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CHICO CARUSO: As reações contra a sua charge sobre a tragédia de Santa Maria/RS

 

publicado em 28 de janeiro de 2013 às 14:32

Gilson Caroni Filho, no Facebook

Esta é a charge da primeira página de hoje de O Globo. Uma total afronta aos mortos e ao sentimento de seus parentes e amigos. Para travar a luta política, o jornal da família Marinho não faz humor; produz escárnio, ódio, desrespeito. Quem é pior? O jornal que publica ou o chargista que se dispõe a fazer o serviço sujo? Se você tem assinatura desse pasquim de direita, cancele. Se o compra nas bancas, deixe de fazê-lo. Amigos, não houve falhas ou gafes. A ” gracinha” do Caruso é a ilustração da linha editorial do jornalismo de esgoto.

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Rudá Ricci, em seu blog

Será que qualquer discussão política em nosso país tem que vir acompanhada deste infantilismo bestial? Não dá para elevar um pouco o nível, até atingir o nível da humanidade?

Cancelei minha assinatura do jornal O Globo porque, nas eleições presidenciais, os editores transformaram o jornal num panfleto eleitoral. Liguei informando (sei que foi ingênuo, mas meu fígado pedia) o motivo: se for para contribuir com alguma campanha, faço doação direta, sem intermediários. Vejo que a opinião de um assinante conta pouco, hoje, na trilha da difamação a qualquer custo, com ares de crítica. Não dá. É o abandono de tudo o que parece mais caro à quem tem alma. Mesmo para aqueles que desprezam ou nem sabem que têm alma.

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Renato Rovai, em seu blog

Esse jornalismo urubu perdeu completamente a capacidade de enxergar limites e de buscar alguma razoabilidade para a sua ação. Vale tudo para agradar aos que lhes pagam o soldo. Vale tudo para construir um discurso de ódio contra as posições políticas das quais não compartilham. Sinceramente, achei que só no limbo dos comentários anônimos fosse possível encontrar algo do nível desta charge do Chico Caruso publicada por Noblat. Sou um ingênuo. Esse pessoal que já havia transformado o acidente da TAM em um evento político, quer fazer o mesmo com Santa Maria. São carniceiros que evocam o que chamam de liberdade de imprensa para esse tipo de coisa.

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Gerson Carneiro, em comentário aqui

Charge de mau gosto sobre a tragédia em Santa Maria, de autoria de Chico Caruso, publicada na seção “Humor” no blogue do Ricardo Noblat. São esses aí os que “são sempre do contra” que a Dilma falou.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS / O N U

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da  Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

        Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
        Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembleia  Geral proclama

        A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I

        Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

        Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

        Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V

        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI

        Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

Artigo  VII

        Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII

        Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem  os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX

        Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X

        Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI

        1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII

        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

        1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

        1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

        1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

        1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

Artigo XVII

        1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

        1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

        1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base  da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo  equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

        Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

        1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV

        Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

        1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

        1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIV

        1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

        Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

“PRESIDENTA” é o CORRETO ! – por joão eduardo fayad

o leitor JOÃO EDUARDO FAYAD postou o seguinte texto no link “Presidente ou Presidenta?”

O correto é presidentA, conforme define a lei abaixo:

LEI Nº 2.749, DE 2 DE ABRIL DE 1956

Dá norma ao gênero dos nomes designativos das funções públicas

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art 1º Será invariavelmente observada a seguinte norma no emprego oficial de nome designativo de cargo público:

“O gênero gramatical desse nome, em seu natural acolhimento ao sexo do funcionário a quem se refira, tem que obedecer aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto e consagrados na lexeologia do idioma. Devem portanto, acompanhá-lo neste particular, se forem genericamente variáveis, assumindo, conforme o caso, eleição masculina ou feminina, quaisquer adjetivos ou expressões pronominais sintaticamente relacionadas com o dito nome”.

Art 2º A regra acima exposta destina-se por natureza as repartições da União Federal, sendo extensiva às autarquias e a todo serviço cuja manutenção dependa, totalmente ou em parte, do Tesouro Nacional.

Art 3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de abril de 1956; 135º da Independência e 68º da República.
JUSCELINO KUBITSCHEK
Nereu Ramos

Dr. PAULO HOFF: Incidência de câncer vai aumentar no País / são paulo

Envelhecimento fará número aumentar nos próximos anos, afirma o oncologista Paulo Hoff, diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e médico do ex-presidente Lula

Ele nasceu em Paranavaí (PR), viveu em Passo Fundo (RS), graduou-se em Brasília e foi médico residente na Universidade de Miami e em Houston. Paulo Marcelo Gehm Hoff, 43 anos, é hoje uma das principais autoridades brasileiras em câncer, professor da USP, e está encarregado de cuidar da saúde do ex-presidente Lula, que trata de um tumor na laringe. Diretor do hospital Sírio Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), tem entre seus pacientes a presidente Dilma, além do ex-vice-presidente José Alencar, que lutou contra a doença até março.

Veja também:
link Câncer afetará 1 milhão de brasileiros nos próximos 2 anos, aponta Inca 

Na última sexta-feira, um dia após a divulgação da estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) de um aumento no número de casos da doença no país em cerca de 1 milhão de novos pacientes nos próximos dois anos, Hoff disse que a estimativa é conservadora. “Temos no Brasil ainda uma falta de dados exatos do número de câncer, mas acredita-se que a estimativa do Inca esteja muito próxima da realidade”, afirma.

Ele explica que o envelhecimento da população deve levar o quadro da doença a níveis dramáticos nos próximos anos. Para combater isso, segundo Hoff, é preciso investir agora em prevenção e conscientização dos jovens sobre hábitos saudáveis de vida. “A conta será cobrada daqui a algumas décadas”. Ele afirma que 60% dos pacientes com câncer têm cura, que há medicamentos para reduzir o desconforto da quimioterapia, e critica a Resolução 196, que restringe a pesquisa científica no Brasil desde a gestão do ex-ministro Adib Jatene. “A agenda da pesquisa é dependente da indústria. É preciso mudar isso”, diz.

Após ter administrado a segunda sessão de quimioterapia ao ex-presidente Lula, no começo da semana passada – a última está prevista para janeiro -, Hoff afirma que o paciente reage bem ao tratamento do câncer na laringe. O prognóstico do ex-presidente, segundo o médico, “é bom” e que as informações sobre o tratamento são “absolutamente transparentes”.

Filho de um ex-dono de laboratório de análises clínicas em Paranavaí, o oncologista é casado com uma médica, tem três filhas, torce para o Internacional (RS) e é um apaixonado por assuntos de defesa, como aviões e navios de guerra. Perguntado se aceitaria ser ministro da Saúde, responde: “Eu? Nunca fui convidado”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista no Icesp.

O Inca diz que há uma estimativa de um milhão de novos casos de câncer nos próximos dois anos no País. O que significa do ponto de vista da saúde pública?
O Inca talvez seja hoje uma das instituição mais sólidas em termos de estudos e investigação epidemiológia do câncer na América Latina. Então nós temos de acreditar nesses dados. Se nós quisermos ter alguma dúvida em relação a esses números é que eles podem ser até um pouco conservadores. Temos no Brasil ainda uma falta de dados exatos do número de câncer, mas acredita-se que a estimativa do Inca esteja muito próxima da realidade. Os números liberados agora têm algumas nuances importantes. No ano passado, o número da estimativa era de 500 mil casos. Neste ano, 520 mil. Um aumento substancial. Infelizmente a expectativa sobre esse número é de que continue a aumentar. Na pergunta foi mencionado qual era a expectativa de um milhão de casos nos próximos dois anos. Eu iria mais longe: nos Estados Unidos haverá um milhão e meio de casos em um ano – e o Brasil tem um terço da população americana. Se nós seguirmos nesta projeção ascendente, que se confirmou entre as estimativas de 2011 para 2012, nós teremos no futuro um número muito maior de casos. Não é impossível que cheguemos a ter um milhão por ano, quando a nossa população realmente atingir seu estado mais maduro e tivermos uma população elevada acima dos 60 anos.

Hoje temos no mundo em torno de 25, 26 milhões de casos.
Mas esse número vai aumentar bastante. E o número que é dramático é que até 2030 esta incidência deve aumentar em mais 15 milhões. E esse aumento se dará predominantemente em países em desenvolvimento cujas populações estão envelhecendo agora. Nos Estados Unidos, Europa etc, esta fase de amadurecimento já aconteceu há alguns anos. A pirâmide populacional mudou e as incidências subiram muito em anos passados e agora começam a estabilizar. Para nós, as curvas ainda são ascendentes.

O envelhecimento projeta um aumento importante dos casos.
A maior parte dos tumores tem mais de um fator que leva à formação da doença. Mas entre todos os fatores de risco o que é mais comum a todos os tumores é o envelhecimento. Porque o envelhecimento faz com que as células tenham mais tempo expostas a fatores que possam transformar as células normais em cancerosas. O envelhecimento faz com que haja mais pessoas sob risco, e consequentemente um aumento na incidência. Mas gostaria de dizer que se abrem oportunidades. O câncer não é doença que se forma do dia para a noite. As pessoas têm a impressão de que o câncer se forma de um ano para o outro. Na realidade, o processo é muito longo, com exceção dos tumores associados a síndromes familiares, que são muito rápidos, em geral os tumores levam de uma a duas décadas para se instalar. Então, se nós já sabemos que a estimativa atual é que haverá um envelhecimento da população e que essas pessoas terão um risco maior, nós temos a oportunidade de atuar na juventude agora para fazer com que ela minimiza a exposição. Você nunca vai conseguir eliminar o risco. Mas voce pode reduzir a chance. Mais ou menos como alguém que está dirigindo a 140/150 quilômetros um carro e baixa essa velocidade para 80 quilômetros por hora. Ele ainda tem o risco de um acidente, mas é menor do que se ele continuasse naquela velocidade.

Daí a iniciativa do trabalho com escolas do Icesp.
Justamente. Temos uma preocupação muito grande de como nós, no Icesp, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, podemos colaborar na redução dos casos de câncer a longo prazo. É importante não só se pensar no tratamento e diagnóstico precoce, que são soluções a curto prazo, mas nas soluções a longo prazo. Sabendo do tempo de formação do tumor, nós achamos que o momento no qual teríamos mais impacto é a conscientização do jovem. O jovem sempre pensa que é invulnerável, que não tem alta incidência de câncer, de outras doenças, e tende a ser um pouco mais solto em relação a hábitos. No entanto, o que ele faz agora vai cobrar a conta daqui a algumas décadas. Nossa iniciativa visa a conscientizá-lo de que hábitos saudáveis agora podem evitar que ele enfrente esse problema daqui 20 anos.

Doutor, o que é o câncer?
O câncer, na realidade, não é uma doença. Há centenas de doenças que têm características similares, que agrupamos com nome de câncer. Hoje a gente sabe que mesmo câncer de um órgão específico são doenças diferentes. Por exemplo: você pode ter duas mulheres com câncer de mama e um tumor não ter nada a ver com o tumor da outra. O que leva a nós chamarmos de câncer são algumas características em comum. Primeira delas: o câncer é doença que advém de alteração no código genético de uma célula afetada. Isso é comum a todas elas. Aconteceu alguma alteração naquele código que rege as funções e o desenvolvimento da célula fez com que ela se tornasse anormal. Segundo ponto: ele tem a capacidade de invadir estruturas adjacentes e mais, ele consegue viajar e se instalar a longa distância. A junção dessas características é o que nos leva a chamar uma doença de câncer.

O que é apoptose?
É um mecanismo que o organismo tem de eliminar células defeituosas ou que já tenham cumprido sua missão. Seria, entre aspas, o suicídio da célula. Por exemplo: se você tem um indivíduo que pega bastante sol e uma dessas exposições a radiação solar causou uma alteração numa célula da pele, esta célula pode vir potencialmente a se transformar em um câncer. Dentro da própria célula ela tem mecanismos que fazem com que se ative a apoptose, e ela morre. Geralmente isso acontece quando há um defeito no código genético que não pode ser reparado. A célula vem e tenta reparar o problema. Não conseguiu, então, ela instruiu a célula para morrer para que não cause câncer. Muitas vezes o câncer acontece porque temos defeitos nesses mecanismos de gerar apoptose.

O que é angiogênese?
Angiogênese é um termo bastante antigo. Foi cunhado por um cientista britânico chamado John Hunter, no Século 18, estudando feridas cirúrgicas. É a formação de novos vasos sanguíneos. Porque é importante em termos de câncer: o câncer precisa de oxigênio , precisa de uma via para receber alimentação e eliminar os produtos nocivos que são gerados pelo metabolismo. Então, se a célula cancerosa não conseguir fabricar um novo vaso, ela não consegue crescer. Se você consegue bloquear a angiogênese dentro do tumor você faz com que o tumor pare de crescer ou até regrida.

Esse seria um ponto fraco da doença.
É um dos pontos que têm sido explorados nos tratamentos. É um dos pontos fracos do tumor.

O senhor tratou do ex-presidente José Alencar, da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Qual deles foi melhor paciente?
Todo paciente é especial.

O senhor votou em Lula?
O voto é secreto.

O caso de Lula é relacionado ao fumo, câncer de laringe. Qual é o prognóstico?
O câncer de laringe tem sido bastante estudado. E o tratamento tem evoluído bastante nos últimos anos. Diria nas últimas décadas. Hoje a chance de sucesso de um câncer de laringe é bastante alto, especialmente se ele é descoberto no momento em que ele está confinado na região onde se iniciou. No caso do nosso ex-presidente, justamente se identificou que a lesão estava localizada, ainda, não havia disseminação do tumor. Então, o prognóstico é bom. Mas eu diria, se você me permitir, que mesmo instituições que trabalham com o Sistema Único de Saúde (SUS) têm a possibilidade de oferecer quimio e radioterapia que levam a uma chance de sucesso bastante alta. Em diversas regiões do Brasil. É um dos tumores com taxas de sucesso bastante boa.

Ele fez duas sessões, vai fazer mais uma. Isso é o mais indicado para o caso dele, ou é procedimento para todo paciente desse tipo de caso?
Não. Nós temos hoje em dia um interesse muito grande em individualizar a terapia. Os tratamentos para os diversos tipos de tumores são padronizados de acordo com o tipo de tumor a sua apresentação e a condição do paciente. Se você imaginar, são três grandes áreas que você trata a intersecção dessas três áreas. Tumor, paciente e o seu tratamento. Esse tipo de tratamento oferecido ao nosso ex-presidente foi desenhado especificamente para a situação dele. Existem tratamentos em que há cirurgia imediata, outros em que há cirurgia, seguida de quimio e radioterapia, e outros ainda quimio e radioterapia inicialmente. Esse foi o escolhido para ele.

Uma das queixas do paciente com a doença, nesta fase do tratamento, é o desconforto. Como fazer para reduzir os danos da quimio?
Nós evoluímos muito em termos de controle de sintomas no tratamento nos últimos 20 anos. Quando eu comecei a tratar pacientes com câncer não era incomum que no dia do tratamento o paciente ficasse fechado num quarto tomando soro, com as luzes apagadas, ar condicionado ligado. O paciente vomitava, um desconforto excessivo. É claro que o tratamento oncológico continua sendo um tratamento difícil. Mas evoluímos muito. Hoje nós temos medicações que permitem que o paciente tenha qualidade de vida aceitável. Ainda haverá dias em que os efeitos colaterais afetarão as atividades normais do pacientes. Particularmente quando você está fazendo um tratamento em áreas mais delicadas do organismo. como por exemplo a laringe, uma área extremamente nobre do organismo, o que nós comemos, respiramos, bebemos passa por essa região do pescoço. Mas existem outras áreas que são igualmente delicadas e, de novo, os esforços têm sido não só em melhorar o tratamento, mas também em diminuir o desconforto do paciente. Nós vamos evoluir eventualmente para tratamentos muito mais específicos, que pouparão muito mais as células normais e atuarão muito mais sobre as células cancerosas. Isso já está acontecendo, mas nem sempre é possível.

Já há drogas específicas e disponíveis?
Temos a primeira geração dessas medicações. No entanto, elas não estão disponíveis para todos os tipos de câncer. O mesmo essas drogas ainda não são perfeitas. Um cientista alemão, do final do século 19, início do século 20, chamado Paul Ehrlich, cunhou um termo ‘bala mágica’, uma bala que quando fosse disparada e só acertaria o bandido, poupando as outras pessoas ao redor. A ideia dele é que se pudesse desenvolver um tratamento que matasse só a célula cancerosa sem atingir as demais. Ainda não chegamos na ‘bala mágica’ de Paul Ehrlich, mas já andamos nesta direção. Eu tenho muita convicção de que vamos chegar nesse ponto porque o tratamento mais moderno já está muito mais próximo disse do que era. Novamente: infelizmente ainda não é perfeito e nem está disponível para todos os tipos de tumores. Novas gerações desses remédios terão de ser desenvolvidas para se atingir esse objetivo.

Com o que se tem hoje, o câncer tem cura?
Hoje nós conseguimos curar mais de 60% dos pacientes com câncer.

Quando o senhor fala de cura é eliminar completamente? A pessoa vai morrer idosa ou de uma outra doença?
Exatamente. Alguns tumores têm mais chance de sucesso. Por exemplo: dos que temos grande chances, pacientes com tumor de testículos, que é tumor importante porque atinge homens jovens. Nós temos a chance acima de 90% de curar. Mesmo quando ela está mais avançada. Maior exemplo é o ciclista americano Lance Armostrong, que teve um câncer de testículo com metástase no cérebro, foi tratado e ficou não só curado como ganhou o Tour de France várias vezes depois do tratamento. Um sucesso. Outros têm taxa menor em termos de cura. Mas mesmo assim temos evoluído. Há um sarcoma, incomum, chamado Gist, tumor do sistema gastro intestinal. Esses tumores tinham expectativa de vida, quando já avançados, de menos de um ano. Hoje, quando não é curável, a expectativa de vida é de mais de cinco anos. E vem aumentando ano a ano. Graças a essas moléculas específicas que a gente chama de terapia Alfa. Temos tido avanços, não na velocidade que gostaríamos, mas hoje em muitas apresentações é curável.

Um médico salva muita gente, mas também convive com as perdas. Como é perder um paciente?
É uma experiência muito difícil. Ninguém aceita isso. O médico aprende a conviver com a perda, porque se não ele teria de abandonar a profissão, especialmente um oncologista, porque o número de pacientes que acaba falecendo da doença é muito grande. É um momento de dor para todos os envolvidos. O tratamento oncológico é intenso. Nós trabalhos com o paciente lutando juntos, com frequência grande, períodos longos. Você vê o paciente muito. Se formam vínculos de amizade. Por outro lado, procura-se ver o sucesso, aqueles que se curam. E mesmo aqueles que não conseguem sobreviver nós procuramos ver se conseguimos fazer com que esse paciente vivesse mais tempo, tivesse oportunidade de ver a formatura de um filho, assistir a um casamento, coisas importantes para ele. E se a qualidade de vida foi mantida da melhor forma possível até o fim.

Os médicos fazem estatísticas desse sucesso? O senhor mede?
individualmente, não. Não tenho esse hábito. Como instituição, acho muito válido e necessário que façam suas estatísticas de sucesso. Para ter certeza de que está fazendo o melhor.

O senhor fez medicina nos EUA. O que diria a um jovem que pretende cursar medicina no Brasil?
Eu sempre tive muito orgulho da minha formação no Brasil. Os médicos brasileiros com os quais convivi nos Estados Unidos sempre foram muito respeitados nos grupos. Eu diria a um aluno que depende muito de seu esforço. Acho que no Brasil há todas as condições de formarmos médicos excelentes, mas é necessário esforço pessoal. No passado, quando eu fui aos Estados Unidos, havia uma discrepância muito grande entre a infraestrutura disponível aqui e a de lá. A primeira vez que cheguei na Universidade de Miami coloquei o jaleco e comecei a caminhar na direção do hospital, foi um choque. Era muito diferente do que eu estava acostumado a ver. Hoje não é tão diferente. Visitei recentemente a Universidade de Miami, visitei as clínicas, e não há mais diferença. Em muitos aspectos o Icesp tem uma estrutura mais acolhedora. Mas há que ter cuidado. O Brasil teve um aumento muito grande no número de escolas médicas. Nem todas estão preparadas para formar um médico que nós precisamos. É importante que haja um controle da qualidade dos médicos que estão se formando.

É possível fazer boa medicina com a pressão de custos do sistema hospitalar?
A pressão é nos médicos e hospitais mundiais. Nos Estados Unidos, o presidente Obama passou lei de atenção à saúde que está sendo questionada. É possível que ela seja desfeita. A pressão de custos é universal. Se podemos fazer boa ciência? Podemos. Boa medicina? Podemos. Mas vamos ter de aprender a racionalizar os recursos. Há, às vezes, a impressão de que é possível se fazer tudo para todos sendo estabelecido, experimental etc. Infelizmente a realidade não é essa. Há limitações. Deveríamos ter mais verbas? Gostaria que tivéssemos. Mas também ficar só mencionando isso é complicado. Acho que sim, temos que lutar por mais verbas, mas temos que racionalizar o uso do que temos também.

O senhor dirige o Sírio Libanês, privado, e o Icesp, público. Qual é a maior dificuldade na questão da gestão?
São mundos bastante distintos, mas que estão se aproximando. Acho que o sistema público, pelo menos as instituição de mais qualidades, estão se aproximando mais do sistema privado. mas sempre haverá diferenças, como entre dois hospitais privados. Aqui, no Icesp, público, temos a dificuldade de financiamento da saúde maior do que o que você tem numa instituição privada. O salário dos médicos não são exatamente o que nós gostaríamos que fosse. É natural a dicotomia. Uma pergunta importante, que ainda não foi feita, é qual seria o grande problema do atendimento oncológico hoje no Brasil? Nós discutimos muito o acesso a novas drogas, a novos equipamentos. É importante. Mas o grande problema é o acesso aos serviços. Você precisa fazer com que o paciente que tem suspeita de câncer tenha seu tratamento iniciado mais rápido. Como fazer? De duas maneiras: aplicando na infraestrutura e racionalizando o uso do que você já tem. Por que há filas e o paciente reclama? É importante esclarecer à população que não é um porque os médicos do hospital x,y,z não estão atendendo, ou o hospital está de má vontade. É que a demanda é maior do que o que os hospitais têm. Se tenta fazer o melhor. O que precisamos é de um sistema que redistribua melhor essa demanda.

Doutor, o senhor aceitaria ser ministro da Saúde?
Eu? Nunca fui convidado.

É possível fazer boa formação sem o apoio das corporações e indústria que financiam pesquisa?
No Brasil, nós tínhamos uma falta de arcabouço jurídico da pesquisa clínica que estava sendo realizada. Na gestão do ministro Adib Jatene, da Saúde, se criou um sistema nacional de controle ético de pesquisa e se regulamentou como seriam as relações entre pacientes, médicos, prestadores e patrocinadores. A espinha dorsal é a Resolução 196 da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisas). Temos que reconhecer que a Resolução 196/96 foi um grande avanço. Regulamentou o que era feito sem controle adequado. E estabeleceu marcos importantes em defesa dos pacientes. No entanto, a Resolução 196 e as que se seguiram a ela criaram uma situação em que a pesquisa clínica no Brasil ficou extremamente restritiva e extremamente cara. Se você seguir ao pé da letra, fica quase impossível fazer pesquisa que não seja patrocinada por indústria farmacêutica. Os tratamentos padronizados tem de ser cobertos por alguém que não seja o SUS, seguros ou pacientes. Quem é que tem dinheiro para pagar? A grande indústria. Hoje, a agenda da pesquisa ficou altamente dependente da indústria farmacêutica.

Mas isso não gera uma questão ética para o médico?
Depende de como ele se relaciona. Gera é uma questão maior. Uma questão de desenvolvimento de conhecimento para o país. É do nosso interesse que a pesquisa médica do país seja dominada só pela indústria farmacêutica? Eu não sou contra a indústria. Sou totalmente a favor do relacionamento com a indústria dentro de normas éticas. Mas acho que deve existir outras formas de pesquisa. Mesmo porque existem pesquisas clínicas relativamente simples que não são do interesse da indústria. Um exemplo: se eu imaginar um tratamento com a droga Y e a dose é de 100 ml de aplicação e eu, estudando, imagino que 50 ml seja suficiente, para fazer um estudo tenho de achar alguém que pague os 100 ml do braço de controle e os 50 ml do experimental. Embora os 100 ml seja padronizado e se eu for tratar o paciente, o que farei, será coberto. Pela lei atual tenho que achar alguém que pague os dois braços. Será que a indústria vai ter interesse em patrocinar um estudo que vai levar à venda da metade do que ela vende atualmente? Difícil.

Qual a solução?
É você pensar melhor a questão. Drogas novas têm de ter seu desenvolvimento patrocinado totalmente pela indústria, sem dúvida. Mas acho que te de haver flexibilidade para instituições acadêmica, quando estiverem avaliando protocolos padronizados possam fazer a cobrança na fonte usual. Não é aumento de despesa. Fico feliz que a Resolução 196 tenha sido colocada em discussão agora. Estão recebendo no Ministério comentários da comunidade científica para tentar aperfeiçoar a resolução. Queremos manter a ética da pesquisa. É importante que o que for experimental seja coberto por quem eventualmente vá lucrar, mas temos que ter cuidado para não jogar o nenê junto com a água do banho. Temos que separar o que tem de ser patrocinado pela indústria e o que tem de ser acadêmico, que vai beneficiar o SUS, inclusive. Outro ponto é que o Brasil só perde em tempo de aprovação de pesquisa para a China. Hoje nosso tempo médio é muito longo, que faz com que sejamos excluídos de estudos importantes. Não queremos diminuir a avaliação ética dos projetos. Mas precisa ser mais célere. Hoje temos duas instâncias: a maior parte dos países tem uma instância de aprovação e uma de supervisão.

por Pablo Pereira.

