Autor Arquivo: Equipe Palavreiros da Hora

Florence Nightingale: a lâmpada da caridade (*) – por manoel de andrade / curitiba.pr

 

A ENFERMEIRA NO ACAMPAMENTO COM AS DEMAIS COLEGAS E ALUNAS.

                                                                              “A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte,  requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes, poder-se-ia dizer, a mais bela das artes”…

                                                                                                                         Florence Nightingale

          Realmente é uma arte das mais belas devotar-se ao alívio do sofrimento humano e Florence Nightingale, filha de aristocratas londrinos, teve que romper com a própria família quando optou por esse caminho. Contrariada com o vazio da vida na alta sociedade de Londres, aos 24 anos sente um forte apelo íntimo para cuidar dos enfermos, mas viu os primeiros passos de sua vocação paralisados pela frontal oposição da mãe.

Nascida na Itália, numa longa viagem dos pais, seu nome foi uma referência à cidade de Florença onde veio à luz em 12 de maio de 1820. Aos vinte anos, entediada com a rotina dos bordados e da dança de salão, insiste com os pais que a deixem estudar matemática, mas a mãe não permite. Contudo, como o pai gostava da matemática, ambos acabaram concordando, desde que a filha estudasse tutorada por bons  matemáticos, entre eles Arthur Cayley —  posteriormente conhecido pelos seus estudos da matemática pura e sobretudo pelo seu  trabalho sobre matrizes algébricas, desenvolvido na mecânica quântica por Werner Heisenberg em 1925 — e por James Joseph Sylvester — celebrizado pelas suas teorias dos invariantes, matricial e análise combinatória  — de quem foi considerada a melhor aluna. Seus conhecimentos de Aritmética, Geometria e Álgebra foram utilizados para dar aulas para crianças antes que abraçasse a carreira de enfermagem. Além das aulas com os matemáticos ingleses, Florence estudou os métodos estatísticos do cientista belga  Jacques Quetelet  — célebre pelos estudos sobre o Índice da Massa Corporal (IMC)  — que ela aplicou pela primeira vez, como enfermeira de guerra, utilizando métodos de representação visual com informações em forma de diagrama para mostrar as taxas de mortalidade dos soldados na Guerra da Criméia.

Seu caminho irreversível para a enfermagem começa em 1846 ao sensibilizar-se diante de um fato que escandalizou a opinião pública pelo péssimo tratamento que levou à morte um indigente numa enfermaria de Londres. Florence levantou a bandeira do Comitê de Lei para os Pobres (Poor Law Board) propondo sua reforma e visando ampliar os deveres do Estado no atendimento dos pobres e desamparados. Seu interesse pelas causas sociais e suas iniciativas de buscar experiência para socorrer doentes em hospitais, contudo, não eram aceitas pela família. Seus poucos procedimentos de enfermagem reduziam-se ao atendimento de parentes e amigos doentes. Os fortes preconceitos sociais da época não abriam à profissão uma graduação acadêmica e as enfermeiras eram vistas como pessoas sem preparo, ignorantes, sem reputação, ladras, sexualmente promíscuas e voltadas para o alcoolismo.[1]

Aos 30 anos Florence decide romper com a oposição da família e finalmente iniciar uma missão que, segundo ela, nascera de um chamamento espiritual ouvido aos 17 anos. A partir de então começa a fazer estágios em importantes hospitais da Alemanha e da França, iniciando seu treinamento como enfermeira. Em março de 1854 teve início a Guerra da Criméia, com a Inglaterra, França e Turquia declarando guerra à Rússia. As críticas da imprensa contra a precariedade hospitalar na retaguarda militar britânica levou o governo da Inglaterra a solicitar a supervisão oficial de Florence aos hospitais ingleses na Turquia, onde chegou em novembro de 1854, com 38 enfermeiras.

O início de seu trabalho em Scutari, um subúrbio asiático de Constantinopla (hoje Istambul), não foi fácil, pelo fato de ser mulher e ter que enfrentar os preconceitos, a burocracia, a alta hierarquia militar, a hostilidade dos médicos e a falta de recursos a fim de mudar toda a estrutura do sistema hospitalar. Encontrou os soldados deitados em chão de terra, partilhando o mesmo ambiente com baratas, insetos e ratos e onde os processos cirúrgicos eram feitos em condições anti-higiênicas. Alarmada com o altíssimo índice de mortalidade causado pelo tifo e pela cólera, concluiu que as doenças hospitalares estavam matando sete vezes mais do que os campos de batalha. Com uma coleta constante de dados e aplicando os métodos de Quetelet, organizou registros e estatísticas montando diagramas de área polar onde visualizou, mês a mês, que o rigor na assepsia fazia decrescer as mortes por infecção. Durante o mês de janeiro de 1855, enquanto 2.761 soldados morreram por doenças contagiosas, apenas 324 foram por causas diversas e 83 por ferimentos em campo de batalha. Seus relatórios foram de importância vital para a sobrevivênvia do exército britânico na guerra, mostrando que com tal índice de mortalidade e a não reposição constante das tropas, em pouco tempo todo o contingente da Crimeia seria aniquilado pela infecção. Três meses depois de sua chegada, as taxas de mortalidade de fevereiro de 1855 caíram de 60% para 42,7%. Prosseguindo com as melhorias sanitárias, o uso da água fresca, frutas, vegetais e novos equipamentos hospitalares, os óbitos caíram em abril para 2,2%.

Com o correr das semanas e dos meses, a imagem de Florence emergia triunfante pelo reconhecimento e admiração dos próprios médicos e pelos resultados da disciplina e da liderança com que comandava as demais enfermeiras. Contudo foi entre os soldados que sua imagem foi surgindo como a de um anjo da guarda, sempre buscando  consolar os moribundos. Sua generosidade e doçura com os pacientes e seus cuidados percorrendo as enfermarias dos batalhões e acampamentos durante a noite com uma lanterna na mão, visitando a todos e dirigindo-se a cada um, fizeram-na conhecida como  “A dama da lâmpada”.

Com o fim da guerra, Florence retorna a Londres e verifica que os soldados, entre 20 e 35 anos, mesmo desmobilizados pelo fim da guerra, dobravam o índice de mortalidade em relação aos civis. Seu pedido de investigação e de reforma nas condições sanitárias dos hospitais militares chamou a atenção da Rainha Vitória e uma Comissão Real Sobre a Saúde nas Formas Armadas foi instalada em 1857. As mesmas providências Florence pediu para os hospitais militares da Índia. Em 1858, suas contribuições para a saúde dos soldados ingleses levaram-na a ser eleita membro da Sociedade Estatística Real.

Quando de seu retorno à Inglaterra, em 1856, acamada e limitada pela doença que contraiu na guerra, recebe um prêmio em dinheiro do governo britânico, pelo extraordinário trabalho e a dedicação incondicional aos feridos na guerra. Todo o dinheiro foi usado por Florence para fundar, em1859, aPrimeira Escola de Enfermagem, no Hospital Saint Thomas, tornando-se modelo para as demais escolas que surgiram no mundo ao estabelecer as bases da moderna enfermagem. Era o seu sonho transformando-se em realidade: ensinar a outras mulheres a grandeza e a dignidade da enfermagem, concebida como uma verdadeira profissão e exercida com ciência e como uma arte.

A biografia de Florence Nightingale é a história de uma vida inteiramente dedicada ao amor pelos semelhantes e seus detalhes não cabem nos limites deste artigo. Na Guerra da Crimeia, quando um médico a pediu em casamento ela respondeu que “Com 17 anos ouvi a voz de Deus convocando meus serviços”. Sua missão de lenir o sofrimento humano nunca lhe permitiu que se casasse. O espírito Emmanuel, numa sugestiva passagem, referindo-se à “Dama da Lâmpada” afirmou: “Pensas em Florence Nigthtingale, a mulher admirável que esteve quase um século entre os homens, dedicando-se aos feridos e aos doentes, sem quaisquer intenções subalternas.” (Justiça Divina, F.C. Xavier, FEB, 3ª ed., p. 109.)

“Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda.
Escolhi ser enfermeira porque amo e respeito a vida!!!”

                                                                                   Florence Nigthtingale (1820-1910)

(*) Este artigo foi escrito para o jornalMUNDO ESPÍRITA” publicação da Federação Espírita do Paraná.  Publicado aqui com licença do autor.

[1] Charles Dickens (1812-1870), o mais famoso escritor da era vitoriana e um crítico profundo da miséria social do seu tempo, retratou de uma forma nua e crua o perfil da enfermagem na Inglaterra em seus romances Oliver Twist, Martin Chuzzlewitt.  Neste último, a célebre personagem da enfermeira Mrs. Sairey Gamp é o retrato chocante do despreparo profissional, da frieza e do descaso para com os doentes.


O DEDO do LULA – por emir sader /são paulo.sp

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.

- por Emir Sader

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.

Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.

A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.

A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.

Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.

Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.

Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.

O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.

Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

PAULO EGYDIO MARTINS, ex governador de São Paulo, e a morte do jorn. WLADIMIR HERZOG . Entrevistado por Geneton Moraes Neto / são paulo.sp

Ex-governador de São Paulo dá veredito: “Suicídio foi maquiado. Herzog foi assassinado no II Exército”. E descreve chantagem praticada por militares do DOI-CODI contra um general

por Geneton Moraes Neto |

A Globonews reapresenta nesta terça-feira (amanhã 5/6/12)  em dois horários:  uma e cinco (madrugada) e onze e cinco da manhã)  o DOSSIÊ GLOBONEWS em que o ex-governador Paulo Egydio Martins se torna a primeira autoridade a se oferecer publicamente a depor na Comissão da Verdade. Egydio – que governou São Paulo de março de 1975 a março de 1979 –  descreve com detalhes, na entrevista, cenas de bastidores ocorridas em momentos críticos do regime militar, como a crise provocada pelas mortes do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho nas dependências do II Exército. Pela primeira vez, uma autoridade da época faz uma declaração tão direta sobre as circunstâncias da morte do jornalista: “O suicídio foi maquiado. Herzog foi assassinado dentro das dependências do II Exército, na rua Tutóia, em São Paulo”.

O ex-governador também se refere, na entrevista, a um caso que jamais foi esclarecido: uma chantagem praticada por subordinados contra um general do II  Exército. O fato de não se saber do desfecho da chantagem parece ser uma prova de que ainda há capítulos inteiros a serem contados sobre a história do regime militar.

Trechos da entrevista:

GMN: O senhor revela que o chefe do Estado Maior do II Exército foi vítima de uma chantagem, praticada por dois militares que ameaçavam denunciar publicamente a prática de torturas no II Exército. Que providências o senhor tomou ?

Paulo Egydio: “Quando o coronel Erasmo Dias ( secretário de segurança ) me procurou, me disse o seguinte: “Governador, o general Marques me procurou,nervosíssimo, extremamente tenso, porque um sargento e um cabo, integrantes da equipe do DOI-CODI, foram a ele pedindo um volume de dinheiro. Senão, iriam delatar para a imprensa o que se passava dentro do DOI-CODI. E ele ficou sem saber o que fazer. Veio me pedir se eu podia arranjar esse dinheiro da verba secretra da Secretaria de Segurança”.

Quando eu assumi o governo, extingui a verba secreta do gabinete do governador. E disse a Erasmo que a verba secreta da Secretaria de Segurança era de responsabilidade dele. Jamais eu iria intervir. Virei para ele e disse: “Erasmo, a decisão é sua, sobre se vai atender ao Marques ou se não vai atender. Chantagem só tem duas respostas: “Ou você mata ou você morre”. Porque qualquer tentativa de aceitar chantagem é horrível, é péssima. É minha reação pessoal. Você faz o que você quiser fazer” .

Nunca mais tive retorno dessa conversa. Nada aflorou dessa chantagem. Mas ela mostra o que significa, como quebra de hierarquia militar: a gravidade deste episódio. Porque, quando um cabo e um sargento procuram um general comandante do Estado Maior de um Exército e chantageiam pedindo dinheiro para não contar o que estava se passando dentro do recinto pertencente a esse mesmo Exército, acabou qualquer hierarquia militar, qualquer espírito militar. Isso é absoluta e totalmente incompreensível e inaceitável”.

GMN: O fato de esses militares não terem feito a denúncia pública não significa que eles podem ter recebido o dinheiro ?

Paulo Egydio: “Eu não saberia lhe responder. A dúvida paira. Não voltei a conversar com Erasmo. Não foi pedida prestação de contas. A verba era secreta. Não estava sujeita à aprovação de ninguém. Não saberia lhe responder. Posso dizer que sim e posso dizer que não”.

O Caso Herzog: Egydio pediu a órgãos de segurança a ficha do jornalista. Conclusão: Nada consta.

GMN : O senhor fez uma reunião com o então secretário de  Cultura, José Mindlin; com o coronel Erasmo Dias, secretário de segurança; com o diretor do DOPS, Romeu Tuma e com o representante do SNI, coronel Paiva, para discutir a nomeação do jornalista Vladimir Herzog para a TV Cultura. Qual foi o resultado da reunião ?

Paulo Egydio: “Quem me trouxe o problema foi o secretário de Cultura, meu amigo José Mindlin, que disse:”Estou recebendo acusações de ter escolhido, com muitas dificuldades, um responsável pelo Jornal da Cultura. E esse indivíduo que escolhi agora está sendo acusado – por uma imprensa marrom – de ser comunista” . Eu não tinha a menor idéia, cá entre nós. Se a Globo tinha cinqüenta por cento de audiência, o Jornal da Cultura deveria ter zero vírgula zero um de audiência. Quem era o diretor de jornal da TV Cultura era algo que não estava na minha cabeça –  de jeito nenhum. Se era comunista, se não era comunista….Virei para Mindlin: “O problema não é meu. É seu. Você resolve como quiser”. E Mindlin: “Isso tem me causado incômodo. Preciso que você verifique se procede alguma coisa ou não”.   Numa reunião, deixei instruções específicas : eu queria ter  informações do Serviço Secreto do Exército , Marinha e Aeronáutica e do SNI sobre se alguma coisa constava sobre aquele diretor de jornal da TV Cultura – de quem eu nunca ouvido o nome antes – , chamado Vladimir Herzog. Passaram-se dez, quinze dias. Houve outra reunião, em que as mesmas pessoas se reportaram a mim: “Nós levantamos tudo. Nada consta, senhor governador”. Eu disse: “Mindlin, veja a resposta: se nada consta, você fica livre para decidir o que quiser. Já cumprimos nossa obrigação de verificar se procedia uma acusação ou não. Ficou provado que não procede. Você, agora, aja como quiser agir. Quer manter, mantenha. Não quer manter, não mantém. Após esse incidente, houve a determinação se ele comparecer ao DOI-CODI, onde acabou assassinado”.

GMN :Se nada constava contra Vladimir Herzog nos órgãos de informação, se a ficha era limpa, como o senhor diz, a prisão foi inteiramente
injustificada. Depois da morte de Vladimir Herzog, o senhor fez esta comunicação ao presidente Geisel ?

Paulo Egydio: “Fiz. Não só fiz esta comunicação, como eu tinha liberdade com ele de pensar alto. Eu estranhava o que estava se passando, aquele luta intestina, aquela luta em quarto escuro. Você não tem meios de comprovar essas coisas com clareza. Como é que você comprova uma tortura ? Só assiste a tortura o torturador. E um torturador não vai dedurar outro torturador. Num caso desse aqui, eu dizia para Geisel: “Presidente, estou estranhando : existe alguma coisa a mais”. E Geisel: “Paulo, tire isso da cabeça! Enquanto eu for Presidente desse país, nada vai acontecer”. Geisel não aceitava que a autoridade dele pudesse ser questionada. Não é mais um fato de você averiguar: é um fato histórico. Havia um plano de derrubar o general Ernesto Geisel da presidência da República. Tentaram me usar como governador do 
Estado mais forte da federação naquela ocasião pela minha ligação pessoal com ele – que era pública e notória (….). Havia uma briga interna do Exército  que nós, civis, não avaliamos. Não tenho a menor dúvida quanto a um embate dentro de duas facções do Exército nacional que disputavam o Poder”.

GMN: Quando o senhor tratou com o presidente Geisel pela primeira vez sobre a morte de Vladimir Herzog, o senhor disse a ele que nada
constava contra o jornalista Vladimir Herzog nos órgãos de segurança?

Paulo Egydio:”Disse. E disse claramente, como acabo de  repetir para você. Ele sabia disso ( silêncio). Se maquiou um suicídio ! O suicídio foi maquiado ! Não houve suicídio! Herzog foi assassinado dentro das dependências do II Exército na rua Tutóia, em São Paulo”.

GMN: O senhor testemunhou uma cena importantíssima dos bastidores do regime militar: o dia em que o presidente Geisel chamou o então
comandante do II Exército, general Ednardo D`Ávila, logo depois da morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do quartel. O que foi exatamente que o general Geisel disse ao gen0eral Ednardo ?

Paulo Egydio :”Eu já tinha me recolhido com o presidente Geisel para a ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Estávamos sentados na biblioteca. Ednardo subiu para a ala residencial. Quando apareceu na porta, fiz um gesto de me levantar .Não ia ficar presente a uma reunião do Presidente da República com o comandante do II Exército, os dois generais. Geisel virou para mim e disse:  “Não,não, Paulo. Quero que você fique aí e escute”. E o general Ednardo D`Ávila Melo, perfilado, em posição de sentido, na frente de Geisel e na minha, ficou ouvindo Geisel se dirigir a ele assim:  “Ednardo, você me conhece muito bem. Você sabe do meu passado. Você sabe da minha história. Não vou admitir que fatos como esses que ocorreram aqui no II Exército se repitam. Quero que você saiba que vou tomar medidas. Você vai tomar conhecimento pelo seu ministro do Exército e pelo Diário Oficial. Vou tornar isso um decreto: proibir que alguém seja preso antes de uma comunicação ao meu gabinete – ao gabinete militar, ao SNI ou a mim, pessoalmente. Só depois dessa comunicação é que posso admitir que um preso político seja levado ao recinto de um quartel do Exército. O senhor está me ouvindo? Está entendendo? “. E o general: “Sim, senhor  Presidente; sim,senhor Presidente”. Geisel: “Pode se retirar”. Escutei tudo aquilo quieto e calado. Meses depois, houve o caso de Manoel Fiel Filho – que contrariou juridicamente, formalmente e hierarquicamente todas as determinações do Presidente da República, comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil. Consequência: o general, fiel às palavras que tinha proferido na minha frente, exonerou um general de quatro estrelas do comando do II Exército, fato inédito na história do Exército brasileiro”.

