Revelações no crepúsculo – de tonicato miranda / curitiba





a tarde cai de mansinho

saiba caem folhas de mim

vou me desfolhando no jardim

sou as folhas presas no ancinho

.

confesso jamais estive em Teerã

estou nas tristes folhas do galho

voando vou até mais um orvalho

quando a noite pousar na manhã

.

preso estou nesta janela e na dela

a esperar telefonemas ao meio dia

pois me encontre lá na chuva fria

serei o dedo esfregando a remela

.

a tarde vai, nada há mais para ver

o Sol foi brilhar outro lado do fim

deixou brotos de tristezas em mim

sou sorvete demorando a derreter

.

a tarde vai, morrerei no escurecer

serei na noite prisioneiro da ferida

terei aqui apenas palavras e bebida

pode até a luz não mais aparecer

.

a tarde se foi, é imensa a tristeza

rezo, não rezo, rezo por ninguém

darei de graça meu último vintém

comprarei com milhões sua leveza

.

Tarde! Demore-se mais por aqui

queria parir este último poema

dizer a ela da caçada a seriema

após tê-la nas mãos deixei-a fugir

.

Tarde esta foi mais uma bobagem

precisava revelar o novo dilema

amo a vela, não é tolice de cinema

tola é a vida, mas bela a viagem

.

Ah tarde, agora pode ir embora

já disse tudo, chutei muitos baldes

disse coisas na sala, nos arrabaldes

no quarto do olhar e até porta afora

Curitiba, 10/Fev/2011.

TM

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