a tarde cai de mansinho
saiba caem folhas de mim
vou me desfolhando no jardim
sou as folhas presas no ancinho
.
confesso jamais estive em Teerã
estou nas tristes folhas do galho
voando vou até mais um orvalho
quando a noite pousar na manhã
.
preso estou nesta janela e na dela
a esperar telefonemas ao meio dia
pois me encontre lá na chuva fria
serei o dedo esfregando a remela
.
a tarde vai, nada há mais para ver
o Sol foi brilhar outro lado do fim
deixou brotos de tristezas em mim
sou sorvete demorando a derreter
.
a tarde vai, morrerei no escurecer
serei na noite prisioneiro da ferida
terei aqui apenas palavras e bebida
pode até a luz não mais aparecer
.
a tarde se foi, é imensa a tristeza
rezo, não rezo, rezo por ninguém
darei de graça meu último vintém
comprarei com milhões sua leveza
.
Tarde! Demore-se mais por aqui
queria parir este último poema
dizer a ela da caçada a seriema
após tê-la nas mãos deixei-a fugir
.
Tarde esta foi mais uma bobagem
precisava revelar o novo dilema
amo a vela, não é tolice de cinema
tola é a vida, mas bela a viagem
.
Ah tarde, agora pode ir embora
já disse tudo, chutei muitos baldes
disse coisas na sala, nos arrabaldes
no quarto do olhar e até porta afora
Curitiba, 10/Fev/2011.
TM