GMN: Se o senhor for convocado a depor na Comissão ds Verdade  para relatar as cenas de bastidores que aconteceram nos episódios das mortes de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, o senhor vai comparecer ?

Paulo Egydio: “Claro. Se eu não comparecer, faça um favor: mande uma cópia deste depoimento. Irei a qualquer hora, a qualquer instante. Não temos de temer nada. É hora de botar para fora tudo o que for para botar para fora. Vivemos numa democracia para ser verdadeira”.

DIÁRIO DA PROVYNCIA III – por olsen junior / rio negrinho.sc


 

CÍNICO, CÉTICO E EFICIENTE!

Foi somente depois que o carro passou sobre a água empoçada num desvão (de um trabalho mal feito anteriormente) nas lajotas oitavadas da Avenida das Rendeiras, salpicando com água barrenta uma família inteira que caminhava no passeio em frente é que me dei conta: tínhamos de ser muito otimistas para acreditar que havia alguma esperança para o ser humano.

O veículo trafegava com o dobro da velocidade permitida naquele trajeto no bairro boêmio da Lagoa da Conceição. Compreende-se que as pessoas de férias possam distrair-se com o ambiente enquanto passeiam, mas é injustificável que um motorista não tenha a dimensão de uma atitude imprudente. Seja pelo excesso de velocidade ou pela visão embotada do percurso. O que é pior, que encare ambas com naturalidade como se estivessem incorporadas ao “seu fazer” e até, a danação, que sequer tenha consciência da imperícia e da infração cometida.

Sei! Alguém pode lembrar que uma ação isolada não serve de parâmetro para avalizar um comportamento humano. De tanto observar atitudes desrespeitosas como essa, me tornei um cético. Então, resta o quê?

Lembrei de um texto do Paulo Francis na Folha, década de 1970 “Resta o consolo do trabalho. São Paulo estava errado e São João certo. A salvação é pelas obras e não pela fé. Esta matamos há muito tempo”.

Parte do meu aprendizado foi aperfeiçoada num texto do mesmo Paulo Francis (já que mencionei o trabalho) comentando o filme “Mississippi em Chamas”, de Alan Parker e a atuação de Gene Hackman.

O filme é baseado no assassinato em 1964, de três ativistas dos direitos civis no sul segregacionista dos EUA. O foco está na investigação de dois agentes do FBI, o sulista Rupert Anderson (Gene Hackman) e o nortista Alan Ward (William Dafoe) e os métodos de cada um para chegar a verdade: o primeiro com suavidade e o segundo agressivo. No fim triunfa a astúcia do primeiro e a perseverança do segundo. Em 2005, um ex-integrante da Ku-Kux-Klan, Edgar Ray Killen, então com 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão pela morte dos ativistas no qual o filme se baseou, corroborando a tese de seu diretor, que acreditava que um filme pode ter funções políticas.

Francis ressaltava que a atuação de Gene Hackman era a expressão pura do que o crítico Edmund Wilson chama de Jobbism num ensaio em que afirmava  “só nos resta neste mundo corrupto fazer nosso trabalho bem feito, sem tomar conhecimento de causas e pretensões iluministas”.

No filme, as pessoas se recusam a falar. Quem diz alguma coisa é espancada. Lá como aqui, uma realidade que se repete no mundo e no submundo da impunidade. Mas o Francis afirma que “Hackman olha e ri nos falando uma enciclopédia britânica sobre a natureza humana. Não se vangloria e nem tem ilusões. São pessoas assim que avançam as causas, poucas ainda em que acreditamos, e não ideólogos e idealistas. São céticas, cínicas e eficientes. Nossa única esperança, e Gene Hackman é emblemático de nossa condição”.

Esse “jobbism” que pode ser traduzido como “mãos-à-obra” descoberto pelo Francis no ensaio de Edmund “Bunny” Wilson que ele tomou conhecimento no início da década de 1960 e só foi assimilado na de 1980 pode ter raízes no médico e poeta transcendentalista americano Oliver Wendell Holmes… A uni-los, a descoberta da dignidade profissional enquanto último e inoxidável instrumento de participação social.  Não será a pólvora, como lembrou a jornalista Ana Claudia Vicente, mas para mim o jobbism foi um achado. Que funcionará, quando muita gente o achar também.

É isso, desde então, na cabeceira da minha cama, além de um champanhe e do livro que estiver lendo, está o trípdico: cínico, cético e eficiente…

Justifica-se: a bebida, como lembrou Zózimo Barroso do Amaral “enquanto houver champanhe, há esperança”; um livro, porque como afirma o poeta que habita em mim “é a melhor companhia quando você não quer ver ninguém” e as palavras, para manter uma atitude enquanto não se põe mãos-à-obra!

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NOTAS:

Olá, camaradas, salve!

Tempo curto, dinheiro escasso…

Segue o texto da semana…

Com o abraço fraterno!

http://www.youtube.com/watch?v=zC4poOpZG9w&feature=related

GILMAR MENDES! este o Brasil conhece e espera que o Supremo se livre dele!

LUIS ANTONIO PAGOT: Serra, Kassab, Alckmin, PSDB, PT e DEM pressionavam DNIT a doar recursos para as campanhas – vergonha nacional / são paulo.sp

Em entrevista, ex-diretor do DNIT acusa PSDB, PT e DEM de buscar recursos de campanha no órgão dos Transportes


O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot acusou políticos de PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

Segundo a revista Istoé, Pagot se sentiu pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões ao trecho sul do Rodoanel. Serra qualificou as declarações do ex-diretor do DNIT como “calúnia pré-eleitoral aloprada”.

Pagot afirmou ainda que o governo do então governador tucano teria usado a obra para  abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, revelou. “Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões.”

O diretório estadual do PSDB divulgou uma nota em que defende o governador Geraldo Alckmin das acusações de receber um porcentagem do caixa 2 das obras do Rodoanel Sul.”A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do pré-candidato à Prefeitura, José Serra, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral.”.

O ex-diretor do DNIT disse à Istoé que passou a receber telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. Mais tarde, o TCU autorizou a Dersa a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do Ministério Público. Pagot recorreu à Advocacia-Geral da União, que em parecer, ao qual a Istoé teve acesso, o liberou de assinar o documento.

“Aquele convênio tinha um porcentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. De acordo com o TSE, o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões.

Caso Cachoeira. Ainda segundo a revista, Pagot também disse que o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) foi buscar no órgão fundos para quitar dívidas de campanha com a Delta Construções, através de acordos com a construtora.

Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, durante a qual disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha.

Pagot disse que não cedeu à pressão de Serra e Demóstenes. No entanto, ele confessou ter aceito a solicitação do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), que durante as eleições de 2010, pediu para ele arrecadar recursos junto às empreiteiras ligadas ao DNIT. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações teriam sido feitas pelas vias legais, segundo o ex-diretor.

Na entrevista, Pagot identificou na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Pagot também acusou a ministra da Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de ter pedido ajuda na arrecadação de recursos de campanha em 2010, quando foi candidata a governadora de Santa Catarina. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto.

Outro lado. Em nota divulgada à tarde, a assessoria de Serra apresentou a resposta do ex-governador à reportagem da Istoé, na qual ele rechaça as acusações de Pagot. “Trata-se de uma calúnia pré-eleitoral aloprada. A acusação é absolutamente inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse o tucano.

A declaração oficial do PSDB critica, ainda, o fato dos tucanos não terem sido procurados, ao contrário de petistas citados na matéria. “A revista sequer respeitou os princípios éticos do bom jornalismo uma vez que nem Alckmin nem Serra foram procurados pela reportagem, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Segundo a assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a “acusação é improcedente e mentirosa. Portanto serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calunia”.

Filippi foi ouvido pela Istoé e admitiu ter se reunido com Pagot durante a eleição, mas negou ter recebido boletos dos depósitos de campanha do ex-diretor do DNIT. “A conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral.” Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

O ex-diretor do DNIT também conversou com a revista Época. Nessa entrevista, Pagot deu mais detalhes sobre a ajuda ao PT. Ele disse que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com sindicatos de empresas da construção civil e representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirmou. Ele disse que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.

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Estadão.com.br – Atualizada às 21h16

Gilmar não é o Supremo – por mauro santayana /são paulo.sp

Engana-se o Sr. Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do Senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.
A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.
Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava – e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim – o Sr. Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao Sr. Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o Presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como P.C. Farias. Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o Sr. Gilmar Mendes a ele retornou, como Advogado Geral da União de Fernando Henrique Cardoso. Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.
Gilmar, como advogado geral da União – e o fato é conhecido –, recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o Sr. Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.
Esse comportamento de desrespeito – vale lembrar – ocorreu também quando o Sr. Francisco Rezek renunciou ao cargo de Ministro do Supremo, a fim de se tornar Ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, re-indicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar. Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.
A nação deve ignorar o esperneio do Sr. Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do Ministro, e levar a CPMI às últimas conseqüências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como mensalão, como está previsto. Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o Sr. Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a Nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.
O Sr. Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana – sempre lembrando a forte advertência de Dallari – cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

Via Láctea está em rota de colisão com Andrômeda, diz Nasa / eua

Choque deve ocorrer daqui 4 bilhões de anos a 1,9 km/h; Terra e o Sol sobreviverão

31 de maio de 2012 | 20h 38
Associated Press


Projeção da colisão das galáxias vista da Terra feita pela Nasa

A Via Láctea, galáxia onde está localizado o nosso Sistema Solar, está em franca rota de colisão com Andrômeda, uma galáxia vizinha, disseram nesta quinta-feira, 31, os astrônomos da Agência Espacial dos Estados Unidos, a Nasa.

Os astrônomos anunciaram as descobertas depois de analisar uma série de dados obtidos pela observação do telescópio Hubble. Eles identificaram o movimento de Andrômeda em direção à Via Láctea e acharam que haveria chances de que as galáxias apenas resvalassem uma na outra, mas após analisar a rota com o telescópio, descobriram que, de fato, haverá uma colisão frontal.

De acordo com os cientistas o Sol e a Terra conseguiriam sobreviver à colisão – que deve ocorrer com as galáxias se movimentando a 1,9 milhão de quilômetros por hora -, mas tanto o planeta quanto a estrela devem estar em um local diferente no espaço quando o choque acontecer.

GILMAR MENDES CONDENA WAGNER MOURA / brasilia.df

The piauí Herald

  • Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    30/05/2012 19:02 | Categoria: Brasil


    Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    Gilmar Mendes exigiu também que Wagner Moura fizesse trabalhos vocais forçados com Susana Vieira

    NAS FAVELAS, NO SENADO – Indignado com um falsete emitido por  Wagner Moura na interpretação de A Via Láctea, o ministro Gilmar Mendes, do STF, condenou o ator a fazer uma ponta em Malhação por 6 anos. “Os gângsters da MTV organizaram essa homenagem aos bandidos da Legião  Urbana com o claro intuito de desviar o foco do julgamento do mensalão”, vociferou, em si bemol.

    Ao se deparar com outro maneirismo vocal na canção Teorema, Gilmar Mendes perdeu o controle: “Maneirismo ignorante! Coisa de gente de gente burra, de uma nota só! Vamos parar com isso! Quem precisa disso!? Eu e a música popular brasileira não precisamos desses recursos para sobreviver”. A seguir, ainda exaltado, completou: “Esse show é uma orquestração do Lula com o setores radicais da MPB para desmoralizar o Supremo”.

    Ainda fora de si, o ministro balbuciou palavras desconexas em alemão, tais como “mensalonen”, “marmeladen”, “Demostenen und Ich”. “Era uma menção ao pacto com o Demo, no Fausto, de Goethe”, explicou depois o assessor para assuntos germânicos do STF.

    Socorrido com um copo de água benta, o ministro recobrou a consciência e perguntou “Que país é esse?”. Depois, bateu palmas e, ainda pálido, comentou: “Puxa, não tocaram Faroeste Cabloco‘. É a minha predileta!”

A “vacina” do doutor Gilmar – por eduardo guimarães / são paulo.sp

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estes você já sabe quem são! sempre juntos!

Fiquei sabendo da última da dupla Veja/Gilmar Mendes na tarde de sábado, durante o 3º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorreu no fim de Semana em Salvador. O assunto foi muito discutido pelos blogueiros. E caso alguém esteja chegando agora de Marte e não saiba do que se trata, aí vai um breve relato.

Veja publicou mais uma daquelas “denúncias” baseadas em grampos sem áudio e declarações sem provas. Parece até surpreendente pela ousadia, mas não é. Para falar a verdade, é tudo até bem banal.

Segundo a revista, Gilmar Mendes teria encontrado Lula “casualmente” no escritório de Nelson Jobim e, então, o ex-presidente teria tentado chantagear o ministro do STF para que “aliviasse” para os envolvidos no inquérito do mensalão, que será julgado proximamente. Teria ameaçado o magistrado com os indícios de envolvimento seu com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira.

O colunista de O Globo Jorge Moreno, no mesmo sábado da chegada de Veja às bancas, fez contato com Jobim, que negou tudo. E, claro, esse colunista que vive pedindo desculpas públicas aos chefes por matérias que os desagradam conclui o relato do desmentido de Jobim bem ao estilo de O Globo, insinuando que “sentiu”, pela voz do entrevistado, que ele mentiu para encobrir Lula.

Em conversas com outros blogueiros em Salvador, especulamos muito sobre o que pode ter levado  Veja a publicar matéria tão fraca, apesar do suposto endosso de Mendes à acusação da revista. Particularmente, fiquei com a pulga atrás da orelha. Seria Veja tão idiota? Estaria tão “desesperada”, como muitos acham que está? Desespero algum. Veja faz essas coisas como se estivesse escovando os dentes.

Primeiro, não nos esqueçamos de uma coisa: a história do grampo sem áudio, protagonizada por Mendes e Demóstenes Torres, derrubou Paulo Lacerda, um dos policiais mais respeitados do país. Ou seja: uma história sem pé nem cabeça, que jamais foi provada, produziu uma das maiores injustiças da era Lula e uma longa investigação (inútil, porque não encontrou nada) da Polícia Federal.

Diante de fatos assim, percebemos que uma empresa de comunicação conseguiu manipular a República sem maior esforço. E por que? Simplesmente porque tinha uma autoridade do porte de um ministro do Supremo a respaldá-la. Assim, a investigação mostrou que jamais existiu grampo algum e tudo ficou por isso mesmo.

Ou seja: não chega a ser surpreendente o que acaba de acontecer.

Diante do desabamento iminente da história de Mendes/Veja, decorrente do desmentido de Jobim, as forças que a produziram saíram logo com um boato que estão fazendo circular na internet, de que o ministro do STF teria gravado a suposta tentativa de Lula de chantageá-lo.

Se existisse isso, teríamos que concluir que Lula enlouqueceu com o tratamento contra o câncer. Com tantos ministros do STF que nomeou, por que iria se preocupar em cometer um crime chantageando um adversário? Estamos falando de Lula, do homem que nomeou procuradores-gerais da República que atacaram seu grupo político sem dó nem piedade.

Então vamos lá: o que direi agora não é uma opinião, mas um fato que logo irá se comprovar. As gravações da Polícia Federal que geraram a CPI do Cachoeira envolvem Mendes até o pescoço. E não só a ele. Envolvem Veja, envolvem Globo (como mostra reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital deste fim de semana) e outros grandes veículos. E junho será o mês dessas revelações.

Para que se tenha uma idéia, há dezenas de gigabites de gravações, vídeos e áudios da PF que ainda não foram transcritos, que estão em estado bruto, e que agora chegam à CPI. Fontes fidedignas garantem que o que existe ali é dinamite pura. Tanto que a Globo, segundo a Carta Capital, teria procurado Michel Temer para mandar um recado a Dilma: a mídia não pode ser investigada. Senão…

Senão o quê? O que a mídia poderia fazer além do que fez em 2005 e 2006, durante o escândalo do mensalão? Forjaria uma gravação que, após periciada e considerada falsa pelos peritos, a mídia diria não poder endossar ou negar como fez com a ficha policial falsa de Dilma que a Folha de São Paulo publicou na primeira página? Faria, sim.

O que vem agora, pois, é que é apenas opinião do blogueiro: a iniciativa da mídia e de Gilmar Mendes foi tentativa de criar uma vacina contra o que virá à tona, para que possam dizer que tudo decorre de “vingança” de Lula pela denúncia do ministro do STF e da revista contra si.

Veja a manipulação, leitor: o site Consultor Jurídico pediu ao ministro Celso de Melo, do STF, que analisasse a hipótese de Lula ter realmente feito o que Veja e Mendes dizem que fez. O que se esperaria que ele dissesse, que não haveria nada demais? Claro que não. Diria que, sendo verdade, seria um crime. E o que faz a mídia? Divulga a entrevista como se Melo estivesse condenando Lula, apesar de só estar falando sobre mera hipótese.

Manipulação pura e simples dos fatos pela mídia não é novidade para ninguém. E essa de agora é só mais uma, que servirá como estratégia diversionista, ou seja, para tirar o foco da CPI e intimidar seus membros.

Todavia, podem escrever aí: essa jogada só tornará inevitável a convocação de Policarpo Júnior ou até de Roberto Civita pela CPI. E mais: irá quebrar resistências da base governista, notadamente no PMDB, que, agora, foi diretamente atacado com a tentativa de colocarem Jobim e Lula no mesmo balaio.

A matéria da Veja enterrou de vez uma possibilidade que jamais existiu, de ser produzido um arreglo entre governo e oposição para a CPI terminar em pizza. E essa matéria é a prova definitiva de que a mídia e Mendes concluíram que o PT e aliados estavam dispostos a levar o processo até o fim. Por isso fizeram ataque desse porte.

‘Smartphone é acordo com o diabo’, diz super-hacker – por marco aurélio canônico / rio de janeiro.rj

Ele foi chamado de “a peste que envergonha as empresas para que corrijam falhas de segurança”, em perfil da revista “Wired”, e foi listado como um dos “dez manipuladores da internet” pela “PC World”, graças à influência de suas ações na rede.

