Sentado à sala dos suicídios
Revi-os todos. Um por um.
De nenhum deles quero renascer!
Sentado sobre minhas tumbas
Assisto o desfile das carcaças
Condenadas à morte
.
Outrora, quando me era folião
Entrudo dos carnavais da vida
Sentia o gosto do mel
Agora, da corte do meu patíbulo
Vejo a sangria de cada ferida
Cantando loas, aos condenados, em vida
.
Já não me aquece o desespero de tê-la
Como dantes se fizera precoce:
Modelo que não sabia morrê-la…
Hoje desfilo todos os meus suicídios
Gerados na sacristia das minhas angústias (e)
Aplaudo com carinho todos os meus dissídios
.
Deem-me férias, pois, todos os deuses
Sacripantas que açulam pretendidos e puritanos e damagogos
Deixem-me suicidado diante de vossos cadafalsos
Aliterem-me como a miudeza dos pingos das chuvas
Como o eco de todas as dores do mundo…
Mas deixem-me sentado à sala dos suicídios



Publicado por Tonicato Miranda em Julho 16, 2009 0:14 am às 0:14 am r r
Prezado João,
Vou reproduzir aqui a resposta que já lhe enviei ao seu magnífico poema.
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João do Lago,
“Você nos deixou, mas nós jamais nos curaremos desta sua ausência.
Quisera eu ser um dândi e ter muitos recursos para lhe patrocinar.
Como outrora existiu nas cortes aqueles que eram patrocinados
apenas pelo seu impressionante gênio.
Pois bem companheiro, os recursos para mim não foram suficientes,
e eu os pensara vultosos e fartos nas promessas infelizmente não cumpridas.
A crise mundial atingiu a todos, como cinzas de um vulcão transoceânico.
Como aos velhos, a sobra é a fila da lotérica. Esperança paga em Real, talvez.
Sobre seu poema,
resolvi lhe responder com um poema fabricado ainda agora
e que colarei aqui embaixo.”
Grande Abraço.
Saudações @ltetaraturasempre.sem_ou_comabsintos
TM
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Pequena Ode ao Suicídio
para 4 “Js”: Joplin, Hendrix e Morrison
Pensar no suicídio como esconderijo
A raposa acuada na busca da toca
Pensar no suicídio como o baque rijo
O corpo vindo ligeiro ao beijo do cimento
Pensar no suicídio como o balido da voz
A carne dura do bode ferindo a faca
Pensar no suicídio como o rio na sua foz
Afogando-se nas águas ele feito de água
Pensar no suicídio como bebida amarga
O absinto sem sentido e fora de nexo
Pensar no suicídio e a descarregada carga
A arma prenhe de pólvora a explodir o ego
Pensar no suicídio como tropel de cavalos
Assustando a platéia meu corpo sob cascos
Pensar no suicídio como o sangue nos ralos
A gilete no chão, o pulso gotejando vermelhos
Pensar no suicídio como o vôo de asa delta
O precipício na montanha é sua eternidade
O corpo voando ao nada e à música celta
Mas no átrio da descida perguntei:
Oh, mãe de verdes e de pedras:
__ Por quantos anos meu corpo esteve por aqui?
__ Por que perguntas? Não cabe entender,
por que medras?
A montanha sempre será mais do que a carne.
Blumenau, 7/Jul/2009
TM