arrancar o canto dos meus cisos
Com suas mãos incisivas
Feliz me revelo
ao desvendar seus segredos
Campo sem batalhas
para uma nova conquista
Sentir-te saudades a perder de vista
E  lembrar-te logo na despedida
Quem me dera poder te ver
antes que você se vista
no instante da inesperada visita
o [...]

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