O americano Christopher Soghoian, 30, construiu essa reputação –e uma carreira– denunciando brechas em sistemas de companhias, como Google, Facebook e AT&T, que levavam à exposição dos dados de seus usuários.

Ele virá pela primeira vez ao Brasil nesta semana para participar da conferência de direitos humanos e tecnologia RightsCon, que acontece nas próximas quinta e sexta, no Rio.

“MODELO TÓXICO”

Ele participará do painel “O Futuro do Modelo de Negócios On-line”, na sexta, às 11h45. Sua visão sobre o tema: o atual modelo de negócios na rede não combina com privacidade e, portanto, não deveria ter futuro.

Graeme Mitchell
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil

“Esse modelo apoiado em publicidade, no qual recebemos serviços de graça em troca de nossos dados, é tóxico e fundamentalmente incompatível com a proteção da nossa privacidade”, diz Soghoian à Folha por telefone, de Washington, onde mora.

“Apesar de estarmos todos usando serviços gratuitos, é um mau negócio, e deveríamos considerar pagar por e-mails da mesma forma que pagamos por ligações.”

Com os usuários pagando, crê o americano, as empresas poderiam (se quisessem) deixar de armazenar dados privados, pois não precisariam mais deles para lucrar.

Com isso, deixariam de ser as fontes às quais os governos recorrem regularmente para vigiar seus cidadãos.

“Nossos dados pessoais estão cada vez mais nas mãos de empresas, e elas ajudam governos na vigilância. Seus papéis como facilitadoras não são bem conhecidos. Meu foco tem sido explorar e expor esse relacionamento.”

LEVE PARANOIA

Autor do blog Slight Paranoia (“leve paranoia”, em inglês; paranoia.dubfire.net), Soghoian se descreve como “basicamente um hippie”.

“É o que a maioria das pessoas pensa quando me vê. Sou vegetariano, tenho cabelo comprido, barba, me desloco de bicicleta e sou o único de camiseta e bermuda em todas as minhas reuniões.”

O interesse por aspectos legais da privacidade on-line emergiu em 2006, após ter a casa invadida pelo FBI -ele ensinara, num site, a driblar o controle de segurança nos aeroportos, com cartões de embarque falsos; queria expor a fragilidade do sistema. “Sempre tive problemas com autoridades. Não gosto que me digam o que fazer.”

Editoria de Arte/Folhapress

ESPIONAR É BARATO

Soghoian diz que a vigilância governamental ficou mais barata e eficiente com o avanço tecnológico e graças ao apoio das empresas privadas.

Até poucos anos atrás, ter um aparato de vigilância era complexo e caro, o que forçava o governo a limitar os alvos. Hoje, todo mundo pode ser alvo, porque é barato vigiar todos -afinal, boa parte de nós leva um “agente secreto” no próprio bolso: o smartphone.

“Eles são um acordo com o diabo. Ganhamos esses aparelhos extremamente convenientes, mas eles não trabalham em nosso benefício. Aplicativos podem vasculhar dados e enviá-los sem nos consultar. As empresas podem pedir para nossos telefones indicarem onde estamos. O smartphone é como um agente secreto do governo, pelo qual pagamos.”

Editoria de Arte/Folhapress

‘Documenta de Kassel’ tem quatro brasileiras; veja lista de artistas – por fabio cypriano / são apulo.sp

Vazou nesta quinta-feira (17) a lista de artistas mais esperada do ano: os 154 nomes selecionados para a 13ª Documenta de Kassel, programada para ser aberta no próximo dia 9 de junho.

A lista foi publicada no jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, quando a previsão era que a curadora da mostra, Carolyn Christov-Bakargiev, anunciasse os nomes selecionados apenas no dia 6.

Quatro artistas brasileiras foram escolhidas pela curadora: além de Anna Maria Maiolinno e Renata Lucas, nomes que a Folha já havia antecipado, as novidades são a paulista radicada em Berlim Maria Thereza Alves e a surrealista Maria Martins (1894-1973).

A presença de brasileira é representativa do restante da lista, com número significativo do que já foi chamado um dia de “sexo frágil”.

Alves participou, há dois anos, da 29ª Bienal de São Paulo com uma obra sobre a cultura do povo indígena Krenak, tema recorrente em suas obras. São muitos, aliás, os artistas da Documenta vistos na mais recente Bienal de São Paulo, entre eles o cineasta tailandês Apichatpong, o belga radicado no México Francis Alys, a dupla cubano norte-americana Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla, o norte-americano Jimmie Durhan, a espanhola Dora Garcia, o mexicano Mario Garcia Torres, e o albanês Anri Sala.

Com o longo título “The dance was very frenetic, lively, rattling, clanging, rolling, contorted and lasted for a long time” (em tradução livre a dança era muito frenética, viva, de chocalhar, tinir, rolar, contorcer e durou muito tempo), a exposição em Kassel irá apresentar ainda outros artistas com caráter histórico, caso da brasileira Maria Martins e dos também surrealistas Salvador Dali (1904-1989) e Man Ray (1890-1976).

Como o título já indica, alguns nomes da dança e da performance também foram elencados, como o coreógrafo francês Jerome Bel e o anglo-germânico Tino Sehgal, que chama suas performances de “situações construídas”.

Poucos são os nomes que podem ser considerados estelares, com exceção do próprio Dali e Man Ray. Entre eles, encontram-se o sul-africano Willian Kentridge e a alemã Rosemarie Trockel.

Uma das curiosidades da lista é atribuída a um artista anônimo: objetos destruídos pela guerra no Líbano.

A Documenta é considerada a mostra mais importante de arte contemporânea, com periodicidade de cinco anos. Em três semanas, a concretização desses nomes em diversos espaços de Kassel continuará a dar o que falar.

Mastrangelo Reino – 18.mar/Folhapress
A artista plástica Anna Maria Maiolino em exposição em Barcelona

LISTA DOS ARTISTAS (POR SOBRENOME)

A
Bani Abidi
Etel Adnan
Korbinian Aigner
Barmak Akram
Khadim Ali
Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla
Kai Althoff
Maria Thereza Alves
Francis Alys
Kanwar Amar
Ida Applebroog
Julietta Aranda & Anton Vidokle
Doug Ashford
Tarek Atoui
Kader Attia

B
Princess Bactrian
Nanni Balestrini
Amy Balkin
Massimo Bartolini
Thomas Bayrle
Jerome Bel
Gordon Bennett
Rosella Biscotti
Alighiero Boetti
Anna Boghiguian
Carol Bove
Andrea Bruno
Andrea Büttner
Gerard Byrne

C
Emily Carr
Mariana Castillo Deball
Paul Chan
Critical Art Ensemble
Abraham Cruzvillegas
Istvan Csakany
Attila Csörgö

D
Salvador Dali
Tacita Dean
Mark Dion
Thea Djordjadze
Willie Doherty
Song Dong
Trisha Donnelly
Sam Durant
Jimmie Durham

F
Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg
Geoffrey Farmer
Omer Fast
Lara Favaretto
Ceal Floyer
Liyn Foulkes
Chiara Fumai

G
Ryan Gander
Dora Garcia
Mario Garcia Torres
Theaster Gates
Mariam Ghani
Symrin Gill
Julio Gonzales

H
Fiona Hall
Donna Haraway
Susan Hiller
Horst Hoheisel
Pierre Huyghe
Sanja Ivekovic

J
Emily Jacir
Toril Johannessen
Joan Jonas
Brian Jungen

K
Robin Kahn
Hassan Khan
William Kentridge
Erkki Kurenniemi

L
Adriana Lara
Dinh Quang Le
Yan Lei
Gabriel Lester
David Link
Maria Loboda
Mark Lombardi
Renata Lucas
Marcos Lutyens

M
Goshka Macuga
Anna Maria Maiolino
Nalini Malani
Man Ray
Maria Martins
Fabio Mauri
Julie Mehretu
John Menick
Gustav Metzger
Lee Miller
Amanullah Mojadidi
Kyungwon Moon & Joonho Jeon
Gareth Moore
Rabih Mroue
Christian Phillipp Müller
Zanele Muholi

N
Vann Nath

O
Shinro Ohtake
Roman Ondak
Otolith Group

P
Christodoulos Panayiotou
Giuseppe Penone
Claire Pentecost
Susan Philipsz
Sopheap Pich
Lea Porsager
Michael Portnoy
Margret Preston
Seth Price
Ana Prvacki

R
Walid Raad
Michael Rakowitz
Araya Rasdjarmrearnsook
Doreen Reid Nakamarra
Pedro Reyes
Gunnar Richter
Stuart Ringholt
Ruth Robbins & Dixie Evans
Paul Ryan
Hannah Ryggen

S
Natascha Sadr Haghighian
Anri Sala
Seed Constellation Project
Albert Serra Juanda
Wael Shawky
Charlotte Salomon
Ines Schaber
Tino Sehgal
Albert Serra Juanola
Tejal Shah
Nedko Solakov
Alexandra Sukhareva

T
Mika Taanila
Javier Tellez
Aase Texmon Rygh
Alexander Tarakhovsky
Warwick Thornton
Rosemarie Trockel

V
Rojas Adrian Villar
Jeronimo Voss

W
Tjapaltjarri Warlimpirringa
Jessica Warboys
Lori Waxman
Clemens Wedemeyer
Apichatpong Weerasethakul
Lawrence Weiner

Y
Haegue Yang

Z
Akram Zaatari
Anton Zeilinger
Konrad Zuse

Anônimo
Destroyed objects damaged during Lebanese

.

FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA

VEJA e GILMAR MENDES criam “outro” encontro com o EX – PRESIDENTE LULA e NELSON JOBIM desmascara a farsa. O desespero das “forças OCULTAS” com ascensão de DILMA e a permanente liderança de LULA provocam situações, antes, inimagináveis.

Um Ministro do STF não pode permanecer no cargo depois de ser “flagrado” em conluio com a revista “veja”. É inadmissível para a sociedade brasileira um ministro que chegue ao ponto de CRIAR mentiras escabrosas contra um ex presidente da república.  A  revista “veja” trata o marginal “cachoeira” de EMPRESÁRIO, o ex presidente de “molusco” e a presidente da república de “assaltante”, você imagina  por que?

leia o FATO divulgado pela  revista “veja”:

“Jobim nega pressão de Lula sobre STF para adiar julgamento do mensalão

Ex-presidente teria se encontrado com Gilmar Mendes no escritório do ex-ministro da Defesa, segundo ‘Veja’

AEstado

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira.

Reportagem da revista Veja publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é “inconveniente” e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu Jobim, questionado peloEstado. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão”, reiterou.

Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse “perplexo” com as “insinuações” do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes da capital alemã, supostamente pago por Cachoeira.

Ele teria manifestado preocupação com o ministro Ricardo Lewandowski, que deve encerrar o voto revisor do mensalão em junho; e adiantado que acionaria o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Carmen Lúcia, para que ala apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013.

Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. E que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou Veja. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos”, assegurou.

Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim respondeu: “Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer”.

Procurado pelo Estado, Pertence negou ter sido acionado para que intercedesse junto a Carmen Lúcia: “Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito”.”

Quem tem medo de Dalton Trevisan? – por joão cezar de castro rocha / rio de janeiro.rj

Anunciado esta semana como vencedor do Prêmio Camões, o autor paranaense consagrou uma galeria de personagens exemplarmente medíocres, sob o coerente signo da concisão

 


Caricatura do escritor Dalton Trevisan - Loredano
Loredano
Caricatura do escritor Dalton Trevisan

Dalton Trevisan (1925) é autor de uma das obras mais originais da literatura brasileira. Com sabor de paradoxo, es,sa originalidade foi conquistada através da recorrência obsessiva de temas, de personagens, de situações e de uma fidelidade quase perfeita à forma do conto – em sua extensa obra, a exceção é o romance A Polaquinha (1985).

Acrescente-se uma habilidade incomum para ampliar os efeitos linguísticos de seus textos a partir da redução aparentemente contraditória do universo das palavras, além do emprego deliberado de chavões. O resultado é uma estética da contenção; aliás, no duplo sentido da palavra: conciso e agônico.

O vampiro de Curitiba é um jogador de xadrez que sempre lança mão de idêntica abertura de jogo e adota um único sistema defensivo, porém nunca repete o xeque-mate! Detalhe relevante, porque ele costuma vencer suas partidas.

Recordemos a trajetória fundamental do autor de Cemitério dos Elefantes (1964).

Com sabor de paródia, Quem Tem Medo de Vampiro?, reunido em Dinorá (1994), talvez seja um ponto de partida conveniente. Pelo avesso, o conto oferece um retrato da literatura (e mesmo de aspectos da biografia) de Dalton Trevisan. O texto incorpora satiricamente as ressalvas mais comuns feitas a seu estilo, transformando em matéria ficcional a incompreensão de certos críticos. Leia-se a abertura:

“Há que de anos escreve ele o mesmo conto? Com pequenas variações, sempre o único João e a sua bendita Maria. Peru bêbado que, no círculo de giz, repete sem arte nem graça os passinhos iguais. Falta-lhe imaginação até para mudar o nome dos personagens. Aqui o eterno João: ‘Conhece que está morta’. Ali a famosa Maria: ‘Você me paga, bandido.’”

O retorno de personagens em narrativas do mesmo autor não é exatamente novidade e nem precisamos mencionar a Honoré de Balzac. Por exemplo, Quincas Borba surge como personagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas e posteriormente volta no romance homônimo.

Contudo, Dalton Trevisan vira o recurso de ponta-cabeça. Nos casos de Balzac e Machado, os personagens que retornam são tipos excepcionais. Na literatura de Trevisan, “João” e “Maria” retornam precisamente por não possuírem traços singulares.

Ora, se a galeria de personagens é escolhida por ser exemplarmente medíocre, mesmo banal, a linguagem que os define não pode ser exuberante, muito menos barroca. A repetição, tornada método de escrita, exige uma linguagem sistematicamente esvaziada, quase anônima.

Retorne-se ao conto. De novo, pelo avesso, o autor explicita seu projeto linguístico e temático:

“Quem leu um conto já viu todos. Se leu o primeiro pode antecipar o último – bem antes que o autor. (…) Mais de oitenta palavras não tem o seu pobre vocabulário. O ritmo da frase, tão monótona quanto o único tema, não é binário nem ternário, simplesmente primário. Reduzida ao sujeito sem objeto, carece até de predicado – todos os predicados. Presume de erótico e repete situações da mais grosseira pornografia. No eterno sofá vermelho (de sangue?) a última virgem louca aos loucos beijos com o maior tarado de Curitiba. (…)”

Naturalmente, o leitor deve inverter o sentido das afirmações, a fim de avaliar a superioridade dessa concepção de literatura, compreendendo na repetição metódica a diferença almejada por Trevisan.

Escassez não é obrigatoriamente sinônimo de precariedade. Afinal, se literatura é a arte combinatória do propriamente humano, 80 palavras permitem a reinvenção infinita de um núcleo restrito de histórias. Isso para não mencionar os jogos literários que Trevisan inclui com sutileza no “único” conto que reescreve sem parar.

Entre 1946 e 1948, ele foi editor de importante revista, que assim definiu: “O movimento de renovação inventado por Joaquim não tem ambições modernistas: tem ambições modernas.” Por isso, no seu conto, menos é sempre mais. Esteta da concisão, Trevisan vislumbra no conto a possibilidade de um haicai narrativo.

Leia-se, então, O Vampiro de Curitiba, publicado no livro homônimo, saído em 1965. O texto apresenta um personagem-síntese das obsessões do autor: “Nelsinho, o Delicado”, definido com poucas, mas definitivas pinceladas: “Pobre rapaz na danação dos vinte anos.” O nome do personagem não deixa de trazer à baila o universo de Nelson Rodrigues. Ademais, o conto alude à linguagem bíblica, à obra de Machado de Assis, à poesia de Carlos Drummond de Andrade:

“Olhe as filhas da cidade, como elas crescem: não trabalham nem fiam, bem que estão gordinhas. Essa é uma das lascivas que gostam de se coçar. Ouça o risco da unha na meia de seda (…).”

A breve menção à passagem bíblica, acerca da beleza espontânea dos lírios do campo, amplifica o efeito de dessacralização provocado pela sequência imediata: “bem que estão gordinhas”!

De igual modo, na sua peregrinação, o vampiro Nelsinho, na urgência típica dos 20 anos, flerta não apenas com mulheres as mais diversas, mas também com a literatura.

Recorde-se outra passagem do conto:

“Cedo a casadinha vai às compras. (…) Ó bracinho nu e rechonchudo – se não quer por que mostra em vez de esconder? -, com uma agulha desenho tatuagem obscena. Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho.”

Malicioso, o narrador pisca um olho para Machado de Assis, na alusão a Uns Braços. Nesse conto, Inácio, um rapaz de 15 anos, não resiste à visão dos braços nus de D. Severina, “belos e cheios, em harmonia com a dona, que era antes grossa que fina”.

Ao mesmo tempo, o narrador enfrenta dilema semelhante ao impasse do poeta drummondiano. Leiam-se os versos iniciais de O Lutador: “Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco (…).” Basta substituir “palavras” por “mulheres”, e Nelsinho, o Delicado, não hesitaria em se engajar na porfia.

O trânsito entre repetição, esvaziamento da linguagem e jogos literários se encontra no título do primeiro livro de Dalton Trevisan – isto é, o primeiro reconhecido, pois ele renegou suas publicações anteriores. Refiro-me a Novelas Nada Exemplares (1959), cuja menção a Miguel de Cervantes não passou incólume.

Otto Maria Carpeaux reagiu com ambiguidade ao livro, que obteve o Prêmio Jabuti. No calor da hora, ele se viu compelido a ressalvar: “A pretensão inédita desse título parece desafio à crítica.” A resenha não é exatamente favorável, mas tem o mérito de assinalar os eixos da literatura do autor de A Guerra Conjugal (1969) – aliás, adaptado para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade.

No juízo de Carpeaux: “Os acontecimentos nas novelas de Cervantes criam nos personagens um estado de alma próprio ‘para el hombre salvarse’. Nas novelas nada exemplares do Sr. Dalton Trevisan, os acontecimentos criam nos personagens um estado de alma para o homem perder-se.”

Sem dúvida.

A não ser que esse homem seja leitor de Dalton Trevisan.