O ABDUZIDO: DESABAFO DE UM RECUSADO CLÁSSICO / por jairo pereira / ilha de santa catarina


E a literatura brasileira?! Muitos autores (inventores) detonados. Conheço uns quantos que viraram músicos, outros abandonaram o ofício e tão fazendo qualquer outra coisa. As megaeditoras estrangeiras estabelecidas no país, (e as autóctones) estão enquadrando, qualidade de obras, gosto de leitores e destino de autor… Uma piada é claro, verdadeiro crime de lesa-cultura. Não acredito que editoras e suas “meninas” diretoras de Conselhos Editoriais, tenham capacidade pra dizer o que é boa literatura ou não. É sempre o tal de: “embora sua obra apresente qualidades literárias, não se enquadra na nossa linha editorial” ou “devido a já estar comprometida a agenda de publicações para este ano, não podemos acolher o seu livro”. Um país (no plano cultural) se faz com obras. Obras no sentido de compostos elevados/enlevados do espíritho, linguagem sobre linguagem, sem concessões ao fácil entendimento, ao que agrada, ajuda ou tenha qualquer utilidade imediata, prática… Dá pra se dizer (só pra citar alguns escritores) que James Joyce, João Guimarães Rosa, Osman Lins, e tantos outros criadores/inventores, seriam recusados hoje, tal o nível de discernimento dos “avaliadores” de editoras. O que é publicado, (em literatura impressa, meios convencionais, livro-livro) não representa absolutamente, e nem chega perto do melhor da literatura nacional. É de se ver, que só aparece a ponta do iceberg. A criação enfim acadêmica, e de autores que fazem peripécias políticas pra chegar numa editora (dessas grandes) não passa de mediana, insossa, que favorece o mercado e mente pra eles mesmos (os tais escritores bem sucedidos) e pra nós, que é alta cultura. Na web transita em drops, grande parte da boa poesia nacional, do conto e excertos de romances. Nas gavetas de autores, obras e obras, a espera de editor. Pelos critérios de avaliação de editoras, é perigoso se presumir sejam tais livros amortecidos, ruins. Livros. Livros. Os natimortos, livros de autores recusados. Uma mentira, o fomento literário, os concursos cartas marcadas. Concursos que já nascem com fim mercadológico: promover editoras e autores (publicados) de qualidade duvidosa. E o pior de tudo: grande leva de autores recusados por editoras, aceita tacitamente a empulhação. Bons cabritos que não berram. Tá na hora do levante. Tirar a máscara dos detentores dos meios de produção do livro. Desvelar a grande mentira da cultura livresca nacional. É de se perguntar: e o avanço do estético como fica? O conteúdo inovador? A arte verdadeira, revoluciona na forma ou no conteúdo, ou em ambos ao mesmo tempo, (e isso tem pouco a ver, com o discurso fácil, dirigido ao público x ou y ), e é a que mais representa a cultura nacional, sendo a estampa cult da nação. Uma nação tem que ter a sua bandeira literária, que a identifique, em obras complexas, acima do entendimento de massas, muitas vezes. As portas devem estar abertas no setor produtivo do livro, para de tempos em tempos surgir o inesperado, em qualidade. E, não simplesmente se fechar o acesso de autores ao mundo editorial (de mercado e leitores). Aliás, é o desejo de todo país, ter suas grandes obras literárias, creio eu. Como um Fausto de Goethe na Alemanha, Ulisses de James Joyce na Irlanda, A divina comédia, de Dante na Itália, Os miseráveis de Vitor Hugo na França, Os irmãos Karamazov de Dostoiévski, na Rússia, e por aí afora. Sem contar, um sem fim de obras que fogem do cânone clássico, e que foram urdidas na experimentação. A coisa é séria sim. Quando o sistema é brutal, alija criadores do processo cultural, evita seu contato com as novas gerações, tranca portas às novas linguagens, comete o crime de lesa-cultura. A cultura ilustra a educação, a faz avançar, abre os canais da percepção do educando. Observa-se que em encontros literários, o que se apresenta ao público é cultura oficial, editorial por excelência (e até escabrosa), de nomes mezzoconsagrados na sua secular medianidade. Alguns chamam isso de valor da tradição. Tradição, essa palavra-conceito remete a coisas boas e também à coisas perigosas, atraso no processo do conhecimento. Pra mim, sinceramente tá longe de representar o melhor da nossa cultura literária, o que está sendo vendido aí. Não se dá acesso e voz aos autores recusados (entenda-se por recusados independentes em geral), aqueles que fazem parte também da cultura nacional, a literatura suja, a literatura de estorvo, a literatura “persona non grata” no sistema. Evitado esse autor ao público, agride-se o todo da cultura nacional, conspurca-se o intelecto e achata-se a literatura, como produto estético, inventivo, construtivo, expansivo do conhecimento. Ora, vão se catar, Senhores opressores do talento. A nossa parte a gente tá fazendo, escrevendo… A realidade dos nossos sonhos transformada em vida nova, o phuturo. O phuturo das linguagens, o phuturo do estético, o phuturo do conteúdo bom, forte, revolucionário. Tem que pegar pesado com essa gente. Onde eles botar dez autores (tradicionalistas de linguagem) nós temos que botar mais dez doidos, de caótica linguagem. Quando eles enfrenar a vida das linguagens com bridão de aço, devemos atropelar o corcel, veloz, triloz dos novos tempos, na arte e na literatura, com ousadas variações do fazer. Parem de se iludir garotos com grupelhos poéticos, afetações de ser escritor ou poeta, seus blogs, sites, seus posts, nessa árida terra da especulação, do embuste, do retorno fácil a qualquer investimento, e que em arte verdadeira, não existe nenhum. Infelizmente, como anjo vingador de poeta recusado que sou, cumpre me acorda-los pra dura realidade: estamos em guerra, plena guerra contra a tirania editorial. Só se chega a uma dessas grandes editoras, dando pra alguém… sabe-se lá o que? Ou vendendo a alma ao diabo. Tô de saco cheio, já deu pra sentir né, com essa palhaçada!? Nunca vou ter coragem de dizer pra um menino que quer ser escritor que se deve ser um idiota: escrever certinho, com regras (razão) esquemas de fácil entendimento, a um público, composto de outros tantos idiotas como ele o escritor. (Segredo do sucesso). E o “desregramento dos sentidos” de que dizia Rimbaud? E os fantasmas interiores? E o mergulho no mundo do profano, do caótico, do que é pura verthigem? O artista no fio da navalha, entre os duplos, céus x infernos, limpo x imundo, cândido x cruel…  O artista garimpando nos espaços do indizível, abrindo canais de comunicação com o desconhecido. Em primeiro lugar devo começar assim: como abduzido & recusado clássico que sou devo dizer lhe que… patati patatá patatá… Toda ilusão de reconhecimento nesse estúpido mundo da literatura, manipulado por interesses e gente sem o menor critério de avaliação, é vã. Esse status broxanthi’s, mesmo assim, não será capaz de nos fazer desistir do sonho-bom: nossa indignação pelas linguagens atirada aos bons e maus espírithos. Nossa busca de razão, desrazão, no caos. Posso dizer no prosseguinte de mim, que primeiro temos que mostrar a nossa face, produtora de cultura. A nossa face, verdadeira na pegada… desbancar a má tradição que não condiz com os endereçamentos bons ao phuturo. A teleológica da pruzirithílica é essa: acrescer no processo, romper paradigmas, inventar e não diluir, como já bem colocou Erza Pound. Apontar os responsáveis pelo mau uso dos meios de produção do livro, coisa que nos envergonha e ao país, pois que muitos nem brasileiros são, e os brasílicos já estão meio-vendidos nessa coisa de transformar literatura em mercadoria “barata”… Esses obtusos Senhores da escuridão, estão ditando as regras do jogo cultural. Do que deve ser lido, vendido e o pior de tudo: escrito. É pra acabar… e a nossa pátria varonil, nada faz pra rebater o império do baixo espíritho. De parte do Governo, o MINC tá por fora. Ninguém vê, ou se vê, faz que não vê… o que está acontecendo. Não é pouca coisa, quando gerações e gerações de autores, estão sendo massacradas por um sistema produtivo do livro, que as anula no plano da criação & chegada ao público leitor. Tive uma ideia: nós também vamos começar a recusa nos livros editados por vocês. Tem umas meninas aqui, amigas nossas que são campeãs pra isso nos seus ótimos critérios avaliatórios. Vamos carimbar na capa R E C U S A D O e espalhar por aí. O meu grupo de excluídos é grande pra mais de metro. É muita gente mesmo… pega o Brasil inteiro. Um perigo! Tá na hora de denunciarmos a nhacaziiiraaaa que estão fazendo com a literatura brasileira. Um país deve estar atento à produção de seus autores, o que realmente é vigoroso em termos de linguagem, construção do espíritho, e não a essa literatura insossa que grassa por aí, com todo o empenho midiático de supervalorização. A estampa cultural de uma nação é o que ela tem de verdadeiro na arte, na literatura, na poesia, NUNCA O QUE É FEITO MERAMENTE PARA SER ABSORVIDO POR ESTE OU AQUELE PÚBLICO. Absorvido, levemente encantador (de trouxas), o que não faz consequência, não causa, não transforma… O universal, o absoluto, em arte, se impõe por seus próprios meios, forma, conteúdo bom, e não depende de jogadas de marketing, mentiras, engambelações. Não posso mentir às crianças, não posso iludir os meninos escribas que estão vindo, com “maravilhas” nas letras do país. Isso aí, já tem muito professor, acadêmico em geral e marqueteiro editorial fazendo. É um des-serviço à cultura e a sociedade. Comigo é na veia… se criamos galinha de três pernas, ei-las… não vamos enfeitar o pavão da mediocridade. A coisa tá de mal a pior nessa área do livro impresso. As armas devem ser as mesmas, os meios, os mesmos, os recursos os mesmos, para uma cultura dita oficial, estabelecida ou tradicional e aquela que jaz nas gavetas, no limbo da recusa. Literatura independente, a custo e suor dos autores. Afinal de contas, não é e nunca poderá ser o homem o que deve cercear o homem como artífice, obscurecer a obra, a criação. Deixa o louco falar, por favor, deixa o louco escrever, edite o louco-bom, deixa o inventor trançar cateto com hipotenusa, na enteléquia da proselitílica. Porra! E, vamos promover isso. Senão vai rolar só titica de galinha nas nossas cabeças de cabritos super-resignados. É outro o descortínio de signos que pretendemos, outro chão, outro céu e outro inpherno.

P S. A sacanagem é bem maior do que a gente possa imaginar. Me chamem de despeitado se quiserem. Tô nem aí! EHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.

 

     jAiRo pEreIra

Autor de O abduzido –prosa longa- 584 pgs., Arijo – romance rapsódico, 1.097    pgs., O antilugar da poesia –manifesto-, e outros. Todos recusados      por editores comerciais.

O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIOS 1, 2 e 3

O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIO 1

Três episódios revelam os bastidores da participação dos Estados Unidos no golpe militar de 64

O dia que durou 21 anos
O dia que durou 21 anos

Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy,  Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.

No primeiro episódio, as ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas. O discurso do presidente João Goulart, pregando reformas sociais, é interpretado como uma ameaça e provocação pelos militares. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

UM clique no centro do vídeo:

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O dia que durou 21 anos – Epísódio 2

Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o sucessor de Kennedy chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson, numa referência ao ex-presidente João Goulart.

Imagens focam no discurso de Jango, apelido de Goulart, na estação Central do Brasil ( Rio de Janeiro) , em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar o marechal Humberto Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

dê UM clique no centro do vídeo:

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O dia que durou 21 anos – Episódio 3

O cargo de presidente do Brasil é declarado vago pelo senador Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado.

No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse.

Castelo tinha relações amistosas com o general Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

dê UM clique no centro do vídeo:

ELEIÇÕES 2010 – FOLHA de SÃO PAULO – 20/10/2010 – 19h58 Ibope mostra Dilma com 56% dos votos válidos e Serra com 44% – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem 56% das intenções de votos válidos, enquanto José Serra (PSDB) está com 44%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira. Pelos votos totais, a petista tem 51% das intenções de votos totais contra 40% de José Serra (PSDB).

APELO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO ANISTIE OS TORTURADORES! / A NAÇÃO BRASILEIRA

Exmo. Sr. Dr. Presidente do

Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes

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Eminentes Ministros do STF: está nas mãos dos senhores um julgamento de importância histórica para o futuro do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo em vista o julgamento da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei da Anistia e declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos. Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país. A banalização da tortura é uma triste herança da ditadura civil militar que tem incidência direta na sociedade brasileira atual. Estudos científicos e nossa observação demonstram que a impunidade desses crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra as populações pobres. Afastando a incidência da anistia aos torturadores, o Supremo Tribunal Federal fará cessar a degradação social, de parte considerável da população brasileira, que não tem acesso aos direitos essenciais da democracia e nesta medida, o Brasil deixará de ser o país da América Latina que ainda aceita que a prática dos atos inumanos durante a ditadura militar possa ser beneficiada por anistia política. Estamos certos que o Supremo Tribunal Federal dará a interpretação que fortalecerá a democracia no Brasil, pois Verdade e Justiça são imperativos éticos com os quais o Brasil tem compromissos, na ordem interna, regional e internacional. Os Ministros do STF têm a nobre missão de fortalecer a democracia e dar aos familiares, vítimas e ao povo brasileiro a resposta necessária para a construção da paz. Não à anistia para os torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar.

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Comitê Contra a Anistia aos Torturadores

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Entidades lançam campanha contra anistia a torturadores

Nos próximos meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar um processo decisivo para o futuro democrático do Brasil. Trata-se da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que reivindica que o Supremo interprete que a Lei de Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da ditadura civil militar (1964-1985). O processo aguarda o parecer do Procurador Geral da República, e, em seguida, o ministro relator, Eros Grau, poderá colocar em pauta de julgamento.

Com o objetivo de impedir que os agentes da repressão sejam anistiados, um grupo de defensores de direitos humanos e entidades da sociedade civil criou o “Comitê contra a Anistia aos Torturadores”.

Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. Estudos  indicam que a impunidade dos crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra a população pobre.

A primeira iniciativa do comitê é o lançamento de um manifesto on-line, que já conta com o apoio de intelectuais, artistas, juristas, parlamentares e defensores de direitos humanos. Entres os que subscrevem a petição estão Antonio Candido, Chico Buarque, José Celso Martinez  Correa, Aloysio Nunes Ferreira, Frei Betto, Marilena Chauí, João Pedro Stedile e Sérgio Mamberti.

PARA ASSINAR O MANIFESTO CLIQUE AQUI

Mais informações: Tatiana (11) 8327-5319

USHA RAMANLAL, MESTRE EM MEDITAÇÃO no MOURISCO / rio de janeiro

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ARTETERAPIA, PÓS-GRADUAÇÃO NO ISEPE / curitiba

Arteterapia

Olá!

O ISEPE oferece em Curitiba o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Arteterapia. Se você tem interesse em adquirir conhecimentos para utilizar a Arte como ferramenta terapêutica, aproveite esta oportunidade para ingressar na 32° turma de Arteterapia do ISEPE.

O início do curso está confirmado para o dia 26 e 27 de setembro, com o primeiro módulo:LITERATURA E POESIA – “O contador de histórias”, com a palestra Scheherazade – a tecelã das palavras, fundamentado em Walter Benjamin, que tratou do tema “narrar e curar”, ministrado pela professora MSc. Rosi Mariana Kaminski.

Horário:
A palestra será no sábado das 8h30 até as 11h. No domingo a aula inicia às 8h e terminará às 18h, com intervalo para almoço.

Local:
Este curso será ministrado no Hotel Paraná Suite, próximo ao Shopping Estação, na Rua Lourenço Pinto, 456 – no centro de Curitiba – PR. Para achá-lo no mapa, clique aqui.

Para as demais mensalidades, receba 10% de desconto na pontualidade. Se você ainda não fez sua matrícula não perca mais tempo, ligue agora mesmo para 41 3091-8080 e informe-se sobre a matrícula ou venha até a sede do ISEPE, na Rua Comendador Araújo, 143 18°andar do Executive Center Everest, no centro de Curitiba.

Venha participar da melhor turma de Arteterapeutas em Curitiba!

Atenciosamente,

Elizabeth Freitas
Pós-ISEPE Curitiba
Instituto Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão
Fone: 41 3091-8080 ou 8439-4909
atendimentopos@isepe.com.br
www.isepe.com.br

O ISEPE atende a todas as recomendações do MEC para oferecer cursos de Pós-Graduação Lato Sensu. Credenciamento no MEC: Portaria nº 579, de 04 de março de 2002, publicada no DOU em 05 de março de 2002.
Caso o número mínimo de 25 alunos não seja alcançado, o ISEPE reserva-se ao direito de adiar o início do curso ou devolver a taxa referente à matrícula, se solicitado pelo aluno.

ARTETERAPIA: pós-graduação no ISEPE

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Olá,

O ISEPE oferece em Curitiba o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Arteterapia. Se você tem interesse em adquirir conhecimentos sobre como utilizar a arte como   ferramenta terapêutica, ainda há tempo para fazer as matrículas neste curso, o início foi prorrogado para 25 e 26 de julho . Não fique fora dessa, venha participar desta nova turma de Arteterapeutas em Curitiba, ainda há vagas!

As matrículas podem ser feitas na sede do ISEPE ou por e-mail.

Endereço do ISEPE:

Rua Comendador Araújo, 143 – 18° andar do Executive Center Everest (em frente à TokStok), no centro de Curitiba-PR. Nosso horário de atendimento é das 8h30 as 18h00.

Atenciosamente,

Elizabeth Freitas
Pós-ISEPE Curitiba
Instituto Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão
Fone: 41 3091-8080 ou 8439-4909
atendimentopos@isepe.com.br
www.isepe.com.br

O ISEPE atende a todas as recomendações do MEC para oferecer cursos de Pós-Graduação Lato Sensu. Credenciamento no MEC: Portaria nº 579, de 04 de março de 2002, publicada no DOU em 05 de março de 2002.
Caso o número mínimo de 25 alunos não seja alcançado, o ISEPE reserva-se ao direito de adiar o início do curso e devolver a taxa referente à matrícula, se solicitado pelo aluno.

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ARQUIVOS DA DITADURA (1964 A 1985) COMEÇARÃO A SER DISPONIBILIZADOS AO PÚBLICO – pela editoria

a ministra chefe da casa civil dilma rousseff anunciou a abertura dos arquivos pertencentes aos órgãos  de repressão (sni, dops, doi-codi, ani) referentes ao período da ditadura no país. já era tempo. dilma criou uma comissão para preparar a organização da disponibilização dos documentos e das publicações, na internet, para acesso público através de um endereço eletrônico. a ministra demonstra, com tal atitude, seu espírito democrático e corajoso diante das pressões contrarias dos militares, principalmente dos envolvidos diretamente nos assassinatos e torturas ocorridos durante aquela noite nacional. é, sem dúvida, uma iniciativa que deverá ilustrar as gerações sobre o que aconteceu no país quando os interesses econômicos e políticos são contrariados pelo seu povo que deseja outro destino que não seja o de permanecer na ignorância e na miséria. 

jb vidal

editor

publicamos abaixo algumas, leves, ilustrações dos arquivos:

“O SNI recrutava seus funcionários nos quadros do serviço público civil ou militar, e ainda podia contratar pessoal para realizar atividades de caráter temporário. Em 1972, foi criada a Escola Nacional de Informações (EsNI) que oferecia aos quadros do SNI e aos agentes de toda a comunidade de informações 25 tipos de estágio específicos para funcionários de nível médio e superior: analista, contra-espionagem, contra-informação, operações, análise da propaganda, segurança das comunicações, retrato falado etc.

A EsNI editava um periódico intitulado Coleção L, de circulação restrita, responsável por divulgar na comunidade de informações a doutrina brasileira de inteligência. Estima-se que a EsNI tenha formado cerca de dois mil agentes até sua extinção em 1990. Resumo de aula feito por professor da EsNI. Brasília, 1987. Serviço Nacional de Informações.

SNI AULA PARA AGENTES 1

SNI - AULA PARA AGENTES

 

 

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Livreto produzido pelo SNI intitulado Regulamento para salvaguarda de assuntos sigilosos (decreto nº 79.099, de 6 de janeiro de 1977)”, que relaciona as posturas a serem seguidas pelos agentes do SNI. Serviço Nacional de Informaçõe.

SNI DECÁLOGO DE SEGURANÇA

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Atentado a bomba à sucursal do jornal Em Tempo, realizado pelo Movimento Anticomunista (MAC) e Grupo Anticomunista. Belo Horizonte, 18 de agosto de 1978. Serviço Nacional de Informações.

SNI ATENTADO A BOMBA JORNAL EM TEMPO

 

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Cartaz de militantes de organizações de esquerda procurados pelos órgãos de segurança nacional. S. l., 1971. Serviço Nacional de Informações.

SNI - PROCURADOS

 

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a decisão do governo federal de tornar públicas informações relacionadas ao período da ditadura militar (1964-1985) não representa um “revanchismo’’ de ex-militantes contrários ao regime.”

o endereço:

http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=83&sid=41

OTTO RENÉ CASTILLO, o poeta revolucionário – por manoel de andrade


O sonho e o martírio de um poeta

Em meados de 1969, um exilado político guatemalteco me contou, em Santiago do Chile, a incrível história de um poeta queimado vivo em seu país. Em fins de 1970, quando de minha passagem pela Nicarágua, alguns intelectuais de esquerda e militantes sandinistas também

o poeta Otto René Castillo

o poeta Otto René Castillo

comentaram sobre o poeta-guerrilheiro Otto René Castillo, supliciado até a morte pela ditadura da Guatemala, em 1967.  Mas foi com os relatos dos poetas salvadorenhos que passei a construir a imagem heroica desse grande revolucionário.

A geração comprometida

Cheguei em San Salvador em janeiro de 1971 e, pelas referências que levava, de pronto fiz contato com alguns poetas salvadorenhos. A poesia borbulhava na Capital e uma jovem geração de excelentes poetas comandava a vida intelectual do país. Conheci alguns deles, e partilhei bons momentos de literatura, política e debate ideológico com Manlio Argueta,  José Roberto Cea,  Roberto Armijo, o veterano Tirso Canales e, o mais jovem deles, Alfonso Quijada Urias.  Todos, na época, na média dos 30 anos e quase todos, com várias premiações em diversos certames literários centro-americanos. Esses poetas, — integrantes de um grupo de brilhantes poetas, que ficou conhecido como a “Geração Comprometida”— alistaram seus versos nas trincheiras das lutas sociais e muitos deles foram perseguidos, encarcerados, torturados e exilados por empunhar a bandeira de um dos povos mais oprimidos e massacrados da América. Guardo há quarenta anos as palavras fraternas que Tirso Canales escreveu ao me presentear a coletânea poética De aqui em adelante, onde partilha suas 200 páginas com Argueta, Armijo, Cea e Quijada Urias.  Foram ele e Manlio Argueta que me falaram da solidária relação ideológica e literária que os ligou a Otto René Castillo em San Salvador, onde chegou exilado, em 1954, após o golpe do coronel Carlos Castillo Armas contra o governo democrático de Jacobo Arbenz, na Guatemala.

1º Exílio: El Salvador

Filho de uma família de classe média, Otto René Castillo nasceu em 1936 em Quetzaltenango, a segunda cidade do país. Sua precoce militância estudantil e revolucionária o obriga, com apenas 18 anos, a fugir da Guatemala e asilar-se em El Salvador, onde sobrevive trabalhando como vigia, pintor de parede e vendedor de livros. Apesar das dificuldades, ingressa na Universidade e entra numa fecunda fase de organização política e produção poética, despertando a atenção dos círculos de cultura salvadorenha ao ganhar, com apenas 19 anos, o Prêmio Centro-Americano de Poesia o qual lhe abre as portas da imprensa para a publicação de seus poemas. Sua poesia dessa época traz a marca de uma profunda nostalgia da pátria, cantando a dor de seu povo oprimido e a condição em que sobreviviam as comunidades indígenas, secularmente exploradas pelas oligarquias agrárias e as grandes empresas bananeiras norte-americanas. Seus poemas a Atanásio Tzul cantam a saga histórica desse grande líder indígena contra o colonialismo espanhol na região.  Apesar da sua juventude, revela-se um intelectual influente, enfatizando a necessidade de engajamento da arte e da literatura com as circunstâncias político-sociais por que passava o cenário centro-americano da época, governado pelos títeres do imperialismo norte-americano como os Somosas, Duvaliers, Trujillos etc. Com esse espírito, desfralda a bandeira da poesia com as cores das lutas sociais, seguindo os sulcos das primeiras trincheiras poéticas abertas no Continente, por César Vallejo, Miguel Hernandez, Nicolas Guillén e Pablo Neruda.

Seus três anos de exílio em El Salvador foram assinalados por uma intensa atividade política e literária. Nesse período, por várias vezes cruzou clandestinamente as fronteiras da pátria para manter-se informado dos planos revolucionários, cujas sementes de justiça social e liberdade germinariam alguns anos depois, nos embates da longa Guerra Civil, que por 36 anos mergulharia o país nas águas sangrentas de um imenso massacre social.  Com uma marcante personalidade, aberto, envolvente e apaixonado pela vida, sua figura humana deixou um rastro indelével entre a juventude salvadorenha da época, onde fundou, em 1956, com Manlio Argueta, Roberto Armijo e o lendário poeta-guerrilheiro Roque Dalton, seu íntimo amigo, o Círculo Literário Universitário. Esse grupo tinha como lema a frase “No hay estética sin ética” e contava, segundo Argueta, entre seus conselheiros, com Miguel Angel Astúrias, na época embaixador da Guatemala em El Salvador,  cuja obra, galardoada com o Nobel de Literatura em 1967, circulava naqueles anos, combinando a grandeza da cultura maia com o protesto e a denúncia das atrocidades cometidas pelo ditador guatemalteco Manuel Estrada Carrera.

Alemanha: Estudos de Letras e Cinema

Com o assassinato do ditador Castillo Armas em 1957, Otto regressa no ano seguinte à Guatemala, onde inicia o curso de Direito na Universidade de São Carlos, que o distingue com o prêmio “Filadelfo Salazar” de melhor estudante, recebendo uma bolsa para estudar na República Democrática Alemã. Dois anos depois, inicia seus estudos de Letras em Leipzig, mas em 1962 interrompe a vida acadêmica para estudar cinema na Brigada Joris Ivens – cineasta holandês que comanda um grupo de filmagens para divulgar as lutas de liberação latino-americana.[1]

Na época, era grande o interesse dos jovens intelectuais europeus em testemunhar e documentar um fenômeno histórico com tanta riqueza social e política como o que estava acontecendo na América Latina. Encontrei muitos deles ao longo dos caminhos da América e, dentre tantos, recordo minha bela amizade, em La Paz, com o cineasta italiano Franco Lazaretti, da RAI – Rádio e Televisão Italiana, quando filmava, em maio de 1970, um documentário sobre o indígena boliviano.[2]

A América revolucionária na década de 60

Na década de 60, ao longo das Américas, as vanguardas revolucionárias começaram a cavar as primeiras trincheiras de luta herdadas da Revolução Cubana que ao sul foram abertas pelos tupamaros uruguaios e  atravessaram a Cordilheira para unir comunistas e socialistas nos quadros chilenos do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária). Subindo o Continente pela floresta boliviana, onde, em 1967, transitava a coluna de Che Guevara, essas trincheiras, quatro anos antes, já haviam cortado o Peru pelo vale do Cuzco, onde a guerrilha trotskista do agrônomo Hugo Blanco — e onde morreu, aos 21 anos, o grande poeta Javier Heraud  —  levantava  a bandeira dos camponeses secularmente oprimidos pelos grandes latifúndios. Foi também essa bandeira que motivou o padre colombiano Camilo Torres a trocar a batina pelo fuzil e levou Douglas Bravo a tantas façanhas nos estados venezuelanos de Falcón e Mérida. Com esse mesmo grito de combate em 1967, os sandinistas declararam guerra aberta ao somozismo, na Nicarágua, e seus ecos continentais eram ouvidos além das fronteiras da Guatemala, ressoando até a guerrilha de Genaro Vasquez, no estado mexicano de Guerrero.

2º Exílio: Europa e missão cultural internacional

Atraído por esse contagiante espírito de luta continental, Otto René Castilho, ao terminar seus estudos na Alemanha, regressa em 1964 a seu país, reiniciando sua apaixonada militância política e cultural ao partilhar as atividades clandestinas da luta armada com a direção do Teatro Municipal da Cidade de Guatemala. Contudo, no ano seguinte, quando se preparava para filmar, nas montanhas, as atividades guerrilheiras das Forças Armadas Rebeldes (FAR), é preso e novamente enviado para o exílio. Pela sua capacidade e coerência ideológica, as organizações revolucionárias da Guatemala o nomeiam representante do país no Comitê Organizador do Festival Mundial da Juventude a realizar-se na Argélia e, com essa missão, percorre a Alemanha, Áustria, Hungria, Chipre, Argélia e Cuba, onde se detém por alguns meses a fim de vivenciar toda a rica experiência social e política com que a Revolução Cubana instalava o socialismo no país.

O retorno – o problema agrário – a Guerra Civil

Em 1966, ao se iniciar a Guerra Civil, Otto René Castillo retorna clandestinamente à Guatemala para integrar-se na luta patriótica contra a oligarquia agrária e a cobiça estrangeira instalada em seu país. Identificado com o passado glorioso de seu povo  — cuja feição cultural fora despedaçada pelo colonialismo espanhol e humilhada pela sociedade  criolla — seu sonho era ver uma Guatemala livre do domínio interno e externo e a maioria indígena integrada às suas raízes e à cidadania nacional. Mas encontra a soberania da pátria hipotecada pelos interesses comerciais das grandes companhias norte-americanas.

Quando passei pela Guatemala em janeiro de 1971, qualquer análise que se fizesse sobre os conflitos sociais que assoberbavam a região levava diretamente ao problema agrário, e nesse “território”, o trust bananeiro United Fruit, era visto como um estado dentro do estado. Enquanto 266.000 pequenas propriedades cultivavam tão somente 9% da área agrícola do país, mais de 40% da superfície agrária era ocupada pelos latifúndios de apenas 158 grandes proprietários e, neste contexto, o império territorial da United Fruit Company ocupava 25% de toda a terra produtiva da nação.[3] Esses dados, por si só, falam com eloquência das causas que levaram o país a uma Guerra Civil tão cruel. A repressão política interna e o domínio econômico externo eram as faces de uma mesma moeda com que se pagava a extrema miséria do povo. Foi esse poder “invisível” que derrubou o governo de Jacobo Arbenz em 1954.  Com o apoio da oligarquia agrária, a expedição mercenária de Castillo Armas planejada pela Companhia United Fruit, a CIA e o Secretário de Estado americano John Foster Dulles, – que, anos antes, fora um dos advogados da Companhia – não tinha outro objetivo militar senão impedir que Arbenz fizesse a reforma agrária como se propunha. Como se sabe, a Guerra Civil que daí surgiu foi um conflito longo e sangrento que se arrastou de 1960 a 1996, quando os governos militares e os movimentos guerrilheiros se envolveram numa luta onde os mortos e desaparecidos somaram cerca de 300 mil pessoas.

