MOMENTO II – por olsen jr / rio negrinho.sc

NEM SEMPRE FOI ASSIM

 

Coincidências à parte, aliás, como já disse em outro lugar, coincidência é o acaso premeditado. Foi em novembro de 2004, quando ocupava o cargo de gerente de projetos da Fundação Catarinense de Cultura, em conversa com o escritor e editor, Francisco José Pereira, justamente no ano em que se lembravam os 40 anos do golpe militar no Brasil, ato que baniu o regime democrático que havia e se instalou o obscurantismo que vivenciamos durante 21 anos, que sugeri para ele a idéia de que deveríamos publicar uma antologia de contos “temática” tendo como leitmotiv os anos de chumbo. Não apenas para marcar a data, mas também e principalmente, para não descuidarmos de nossa própria participação nesta história.

O Francisco Pereira ouviu atentamente afirmando “(…) Foi uma pena que não tenhamos lembrado em tempo para fazer ainda este ano (…)”… Como o bate-papo continuou, comecei dizendo que o importante naquela situação era marcar a presença, contar a história, que mais não sirva, disse: para que esta juventude que está aí submetida à internet, vai e volta para qualquer lugar quando bem entende, diz o que quer a hora que quer, enfim, que tudo está pára ser feito, não há restrições nenhuma e pouco se está fazendo, mas principalmente, para que saibam que tudo isso nem sempre foi assim…

Quando ouviu a última expressão, Francisco teve um brilho no olhar, repetiu “nem sempre foi assim”, está aí um bom título e já pegou uma folha de papel com uma caneta e começamos a fazer uma lista de escritores. Antes de responder a pergunta “quem vamos convidar?”, deveríamos definir os critérios para estas escolhas. Na verdade tudo foi muito claro, deveriam ser escritores que tivessem “uma questão com a ditadura”, seja de prisão arbitrária, de constrangimento, de cerceamento de liberdade, de perseguição política, de algo que houvesse estigmatizado o “protagonista/autor” dentro do regime estratocratico imposto pelo arbítrio. Começamos pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A primeira lista pareceu alentadora, pelos nomes e pelas qualidades dos escritores mencionados. O tempo passou e realizamos mais duas reuniões com os mesmos propósitos, uma no Café Matisse e mais outra na FCC… Novamente o tempo correndo célere, e tudo aquilo me pareceu mais o sonho romântico de dois idealistas que primeiro precisam se encharcar de idéias, reviverem casos, amargar desilusões novamente, repassar o que poderia ter sido e não foi, e finalmente, cair na realidade dos novos tempos e tratar tudo com o mesmo desvê-lo, mas com a razão possibilitada pelo distanciamento histórico dos fatos e claro, ter a consciência de que se trata do testemunho de (sobre)viventes de um tempo mal.

Mantivemos mais dois contatos, desta vez por telefone, já tratando dos prazos das entregas dos contos. Agora, três anos (e daí a coincidência referida na primeira linha deste texto) depois daquela conversa inicial, será dada ao público a antologia “Nem Sempre Foi Assim” – contos dos anos de chumbo, com lançamento no dia 04 de dezembro, a partir das 19h30min, na Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemiem Florianópolis. Osautores convidados (por ordem alfabética): Amilcar Neves, Cristovam Buarque, Emanuel Medeiros Vieira, Francisco José Pereira, Mario Prata, Olsen Jr., Sérgio da Costa Ramos, Sérgio Faraco, Silveira de Souza e Urda Alice Klueger.

A propósito, lembrei agora, quando perguntaram ao Abade de Siéyès o que tinha feito durante a Revolução Francesa, simplesmente respondeu: “Eu sobrevivi!”.

Bem, camaradas, este livro trata de alguns “sobreviventes” e de suas histórias.

 

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NOTAS:

 

Segue o Momento II da homenagem ao camarada Francisco José Pereira…

Morto no dia 02 de julho…

Um  pouco da história…

A música pode ser esta…

Pouca gente sabe, mas o Hino do Estudante Brasileiro foi composta por Vi nícius de Moraes…

Porém (e sempre tem um “porém”, diria o amigo dramaturgo Plínio Marcos) o que ficou consagrado como Hino foi “Caminhando” (ou para não dizer que não falei das flores) de Geraldo Vandré…

Vai…

http://www.youtube.com/watch?v=gVmmgvgB8Ms

 

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