
Quando penso na missão humanitária de Zilda Arns, levando a um povo tão pobre como o do Haiti sua disposição de fundar no país a sua Pastoral da Criança, e ali caindo sob os escombros de uma igreja, lembro-me da história de outros missionários que também deixaram suas pátrias para viver em nome do amor. Sob esta bandeira a enfermeira britânica Florence Nightingale foi para a Turquia atender, como pioneira, os feridos de guerra, na Criméia, onde contraiu tifo. O bispo católico Daniel Comboni, deixou a Itália para dedicar-se aos doentes e miseráveis do Sudão, onde morreu de febre em 1881. Albert Schweitzer já era um reconhecido intelectual alemão quando, aos 30 anos, foi estudar medicina para doar-se inteiramente às comunidades negras da África, morrendo em Lambaréne, em 1965, cercado pela gratidão do povo do Gabão.
Todas as fronteiras se abriram para Zilda Arns e se há uma imagem que a identificou para o mundo foi a feição solidária do seu sorriso. Sua expressão era o retrato de um coração que se abria a todos, e sobretudo às crianças, com uma dedicação incondicional, num gesto incansável de esperança pela redenção dos desamparados. Seu amor ao próximo começara na menina que auxiliava os lavradores pobres, os indigentes que cruzavam seus passos e depois buscando recursos públicos para socorrer os necessitados. Médica, fez da pediatria uma especialidade providencial ao compreender que, para as crianças carentes, o carinho, os cuidados com a alimentação, higiene e prevenção são tão ou mais importantes que o tratamento clínico.
A Pastoral da Criança, organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), teve início no ano de 1983, na pequena cidade paranaense de Florestópolis, escolhida pelo altíssimo percentual de crianças mortas e onde o índice anual de mortalidade, depois de iniciado o seu trabalho, caiu de 127 para apenas 28 óbitos. Esta estatística de sucesso e os surpreendentes resultados posteriores apurados no Brasil inteiro, colocaram a Pastoral da Criança na vanguarda dos grandes projetos humanitários do mundo. As sementes do seu trabalho junto às mães e crianças carentes espalhadas nos bolsões de miséria de todo o país floriram e frutificaram, numa rede de solidariedade com mais de 260 mil voluntários, que acompanham cerca de dois milhões de crianças de até seis anos, além de quase 100.000 gestantes em 42.000 comunidades pobres em mais de 4.000 municípios. Suas condecorações, os vários títulos recebidos e a indicação para o Prêmio Nobel da Paz em 2001, 2002 e 2003 foram os gratos reconhecimentos desse fantástico trabalho.
Mas seu fraterno coração não palpitou apenas pelos pequeninos, como também por aqueles que, depois dos 60 anos, sobrevivem na miséria e na solidão. Em 2004, funda a Pastoral da Pessoa Idosa, criando uma rede de 15.000 voluntários “eleitos” pela dedicação e o amor com que atendem atualmente cerca de 100.000 idosos, sendo muitos desses irmãos estigmatizados pela omissão social e tantos deles pela ingratidão dos que mais amaram.
Em 12 de janeiro de 2010, Porto Príncipe foi palco de uma tragédia que sepultou cerca de 200.000 pessoas. Entre tantas vítimas, contavam-se 12 militares brasileiros e a médica e sanitarista Zilda Arns Neumann, catarinense nascida em 25 de agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha. Zilda lá chegara em missão internacional para levar a um dos países mais pobres do mundo o tesouro da saúde pela educação e o sonho de sobrevivência das crianças haitianas. Aos 75 anos deixou a roupagem física para entrar na imortalidade da vida. Algumas horas antes, na plenitude de sua obra missionária, proferira a última palestra que deu na Terra, e, referindo-se ao tema que sublimou sua existência, disse, poeticamente, com a beleza das metáforas: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossas crianças como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-las.”
Ao dedicar 27 anos de sua vida para atender as crianças do mundo Zilda Arns foi o exemplo mais eloquente da aplicação das palavras de Jesus:
“Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus” (Mt. 19, 13-15).
ESTE ARTIGO FOI ESCRITO PARA O JORNAL ‘MUNDO ESPÍRITA” PUBLICAÇÃO DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ. PUBLICADO AQUI COM LICENÇA DO AUTOR.
presentes. Mais ou menos o que, no direito, se chama de vício redibitório. Em outras palavras, é aquele defeito que o objeto que se pretende adquirir possui, mas que se você tivesse conhecimento antes, não compraria. O caso de um automóvel com o motor fundido, por exemplo.



sonhar diante do seu silêncio e falar diante de nossa impertinência de pescar significados naquilo que se entrega à percepção. Estamos sempre a falar da paisagem urbana a partir de suas relações com as contradições sociais, com o passado que a memória não esqueceu ou com os conflitos e harmonias que fazem o presente; encontramos enfim, uma causa, uma explicação para as imagens onde a cidade se deixa perceber. Mas é nas imagens poéticas que a cidade provoca a imaginação e solta os seus enigmas. “Em torno de cada imagem escondem-se outras. Forma-se um campo de analogias, simetrias e contraposições”. (2)
diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.”






(Foto: Carlos
(Foto: Nelson Jr. / STF)
(Foto: Nelson Jr. / STF
(Foto: Felipe Sampaio
(Foto: Carlos
(Foto: Carlos
(Foto: Carlos
(Foto: Carlos
(Foto: Nelson Jr. /
(Foto: Carlos
(Foto: Nelson Jr. /