O engajamento revolucionário

Assim, ao chegar à Guatemala em 1966, Otto René Castillo retoma a bandeira pela dignidade do seu povo. De uma pátria onde 90% da população não tinha terra para  semear sua própria sobrevivência. Uma pátria de excluídos, socialmente abandonados à própria sorte e onde 70% de seus irmãos não aprendera a ler. Ele sabia que sem a guerra ninguém iria repartir a terra e é nesse impasse na história de seu povo que  incorpora-se às Forças Armadas Rebeldes (FAR) comandadas por César Montes, ocupando-se do setor de Propaganda e Educação da Frente Edgar Ibarra. Cerca de um ano depois, em março de 1967, quando parte da Frente deslocava-se pelo relevo selvagem, no leste montanhoso do país, confrontou-se com inimigos fortemente armados e, nesse combate, caiu Otto René Castillo e sua companheira, a guerrilheira Nora Páiz. O enfrentamento se deu em Sierra de las Minas, entre a coluna guerrilheira e as tropas mercenárias do governo de Julio César Méndez Montenegro. Conta-se que, nesse embate, somente teria sobrevivido Pablo Monsanto que, cerca de 40 anos depois, disputou, pelas forças de esquerda, a presidência do país.

O suplício e a morte

Otto René Castillo foi levado para uma base militar na cidade de Zacapa e ali barbaramente torturado e mutilado. Como manteve heroicamente o silêncio sem entregar qualquer informação sobre os quadros da organização, um capitão do exército, enquanto recitava debochadamente os versos do seu poema Vámonos pátria a caminar, ia cortando seu rosto com uma lâmina de barbear. Diante de seu silêncio, passaram a queimá-los vivos – o poeta e Nora, seu amor – entre os dias 19 a 23 de março, martirizados num lento suplício, inenarrável na expressão humana. O poeta e ensaísta salvadorenho Roque Dalton descreveu com as seguintes palavras os últimos momentos de seu camarada: “Seus próprios verdugos testemunharam sua coerência e sua coragem ante o inimigo, à tortura e à morte: morreu como um inquebrantável lutador revolucionário, sem ceder um milímetro no interrogatório, reafirmando seus princípios embasados no marxismo-leninismo, em seu fervente patriotismo guatemalteco e internacional, em seu convencimento de estar seguindo – por sobre todos os riscos e derrotas temporais – o único caminho verdadeiramente libertário para nossos povos, o caminho da luta armada popular.”

O poeta

Assim, aos 31 anos, foi silenciada uma das mais belas vozes da poesia latino-americana, muito antes que seu potencial poético pudesse amadurecer ainda mais seu lirismo e seu imenso compromisso político com a história de sua amada Guatemala. Um sonho libertário, regado com o rocio da esperança, comandou sua curta existência. Vivia somente para esse sonho. Guardado como um tesouro no sacrário da alma, sua força misteriosa inundou seus versos com o amor pela pátria e por seu povo:

Pequeña patria mía, dulce tormenta,

un litoral de amor elevan mis pupilas

y la garganta se me llena de silvestre alegría

cuando digo patria, obrero, golondrina.

Es que tengo mil años de amanecer agonizando

y acostarme cadáver sobre tu nombre inmenso,

flotante sobre todos los alientos libertarios,

Guatemala, diciendo patria mía, pequeña campesina.

(…)Pequeña patria, dulce tormenta mía,

canto ubicado en mi garganta

desde los siglos del maíz rebelde:

tengo mil años de llevar tu nombre

como un pequeño corazón futuro

cuyas alas comienzan a abrirse a la mañana.(…)

Distante de tu rostro (fragmento)[4]

Sua obra poética é reconhecida e celebrada em seu país e se projeta atualmente para o exterior.  No ano de 1964 publicou o livro Tecún Umán. Seu grande poema Vámonos Pátria a caminar, deu título, em 1965, a uma coletânea de poemas, muitos deles escritos na prisão, e que em 1968 foram editados no México, com prólogo de seu antigo comandante César Montes. Alguns catálogos editoriais apresentam o poemário Informe de uma injusticia, publicado em 1975 e que dá título a um dos poemas publicados no livro Vámonos Pátria a caminar.  Depois de sua morte, um familiar seu, residente na Alemanha, encaminhou a Roque Dalton uma grande quantidade de poemas escritos nos anos que precederam sua morte.

Além dos vários prêmios recebidos em concursos centro-americanos, sua poesia recebeu em 1957 o prêmio Internacional de Poesia de Budapeste; em 1958 lhe outorgaram o prêmio Filadelfo Salazar, da Universidade de São Carlos da Guatemala e posteriormente uma antologia de sua obra, chamada Poemas, recebe o importante prêmio Casa de las Américas, em Havana. Seus versos bebem, com o sabor das metáforas, a seiva das raízes culturais do seu povo, indígena e explorado. Canta para não deixá-lo morrer; canta para que seu nome se enrede no mar e nas estrelas e sobreviva palpitante no seu grito.

(…)Para que nadie diga: ¡tierra mía!,

con toda la decisión de la nostalgia:

canto.

Por lo que no debe morir, tu pueblo:

canto

Me lanzo a caminar sobre mi voz para decirte:

tú, interrogación de frutas y mariposas silvestres,

no perderás el paso en los andamios de mi grito,

porque hay un maya alfarero en tu corazón,

que bajo el mar, adentro de la estrella,

humeando en las raíces, palpitando mundo,

enreda tu nombre en mis palabras (…)

Nuestra voz (fragmento)[5]

Toda a sua poesia é, por vezes, um radical ato de denúncia, como no poema “O Túmulo de Deus”, onde ele canta a sorte desigual das criaturas e a ironia com que a justiça humana julga o oprimido e o opressor.  Mas sua poesia é também um comovente gesto de amor pela vida. Cantam o amor, mas o amor sublimado por um sonho libertário, o amor despojado pelo engajamento.  O amor pela mulher amada que se desfralda empunhando com ela a mesma bandeira da justiça e da liberdade.

(…)Pero a tí te quiero.

No por bella que eres.

Ni por lo fluvial de tus ojos,

cuando ven que voy y vengo,

buscando, como un ciego, el color

que se me ha perdido en la memoria.

Ni por lo salvaje de tu cuerpo indomable.

Ni por la rosa de fuego, que se entrega

cuando la levanto del fondo de la sangre

con las manos jardineras de mis besos.

A tí te quiero, porque eres la mía.

La compañera que la vida me dió,

para ir luchando por el mundo.(…)

Respuesta (fragmento)[6]

Em meados de 1971, num encontro com o escritor equatoriano Miguel Donoso Pareja, na Cidade do México, onde se exilara desde 1964, recebi um exemplar de seu último livro, “Poesia Rebelde de América”, um adensado volume de 400 páginas, lançado naqueles dias na capital mexicana.[7] Ao longo do índice, 24 paises do Continente perfilavam-se, alfabeticamente, nos cantos de mais de uma centena de poetas. Ali estava o Brasil, honrado com os versos de Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, Vinícius de Moraes, Thiago de Mello, Affonso Romano de Sant’Anna, Ferreira Gullar, entre outros. Nesse elenco de tantos nomes, alguns dos quais eu conhecera ao longo dos caminhos da América, três grandes poetas representavam a heroica Guatemala: Otto-Raúl Gonzalez, Marco António Flores e Otto René Castillo. Que surpresa! Apesar da sua juventude e dos quatro anos de sua morte a poesia de René Castillo já cruzava as fronteiras da pátria  para alinhar-se a dos maiores poetas da América. Donoso escolhera o poema “Viudo del mundo”, escrito por Otto ante a patética certeza de sua morte iminente  e por declinar, em cada verso, sua inalterável coragem e a imensa esperança com que lhe “hubiera gustado llegar hasta el final”:

Compañeros mios

yo cumplo mi papel

luchando

con lo mejor que tengo.

Que lástima que tuviera
vida tan pequeña,
para tragedia tan grande
y para tanto trabajo.

No me apena dejaros.

Con vosotros queda mi esperanza.

Sabeis,

me hubiera gustado

llegar hasta el final

de todos estos ajetreos

con vosotros,

en médio de júbilo

tan alto. Lo imagino

y no quisiera marcharme.
Pero lo sé, oscuramente
me lo dice la sangre
con su tímida voz,
que muy pronto
quedaré viudo del mundo.

Viudo del mundo [8]

O Herói nacional

Sua saga como combatente e a entrega de sua vida como aval de um postulado teórico, fizeram deste grande poeta um herói nacional. Seu nome hoje é uma referência histórica na Guatemala, quer pela beleza de sua poesia, quer pela imagem do seu comprometimento político aureolado com a coroa do martírio. E foi pelo mistério da poesia que ele, de certa forma, predisse o seu próprio destino:

Vámonos patria a caminar, yo te acompaño

Yo bajare los abismos que me digas.

Yo beberé tus cálices amargos.

Yo me quedare ciego para que tengas ojos.

Yo me quedare sin voz para que tú cantes.

Yo he de morir para que tú no mueras,

para que emerja tu rostro flameando al horizonte

de cada flor que nazca de mis huesos.(…)

(fragmento) [9]

Este seu poema, Vámonos patria a caminar,  é hoje uma legenda na memória do povo guatemalteco. Conta-se que, durante os horrores da Guerra Civil, seus versos iluminados pelo sonho libertário foram como um farol naquela imensa noite de tempestade e que era cantado pelo povo como hino de luta contra a opressão das ditaduras militares.[10]

Sua bravura como combatente, foi reconhecida já na década de 80, quando o Exército Revolucionário dos Pobres, – organização guerrilheira surgida na década de 70 como uma dissidência das FAR – dirigido pelo Comandante Rolando Morán  e que, na época, contava com cerca de 250.000 combatentes, deu a uma de suas frentes guerrilheiras urbanas o nome de Otto René Castillo, a par de outros nomes como Che Guevara, Sandino e Ho Chi Mihn.

Tributo do autor

Em outubro de 1969 escrevi em Cochabamba um longo poema chamado “O sonho do semeador” onde tributo, em meu livro Poemas para a Liberdade, uma solidária homenagem a este grande poeta:

Poetas da América…

nós que herdamos a canção continental de Whitman,

e o homem sincero nos versos  de Martí.

(…)Nós que escutamos ainda próximo

o eco colombiano de Gaitán,

e a sinfonia altiplânica  no verso maior de Vallejo.

Nós que hoje cantamos com Guillén, com Neruda e Benedetti

e que daqui evocamos a Otto René Castilho,

poeta e combatente,

martirizado na fogueira acesa por Méndez Montenegro.

Salve hermano, memória heróica na massacrada Guatemala,

eu te saúdo hasta siempre com o lirismo dos meus versos

e digo  contigo: Vámonos, todos con la  patria a caminar.(…)

(fragmento)

Otto René Castillo e Che Guevara: Juntos???

Finalmente vale a pena fazer aqui uma curiosa conjetura. Em 1954 o médico argentino Ernesto Guevara de la Serna estava na Capital da Guatemala participando do governo revolucionário de Arbenz, no Instituto Nacional de Reforma Agrária. Naquele ano, ele e o Comandante guerrilheiro Rolando Morán fizeram uma amizade que duraria até a morte do “Che” na Bolívia. Sabemos que, neste mesmo período, Otto René Castillo também transitava na Cidade de Guatemala como militante do Partido Guatemalteco do Trabalho (nome do Partido Comunista) e que, em 1953, um ano antes do golpe contra Arbenz, participava ativamente da vida estudantil na Capital do país. Naquele ano, foi nomeado presidente da Associação dos Estudantes Secundários. Em face das afinidades ideológicas, já que tanto Ernesto como Otto tiveram que deixar o país depois do golpe, perguntamos se, naquela época, ambos defensores do governo revolucionário de Arbenz, não tenham  partilhado algum relacionamento pessoal, ainda que Otto tivesse 18 anos e Ernesto 26.  Quem sabe os futuros biógrafos do poeta possam levantar esta mesma hipótese.

O que, com certeza, se pode afirmar é que o golpe militar contra o governo democrático de Arbenz deixou em ambos uma mesma opção, expressa na militância armada que marcaria o resto de suas vidas até que fossem assassinados no ano de 1967: a convicção  de que as transformações revolucionárias nas estruturais sociais dos países latino-americanos   não seriam possíveis pelas vias pacíficas.[11]

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Notas, referências e traduções:

1. Era uma honra para poucos fazer parte das Brigadas de Joris Ivens, naquela época já celebrizado por uma série de filmes e documentários, considerados verdadeiras obras primas do cinema. Uma delas, o clássico “Terra de Espanha”, foi rodado em 1937  – escrito e narrado por Ernest Hemingway e  com o apoio de grandes intelectuais de esquerda, como John dos Passos e  Luis Buñuel – para financiar as Brigadas Internacionais, formadas, sobretudo, por voluntários franceses, alemães e norte-americanos, que lutavam contra o franquismo na Guerra Civil Espanhola. Comunista sem partido e considerado um dos mais importantes documentaristas da história do cinema, Joris Ivens sempre direcionou sua câmera para valorizar a condição humana, a importância da Natureza e, sobretudo, o significado das lutas sociais contra a opressão e as injustiças.

2. Nesse sentido, o exemplo mais marcante foi deixado pelo filósofo e jornalista francês Regis Debray  – pai da teoria do foco guerrilheiro –, que ainda muito jovem conheceu, no início dos anos sessenta, a guerrilha venezuelana de Douglas Bravo, acompanhou o processo de instauração da Revolução Cubana e se tornou amigo de Fidel Castro e de Che Guevara, com quem esteve em Nancahuazú em 1967 e, ao sair, foi preso, “julgado” e condenado à prisão na cidade boliviana de Camiri, onde o autor deste texto tentou entrevistá-lo em abril de 1970.

3. Enrique Ruiz García, América Latina Hoy, Ediciones Guadarrama, Madrid, 1971

4. A tradução deste e dos demais fragmentos poéticos foi feita pelo autor do texto.

Pequena pátria minha, doce tormenta, / um litoral de amor elevam minhas pupilas/ e a garganta me enche de silvestre alegria/ quando digo pátria, operário, andorinha. /  É que tenho mil anos de amanhecer agonizando / e adormeço como um cadáver sobre teu corpo imenso, / flutuando sobre todos os alentos libertários, / Guatemala, dizendo pátria minha, pequena camponesa. / (…) Pequena pátria, doce tormenta minha, / canto situado em minha garganta/ desde os séculos do milho rebelde: / tenho mil anos em carregar teu nome / como um pequeno coração futuro / cujas asas começam a abrir-se ao amanhecer.

5. Para que ninguém diga: terra minha!, / com toda a força da saudade:/ canto. / Por que não deve morrer, teu povo: / canto / Lanço-me a caminhar sobre minha voz para dizer-te: / tu, interrogação de frutas e mariposas silvestres, / não perderás o passo nos andaimes do meu grito, / porque existe um oleiro maia no teu coração, / que sob o mar e no seio das estrelas,  / fumegando nas raízes, palpitando pelo mundo, / enreda teu nome em minhas palavras.

6. Mas a ti eu quero. / Não por bela que és. / Nem pelo fluvial dos teus olhos, / quando vêem que vou e venho, / buscando, como um cego, a cor / que se tenha perdido na memória. / Nem por teu corpo selvagem e indomável. / Nem pela rosa de fogo, que se entrega / quando a levanto do fundo do seu sangue / com as mãos jardineiras dos meus beijos. / A ti eu quero, porque és a minha/ A companheira que a vida me deu, /para ir lutando pelo mundo.

7. Miguel Donoso Pareja, Poesia Rebelde de América, Editorial Extemponáneos, México, 1971

8. Companheiros/ cumpro meu papel/ lutando/ com o melhor que tenho./ Que lástima eu ter/ uma vida tão pequena,/ para tragédia tão grande/ e para tanto trabalho. Não sinto pena em deixá-los./ Com vocês fica minha esperança./ Sabeis,/ me houvera gostado/ chegar até o final/ de todos estes encontros/ com vocês/ em meio a júbilo/ tão alto. Eu o imagino/ e não quisera partir./ Mas eu sei, sombriamente/ me revela o sangue/ com sua tímida voz,/ que em breve/ ficarei viúvo do mundo.

9. Vamos pátria a caminhar, eu te acompanho / Eu descerei aos abismos que me digas. /Eu beberei teus cálices amargos./ Eu ficarei cego para que tenhas olhos./ Ficarei sem voz para que tu cantes. / Hei de morrer para que tu não morras, / para que surja teu rosto flamejante no horizonte / de cada flor que nasça dos meus ossos.

10. Talvez algo semelhante ao significado de protesto e símbolo de luta que teve, aqui no Brasil, a canção “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré.

11.Enrique Ruiz García, op.cit.

SACRIPANTAS E ANÔNIMOS por walmor marcellino

Quem é o responsável pelas mortes nas estradas brasileiras, que, além de delegar o bem público rodovia ao empresário privado, se omite no controle jurídico-policial dessas vias assassinas? Nem rodovias nem veículos nem passageiros estão sob responsabilidade do Estado? O Poder Executivo se omite e alega que somente as parcerias público-privadas poderão privatizar as graças e desgraças públicas.

Quem ou o que indicou, facilitou e protegeu (a confraria do poder?) servidores do Senado nas operações fraudulentas, que vêm sendo executadas com inteira liberdade. Quem protege latifundiários e grileiros responsáveis por trabalho escravo, por roubo de bens naturais, por irregularidades de localização e funcionamento — os quais, flagrados em ilícitos e condenados à perda de propriedade, são mantidos pela desídia do governo Lula e seus comissionados –, enquanto jornais, procuradores e políticos desencadeiam campanhas de infâmias contra os postulantes da reforma agrária?

“Patifes ilustres” não são apenas os condôminos da família José Sarney, donos da Sesmaria Maranhão; nem o capo Ronaldo Caiado, médico consócio em grilos (ilegítimos de origem, confirmados na posse e legitimados pelo mando político) e protetor de terras legalizadas pela incúria oficial e pelo compadrio eleitoral. Nem Gilmar Mendes, essa mais abusiva e afrontosa figura institucional brasileira, que deve ser apontado como líder dos malfeitos, um exótico juiz-delinquente a pisotear o que restou de nossas virtudes cívicas.

O que chamamos “democratização” é um processo de aculturação desses privilégios e escândalos — que vão da apropriação de bens públicos, à posse e autoatribuição de serviços e funções públicas, ao nepotismo deslavado, à concussão associada à corrupção funcional –, e o processo político-eleitoral é a consolidação desses usos e costumes.

Agora mesmo, o Instituto Médico-Legal do Paraná diz que não lhe sobrou uma gota de sangue do deputado Carli para ver se álcool e cocaína o levaram a matar dois jovens com seu automóvel a 190 km/h. O “procedimento legal” foi fazer exame de dosagem nos rapazes mortos ao receberam o impacto. A justificativa estúpida é de que o exame de sangue de um deles (em coma), o deputado, não pode legalmente ser feito para instruir o processo, porém o dos rapazes, pobres e anônimos, a rotina e a lei mandam. O tempora, o mores.

Por último, “a solidariedade oficial ao causador”, por sua condição de deputado, é a demonstração da complacência com crimes e desrespeito aos mortos”.

Curitiba, 8/5/2009

A IGREJA INVISÍVEL lança o PROJETO SOCIAL DE SAÚDE MENTAL AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO

meu caro e bom amigo carrano, já falecido, autor do livro Canto dos Malditos ( onde ele descreve a sua odisséia numa clínica psiquiatra de curitiba aos 17 anos) e que se transformou no filme O Bixo de 7 Cabeças  (laís bondansky) ganhador de diversos prêmios, me informa, póstumamente, através de sua amiga talita rhein  que havia fundado uma igreja invisível ! que loucura fantástica!!!! se Deus é invisível, os espíritos são invisíveis, se o mundo onde vivem é invisível, porque não uma igreja invisível? mais coerente e não precisa de sacras mansões!! aliás a mansão é o mundo virtual!!

publico abaixo o email enviado por talita.

 

jb vidal

 

saul, do movimento afro-brasileiro, o poeta e editor jb vidal, o artista visual rettamozo, o "louco" dramaturgo austregésilo carrano e o artista visual claudio kambé. todos grandes amigos.

saul, do movimento afro-brasileiro, o poeta e editor jb vidal, o artista visual rettamozo, o "louco" dramaturgo austregésilo carrano e o artista visual claudio kambé. todos grandes amigos.

 

 

Atualmente o assunto ‘saúde mental’ tem ganhado espaço na mídia devido a sua abordagem na novela de Gloria Perez “Caminho das Índias“. A novela tem mostrado um esquizofrenico paranóico e pouco sociável, mas alguns especialistas contestam a forma que o doente é tratado na trama. Há muita controversia sobre o assunto, mas poucas pessoas apontam a inclusão social do doente como uma forma de tratamento, e, menos ainda, é falada sobre a possível cura de um esquizofrenico. A Igreja Invisível, organização de cunho social, criou o “Projeto Social de Saúde Mental Austregesilo Carrano Bueno” com o objetivo de desmistificar os temas ‘saúde mental e loucura‘. Carrano, que foi um dos idealizadores da Igreja Invisível, era famoso pela luta para a reforma psiquiátrica no Brasil, e deixou um legado a ser seguido, questionando a forma que os doentes mentais são tratados dentro e fora de hospitais, sendo marginalizados e diminuídos. O Projeto Carrano conta com especialistas que lidam com doentes e não-doentes mentais através de terapias alternativas, auto-conhecimento, meditação e trabalho com artes. O foco é a conscientização, a inclusão e a oportunidade de aprenderem coisas novas. Para por em prártica todo conhecimento dessas pessoas, o Projeto Carrano produzirá uma série de dez curtas-metragens sobre saúde mental. Nesses curtas, as pessoas terão oportunidade de atuar, filmar e adquirir conhecimentos dentro e fora da sua área de trabalho.

O Projeto também organiza palestras e oficinas, na área de artes, terapias alternativas e, claro, na discussão sobre saúde mental. Dennis Brandão, diretor da Igreja Invisível, criou o conceito de vídeo solidário, no qual o participante não precisa ter nenhuma experiência em teatro ou interpretação para ser uma personagem. Além dos curtas da série, serão criados curtas a cada treinamento proposto sobre o tema saúde mental.
Apoiado pelo site www.deliriocoletivo.com.br, de Dayan Paiva – uma pessoa que, como Carrano, luta para a conscientização da sociedade na questão da aceitação de pessoas doentes mentais – o Projeto Carrano está em busca de doações e espaço, para poder concretizar seus planos e conseguir, enfim, dar mais voz à luta pela verdadeira reforma psiquiatrica no Brasil.
 
  
 

O QUE É A IGREJA INVISÍVEL

 

     A Igreja Invisível é uma organização que trabalha a integração e a espiritualidade em um sentido pleno e coletivo, desenvolvendo ações artísticas e sociais para um mundo mais solidário e emocionalmente mais saudável, unindo filosofia, artes, meditação e outras técnicas de desenvolvimento humano.

 

 

PROJETO CARRANO

 

     A I:I criou o Projeto Social de Saúde Mental Austregésilo Carrano Bueno, em homenagem ao Carrano, amigo pessoal de alguns dos idealizadores da Igreja Invisível. O escritor Austregésilo Carrano Bueno foi um ícone da luta pela Reforma Psiquiátrica Brasileira e autor do livro Canto dos Malditos, que inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bondansky. Utilizar seu nome no título do projeto, mais do que uma simples homenagem, é o modo que encontramos de fazer com que sua luta pela Reforma Psiquiátrica Brasileira continue. O Projeto Carrano visa a desmistificação das doenças mentais e o tratamento através das terapias alternativas e integração social, poupando o doente de isolamento e marginalização. Além disso, o projeto também lida com profissionais da área de comunicação e artes, dando oportunidade de aprendizado e trabalho. A intenção é produzir uma série de curtas-metragens abordando o tema saúde mental (‘loucura’) de forma direta e com participação de pessoas com doenças mentais. O objetivo da série de curtas-metragens é expor à sociedade que há outras formas de tratamento aos distúrbios mentais antes da internação, e tentar expor às pessoas que a pior doença é o preconceito.
   

CONTATO

 

www.igrejainvisivel.com

 

Rua Tonelero, 854 , Vila Ipojuca, 05056-001, São Paulo – SP. 
Contato: (11) 2771-5607

A INTUIÇÃO e a INSPIRAÇÃO por ademário da silva

 

 

A intuição é o atributo do espírito, enquanto potencial adquirido ao longo das experiências milenares realizadas nas mais variadas dimensões existenciais. É o que permite essa troca de impressões, informações e práticas singulares, no cotidiano das relações imortais, que não acontecem apenas na faixa das percepções mediúnicas, mas, se manifesta também enquanto “voz da consciência”, no campo das nossas preocupações espirituais.

 

A intuição é o resultado das nossas aquisições sensitivas, que pode e é perfeitamente utilizada por nossos protetores e amigos espirituais, no prisma de relações fraternas que a interação existencial nos permite, segundo a faixa das nossas próprias vibrações morais. O que nos põe em alerta quanto aos cuidados com os nossos próprios pensamentos. Então o que inadvertidamente classificamos de “presença de espírito” em circunstâncias significativas da nossa vida, são na verdade o resultado dessas trocas mentais realizadas por nós, mesmo inconscientemente.

 

Trocas mentais neste caso significa visitas instantâneas (insights) nos escaninhos mais profundos da consciência, numa velocidade imperceptível aos sensores físicos, por isso não há registro consignado de ida e volta, do tipo viagem ao litoral e volta programada.

 

Não podemos e nem devemos confundir intuição com inspiração. São dois fenômenos distintos entre si. Como toda modalidade mediúnica tem por base a telepatia, enquanto recurso de comunicação, nos fenômenos de intuição e inspiração o pensamento também é o veículo principal de acesso as informações colhidas em âmbito mediúnico e anímico.

 

Na inspiração a moldura mediúnica está na razão de que o pensamento não nos pertence. E para reconhecer essa condição basta verificarmos e analisar nosso modo de pensar diário, vocabulário, modo de expressão mental, maior ou menor capacidade de exposição redativa, estilo de enfoque e de enquadramento da exposição oral ou escrita e assim por diante… Na verdade a fonte de inspiração é o éter universal, que se encontra permanentemente impregnado dos pensamentos dos espíritos superiores e também dos inferiores. O que se nos exige cuidado com as próprias vibrações e emanações mentais. A Doutrina Espírita afirma que o espírito sopra onde, e como toda ação gera uma reação, ele também recolhe onde quer. Ou seja, onde está seu coração, aí está o seu tesouro, nas vias saudáveis ou insalubres da afinidade.

 

A intuição se configura qual talento adquirido nos véus dos tempos vividos. De conformidade com a capacidade que se alcança de emancipação da própria alma, mais facilidade se encontra pra recolher da própria palma, pedras polidas ou puídas, preciosas ou enganosas no garimpo nas jazidas interiores, que cada um de nós carrega no torço da própria responsabilidade espiritual.

 

Em ambos os casos a mediunidade enquanto alça da caridade universal tem peso específico e distinto. Na inspiração a afinidade moral como que determina a subjetividade das relações do médium com os espíritos, dificultando inclusive o discernimento sobre o que pertence a cada um. Na intuição a ação dos desencarnados se limita a circunstâncias e injunções momentâneas, por quanto o ser encarnado mesmo sendo médium tem maior liberdade de escanear a memória de experiências já vividas por ele, em tempos, condições, culturas, religiões e países e idiomas os mais diversos, como que criando imagens e ambiências que facilitem ao intuitivo, encontrar o objeto de suas buscas.

 

Inspirar-se é buscar em referências externas, os exemplos, os ensinos e ajudas que componham um conjunto de recursos de ajuda, explicações, orientações e instruções que configurem caridade, fraternidade e solidariedade no colo do tempo e nos braços do amor universal.

Intuir-se é provar por instantes o sal dos mares navegados e temperar com sabor antigo o alimento atualizado. De tal modo que o designer da experiência não desminta o valor da convivência.

 

No livro dos Médiuns, Kardec nos demonstra com sua peculiaridade pedagógica, os riscos e escolhos da mediunidade e no Evangelho espíritos maiores se nos instruem quanto ao mal e o remédio. Esses dois pontos, científico e filosófico são os caminhos da oração e da vigília.

