Paca, tatu, cutia não! – por olsen jr. / rio negrinho.sc

Prometi que não ia falar sobre o assunto, mas não resisto. A notícia da separação daquela artista e modelo, depois de oito “longos” meses de casamento me faz lembrar a história de duas amigas que se encontraram num shopping após quase 15 anos sem se ver.

- Olá querida, quanto tempo?

“Muito tempo mesmo”, pensou a outra, fazendo um breve cálculo, mentalmente, enquanto procurava o que dizer.

- Como você está bem…

Surpreendida com aquele encontro, nem pôde dimensionar o elogio que recebia, mas estava atenta à indumentária da amiga. Não tinha muita noção de etiqueta; intuia, entretanto, que aquele vestido negro não era a roupa mais adequada para se usar em uma tarde de um dia de semana para simples compras.

- Qual é a fórmula para permanecer jovem assim?

As palavras saíam em golfejos, como se tivessem ensaiadas durante muito tempo apenas para preencherem aquelas ocasiões.

“Muito trabalho… muito trabalho”, pensou, sem no entanto dizer nada. A amiga parecia não lhe querer ouvir.

- Mas que blazer bonito este seu, onde você comprou?

“Pois agora”, pensou, fazia pelo menos dez anos que tinha aquela roupa, não percebia nada de mais, era comum. O que será que ela estava pretendendo?

- Você está bem mesmo, hein? Sempre invejei esta sua postura, tudo o que você veste fica muito bem.

Enquanto ela falava, não pôde deixar de observar aquele batom vermelho carregado, o que tornava a boca da amiga uma provocação desnecessária.

- Há! – exclamou – como tudo isso me cansa.

E aquela sombra no olho? O conjunto era por demais chamativo.

- Estou aqui há três horas e não gastei ainda os R$ 2 mil que ganhei ontem.

Como havia mudado, não parecia ser a mesma com quem convivera em outros tempos.

- Você casou? Tem filhos? Como está a vida?

Ela falava muito rápido, em pequenos arranques, olhando para os lados, como se estivesse fazendo um esforço por estar ali, tendo de bancar aquela “quase obrigação” de conversar e ser agradável. Fez menção de responder, mas a amiga insistia com outras referências.

- Eu consegui ficar casada por três meses, imagina, não sirvo para ficar fechada num apartamento, não dou para a coisa, entende? Quer dizer, dar eu dou, mas não… você sabe? Perguntou sorrindo e revelando os dentes (outrora brancos) com a cor amarelada da nicotina levemente pigmentada com o vermelho do batom.

A amiga tinha mudado muito, percebia sem esforço, punha um toque de vulgaridade em tudo o que fazia, falava ou gesticulava, parecia muito confiante na beleza do rosto ou do corpo, o quê, apesar da idade (faziam aniversário no mesmo mês, dezembro, e do mesmo ano, 53), sabia-o ainda era cobiçado.

- Gosto da vida que levo, sem horário para acordar, sem compromisso para fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo, sem explicar nada para ninguém. Vou onde quero, à hora que quero, com quem eu quero. Ganho meu dinheiro, não devo nada para ninguém. Viajo, passeio, tenho minhas aventuras… tudo sem compromisso. Quem quiser, tem de me aceitar como sou, livre, desimpedida, sexy, gostosa, cheia de vida, romântica, sonhadora, com tudo para ser “curtido” ainda… Ah! Quer saber se sou feliz? E como, querida… A propósito, fale um pouco de você.

Dizer o quê? Não sabia por onde começar, principalmente porque todo aquele interesse parecia falso.

- Não vejo a hora, interrompe a amiga, de chegar em casa, ligar a banheira, encher de sais, e me deitar naquela espuma… sei que deve ter pelo menos dois buquês de flores, cartões apaixonados, de admiradores que não dou a mínima, mas faço com que pensem serem especiais, serem únicos, todos os homens gostam… como são tolos estes homens. Suspirou, e como se lembrasse de algo, repetiu:

- E você, querida? Fale de você, o que tem feito?

Compreendendo o cinismo de tudo aquilo e no que sua amiga se transformara, não teve dúvidas:

- Ah! Eu… Bem, eu também sou puta!

.

NOTAS:

Vai a da semana com o carinho de sempre…

A música poderia ser esta…

http://www.youtube.com/watch?v=ifMuAvaPOd0&feature=related

O “Trio Galleta” foi uma banda argentina fundada em 1969…

Iniciaram fazendo covers (Creedence, Ray Charles) depois criaram o seu próprio som…

A música “I’m so Happy” gravada em 1972 foi uma das mais tocadas no Brasil, deixando o Rei Roberto Carlos em segundo lugar…

Teve uma versão “Sou Feliz” feia por “The Fevers” que também emplacou…

Só para “matar” a saudades…

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 395 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: