ARRUFOS e O GRITO – por deborah o’lins de barros

“Arrufos – Belmiro de Almeida”

  

O quadro “Arrufos”, de Belmiro de Almeida, foi pintado em 1887 e, para mim, é uma das maiores obras-primas da pintura nacional. O termo “arrufos” é, nada mais, nada menos que uma briguinha boba, mas o que eu vejo é mais, muito mais…

   Todas as vezes que parei em frente a esse quadro, no Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, sempre me deparei com uma das mais tristes cenas já pintadas. Sempre imagino que a mulher pecou e até está arrependida, mas sabe que dessa vez não terá volta. Já o homem, sentado fumando um charuto, está tão decepcionado que parece preferir não pensar no assunto, e não dá bola para as súplicas da mulher. E eu tenho a impressão de que não foi a primeira vez que isso aconteceu, pois o homem não está chorando.

   Bem, essa é a minha interpretação, triste, romântica, mas gosto dela. No roteiro que escrevi sobre o meu amado-morto Álvares de Azevedo há uma cena que na minha cabeça só terá o sentido que quero se ficar visualmente semelhante a esse magnífico quadro, cheio de frestas onde nossa imaginação dá asas ao sentimento.

 

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              “O Grito de Munch”

 

Parece inconsebível, sob um olhar romântico, que esse quadro tenha sido pintado em 1893. No século XIX. Mesmo hoje, no século XXI, ele ainda é enigmático, quase assustador. Quase sempre imaginamos um final de século XIX sem luz elétrica, sem automóveis, sem fotografia colorida e com saias compridas. Mas não devemos esquecer que três anos antes de Munch dar seu Grito ao mundo, Van Gogh morria na França.

   Imagino que Munch deva ter se inspirado nas decisivas mudanças daquele fim de século: sufragismo; unificação italiana e alemã; a movimentada Paris, com as coristas de Toulouse-Lautrec; os bondes; o investimento na construção de navios gigantescos, comparados aos que haviam até então; as peças de teatro escritas por Oscar Wilde…

   Meu Deus! Que fim de século mais turbulento! É exatamente isso que passa pela minha cabeça quando vejo esse personagem amarelo desesperado. Deve estar se perguntando: “Aonde estão o bucolismo? e a mansidão? e o meu livro do Stendhal?”, “Como será o mundo dos meus filhos? meu Deus! e dos meus netos?”, “Será que o mundo acabará em uma grande guerra?”

    É, esse quadro foi uma premonição que o mestre do expressionismo Munch teve, no angustiado final do século XIX, sobre os devastadores séculos que viriam em seguida.

 

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Uma resposta

  1. esse quadro é quadrado!!!!
    além de seufeio
    é um lixao!!!!!!!

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