 

Desde que não mais se acredite que o silêncio (humano) seja prece, por que o pensamento em nosso interior efervesce, o equilíbrio que é esperado estremece e o médium inspirado envaidece, pondo em risco toda benesse, é neste momento que a humildade a gente esquece.

 

Inspiração é opção que afinidade e a conduta oferecem, requerendo responsabilidade e preces.

Intuição é atitude sensitiva, leitura dinâmica de antigas missivas, que exige interpretação lúcida e transparente, tendo a simplicidade qual lâmina damocliniana na pauta de responsabilidades imortais.

RODIN E CAMILLE CLAUDEL – por flávio calazans

 

“Se a religiosidade não existisse, eu teria a necessidade de inventá-la. Os artistas verdadeiros são, em suma, os mais religiosos dos mortais”                       

Rodin, em O misticismo na Arte, capítulo de A Arte.

 

Dia 11 de julho de 1995, terça-feira, Paris amanheceu ensolarada e feliz.

Em uma caminhada sem destino pelas ruas da Cidade-Luz, bebericando nos cafés, visitando as livrarias, cheguei até o Centro Georges Pompidou com sua armação de canos de metal e ao “Quartier de l’Horloge” com a livraria mais “Cult”, a “Fantasmagories”(13, rue Brantome) com vasto acervo sobre artes visuais, Cinema de Autor, TV e Histórias em Quadrinhos de Arte, além de fanzines de vanguarda bem experimentais.

Depois, passeio pelo Metrô, visito a estação Saint Michel, toda verde em estilo Art Noveau, e depois chego a uma enorme mansão com jardins atráz, quase um pequeno bosque, o Museu Rodin (77 Rue de Varenne, Metrô estação Varenne) no Hôtel Biron.

            O movimento e as expressões, toda a emotividade registrada nas estátuas é profundamente comovente, é impossível não repetir o universal clichê “Parecem estar vivas”, pois Rodin congela em um instantâneo tridimensional toda a energia de uma vida e suas contradições.

            Rodin vivia no meio de uma explosão cultural, frequentava seu atelier gente do porte de Alberto Santos Dummont, o brasileiro que voôu em Paris no primeiro avião, o 14-Bis, que Rodin imortaliza em um busto; o mago inglês Aleister Crowley, e todos os literatos, políticos, artistas de um momento de explosão cultural na europa centralizado em Paris; é a época do pintor Cézanne (cujas banhistas e mesas com várias perspectivas inspiram Picasso ao Cubismo), do filósofo alemão Nietzsche e seus aforismos, da música de Debussy (que depois seria namorado de Camille).

            Entre 1887 a 1890 a fama de Rodin explode, junto à aluna-modelo-escultora-amante Camille Claudel, cuja história de amor é inesquecível, do namoro à loucura da mulher abandonada, destruindo as próprias obras como um aborto cósmico, e internada em manicômio até o falecimento.

            O secretário de Rodin, Rainer Maria Rilke, envolvido neste turbilhão cultural anos depois fica nos anais da História da Arte, não só como poeta e crítico literário, como pelo livro clássico, uma leitura obrigatória de todos que amam a arte, o livro “Cartas a um jovem poeta” onde dá lições de vida e de arte a seu correspondende Franz Xaver Kappus, em um processo de anos de missivas, o longo e paciente processo de desenvolvimento da sensiblilidade.

            Para Rilke, de seu longo convívio com Rodin, desnuda-se um artista que ele descreve com carinho, um artista plástico sempre lendo, invariavelmente com um livro nas mãos,  Rodin exercitava uma transformação de sí próprio na escultura, modelando a sí mesmo, corpo e espírito, nas obras; uma arte cujo conjunto é um testemunho-grimório em pedra e metal, um registro das etapas deste processo alquímico, onde a beleza está nas entrelinhas de toda a realidade, e se não a percermos, é por não ter os olhos capazes de maravilhar-se com o encanto do mundo.

             Rodin fala com a linguagem do corpo, sua poesia está no espaçial, não no verbal, uma arte sensual, visceral, fruto das emoções aceitas e assumidas, refinadas, desenvolvidas, sutilmente sofisticadas.

            É o que fala o gravurista-poeta inglês Willian Blake: “Arte é a árvore da vida” referindo-se à cabala, e “Os caminhos dos excessos levam à sabedoria”.

            Também o diz o poeta francês Arthur Rimbaud, na Alquimia do Verbo: “O Poeta se faz vidente por meio de um longo, intenso e racional desregramento de todos os sentidos”.

            Estes excessos, este desregramento dos sentidos é o êxtase místico presente na obra de Rodin e Camille Claudel.

            É preciso estar frente a estas esculturas, andar em torno delas e, em O Beijo, perceber o instante congelado no tempo que antecede em um microssegundo o toque dos lábios dos amantes…sutil e sensível registro de todo o vórtice de sentimentos do primeiro beijo paradoxalmente entre tímido e apaixonado do casal.

            O garbo de Balzac envolto na capa, tão polêmico-como toda obra genial o é-a frorça de Vitor Hugo, as redes de emoções sobrepostas dos Burgueses de Calais, e a beleza das velhas anciãs, enrrugadas em sua dignidade e miséria…mas, acima de tudo..

 

            A Porta do Inferno de Rodin !

 

            Passeando nos jardins do Museu Rodin e saboreando, usufruindo tanta beleza, deparei-me repentinamente com sua gigantesca ”Porta do Inferno”. A emoção estética comove-me até as lágrimas, choro soluçando , profundamente tocado , lamentando por Rodin e por mim mesmo.. .até hoje ainda sinto um nó na garganta ao ver esta porta! Sinto todo o sofrimento das estátuas coladas naquele portal soldado, enormidade fundida em um bloco único; a poesia tenebrosa do monstruoso portal que nunca , jamais poderá ser aberto..eternamente selado..todas as obras inacabadas ou nunca realizadas, todos esboços esquecidos e trancados no inferno criativo de cada artista…o ”salão dos recusados” das idéias rejeitadas no meu inconsciente, retorcidas e injustiçadas, que nunca ninguém vai ver.

            A Porta do Inferno é o Nigredo, a Obra em Negro dos Alquimistas, a noite escura  da alma descrita pelos místicos europeus, a descida ao inferno do herói mítico, Orfeu, Hercules, etc…talvez tudo fosse mera projeção do meu inconsciente..mas, então, o que não seria projeção na vida? Vale a autêntica emoção que tomou todo meu ser, e minha sinceridade em deixar que crescesse até o meu pranto soluçante e convulsivo.

            Acima de tudo, o ”Pensador” observa sem nada poder fazer…a fatalidade cruel de nosso inferno pessoal criativo..quantas obras ainda vou condenar a minha própria porta do inferno? Indubitavelmente, tenho muito mais obras no meu inferno das não-nascidas que as realizadas…quanta dor, agonia eterna das formas mentais que vizualizei e não permití existirem.

            Após visitar por horas o jardim florido e a comovente sala ”Camille Claudel” e deliciar-me com Psiquê estendendo as mãos para um cupido que escapa, com aquelas Fofoqueiras e a magnífica Onda verde com as três meninas encarando a iminente e inevitável tragédia do vagalhão avassalador; tantas lindas miniaturas introvertidas e delicadas em seus tocantes detalhes femininos, intimidade e interiorização, obras que comovem por serem tão pessoais, tão biográficas…é Camille dentro de cada uma, ela retrata sua alma, seus sentimentos, e os expõe a nú como somente um verdadeiro Artista tem a coragem de se expor, um mundo de sensibilidade extrema, um retrato comovente da alma feminina; …só então, depois de uma longa tarde, é que conseguí então controle para voltar à Porta do Inferno e tirar uma coleção de fotos-cicatrizes.

 As enormes esculturas de Rodin poderiam indicar um  caráter extrovertido, social, público-político, com ligações com os poderosos, status, aparências;  mármores pesados, duros, sólidos, gigantescos (segundidade) e seu enquadramento nos cânones das obras públicas agradando as maiorias (nem sempre…) em uma terceiridade, sua amargura e fracasos poderiam estar na “Porta do Inferno” das obras condenadas que todo artista tem nos porões do inconsciente ou do atelier, tudo encabeçado pelo próprio auto-retrato retorcido como o Pensador no umbral.

Ao contrário, as delicadas miniaturas de Camile Claudel mostram sua personalidade introvertida, detalhista, materiais transparentes, fragilidade oculta sob as máscaras sociais de mulher independente; do conjuno das esculturas  e sua cronologia pode-se reconstruir um sintagma de provável culpa e aborto nas faces infantis, de perda do amado nas “psiquês sem cupido” e da perda de auto-estima em medusas , antevendo a catástrofe com as três deusas (moiras-parcas) sob a enorme e inevitável onda prestes a rebentar sobre elas,chegando à internação no sanatório onde falece.

 

Bibliografia:

 FABRE-PELLERIN, Brigitte. Le jour e la nuit de Camille Claudel. France: Lachenal e Ritter, 1998.

 RILKE, Rainer Maria. Rodin. Rio de Janeiro:Relume Dumará, 1995.

 RILKE, Rainer Maria. Poemas e Cartas a um jovem poeta. Rio de Janeiro: Tecnoprint, S.D.

 RODIN, Auguste. A arte: conversas com Paul Gsell. Rio de Janeiro:Nova Fronteira,1990.

 RODIN, Auguste. Aquarelas e desenhos eróticos.  Bibliothèque de l’image, 1996.

 THE RODIN MUSEUM GUIDE. Laurent, Monique, Paris:Éditions Hazan- Les Guides Visuels, 1994 .

 WAHBA, Liliana Liviano.Camille Claudel: Criação e loucura.  Rio de Janeiro: Record-Rosa dos ventos, 1996.

 WITTKOWER, Rudolf. Escultura. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

Como a ESCOLA deve encarar com a cola – por vicente martins

 

 

Tomando como referência para avaliação do sistema de avaliação tradicional os dados do MEC quanto às taxas de repetência, evasão e atraso escolar e posso ainda apresentar dados do SAEB, ENEM e PISA, os resultados são preocupantes: os estudantes brasileiros não dominam habilidades básicas como leitura e escrita.

O Censo escolar 2002 revela que, pelo menos, 7.577.784 alunos estão na faixa etária irregular, isto é, com15 a mais anos de idade. Relatórios recentes do INEP afirmam presenciar uma estabilização no crescimento de ofertas de vagas no Ensino Fundamental, favorecido pelo o impacto dos programas de melhoria do fluxo escolar (ciclos de progresso continuada) e pela injeção de recursos do FUNDEP que, realmente, provocou uma grande expansão nas matrículas.

Repetência como exclusão social - Em 2002, o MEC constatou que a matrícula, em 2002, no Ensino Fundamental regular, foi de cerca de 35 milhões (incluindo todas as faixas etárias. No entanto, a população na faixa etária ideal ou própria, de 7 a 14 anos, era de pouco mais de 27 milhões de crianças. A matrícula está muito acima da população na faixa etária própria em decorrência da repetência e da forma tradicional de avaliação.

Quando analisamos os dados do Sistema de Avaliação da educação básica (SAEB), relativos ao ano de 2001, nos deparamos com 22% alunos da quarta série do ensino fundamental que não desenvolveram habilidades de leitura compatíveis a esse patamar de escolaridade e 37% aprimoraram algumas competências, mas ainda demonstram desempenho em língua portuguesa bem abaixo do desejado. Os dois grupos de estudantes, que totalizam 59% da matrícula do final do primeiro ciclo da educação obrigatória, apresentam níveis de rendimento escolar considerados “crítico” ou “muito crítico”.

O modelo de avaliação escolar vigente no País não apenas reprova mas faz com um número significativo de criança em idade própria não querer estudar, porque não reconhece na escola um espaço para desenvolver de sua capacidade de aprendizagem (assimilar bem os conteúdos) e de sua capacidade de aprender (autonomia intelectual).

Cola como liberdade de aprender - Vejo a cola não como fraude ou ato clandestino do aluno, mas como manifestação ou recurso de liberdade de aprender do aluno e estratégia de recuperação dos alunos de baixo rendimento.

Podemos ver no procedimento da cola um instrumento para assegurar, no verificação do rendimento escolar, um princípio de ensino como preconiza a Constituição Federal, no seu inciso II, do artigo 206 , que enumera, entre os princípios de ensino, a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.

Encaro, pois, a cola como uma manifestação de liberdade de aprender do aluno. O mesmo princípio é reafirmado no inciso II, do artigo 3, da Lei 9.394/96 , a chamada Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional(LDB) Como ato de liberdade de aprender, a cola teria, pois, amparo na norma constitucional inviolável, de modo a vir a ser uma prática comum e viável no processo ensino-aprendizagem.

Defino a cola como um direito de o aluno agir, dentro dos limites do regimento escolar e sob a proteção do projeto pedagógico da escola, de modo independente, no decorrer das provas parciais ou globais para atender os fins da educação nacional.

A liberdade discente de colar é, na verdade, o poder reconhecido aos alunos, pelos estabelecimentos de ensino, de só aprenderem aquilo que quiserem e como quiserem. Quando há a liberdade de aprender do aluno e a liberdade de ensinar do professor, podemos falar em liberdade de ensino.

O inciso V, do artigo 12, da LDB , estabelece que os estabelecimento de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, têm a incumbência de prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento!.

A cola, portanto, pode ser um meio para recuperação dos alunos com baixo rendimento escolar, especialmente os educandos com necessidades educacionais especiais que, pelo artigo 4 , da LDB, tem a garantia de atendimento educacional especializado por parte do poder do poder público.

Dentro de uma perspectiva de política educacional, a titulo, por exemplo, de programa de correção de fluxo escolar, a cola pode ser um instrumento poderoso, na verificação do rendimento escolar, como preconizada o item b, inciso V, do artigo 24, da LDB,, para a aceleração de estudos para alunos com atraso escolar, isto é, com desafamem série-idade.

A cola, pois, pode ser vista como forma de estudo de recuperação apara os alunos de baixo rendimento. O item e, inciso V, do artigo 24, da LDB, determina a obrigatoriedade de estudos de recuperação para os casos de alunos de baixo rendimento escolar.

A cola é um procedimento que pode ser normalizado a partir de um acordo de convivência, prescrito seu uso em regimento escolar, não sendo, pois, como um direito imprescritível de aprender do aluno

Direitos imprescritíveis - Apresentamos a seguir um conjunto de diireitos imprescrítiveis do colante assumido:

  • O direito de não aceitar as estratégias de coerção e de controle dos professores.
  • O direito de não competir na avaliação escolar, ao longo ou ao final do curso, para garantir a promoção de uma série a outra.
  • O direito de legitimar sua liberdade de aprender.
  • O direito de não executar os prodígios de memória.
  • O direito de colar diante de matéria inadequada à maneira de ver, às experiência e aos objetivos do aprendiz-colante ou do colante-aprendiz.
  • O direito de colar através de conversas colaborativas antes e durante a aplicação de provas, exercícios, tarefas ou outros meios de observação que tem por fim a verificação de desempenho do aprendizagem, em situações de atribuição de notas.
  • O direito de colar para enfrentar a pressão dos professores e dos gestores dos estabelecimentos de ensino
  • O direito de colar para evitar atraso escolar, repetência e evasão escolar.
  • O direito de colar para desenvolver a capacidade de aprender, mediante leitura compensatória e compartilhada.
  • O direito de colar por considerar que a escola não é um palco de guerra, mas um processo institucional construtivo de amor, paz, conhecimento e amizade.
A cola como conduta pedagógica

A cola é semelhante aos ritos de uma religião, que parecem absurdos, mas tornam a escola um espaço de liberdade de aprender, e os professores e os alunos em pessoas melhores.

Vejo, assim, a cola na avaliação como parte do processo do desenvolvimento da capacidade de aprender dos meus alunos, descartando sua ritualização ou sacralização.

Dia de prova é dia de aprender. Apenas isso. Tenho transformado o dia da prova em uma experiência ou acadêmica prazerosa, numa situação positiva, seguindo os seguintes passos:

  1. Oriento, no primeiro momento, pelos menos, a uma semana antes da avaliação parcial ou global, para os conteúdos e os modelos de questões(múltipla escolha, completamento, discursiva etc) que serão cobrados durante a verificação de rendimento. No dia da prova, destino, pelos menos, 10 minutos antes de sua aplicação, para mais uma vez revisar e permitir em seguida as conversas colaborativas ou as colações prévias para que no decorrer da avaliação o aluno se sinta tranqüilo quanto ao que requeiro do aluno.
  2. Durante a avaliação, o aluno cria um clima de tranqüilidade para não contrair o corpo, podendo, livremente, ir ao banheiro ou pegar um material didático para consultas ou anotações feitas durante as aulas expositivas.
  3. Há situações em que as provas ou, pelo menos, as questões mais discursivas, são feitas em casa ou em sala de aula, com a orientação do professor, de modo a favorecer uma maior discussão em grupo ou leituras complementares.
  4. Tomo a auto-avaliação, inclusive com atribuição e justificação de notas para si mesmo (e quando quer o aluno dar nota para o professor também), de 6 a 10 ( quando a média é 7, por exemplo) , como um recurso de aprendizagem significativo, de modo a evidenciar, para o aluno que enquanto profissional de educação sei o que faço, como faço e para que faço ou porque deixo de fazer alguns procedimentos pedagógicos, de modo a conduzir o aluno para a formação ética, de atitudes e valores e, sobretudo, desenvolver sua autonomia intelectual e pensamento crítico.
  5. permito a cola colaborativa ou consentida para assegurar uma avaliação culturalmente justa , que tenta ser tão livre quando possível de preconceitos específicos, culturais ou amarras pedagógicas ou escolares. Levo em conta que o momento da prova, com ou sem cola, é de natureza pedagógica e tem por fim revelar para o professor, em especial, as habilidades e competências que aprendidas e apreeendidas, que vão do fácil ao muito difícil, com limites de tempo o suficiente para também permitir que os alunos respondam as questões de forma tranqüila e sejam promovidas para a série ou semestre seguinte e, no final do curso, sejam concludentes e não excludentes da formação escolar.

Cola: Justiça, pode. Educação, por que não?

Minhas primeiras experiências com novas formas de avaliação de alunos foram realizadas logo quando ingressei, no início dos anos 90, I, por concurso publico de provas e títulos, na rede estadual de ensino, no Ceará, e me deparej com um grande contigente alunos de baixo rendimento escolar, em turmas de quinta série, que é, como sabemos pelos relatórios oficiais do MEC, um dos gargalos do sistema educacional uma vez que concentra altas taxas de repetência e evasão escolar.

A forma de avaliação tradicional, que ocorre na maioria das escolas brasileiras, em regime de seriação e no final do processo ensino-aprendizagem, a chamada avaliação com função somativa, é uma forma perversa de avaliar alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e das principais causas do fracasso escolar no Brasil.

A este modelo de avaliação somativa, muitas vezes, descarta a função diagnóstica , que visa a companhar o processo de aprendizagem bem a função formativa que é a de aprimorar o processo de ensino-aprendizagem. O que se tem feito no País, mesmo nos exames oficiais, é verificar competências e habilidades dos alunos, com objetivo unicamente de avaliação do rendimento do aluno num curso, para atribuição de notas ou conceitos. Isso é péssimo para a educação.

Quando aluno do Colégio Militar de Fortaleza, durante muitos anos fui à recuperação nos meses de férias para não colar e correr risco de ser expulso do colégio, uma vez que temi, sendo flagrado, ser sumariamente expulso do colégio, mas vi vários colegas, mais espertos , inteligentes e realmente perspicazes, hoje brilhantes no mercado de trabalho, apelaram para cola como expediente de resolução de questões enfadonhas, principalmente para evitar a reprovação, a humilhação na escola, a decepção na família ou exacreção pública.

Hoje, não censuro nem vejo o expediente da cola como uma conduta desviante que precisaria de um corretivo. Sendo assim, fiz uma espécie de conversão de uma conduta discente em uma estratégia docente.

A cola foi introduzida, na minha prática prática educacional, como estratégia de recuperação para os alunos de baixo rendimento assim como o sol, por osmose, interpenetra a carne.

Vejo a cola escola com a mesma naturalidade que um juiz eleitoral vê a cola no dia de eleição. Durante as campanhas de esclarecimento na mídia, sobre o processo eleitoral, os tribunais regionais eleitorais, de todo o Pais, ao serem indagado se o eleitor pode ou não levar cola eleitoral para urna eletrônica, afirmam não poder , e sim, ver, acrescentando que para facilitar o voto, o eleitor deve levar os números dos candidatos anotados em um papel. O que é lícito para a democracia eleitoral porque seria ilícito para a democracia escolar?

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará. 

 

A FAMILIA VIRTUAL por joanna andrade

A Família Virtual

 

A familia virtual é aquela que na realidade não existe há muito tempo, aquela que nunca existirá fora das telas. O ideal sem compromisso, sem cambalachos, uma alegria desprovida do calor real, vivem num campo onde a expressão é o reflexo de suas carências, um supre o outro no minimo pelo minimo. A realidade é que a família real já esta’desgastada, há tempos, seja pelas guerras em busca neurotizada pela paz ou seja pelo simples comodismo social exigido.

A internet é um meio que nao justifica os fins, pois é o próprio the end no final do filme. Muita gente nao aceita o the end e quer continuar a mesma historia, filme numero 2 e por conseguinte o numero 3,4,5….quer os filhos como procriação do belo, da vida, quer um quadro fotografico para ser colocado na parede mofada de seus quartos ou fotografias em porta-retrato assentado nas belas comodas de madeira nobre de suas salas de estar. Esquecem a favela vizinha, esquecem a desunião, nao lembram de seus fracassos, esquecem de pensar nas soluções mais plausíveis.

Nesse momento que venga el toro en forma de bife, a parte sexual, onde os prazeres imediatos são descarregados como trabalho esculpido do que poderia ser e nao é. Um passa a ser o fio terra do outro e nao importa se for por um minuto, duas hrs ou tres dias ou um mes, cansam de brincar de casinha e os bonecos viram os monstros dos próximos capítulos.

Monstro por monstro, procura-se outras formas de realização, agora o network passa a ser bastante importante, quanto mais extenso, mais liberdade terão, para continuar nesse mundinho hipócrita, pulando de e-mail em e-mail, fazendo suruba a tres, quatro ou mais, todos na mesma conversa, um alimentando o outro sem gastar muito, a nao ser as teclas do keyboard, a energia e o tempo. Mas vale a pena, afinal as demandas das familias virtuais não oneram em nada, num simples sign out, colocar off line, pronto, resolvido o problema. A justiça está a um toque apenas, e quem precisa de advogado para isso? A terapia ao alcance de um botão ou dois, e quem precisa de psicólogo ? A responsabilidade é nula em comparação com a liberdade, a qual é exercida desenfreadamente, sem limites.

O que vale nesse momento é o eu pelo eu, o outro é um mero objeto de despejo, de transferencia. O prazer vem com hora marcada, não dá nem tempo de jantar, todos juntos, à mesa, cada um com seu PC e em seu PC com seus pratos bem à frente. Vejamos que a forma primitiva também pode ser trazida a este assunto, todos podem comer com as mãos , cutucar o nariz, arrotar e etc, para isso basta nao deixar o microfone ou a camera ligados. A liberdade é fascinante, não? O mundo está cheio de conveniências ilusórias nesse campo, uns buscam o passado como isca, neste caso o peixe deve morrer pela boca, satisfazer suas necessidades básicas.

Tem mulher virtual que acha que o homem vai ser preso pelo estomago ainda, e tem homem virtual que manda beijos e canta saudades para abrir espaço para um eventual encontro. Isso era dito por nossos avós, que mal sabiam que seria vivido através de chats e emails. Ideal para o real, pela internet as pessoas se acham lindas e amadas, pois o contrário não podem ou não querem viver. Ideal sem compromisso, compromisso ideal, real sem compromisso, compromisso real, qual é a saída?

FUTUROSCOPE por flávio calazans

 

                                                          

 

 

            Em Paris, França, 9 de julho de 1995, Domingo, dia quente de verão perto das comemorações da Bastilha, é bem cedinho pela manhã e fui até a estação de trem e, em uma daquelas máquinas automáticas, comprei um bilhete de TGV (Train de Grand Vitesse-trem de grande velocidade) que tive de furar em outra máquina alí na plataforma.

            O trem é tão rápido que os vilarejos pitorescos do interior passam como manchas pela janela, e em poucas horas cruzei todo o país e estava descendo em Poitiers, velha cidade medival que abriga uma biblioteca de fanzines-imprensa alternativa, a “Fanzinothèque de Poitiers” e, como toda vila francesa, uma Catedral medieval de estilo Gótico; Poitiers é famosa por ser o lar de Giles de Rais, cavaleiro e marechal que lutou junto com Joanna D’Arc e que depois dela ser queimada como bruxa pela Igreja Católica (mesma Igreja que depois a canonizou Santa) tornou-se feiticeiro e bruxo, e a cidade também deteve o avanço dos mouros vindos da Espanha, esta e a História antiga, hoje ela abriga o Futuroscope.

            Na estação de trem peguei um taxi coletivo que custou 40 francos franceses e depois comprei bilhete de um dia para visitar o Futuroscope.

            O Parque Futuroscope é financiado pelo Departamento de Vienne, congrega centros de pesquisa gerenciados pela Universidade de Poitiers dedicando-se a pesquisar o Futuro em todas as suas possibilidades de Tecnologias de Ponta, a construção foi iniciada em 1993 com o custo de Mil e quatrocentos milhões de francos franceses, e neste mesmo ano recebeu 1.900.000 visitantes pagantes, revitalizando a economia local como um parque temático de divulgação científica, entretenimento educativo (edutainmente) e pesquisa avançada em um espaço imenso, uma verdadeira cidade cujos edifícios ficam bem distantes uns dos outros separados por gramados floridos e um paisagismo extremamente bem cuidado.

            Futuroscope impressiona primeiramente por sua inovadora Arquitetura, resultado de investigação internacional que incluiu até visitas a Brasília e outras cidades novas por René Mondry, para a “Arquitetura a serviço de uma idéia” com resultados magníficos que recordam experimentos de arte conceitual, instalações artísticas; esta arquitetura é, por sí só, um espetáculo visual que choca e impressiona à primeira vista, mostra-se além da possibilidade da mera  descrição em palavras, pois a observação mais meticulosa dos detalhes dos edifícios evidencia uma sólida pesquisa de materiais de construção diferentes, como fibras sintéticas inovadoras e até mesmo paredes feitas de cachoeiras de água corrente modelando o prédio e isolando o interior, mas mantendo a transparência sob um véu de movimento que permite ver de dentro para fora, mas obstrui o voyer de fora para dentro.

            Edificações redondas, outras irregulares como um cristal vitrificado brotando da terra frente a um lago, tudo em escala gigantesca, um impacto tecnológico que deixa a todos os visitantes boquiabertos e estupefatos como crianças maravilhadas ao entrar dentro de um futuro de infitas possibilidades.

            Logo na entrada peguei um fone de ouvido com diversos canais que efetua a tradução simultânea do francês, obviamente, como brasileiros e portugueses nunca vão lá, só é disponível a tradução em Espanhol (virando os botões também encontrei Inglês com sotaque da Inglaterra e Alemão), o aparelho impressionantemente funciona com infravermelho, não emprega ondas Hertz (O Futuroscope é em um vale e as ondas curtas da vibração infravermelha não dispersam, é como Amplitude Modulada do rádio empregando outras faixas do espectro da luz), é uma das inovações tecnológicas, empregando tecnologias da luz, como as telecomunicações empregando as vítreas fibras opticas e as holografias.

            O sentimento é de estar mesmo  dentro de uma utopia, uma cidade do futuro com qualidade de vida européia, ritmo europeu, sem estresse e com relaxante visual paisagístico.

            O Futuroscope oferece mais de 40 opções, das 10 horas da manhã até as 19 horas-horário final dos taxis de retorno e do trem (TGV) para Paris, conseguí visitar apenas sete das quarenta ( O Futuroscope exige muitos dias de visita!) as sete foram as seguintes:

1) Videowall de 850 telas no Pavilhão La Vienne, mostrando um panorama sócio-econômico-cultural da região.

