Foi como uma virada no finalzinho do segundo tempo de uma partida de futebol.
Mesas emocionadas do dia final conquistam o público
Aberta na última quarta-feira à noite em Paraty, até ontem a Flip vinha perdendo para a apatia e a mornidão.
Mas o último dia da festa literária, que costuma ser o mais monótono, reuniu dois dos debates mais divertidos e espirituosos da décima edição: o de Fabrício Carpinejar e Jackie Kay e o de Gary Shteyngart e Hanif Kureishi.
Houve também um momento de comoção da plateia, após o poeta Carlito Azevedo ler um poema inédito que fez para Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da festa.
Na verdade, a virada havia começado a se desenhar na noite do sábado, quando os cartunistas Angeli e Laerte divertiram o público presente à Tenda dos Autores com sua sintonia escrachada.
Não que até ali não tivesse havido graça.
| Zanone Fraissat/Folhapress | ||
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| O libanês Amin Maalouf (esq.), o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flip, a britânica Liz Calder, na mesa “Livro de Cabeceira” |
A conferência de Antonio Cicero sobre Drummond na abertura, o debate sobre a morte por Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello, a mesa sobre Shakespeare com Stephen Greenblatt e James Shapiro e a troca intelectual entre Adonis e Amin Maalouf foram alguns bons momentos.
Mas não houve um nome consagrado pelo público (como Valter Hugo Mãe em 2011 ou Ferreira Gullar e Isabel Allende em 2010) nem confrontos acirrados de ideias, outra marca da festa –no ano passado, o curador criticou um convidado (Claude Lanzmann), que atacara um mediador; em 2010, convidados criticaram o homenageado Gilberto Freyre, e outros, o então presidente Lula.
Ao contrário, a ideia de juntar em várias mesas convidados com afinidade eletivas revelou-se infeliz, com poucos atritos e debates que pareciam papo de comadres.
Mais que isso, as atrações mais esperadas protagonizaram encontros chochos.
Foi assim com o americano Jonathan Franzen, numa mesa em que alternou momentos de leseira e simpatia.
Ou no debate entre Ian McEwan e Jennifer Egan, que se salvou graças a tiradas espirituosas dele, mas ainda assim não passou de mediano.
Para ajudar a transformar o último dia num domingo gordo, a mesa “Livro de Cabeceira”, evento de encerramento em que os convidados leem trechos de seus títulos prediletos (e que normalmente é esvaziado), reuniu neste ano algumas das principais atrações da Flip, como Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Luis Fernando Verissimo e Javier Cercas.
GRACILIANO
Embora a organização da Flip não tenha confirmado, é provável que o autor homenageado da edição de 2013 seja o romancista alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).
A informação oficial deve ser anunciada em 45 dias.
O jornalista Miguel Conde será mantido na função de curador para o ano que vem.
De acordo com os organizadores do evento, a edição encerrada ontem levou 25 mil pessoas às ruas da cidade de Paraty durante os cinco dias de festa e teve recorde de participação de público, com 45 mil acessos aos 135 eventos disponíveis.
FABIO VICTOR
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
MARCO RODRIGO ALMEIDA
RAQUEL COZER
RODRIGO LEVINO
ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY (RJ)
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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