Nesse caso, ele intui que a esperança de salvação ou o temor da condenação pouco importam ao vampiro (que todos nós somos).

E não apenas em Curitiba.

JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA É PROFESSOR DE LITERATURA COMENTADA DA UERJ

POEMA I – de joanna andrade / miami.usa

Vou deixar de lado todos os afagos e me converter

Aos  valores  de  uma bolsa de couro de crocodilo

calças de marcas salientes

chemisie de seda pura Channel

calçadas com minhas marcas em unhas compridas pintadas de vermelho carmim

e para arrematar um cadillac rabo- de- peixe cor de rosa claro para eu me arrefecer

com meus óculos retro  Gucci

e lenços coloridos  deixando ao vento  um rastro de charme misturado com bobagem

Sim, vou  sair  em busca do real que me convem

As maçanetas de minhas portas serão de ouro amarelo 24k

Minhas cadeiras ,de pele de algum animal em extinção

As mesas de Madeira de lei

E as ordens todas serão  dadas por mim

Com argolas no pescoço manterei  ereta a distinção do rei

Toda vez que o vento passar  eu me estirarei mais em minha cor esbraquiçada

Minha existência  será prolongada pelo poder

Mais sentimentos  ordinários, os quais medíocres e me matam de prazer

E a verve a qual me serve será convertida em oração

o  corpo em atração

a  alma em negação

Assim ,em um momento …………

cabo anselmo: por unanimidade, comissão nega indenização ao TRAIDOR DUPLO

Atuação do ex-militar em casos de tortura inviabiliza reparação, na avaliação dos conselheiros; julgamento foi o primeiro caso de pedido feito por agente duplo

22 de maio de 2012 | 20h 10
Leonêncio Nossa, da Agência Estado

BRASÍLIA – A Comissão de Anistia negou nesta terça-feira, 22, por unanimidade pedido de indenização de José Anselmo dos Santos, 70 anos, que entrou para a história do Brasil como Cabo Anselmo, protagonista de uma revolta de marinheiros dias antes do golpe contra o presidente João Goulart e, depois, participante de reuniões de militantes de esquerda e agente duplo da repressão contra ex-colegas de farda e perseguidos políticos.


Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado - JF Diório/AE
JF Diório/AE
Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado

 

Em reunião que começou à tarde e se estendeu até o início da noite, Nilmário Miranda, relator do processo do ex-militar, afirmou em seu voto que Cabo Anselmo tornou-se parte “explícita” do regime militar, atuando em ações que resultaram na tortura e na morte de adversários da ditadura, em especial a própria companheira, Soledad Barret Viedma. Nilmário Miranda sustentou a versão de que Cabo Anselmo já era agente duplo nas agitações na Marinha nos primeiros meses de 1964. Uma das versões mais difundidas é a de que ele teria se tornado aliado do regime a partir de 1971, quando foi preso.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, ressaltou que o fato de Cabo Anselmo passar a atuar como um agente repressor inviabilizava, constitucionalmente, a reparação. A concessão da anistia, na avaliação de Abrão, não se deveria aplicar ao caso do agente duplo. “Abrir um precedente de uma anistia para um agente repressor é distorcer o instituto da reparação e os preceitos dos Estado democrático de direito”, afirmou.

Durante o encontro, Genivalda Melo da Silva fez um relato sobre a morte do marido, o ex-marinheiro José Manoel da Silva, uma das vítimas do massacre do sítio São Bento, em Abreu e Lima, Pernambuco, nos anos 1970. Num depoimento emocionado, ela acusou Anselmo de entregar José Manoel à repressão. “Eu perdoo de todo coração a ditadura, mas conceder anistia a Cabo Anselmo será uma vergonha para o País”, disse.

Genivalda emocionou os 12 integrantes da comissão e a plateia ao relatar que torturada e violentada sexualmente por agentes da repressão logo após a morte do marido. Ela lamentou que Cabo Anselmo não estava presente. O advogado dele, Juliano Brandi, tentou convencer a comissão de que o seu cliente foi obrigado a virar agente duplo.

Na reunião desta terça, os integrantes da Comissão de Anistia aprovaram a condição de anistiado e o pedido de pagamento de indenização de Ana Lúcia Valença de Santana Oliveira, que receberá um valor único de R$ 100 mil, e Anivaldo Pereira Padilha, que receberá uma parcela de R$ 229 mil e um benefício mensal de R$ 2.484. Anivaldo é pai do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Robin Gibb (Bee Gees) Words (1968) Death 20.05.2012 – relembrando

UM clique no centro do vídeo:

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DIÁRIO DA PROVYNCIA II – por olsen jr /rio negrinho.sc


  

A INFÂNCIA QUE NOS PERSEGUE

 

Já está virando moda por aqui. Lugares públicos tocando discos de vinil. Pode ser bizarro num primeiro momento, mas é um diferencial. Sei disso porque não abri mão dos meus discos, tenho dois aparelhos para tocá-los e estou namorando um terceiro que vi em um antiquário.

O “Canto do Noel” é um boteco situado na Rua Tiradentes, no centro de
Florianópolis, onde funcionava o “Pettit” e que volta a ser um ponto de intelectuais que resolveram dar um tempo no disque-me-disque do Mercado Público com o seu cheiro de peixe característico e os pedintes e bordejadores de sempre. Pois é, o “Canto do Noel” tem produzido alguns diferenciais, um deles é este, precisamente, você ouve grandes intérpretes nacionais, começando logicamente pelo que empresta o nome ao local, em discos de vinil, claro tem outros compositores brasileiros de qualidade, mas também a história ou parte dela é mantida com as imagens, fotografias, recortes de jornal emoldurados e dispostos nas paredes criando verdadeiros nichos de saudades onde se vê como essa cidade era bonita. Desde o casario antigo até uma população que parecia mais romântica e pacata. O fotógrafo Édio Melo certamente tem muito a ver com todo aquele acervo.

Parte da memória da cidade está ali naquelas paredes zelosamente guardada pelo carinho dos novos proprietários Edson e Sônia. O Rio de Janeiro e Florianópolis irmanadas por reminiscências, composições musicais, talentos e o que cada um dos clientes acrescenta com a própria experiência.

No Empório Mineiro no Boulevard da Lagoa da Conceição, outro lugar aconchegante, vejo o disco de vinil rodando no toca-disco de cor alaranjada onde o poeta Vinicius de Moraes e o violonista Toquinho acabam de cantar “Meu Pai Oxalá” que tinha sido uma das músicas da trilha sonora da novela “O Bem Amado”…

O disco terminou e continuou girando, a agulha acompanhava as voltas do vinil naquela faixa neutra que não tinha nada gravado nela e somente se ouvia o rodar do acetato. Ao invés de ir até lá e erguer a agulha, trocar o disco ou quem sabe por o mesmo para tocar novamente, fiquei observando o brilho da luz refletido no vinil rodando ali na minha frente e logo aquele aparelho é substituído pela eletrola lá de casa, em Chapecó quando os discos caiam um a um após tocarem naquele pino automático onde estavam empilhados (até cinco recomendavam os especialistas, para não arranharem uns com os outros)… E já não era mais o Vinicius de Moraes e sim o Billy Vaughn tocando “Look for a Star”.    Composta por Buzz Cason, nascido em Nashville (Tennessee) e que passou a assinar com o psudônimo de Garry Miles e, em 1960 compôs a música que o consagraria.

“Look For a Star” que, aliás, está completando em 2010, 50 anos, era uma das preferidas da minha mãe. Também andei assobiando uma versão interpretada pelo Roberto Carlos “… Duas noites são teus lindos olhos, onde estrelas estão a brilhar, que ternura olhar mil estrelas, em teu olhar”…

Outro dia assisti ao filme “Circus of Horrors” e a trilha sonora era Look for a Star na composição original de Garry Miles, e viajei novamente ouvindo aquilo associado a minha infância enquanto lia um dos 30 volumes da obra do Karl May, naquela edição encadernada da Ed. Globo de Porto Alegre e que vinha em caixas retratando em maravilhosos bicos de pena os personagens e o mundo criado pela mente prodigiosa do escritor alemão que marcou a minha juventude (minha, do Fernando Sabino, do Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, entre outros)…

Num dos filmes do Harry Potter, a música Look for a Star também aparece de fundo, está muito impregnada na minha infância e parece que de muito mais gente…

Em fração de segundos lembro de tudo isso enquanto observo ainda o disco de vinil ali sem que ninguém tome uma providência, acredito que foram aquelas faixas girando que me transportaram, como uma máquina do tempo…

Alguém passou em frente e cortou o meu fluxo de pensamentos, mas ainda tive a sensação de ver por ali, a minha mãe com um pano tirando o pó de cima do móvel e afirmando que gostava muito daquela música!

 

 

NOTAS:

 

 

Não faço ideia o que seria a música brasileira sem o Noel Rosa (1910-1937)…

Nascido em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, mas logo passou para o violão…

Abandonou a Faculdade de Medicina porque acreditou que a música era a “sua” vocação…

Conseguiu legitimar o samba de morro fazendo uma ligação entre a classe média e o rádio…

O primeiro sucesso veio com a composição “Com que roupa” em 1930, produto de uma situação inusitada, sua mãe havia escondido suas roupas para tentar impedi-lo de sair para outra noite de boemia…  E ele exclamou “com que roupa que eu vou?” criando a partir daí um samba que está mais vivo do que nunca…

“Conversa de Botequim” é outro de seus muitos sucessos…

http://www.youtube.com/watch?v=in9W6vHyI5k&feature=related

 

Noel Rosa morreu aos 26 anos com tuberculose…

 

OLSEN JR  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

 

Eternamente Yolanda – por otaciel de oliveira melo / fortaleza.ce


Os dois se encontraram num desses lugares barulhentos, uma mistura de bar, restaurante e lanchonete com comidas e bebidas para todos os gostos e bolsos. Num desses lugares com vários televisores ligados em canais diferentes e música ao vivo ao mesmo tempo. Não era possível ouvir o que o outro dizia, ainda que os dois estivessem sentados numa pequena mesa encostada a uma parede e seus rostos se encontrassem a menos de 30 cm de distância. O barulho era ensurdecedor, mas eles não precisavam falar absolutamente nada para descreverem o que estavam sentindo um pelo outro naquele pedaçinho de inferno: seus olhares os traiam.

Num ”palco” mal iluminado, dois jovens imitavam uma dessas duplas sertanejas que tanto irritam nossos ouvidos com letras de músicas que rimam amor com dor, tristeza com frieza, transar com amar, saudade com felicidade e paixão com solidão. Era preciso apurar bastante os sentidos para perceber que naquele momento eles estavam tentando cantar algo que no burburinho de tantas vozes podia ser percebido como “é o horror, que mexe com minha cabeça e me deixa doidinho, que faz eu pensar que você é um grande monstrinho, que faz eu esquecer
que a vida é feita pra morrer”.  Em suma, aquele era um ótimo lugar para alguém pensar em suicídio pela primeira vez na vida.

Mas foi amor à primeira vista e logo Carlos e Do Carmo estavam apaixonadíssimos um pelo outro e continuaram a curtir intensamente as noites recifenses. Mas depois de algumas semanas de namoro, Do Carmo observou que o Carlos tinha sempre preferência por barzinhos vagabundos, semelhantes ao primeiro onde se encontraram, embora tivesse um poder aquisitivo de um funcionário concursado de um grande banco estatal, o que lhe permitia frequentar ambientes mais sofisticados e tomar de vez em quando um bom uísque ou uma cerveja importada. Do Carmo era dentista e, como colaborava com as despesas, inclusive com as dos encontros eventuais em motéis, passou a conduzir o namorado a barzinhos mais limpos e saudáveis. O Carlos gostou da orientação da namorada, mas impôs uma condição: “nós nunca iremos a barzinhos e restaurantes com música ao vivo; eles são muito barulhentos, cobram couverts artísticos muito caros e as músicas são quase sempre as mesmas.

Do Carmo, que também se chamava Yolanda, estranhou a exigência do namorado, mas logo esqueceu o local barulhento e com música ao vivo do primeiro encontro. E o namoro prosseguiu às mil maravilhas.

No contato com os amigos, o casal era pródigo em frases e lugares comuns para descrever o que sentia um pelo outro, tais como “eu e a Do Carmo somos a corda e a caneca; sem ela eu não sei como estaria minha vida; estou arriado os quatro pneus.” Já Do Carmo se inspirava nas novelas da Globo para expressar seus sentimentos:   “Carlos é minha alma gêmea; o amor é lindo; nascemos um para o outro; nosso amor é para sempre”.

O relacionamento foi se intensificando até que um dia Carlos aceitou o convite para conhecer os pais da Do Carmo. E no domingo escolhido, sogro, sogra, irmã caçula e amigos da família  da Yolanda estavam  reunidos e receberam o casal com um churrasco à beira de uma piscina de um condomínio de luxo situado em Boa Viagem, zona sul do Recife. Durante o churrasco, a sogra do Carlos, a Ivone, que era psicóloga, estranhou o fato do namorado da filha nunca tratá-la por Yolanda Maria do Carmo Rebouças (seu nome completo), ou pelo menos por Yolanda, mas sempre por Do Carmo.  Observou também o desespero do Carlos ao tentar, mas sem sucesso, lembrar o primeiro nome da filha. E concluiu como uma profissional experiente: “tem alguma coisa errada com a cabeça desse meu futuro genro”.

Durante a semana Ivone ligou para a filha e comentou o fato. Perguntou a Yolanda sobre o comportamento do namorado e ela disse que o Carlos era bacana, sempre muito educado, nunca tinha brochado (se era isso que a mãe queria saber), e que os dois estavam pensando em casamento. Mas reconheceu que ele nunca a havia tratada pelo seu primeiro nome.

Então Ivone sugeriu à filha que levasse Carlos a um psicólogo para descobrir o porquê desse lapso recorrente de memória.

Ato contínuo, Yolanda ligou para Carlos e perguntou:

- Alô, Carlos?

- Sim, é ele.

- Meu amor, você já decorou o meu nome por inteiro?

Do outro lado da linha, silêncio absoluto.

- Carlos, você está me ouvindo?

-Sim, estou Do Carmo.

- Então diga como é o meu primeiro nome.

- Do Carmo, por quê?

- Não, meu querido. Meu primeiro nome não é Do Carmo, mas sim Yolanda. Repita: Yolanda.

Silêncio absoluto. E a dentista complementou:

- Precisamos conversar urgentemente.

À noite daquela quarta-feira os dois se encontraram num barzinho em Piedade onde uma dose de uísque Red Lable custava R$ 20,00 (este era o preço a pagar pelo som do silêncio) e a Yolanda, ou melhor, Do Carmo, abriu o jogo: “meu tesão, você tem um parafuso frouxo na cabeça e precisamos arrochá-lo antes de nos  casarmos. Que diabo acontece com você que não consegue pronunciar o meu primeiro nome? Eu já marquei com uma amiga da minha mãe, que é também psicóloga, uma consulta para a próxima segunda-feira. Vamos juntos e não me decepcione: responda tudo que a Doutora Irene lhe perguntar”.

O consultório da Dra. Irene era um luxo. O ar condicionado propiciava uma temperatura tão agradável que fazia lembrar os motéis que o casal frequentava na capital pernambucana, e os dois tiveram vontade de fazer amor ali mesmo, no sofá divã da Psicóloga, e na frente da mesma. Foi com muito sacrifício que se contiveram.

Deitado sozinho naquele sofá cama, longo, estreito e reclinável, Carlos começou a falar de sua vida pregressa. Não tinha sido fácil a sua caminhada rumo ao banco estatal. Já havia trabalhado de garçom, de vendedor de rosas em casas noturnas, de leão de chácara, de gerente de inferninhos e foi com muito sacrifício que havia terminado um Curso de Direito da FGV Online e milagrosamente tinha passado no teste da OAB. Mas agora a vida era outra e ele procurava esquecer as coisas ruins do passado.

A Doutora Irene notou que faltava alguma referência a algum tipo de atividade que o Carlos havia detestado.

- Pense em mais alguma coisa – solicitou gentilmente ao paciente.

Mas a primeira consulta acabou sem muito progresso.

Conversando com a namorada durante a semana, Carlos Antônio Figueira de Mello começou a ficar mais leve, mais receptivo a ideia de uma segunda visita a Dra. Irene, porque, como dizia Yolanda, “nos tempos em que nós vivemos todas as pessoas são loucas e de vez em quando elas precisam de um profissional da alma humana para se reequilibrar”. Na realidade o que a Yolanda estava querendo dizer é que ninguém quer ser louco sozinho. Já o Carlos pensava de maneira diferente: para ele loucos eram sempre os outros.

E foi na segunda consulta que Carlos tocou num assunto que, segundo a psicóloga, seu inconsciente reprimia e o fazia esquecer o primeiro nome de sua querida namorada: Carlos já havia tocado violão e cantado em barzinhos.

Então a Dra. Irene perguntou:

- Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

Diante desta pergunta o Carlos começou a transpirar como um urso polar em clima tropical e começou a passar mal. Suas mãos tremiam como as de um diabético numa crise de hipoglicemia, sua voz ficou embargada, seus olhos arregalados e sua boca seca. Seu corpo por inteiro tremia como que arrebatado por um espírito maligno. E a Dra. Irene percebeu que estava no caminho certo e insistiu na pergunta.

- Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

E Carlos, num esforço sobre-humano e tropeçando nas sílabas, respondeu:  “gigo-lân-dia”.

- Carlos, ninguém conhece essa tal de “gigo-lân-dia”. Vou reformular a pergunta: por que você deixou de se apresentar em barzinhos?

- Porque as pessoas pediam para eu tocar 10 a 15 vezes uma determinada música numa mesma noite. Quando foi um dia eu estava no palco e quando alguém me pediu para cantá-la eu comecei a me tremer feito uma vara verde. Meus dedos não obedeciam ao meu comando e eu não conseguia tirar mais nenhum acorde do violão. Comecei a gritar bem alto e fui levado às pressas para um hospital psiquiátrico onde me aplicaram uma injeção cavalar de gardenal. Para completar, eu perdi o meu emprego e a partir daquele momento eu passei a sofrer um bloqueio sistemático de memória todas às vezes que tento me lembrar do nome da referida música. Como a senhora explica esta situação?