2) “Vienne Dinamique”- um simulador com cadeira que move-se sincronizada à tela, em um vôo pelas cidades, vales floridos, flora e fauna local-chegando a descer de uma panorâmica sobre a catedral até um zoom em câmera subjetiva para os paralelepípedos de granito do calçamento e entrando pela janela de uma casinha do vilarejo para ver a cozinha, o mesmo das copas das árvores até um rasante sobre um lago e um mergulho dentro dele; impressiona o filme ser feito todo sem cortes, como uma câmera constante e ultra-veloz que mesmeriza pela vertigem e dá uma sensação subliminar de conhecer bem toda a região, mais do que diversas visitas fariam.

3) Pavilhão a Comunicação-a história das formas de comunicação das cavernas aos satélites, empregando raios LASER coloridos gerados em fibras opticas.

4) Showscan-cinema que emprega película mas no ritmo de 60 quadros por segundo (o tradicional usa 24 fotogramas por segundo), e este ritmo sobrecarrega a visão, cria uma indescritível ilusão de realidade que deixa o labirinto do ouvido interno iludido dos movimentos da tela, é difícil ficar em pé depois da sessão.

5) Tapete Mágico- A projeção ocorre simultaneamente na parede e teto e sob os pés em um galpão fundo sob o piso de vidro, acompanhamos uma mariposa francesa que migra sobre o atlântico, cruzando o oceano para cruzar nas florestas petrificadas do Canadá francês, de novo em câmera subjetiva voamos dentro de uma revoada de irmãs-mariposas sobrevoando ilhas, tempestades e navios petroleiros guiados por satélites, impossível não identificar-se com o inseto e seu ecossistema.

6) Omnimax-Cinema redondo com 360 cadeiras inclinadas, quase deitadas, onde o teto é uma tela que ocupa todo o campo de visão, dando outro tipo de sensação de imersão.

7) Hologramas-no prédio cristal, exposição de hologramas, processo holográfico gerando arte, holoarte, tecnologia laser em imagens coloridas perfeitas e tridimensionais que eu nunca tinha visto antes.

Devido ao tempo exígüo, das 40 opções só visitei estas sete, faltando 33.

Este contato vivenciando tecnologias de ponta  faz refletir sobre os novos suportes de arte e de arquitetura, e novas formas velozes de transmissão de dados por espectro da luz-infravermelho, raios gama, etc, além de fibras opticas manufaturadas em gravidade zero e holografias coloridas.

Tudo isto fez-me recordar da teoria lançada em 1993 por Régis Debray, a MIDIOLOGIA , que ocupa-se da eficácia dos meios de comunicação, os Média, retomando conceitos do Canadense Marshall MacLuhan, pois os suportes das mensagens-signagens culturais vem sofrendo um processo de suavização; pesadas esculturas, alto-relevos  e mosaicos de pedrinhas eram colados às paredes dos castelos e catedrais, integradas à arquitetura, parte do Imóvel; depois os afrescos pintados ainda colados ao gesso das paredes e depois as tapeçarias e quadros pintados com tinta a óleo em madeira que podiam ser transportadas e eram feitas em suporte mais leve, então as pinturas em tela que podiam ser enrroladas, bem móveis, seguidas da Televisão, Rádio, Holografia e Internet. 

Futuroscope foi uma experiência de vida, a ser rememorado e estudado, e planejo em breve voltar lá com mais tempo.

           

 

           

FUTEBOL, DISLEXIA E TREINAMENTO por vicente martins

Li uma vez, na Revista Veja, em junho de 2003,  artigo de Claudio de Moura Castro, sob o título Lições de Futebol,  em que o articulista assinala que os métodos de alfabetização em leitura não podem se vistos como autos-de-fé, isto é, não podemos avaliar os métodos de ensino de leitura como juízes de um tribunal de inquisição.

Deduzi da leitura do artigo que, dependendo de cada caso, métodos como o fônico e o global podem ser aplicados aqui ou alhures, sem um juízo de valor a priori. Assim também são os modelos de intervenção para os que apresentam dificuldades específicas de aprendizagem em linguagem que, baseados em métodos convencionais de lectoescrita, não se aplicam a qualquer situação de crianças que apresentam dificuldades em leitura (dislexia), escrita(disgrafia) e ortografia(disortografia).

A leitura do artigo nos leva a especular um modelo de proposta de intervenção para os casos de dislexia fonológica, se fizermos aqui uma comparação entre a leitura e o futebol, assim:o futebol é um esporte disputado em dois tempos, de 45 minutos, por duas equipes de 11 jogadores cada, no qual é proibido (exceto aos goleiros, quando dentro da sua área) o uso dos braços e mãos, e cujo objetivo é fazer entrar uma bola redonda no gol do adversário.

Assim como o futebol é o tempo escolar. São 45 minutos o tempo regular de uma aula, mas, em geral, são dois tempos dedicados exclusivamente às sessões de leitura, escrita e ortografia, durante as aulas de língua portuguesa. Os disléxicos são como goleiros que atuam no gol (camisa 1) e são os únicos a terem direito de tocar a bola com a mão (mais tempo dedicado ao tempo da leitura), desde que o façam na grande área de seu campo (obedecendo as regras estabelecidas pelo professor orientador).

 

Os disléxicos são “jogadores” que cometem muitas faltas durante as “partidas de leitura”. Eles cometem “transgressão das regras de um jogo ou esporte da leitura.

Nosso objetivo, como educadores dos que apresentam dificuldades específicas em leitura, em particular, no processo de  intervenção psicopedagógica, é evitar as infrações leitoras como: (1) dificuldade de ler palavras isoladas; (2) dificuldade especial em decodificar palavras sem sentido ou desconhecidas; (3) compreensão de leitura em geral superior à decodificação das palavras soladas; (4) leitura oral imprecisa e trabalhosa; (5) leitura lenta e (6) ortografia deficiente.

Os disléxicos, disgráficos e disortográficos, todavia, mesmo na condição de goleiros, são considerados pelo time, técnico e torcido e, como trabalhadores, são remunerados (avaliação leitora) como os demais  jogadores do futebol: podem utilizar suas habilidades lectoescritoras apenas dentro de sua área cognitiva (memória) ou metacognitiva (compreensão), cujo objetivo é interpretar a mensagem escrita, isto é, atribuir sentido ao texto lido.

As crianças que têm dificuldade, no campo de “futebol leitor”, têm dificuldades em ler e enfrentam no “campo leitor” dificuldades com a leitura em voz alta e  com a ortografia quando têm de codificar (chutar), isto é, converter os sons em letras.  Na aparência são bons jogadores, mas, na partida, fracassam. Não é uma incapacidade ou deficiência, mas têm uma necessidade educacional especial. Não são desleixados, mas diferentes e a escola (clubes de futebol, juntamente com a torcida) precisa respeitar seus limites cognitivos.

Ocorre, como vimos, que o resultado do fracasso leitor, para os disléxicos, disgráficos e disortográficos, sempre é inesperadamente insatisfatório para os pais e professores e muito angustiante para os alunos, o que vai exigir maior treinamento até que enfrentem, com êxito, a próxima equipe “adversária” (avaliação leitora).

 Os disléxicos perdem, em geral, a partida, isto é, deixam de ler com acurácia, com relação à leitura inicial (decodificação), deixando de fazer um número de pontos (habilidades leitoras) necessário para que entenda de forma acurada a leitura de texto lido. Perdem o primeiro ou segundo tempo, mas não significam que estarão sempre em times de segunda divisão. Uma vez sistematicamente treinados poderão alcançar um nível de proficiência leitora como os demais jogadores(leitores).

A subvocalização é um indício de que, no “campo da leitura”, os disléxicos foram mais lentos uma vez que ficam, diante do texto escrito, “ articulando (palavras) silenciosamente ou de modo quase inaudível” quando lêem sozinhos, isto é, quando estão com a “bola no pé” e  são os próprios jogadores ou sujeitos leitores.

No entanto, perder uma partida não é perder o campeonato do “jogo da leitura”.  Terão que, na preparação rotineira e sistemática do “campeonato da leitura”, no decorrer da sua vida escolar, desenvolver sua capacidade de desenvolver sua aprendizagem através da leitura, escrita e cálculo.

Aprender a ler de forma acurada, para os disléxicos, é como ganhar um campeonato ou mesmo ganhar na loteria em que, no final do “certame”, “torneio” ou “disputa” será a eles concedidos o  título de campeão ao vencedor.

A preparação dos disléxicos, disgráficos e disortográficos para o “campeonato da leitura” se dá através de treinamento, ou mais, precisamente, de programas de treinamento específico em seus pontos fracos, levantados na anamnse psicopedagógica. O treinamento, por exemplo, da consciência fonológica, é de uma importância para que os disléxicos desenvolvam a habilidade de decodificação leitora sem a qual vai persistir a subvocalização durante sua leitura em voz alta.

É o treinamento ou programa específico das habilidades leitoras o caminho mais seguro para: (1)  o desenvolvimento da habilidade de ler, escrever e ortografar; (2)   aquisição do conhecimento metafonológico (a consciência fonológica e fonêmica da sua língua materna);  (3)  prática de leituras de diversos gêneros textuais e (4)  produção de textos diversos, de modo a assegurar-lhes a experiência adquirida em lectoescrita.

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

EDUCAÇÃO EM VALORES por vicente martins

 

 

          Pergunto à minha filha Mariana, de 11 anos, o que pensa da seguinte situação: um pai, vendo um filho passar fome, resolve roubar alimentos em um supermercado no bairro em que mora. Ele agiu certo ou errado ao cometer esse delito?”. Ela me responde: “Acho que ele agiu certo porque ao ver o filho com fome não suportou  a cena de  miséria em sua casa e  não teve saída senão roubar. Por outro lado, também agiu errado por ter roubado o supermercado; afinal, roubar é uma ação feia”.

         O que Mariana chama de “ação feia” um promotor, membro do Ministério Público, que representa a sociedade e atua como acusador contra os suspeitos de terem cometido alguma ação criminal,  poderá definir o  ato do pai  como “ apropriação indébita de bem alheio” e  um júri, formado por um juiz togado e cidadãos previamente selecionados  para o  julgamento do caso,  poderá julgar a prática do pai   como uma  transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão.

O exemplo acima pode nos dar uma idéia da complexidade que é viver em sociedade. A luta por um mundo melhor, por uma civilização mais humana, mais democrática e mais justa tem sido historicamente construída pelo homem. 

Atualmente, os governos, as organizações não-governamentais e os cidadãos do mundo lutam pela eqüidade. O que é a eqüidade? É uma forma de praticar a Justiça, isto é, o respeito à igualdade de direito de cada um, que independe do que está escrito nos códigos jurídicos.  No século XXI,  a sociedade, civil e política, quer que todos pratiquem a eqüidade como expressão de  um sentimento do que se considera justo,  que seja expressa em forma de  virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos dos homens.

 Por isso, na Filosofia, a ética é o  ramo de estudos que cuida particularmente de investigar os princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Podemos observar que as ações humanas,  em face de sentimentos,  estímulos sociais ou de necessidades íntimas,  requerem, para a boa convivência na vida social,    bons costumes, boa conduta, segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade.  Uma pessoa,  mesmo com as mais contundentes e sensíveis justificativas,  em  situação de privação material ou  situação de fome, comete um crime ao roubar para alimentar-se. Roubar é um ato que fere a moral e os bons costumes.

 Os valores não surgem na vida  em sociedade como um trovão no céu. São construídos  na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nas manifestações culturais, nos movimentos e organizações locais. Conhecê-los, compreendê-los e praticá-los é uma questão fundamental da sociedade atual, imersa numa rede complexa de situações e fenômenos que exige, a cada dia, atitudes éticas como  a honestidade, a bondade e a virtude, considerados, em todas as civilizações modernas,  como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens.

 Sem a prática de valores, não podemos falar em cidadania. A cidadania é condição de pessoa que, como membro de uma sociedade, independente da cor de sua pele, raça ou classe social, se acha no gozo de direitos que lhe permitem participar da vida política e, outrossim, pode viver, como um indivíduo que usufrui de direitos civis e políticos garantidos pelo  Poder Público e desempenha os deveres que, nesta condição, lhe são atribuídos para viver em sociedade.
  Entre as diferentes ambiências humanas, a escola tem sido, historicamente, a instituição escolhida pelo Estado e pela família, como o melhor lugar para o ensino-aprendizagem dos valores, de modo a cumprir, em se tratando de educação para a vida em sociedade, a finalidade do pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mundo do trabalho.

Sendo assim, caberá às instituições de ensino a missão, por excelência, de ensinar valores no âmbito do desenvolvimento moral dos educandos, através da seleção de conteúdos e metodologias que favoreçam temas transversais (Justiça, Solidariedade, Ética etc) presentes em todas as matérias do currículo escolar, utilizando-se, para tanto, de projetos interdisciplinares de educação em valores, aplicados em contextos determinados, fora e dentro da escola.

COMO a LDB CONCEBE A APRENDIZAGEM por vicente martins

A Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (LDB), promulgada em 1996, é uma lei emanada do Congresso Nacional. Como lei 9.394/96, deve ser cumprida e respeitada. No entanto, para os educadores, deve ser tomada, também, como uma espécie de livro sagrado e, sendo assim, reverenciada.
  Na Lei da Educação, são muitas as acepções de aprender que podemos depreender a partir da leitura de seus dispositivos legais referentes à educação escolar. 


São estes princípios, indicados abaixo, um importante exemplário de conduta para diretores, professores, pais e alunos e, por isso mesmo, devem nortear, à guisa de um decálogo da boa aprendizagem, às práticas escolares:1. A liberdade de aprender como principio de ensino (Inciso II, art. 3º, LDB): cabe ao educador a tarefa de, no âmbito da instituição escolar, ensinar a aprender, mas respeitar, como princípio, a liberdade de aprender. Só se aprende a aprender, papel fundamental da escola, na sociedade do conhecimento, com espírito de liberalidade, com espírito de liberdade de perceber, conhecer e aprender a ver o mundo com os olhos de um ser livre. Ensinar só tem sentido, no meio escolar, quando a liberdade é guia para a ação de aprender. 

2. A garantia de padrões mínimos de qualidade de ensino para desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. (Inciso IX, art. 4º, LDB): cabe ao poder público, através dos governos; às famílias, através dos pais e responsáveis e à sociedade, como um todo, ofertar um ensino de qualidade. A qualidade de ensino só pode ser medida sob enfoque da aprendizagem. Não há qualidade de ensino quando o aluno deixa de aprender. Não há aprendizagem sem a garantia, a priori, de que as condições objetivas de aprendizagem estão hoje e serão permanentemente asseguradas: dinheiro direto na escola e gestão democrática de ensino.

3. O zelo pela aprendizagem dos alunos como incumbência dos docentes (Inciso III, art. 13, LDB ): aos docentes, o zelo pela aprendizagem do ensino é, antes de tudo, uma questão de compromisso profissional, ético, e resulta de uma atitude deontológica e ontológica perante seu papel educador na sociedade do conhecimento. Quando o aluno deixa de aprender, por imperícia ou incapacidade pedagógica, a escola perde o sentido de existir. Os alunos vão à escola para aprender a aprender, formar as bases de sua cidadania, para um exercício de co-cidadania, a partir do conhecimento do mundo e dos valores da sociedade.

4. A Flexibilidade para organização da educação básica para atender interesse do processo de aprendizagem (art. 23, LDB): À escola cabe a tarefa de patrocinar todas as formas eficazes de aprendizagem. O que interessa aos pais e agentes educacionais é a aprendizagem dos alunos. 
Se for preciso, deve a escola desmontar a estrutura antiga, mesmo que tenha sido a melhor referência educacional no século anterior. O importante é a escola fazer funcionar o ensino que garanta a aprendizagem dos alunos. A sociedade do conhecimento não se fossiliza mais em modelos, em paradigmas acabados: o paradigma novo, no meio escolar, é o devir, é a mudança constante.

5. A verificação do aprendizado como critério para avanço nos cursos e nas séries (item c, inciso V, art. 24, LDB): Quem aprende a aprender, isto é, passou a ser capaz de aprender com a orientação docente, deve ser incentivado a ir adiante e, seu tempo escolar, deve ser, pois aligeirado ou abreviado. A escola não pode ficar, com o aluno, mais de uma década, engessando seu andar, seu pensar, seu aprender. A escola é meio. A escola não é fim. O fim da escola é a sociedade. O fim da sociedade é humanidade, com toda carga semântica que esta palavra sugere no tempo e no espaço. O fim escolar, pois, é estar bem em convivência, em sociedade. Assim, a aprendizagem vem da interação. O que a escola deve ensinar é a estratégia de interagir, de aprender na socialização de idéias e opiniões, para que o aluno, desde cedo, se prepare para ação no meio social. É a vida social a verdadeira escola de tempo integral.

6. O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo, como estratégia para objetivar a formação básica do cidadão no ensino fundamental (Inciso I, art. 32, LDB): Ninguém nasce aprendiz, embora todo ser nasça para aprender. A capacidade de aprender deve ser, pois, desenvolvida nos primeiros anos escolares. Para tanto, devem ser definidas, desde logo, nas escolas, as estratégias de aprendizagem que priorizem a leitura, a escrita e o cálculo. O que fazemos na sociedade do conhecimento depende unicamente da leitura, escrita e o cálculo. Por isso, deveriam ser as três únicas disciplinas do currículo escolar. A escola não deve se ocupar de domesticar, isto é, passar a ser, coadjuvante, de um aparelho ideológico do Estado ou da sociedade política, de natureza coercitiva, assim como, historicamente, vem procedendo a Igreja e a Justiça. A escola deve unicamente preparar seus alunos para a vida em sociedade, para a prosperidade material e comunhão entre os homens.

7. O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores para objetivar a formação básica do cidadão no ensino fundamental (Inciso III, ar. 32, LDB): cabe à escola desenvolver estratégias para fortalecer a memória de longo prazo (MLP) dos educandos. A aprendizagem é o assegurar de informações e conhecimentos, por parte do educando, no seu “estoque de informação na memória”. Quem memoriza, pensa mais. Quem pensa mais, aprende mais. Quem aprende mais, emancipa-se mais cedo. O homem só aprende quando é capaz de manipular o que produz, os objetos, as mercadorias e as máquinas. Uma criança que depende de uma simples máquina de calcular para saber quanto é 2 + 2, ou 2 X 2 ou 2 X 9 ou 2 X 2,897 não está preparada para resolver, no mundo, de cabeça, soluções domésticas, cotidianas, imediatas, em interação com outro, que exigem, em ação rápida, uma decisão pronta, às vezes, uma questão de valor para a vida social. Aprender é espécie de gol de placa quando a bola não cai no pé mas na cabeça.

8. A adoção no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem,. (§ 2º, art. 32, LDB): cabe à escola criar as condições de aprendizagem, através de oferta das mais diversas e criativas formas de aprender, e não temer que seja avaliada por métodos inovadores, antigos, ou tradicionais. Por isso, a escola, pensando e agindo bem, fazendo com que seu aluno sempre venha a progredir, deve constantemente atualizar ou mudar seu ritmo de acesso aos saberes, e assim, seus docentes, devem estar atentos para as formas de avaliação que vão se desenhando nas instituições educacionais, não como forma de controle pedagógica, mas como forma de verificar se estar valendo a pena a mudança ou a alteração dos modelos novos instaurados no meio escolar. Mudar é preciso para a garantia da ação de aprender.

9. A garantia às comunidades indígenas da utilização, no ensino fundamental, de processos próprios de aprendizagem. (§ 3º, art. 32, LDB): aos índios e a todos os representantes das minorias, incluindo os pobres e negros, devem ter assegurados critérios justos de avaliação pedagógica. Devemos tratar igualmente a todos por suas diferenças. Isso requer mais trabalho, maior suor dos docentes, mas cumpre um papel importante de eqüidade na sociedade de classes. Quem respeita as minorias, transforma a escola em excelência de eqüidade. 

10. A continuidade do aprender como finalidade do ensino médio para o trabalho e a cidadania do educando (inciso II, art. 35, LDB): quando concluímos a educação básica, devemos ser estimulados a seguir a caminhada rumo à Universidade, instância da educação superior. Lá, somos realfabetizados e descobrimos que aprender é um continuum: aprender é um processo que se dá, inicialmente, no meio escolar, mas perdura, por toda vida, na sociedade. Aprender é como beber água: é bom demais.

 

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

COMO INTERVIR NOS CASOS DE DISLEXIA ESCOLAR – por vicente martins

 

 

Para uma eficaz intervenção psicopedagógica nos casos de dislexia, disgrafia e disortografia, há necessidade de o profissional descrever a situação para poder explicar perante aos pais e à escola o que ocorre no cérebro das crianças com necessidades educacionais específicas. Isto significa dizer que terá a missão de  representar fielmente o caso do disléxico em seu plano de trabalho, por escrito ou oralmente, no seu todo ou em detalhes. É através da descrição que o Profissional  fará relato circunstanciado das dificuldades lectoescritoras, de  modo a explicar, em seguida, as dificuldades lectoescritoras caracterizadas na anamnese. 

Uma descrição rica de detalhes historiais dos educandos com necessidades educacionais permitirá uma melhor elucidação das dificuldades de aprendizagem lectoescritoras e, também, justificará medidas mais seguras e eficientes no momento da avaliação e da intervenção psicopedagógica.
 
 
 

 

Outro verbo a ser conjugado pelo psicopedagogo é o de avaliar para intervir e a partir solucionar ou compensar a dificuldade do educando.  Assim, descrito e explicado o caso psicopedagógico, o profissional que atua com as crianças, jovens ou adultos com dislexia, disgrafia ou disortografia poderá verificar, objetivamente, os dados das dificuldades levantados junto aos professores, pais dos alunos e os próprios alunos. A pauta, protocolo ou ficha de observação quanto mais ampla mais eficaz. As avaliações escolares tradicionais também não podem ser descartas ou negligenciadas uma vez que são verificações que objetivam determinar a competência do educando.
 
 
 
 

 

A intervenção psicopedagógica deve ocorrer quando o profissional se sente seguro teoricamente para praticar atividades que atuem diretamente nas dificuldades dos educandos disléxicos, disgráficos e disortográficos. A intervenção psicopedagógica é uma capacidade, advinda da experiência, de fazer algo com eficiência. Em geral, é um período em que alunos deixam, em algumas horas do seu tempo regular de estudo escolar, na própria instituição de ensino, a sala de aula e passam a receber treinamento específico para a superação de suas dificuldades. 

 

Para ilustrar no artigo com exemplos reais de casos de dislexia, vamos expor, de forma sintética, relatos de pais, profissionais de educação da fala e educadores sobre dificuldades específicas na linguagem escrita de seus filhos e educandos:

 

 1º caso -  Fui chamada na escola de meu filho porque ele tem problemas com a escrita, faz trocas de letras como v/f, d/t, ele tem 9 anos está na terceira serie, pediram para que o leve para fazer uma avaliação com uma fono, queria saber se este caminho que devo seguir, ou o que devo fazer grata “

 

 

2º caso

– “Tenho uma paciente de 27 anos que apresenta algumas dificuldades na escrita e na fala. Em uma das atividades que realizei com ela, a mesma apresentou-se nervosa ao ler,trocando algumas letras. Ao pedir para ela falasse qual o número que estava no dado, a mesma teve dificuldades; tendo dificuldade também em distinguir letras aleatórias, trocando principalmente as letras F e V. A paciente relata ser muito agressiva querendo bater nas pessoas e não gosta de “conviver” com elas. Sente ódio de todos.Gostaria de saber como faço para verificar se ela pode ter Dislexia?.”
 
 
 

 

 

3º caso – “ Tenho uma filha de 8 anos e meio diagnosticada com dislexia, além de ter disgrafia e disortografia. A Fono disse que a dislexia dele é bem leve. Ela lê razoavelmente bem, apesar de soletrar muitas vezes, principalmente as palavras pouco freqüentes, mas eu acredito que a disgrafia e a disortografia nela sejam um pouco mais severas que a dificuldade de leitura propriamente dita. Ela não consegue escrever uma frase sem cometer vários erros, em palavras que já escreveu várias vezes (sempre escreve valar ao invés de falar, xegou ao invés de chegou, soldade ao invés de saudade entre outras coisas) e a aparência gráfica de sua letra é muito franca, parece de criança ensaiando as primeiras letras. No entanto ela gosta muito de escrever, tem um diário, escreve historinhas, só que é uma luta conseguirmos decifrar o que ela quis dizer.Gostaria de saber, se poderia indicar alguma literatura, que contivesse exercícios  especificamente para disgrafia e disortografia .”

 

Tomando, para a rápida análise e sistematização dos relatos de casos de dislexia acima, muito comuns nas queixas de crianças, pais e docentes, observaremos que, em geral, são estes indícios típicos  de dificuldades em leitura, escrita e disortografia:

 

 (1) progresso muito lento na aquisição das habilidades de leitura;

(2) problemas ao ler palavras desconhecidas (novas, não-familiares), que devem ser pronunciadas em voz alta;

 (3) tropeços ao ler palavras polissilábicas, ou deficiências o ter de pronunciar a palavra inteira;

(4) A leitura em voz alta é contaminada por substituições, omissões e palavras malpronunciadas;

(5) Leitura muito lenta e cansativa;

(6) Dificuldades para lembrar nomes de pessoas e de lugares e confusão quando os nomes se parecem;

 (7) Falta de vontade de ler por prazer;

  8 - Ortografia que permanece problemática e preferência por palavras menos complexas ao escrever;

(9) Substituição de palavras que não consegue ler por palavras inventadas e (10) Problemas ao ler e pronunciar palavras incomuns, estranhas ou singulares, tais como o nome de pessoas, de ruas e de locais, nomes dos pratos de um menu.

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

 

LEONARDO MEIMES comenta em ” A CRIANÇA E O PRAZER DE LER”

COMENTÁRIO:

LEONARDO MEIMES

 

Muito bom. O trabalho que os professores tem feito com a literatura têm literalmente MATADO a leitura. Os professores de língua portugesa tem que perceber que a leitura é a parte principal do aprendizado da língua, não só a leitura da literatura mas em geral. Já é mais do que óbvio que só saber falar, escrever e ler não forma um bom leitor. O contato constante coma leitura é a única forma de realmente praticar o que se aprende. E importante a o uso da literatura como pretexto para ensinar gramática deve ser PROIBIDO. Assim o professor acaba matando a literatura que tem um poder estético intrinseco, artístico e isto é que deve ser mostrado a criança. A literatura de entretenimento tem nesta prática o papel mais importante, leitores não são formados lendo os clássicos. Primeiramente é necessário um contato com leituras fáceis e divertidas para depois e aos poucos se introduzir leituras mais complexas. Obrigada pela contribuição Graziele. é sempre importante relembrar a todos que a literatura é um objeto do prazer de ler e não da obrigação de ler para passar de ano ou no vestibular.

 

veja o tema: AQUI

KEVEN comenta em “COMO ACABAR COM A VIOLÊNCIA NA ESCOLA”

COMENTÁRIO:

KEVEN

1.      A violência na escola
Os meios de comunicação audiovisual, não raras vezes retratam acontecimentos violentos protagonizados pelos alunos nas escolas. De facto, “inverteram-se os papéis; os métodos violentos de alguns professores eram tradicionalmente mais frequentes no mundo escolar: castigo físico, humilhações verbais…” (Fermoso: 1998:85). Actualmente, os professores não podem exercer qualquer tipo de castigo aos alunos sob pena de sofrerem sanções disciplinares, mas e os alunos? Que perfil apresentam os adolescentes que se envolvem em actos de violência nas escolas portuguesas?
Um estudo realizado em 2001 por Margarida Matos e Susana Carvalhosa baseado em inquéritos a 6903 alunos de escolas escolhidas aleatoriamente, com as idades médias de 11, 13 e 16 anos, analisaram a violência na escola entre vítimas, provocadores (incitação na forma de insulto ou gozo de um aluno mais velho e mais forte do que o outro) e outros (similarmente vítimas e provocadores) demonstram os seguintes dados bastante curiosos:
o Mais de metade dos alunos inqueridos são do sexo feminino (53.0%);
o 25.7% dos jovens afirmaram terem estado envolvidos em comportamentos de violência, tanto como vitimas, provocadores ou duplamente envolvidos;
o As vítimas de violência são maioritariamente masculinas (58.0%);
o Os inqueridos que se envolveram em comportamentos de violência em todas as suas formas situavam-se nos 13 anos de idade;
o Os jovens provocadores de violência são aqueles que têm hábitos de consumo de tabaco, álcool e mesmo de embriaguez. Também são os que experimentaram e consumiram drogas no mês anterior à realização do inquérito;
o Quanto às lutas, nos últimos meses anteriores ao inquérito, 19.08% dos jovens envolveram-se em comportamentos violentos;
o Os vitimados pela violência, são os que andam com armas (navalha ou pistola) com o intuito da sua própria defesa;
o Os adolescentes que vêem televisão quatro horas ou mais por dia são os que estão mais frequentemente envolvidos em actos de violência;
o As vítimas e os agentes de violência não gostam de ir à escola, acham aborrecido ter que a frequentar e não se sentem seguros no espaço escolar;
o Para os actores de violência a comunicação com as figuras parentais é difícil;
o 16.05% das vítimas vive em famílias monoparentais e 10.9% dos provocadores vive com famílias reconstruídas;
Quanto aos professores, os alunos sujeitos e alvos de violência consideram que estes não os encorajam a expressar os seus pontos.

