O ÚLTIMO BLEFE – de marilda confortin / curitiba

 

Tanto blefou esse jogador

que a si mesmo enganou

temendo perder no amor

mentiu nas cartas, apostou.

Usou todo seu ouro, o tolo

para comprar bijouterias

nada muito valioso, só “rolo”

vaidoso, usava uma  por dia.

Manteve um coringa na manga

para qualquer eventualidade

caso aparecesse uma franga

ele (a)batia, sem piedade.

Desprezava as juras de morte

dos pobres e infelizes traídos

acreditava tanto na sorte

que nem sequer dava ouvidos.

Desperdiçou muitas cartas

perdeu a paciência, contudo

gastou sua palavra farta

com quem era surdo-mudo

Mas um dia, virou um valete

e o espada, acreditando na fama

subiu na mesa e gritou o blefe

trucou, sem ter nenhuma dama.

Foi então que se deu conta

que era sua ultima rodada

e que boa dama não se encontra

em baralho de carta marcada.

Pobre rei,  ficou nú, derrotado,

sem castelo, sem posses nem trono

teve todas as prendas do reinado

e hoje, nem desta coroa ele é dono.

 

 

2 Respostas to this post.

  1. Publicado por joanna em Novembro 5, 2009 11:39 am às 11:39 am r r

    Voce eh simplesmente FANTASTICA!!!!!! Parabens………………. adoro seus escritos, as verdades com seu humor sao Otimas……………..

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  2. Publicado por marilda em Novembro 5, 2009 21:45 pm às 21:45 pm r r

    Oi Joanna. Obrigada pelo comentário. Fico feliz em saber que os meus escritos divertem alguns leitores. Minhas verdades e mentiras se confundem (ou se fundem?).Não escrevo para críticos literários (nada contra, mas eu não saberia fazê-lo) nem sou profissional da escrita, por isso me dou a liberdade de escrever sobre qualquer coisa, qualquer tema e de qualquer jetio. Na verdade, escrevo pra me divertir. Um beijão e mais uma vez, obrigada pelo retorno.

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