-  Bem, não é difícil compreender o ocorrido. Você adquiriu uma profunda ojeriza a esta música por que a executou centenas, talvez milhares de vezes. O nome da música é Yolanda, por acaso o nome da sua namorada. A música é bonita, é de Chico Buarque de Holanda, mas quando executada ou ouvida por muitas vezes pode levar o executor ou o ouvinte à loucura.  Como músico de barzinho, talvez você tenha tocado mais ‘Yolanda’ do que ‘parabéns pra você’. Portanto, está explicado o seu trauma e esta sua profunda rejeição a esta música. Agora, você precisa voltar a pronunciá-la corretamente de maneira a tratar sua futura mulher pelo seu primeiro nome. Vamos tentar mais uma vez. Diga Yolanda.

- Irgovânia.

- Está melhorando. Mas talvez você precise de mais umas vinte consultas para voltar a pronunciar de alto e bom som YOLANDA.

NELSON CAVAQUINHO já dizia…

 

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais

 

E se os DEMOSTUCANOS estivessem no comando da nação? o terror estaria implantado na economia!

E SE ELES AINDA ESTIVESSEM NO COMANDO?

Em 31 de agosto do ano passado, o governo Dilma, ancorado numa percepção correta de agravamento do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato. O dispositivo midiático-tucano reagiu entre ‘indignado e estupefato’, como disse então o economista Luiz Gonzaga Belluzzo em debate promovido por Carta Maior. Um mês depois, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ecoava as avaliações dos think tanks demotucanos, a exemplo da Casa das Garças, e dizia ao jornal Valor Econômico que considerava a decisão do BC ‘precipitada’. Expoentes menores mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, como o economista de banco Alexandre Schwartzman, já haviam se manifestado na mesma linha da abalizada percepção tucana das coisas. Em sua douta análise dos fatos, veiculada em 4-09-2011, Alexandre Schwartzman, também conhecido como ‘o professor de Deus’ pontificava em pedra e cal:” não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008″. Outros sábios de bico longo e o mesmo olhar de lince, como Luis Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, ex-presidente do BNDES e expoente das privatizações no sistema de comunicações, advertiam então que o BC brasileiro ficara refém de um agravamento da crise mundial que justificasse a sua decisão.” “O BC passou a torcer pela crise”, diziam, argüindo a estratégia brasileira de priorizar o enfrentamento da crise ao combate à inflação. As linhas acima recuperam uma nota publicada em Carta Maior em 11-11-2011. Seis meses depois, alguns milhares de desempregados à mais e quase uma Grécia a menos no euro, o governo brasileiro –corretamente– anuncia nesta 2ª feira novas medidas contracíclicas para afrontar a  caleidoscópica reprodução da crise financeira mundial  –que a sapiência demotucana avaliava como miragem heterodoxa. É forçoso arguir: e se eles ainda estivessem no comando da Nação?

(Carta Maior; 2ª feira/21/05/2012)

DALTON TREVISAN vence o PRÊMIO CAMÕES (português)

Escritor brasileiro vence Prêmio Camões

 

O escritor brasileiro Dalton Trevisan, 86, foi anunciado o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões nesta segunda-feira (21), em Lisboa. A premiação, criada em 1988 por Brasil e Portugal, é o principal reconhecimento da literatura em língua portuguesa.

O júri, formado por seis representantes de Portugal, Brasil, Moçambique e Angola, reuniu-se nesta manhã para eleger o ganhador. Dalton Trevisan foi premiado por sua “dedicação ao fazer literário”, segundo o escritor Silviano Santiago, um dos integrantes do júri.

“A escolha de Dalton Trevisan foi unânime. Houve uma discussão maravilhosa entre os membros do júri de cerca de duas horas e depois chegamos a essa decisão consensual”, afirmou Santiago em nota divulgada pela Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelo prêmio no Brasil. “Primeiramente, pela contribuição extraordinária de Dalton Trevisan para a arte do conto, em particular para o enriquecimento de uma tradição que vem de Machado de Assis, no Brasil, de Edgar Allan Poe, nos EUA, e de Borges, na Argentina.”

Nascido em Curitiba em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan é autor de “O Vampiro de Curitiba” (1965), uma das suas obras mais conhecidas. Entre outros títulos notáveis do escritor estão “Vozes do Retrato – Quinze Histórias de Mentiras e Verdades” (1998), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “Violetas e Pavões” (2009), “Desgracida” (2010) e “O Anão e a Ninfeta” (2011).

Reprodução
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens

CABO ANSELMO: COMISSÃO DE ANISTIA JULGA ANSELMO NA PRÓXIMA TERÇA / brasilia.df

O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político

20/05/2012 | 16:46 | AGÊNCIA O GLOBO

Comissão de Anistia julga na manhã da próxima terça-feira (22), menos de uma semana após a instalação da Comissão da Verdade, o caso de José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão em 2004.

O relator do processo na comissão será o petista Nilmário Miranda, ex-preso político e ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência é que os conselheiros neguem o pedido de Anselmo.

O processo dele, de número 2004.01.42.025, aguardava na fila para entrar na pauta. Cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar.

O DOCE SABOR DE UMA MULHER – de auber fioravante junior / porto alegre.rs

Face Orvalhada
Tem certos dias,
Que não sinto a caricia do vento
Murmurando pelos laredos d’ alma,
Comungando em segredo com silêncio
Amigo divagador do verso oriundo da brisa!

A bom bordo da nave,
Diante da praia ouço da areia a canção
Pairando dentre as estações,
Relíquias do tempo e do espaço
Dando aconchego ao olhar de solidão!

Mesmo incerto da próxima onda,
Deixo a este bordo, reversos perdidos,
Sem a imagem que inebria meus avessos
Mais insanos brotos já desabrochados,
E ainda altivos percebendo o orvalho das manhãs!

Em pequenos detalhes,
A poesia se formou, se fez flor,
Ensinou-me que o verbo
É tão grande quanto o universo!

Com as lágrimas que habitaram
E ainda habitam minha face,
Componho minha partitura em amor,
Clarividente na luz devaneando pelo luar!

Auber Fioravante Júnior_13/04/2012_Porto Alegre – RS

REGINA, a mulher-loba do Brasil – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Regina, mulher-loba do Brasil

 

Lobas são extremamente ciosas dos seus filhotes. Ou então: lobas são selvagemente ciosas. São mansas e pacíficas enquanto o mundo se lhes apresenta manso e pacífico. O problema é que elas se dão ao hábito de pensar e, ao pensar, tomam partido e definem-se criticamente frente a esse mesmo mundo. E ele que se comporte! Nem sonhe em sair da linha!

 

Os filhotes da Regina são os seus alunos, a Literatura (mais necessária e carinhosamente aquela próxima, feita em Santa Catarina) e, por consequência dos cuidados anteriores, os escritores catarinenses. Estes filhotes é que lhe importam.

 

Regina, loba, preocupa-se. Tem consciência política (não se trata aqui de partido político, é importante deixar bem claro), posiciona-se filosoficamente no meio em que vive, em que trabalha com uma dignidade que muita gente não tem para mostrar, no meio em que paga seus impostos como penitência para viver e participar da sua rua, do seu bairro, da sua cidade.

 

Com esse dinheiro, com seu imposto, paga o salário de vereadores e servidores públicos que têm a obrigação de considerar suas opiniões, ao invés de, numa forma simplista, demagógica e autoritária, ameaçá-la de processo judicial por “entravar a máquina pública” ao impedir, com sua força de mulher e sua coragem de ser humano, a “limpeza de um terreno público” no Estreito.

 

O terreno público em questão é uma área com árvores que abriga um sítio arqueológico protegido pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Acontece que a gerente da loja vizinha ao sítio, loja que vende a mais famosa marca de motos do mundo, decidiu limpar o terreno público ao lado. “Vive cheio de usuários de droga”, foi a bandeira que ela levantou. Como o local estaria “desocupado”, dita senhora dá a qualquer um o direito de supor que ela imaginava abrir ali um espaço informal e gratuito para servir de estacionamento exclusivo aos seus abastados clientes. Já que a loja naturalmente será contribuinte dos cofres públicos, a gerente achou-se no direito de acionar seus “contatos”, de maneira informal (por que tanta burocracia, não é mesmo?), a fim de conseguir autorização para a limpeza – limpeza arrasadora com patrola, como um corte de cabelo com máquina zero.

 

Um vereador, que já deixara a secretaria municipal ligada ao caso para candidatar-se à reeleição, autorizou verbalmente o desmate, o desmonte, a “limpeza” de tolerância zero com o terreno – atribuição e autoridade de que ele já não mais dispunha, da mesma forma que não disporia ainda que estivesse no exercício do cargo, simplesmente por tratar-se de um sítio arqueológico: um patrimônio público (não do poder público) de interesse histórico.

 

Regina Brasil, mulher-loba, escolada, que dá um monte de aulas, educa pessoas e ensina-lhes cidadania, desconfiou quando retiraram a tela que protegia o terreno. No dia seguinte, bem cedo, a patrola iniciou a devastação. A professora correu, pôs-se à frente da máquina e impediu que o crime se consumasse em sua totalidade. Ela foi fotografada (as fotos saíram na imprensa e circulam pelos caminhos da internet), aplaudida e consagrada como heroína.

 

Mas as pressões sobre ela aumentam, e serão maiores assim que baixar a poeira da publicidade que envolve o seu ato. Como a ameaçou o pessoal da loja de motos, o que a forçou a registrar Boletim de Ocorrência na delegacia do bairro, “Você não sabe do que somos capazes! Você tem certeza que quer essa incomodação para o resto dos seus dias?”

 

 

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA  CATARINENSE DE  LETRAS

‘Nova Lei Rouanet’ terá edital para pequeno produtor e pontuação – por julianna granjeia / são paulo.sp

O projeto de lei que deve substituir a Rouanet pretende fortalecer o FNC (Fundo Nacional de Cultura) para descentralizar o fomento e o incentivo à cultura.

O fundo patrocinará editais para produções culturais que não costumam ser atendidas pela renúncia fiscal, em especial aquelas de fora do eixo Rio-São Paulo.

Para isso, o projeto de lei -chamado ProCultura- fixa mecanismos de capitalização do FNC (que contou com cerca de R$ 300 milhões em 2011). Um deles prevê que parte da renúncia fiscal vá direto para o fundo. Outro seria a destinação a ele de 5% da renda de loterias.

O ProCultura também estabelece um sistema de pontuação -quanto mais contrapartidas sociais (como gratuidade do produto/serviço cultural, acessibilidade, difusão no exterior e ações educativas) houver, maior será o abatimento do IR, que pode ser de 30%, 50% ou 100% do montante investido.

Os empresários que investirem em projetos que alcançarem pontuação equivalente a 30% e 50% de dedução poderão abater o valor total do investimento como despesa operacional, o que acarretará em mais descontos no final do processo.

Já o percentual do imposto destinado pelas empresas para investimentos em shows, teatro e literatura, por exemplo, pode chegar a 6% do total do IR devido -atualmente, o teto é de 4%. O patrocinador que deduzir mais de 4% doará parte do excedente desse percentual ao FNC (veja ao lado).

Outra novidade é o estímulo ao Ficart (Fundo de Investimento Cultural e Artístico), destinado a aplicações em projetos culturais e artísticos. Esse investimento garante dedução no IR de até 50% do valor das cotas adquiridas.

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do projeto, deve entregar o texto para a Comissão de Finanças da Câmara nas próximas semanas.

Ele aguarda um estudo da Fazenda que calculará o impacto da eventual mudança na arrecadação de impostos.

Paulo Pélico, vice-presidente da APTI (Associação dos Produtores Teatrais Independentes), afirma que, se o esquema de renúncia previsto for aprovado, haverá uma mudança positiva no financiamento cultural.

“Nunca tivemos separação entre projetos independentes, públicos e corporativos. Depende, agora, de o governo aprovar. Se tirar uma peça desse quebra-cabeça, não vai funcionar”, diz ele.

TAINHA: No alto de morro na Barra da Lagoa, olheiros têm papel importante na captura da tainha / ilha de santa catarina.sc

Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Olheiros têm papel importante na captura da tainha  Caio Marcelo/Agencia RBS

Seo Diquinho (E) conta causos enquanto observaFoto: Caio Marcelo / Agencia RBS
Sâmia Frantz

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: “vem vindo tainha aí, minha gente!”.

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.

Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da “bagunça”:

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.

Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida – geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.

Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!

Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico – alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

MAR – de omar de la roca / são paulo.sp

 

Que palavra é essa que se agita em mim?

Que mar é esse ?

Como uma onda que me cobre a cabeça,

E eu tenho que bater os pés com força para respirar

Ou como uma tábua de salvação

A que me agarro

E me desgarro quando o pé encontra o chão.

Como a onda que me leva boiando no espaço liquido.

Onde faço lentos movimentos circulares.

Onde sufoco um pouco, um pouco ofego

Sôfrego de luz e de palavras.

Como o barco, que só alcanço a borda

Sem força para nele me chegar

Fraco,tímido, sôfrego  de medo

Tremendo,querendo mergulhar

Mais fundo e mais e mais

Deixando que  a corrente me transporte.

Trazendo a tona a água dividida.

E quebro a onda, com meu corpo

Cujo destino é pedra. E alga.

Com a mão aliso a vaga

Que me levanta e a mim salga.

E sigo resistindo a sereia que se enrosca

Em meus tornozelo, e a mim puxa,

Para o fundo,para o fundo.

Mas me sacudo e me livro

 

Como faço com palavras que me incomodam

Pondo no papel, pondo ao vento

Como roupas a secar e a chuva molha,

Apelando ao perdido pensamento,

Sentimento que não volta.

Que mar é esse ?

Que palavra é essa?

Aceno a mão para o navio inexistente,

Querendo voltar ao porto que ainda não existe,

A água sobe e perco o pé, mais esforço feito,

para ficar a tona, cabeça de fora,nariz de fora.

Ar , que te quero puro.

Ar que é preciso, e eu preciso .

Que palavra que se agita

Em mim e logo grita,

Que mar, no qual me agito,

Muito alem de meu próprio grito?

O sol chia ao encostar na água lá no horizonte.

Logo será noite. Encontrarei areia. Bato os pés

Em desalinho,respiro,afundo.

Me agarro a um tronco. Devo estar perto de terra firme.

Bato os pés e vou seguindo.Vou seguindo.

Que palavra, que mar ?

Bato os braços,os  pés.

Chego lá ? Não sei,engulo água,

E ,me agito mais forte para respirar,

para alem de minha mágoa.

Que cor é essa com a qual escrevo?

Cor de água do mar.

E o papel ? Transparente ,de vidro.

Que mar ?…afundo.

Que palavra ? Surdo, de água.

Areia,concha,alga e pedra. Mar.

E no ar seguro de novo.

PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF dá posse a COMISSÃO da VERDADE (vídeos, foto, texto) / brasilia.df

UM clique no centro do video:

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Integrantes falam na posse da COMISSÃO:

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O Brasil e as novas gerações merecem a verdade, afirma presidenta Dilma

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (16), no Palácio do Planalto, ao dar posse aos integrantes da Comissão da Verdade, que o Brasil e as novas gerações merecem a verdade. Segundo Dilma, a comissão, que terá prazo de dois anos para apurar violações aos direitos humanos ocorridas no período entre 1946 e 1988, que inclui a ditadura militar (1964-1985), não será pautada pelo revanchismo e pelo ódio.

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la.”.

Segundo a presidenta, a criação da Comissão da Verdade não foi movida pelo desejo de reescrever a história. Para Dilma, a instalação da comissão é a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando seu caminho na democracia.

“Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”.

Dilma afirmou que os sete integrantes da Comissão da Verdade – Cláudio Fonteles, Gilson Dipp, José Carlos Dias, João Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso da Cunha – foram escolhidos pela competência e pela capacidade de entender a dimensão do trabalho que vão executar.

“Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão e que integrarão a Comissão da Verdade, não fui movida por critérios pessoais nem por avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãos, de cidadãs, de reconhecida sabedoria e competência. Sensatos, ponderados, preocupados com a justiça e o equilíbrio e, acima de tudo, capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar. Trabalho que vão executar – faço questão de dizer – com toda a liberdade, sem qualquer interferência do governo, mas com todo apoio que de necessitarem”, disse a presidenta.

Na cerimônia, a presidenta também falou sobre a Lei de Acesso à Informação, que passa a vigorar a partir de hoje, junto com a Comissão da Verdade.

“A nova lei representa um grande aprimoramento institucional para o Brasil, expressão da transparência do Estado, garantia básica de segurança e proteção para o cidadão. Por essa lei, nunca mais os dados relativos à violações de direitos humanos poderão ser reservados, secretos ou ultrassecretos”.

LEI ÁUREA, 124 anos após a publicação o Brasil não consegue erradicar trabalho escravo – por najla passos / são paulo.sp


As comemorações dos 124 da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação das terras em que a prática for comprovada. A bancada ruralista foi quem deu a última palavra. O argumento é meramente ideológico: a defesa intransigente da propriedade.

As comemorações dos 124 anos da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que tramita há 11 anos na casa. Não bastaram a intensa mobilização da sociedade civil, os esforços do governo e o compromisso dos parlamentares mais progressistas. A bancada ruralista, que possui a maioria dos votos na casa, foi quem deu a última palavra, a exemplo do ocorreu na votação do novo Código Florestal.

A votação estava prevista para ocorrer na noite de terça (8), em sessão extraordinária. Durante todo o dia, movimentos camponeses, militantes dos direitos humanos, representantes das centrais sindicais, artistas, intelectuais e políticos participaram de atos e manifestações em favor da matéria, que prevê o endurecimento da pena contra os proprietários das terras onde for comprovada a prática, inclusive com a expropriação das terras para fins de reforma agrária.

Embora nenhum parlamentar tenha chegado à ousadia de subir na tribuna para defender a prática, momentos antes do horário previsto para a votação, o quórum do plenário da Câmara permanecia baixo. As 16:30 horas, apenas 208 dos 513 deputados haviam assinado a lista de presença. Para a aprovação de uma mudança na constituição, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis. O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) que acompanhava de perto a mobilização em plenário, já denunciava: “Há partidos grandes, alguns deles da própria base aliada do governo, que estão com poucos deputados em plenário”.