 

veja o tema: AQUI

COMO A LDB TRATA OS PROFISSIONAIS DE ENSINO – vicente martins

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dá diferentes títulos aos profissionais de educação escolar: professores, docentes e profissionais de ensino. O que pode estar por trás dessa nomenclatura do ponto de vista do legislador e dos que atuam no campo educacional? Que incumbências são outorgadas aos docentes dos estabelecimentos de ensino?

No meio social, professor é todo que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. É um termo bastante abrangente e equivalente a mestre, este, mais utilizado no período imperial, por força da Constituição de 1824 e da Lei de 15 de outubro de 1827 que chamavam mestres todos aqueles que exerciam uma “cátedra”.

À luz da legislação federal, todos aqueles profissionais de educação escolar, em particular, os das redes oficiais de ensino, que ingressam, no serviço público, através de concurso público de provas e títulos, são, portanto, detentores de cargos públicos, e, por isso, têm incumbências enumeradas ou responsabilidades explicitadas pelo Estado.

No inciso VII, do artigo 3º da LDB, no âmbito dos Princípios e Fins da Educação Nacional, o concurso público, princípio de ensino, é uma forma de valorização do profissional dos que trabalham no magistério oficial. No referido inciso, ainda podemos cogitar a possibilidade de entendermos o espírito da lei de dar um sentido mais genérico à figura do profissional da educação escolar, o que englobaria, no nosso entendimento, não apenas aqueles que estão atuando em sala de aula, ministrando aulas, mas que fazem parte da escola, como servidores que trabalham como porteiros, secretários escolares, coordenadores pedagógicos ou diretores da escola.

A LDB, assim, ao referir-se aqueles que profissionais que têm cargos efetivos de professores os chamam de docentes. A escola, por sua vez, zelando pela valorização profissional de educação escolar, tem a incumbência inalienável de envolver os docentes no seu processo de construção ou gestão escolar.

No inciso IV, do artigo 12 da LDB, os estabelecimentos de ensino receberam a incumbência de velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. Assim, na organização nacional da educação nacional, os docentes são importantes agentes no projeto pedagógico da escola, o que exige da parte da gestão escolar, o zelo pelo seu plano de trabalho docente, o PTD, que deve ser, por sua vez, afinado (não necessariamente atrelado a) com a proposta pedagógica da escola.

 O artigo 13 da LDB é reservado exclusivamente aos docentes. Pelo menos, são seis as incumbências dos docentes, isto é, dos profissionais de ensino que têm cargos ou funções específicas ou especializadas na escola.

A primeira incumbência magisterial, prevista no inciso I da artigo 13 da LDB, determina que cada docente deva participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. A participação ativa do docente se faz necessária à elaboração da proposta pedagógica uma vez que a escola, efetivamente, só se realiza, enquanto estabelecimento de ensino, com a presença física dos docentes, ou seja, de profissionais da educação escolar que, habilitados, em nível de educação superior, na área de sua atuação profissional, são, regularmente, contratados ou admitidos na atividade de magistério, respaldando, pois, legalmente, a instituição escolar.

A segunda incumbência magisterial, prevista no inciso II da artigo 13 da LDB, determina que cada docente deva elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. O plano de trabalho docente é, ao certo, uma das atividades mais acadêmicas, produtivas e interessantes dos profissionais de ensino. A partir do plano de trabalho, o docente pode assinalar, no período letivo, suas metas curriculares e educacionais. Por exemplo, é a oportunidade de o docente propor e perseguir metas como o fim da evasão escolar e melhorar a qualidade do seu serviço educacional através de uma didática eficiente e eficaz, que tenha por principal finalidade o desenvolvimento da capacidade de aprender e de aprendizagem dos alunos.   

A terceira incumbência magisterial, prevista no inciso III da artigo 13 da LDB, prescreve que cabe ao docente zelar pela aprendizagem dos alunos. Aqui, decerto, reforça, no processo ensino-aprendizagem, a aprendizagem como princípio do bom fazer pedagógico. O componente ensino, centrado no professor, refere-se à organização do material curricular a ser transmitido em sala de aula em prol da aprendizagem que, aqui, passa a ser entendida como a assimilação ou estocagem de conhecimentos e saberes historicamente acumulados pela sociedade.

A quarta incumbência magisterial, prevista no inciso IV da artigo 13 da LDB, diz que cada docente deve estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. Mais uma vez, o aluno, nesse inciso, é o foco da atenção do processo ensino-aprendizagem.

O papel do docente é o de levar o aluno ao desenvolvimento das habilidades e competências requeridas pelo projeto pedagógico ou plano de desenvolvimento da escola.

Se os alunos deixam de aprender, nas condições de oferta de ensino, caberá ao docente assegurar as estratégias de recuperação, para que os alunos com dificuldades de aprendizagem superem seu menor rendimento, isto é, alterem as baixas notas que os reprovam ou que os levam ao fracasso escolar,  convertendo-as em notas boas, dentro da média, que os aprovam e os promovam ao ano seguinte, segundo as regras estabelecidas pelo processo de avaliação.       

A quinta incumbência magisterial, prevista no inciso V da artigo 13 da LDB, traz a seguinte responsabilidade para os que atuam no magistério: cada docente deve ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional. Um dia é considerado eletivo quando, no ambiente escolar, há a presença do aluno e do professor, o que quer dizer a garantia da presença física do professor e a permanência do aluno na escola. A noção de hora-aula sugere, por seu turno, dentro da tradição pedagógica, a aula presencial do professor; claro, utilizando-se, para isso, de todos os recursos dos jogos didáticos, da moderna tecnologia da informática educacional e a internet.   

A sexta incumbência magisterial, prevista no inciso VI da artigo 13 da LDB, define a responsabilidade que cada docente tem de colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

Na essência do inciso VI do artigo supra citado,  a lei parece indicar o grau de descentralização da escola, propondo, explicitamente, que os docentes devam se articular com as famílias e com as comunidades. Os desafios do professor  passam a ser desafios também dos pais e da comunidade. Se o aluno deixa de aprender, a família, em tempo hábil, deve ser comunicada da situação do aluno, não apenas em se tratando das informações de avaliação escolar, mas de sua motivação, curiosidade e interesse de aprender, para que, em regime de co-responsabilidade educacional, participe do esforço docente de recuperar o aluno e não permitir sua retenção no processo educacional.

As comunidades, especialmente as religiosas, sociais e todas as outras formas de organização societária, que agregam e congregam as pessoas da vizinhança, devem ser convidadas a participar das agendas escolares, especialmente quando questões como a violência urbana, desemprego e desmotivação para aprender passam a ser ordem do dia dos agentes educacionais e a ter reflexos preocupantes para o futuro das crianças, jovens e adultos, dentro ou fora da escola.        

Vicente Martins, palestrante, é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará, dedica-se entusiasticamente às dificuldades de aprendizagem relacionadas com a leitura(dislexia), escrita(disgrafia) e ortografia(disortografia).

UMA ANÁLISE SOBRE O FRACASSO ESCOLAR BRASILEIRO – por cibelle maciel

Dos estudos realizados sobre o fracasso escolar, foram formulados três conceitos sobre essa problemática, o fracasso dos indivíduos (Poppovic, Exposito & Campos, 1975), o fracasso de uma classe social (Lewis, 1967, Hoggart, 1957) ou fracasso de um sistema social, econômico e político (Freitag, 1979; Porto, 1981).Para os estudiosos que conceituam o fracasso dos indivíduos, a privação cultural seria a causa desencadeante das dificuldades escolares, devido estes alunos não terem bem estruturados em seu seio familiar a cognição necessária para desenvolver habilidades matemáticas e lingüísticas.

Quanto ao fracasso de uma classe social, os autores conceituam que os próprios membros da classe pobre não valorizam a educação, para estes a evasão escolar não é um problema, visto ser mais importante uma ocupação monetária do aluno para auxiliar no rendimento familiar (Hogart, 1957).

Para Freitag, ocorre uma reprodução cultural, onde os alunos pobres não se desenvolvem devido o próprio sistema escolar não propiciar isso.

Segundo Poppovic é preciso revermos todos esses conceitos de fracasso escolar, no sentido que a escola deve reavaliar as suas metodologias, pois se o aluno é visto como remanescente de uma cultura que não preparou para a aprendizagem, a escola precisa adequar-se a essas exigências individuais, pelo papel social que desempenha.

Em alguns países o estudo sobre o fracasso escolar está avançado, tendo inclusive considerado a etnografia dos alunos, como por exemplo, Labov (1969) acompanhou as diferenças na verbalização das crianças pobres do Harlem em situações informais e formais. Isso significa que a resolução das questões, como as matemáticas muitas vezes dependem do seu contexto.

No Brasil um estudo realizado com alunos pobres em situações formais na escola e informais, onde trabalhavam, demonstrou a habilidade de resolução prática e a dificuldade de sistematizar o que sabiam resolver dentro do ambiente escolar, pois a escola determina uma “estrutura” inacessível para este aluno, devido o seu contexto cultural.

Nos testes, as crianças foram melhores nas situações que envolviam um contexto, ligado às atividades desenvolvidas no comércio, carrinho de pipoca, venda de coco e etc. Enquanto que o teste formal teve resultado inferior.

Na escola é aceito que devê-se ensinar aritmética isoladamente de contextos, essa idéia foi desmentida pelos resultados obtidos na pesquisa.

Podemos concluir que a evolução na aprendizagem matemática reporta-se em muito daquilo que o professor considera do raciocínio lógico desenvolvido pelo aluno, assim como a escola precisa reaver vários conceitos infundados, porque as alunos são diferentes e consequentemente a resolução de um mesmo problema tem formas diferentes de resolução. Além disso, é necessário conhecer quais são as vivências anteriores e atuais desses alunos, para contextualizar o conteúdo de forma significativa.

Bibliografia: CARRAHER, Teresinha N. et all. Na vida dez, na escola zero.São Paulo,Cortez,1990,p 23 a 43.

 

PODEROSOS do MUNDO querem a AMAZÔNIA! BRASILEIROS SE OMITEM. – por hélio fernandes

- Grupo dos 100, que se julgam donos do mundo: “Só a internacionalização pode salvar a Amazônia”. Deputados e senadores da Itália, pátria da “corrupção endêmica” de que falou outro corrupto, o presidente Clinton: “A destruição da Amazônia será a destruição do mundo”.

Ecologistas da Alemanha, reunidos em Congresso: “A única salvação para a Amazônia brasileira é a sua internacionalização”.

 

Mikhail Gorbachov, traidor do seu próprio país, a União Soviética, que entregou de mãos beijadas aos piores interesses multinacionais: “O Brasil deve ceder parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes”.

 

François Mitterrand, quando acabava de obter o segundo mandato de presidente da França, com pequeníssima margem de diferença, no segundo turno: “O Brasil precisa aceitar uma soberania sobre a Amazônia. Mesmo que seja uma soberania relativa”.

 

Ecologistas reunidos nos EUA: “Dois terços do oxigênio do mundo vêm da Amazônia do Brasil. Eles não podem ser o pulmão do mundo, pois não têm competência para isso”.

 

Warren Cristopher, secretário de Estado dos EUA, da mesma linha de John Foster Dulles, Kissinger e outros: “Temos que aproveitar a liderança dos EUA para impor nos países da Amazônia, principalmente o Brasil, a diplomacia da força. E com isso ficarmos com a Amazônia do Brasil”.

 

Outro grupo de verdes da França, ditos democráticos, mas na verdade mantidos por multinacionais exploradoras: “A Amazônia, principalmente a do Brasil, tem que ser intocável, pois é o verdadeiro banco de reservas florestais da humanidade”.

 

Margaret Thatcher, baronesa da privatização mundial, 13 anos no poder na Inglaterra e hoje no mais completo ostracismo: “Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam seus territórios, suas riquezas, suas fábricas, suas reservas”. (O “conselho-intimação-intimidação” de Dona Thatcher foi seguido fielmente pelo governo FHC).

 

Conselho Mundial de Igrejas Cristãs: “A Amazônia é um patrimônio da humanidade. A posse dessa área colossal pelo Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador não pode ser permanente”.

 

Grupos multinacionais, reunidos nos EUA, a pretexto de defender o direito dos índios ianomâmis a terras que correspondem ao território de 27 Bélgicas: “É preciso ratificar e defender o direito dos índios ianomâmis a territórios que pertencem a eles, na fronteira com a Venezuela”.

 

PS - Isso é o que alguns grupos multinacionais e seus testas-de-ferro dizem da Amazônia. E o que poderíamos dizer deles? Pois fiquem sabendo que defenderemos a Amazônia como os chineses defenderam Porto Artur em 1905 da invasão estrangeira: com a própria vida.

 

 

DISNEY VENDEU a ALMA ao DIABO? por flávio calazans

Denúncias sem sentido de subliminares em wesites de fanatismo religioso por toda a Internet.
Navegando a Internet os jovens são surpreendidos com web-sites de um acentuado rancor e ódio, carregados de preconceitos e de fanatismo religioso irracional destilando um amargor sobre cada cantor ou artista ou esportista de sucesso, acusando-o de pacto com o diabo, e até delirantes e agressivas “provas”
de “Subliminares de Satan” , ou o que eles chamam de “Backwarding Masking”, que seriam umas inaudíveis frases invertidas em velhos discos de vinil, algo que originalmente era um velho golpe de marketing de gravadoras inglesas e hoje, contando com mecanismos psicológicos de projeção e muito teatro, encenação e sugestão, tornou-se um golpe de marketing de certos pseudo-pastores mal–intencionados ao cultivar fraudes, seguidos de pseudo-missionários, todos auto-intitulados “pesquisadores de subliminares” que sequer sabem definir o que seja e como funcione um estímulo subliminar.
Eis que surgem enormes e detalhados “estudos” dos desenhos animados Disney para “demonstrar” a existência de “subliminares” com órgãos genitais masculinos, palavras sexuais, homossexualismo, drogas e tudo o que representaria o suposto “culto a Satan” e que ocorreria devido ao pacto ou contrato com o Diabo que teria sido assinado com sangue por algum executivo da Disney.
Os próprios divulgadores destas bobagens e delírios jamais se deram ao trabalho de pesquisar um pouquinho para pelo menos saber a origem de sua ignorância e fanatismo, pensando bem, se lessem ou estudassem não seriam assim fanáticos, a preguiça deve fazer parte dos sintomas destes intolerantes obtusos e suas sandices.
Caso efetuassem uma busca rápida no ‘google’ sobre animais falantes dariam com certeza com o termo FÁBULA, um tipo de literatura educativa e moralista onde os bichos humanizados falam e demonstram bons exemplos em anedotas, ou seja, historietas curtinhas, micro-contos.
Fábulas com um enunciado final, uma MORAL DA HISTÓRIA bem educativa e simples, existem em todos os povos, árabes tem o clássico famoso CALILA E DIMNA de IBN AL-MUKAFA, onde leões e tigres são nobres e chacais são comerciantes ou intriguentos mentirosos, também há fabulas chinesas, japonesas, aborígines australianas, de índios brasileiros, etc… Ou seja, o Gênero Fabula faz parte do imaginário de todos os povos e é um tipo de narrativa folclórica muito estudada, muito valiosa para identificar os valores de cada povo repassados aos jovens por meio destas metáforas coloridas, poéticas, divertidas.
E em sendo folclore, produzido espontaneamente pelo povo, lembre-se que “A voz do povo é a voz de Deus” (Vox populi, vox Dei) ..
Entre os antigos gregos, berço da nossa filosofia e de todo o modelo clássico de literatura e mitologia, o escravo ESOPO escrevia lindas fábulas que existem até hoje sendo narradas pelas avózinhas aos netinhos, uma sabedoria reconhecida e eterna, que figura em qualquer coletânea de literatura.
Na França existiu LA FONTAINE, escritor de belas fábulas igualmente imortalizadas, e parando por aí já se comprovou o valor da Fábula como narrativa válida de um povo ou de toda a civilização, fabula como uma produção cultural humana.
Quer gostemos ou não da multinacional de entretenimento DISNEY, o que ela faz em grande parte de seus desenhos animados nada mais é do que reviver e animar estas velhas fabulas, historinhas com bichos, animais falantes, o mesmo faz Hanna-Barbera e tantos outros animadores incluindo o brasileiro Mauricio de Souza com o elefante Jotalhão dos anúncios de televisão do molho de tomate CICA e sua “turma da Mônica”…
Então, por qual tortuosa razão os fanáticos religiosos dos web-sites e livros destilam tamanho ódio direcionado especialmente á Disney?
A terrível resposta esta trancada nos porões escuros da ERA DAS TREVAS.
Sim, a IDADE MÉDIA, época quando a Igreja Católica dominou a Europa, e neste período de ignorância e retrocesso além da venda de indulgências e perdões papais houve a CAÇA ÁS BRUXAS, a famigerada INQUISIÇÃO.
Neste período negro quaisquer benzedeiras, parteiras, velhas viúvas solitárias morando na floresta fazendo chás e tudo o que ameaçasse o monopólio dos doutores da Igreja e seus médicos formados em universidades dentro de catedrais, tudo era visto como rival, como “PACTO COM O COISA-RUIM” .
Era a época das FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO onde bruxas eram queimadas vivas.
E nos tais processos de caça às Bruxas, baseados no livro Martelo dos Malvados (Malleus Maleficarum) era muito, mas muito comum procurar um DEMÔNIO FAMILIAR, familiar seria um gato preto, corvo, coruja, sapo ou até mesmo uma pulga escondida, uma aranha no teto, qualquer bicho que pudesse ser acusado de ser um diabinho particular deixado pelo DIABO para servir a bruxa que fez com ele um pacto, vendeu a alma ou o que fosse acusada.
O casebre da acusada era vasculhado em busca do tal “Familiar”, o diabrete que falaria com ela dando dicas, ensinando poções, trazendo mensagens de Satanás, o “familiar” era um misto de conselheiro e Office-boy, e após a revista da casa, despia-se a velhinha e procuravam nas dobras de suas rugas, chegando até a raspar os pêlos púbicos na busca de uma única pulga que pudesse ser mostrada como o “familiar” capturado.
Ora, velhinhas solitárias encorajam mascotes como gatos, corujas ou até sapos a viver em suas vazias cabanas, isto era a coisa mais freqüente e até hoje pessoas sozinhas tem pets ou mascotes, e na imundície e sujeira generalizada da Idade Media todos os corpos sujos sem banho tinham pulgas ou carrapatos rastejando nas roupas velhas e surradas, pois cada pessoa mal tinha um único farrapo para vestir na pobreza e ignorância em que viviam forçadas pelo fanatismo religioso.
Deste modo, os animais eram presos junto com as donas, chegavam até mesmo a sofrer TORTURAS para que confessassem ser DEMÔNIOS FAMILIARES (imagine um gato sendo chicoteado, acorrentado, ou tendo a cabeça afundada em um balde cheio de água enquanto um religioso exigia que confessasse! Ridículo seria se não fosse trágico) até hoje existem os autos destes processos vergonhosos que comprovam o cumulo da ignorância dos nossos longínquos ancestrais.
Tais “familiares” chegam até mesmo a ser QUEIMADOS VIVOS em fogueiras, e muitos gatos, corvos, até bodes e porcos foram amarrados pelos religiosos e queimados vivos em praça pública! Quanta ignorância e fanatismo!
Pois aquele povinho ignorante que por sadismo e voyerismo pervertido ia assistir as fogueiras da inquisição saía do “show” repetindo que o animal falava, e cultivando boatos jurando ter ouvido nos gritos desesperados do bode, gato ou porco, palavras humanas amaldiçoando fulano ou beltrano… Estes boatos foram crescendo, acumulando-se e espalhando-se pela Europa toda… Tudo fruto de projeção, de tanto prestar atenção nos urros dos bichinhos sofrendo por um mecanismo que a psicologia chama de projeção, eles imaginavam ouvir frases ou palavras entre os ruídos dos ganidos, miados e balidos dos pobres bichinhos sofrendo dores atrozes nos estertores da morte mais dolorosa, pelo fogo queimados vivos.
(Os celtas e druidas no solstício costumavam queimar um sacrifício humano junto a diversos animais em um espantalho gigante chamado HOMEM DE PALHA, existem filmes sobre estes rituais pré-romanos)
Assim, dos pobres animais queimados vivos e gritando, surgem reforços das historinhas religiosas dos DEMÔNIOS FAMILIARES, e com o passar dos séculos surgem Lutero e Calvino, a Reforma Protestante do Cristianismo, mas o costume de queimar bruxas continua em diversas destas seitas.
Algumas sub-seitas neo-neo-pentecostais hoje em dia, perdidas e desorientadas, crescendo nos guetos e periferias miseráveis e pobres ao extremo, com seus crentes ou fieis sub-alfabetizados, trabalhadores braçais desqualificados e com escasso acesso a leitura, reproduzem desordenadamente mitos de animais que falam como demônios pertencendo a quem fez pactos e vendeu a alma ao Diabo.
Como sua quase única mídia é a televisão, os animais falantes estão nos comercias de produtos feitos em computação gráfica e principalmente NOS FILMES DE DESENHO ANIMADO DA DISNEY.
Esta é a explicação de tamanho ódio cego pela Disney, a ignorância, maldade e vontade de manipular para pedir dízimos, em um esforço para ver nos ratinhos Mickey e patinhos Donald demônios, pois animais não falam, se fosse o desejo de DEUS falariam, como só falam na televisão, que é “A caixa do Diabo”, logo são demônios do mal e as crianças devem ser poupadas de ver o mal.
E por esta tortuosa forma de pseudo-pensamento recheado de falácias e sofismas resultantes do mais ignorante fanatismo religioso, cultiva-se um ódio cego e rancoroso a Disney, que por ter sucesso e dinheiro demonstraria ser do mal (por esta lógica deturpada, ter sucesso sempre seria uma evidencia indiscutível de pacto com o Diabo, de ter vendido a alma como Fausto).
Por conseguinte, em sendo a Disney cheia de animais falantes, todos seriam endiabrados, ou como eles dizem: “Encapetados” , desde os faxineiros até os diretores, quem vender uma revista ou boneco Disney seria um aliado do mal a ser queimado vivo (e surge a singela cantoria dos evangélicos: “Queima ele, Jesus, queima ele” que é o supra-sumo do anti-Jesus, o oposto da palavra de Jesus Cristo que pregava o amor e o perdão).
Seguindo esta parodia terrível do que poderia ser um raciocínio eivado de falácias, sofismas e extrema maldade e perversidade distorcendo tudo para atender aos interesses lucrativos de “missionários”, “Pastores”, “Irmão Obreiro” ou “Bispo” que hoje fazem uso até da Internet para arregimentar soldados de Cristo, ou coletar dízimos, por estes aproveitadores desavergonhados que exploram a boa fé e simplicidade do povo, ainda chegam ao cúmulo de falsificar capas de DVDS ou cartazes dos desenhos animados Disney para “denunciar” os “SUBLIMINARES DE SATAN” que comprovariam os tais pactos.
O pior é que mesmo adolescentes com possibilidade de desmentir estas fraudes com a mais breve pesquisa caem neste discurso mentiroso, sensacionalista, paranóico e fanático, aceitam os pretensos “subliminares” diabólicos sem o menor senso critico e ainda espalham esta TEORIA CONSPIRATÓRIA irresponsavelmente, sem pensar que o vendedor de balas do semáforo pode vir a ser linchado por vender biscoitos com o Donald impresso, ou que o aposentado da banca de jornais pode ser queimado vivo dentro de sua banca pelo “pecado” de ter revistas Disney a venda!
Basta procurar Fábulas, Esopo, La Fontaine, Al-Mukafa e tantos outros termos no ‘Google’ e confirmar, a fabula é um gênero literário universal, não foi criado pelo Disney em troca de um pacto de sucesso vendendo a alma ao Diabo!
E o ponto final na ilogicidade de tais fanatismos: O Diabo tentou Eva para que comesse a maçã de livre e espontânea vontade, fazendo uso de seu livre-arbítrio … Caso o Diabo tivesse usado subliminares e forçado Eva a comer, ela não teria feito livremente como sua escolha, então não teria pecado, pois o pecado é livremente escolhido pela pessoa.
Este argumento Teológico explica a razão religiosa pela qual NUNCA poderiam existir mensagens subliminares que levassem as pessoas a adorar o Diabo, o Diabo NUNCA teria feito isto, pois seria burrice, ele jamais conseguiria nenhuma alma com subliminares.
Subliminares são mensagens escondidas que influenciam tomadas de decisão posteriores, despercebidas, e anulam a livre-escolha, sem livre-arbitrio, qualquer contrato de compra e venda é NULO, assim, o contrato pecaminoso de vender a alma ao Diabo influenciado pelos tais supostos subliminares é NULO!
NUNCA o Diabo, retratado como tão ardiloso, teria apelado para um expediente subliminar no qual ele próprio sairia perdendo.
Todos que pregam isto dos Subliminares de Satã em seus web-sites ilustram sua mais profunda ignorância ou talvez sua maldade e perversidade disseminando ódio e intolerância para auferir lucros com o pavor e paranóia que cultivam nas mentes mais fracas ou indefesas.
Cabe a cada um que ler este texto confirmar os dados citados e repassar para todos que caem neste golpe dos Subliminares de Satã, quanto mais gente souber, menos mal será feito, menores as chances de inocentes trabalhadores serem linchados ou queimados vivos.
Ajude este mutirão de esclarecimento repassando a todos teus correspondentes este texto.

