No imaginário popular, vovó sempre foi aquela velhinha encarquilhada de Monteiro Lobato, a Dona Benta, inimaginada como alguém proprietária de algum sex-appeal. Que não se choquem os pudicos, mas jantá-la… nem mesmo o lobo mau.
Pois esta imagem da avó “maracujá-de-gaveta”, enrugada como uma Alena Ivanovna, de Dostoievski, ou uma babuskha de Tolstoi, caducou ao talho do bisturi da modernidade.
“Toda mulher devia ter 14 anos”, proclamou, certa vez, o sociólogo-dramaturgo Nelson Rodrigues.
Na sua época, era impensável a beleza na idade meã, de 50 pra cima:
– Marilyn Monroe morreu dessa enfermidade terrível que é a beleza. E o que é mais sofrido: a beleza jovem.
Isso nos tempos em que os bichos falavam e Nelson vivia de escrever paradoxos. Hoje as vovós estão tão jovenzinhas e enxutas – para usar uma gíria antiga – que, de vez em quando, uma vovó dá à luz, com mais de sessenta e tantos. Em vez de vovós, são as “momós”… As vovós mamães.
Doutora Anna Aslan – a primeira grande geriatra – e as artes disseminadas pelo cirurgião plástico brasileiro Ivo Pitanguy fizeram milagres pelas vovós de hoje, que malham nas academias e se submetem a tratamentos ortomoleculares para conservar a carroceria sempre saudável – “com tudo em cima”, como gostam de dizer.
Já se desvaneceu aquele antigo horror das mulheres muito vaidosas, em briga permanente com a palavra “avó”.
As vovós precoces de antigamente só faltavam amordaçar os netinhos, para que eles não atirassem em sua direção o dissílabo fatal:
– Vovó!
Atrás de uma bola, alertava-se, sempre vinha uma criança. E atrás de um netinho, uma velhinha. Isso, antigamente.
Hoje, atrás de um netinho podem muito bem vir as atrizes Marieta Severo e Betty Faria, ou a empresária Lígia Azevedo – que acaba de chegar aos 65 com uma silhueta digna da “Receita de Mulher” do mulherólogo Vinicius: Que haja uma hipótese de barriguinha, mas que a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana.
As vovós já não são aquelas velhinhas em cadeira de balanço, tricotando sapatinhos.
Elas curtem os netos, as netas, e até rivalizam com estas, usando calças três quartos, de cintura baixa e umbigo à mostra…
Marieta Severo confessa “alguns sustos” ao ser considerada “símbolo sexual” em plena maturidade:
– Acho que andam me confundindo com a Vera Fischer. Mas sou amiga dos amigos das minhas filhas porque sou muito animada. Acho muito engraçado ser considerada “uma gata” aos sessenta e “alguns”.
Mais do que cremes esfoliantes, as vovós gostosas precisam de “emoções”, ensina Marieta.
Como o olhar de um homem, torcendo o pescoço para reparar no seu “movimento de quadris”, a verdadeira revolução francesa do erotismo.
A verdade é que as Vovós Lolitas andam merecendo o nosso assobio. Até o quase pedófilo Vladimir Nabokov (Lolita) se apaixonaria por elas.


