O ATEU D’ARCAIS por hamilton alves / florianópolis

O filósofo ateu Paolo Flores D’Arcais submeteu-se a uma entrevista, intermediada por um jornalista, Gad Lerner, com o Papa Bento XVI. Naturalmente, sem querer resvalar à parcialidade, no cômputo geral de que um e outro disseram pode-se concluir, sem muita dificuldade ou esforço intelectual, que o Papa Bento XVI passou-lhe à frente folgadamente.

Houve um momento em que, por exemplo, na discussão do aborto, D,Arcais mostrou as unhas de nihilista materialista:

- “A mim, por exemplo, parece até repugnante a ideia de considerar um aborto como homicídio; nunca, jamais o consideraria equivalente, e até acho – eu, pessoalmente – imoral quem sustenta uma coisa dessas”.

O Papa Bento XVI lhe deu o troco:

- “Flores D’Arcais disse que quem considera o aborto um homicídio comete um ato imoral. Não aceito isso”.

Em outra ocasião desse debate, que poderia ter sido mais brilhante se D,Arcais estivesse um pouco mais à altura do Papa Bento XVI, procurou-se situar o momento decisivo em que o aborto devesse ser praticado.

Para D,Arcais nos dezesseis primeiros dias o embrião não está sequer constituído… são células indiferenciadas. Ora, como aceitar que, para uns, o homicídio se caracterize desde a concepção.

A essa objeção novamente as palavras do Santo Padre foram, a meu ver, perfeitas:

“Para Santo Agostinho e espero que para todos nós, é absolutamente certo que, se alguém é homem, é intocável. Depois, vem a outra questão, que é: a partir de que momento se é um homem?”.

E concluiu:

“Segundo meus conhecimentos de biologia, na realidade, esse ser leva consigo, desde o primeiro momento, um programa completo do ser humano, que mais tarde se desenvolve. Mas o programa já está lá, e por isso se pode falar de um indivíduo”.

Seria oportuno lembrar-se que todos os códigos penais da grande maioria dos países civilizados, inclusive o do Brasil, inclui o aborto como crime por estar envolvido o problema da violação do direito à vida do feto, que não pode ser de modo algum interrompido, seja qual for a fase em que se encontrar.

Pretender demarcar, por exemplo, como quer o Sr. D,Arcais, em que momento se pode dar a eliminação do feto, que Aristóteles, em sua doutrina, dizia poder-se falar da existência de uma alma entre os três até seis meses, como querendo dizer que antes disso não existe a formação de um ser humano, é uma teoria que não vinga mais em nosso tempo – e hoje se consagra tal crime independentemente de saber-se o estágio do embrião.

Mas para o Sr. d,Arcais é até imoral quem pense em termos de homicídio no caso do aborto. E, assim, com ele, se alinham todos os ateus materialistas, certamente.

O que, em última análise, revela a diferença abismal entre a posição cristã relativamente à materialista sobre um tema que ainda agora tem sido longamente debatido pelas mais diferentes correntes de pensamento.

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