Flávio Calazans | MENSAGEM SUBLIMINAR NA MÚSICA:BACKWARD MASKING-PALÍNDROMOS PARA PATETAS?
Muitas vezes sou procurado para falar sobre entidades metafísicas ou mitológicas que supostamente estariam inserindo subliminares na música popular, são os famigerados SUBLIMINARES DE SATÃ.
Como cansei de repetir sempre a mesma coisa, vou explicar este mistério pela última vez.
Tudo exige conhecer um pouquinho de História para saber como tudo começou, as origens do problema.
Após a REFORMA, alguns protestantes na Inglaterra (agora livres da ameaça do Santo-Ofício, Inquisição) passaram a fazer orgias sexuais em ruínas de igrejas católicas, deitando mulheres nuas na mesa do altar e rezando uma tal de “MISSA NEGRA”; como não sabiam latim (língua na qual os padres católicos oficiavam e oravam) então, pra dar um toque teatral e misterioso de língua estrangeira, os sarristas DIZIAM FRASES AO CONTRÁRIO brincando com a igreja católica de modo covarde, vilipendiando símbolo religioso (como o pastor que chutou a santa na televisão Record)…
E estes ingleses com suas brincadeiras de mau gosto ficavam repetindo blasfêmias, por exemplo: “ Pai Nosso que estás no Céu” seria pronunciado “Uéc sátse euk osson iap”, que parece mesmo outra língua e impressiona os incautos e tolos que acreditavam ser mesmo um pacto com diabos chifrudos cheirando a enxofre.
Este “samba do crioulo doido” dava um ar de língua desconhecida, profana, diabólica, e com uma música sensual e mulheres nuas, regado a muito vinho e sexo, liberava as culpas dos ingleses reprimidos sexualmente e impressionava os ignorantes que num sabiam do truque de falar invertendo.
Nas histórias em quadrinhos do Batman tem até uma feiticeira inglesinha de meia arrastão e corpete justo, bem sensual, a Zatana , que diz feitiços somente falando as frases ao contrário, zombando desta palhaçada dos ingleses!
Como os adolescentes são muito impressionáveis, e tem uma fase na qual todo adolescente fica revoltado e questiona os valores religiosos dos pais; sabendo desta fase da Psicologia do Adolescente, algumas bandas de Rock da mesma Inglaterra passaram a colocar figuras satanizadas nas capas dos discos de vinil nos anos de 1970, algumas até usando pentagramas invertidos, bruxas, morcegos, e até com nomes de aparelhos de tortura (fase anal-sádica) como IRON MAIDEN  ou missas negras, algo como BLACK SABBATH ou outros nomes do gênero…
Muito espertas, as produtoras destas bandas passaram a colocar frases INVERTIDAS como as das antigas missas negras da mesma Inglaterra gravadas ao contrário nos sulcos dos velhos disquinhos de vinil, estes discos de vinil eram umas bolachas de um tipo de plástico preto duro muito anteriores aos CDs, que ainda podem ser encontrados em sebos e museus.
Ora, após inserir tais frases ao contrário e prensar os tais discos de vinil, as gravadoras mandavam cartas aos fanzines espalhando o boato que o vocalista da banda tinha morrido  de overdose ou num acidente de carro e feito um “pacto de Fausto” com o próprio Diabo em pessoa lá no Inferno, e que voltara a vida com a missão de espalhar estas frases seduzindo a alma dos jovens… risível, teatral, ridículo, algo que só uma mentalidade infantil e reprimida de um estudante escolar da Inglaterra nos anos 1970 poderia acreditar!
Os bobinhos adolescentes então ficavam horas girando os discos ao contrário…e ouvindo tais frases, reunindo os amiguinhos espinhudos com acne para ouvir tais frases e fumando escondidos, bebendo cerveja, e outros “horrores pecaminosos” para os pais puritanos ingleses de 1970!
Acontece que os discos tinham sulcos, como degraus, e uma agulha de diamante da vitrolinha ia batendo nestes sulcos enquanto gira o disco…só que virando ao contrário, a agulha bate direto na quina destes degraus-sulcos e isto vai quebrando, os engenheiros de som chamam de ABRASIVO, desgaste, este resultado..e vai lixando os sulcos, o que estraga o disco bem rapidinho, o som vai ficando chiado, apagado, rouco…o que obriga os tolinhos (otários) a comprar outro disco pra substituir o estragado.
Na verdade, então esta história de frases invertidas sempre foi UM GOLPE DE MARKETING  bem maldoso, sem vergonha, um desrespeito ao consumidor, tirando proveito da ignorância e infantilidade dos crédulos menininhos ingleses.
E deu tão certo que duplicou as vendas, em alguns casos até triplicou!
Foi aí que aconteceu o inesperado; na Inglaterra e principalmente nos USA havia nos anos 1970 algumas seitas neo-pentecostais supersticiosas cheias de operários migrantes ignorantes oriundos do campo (caipiras), cujos dízimos vinham de apavorar ameaçando os indefesos crentes com o fogo do inferno e com diabos malvados, com os oportunistas prédios das igrejas sempre construídos em favelas e bairros de pobreza, miséria e ignorância da periferia de Londres e depois de NEW YORK…talvez já chegando até a SÃO PAULO nos dias de hoje, em pleno Século XXI.
Ora, para estes pastores oportunistas este golpe de marketing “caiu do céu”, pois tinham mais uma arma para apavorar os ignorantes e extorquir dinheiro-dízimos dos pobres coitados ignorantes, indefesos, crédulos que confiavam nos pastores; agora todas as músicas tinham frases demoníacas e só doando muito dinheiro podiam ficar exorcizados e livres do mal!
Estes aproveitadores faziam seções públicas com suas vitrolinhas portáteis virando os discos de vinil ao contrário…mas logo acabaram as músicas de heavy metal que tinham mesmo estas frases, o  modismo passou, perdeu a graça para os consumidores adolescentes, acabou a novidade e as gravadoras pararam e partiram para outros golpes de marketing mais criativos.
Como alguns pastores usam consultoria de psicólogos, logo descobriram um modo de continuar enganando os fiéis; pois existe um mecanismo que a Psicologia chama de PROJEÇÃO; a mente humana quer ver coisas conhecidas e seguras, familiares, e força ordem em padrões caóticos…um exemplo é quando estamos olhando as nuvens no céu, e alguém diz – “Olha só, aquela parece um elefantinho, tá vendo?  Como não! Olha ali, mais pra cá é a tromba, e ali é a perna, viu agora?”
Assim a imagem contagia a percepção, é uma projeção que foi imposta por sugestão, como um tipo de hipnose coletiva, de massas…
Isto de Projeção é tão antigo, mas tão antigo que já era conhecido no Renascimento italiano, o Leonardo da Vinci, Pintor daquele famoso quadro, o retrato da Mona Lisa, tem um livro escrito por ele, “Tratado da Pintura”, onde Leonardo da Vinci explica pros alunos estudantes que prestem atenção nas manchas da parede do quarto antes de dormir e projetem figuras, cavalos, rostos, castelos..e que a cada dia podem forçar a ver coisas diferentes na mesma mancha e ir desenhando tudo para treinar criatividade.
Ora, esta projeção acontece também nos sons, se você tocar uma música de trás para a frente, ao contrário, e disser que tem uma frase ali, vai predispondo e sugestionando as pessoas, induzindo-as a projetar no som a frase, e se repetir diversas vezes vai convencendo a pessoa; do mesmo modo que o elefantinho nas nuvens do céu…este processo é chamado de PROJEÇÃO pela Psicologia, e ao INDUZIR outras pessoas a  ver-ouvir o mesmo delírio o que ocorre é SUGESTÃO…se tocar então num aspecto sombra, num medo reprimido, inconsciente, um personagem como o DIABO, pode ter até histeria de massas; uma atividade irresponsável e perigosa que pode ocasionar  linchamentos ou vandalismo, quebra-quebra! Sem falar em até mesmo um surto psicótico numa pessoa predisposta!!
Ouvir estas ditas músicas invertidas é um enorme risco à saúde mental e uma irresponsabilidade destes pastores sedentos de dízimos e sequiosos por riquezas e bens materiais a custa de criar traumas e fobias talvez irreversíveis nas suas vítimas incautas.
Com isto, como toda e qualquer música sempre pode ter tudo o que o indutor-pastor desejar, desde culto ao diabo até ordens de suicídio, uso de drogas, homossexualismo, assassinato, adultério, etc…todo criminoso/pecador poderia dizer que ouviu ou viu uma “mensagem ao contrário” e que foi induzido ao crime por SATAN ; ou seja, foi forçado, não estava em pleno uso de suas faculdades mentais, não podendo ser responsabilizado pelo crime, devendo ser solto imediatamente sem culpa nenhuma!
Ou seja, segundo a lógica destas seitas neo-pentecostais você pode assassinar todo mundo que desejar, alegar que foi “SUBLIMINADO”, como eles dizem, que seu livre-arbítrio foi anulado e minado pela frase invertida (que eles erroneamente ou maldosamente chamam de “subliminar” mesmo sabendo que nada tem a ver com a tecnologia subliminar de vender produtos ou serviços que a propaganda usa), e o criminoso poderia então exigir ser exorcizado e posto em liberdade, para depois matar outra pessoa, estuprar, roubar…e sempre dizer que ouviu uma música no rádio ou saindo de uma janela quando passava na rua, livre de conseqüências e de responsabilidades…acho que isto incluiria até mesmo, segundo esta mesma lógica, trucidar até seu próprio pastor…sempre “SUBLIMINADO” por SATAN.
Os tais maus pastores ingleses chegaram até a batizar estas frases de uma tal de ‘Backward Masking’.
Além de tudo isto, resta explicar tecnicamente que a agulha de diamante da vitrolinha não toca NUNCA naquela parte de baixo dos sulcos do disco de vinil, não reproduz o som, apenas o faz quando virando o disco ao contrário…só então surgem as tais frases ao contrário como naquelas brincadeiras antigas das tais missas negras inglesas!!
Ou seja, as frases NUNCA foram tocadas nem ouvidas…caso você grave do modo normal noutra fita a música que tem mesmo frase ao contrário, e a toque ao contrário, tal frase nem apareceria…
Ora, se propositalmente, intencionalmente, consciente e deliberadamente rodamos o disco ao contrário, a mensagem não é subliminar, não tem NADA de subliminar  na medida em que a mensagem é emitida de forma clara, sem subterfúgios? Ou não sabem o que é subliminar ou desejam induzir em erro aos incautos!
Um menino de família crente, adolescente na fase de revoltado,  poderia então agora comprar tranquilamente cds de bandas metaleiras com a desculpa de estudar subliminar e pode até mostrar os trechos para os pais, ainda vai inflar o ego ficando com fama de estudioso e defensor da fé, é aí o golpe de marketing, os pais deixam e até incentivam a compra destes discos de vinil (hoje cds)… um golpe excelente, muito bem planejado, conhecendo o comprador inglês pateta e panaca, golpe de marketing desrespeitoso e sem escrúpulos nem ética!
Mas na verdade tudo isto  da tal de ‘Backward Masking’ é apenas e tão somente só um criptocódigo, uma mensagem escondida, como um acróstico, aqueles poemas onde a primeira letra de cada estrofe-linha forma o nome da namorada, mas vc precisa avisá-la, é um código consciente…como os PALÍNDROMOS, frases que podem ser lidas de trás  pra frente como “ROMA É AMOR” , mas repare que o som ficaria diferente, os fonemas seriam outros se estivesse invertida fonéticamente..tudo não passa de um absurdo sem sentido nenhum; e alguns oportunistas podem usar isto para ganhar dinheiro dos incautos que desconhecem isto tudo, aproveitando-se da ignorância alheia.
Aproveitadores que buscam auto-promoção comparecendo a programas televisivos de cunho sensacionalista com suas vitrolinhas e velhos disquinhos de vinil, nunca resistiriam a um exame sério e com o rigor da metodologia científica; com notação fonética das frases por um fonoaudiólogo habilitado, um perito judicial não-engajado ou praticante que professe a seita neo-pentecostal; bem como engenheiros de som e psicólogos especializados em mecanismos de projeção, em sugestão de massas, e em tecnologia subliminar.
O lamentável é que nesta busca desenfreada por donativos e dízimos, certos fanáticos religiosos estejam maculando uma importante linha de pesquisa da Propaganda Subliminar, super-exposição que banaliza e ridiculariza as pesquisas sérias desta tecnologia que ameaça as instituições democráticas e o modo de vida esclarecido e civilizado, pois pregam a intolerância e propositalmente afrontam o direito a liberdade de professar crença religiosa garantido pela Constituição brasileira e pela Declaração dos Direitos Humanos, pois afirmam que todas as religiões afro-brasileiras seriam culto ao demônio, e que a Bíblia recomenda “ não deixarás viver a feiticeira”, incentivando a violência, indo contra a paz pública ao insinuar aos crentes que queimem bruxas vivas ou depredem templos afro-brasileiros, ignorando as palavras de Jesus de “Amai-vos uns aos outros” e “Não faça aos outros o que não queres que te façam”, pregando um Deus de ódio, rancor e violência, e não um Deus de Amor como pregou  a palavra de Jesus .
Com isto, o grande público associa a palavra subliminar ao ridículo e à supertição, ao fanatismo religioso mais infantil, ficando desprevenido e fragilizado frente aos verdadeiros abusos que alguns setores da mídia fazem destas tecnologias subliminares.
Existem, sim, tecnologias subliminares no som, em freqüências baixas, quase inaudíveis, mixadas a outros sons em faixas sobrepostas, como explico no meu livro em Sexta Edição que foi uma Dissertação de Mestrado defendida frente a uma banca de doutores (incluindo um Médico Psiquiatra) na USP, que teve NOTA DEZ COM DISTINÇÃO.
Mas estas tais  frases ao contrário não constam da minha pesquisa científica reconhecida e aceita pela USP, pois nunca foram subliminares, e sim apenas um golpe de marketing PEGA-TROUXA que caiu nas garras de oportunistas destas seitas abusivas que envergonham os verdadeiros neo-pentecostais tementes a Deus; estes oportunistas parecem ser um tipo de gente que acabaria trazendo má fama e péssima reputação a todos os evangélicos, que acabam sendo taxados de fanáticos religiosos e ignorantes graças a estes pastores em sua frenética busca de auto-promoção querendo aparecer na mídia a qualquer custo, sem noção de ridículo e do des-serviço que prestam tanto à religião séria quanto à ciência verdadeira.
Maiores detalhes das tecnologias de som subliminares VERDADEIRAS no livro:
CALAZANS, Flávio Mário de Alcântara. Propaganda Subliminar Multimídia. 6.edição, São Paulo, Summus Editorial, 1991. (Coleção Novas Buscas em Comunicação, vol.42), página 44, capítulo O SOM DO SILÊNCIO.
EXEMPLOS DE MÚSICAS BRINCANDO COM O RIDÍCULO DAS FRASES INVERTIDAS:
Estes exemplos podem ser conferidos até com sonoplastias nas centenas de sites anônimos espalhados na internet cujo único e invariável título é MENSAGEM SUBLIMINAR, basta colocar estas duas palavras em qualquer mecanismo de busca tipo Google ou Alltheweb e conferir.
1) Capital Inicial – Na música “Mickey Mouse em Moscou”, surge uma conversa estranha com ruídos entre Dinho e outro integrante do grupo. Ao se fazer a inversão destas frases dizem que surge:
– Hei Tobi, eu acho que eles estão nos espiando…
-Você acha mesmo?
-Yeah, vamos para um lugar mais reservado
-Que tal na Ilha de Malta?
– Why, animal?
– Hei você aí, escutando, dá um tempo! Cai fora babaca
-Hahahahaha…
2) Engenheiros do Hawaii – Na música “Ilusão de Ótica”, quando executada normalmente no trecho ouve-se ” Ih, não roda assim, não gosto que rode assim….”, que provoca e dá claramente a dica direta ao ouvinte, e quando executada ao contrário, alegam que surge: “Por que você está ouvindo isto ao contrário, o que você está procurando, hein?” claramente ridicularizando os fanáticos por inverter todas as músicas que ouvem, aliás, ótimos consumidores que compram tudo o que sai para ouvir ao contrário!
3) Pink Floyd – Na música “Empty Spaces”, quando executada ao contrário, afirmam surgir a voz de Roger Waters falando : “Congratulations, You have just discovered the secret message. Please send your answer to ‘Old Pink’, Care of the funny farm, Chalfont…” ( ” Parabéns, Você descobriu a mensagem secreta. Por favor envie sua resposta para o Velho ‘ Pink’, aos cuidados da engraçada fazenda , Chalfont…”), o que geraria um excelente cadastro ou mala direta de quantos fans podem ser localizados para pré-venda  de convites de shows, pré-testes de novos discos, etc..Maxi-Marketing, mala Direta com Database, banco de dados, confirmando ser tudo golpe de Marketing mais uma vez.
Há inumeráveis exemplos na internet desta palhaçada que seria cômica se não fosse trágica.
Enfatizo um teste:  sugiro ao leitor divertir-se ouvindo os chiados e ruídos sem nexo sem ter lido a frase que direciona a percepção antes, para confirmar os mecanismos de projeção e sugestão e falsear a hipótese alucinada dos fanáticos pseudo-religiosos.
Como você viu, uma pessoa inteligente e bem intencionada percebe que nada há de subliminar em discos de vinil (que nem existem mais, já existe o CD e o DVD), tudo foi um golpe de marketing de grupos ingleses como Iron Maiden e Black sabbath (que mostram diabos desde a capa, título do disco e dentro das letras às claras, explícito e assumido, nada de subliminar escondido ou oculto), divulgando que havia orações ao diabo invertidas nos discos, insinuado em entrevistas a fanzines nos anos 70, os adolescentes na fase de revolta rodavam o disco errado, raspando os sulcos do vinil, estragando o disco aos poucos cada vez que faziam isto, o que os obrigava a comprar outro…logo, era um PEGA-TROUXA, um golpe de marketing das gravadoras…foi quando alguns neo-pentecostais desejando extorquir dízimos dos seus crentes passaram a divulgar isto gerando uma histeria entre fanáticos religiosos…por um mecanismo da mente humana , projetamos sentido em nuvens no céus (quem nunca brincou disto?) ou manchas na parede, e fazemos o mesmo com som, se ouvir um chiado diversas vezes, vai forçando a fazer sentido, os psicólogos chamam de PROJEÇÃO…e os casos reais de frases invertidas feitos por gravadoras não eram subliminares, e sim golpes para vender mais…
Cuidado com estes fanáticos religiosos pseudo-neo-pentecostais , alguns mais exaltados  deliram e afirmam até mesmo que um dos Beattles seria um “clone criado por Extra-Terrestres a mando do Diabo”… e ainda pede dízimos e doações para “salvar o mundo” dos “Subliminares de Satan” …se tudo isto não for piada de internet, quem acredita deve ter problemas mentais sérios e precisa procurar ajuda imediatamente com psiquiatras e psicólogos…este tipo de delírio ou sensacionalismo desacredita pesquisas sérias de pessoas bem intencionadas, antes de entrar nestas fofocas sem base, deve-se pesquisar sobre o currículo de quem faz estas afirmações e exigir provas científicas, evidências verdadeiras.
Há um site na Internet no qual tudo pode ser esclarecido,site univesitário das Faculdades SEAMA, “ ÉTICA E RIGOR CIENTÍFICO: UM CASO SUBLIMINAR” de autoria do professor com Mestrado Chris Benjamin Natal:

http://www.seama.com.br/C61PUBR1.htm

Mas há casos de subliminares verdadeiros que resultaram até em processo:
Em novembro de 2002 a MTV foi processada, conforme Claudio Julio Tognolli
na “Revista Consultor Jurídico, 5 de novembro de 2002″ (confirme pois está
no ar na INTERNET). O juiz da 12ª Vara Cível de São Paulo, Paulo Alcides
Amaral Salles, concedeu liminar a pedido do Ministério Público. Os
promotores Deborah Pierri, Motauri Ciochett e Vidal Serrano, que atuam em
defesa dos consumidores e da infância e adolescência, ingressaram com ação
civil pública contra a MTV Brasil. De acordo com o MP, a vinheta “no plano
consciente veicula imagens regulares com o logotipo da MTV, mas quando as
imagens do referido clipe são submetidas à velocidade mais lenta, percebe-se
que as mesmas trazem cenas explícitas de prática sexual chamada de
sadomasoquismo”.
Os promotores afirmaram que a “a fita de VHS enviada ao Instituto de Criminalística foi periciada e ali foi constatado de fato as cenas de perversão sexual mantidas clandestinas”.
Segundo afirma Claudio Julio Tognolli na “Revista Consultor Jurídico, 5 de novembro de 2002″ vou copiar entre aspas: ” o Ministério Público citou o professor Flávio Calazans, conhecido estudioso de mensagens subliminares, em seu pedido. Segundo o professor, “a teoria subliminar remonta do filósofo
grego Demócrito (400. a.C.) e é descrita por Aristóteles, Montaigne, pelo físico brasileiro Mario  Schenberg, pelo filósofo da linguagem Flusser e vários outros”.
Calazans afirma que “os efeitos dos estímulos sensoriais imperceptíveis conscientemente vêm sendo medidos pela psicologia experimental até que, em 1919, o dr. Otto Poetzle (ex-discípulo de Freud) sustentou que as sugestões pós-hipnóticas têm o mesmo resultado prático dos estímulos subliminares para alterar o comportamento humano”. O juiz afirmou que a “manutenção da publicidade poderá causar danos irreparáveis às pessoas, em especial aos menores, que assistem à programação”. A MTV não poderá veicular “qualquer outro programa ou evento em que haja publicidade clandestina, subliminar, especialmente quando houver insinuações de práticas sexuais, sob pena de suspensão de sua programação no mesmo dia e horário da semana subseqüente”.
Caso descumpra a decisão, terá que pagar multa de R$ 10 mil” ” fecho as aspas.
Come vê, graças às minhas pesquisas é que este caso pôde ser denunciado, sendo que sou citado muitas vezes no processo, todos podem conferir na INTERNET e com os autores da denúncia cujos nomes cito acima.

                                                 

                                                          sem crédito. ilustração do site.

COMO ALFABETIZAR SEM REPROVAR – por vicente martins

 

Uma criança, em sala de alfabetização, não deve nem pode ser reprovada.  Direi de outra maneira: a alfabetização não tem caráter avaliativo, com fim de promover o aluno de um nível de ensino para outro.

 O presente artigo prova, através da legislação educacional, que a sala de alfabetização não é reconhecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)  nem tem, por isso mesmo, caráter reprovativo. Nenhum aluno, matriculado, em sala de alfabetização, em escolas públicas ou privadas, municipais, estaduais ou federais, pode ficar retido em sala de alfabetização,ou pode ser rotulado de  “reprovado”, mesmo que a escola considere que criança não está alfabetizada em leitura.

A Lei 9.394, a LDB, promulgada em 20 de dezembro de 1996, não reconheceu a sala de alfabetização como nível ou subnível de ensino. Pelo artigo 21, da referida Lei, a  educação escolar compõe-se de: (1)  educação básica, formada pela educação infantil ensino fundamental e ensino médio e (2)  educação superior.

O que se pode observar pelo artigo 21 é que a Lei não faz qualquer referência à alfabetização.  No artigo 29, a LDB, sim, refere-se à Educação Infantil entendida como primeira etapa da educação básica cuja finalidade precípua é “o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade”.

Durante muito tempo instituições privadas de ensino entenderam que a classe de alfabetização poderia ser considerada um  subnível da educação infantil. Ou, talvez, uma fase intermediária e imprescindível entre a educação infantil, especialmente a pré-escola e o ingresso na primeira série do ensino fundamental. Uma concepção com boas intenções, mas com uma origem equivocada ou falaciosa: o ensino fundamental, no seu primeiro ciclo, é exatamente para dar início ao processo de alfabetização. Veja que utilizei a palavra processo para dizer que durante toda a fase da educação básica o aluno, ao certo, está sendo “alfabetizado” em leitura, escrita, ortografia, informática, e assim adiante.

A educação infantil não acolhe a sala de alfabetização. No artigo 30, a lei diz que a  educação infantil será oferecida em: (1) creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade e (2)  II – pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Na verdade, hoje, com a Lei nº. 11.274, de 2006, a rigor, a educação infantil só vai até os cinco anos.

          E por que existe sala de alfabetização no Ceará? Ora, por pura tradição e predomínio de uma pedagogia de época que via na alfabetização uma fase preparatória para o ingresso da criança no Ensino Fundamental, etapa que os professores já esperavam, também, o domínio rudimentar em leitura, escrita e cálculo por parte dos alunos.

          Durante muito tempo, a pedagogia de alfabetização do bê-á-bá também favoreceu o surgimento de sala de alfabetização não só no Ceará como em muitos estados da Federação, especialmente os da Região Nordeste. Por alfabetização, se entendia e se entende, em muitas escolas, a prática de ensino da primeiras letras. É o que os teóricos de leitura chamam de decodificação, onde o principal papel da escola é ensinar a criança a reconhecer as letras, nomeá-las e de forma não muito sistemática a relação letra-fonema, para o início da leitura mecânica. Aqui, vale dizer  que não se cogita ou se cogitava o ensino da leitura com sentido, isto é, ler o texto para atribuir-lhes sentidos.

          Em  outros casos, o pensamento ou metodologia de muitos alfabetizadores, favorecidos,  quase sempre, pelas cartilhas de alfabetização, do abecê, concebia (m)  a alfabetização como a iniciação no uso do sistema ortográfico. Ora, esta concepção é descartada, hoje, é ampliada e  vista como processo de aquisição dos códigos alfabético e numérico ou, em outras palavras, como o uso social da língua verbal e não-verbal, o chamado letramento  que deve ser trabalhado, principalmente, na primeira série do ensino fundamental e enfatizada até a quarta-série do mesmo nível de ensino. É aqui que se ensina, realmente, a língua e o sentido que permeia as habilidades lingüísticas como leitura, escrita e ortografia e os números. Na etapa anterior, a da educação infantil, o que se pode fazer é uma educação lingüística, enfatizando, em sala, a linguagem e suas funções, mas sem qualquer conotação ou apelo metalingüístico ( por exemplo, estudo das vogais, das consoantes, das semivogais, das sílabas, dos ditongos etc)

          Agora, tanto na educação infantil como ainda nas remanescentes salas de alfabetização (no Rio Grande Sul, por exemplo, não existem mais salas de alfabetização) não têm caráter de promoção, isto é, não é pré-requisito para que a criança entre no ensino fundamental. O pai ou responsável pode, inclusive, queimar esta etapa e matricular a criança diretamente no ensino fundamental. Claro, o maior prejuízo, nesse caso, é a perda da socialização uma vez que se aprende bem a língua materna em interação, na relação interpessoal e em vida social. Na educação infantil, pode a escola, desde cedo firmar as bases do aprender a ser, a conviver, a conhecer e a fazer, pilares da educação universal, segundo a UNESCO. Mas isso é uma alfabetização para a vida, para um olhar novo sobre o mundo, como quis a pedagogia paulofreiriana.

         O artigo  31, da LDB, diz, textualmente e reafirma o que dissemos anteriormente, que na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. O quer dizer que os pais ou responsáveis podem, repito, não matricular seus filhos nesta etapa e, aos seis anos, podem matricular a criança diretamente no ano inicial do ensino fundamental, mesmo sem “ ser alfabetizado”. Por quê? Porque o ensino fundamental, especialmente no seu primeiro ciclo, é exatamente o período para a alfabetização em lectoescrita.

Mais recentemente o artigo 32, da  LDB, foi modificado pela Lei nº. 11.274, de 2006. A lei determinou que o ensino fundamental obrigatório passou a ficar com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, e tendo, por objetivo,  a formação básica do cidadão.

        (1) – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;

        (2) – a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;

        (3)  - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores.

          O item 3 do artigo 32, da  LDB, como podemos observar, se constitui, assim, um momento de alfabetização no ensino fundamental onde a criança vai desenvolver a competência de aprender através do domínio da leitura, da escrita e do cálculo.

          Diria que nesta fase de ingresso da criança, aos seis anos, no ensino fundamental deve ser prioritariamente dedicado ao “o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social”, conforme acentua o inciso IV do artigo 32, da LDB

          Vale salientar que o artigo 6º da LDB, modificado pela Lei nº. 11.274, de 2006 estabelece, de forma compulsória, o dever dos pais ou responsáveis de efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental.

          Uma outra novidade que deve ser considerada por gestores educacionais, pais ou responsáveis e educadores é que o artigo 32 da LDB sofreu, pela Lei 11.274, a seguinte modificação em sua redação: o ensino fundamental obrigatório passou duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade e terá por objetivo a formação básica do cidadão.

         Uma palavra final: não permita que se filho ou filha seja retido (a) em sala de alfabetização. A existência de sala de alfabetização revela hoje o quanto a escola está na contramão da LDB e dos demais estados que têm experiência exitosa em alfabetização, como os da Região e Sudeste do País.  Em caso de resistência da escola, procure esclarecimento junto ao Conselho Estadual de Educação ou evoque à LDB através da promotoria pública.

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará. -

                 sem crédito. ilustração do site.

                        

RESPEITO ao “VELHO CHICO” por mauro chaves

 

Ao se omitir de um debate profundo sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco, deixando que a sociedade brasileira e as futuras gerações venham a sofrer os efeitos desastrosos de um “fato consumado”, imposto pelo governo, o que pode resultar numa obra tão faraônica quanto ambientalmente estúpida, o Congresso Nacional está passando um recibo de criminosa irresponsabilidade.O Velho Chico, rio da integração nacional, cuja força das águas já foi tamanha que durante séculos o fez avançar vários quilômetros adentro do Oceano Atlântico, a ponto de embarcações pararem em pleno oceano para se abastecerem de sua água doce, hoje sofre em sua foz um trágico recuo, por insuficiência de vazão. Já se disse que esse projeto de transposição é a transfusão que tem como doador um doente internado na UTI. Se a idéia de levar águas do São Francisco, por gravidade, para o semi-árido do Nordeste setentrional já estava na cabeça generosa de dom João VI, é porque naquele tempo não existiam açudes, nem adutoras, nem estudos hidrogeológicos.

Durante séculos muitos têm defendido a transposição como solução salvadora para a tragédia das secas. Mas a quantidade formidável de açudes já construídos – que já chega a cerca de 70 mil – e a possibilidade de retirada de água do subsolo nordestino (que, embora muitos não saibam, é abundante em água) sugerem soluções muito menos dispendiosas e mais eficazes para distribuir água às populações que dela mais necessitam. E distribuição, no caso, é a palavra-chave, pois em grande parte a malsinada “indústria das secas” nordestina tem sido mantida pelos chefetes políticos para comandar o abastecimento de água de seus currais eleitorais. A transposição não significará a oferta de água a 12 milhões de nordestinos – como têm dito seus defensores -, mas sim a canalização para determinados projetos de irrigação do agronegócio, enquanto falta distribuição de água até para projetos e populações bem mais próximas do rio, nos Estados ribeirinhos.