Na reunião dos líderes de bancadas, representantes dos partidos de oposição e da própria base aliada do governo explicaram porque não aprovariam a matéria. De acordo como líder o governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), os ruralistas reclamavam que a PEC não deixava claro o que é trabalho escravo e nem detalhava em quais circunstâncias se daria a expropriação.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), ainda tentou um acordo: os parlamentares aprovavam a PEC como estava, e ele conversaria com o presidente do Senado, José Sarney, para que a casa revisora aprovasse uma lei complementar detalhando os pontos de discórdia. Os ruralistas concordaram. O presidente anunciou a votação para o dia seguinte e deu início às negociações com o Senado. A mobilização social se dispersou.

Entretanto, na quarta (9), pela manhã, os ruralistas se reuniram e decidiram pelo rompimento do acordo. Em documento divulgado, eles criticavam não só os pontos levantados na reunião de líderes do dia anterior, como vários outros. Segundo eles, a PEC implicaria em insegurança jurídica, o que ocasionaria a fuga de investidores do país.

“Os argumentos são mentirosos. O conceito de trabalho escravo, por exemplo, já está tipificado no Código Penal e e muito bem difundido até no senso comum. Mas eles terão que acertar as contas com a história”, afirmou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Domingos Dutra (PT-MA).

Ele criticou também a alegação dos ruralistas de que a expropriação poderia prejudicar, também, um proprietário que, porventura, arrendasse terras para alguém que compactuasse com prática do trabalho escravo. “Saber a quem arrenda um imóvel é dever do proprietário já previsto na Constituição”, rebateu.

À noite, o quórum era de 338 deputados em plenário. Porém, sem conseguir negociar com os ruralistas, o presidente da Casa fez as contas e, ciente de que não conseguiria aprovar a matéria, adiou a votação para 22 de maio.

Ferida aberta
Dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2011, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na última segunda (7), já mostravam a dimensão atual do problema. Só em 2011, foram identificados 230 casos de ocorrência de trabalho escravo em 19 dos 27 estados do país, envolvendo 3.929 trabalhadores, inclusive 66 crianças. Destes, 2.095 foram de fato considerados em condições análogas à de escravidão, e libertados.

As ocorrências se deram, principalmente, nas atividades ligadas à pecuária (21%), ao corte de cana (19%), à construção civil (18%), a outras lavouras (14%), à produção de carvão (11%), ao desmatamento e reflorestamento (9%), à extração de minério (3%) e à indústria da confecção (3%).

“O trabalho escravo é um fenômeno majoritariamente rural, da fronteira agrícola, da invisibilidade, salvo as raras exceções em que ocorrem nas cidades, com a exploração de estrangeiros ilegais. O agronegócio brasileiro, que se diz pujante, moderno e altamente tecnológico, não precisa estar vinculado a esta prática. Por isso, acredito que a posição da bancada ruralista reflete mesmo é a questão ideológica da defesa intransigente da propriedade”, resumiu o ex-ministro dos Direitos humanos do governo Lula, Nilmário Miranda.´

Najla Passos

O vento mudou na Europa – por josé manuel pureza / coimbra.pt

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade.



Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel.

Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neo-liberalismo – que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura econômica e política.

Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor – retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão à vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.

O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neo-liberalismo- custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.

A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos para a União.

Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.

(*) José Manuel Pureza – prof de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra e prof visitante do departamento de Relações Internacionais da PUC/SP

O MUSEU E A ARTE CONTEMPORÂNEA – por almandrade / salvador.ba


Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invenção da obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem o risco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado como arte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemplo da pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiências artísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis, ou não, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obra de arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional. Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidade solicitam a reformulação de demandas e estratégias museias, um outro modelo museológico e museográfico.

O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar uma herança estética e cultural de um tempo que passou e do presente para significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaque entre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assim como o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço de confinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição de objetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase em silêncio, das chamadas obras de arte.

Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Na primeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito de repouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursor das poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bem humorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas a coisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para ser a obra de arte.

O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo na década de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cena questionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, em especial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foi travado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras, privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena na instituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte, desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocações e incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a instituição museal foram inevitáveis e imprevisíveis.

O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitou o estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses do mercado e o desejo de classificar e acomodar da instituição museológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquitetura característica, com função de alojar uma diversidade de procedimentos, é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campo de experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e a estação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiência artística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser um espaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um público ativo e não mero observador do que está em exposição.

De certa forma, a arte, produzida hoje, expõe feridas da cultura e do sistema da arte. E o imaginário museal tem uma importância na formação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou de contemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hoje não nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador para refletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistema institucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para o exercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras são transferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituição museológica pelos documentos, registros e reproduções.

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

AMOR de MÃE – por wilker barreto

Meus amigos, hoje é o Dia das Mães e – por que não dizer – o dia do amor. Não há na vida algo maior, mais intenso e mais sublime do que o amor de mãe: incondicional, absoluto e irrestrito.

Amor que encoraja, fortalece, transforma, torna possível o impossível. Berço da vida, afago da alma, combustível da esperança, és tu, mamãe, que nos educa, ensina, acalenta e nos acompanha em nossa caminhada. Todo dia é teu dia, mãe! Nada que possamos fazer será suficiente para agradecer a dedicação, o carinho, a generosidade, a compreensão, os dias a fio e o amor que nos foi dedicado.

Verdadeiras guerreiras na batalha de educar e preparar seus filhos, as mães cumprem várias jornadas de trabalho e nada recebem por isso. São mães, esposas, profissionais e, infelizmente, têm sido cada vez mais frequentes os casos em que também se tornam pais. Não restam dúvidas, somente as mulheres poderiam ser capazes de desempenhar tantas funções ao mesmo tempo e com tamanha excelência. Só nos cabe agradecer, reverenciar e dizer que não chegaríamos a lugar algum sem o seu amparo, seu colo e seus ensinamentos.

Nenhuma mãe falece, porque todas habitam em nossos pensamentos e residem em nossos corações. Seus ensinamentos jamais se perderão, e do seu amor jamais esqueceremos. O pouco que somos devemos a ti e, como diria o poeta, “somente uma coisa no mundo é melhor e mais bela do que a mulher: a mulher que é mãe”.

Amemos, celebremos e jamais nos esqueçamos da criatura mais importante de nossas vidas. Aproveitemos, em especial, o dia de hoje para exaltar as mães, festejar o amor e valorizar a família. Que todos tenhamos um grandioso e memorável dia. Muito amor, paz, saúde e longevidade às nossas mamães. Irmanemo-nos no amor e na generosidade das mães de ontem, de hoje e do amanhã. Profiramos todos os dias em alto e bom som: Mãe, eu te amo!

jorn. AROLDO MURÁ, MANOEL DE ANDRADE e DANTE MENDONÇA, CONVIDAM: Curitiba.pr

COMISSÃO DA VERDADE, governo anuncia integrantes / Brasilia.df

Cerimônia de posse, em 16 de maio, terá a presença dos ex-presidentes Sarney, Collor, FHC e Lula

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff escolheu os sete integrantes da Comissão da Verdade. São eles: José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, Gilson Dipp, ministro Superior Tribunal de Justiça, Rosa Maria Cardoso da Costa, ex-advogada da presidente Dilma, Cláudio Fonteles, diplomata e ex-secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça Paulo Sérgio Pinheiro, a psicanalista Maria Rita Kehl e o advogado e jurista José Paulo Cavalcanti Filho.

A posse está marcada para o dia 16 de maio e os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva participarão da cerimônia. O porta-voz do Planalto, Thomas Traumann, informou que os convites foram feitos todos na tarde desta quinta-feira, pessoalmente, “Todos os ex-presidentes já confirmaram suas presenças em uma demonstração de que esta comissão não é de governo, é de Estado”, afirmou o porta-voz.

A Comissão da Verdade gerou uma grande polêmica desde quando foi anunciada por causa de questionamentos da área militar. Em todas as manifestações os militares da reserva, principalmente do Exército, afirmar que a comissão será revanchista e tentará reescrever a história à sua maneira. Mas o governo rebate esta tese e insiste que a comissão será de Estado e agirá com imparcialidade. Em seu discurso, quando sancionou a lei, a presidente Dilma afirmou que a Comissão da Verdade consolida o processo democrático e salientou que “o silêncio e o esquecimento são sempre uma grande ameaça. Não podemos deixar que no Brasil a verdade se corrompa com o silêncio”.

Dilma acrescentou ainda que “a verdade interessa muito às novas gerações que tiveram a oportunidade de nascer e viver sob regime democrático. Interessa, sobretudo, aos jovens que hoje têm o direito à liberdade e devem saber que essa liberdade é preciosa e que, muitos, por ela lutaram e pereceram. As gerações brasileiras se encontram hoje em torno da verdade. O Brasil inteiro se encontra, enfim, consigo mesmo sem revanchismo, mas sem a cumplicidade do silêncio”, concluiu.

Entre os objetivos da comissão estão “esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos” entre 1946 e 1988 e “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”. A partir da sua instalação, a comissão terá um prazo de dois anos para conclui os trabalhos. Não está estabelecido como será o rito de funcionamento da comissão. Cada integrante da comissão receberá um salário mensal de R$ 11.179,36.

A lei prevê que a comissão requisite documentos de órgãos públicos, convoque para entrevistas “pessoas que possam guardar qualquer relação com os fatos e circunstâncias examinados”, promova audiências públicas e peça proteção para indivíduos que eventualmente se encontrem “em situação de ameaça” por conta da colaboração com a comissão.

A legislação ainda estabelece que as atividades não terão “caráter jurisdicional ou persecutório” e que “é dever dos servidores públicos e dos militares colaborar” com a comissão. A legislação ainda estabelece que as atividades não terão “caráter jurisdicional ou persecutório” e que “é dever dos servidores públicos e dos militares colaborar” com a comissão. Está prevista ainda que a comissão poder firmar parcerias com instituições de ensino superior e organismos internacionais.

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Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

senador CIRO MIRANDA faz elogio inédito, da tribuna do senado, ao POVO BRASILEIRO Brasilia.df

ANDRÉ RIEU e o BRASIL / londres

Surpresa no Concerto de André Rieu em Londres… 


Desenvolvia-se o concerto de música clássica no refinado Royal Albert Hall, em Londres, sob sua regência . E de repente ele surpreende. Espetacularmente. Bravíssimo!!!

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IGREJAS e INDÚSTRIAS unem seus deputados e votam contra a “tributação de fortunas”, porque seriam atingidas / brasilia

Parceria CNI-Igreja derruba votação para tributar fortunas

Em comissão da Câmara, parlamentares dos setores esvaziaram reunião

EVANDRO ÉBOLI

BRASÍLIA – Uma inusitada parceria entre o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e parlamentares católicos e evangélicos impediu nesta quarta-feira a aprovação de projeto que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), recurso que seria destinado exclusivamente para a saúde. Essa união de forças se deu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. O autor do pedido de verificação de quórum na comissão, uma manobra para impedir aprovação de projetos, foi do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), médico que se apresenta como defensor da saúde. Desde o início da sessão, assessores da CNI e de deputados evangélicos negociaram boicotar a reunião.

O interesse dos religiosos era evitar, mais uma vez, um projeto que tramita há anos no Congresso e que cria direitos previdenciários para dependentes de homossexuais. Este nem chegou a ser apreciado. E o da bancada da CNI era impedir a votação do projeto que taxa as grandes fortunas. E conseguiram. Parlamentares desses dois grupos esvaziaram a sessão. O projeto que taxa as grandes fortunas tem como autor o deputado Doutor Aluizio Júnior (PV-RJ). Pela proposta, são criadas nove faixas de contribuição a partir de acúmulo de patrimônio de R$ 4 milhões e a última faixa é de acima de R$ 115 milhões. O projeto atinge 38 mil brasileiros, com patrimônios que variam nessas faixas.

- São R$ 14 bilhões a mais para a saúde por ano. Desse total, R$ 10 bilhões viriam de 600 pessoas, mais afortunadas do país. Vamos insistir com o projeto – disse Aluizio Júnior.

A relatora do projeto foi a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que deu parecer favorável. O projeto das grandes fortunas chegou a ser votado e 14 parlamentares votaram sim e três, não. Foi nesse momento que Perondi pediu a verificação de quórum e eram precisos 19 votantes ao todo. E tinham 17. Faltaram apenas dois para a matéria ser considerada aprovada.

Quando começou a votação, parlamentares do PSDB e do DEM deixaram o plenário. O deputado Doutor Paulo César (PSD-RJ) fez um parecer contrário ao de Jandira e argumentou que taxar grandes fortunas iria espantar os investimentos e empresários levariam dinheiro para fora do país. Mas a derrota, no final, pode ser atribuída a dois parlamentares evangélicos. Um deles, Pastor Eurico (PSB-PE) chegou a fazer um discurso a favor da taxação das grandes fortunas e afirmou até que a Câmara está cheio de lobbies de interesses. Chegou a ser aplaudido, mas, na hora de votar, atendeu ao apelo da parceria CNI-religiosos, e deixou o plenário. Nem sequer votou. Outro deputado, Marco Feliciano (PSC-SP), defensor dos interesses religiosos deixou o plenário quando se inicia a votação.

O advogado Paulo Fernando Melo, um assessor das bancadas religiosas e que atuou na parceria com a CNI, comemorou o resultado.

- Tinham duas matérias polêmicas na pauta (pensão para gays e taxação de grandes fortunas). No final, a articulação desses dois setores, que é regimental, deu certo e os dois lados saíram vitoriosos – disse Paulo Fernando.

senador AGRIPINO MAIA, presidente do DEM, arauto da moralidade, É ACUSADO de receber propina (de R$1.000.000,00) no Rio Grande do Norte

Testemunha acusa Agripino Maia de receber propina

Leandro Fortes
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O senador Agripino Maia, presidente do DEM, é acusado de receber 1 milhão de reais do esquema. Foto: Válter Campanato / Agência Brasil

Há pouco mais de um mês, em 2 de abril, um grupo de seis jovens promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte organizou uma sessão secreta para ouvir um lobista de São José do Rio Preto (SP), Alcides Fernandes Barbosa, ansioso por um acordo que o tirasse da cadeia. Ele foi preso com outras nove pessoas, em 24 de novembro de 2011, durante a Operação Sinal Fechado, que teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por empresários  e políticos locais com a intenção de dominar o serviço de inspeção veicular no estado por 20 anos. A quadrilha pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais com o negócio. Revelado, agora, em primeira mão, por CartaCapital, o depoimento de Barbosa aponta a participação do senador Agripino Maia, presidente do DEM, acusado de receber 1 milhão de reais do esquema.

O depoimento de Barbosa durou 11 horas e reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pelo advogado George Olímpio, apontado como líder da quadrilha, ainda hoje preso em Natal. De acordo com trechos da delação, gravada em vídeo, Barbosa afirma ter sido chamado, no fim de 2010, para um coquetel na casa do senador Agripino Maia, segundo disse aos promotores, para conhecer pessoalmente o presidente do DEM. O convite foi feito por João Faustino Neto, ex-deputado, ex-senador e atual suplente de Agripino Maia no Senado Federal. Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por conta da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o outro apenas como “Clóvis” – provavelmente, de acordo com o MP, o também tucano Clóvis Carvalho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso no estado, Faustino Neto foi subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão do tucano José Serra. Na época, era subordinado a Aloysio Nunes Ferreira.

De acordo com os promotores, o papel de Barbosa na quadrilha era evitar que a Controlar, uma empresa com contratos na prefeitura de São Paulo, participasse da licitação que resultou na escolha do Consórcio Inspar. Em conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça potiguar, Barbosa revela ter ligado para o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em 25 de maio de 2011, quando se identificou como responsável pela concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Aos interlocutores, o lobista garantiu ter falado com o prefeito paulistano e conseguido evitar a entrada da Controlar na concorrência aberta pelo Detran local. Em um dos telefonemas, afirma ter tido uma conversa “muito boa”. Embora não se saiba o que isso significa exatamente, os promotores desconfiam das razões desse êxito. Apenas em propinas, o MP calcula que a quadrilha gastou nos últimos dois anos, cerca de 3,5 milhões de reais.


Aos promotores, Alcides Barbosa revelou que foi levado ao “sótão” do apartamento do senador Agripino Maia, em Natal, onde garante ter presenciado o advogado Olímpio negociar com o senador apoio financeiro à campanha de 2010. Na presença de Faustino Neto e Barbosa, diz o lobista, George prometeu 1 milhão de reais para o presidente do DEM. O pagamento, segundo o combinado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Agripino Maia, o ex-senador José Bezerra Júnior, conhecido por “Ximbica”. De acordo com Barbosa, Agripino Maia queria o dinheiro na hora, mas Olímpio afirmou que só poderia iniciar o pagamento das parcelas a partir de janeiro de 2012.

O depoimento reforça um outro, do empreiteiro potiguar José Gilmar de Carvalho Lopes, dono da construtora Montana e, por isso mesmo, conhecido por Gilmar da Montana. Preso em novembro de 2011, o empreiteiro prestou depoimento ao Ministério Público e revelou que o tal repasse de 1 milhão de reais de Olímpio para Agripino Maia era “fruto do desvio de recursos públicos” do Detran do Rio Grande do Norte. O empresário contou história semelhante à de Barbosa. Segundo ele, Olímpio deu o dinheiro “de forma parcelada” na campanha eleitoral de 2010 a Carlos Augusto Rosado, marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), e para o senador Agripino Maia. E mais: a doação foi acertada “no sótão do apartamento de José Agripino Maia em Morro Branco (bairro nobre de Natal)”.

Com base em ambos os depoimentos, o Ministério Público do Rio Grande do Norte decidiu encaminhar o assunto à Procuradoria Geral da República, pelo fato de Agripino Maia e ser senador da República, tem direito a foro privilegiado. Lá, o procurador-geral Roberto Gurgel irá decidir se uma investigação será aberta ou não.

O depoimento de Barbosa (foto) reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pela quadrilha.,

Procurado por CartaCapital, o senador Agripino Maia negou todas as acusações. Afirma que nunca houve o referido coquetel no apartamento dele, muito menos repasse de 1 milhão de reais das mãos da quadrilha para sua campanha eleitoral, em 2010. Negou até possuir um sótão em casa. “Sótão é aquela coisinha que a gente sobe por uma escadinha. No meu apartamento eu tenho é uma cobertura”, explicou. Agripino Maia afirma ser vítima de uma armação de adversários políticos e se apóia em outro depoimento de Gilmar da Montana, onde ela nega ter participado do coquetel na casa do senador.

