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Arquivo da categoria ‘contos’

                                                  

Sem problemas
 
A cirurgia estava marcada para os próximos quinze minutos. O paciente já devidamente tricotomizado, assepsiado e ferrado no sono, induzido pela anestesia e claro, não tinha pressa, oras! A equipe preparara-se valentemente. O cirurgião chefe consultou o tipo de incisão que seria feita, deu algumas ordens com a cabeça e movimentos de mãos. Luzes [...]

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Quando se deu conta já passava das seis e a noite chegava com certa pressa.
Primeiro abotoou a blusa porque julgava ser a peça mais difícil de vestir. Depois as meias, a saia, os sapatos. Passou os dedos entre os cabelos e retocou o batom para não deixar tão nítida a impressão de que acabara de [...]

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Corria 1955… A terrível geada havia empobrecido todo o Norte do Paraná.
 
 
 
Cumprindo as determinações de meu pai, que havia viajado uns dias antes, fui buscar naquele sábado de manhã o cheque prometido. Era o correspondente à segunda das parcelas estabelecidas para o pagamento dos serviços topográficos que ele fora executar.
 
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Tratava-se, como de costume aliás, da [...]

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O Burgomestre
 
Sentado à mesa, o prefeito era um tipo de coronel forjado nas mais renhidas intransigências. O pároco local pouco ou quase nada conseguia com o mesmo, ainda que vez por outra o ameaçasse com o inferno, a caldeirinha, o purgatório e afins. Em suma: para o prefeito, o pároco correspondia à sua divina tortura [...]

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Verde-rosa
 
 
O dia amanhecera verde. Nuvens verdes, sol verde, montanha verde. Bichos e flores e rios. Tudo verde. A bem de se restabelecer a verdade, o verde era degrade, porém verde! Pássaros, frutos, crianças; verdes! O cheiro do ar era cheiro de cheiro-verde e a chuva que por incrível que pareça caíra farta no meio da [...]

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Mônica tem 22 anos, dinheiro e um diploma recente em Cinema pela PUC. Tem amigos moderninhos, também. Seu ideal de vida era muito parecido com o de outras garotas da sua geração: a arte, o belo e a estética, boa música e drogas lícitas. Um maço de Carlton Red, um chope e um Smirnoff Ice [...]

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A descoberta
 
            Jamais alguém tinha ousado tanto. Nem fora possível ousar mais. Não havia quem pudesse deslocar aquela tamanha pedra. O nó górdio. Ficava exatamente bem no meio do caminho. Era imperativo desviar primeiro para a esquerda e depois, chegava-se ao outro extremo para se avaliar como aquilo fora parar ali. Desbravadores, piratas, gente cordial, [...]

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O vampiro
 
O vampiro do arraial era esquisito o suficiente para não ser levado muito a sério. Todos os habitantes o sabiam propenso ao sanguessuguismo deslavado e desmedido. Ao menos achavam que era isso. Ele o era, porém não!  Alguns o justificavam mais por pena que por precisão. Dizia-se à boca miúda, que ele, o vampiro, [...]

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             Foi durante minhas férias de verão, após a conclusão do terceiro ano de engenharia, quando aquele grande empresário, e grande fazendeiro também, apareceu em casa procurando meu pai. Precisava urgentemente retificar a divisa de umas terras, lá na beira do Paranapanema.
 
            Eu já havia cursado a cadeira de topografia, pois era disciplina dada no [...]

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Bom de bico
 
Depois daquela, da penúltima rodada, jurara ir direitinho para casa. O carteado seguia animado e contribuía fortemente com a falta de fidelidade às promessas (antigas) de que jogaria só mais alguns trocados. Quem sabe a sorte estava depositada justamente naqueles níqueis que até então, teimosamente, insistiam em ficar enfiados numa dobra qualquer do [...]

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Não desejo, não insisto que façam sempre silêncio; tantas vezes alteei a voz. Até gostaria que as artes e seu convencimento inundassem o universo. Iremos ao afogamento!
Todavia, há uma voz estrênua à distância, um canto esplendente, uma melodia estreme, que constituem nossa razão última, depois da qual nenhuma invocação ou grito deve perturbar. Viva-se essa [...]

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Encontrava-me na casa de um amigo, no Recife, preparando-me para retornar na madrugada do dia seguinte para Fortaleza. Na noite da véspera da viagem ligo para uma cooperativa de taxistas e, à mulher que me atende, explico que preciso de um táxi por volta das três e meia da manhã, para me levar ao aeroporto [...]

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O colégio
 
 
 
Um mais um, dois. Dois mais dois quatro. Quatro mais quatro dezesseis. A conta não fechava! Seria preciso papel e lápis, a cabeça não ajudava. Depois de muitos riscos e rabiscos, idas e vindas, raízes quadradas e equações de primeiro e segundo graus, descobriu pela primeira vez que também a questão não era essa! [...]

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Era pra ser só uma brincadeira. Mas o “era” fez jus ao significado e ficou para trás!
 
A idéia inicial se resumia a despretensiosa gravação de duas músicas. Homenagem surpresa a Hermeto Pascoal e a Sebastião Tapajós, amigos de casa. Unicamente isso.
 
 Artur Cigano e seu filho Marcelinho do Acordeon, este de vertiginosa habilidade no dedilhar, excepcionais [...]

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Os versos de Alan Poe combinavam com a casa escura.
Casa de vovó. Vovó de negro. Leque de seda, as roupas impecáveis, salto alto e os cabelos de prata presos em um penteado do século XIX. A cadeira de balanço. O relógio de madeira. A estante com os livros de vovô. Uma coleção de livros de [...]

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     Meu pé-de-anjo, quis orar aos pés-da-santa, fazendo um lava-pés em homenagem à sua beleza, digna de uma Cinderela procurando seu sapatinho.
    
Não quero meter os pés pelas mãos, mas por você vou até onde Judas perdeu as botas, mesmo que fosse castigado no Pé-Lourinho, por ser um pé-de-chumbo, ou por agir feito um pé-de-cana.
   
Mas a [...]

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