UMA FARMÁCIA DENTRO DO CARRO – por olsen jr / rio negrinho.sc

 

Na medida em que vamos passando pelo tempo (detesto a palavra envelhecer) estamos adquirindo e incorporando hábitos.  Quando se é jovem fazemos pouco desta prática ao constatá-la nos outros. Principalmente quando o fato se dá em cima de algo que julgamos não  precisar tão cedo, ou melhor, sequer nos imaginamos em situação de “necessitar”… Estou pensando em “remédios”, por exemplo.

Não lembro quando percebi isso, mas acredito que foi enquanto esperava o frentista abastecer o carro, “the good and old Hägar, o Horríve”l (é o nome dele, herdado do Dick Browne)… Arrisco em contar a história.

Primeiro foi um inocente colírio “Moura Brasil”, apenas para refrescar e clarear a vista já antecipando uma hipotética necessidade em uma viagem em função de minhas novas atividades pelo estado de Santa Catarina…

Depois, quando um check-up detectou uma hipertensão e tive que regularizar isso diariamente com um medicamente tradicional, the big and famous “Captopril”… Como sempre me lembrava de tomar o remédio quando já estava dentro do carro, não tive dúvidas em deixar uma caixa ali à mão para não deixar passar batido…

Mais tarde fui contagiado pela mania de limpar as mãos com um gel anticéptico antes de tocar no volante, segundo se afirmava era uma maneira de não se contaminar com a tal gripe “H1N1” ou Gripe “A”… O contato estava resolvido, mas e o ar?… Não sou médico, estava fazendo o que recomendava a vox populi vox dei…

Acreditando que o tal gel poderia ressecar as mãos, adicionei o hidratante, por recomendação de uma amiga, um creme da Natura, com odor de maracujá, belo, caro, mas eficiente, um odor agradável compensava todo o mise-en-scène em aplicá-lo…

Seguindo a máxima de que “vale mais prevenir que remediar” após três ataques de gota em tempos diferentes com uma dor insuportável, tive de me precaver… A gota era considerada antigamente, a “doença dos reis”, o excesso de proteínas no organismo gerando um ácido úrico além da conta e que se não tratado acaba em “gota”…  Depois de ler sobre o assunto, não é difícil imaginar, aqueles senhores diante de uma mesa farta com carne de javali, coelho, ovelha assada e aves silvestres acompanhadas com vinho tinto… Ingerindo com a pele, o couro, além dos miúdos de aves, coração, moela, fígado onde se concentram os mais altos teores de toxinas e de onde se origina o tal ácido úrico… Well, levava comigo sempre uma caixinha de “Colchicina”… Três comprimidos ao dia, de preferência antes de comer qualquer daquelas comidas apreciáveis por um descendente de viking…

Com a mudança de clima oriunda da altitude (800 m acima do nível do mar) um frio de inverno, lugar úmido e desencanto o velho “Vick – VapoRub” de guerra para melhorar a respiração… À noite, o igualmente imbatível “Neosoro”, no meu tempo de guri era “Rinosoro”, no fim, mais do mesmo…

Todas às vezes que estou num posto de gasolina constato a presença de todos estes medicamentos à minha disposição… Semelhantes àquelas equipes que acompanham os ciclistas na disputa do “Tour de France” estão presentes e correm paralelamente, em algumas etapas não se precisa deles, mas ninguém adivinha qual e por isso andam todos juntos… Depois, se servir de consolo, lembro de Bernard Shaw quando diz “Use toda a sua saúde a ponto de esgotá-la. E gaste todo o seu dinheiro antes de morrer. Não vale a pena sobreviver a essas coisas”… O humor cáustico do escritor irlandês, no entanto, apenas abranda a consciência de que enquanto aquela etapa da prova não for cumprida o atleta não muda, mas a equipe de apoio está constantemente em transição!

lembrei do Mencken “Quanto mais envelheço, mais desconfio da velha máxima de que a idade traz a sabedoria”.

 

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NOTAS:

A música poderia ser essa, “Summertime Blue”, de Eddie Cochran…

Gravada em 1958, foi um dos grandes sucessos daquele ano…

A canção foi trilha do filme “Caddyshack’ (1980)…

Foi classificada em 73 lugar entre as maiores 500 de todos os tempos pela Revista Rolling Stone…

Também gravada por inúmeros artistas, entre eles, os grupos “The Beach Boys” e “The Who”…

Eddie Cochran morreu em 1960, aos 22 anos num acidente de carro…

Este formato que deu para a gravação de “Summertime Blue” acabou moldando o que viria depois…

Do rockabilly ao rok’n roll…

http://www.youtube.com/watch?v=MeWC59FJqGc

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