De fato, dias depois de o depoimento do empreiteiro ter vazado na mídia, no final de março passado, o advogado José Luiz Carlos de Lima, contratado posteriormente à prisão de Gilmar da Montana, apareceu com outra versão. Segundo Lima, houve “distorções” das declarações do empresário. De acordo com o advogado, o depoimento de Montana, prestado a dois promotores e uma advogada dentro do Ministério Público, ocorreu em condições “de absoluto estresse emocional e debilidade física” do acusado, que estaria sob efeito de remédios tranquilizantes. No MP potiguar, a versão não é levada a sério.

Dá dó! – por valdo cruz / Brasilia.df

Dá dó!

 

A oposição está atordoada. Alguns de seus líderes ensaiaram críticas às mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff na remuneração da caderneta de poupança. Saíram dizendo que ela deveria ter reduzido os impostos sobre aplicações financeiras, como fundos de investimentos, em vez de mudar o cálculo do rendimento da caderneta, a mais tradicional forma utilizada pelo brasileiro para poupar seu dinheirinho no final do mês.

Faltou quem orientasse esses líderes da oposição. Em resumo, eles defenderam que o governo melhorasse a vida dos rentistas, aumentando o lucro daqueles que aplicam, por exemplo, em títulos do Tesouro Nacional, em vez de mexer na poupança, o que irá permitir que o Banco Central reduza ainda mais a taxa de juros do país. Traduzindo, querem beneficiar um grupo restrito de pessoas em vez de adotar uma medida que tem potencial para melhorar a vida de empresários e trabalhadores com a redução do custo financeiro do país.

Mal comparando, a oposição ensaiou entrar no mesmo caminho dos petistas quando do lançamento do Plano Real. Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a se tornar presidente do Brasil, não poupou críticas ao plano elaborado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso no governo Itamar Franco. Mais tarde, admitiu o erro, responsável por sua derrota na eleição de 1994.

Agora, se tudo der certo na estratégia dilmista, o Brasil pode caminhar para ter juros civilizados -estratégia que a equipe da presidente classifica de o Plano Real da Dilma. Se a oposição insistir nas críticas fáceis à mexida na poupança, corre o risco de ter de reconhecer, daqui alguns anos, o erro de avaliação. Infelizmente, a oposição brasileira minguou e não se mostra capaz de lançar uma agenda propositiva.

O fato é que, tirando as preferências partidárias, a mudança na caderneta de poupança é uma medida que veio tarde. Dilma, ao contrário de seus antecessores, teve disposição e coragem de enfrentar o tema, tido como impopular por conta do histórico recente de confisco da poupança patrocinado pelo governo de Collor.

A remuneração fixa da caderneta de poupança, na casa dos 7%, havia criado um piso para a taxa de juros. Ela não podia cair para 8,5% sem provocar distorções no mercado financeiro e no financiamento da dívida pública.

Como as aplicações financeiras pagam taxa de administração e Imposto de Renda, um juro de 8,5% pago pelos títulos públicos, que compõem as carteiras de fundos de investimento, acaba equivalendo a algo na casa de 7%. Resultado: os rentistas tenderiam a tirar seu dinheiro dos fundos e passar para a poupança, que ficaria mais rentável. Agora, esse risco deixa de existir. E o Banco Central fica livre para reduzir os juros, caso, claro, avalie que o cenário econômico permite tal movimento.

No Palácio do Planalto, a expectativa é que os juros, hoje em 9% ao ano, caiam para pelo menos 8% no final de 2012. Há quem aposte que pode ficar até abaixo deste percentual. A conferir.

 

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VALDO CRUZ  é jornalista da Folha.com

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE concede entrevista a LEDA NAGLE /são paulo.sp

 

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PRESIDENTA DILMA: Um dia de desagravo a VARGAS, JANGO e BRIZOLA

DILMA põe a máquina, de volta, aos trilhos da história e Fernando Henrique Cardoso sai dos trilhos envergonhado. A história é implacável.

Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas. Foi generosamente elogiado pelas corporações midiáticas, saudado pelos bancos, aplaudido pelo capital estrangeiro, incensado, enfim, pelo dinheiro grosso e seus áulicos de escrita fina.

Era preciso sedimentar o estigma maniqueísta para legitimar o projeto conservador. Foi o que se fez e ainda se faz. Não escapa ao observador atento a entrevista ‘oportuna’ de FHC à Folha esta semana para advertir a Presidenta em corajosa ofensiva contra os bancos para a redução dos juros.”Vá devagar, não se brinca (sic) com o mercado financeiro”, protestou o tucano. É coerente. Pelos quase dez anos seguintes seu governo negociaria barato o patrimônio público construído, na verdade, por décadas de lutas de toda a sociedade brasileira. A nova referência autossuficiente da economia, da sociedade e da história seriam os livres mercados –sobretudo o capital especulativo que não presta contas a ninguém.
Inclua-se nesse arremate a Vale do Rio Doce, mas também algo de incomensurável importância simbólica: a auto-estima da população, seu discernimento sobre quem tem o direito e a competência para comandar o destino de uma sociedade e do desenvolvimento. Entorpecida a golpes do tacape midiático, essa consciência seria desqualificada para a entronização dos ‘mercados desregulados’ como o portador autossuficiente do futuro e da eficiência. Em suma, era a vez do ‘Brasil não caipira’.

Três vitórias seguidas do PT resumem o escrutínio da população sobre os resultados desse ciclo de desmonte da esfera pública, endividamento da Nação e depreciação da cidadania em dimensões profundas, talvez ainda não suficientemente avaliadas; por certo, não superadas em suas usinas realimentadoras.

Seria preciso, porém, uma crise capitalista igual ou pior que a de 1929 para sacudir de vez a inércia ideológica e o interdito histórico que recusavam admitir nas conquistas sociais e econômicas do ciclo iniciado em 2003, um fio de continuidade com tudo aquilo antes execrado e sepultado como anacrônico e populista.

Lula cutucou-os não poucas vezes; no fígado da intolerância histórica em certas ocasiões , como quando anunciou a autossuficiência do petróleo em 2006, e disse: ” a seta do tempo não se quebrou”. E o demonstraria na prática pouco depois, com a regulação soberana do pré-sal, fazendo das encomendas da Petrobrás uma alavanca industrializante capaz de fixar um novo divisor produtivo.

Conquistas acumuladas em décadas de luta pelo desenvolvimento seriam assim resgatadas de um reducionismo a-histórico, desmentido nos seus próprios termos pelo colapso planetário das premissas esfareladas na crise de 2008.

Coube nesta 5ª feira à Presidenta Dilma Roussef acrescentar a essa espiral dialética um discurso pedagógico. Na cerimônia de posse do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, nomes e agendas que a soberba conservadora se propôs um dia a banir da história brasileira, retornaram com orgulho e reconhecimento à narrativa de um governo soberano que, desde 2003, com tropeços e hesitações, aos poucos se liberta daqueles que ainda evocam o direito de cercear o passo seguinte da história brasileira. Esse tempo acabou e Dilma,ontem, fez do seu réquiem um desagravo à história da luta pelo desenvolvimento.Palavras da Presidenta Dilma Rousseff:

“O desemprego no Brasil está hoje nos mais baixos patamares de nossa história – 6,5% em março. Trata-se de um contraste gritante(…) o mundo perdeu 50 milhões de vagas formais de emprego, pulverizadas pela crise econômica, por políticas de austeridade exagerada, pela redução de direitos e precarização da legislação trabalhista. Nós navegamos na contramão dessa tendência (…)

A partir do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma mudança (…) Nós mudamos a nossa forma de conceber o desenvolvimento e definimos um processo de desenvolvimento com inclusão social (…) Somente nesses últimos 15 meses do meu governo, nós geramos 2 milhões e 440 mil empregos formais (…)

É assim, muito significativa, a circunstância que traz ao cargo de ministro um jovem que representa, inclusive, no sobrenome Brizola, uma história de mais de meio século de lutas sociais, de defesa do interesse nacional e de conquistas de direitos por parte dos trabalhadores brasileiros. Não bastasse levar o sobrenome Brizola, o novo ministro do Trabalho carrega consigo a história do seu tio-avô João Goulart, ex-presidente da República. Em 1953 – vejam os senhores que coincidência -, também aos 34 anos, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas. Foi Jango quem deu à pasta do Trabalho grande peso político e grande dimensão.

Assim, nomear como ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola Neto reforça, em meu governo, é o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país” (Presidenta Dilma na posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto).

 

C. MAIOR.

ELEIÇÕES NA FRANÇA: Hollande vence Sarkozy…

 …e socialistas voltam ao poder.

François Hollande diz querer ter “uma presidência normal”. Foto: AFP

PARIS, França (AFP) – O socialista François Hollande foi eleito presidente da França neste domingo 6 ao derrotar o atual chefe de Estado, o conservador Nicolas Sarkozy, no segundo turno das eleições francesas.

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Hollande afirmou que a “austeridade não deve ser uma fatalidade” entre os diversos governos de uma Europa em crise.

“Hoje mesmo, responsável pelo futuro do nosso país, estou ciente de que toda a Europa nos observa”. “Na hora em que o resultado foi anunciado, tive a certeza que em diversos países europeus houve um sentimento de alívio e de esperança, de que, por fim, a austeridade não deve ser mais uma fatalidade”, disse Hollande, que obteve 52% dos votos.

“Neste 6 de maio, os franceses escolheram a mudança para me levar à presidência da República” e estou “orgulhoso por ter sido capaz de devolver esta esperança”. “Prometo ser o presidente de todos”.

“Envio uma saudação republicana a Nicolas Sarkozy, que dirigiu a França durante cinco anos e que por isto merece nosso respeito”.

Sarkozy reconheceu a derrota no início da noite e chamou Hollande de “novo presidente” que o “povo francês elegeu de forma democrática e republicana”.

O atual chefe de Estado assumiu “toda a responsabilidade pela derrota” e comunicou a seus partidários que não liderará a luta para as eleições legislativas, previstas para 10 e 17 de junho.

BRASÍLIA 52 ANOS DA CAPITAL DO PODER – por almandrade / salvador.ba

BRASÍLIA 52 ANOS DA CAPITAL DO PODER

“Nenhum rosto é tão surrealista quanto o verdadeiro rosto de uma cidade”
Walter Benjamin

Mais de cinqüenta anos depois, a bossa nova da arquitetura e do urbanismo,mostra suas rugas e os sintomas de um envelhecimento precoce. O
símbolo maior da modernidade e da ideologia desenvolvimentista que
projetou o Brasil como um país novo, revela o que é a cidade moderna,
o lugar da afirmação e do poder da máquina e das restrições do domínio
público. Com uma malha rodoviária e amplos espaços que ultrapassam a
escala humana, Brasília foi concebida nas pranchetas de Oscar Niemeyer
e Lúcio Costa sob a orientação do presidente Juscelino Kubitschek para
responder ao desenvolvimento industrial, em particular, a indústria
automobilística em ascensão, e hoje representa o fim do sonho e das
ilusões desenvolvimentistas.

Sem dúvida, Brasília é uma das mais importantes contribuições
brasileira para a arte do século XX, juntamente com a Bossa Nova, a
Arte Concreta e o Cinema Novo, que resiste aos escândalos políticos
que assolam a capital. As estruturas de suas construções permanecem
intactas, o concreto armado parece eterno. Uma cidade cartesiana
implantada no interior do país, sob o cerrado, distante do litoral,
uma aventura quase que impossível. Nas palavras do critico de arte
Mário Pedrosa, “se Brasília foi uma imprudência, viva a imprudência”.
A nova capital era uma resposta à crítica de um Brasil litoral, de
costas para o seu interior, desde os tempos do Marques de Pombal. Esta
experiência urbanística foi estimulada por uma opção de
desenvolvimento que se desejava para o Brasil o qual estamos sofrendo
suas conseqüências.

Mais do que uma simples cidade, Brasília é um discurso, símbolo de uma
nova situação que direcionou a vida e a economia do país. Uma cidade
com uma arquitetura governamental, monumental e moderna. O trançado
urbano e a arquitetura arte criaram a cidade como uma realidade
moderna, imagem e símbolo do Brasil industrial, país da tecnologia e
da democracia para os que dispõem de meios mecanizados para dominar os
grandes espaços vazios. A cidade que arquiteto francês, nascido na
Suíça e mestre dos arquitetos brasileiros, Le Corbusier não teve a
oportunidade e o privilégio de construir. O centro principal e
simbólico da capital do poder é a praça dos três poderes, na
organização do espaço as hierarquias e os interesses de classe não
ficam ausentes.

Falar de Brasília não se pode deixar de lado as manobras processadas
na economia e da política dos anos de 1950. “o avanço dos 50 anos em
5 anos” meta do governo JK. A sede de democracia, agitações, debates
inflamados e o avanço da indústria. A população vivia o impacto da
confiança no futuro. A nova capital refletia uma sociedade otimista
disposta a realizar utopias. Brasília foi pensada para ser um centro
político, cultural e administrativo para o desenvolvimento do
Centro-Oeste, mas não contava com o crescimento desordenado e
populacional, que acabou comprometendo o plano urbanístico de Lucio
Costa e trouxe os problemas e os desastres que assolam os grandes
centros urbanos. Com o regime militar, implantado em 1964, a cidade
criada em um período raro de democracia acreditando que a sua
localização no interior estaria mais protegida de ataques militares,
foi associada ao totalitarismo, mas resistiu com seu chame como uma
expressão artística que colocou o Brasil internacionalmente num
patamar de respeito.

Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

 

DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY! – por olsen jr / rio negrinho.sc

DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY!


   Talvez quem mais tenha sofrido com a separação dos Beatles tenha sido o Paul.

Os historiadores costumam situar os Beatles num espaço cronológico de 1962 (quando gravaram o primeiro disco) até 1972 (quando venceu o contrato que os mantinha unidos enquanto grupo) num lapso de tempo menor que dez anos. Acontece que John e Paul, George em seguida, se conheceram em 1957 e paralelamente aos ensaios, também compunham. A música “Love me Do” é desta época, uma das raras que se salvou depois que Jane Asher (namorada de Paul) em uma faxina despachou um caderno onde ele costumava anotar suas criações.

Durante o período em que a banda existiu, os Beatles eram muito gregários, andavam sempre juntos, compunham, trabalhavam, divertiam-se, faziam festas, viviam como uma família… Bonitos, bem sucedidos, ricos, famosos, além de trabalhadores (mais criativos que Beethoven, segundo uma crítica da época), revolucionários, tornaram-se uma referência mundial.  A juventude copiava seus cortes de cabelos, modos de vestir, irreverência, desprezo pelas instituições que tinham envelhecido sem acompanhar os apelos do seu tempo, eles mostravam novos caminhos onde certamente a paz e o amor tinham lugar assegurado e onde tudo era permitido, exceto a indiferença.

.  As intermináveis sessões fotográficas da banda (porque não existe na história da música pop mundial um grupo que teve tantos registros fotográficos como os Beatles) eram organizadas por Paul, também o projeto de fazer um filme e lançar dois álbuns por ano…

Paul McCartney raciocinava como um escritor, disse mesmo em uma entrevista que pensava os discos como se fossem livros, desde o título às ideias que norteavam suas feituras, os álbuns conceituais “White Album” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” , são exemplos.

A morte de Brian Epstein, descobridor e primeiro empresário dos Beatles em 1967 – tido por muitos como o “Quinto beatle” deixou um espaço livre para o surgimento das “diferenças” entre os componentes da banda.. E foi de Paul o fantasioso e incompreendido projeto da gravação do “Magical Mistery Tour” dentro de um ônibus, sem roteiro… O primeiro vídeoclip a ser mostrado na televisão. Uma tentativa de mantê-los ocupados e adiando o conflito que estava por vir.

Antes de o John Lennon proferir a célebre frase “The dream is over”, os Beatles individualmente já tinham consciência disso.

Natural, portanto, que passada aquela euforia onde tudo parecia possível, sobreviesse um tempo de angústia, de desespero, um não saber como continuar seguindo adiante sem os outros.

Em 1971, os Beatles mostraram ainda por que eram os melhores, Paul McCartney lançou “Another Day”, John Lennon “Mother”, George Harrison “My Sweet Lord” e Ringo Starr “It Don’t Come Easy”… Todas as composições fizeram enorme sucesso e indicavam o caminho e o momento que cada um estava vivendo… Paul que tinha dado a volta por cima; John buscando na perda da mãe a origem de sua angústia; George um reencontro com a espiritualidade e Ringo, a arte de representar que lhe era latente.

Os Beatles continuam sendo um marco a ser batido com mais de um bilhão de discos vendidos… E seus integrantes já fazem parte da história musical do mundo, alguns ainda podem ser vistos e admirados, como Sir James Paul McCartney em Florianópolis, finalmente!

BOX I

O COMEÇO DO FIM

   Quando morreu Brian Epstein (em 1967) as fissuras dentro do grupo começaram a aparecer. A Apple, empresa que haviam criado para dar sustentação aos negócios deles como músicos e de outros que tivessem talento (um caos com muitas possibilidades) estava perdendo dinheiro. Eles também gastavam sem conta, principalmente o John. Aliás, foi o próprio John Lennon quem disse numa entrevista que se tudo continuasse daquele jeito eles e a Apple estariam falidos em pouco tempo. Foi o contador deles que se demitiu deixando um bilhete: “Suas contas pessoais estão uma zona”.

Para retomar o caminho, Paul tinha escolhido para gerir os negócios, Lee Eastman o sogro (pai da Linda Eastman com quem estava casado) e John (com Yoko que o apoiava em tudo) preferia Allan Klein (que tinha sido empresário dos Rolling Stones e que Mick Jager detestava e alertou os Beatles “evitem este cara”). Mas Klein estava assediando a banda fazia muito, até conseguir uma audiência com John/Yoko e tomar a frente os negócios do fab four. Paul foi o único que não concordou, mas os outros três assinaram um contrato por três anos, o que deixava, na prática, os Beatles vinculados até 1972.

A história, no entanto, mostraria que Paul estava certo. Mais tarde os outros três Beatles processaram Klein.

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 BOX II

O ÚLTIMO SHOW PELA ARTE

Em 1968 eles foram fazer meditação transcendental na Índia buscando uma autoavaliação do que eram e do que poderiam se tornar… Cerca de 40 composições foram produzidas no período, boa parte do “Álbum Branco”.

Na verdade Paul tentava dar um rumo para a banda. Este esforço parecia aos outros, uma tentativa de dominação, eram considerados ofensivos e davam a entender sempre ser “mais um projeto” de Paul McCartney que, aliás, era meticuloso, detalhista, sempre premiando a habilidade, fazendo diferente… A composição “Ob-ladi, Ob-lada” foi gravada mais de 40 vezes, para se ter uma ideia…

Ringo disse em uma entrevista que “O Paul queria que trabalhássemos o tempo todo… Era um viciado em trabalho”, um workaholic…

Para o produtor George Martin “Paul era mandão e os outros caras detestavam… Mas era o único jeito de mantê-los juntos… Num processo de desintegração generalizado”.

Enquanto gravavam o disco “Let it Be” (que deveria se chamar Get Back, originalmente) os Beatles tocaram 52 músicas novas… Muitas destas acabaram entrando no “Abbey Road” (o último disco deles) ou fazendo parte do melhor material dos álbuns solos dos membros da banda.

Para completar o filme/documentário que saiu com o mesmo nome do disco “Let it Be”, o diretor Lindsay-Hogg queria um final e, por sugestão de alguém foi marcado para o dia 30 de janeiro no telhado do escritório da Apple um show com os Beatles… Acompanhados por Billy Preston, foi o primeiro show desde agosto de 1966 e também foi o último… “Também foi o melhor o que diz muito sobre o poder coletivo da afinidade musical e do carisma que os quatro cultivaram, e que nem suas desavenças mútuas seriam capazes de apagar.”

Paul declarou a um jornal: “Ringo saiu primeiro, depois George, então John. Eu fui o último a sair! Não fui eu! (Revista Rolling Stone Brasil/setembro de 2009).

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BOX III

O RECOMEÇO

   Paul ficou arrasado com a separação dos Beatles, era a banda da qual ele fazia parte desde os 15 anos…

No final de 1969, afastado dos holofotes, casado com Linda, vivendo seu retiro na Escócia… Bebia pela manhã, de tarde e á noite, parou de compor, ficou irascível entregando-se a uma depressão paralisante… Foi com o apoio da mulher que tinha pedido para ele voltar ao trabalho e retomar a carreira que o ex-beatle reacendeu para o mundo, porque a vida deveria continuar desta vez sozinho e no natal daquele mesmo ano Paul começou a trabalhar no seu primeiro LP solo.

Depois de gravar dois álbuns, “McCartney” (1970) e “Ram” (1971) tentando ainda provar que poderia ter êxito na carreira sem ser um “beatle” , forma outra banda, “Wings” que tinha como princípio não tocar nenhuma composição dos Beatles.

Ao todo, sete álbuns (1971/1979) e o sucesso chegou já no segundo com a canção “My Love” que foi logo ao primeiro lugar, depois o “Band of the Run” que se tornou o maior sucesso da banda e foi eleito o disco do ano (1974)… A catarse que precisava para existir sem os Beatles estava feita e surgiu daí um novo artista predestinado a bater recordes: em 1979 o Guinness declarou-o como o compositor de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos… Em 1990 tocou pela primeira vez no Brasil, foi no “Maracanã” para 184 mil pessoas, batendo o recorde de público em uma única apresentação de um artista solo.

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OLSEN JR é membro da ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA CATARINA

FÉLIX CORONEL e MARCO MACEDO batem papo em GUARATUBA.pr

Na foto, FelixCoronel e Marcos Macedo editor do jornal FOLHA DE SANTA FELICIDADE

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Conheci o Felix Coronel como a gente conhece tanta gente nessa babel da internet. Sou curioso e ávido leitor. No site do jornal on-line Correio do Litoral me deparei com as crônicas do Felix. Irônicas, questionadoras e que mostravam uma cultura ampla, geral e irrestrita. Mas sem anistiar ninguém. Esse argentino portenho paranaense – que se autointitula ‘insuportável’, pero no mucho – , começou escrevendo no jornal La Crônica de Buenos Aires, desde lá seus 15 anos de idade. E agora, no exílio na bela Guaratuba do Paraná, escreve e escreve. Fui lá conversar com ele e conhecê-lo. Valeu a pena. Com sua simpatissíssima esposa Lúcia (que o suporta) tivemos horas e horas de boa conversa jogada fora à vista da praia central de Guaratuba. Do seu livro Como É Que É, tirei essa pérola da literatura. Veja como se deu este poema. Felix nos seus quase dois metros de altura foi levar um currículo para arrumar um emprego em uma empresa. Um jovem -bem -jovem, lhe perguntou: Qual é sua experiência? Ah, prá quê!!! A coisa só não acabou nos finalmente por que Felix Coronel num impulso zen arrefeceu os ânimos. Mais tarde, em casa, ele nos oferece essa genial CURRICULUM VITAE… Leia e se emocione. Ah! Felix Coronel vai nos dar a honra de ser CRONISTA do novo site da Folha de Santa Felicidade que, em breve, será inaugurado.

CURRILUM VITAE
Félix Coronel

Eu já dei risada até a barriga doer,
Já nadei até perder o fôlego,[
Já chorei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar,
Já me queimei bricando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho.
E até já brinquei de ser bruxo.

Já quis ser astronauta,
Violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora,
Já passei trote por telefone,
Já tomei banho de chuva,
E acabei me viciando.

Já roubei beijo,
Já fiz confissões antes de dormir
Num quarto escuro pro melhor amigo.
Já confundi sentimentos,
Peguei atalho errado
E continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado,
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
Mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado prá tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore prá roubar fruta,
Já caí da escada de bunda.
Conheci a morte de perto,
E agora anseio por viver cada dia.

Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre,
E voltei no outro instante.

Já saí pra caminhar sem rumo,
Sem nada na cabeça, ouvindo estrelas,
Já corri pra não deixar alguém chorando,
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas
Sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima
E mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro,
Já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor,
Mas renasci novamente pra ver o sorriso especial de alguém especial.

Já acordei no meio da noite
E fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era pra sempre,
Mas sempre era um “para sempre” pela metade.

Já deixei na grama de madrugada
E via a Lua viral Sol,
Já chorei por ver amigos partindo,
Mas descobri que logo chegam novos,
E a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas,
Momentos fotografados pelas lentes da emoção.
Guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga,
Encosta-me na parede e grita:
“- Qual sua experiência?”.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
“- … experiência… experiência…”.
Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência?
Não!
“Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!”

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Por Marcos Macedo
Editor da Folha de Santa Felicidade

CLAUDIO GUERRA, ex-delegado, diz que queimou corpos de militantes em usina /rio de janeiro.rj

Ex-delegado diz que queimou corpos de militantes em usina

Em livro de memórias, agente do Dops confessa crimes da ditadura

“Isso me atormentou durante muito tempo porque eu sei que as famílias devem ainda ter até hoje aquela esperança de saber o destino de seus entes queridos. Se eu tive coragem de fazer, eu tenho que ter coragem de assumir os meus erros”, diz Guerra em vídeo publicado na tarde desta quarta-feira no site de promoção do livro, editado pela Topbooks, que chegará às livrarias no próximo fim de semana.

Em trecho do livro publicado nesta quarta-feira no site “IG”, o ex-delegado diz ter se aproveitado da amizade com o ex-deputado federal e ex-vice-governador do Estado do Rio Heli Ribeiro Gomes, dono da Usina Cambahyba, para usar o forno da unidade em Campos (RJ) e desaparecer com o corpo de militantes. De acordo com o livro, teriam sido incinerados João Batista, Joaquim Pires Cerveira, Ana Rosa Kucinski, Wilson Silva, David Capistrano, João Massena Mello, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho.

Guerra afirma ter levado dois superiores hierárquicos ao local para que aprovassem o uso do forno da usina: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Ambos já morreram; o primeiro em 1996, e o segundo em 2006. O dono da usina, Heli Gomes, foi deputado pelo PTB, filiado à Arena e ao PFL. Morreu em 1992, três anos antes de a usina fechar.

— Meu pai era simpático aos militares, mas naquela época ou você era de um lado ou de outro. Ele não queria o comunismo dentro do Brasil, mas era totalmente contrário a qualquer perseguição ou violência, era um democrata — diz Cecília Gomes, filha de Heli, que considera as acusações de Guerra “absurdas”.

No livro, o ex-delegado diz que a comunidade de inteligência decidiu matar Fleury em reunião realizada em São Paulo.

”Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava”, diz o delegado em trecho publicado pelo “IG”.

Oficialmente, Fleury morreu acidentalmente em Ilhabela, depois de tombar da lancha. Segundo Guerra, ele teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar.

enviado por email.

O movimento internacional contra as coisas-lixo (junk things) – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc



A partir de um desconforto crescente, a ideia surgiu recentemente na velha Albion, o nome que teve em tempos remotos a ilha da Grã-Bretanha, assim batizada talvez pelo aspecto que causavam aos argonautas, à entrada Sul do território, os penhascos escarpados de Dover, que caem na vertical, branquíssimos, direto sobre o mar. O estopim da causa foi o tema da obesidade: “48% dos homens e 43% das mulheres do Reino Unido serão obesos em 2030″.


Não só lá, cá também.


Cá: “No Brasil, 40% da população está acima do peso. Estudo recente realizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia revelou que 15% das crianças brasileiras são obesas.” Há quem diga, porém, que a situação tupiniquim seja muito mais lancinante:


Segundo dados da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, divulgados no dia 10 de abril do corrente, o número de brasileiros acima do peso passou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos aumentou de 11,4% para 15,8%.”


Lá: num manifesto velado em que abordam o aspecto mais nobre, ou mais passível de aceitação, do movimento, “cirurgiões, psiquiatras, pediatras e médicos de todas as especialidades do Reino Unido lançaram neste domingo, 15 de abril, uma campanha contra a obesidade e centraram suas críticas às empresas de junk foods (comidas-lixo, em livre tradução). A Real Academia das Faculdades de Medicina do Reino Unido, que representa cerca de 200 mil dos profissionais do país, pediu a proibição de marcas como McDonald’s e Coca-Cola patrocinando eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e que famosos façam propaganda de comidas que não são saudáveis para as crianças.”


A proposta do movimento, em suma, é bastante simples e eficaz: que se crie um suculento “imposto sobre a gordura”, ideia surrupiada de alguns países escandinavos que já a aplicam, no sentido de inibir o consumo de produtos não saudáveis. A fórmula é conhecida: mais tabaco, mais álcool, mais sódio, mais colesterol, mais açúcar ou mais gordura = mais imposto.


A gordura é apenas a parte visível do iceberg, para usar uma imagem batida e desgastada que volta à tona por ocasião das celebrações do centenário de naufrágio do Titanic. O objetivo, depois, é mobilizar os povos do planeta contra todas as coisas cujo consumo faz um mal danado à saúde, ao bom senso, à inteligência e à sanidade das pessoas. Passaremos então para as fases de combate às músicas-lixo (junk musics), com perdas enormes, no Brasil, para a indústria dos sertanejos, sertanejos-universitários, axés, pagodes e gêneros afins. Em seguida, entrarão na linha de fogo as propagandas enganosas (junk marketing, o lixo da publicidade), com a quebra de milhares de publicitários maiores e menores ao redor do globo; os políticos que já deveriam ter sido expurgados da vida social (junk politicians, os políticos-lixo, espécie da qual todos nós conhecemos ao menos uma vintena de espécimes); os malditos livros-lixo (junk books), a fim de isolar do mundo todas as obras, no sentido de obrar, defecar, de autores de bestsellers que só fazem mal à saúde; e assim por diante. A lista vai longe, podemos bem imaginar o seu incomensurável tamanho.


Por fim, alçaremos o topo, o máximo, a purificação santificante: combateremos e eliminaremos do alcance dos olhos os junk people, a gente-lixo que, claro, não vale nada.

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

O BAR do CICCARINO – por luis fernando pereira / curitiba.pr

O Bar do Ciccarino

 
Não sei se orgulhoso ou envergonhado, à exceção de um curto período, nunca tive o “meu Bar”. Aquele do dia a dia; de todos os dias. Mas com vergonha ou
orgulho, a verdade é que sempre tive uma inveja danada dos frequentadores diários do mesmo Bar (não é por acaso, mas por deferência que grafo “Bar” sempre iniciando a maiúscula). Lá estão sempre os mesmos amigos e, inevitável, os chatos de sempre. Bar sem chato não é Bar. E há também os chatos amigos. Até porque, como dizia o Mario Quintana, há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e… os amigos, que são os nossos chatos prediletos. Com amigos e chatos, é realmente admirável a fidelidade devotada a determinados Bares.

Como ia dizendo, à exceção de um curto período, nunca fui de frequentar Bar todos os dias. Muito menos o mesmo Bar. A exceção foi o Bar do Ciccarino – comandado pelo Vicente. À época eu trabalha com o grande Sérgio Toscano de Oliveira, no escritório do Professor Machado. Sérgio, este sim, era admiravelmente fiel aos Bares que frequentava (ponho no passado porque já não é mais o mesmo, andam dizendo). Com o Sérgio estive quase diariamente no Ciccarino. Isso durante o tal curto período da exceção (não tão curto quanto estou sugerindo).

Para quem não conheceu o Ciccarino, devo esclarecer que era um Bar – e não um Boteco (também vai com maiúscula no início). E a diferença não é pequena. O Boteco (ou Buteco, como preferem alguns) é outra coisa. O legítimo Boteco, pé-sujo como tem de ser, deve necessariamente apresentar potes de conserva com rollmops atrás do balcão. O banheiro tem de ser sujo. O garçom desleixado. O Ciccarino definitivamente não era um Boteco. O Bar do Ciccarino inaugurou em Curitiba os Bares “metidos à besta”. Coisa fina. E não era só Bar. No ambiente de entrada, onde ficava o balcão, havia um belo armazém com tudo do bom e do melhor para comer e beber.

Por falar em balcão, o Ciccarino tinha o melhor da cidade. Que balcão! E isso é muito importante. O verdadeiro frequentador de Bar (ou de Boteco) gosta mesmo é do balcão (fiquem de olho; quem prefere a mesa pode ser um falso frequentador de Bar). O Sérgio Toscano, por exemplo, não admitia sentar- se à mesa. Não abria mão do balcão. E para o lado de dentro deste imenso balcão estava sempre lá o nosso Vicente Ciccarino. O comandante. Obrigo-me a dedicar parágrafo especial ao Vicente. Sem conhecer um pouco o Vicente é impossível compreender o Bar.

Dizem que o dono de Bar deve ser simpático. Vicente não levava isso a sério. Na medida exata, ironizava, esculhambava, gozava de todo mundo. Vicente vendia fiado, mas era mais pelo prazer de cobrar os devedores publicamente. – Como é Fulano, quando vai acertar a conta, gritava o Vicente (eu mesmo fui vítima). Era isso que nós gostávamos do Vicente. O simpático é quase sempre um falsificador. Vicente era autêntico. Inteligente e vivido, Vicente, além de dono e gerente, era também o programador cultural. Sim o Ciccarino, sobretudo aos finais de semana, tinha uma programação cultural. Uma vez o Ciccarino trouxe a Curitiba o Miéle. Advirto aos mais novos que não falo aqui do Carlos Miele, estilista (o Vicente, aliás, não admitiria um estilista lá dentro). Falo, é claro, do Luís Carlos Miéle. Principal parceiro de Ronaldo Bôscoli. Chegaram a dividir o mesmo apartamento, onde também morou João Gilberto. Ator, diretor, humorista, produtor dos melhores espetáculos cariocas, Miéle é, sobretudo, um showman. Eu estava viajando e acabei não indo no dia do Miéle. Logo na segunda-feira seguinte, balcão lotado, perguntei ao Vicente como tinha sido o show. Ao seu estilo, Vicente disse que tinha sido muito bom, mas que os curitibanos (que não entendiam da animação cultural carioca) não tinham entendido nada. Os clientes do balcão riram, como se Vicente brincasse. Ele não brincava, é claro. Este é o Vicente. Os ofendidos que procurassem um dono de Bar simpático.

Vi cenas incríveis do Ciccarino. Uma noite o Nêgo Pessoa, assíduo no Bar, pegou o Pedro Longo pelo pescoço apenas em função de uma divergência em torno da questão indígena no Brasil. Retire esta opinião em favor dos índios, retire, gritava o Nêgo. Juliano Breda e Carlos Nasser (habitués no Ciccarino) são testemunhas. O Bar não abria aos domingos. Abriu uma vez para a festa infantil de aniversário da filha do Sérgio Toscano. Cheguei lá e havia uma mesa com vinte amigos do Sérgio, já bem embalados. Procurei as crianças. Isoladas em um canto, eram apenas três ou quatro. O Sérgio notou que estranhei a presença de poucas crianças em um aniversário infantil e foi logo anunciando: no próximo ano a festa da minha filha também será aqui e sem nenhuma criança! Nenhuma, deixou claro. Que eu saiba, foi a única festa infantil do Ciccarino.

Um dia o Ciccarino fechou. Todo Bar que se preze fecha, cedo ou tarde. O Ziraldo uma vez disse que o carioca Antônios era o “único bar definitivo do país”. Fechou um tempo depois. Assim é para todo nós o Ciccarino. Definitivo. Ou infinito enquanto durou, para terminar citando Vinicius.

 

A TRIGÉSIMA MULHER – de zuleika dos reis / são paulo.sp

A TRIGÉSIMA MULHER

                                   Zuleika dos Reis

a morte

em  cada xícara

a face sem face

da trigésima mulher

árvore ave canção

sussurro das coisas mortas

em vão

a trigésima mulher

a derradeira

estrelas que estalam

noite que se quebra

cai

fragmentos

de nós

a dançar

ao redor de nós

ao redor de nós

as palavras sonhadas

as palavras sagradas

a morte que te quer

esta rival

teu grito

em mim

meu grito

em ti

os tempos de nós

que tento segurar

as xícaras

a porcelana da tarde

a tarde

vaso a se partir

o meu amor

partido

em ti

em ti

em mim

cacos de nós

o primeiro homem

a trigésima mulher

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