O engenheiro Manoel Bomfim Ribeiro, especialista em hidrologia e geologia, ex-diretor do Dnocs e autor do livro Potencialidades do Semi-Árido Brasileiro, num texto sobre as obras inconclusas do Nordeste assevera: “A indústria das secas é um fato inerente à vida política da região nordestina tendo como carro chefe o pipa a desfilar pelos nossos sertões sequiosos, onde o chefe político exerce o seu poder sobre a água. Esta indústria vem num crescendo constante com obras de todos os tamanhos, açudes, canais, adutoras, obras inconclusas. Agora é a vez da Transposição, obra inócua e desprovida de significado, pois que o Nordeste setentrional, penhoradamente, agradece e dispensa as águas do rio São Francisco, por total e absoluta falta de necessidade, uma vez que já acumula, somente nos oito grandes açudes, 13 bilhões de metros cúbicos de água (5 vezes e meia a baía da Guanabara), exatamente os 8 açudes plurianuais que irão receber os magros 2 bilhões/m3 anuais (127m3/s) advindos do canal da Transposição. A evaporação anual dos 13 bilhões é da ordem de 4 bilhões, o dobro da água que vai chegar do rio. Uma irrisão. Mais ainda, os 3 Estados mais ávidos por mais água, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, já acumulam nos seus imensos reservatórios 26 bilhões de metros cúbicos, 70% das águas estocadas no semi-árido brasileiro, 11 vezes as águas da baía da Guanabara.”E em outro texto escreve o especialista: “Dos aqüíferos do Nordeste podem ser extraídos até 20% das reservas existentes, cerca de 27 bilhões de m3/ano sem queda de pressão hidrostática, pois são reabastecidos, anualmente, pelas águas de chuvas e que drenam verticalmente para o seio da terra. Só extraímos até hoje cerca de 4% deste potencial disponível, 800 a 900 milhões de m3 através de 90.000 poços, sendo que 40% destes estão paralisados por razões diversas menos por falta de água. O deserto de Negev, com área de 16.000 km2, fornece para Israel 1 bilhão de m3/ano de água extraído do seu subsolo, mais que a produção da nossa região cuja área é 60 vezes maior que aquele deserto.”

 

Esse projeto faraônico, de pelo menos R$ 15 bilhões, além de poder resultar em desastre ambiental – como o do Rio Colorado (para o México) e o do Rio Amarelo, na China, dentro do “espetáculo de horror dos rios que morreram” a que se refere João Alves Filho -, está criando uma cizânia entre os Estados ribeirinhos e o do Nordeste setentrional, acirrada pelo presidente Lula, quando disse aos cearenses que seus irmãos nordestinos não lhes negarão (com a transposição) “uma cuia de água”. Só não contou que está mandando o Velho Chico pra cucuia.

Se o Congresso mostra vergonhosa frouxidão em não debater esse tema, cabe à sociedade mobilizar-se para fazê-lo.

Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor.

 

 

rio são francisco “velho chico.” foto de joão zinclar.

Escritores e críticos analisam literatura brasileira em Parati

Paul Auster, Martin Amis, Ian McEwan e Margaret Atwood. OK. Mas e nós? Aproveitando o dia mais brasileiro da Festa Literária Internacional de Parati, que terá de manhã Ferréz, pela tarde o trio Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Luis Fernando Verissimo e Chico Buarque na entrada da noite, a Folha ouviu escritores, críticos, agentes literários para bater uma chapa da ficção que fica aqui depois que o circo da Flip for desmontado. Qual a situação da literatura brasileira hoje?
O caçula do festival, Daniel Galera, 25, dá o mote da toada. “É impossível definir como é a ficção feita hoje no país. É tudo muito variado, cada um seguindo sua viagem.” Escritor e dono da microeditora Livros do Mal, ele é inimigo ferrenho de “geração 90″, “geração 00″ e outras estampas que pregam nas costas dos autores que se consolidam agora.

A ânsia de classificar o que está sendo feito agora, opina Augusto Massi, é sinal da falta de “espírito crítico”. Ator, diretor e contra-regra, ou seja, editor, ensaísta, professor e poeta, ele acredita que o problema não está na produção literária nacional nem naqueles que a imprimem. “Quando ninguém consegue se localizar montam-se logo antologias. São coletâneas feitas por gerações, gêneros ou ‘os cem melhores’. Mas essas listas são pouco confiáveis.” Massi acredita que faltam críticos novos, que possam organizar um mercado que dá espaço “para todo mundo: do cara dos poemas pornôs ao best-seller”.

Raimundo Carrero, 14 romances nas costas, discorda. “Faltam é leitores.” E a oferta nacional das novíssimas gerações (“nova geração sou eu também, não morri”), segundo ele, é das mais generosas possíveis. “Vivemos a perplexidade de um novo milênio. A literatura brasileira vive o que Alejo Carpentier chamou de terceiro estilo, que é a falta de um estilo”, aponta o autor pernambucano.

Os “novíssimos” apontam a internet como multiplicadora desses modos tão variados de prosear. “A palavra é jogo. Nós jogamos os textos na internet e estamos jogando literariamente para encontrar nossos caminhos, nossos estilos”, opina Emílio Fraia, 22, paulistano.

Essa “busca de caminhos” o trouxe às Veredas da Literatura. Esse é o nome de um projeto literário da Flip que reuniu de quinta a hoje uma trupe de 50 autores inéditos ou nos primeiros passos para uma oficina com o romancista e professor Milton Hatoum.

Vindos de diversas cidades, e agrupados “woodstockianamente” em uma pousada, eles terão um mês a contar de hoje para apresentarem projetos de livros. Dois deles serão brindados pela Vivo, patrocinadora do projeto, com R$ 12 mil (oito de R$ 1.500) para concluírem os escritos.

Os “novíssimos” farão “vanguardismos”? Não necessariamente. Antonia Pellegrino, 24, carioca, fala sem meias palavras. “Caguei para a vanguarda. Escrever uma boa história já é ótimo. Se quer fazer vanguarda, tem que ser gênio. Ficar no meio do caminho não dá”, diz a neta do poeta e psicanalista Helio Pellegrino.

Um dos principais contistas brasileiros, Sérgio Sant’Anna, safra 1941, não pensa assim. “A palavra ‘vanguarda’ envelheceu, mas o desejo de inovar não. Quem prega que o que importa é só o enredo, e não a linguagem, são setores conservadores, um pouco reacionários”, diz o escritor, que pôs o tema na roda ontem em encontro com Luiz Vilela.

Carrero, Marcelino Freire, Ivana Arruda Leite e Daniel Galera, reunidos em frente à Igreja da Matriz, rezam nessa cartilha. Em conversa com a Folha, dizem eles que a ficção brasileira tem muita gente experimentado bem a linguagem, sim. Mas não acreditam que esse (ou qualquer outro traço) possa ser amarrado nas novas escrituras brasileiras.

“Tentar definir o que está acontecendo é como abrir o liqüidificador enquanto a vitamina está sendo feita. Voa abacate para todo lado”, diz o poeta, prosador e editor Joca Reiners Terron. Sem receio dos “abacates”, Augusto Sales, editor da revista literária “Paralelos” e um dos organizadores da Veredas da Literatura, arrisca um retrato de corpo inteiro.

“Os autores cariocas trabalham mais a partir da memória afetiva. São pequenas obsessões, crises existenciais e o incômodo com a superficialidade do mundo contemporâneo. Já São Paulo é mais ‘faca no bucho’, fala mais da violência urbana. Tem influência de Rubem Fonseca e do cinema. No Sul, vejo mais elementos fantásticos. Mas, em comum, têm a concisão, o apreço pelos minicontos, o que é influência da internet.”

Contam-se em dedos minguados os jovens autores que não trabalham com a “rede”, a julgar pela amostragem da oficina Veredas. Uma delas vem do interior paulista. Fabíola Moura, 31, é o nome da “avis rara”. “Sou uma exceção aqui, porque não tenho blog. Sou autora do século passado. O que acho ótimo nos novos autores é a desmistificação da escrita. A busca de comunicação direta pela net possibilita isso.”

Outra “desmistificação” é a de que não é possível exportar nossa literatura. Lucia Riff, principal agente literária brasileira, diz que não passa nenhum mês sem negociar autores brasileiros com o exterior. “Tenho recebido pedidos de países que nunca publicaram nossa literatura. Anos atrás o desconhecimento da literatura brasileira chegava a ser constrangedor. Agora estamos na moda.”

Mas ainda falta. Com a palavra o enviado do jornal espanhol “El País”, José Andrés Rojo: “O leque da literatura brasileira é imenso, com obras de variedade surpreendente. É literatura ainda praticamente desconhecida, que precisa ser posta em órbita”.

 

 

 

Por: CASSIANO ELEK MACHADO e
LUIZ FERNANDO VIANNA

de conrado maestro. ilustração do site.

 

 

BRASILEIRO ESTÁ LENDO MAIS POESIA? por felipe lindoso

A recente divulgação da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”[1][i], em sua segunda edição (a primeira pesquisa do gênero foi feita em 2000) provocou uma surpresa – agradável, para todos os que comentaram o assunto: foi anunciado que a poesia estava como o quinto gênero de livros mais lidos no Brasil, com 28% dos leitores declarando sua preferência[1][ii].

Entre os autores brasileiros mais admirados pelos leitores apareciam Vinícius de Moraes (5º. lugar), Cecília Meireles (6º. lugar), Carlos Drummond de Andrade (7º. lugar), Mário Quintana (11º. lugar) e Manuel Bandeira (14º. lugar) e Castro Alves (21º. Lugar). Todos poetas do cânone. Em outros gêneros o primeiro lugar é uma surpresa: o autor mais admirado é Monteiro Lobato. Seria ótimo se não fosse o fato de Lobato não ter livros nas livrarias quando da pesquisa – a lembrança veio do programa de televisão e das histórias em quadrinho. Depois de Lobato seguem Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis; depois dos três poetas já citados aparecem Érico Veríssimo, José de Alencar e o quadrinista, Maurício de Souza. O resto da lista pode ser visto no site do Instituto Prolivro, que organizou e financiou a pesquisa.

         É verdade que não aparecem poetas contemporâneos e vivos, mas sem dúvida os citados estão entre os melhores da poesia brasileira moderna e o condoreiro fica sempre bem.

A surpresa se manifestava também pelo fato da “subida” da poesia na preferência dos leitores ter sido significativa, não tanto na posição, mas sim na quantidade de leitores que declaravam essa preferência em relação à pesquisa do ano 2000. Naquela pesquisa, respondendo à pergunta se tinham “consultado, folheado ou lido nos últimos 12 meses”, a poesia aparecia em 6º. Lugar, com 19% dos entrevistados masculinos e 26% dos femininos respondendo afirmativamente.

         Quando perguntados (em 2000) sobre suas preferências por gênero de livro (resposta única, naquela ocasião), a poesia aparecia em 5º. lugar no geral, com um total de 4% dos leitores fazendo essa afirmação (1% dos leitores homens e 5% dos leitores mulheres).

 

Em 2008, a quantidade de entrevistados que declarou ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses anteriores à pesquisa foi de 95,6 milhões de pessoas (55%) da população estudada. Mas, importante ressaltar, 47,4 milhões desses leitores são estudantes que  lêem livros indicados pelas escolas, incluindo aí os didáticos. Portanto, os leitores que declararam sua preferência por poesia como gênero (não exclusivo) seriam 26,323 milhões, dos quais a metade estudantes.

         Destaque-se também, para referência, que o universo da pesquisa de 2008 incluía toda a população acima de cinco anos de idade, independentemente do nível de escolaridade.

No ano 2000 a situação era diferente.

Em primeiro lugar o universo estudado era diferente: foi pesquisada a população acima de 14 anos de idade e com pelo menos três anos de escolarização.

Nesse universo a preferência por gêneros de leitura era assim:

 

 

 

Para matizar um pouco mais o quadro vejamos como os leitores do ano 2008 se dividiam por sexo.

 

A pesquisa do ano 2000 não tem uma tabela idêntica (e nunca esqueçamos que trabalha com universos diferentes). Entretanto apresenta outra tabela também interessante para ser vista. É a tabela formada pelas respostas dadas pelos entrevistados a partir da pergunta sobre se nos últimos doze meses tinham tido contato, folheado ou lido algum livro dos gêneros, com a possibilidade de respostas múltiplas. Ou seja, uma pergunta um pouco mais parecida com a feita em 2008 na primeira tabela.

 

Note-se que alguns gêneros, ainda que declarados como preferidos, não foram mencionados entre aqueles lidos ou consultados nos doze meses anteriores (técnicos, fisiologia, jurídico, saúde e sexo/eróticos)[1][iii].

         Antes de examinarmos o conjunto dos dados para tentar entender que leitores brasileiros gostam de poesia é importante acrescentar mais duas tabelas, referentes à pesquisa de 2008. Mas desta vez só transcrevemos as informações sobre os leitores de poesia.

Esses resultados estão tabulados por escolaridade, idade, nível de renda familiar e classe social[1][iv]

 

 

 

 

 

O que nos dizem esses números?

         A pesquisa de 2008 mostra que os leitores que declararam sua preferência pelo gênero poesia são em sua maioria menores de 14 anos e estudantes (48,3% do total). Pelo perfil de renda e socioeconômico é provável que a maioria deles esteja na escola pública. Esses leitores estavam fora da pesquisa de 2000.

         A tabela disponível que permite especular um pouco sobre as duas pesquisas é a que distribui os leitores de poesia por gênero (masculino e feminino). Em 2000 a proporção era de 19% dos leitores masculinos e 26% dos leitores femininos. Já em 2008 essa proporção era de 22% para os homens e 32% para as mulheres.

         No perfil demográfico da amostra de 2008 a população com menos de 14 anos de idade representa 20% do total. Entretanto, é nessa população que se concentram 48,3% dos leitores de poesia.

         O que os números nos mostram, portanto, é que a escola é a grande fonte dos leitores do gênero. Mais importante ainda é que esses jovens declaram que a poesia é seu gênero preferido de leitura.

         A partir desses números, entretanto, não se sustenta a idéia de que “os brasileiros” em geral estão lendo mais poesia. É impossível comparar com precisão os dados das pesquisas de 2000 e 2008 a respeito, mas as poucas porcentagens que vimos mostram que as diferenças para a população acima de 14 anos não são tão significativas quanto poderiam parecer.

         A persistência da preferência pela poesia na idade adulta desses jovens que estão com menos de 14 anos hoje é algo que só poderemos ver quando fizermos, no futuro, novas pesquisas do gênero Retratos da Leitura no Brasil.

         Até lá os poetas têm que trabalhar – muito além de escrever as poesias – para que essa preferência não esmoreça. Ao contrário, que se consolide. Para isso é importante que os poetas sigam o velho chamado de Castro Alves e se dirijam ao encontro de seus jovens leitores nas escolas, nas feiras de livros, em festivais de poesia.

         O animador é que existe essa receptividade para poesia. E lembrem-se que há trinta ou quarenta anos atrás os poetas lidos pelos adolescentes se mediam pelo padrão J. G. de Araújo Jorge. Acho que já melhorou, e pode melhorar ainda mais.

         É preciso ter esperança de que não apenas os índices de leitura de poesia cresçam, mas que aumentem os índices de leitura em geral, para todos os gêneros, em todas as idades e situações sócio-econômicas.

         Se os livros estiverem mais disponíveis para todos e se o nível educacional da população continuar melhorando é certo que isso acontecerá, e isso define nossa equação para que o Brasil seja um país de leitores:

         Mais livros disponíveis = mais bibliotecas + mais educação de qualidade = mais leitores.

 


[1][i] RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL ver em http://www.prolivro.org.br

[1][ii] Resposta estimulada ao questionário da pesquisa em que o leitor podia escolher mais de uma opção.

[1][iii] Essas incongruências mostram uma das características de pesquisas de opinião. Os entrevistados respondem a todas as perguntas, mas quando as respostas puxam pela memória – no caso, lembranças de um ano – nem sempre elas correspondem entre si.

[1][iv] O critério de “classe social” é o da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa – ABEP

 

 

Felipe Lindoso é editor, antropólogo, e estudioso do mercado editorial e das políticas públicas para o livro no Brasil. Tem vários artigos publicados sobre o tema e o livro “O Brasil pode ser um pais de leitores?”. Trabalhou em instituições da área cultural e do livro, e hoje dá assessoria sobre a questão. Criou e desenvolve um projeto que, apoiado pela Lei Rouanet, instala Bancas-Bibliotecas por todo o país.

 

 

VALORES na VIDA em SOCIEDADE – por vicente martins

 

Os valores não surgem na vida em sociedade como um trovão no céu. São construídos na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nas manifestações culturais, nos movimentos e organizações locais. Conhecê-los, compreendê-los e praticá-los é uma questão fundamental da sociedade atual.

 

Perguntei à minha filha Mariana, de 11 anos, o que pensava da seguinte situação: um pai, vendo um filho passar fome, resolve roubar alimentos em um supermercado no bairro em que mora. Ele agiu certo ou errado ao cometer esse delito? Ela me respondeu: “Acho que ele agiu certo porque ao ver o filho com fome não suportou a cena de miséria em sua casa e não teve saída senão roubar. Por outro lado, também agiu errado por ter roubado o supermercado; afinal, roubar é uma ação feia”.

O exemplo acima pode nos dar uma idéia da complexidade que é viver em sociedade. A luta por um mundo melhor, por uma civilização mais humana, mais democrática e mais justa tem sido, historicamente, construída pelo homem. 

Atualmente, os governos, as organizações não-governamentais e os cidadãos do mundo lutam pela eqüidade. O que é a eqüidade? É uma forma de praticar a Justiça, isto é, o respeito à igualdade de direito de cada um, que independe do que está escrito nos códigos jurídicos. No século 21, a sociedade civil e política quer que todos pratiquem a eqüidade como expressão de um sentimento do que se considera justo, que seja expressa em forma de virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos dos homens.

Por isso, na Filosofia, a ética é o ramo de estudos que cuida particularmente de investigar os princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano. Ela reflete especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Podemos observar que as ações humanas, em face de sentimentos, estímulos sociais ou de necessidades íntimas, requerem, para a boa convivência na vida social, bons costumes, boa conduta, segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade. Uma pessoa, mesmo com as mais contundentes e sensíveis justificativas, em situação de privação material ou de fome, comete um crime ao roubar para alimentar-se. Roubar é um ato que fere a moral e os bons costumes.

Entre as diferentes ambiências humanas, a escola tem sido, historicamente, a instituição escolhida pelo Estado e pela família, como o melhor lugar para o ensino-aprendizagem dos valores, de modo a cumprir (em se tratando de educação para a vida em sociedade) a finalidade do pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mundo do trabalho. Sem a prática de valores, não podemos nem falar em cidadania.

Sendo assim, caberá às instituições de ensino a missão de ensinar valores no âmbito do desenvolvimento moral dos educandos. Através da seleção de conteúdos e metodologias que favoreçam temas transversais (Justiça, Solidariedade, Ética etc.), presentes em todas as matérias do currículo escolar, os valores podem ser conhecidos e aplicados na vida diária.

 

 

Decálogo dos valores

Confira abaixo dez conceitos que podem ser desenvolvidos para melhorar a nossa vida em sociedade:

Autonomia: Refere-se ao valor que reconhece o direito de um indivíduo tomar decisões livremente, ter sua liberdade, independência moral ou intelectual. É a capacidade apresentada pela vontade humana de se autodeterminar segundo uma norma moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou externo.

Capacidade de convivência: Valor que desenvolve a capacidade de viver em comunidade, na escola, na família, nas igrejas, nos parques, enfim, em todos os lugares onde se concentram pessoas, de modo a garantir uma coexistência interpessoal harmoniosa.

Diálogo: Valor que reconhece na conversa um momento da interação entre dois ou mais indivíduos, em busca de um acordo.

Dignidade da pessoa humana: Valor absoluto que cada ser humano tem. A pessoa é fim, não meio. A pessoa tem valor, não preço.

Igualdade de direitos: Valor inspirado no princípio segundo o qual todos os homens são submetidos à lei e gozam dos mesmos direitos e obrigações.

Justiça: É o valor mais forte. Manifesta-se quando a pessoa é capaz de perceber ou avaliar aquilo que é direito, que é justo. É o princípio moral em nome do qual o direito deve ser respeitado.

Participação social: Valor que se desenvolve à medida que nos tornamos parte da vida em sociedade e leva-nos a compartilhar com os demais membros da comunidade conflitos, aflições e aspirações comuns.

Respeito mútuo: Valor que leva uma pessoa a tratar outra com grande atenção, profunda deferência, consideração e reverência. A reação da outra será no mesmo nível: o respeito mútuo.

Solidariedade: Valor que se manifesta no compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas, particularmente, diante dos pobres, dos desprotegidos, dos que sofrem, dos injustiçados, com o intuito de confortar, consolar e oferecer ajuda.

Tolerância: Valor que se manifesta na tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às nossas.

 

Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Sobral, CE.

EDUCAÇÃO, ESCOLA e FAMILIA – por sonia oliveira silva

A qualidade da Educação Infantil depende, cada vez mais, da parceria entre a escola e a família. Abrir canais de comunicação, respeitar e acolher os saberes dos pais e ajudar-se mutuamente. Eis algumas ações em que as únicas beneficiadas são as nossas crianças pequenas. (Carraro, 2006)Em seu lar a criança experimenta o primeiro contato social de sua vida, convivendo com sua família e os entes queridos. As pessoas que cuidam das crianças, em suas casas, naturalmente possuem laços afetivos e obrigações específicas, bem como diversas das obrigações dos educadores nas escolas. Porém, esses dois aspectos se complementam na formação do caráter e na educação de nossas crianças.
A participação dos pais na educação dos filhos deve ser constante e consciente. A vida familiar e escolar se completa.
Torna-se necessária a parceria de todos para o bem-estar do educando. Cuidar e educar envolve estudo, dedicação, cooperação, cumplicidade e, principalmente, amor de todos os responsáveis pelo processo, que é dinâmico e está sempre em evolução.
Os pais e educadores não podem perder de vista que, apesar das transformações pelas quais passa a família, esta continua sendo a primeira fonte de influência no comportamento, nas emoções e na ética da criança.
É fato que família e escola representam pontos de apoio e sustentação ao ser humano e marcam a sua existência. A parceria família e escola precisa ser cada vez maior, pois quanto melhor for a parceria entre ambas, mais positivos serão os resultados na formação do sujeito.
A parceria com a família e os demais profissionais que se relacionam de forma direta ou indireta com a criança é que vai ser o diferencial na formação desse educando.
A vida nessa instituição deve funcionar com base na tríade pais – educadores – crianças, como destaca Bonomi (1998). O bom relacionamento entre esses três personagens, (dois dos quais são protagonistas na escola – educadores e crianças) é fundamental durante o processo de inserção da criança na vida escolar, além de representar a ação conjunta rumo à consolidação de uma pedagogia voltada para a infância.
A Professora Di Santo (2007) lembra que a fundamentação para a relação educação/escola/família como um dever da última para com o processo de escolarização e importância de sua presença no contexto escolar é publicamente amparada pela legislação nacional e diretrizes do MEC, aprovadas no decorrer dos anos 90.
Podemos citar: Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos artigos 4º e 55; Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigos 1º, 2º, 6º e 12; Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei nº 10172/2007), que define como uma de suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar (composta também pela família) e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. Citamos ainda, a Política Nacional de Educação Especial, que tem como uma de suas diretrizes gerais: adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da família no desenvolvimento global do aluno.

A importância da família na vida da criança

O primeiro grupo de pessoas com quem a criança, ao nascer, tem contato é a família. É interessante que logo a criança já demonstra suas preferências, seus gostos e suas diferenças individuais. Também a família tem seus hábitos, suas regras, enfim, seu modo de viver. É desse modo que a criança começará a aprender a agir, a se comportar, a demonstrar seus interesses e tentará se comunicar com esta família.
Está aí, neste círculo de pessoas que rodeiam a criança, a fonte original da identidade da criança.
Desde cedo, os pais precisam transmitir à criança os seus valores, como, ética, cidadania, solidariedade, respeito ao próximo, auto-estima, respeito ao meio ambiente, enfim, pensamentos que leve essa criança a ser um adulto flexível, que saiba resolver problemas, que esteja aberto ao diálogo, às mudanças, às novas tecnologias.
A criança já aprende desde pequena o que a mãe não gosta, o que é perigoso, o que pode e o que não pode fazer. Percebe-se, então, a importância da orientação dos pais.
À família cabe entender que a criança precisa de liberdade, mas por si só não tem condições de avaliar o que é melhor ou pior para ela mesma. A família é o suporte que toda criança precisa e, infelizmente, nem todas têm. É o sustentáculo que vai ajudar a criança a desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania;

 

Sobre a Autora:
Professora, Empresária, Especialista em Educação Infantil pela UFJF e também Pós Graduada em Mídia e Deficiência pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mg.

ASSÉDIO MORAL NA ESCOLA – por josé dagostim

O assédio moral é a melhor definição para o bullying. A sociedade com o advento da manifestação sombria do patriarcado, alimenta-se do capitalismo, assim, o homem se caracteriza pelo forte antropocentrismo coletivo, baliza para o comportamento individual, uma analogia a neoplasia mórbida.

A escola acha-se fortemente corrompida por um padrão fragmentado que valoriza: quantidade, regra, dogma, padrão e a ciência. Tudo dentro das sombras pragmáticas da receita; uma negação da diversidade. Sonegação da individualidade interior e os diversos padrões que se manifestam nos comportamentos existentes em cada ser humano.

Ao identificar os quatros arquétipos principais e seus sub-arquétipos C.G.Jung nos deixou a base da estrutura profunda da psique humana: visão, pensamento, sensibilidade e sensação. O tipo visionário se caracteriza pela personalidade pioneira e destaca-se pela excentricidade e a bondade, o tipo pensamento se caracteriza pela coragem e decisão tendo como ponto forte a comunicação imparcial, o tipo sensível se caracteriza pela percepção dos acontecimentos; a sabedoria e o tipo sensação pelo pragmatismo; os cinco sentidos e a paixão pela vida.

Dentro de cada estudante encontram-se todos estes padrões, mas, sempre um é que se destaca, enquanto os demais se manifestam inconscientemente. Falta aos educadores sensibilidade (sabedoria) para identificar o padrão de cada estudante e tencionar (trazer para a consciência) a vocação, dentro do padrão predominante e equilibrar os demais padrões.

A escola atual identifica-se com um padrão e marginaliza os demais, ocasionando desequilibro interno e externo. O dano à sociedade se percebe na desestruturação da psique humana e materializa-se no assédio moral (bullying).

Somos parte da unidade que clama!

 

COMO SE POLUI UM RIO – por gil portugal

Em realidade, despoluir ou não poluir um rio é uma tarefa de múltiplas facetas e exige atuações postas tais quais um feixe de retas paralelas em uma mesma direção.

Em primeiro lugar, para coordenar idéias, compete definir aquilo que é, para um rio, o seu elemento ou elementos vitais, a partir de que ele será um rio “com saúde”.

Desculpem-me se, daqui para frente, passarei a escrever sobre o óbvio mas, se o farei, nada mais é que para ordenar a linha de pensamento.

Na massa d’água corrente de um rio existem um sem número de organismos vivos dos reinos vegetal e animal e em todos os graus de entrosamento. É um ecossistema. E a Natureza nos ensina que todo ecossistema tem que viver harmoniosamente.

Vejamos, para começar, o reino animal que está presente no rio. A grande maioria de seus membros, devido ao rio, sobrevive, porque ali se alimenta e respira (oxigênio) ar e por isso, eles são animais aeróbios. Se não existissem no rio alimento ou ar eles morreriam. Com isso, tira-se a primeira conclusão: o ar, isto é, o oxigênio é peça indispensável para a sobrevivência do ecossistema, da mesma forma que o alimento, como para qualquer animal, e que, neste caso é a matéria orgânica. Acontece que a respiração é a função primordial, visto que, à sua falta o animal perece de imediato, donde se conclui que o oxigênio é a matéria prima fundamental para a sobrevivência do ecossistema rio.

Basicamente, o oxigênio estará presente na massa líquida por dois processos: a diluição em contato com o ar atmosférico e a fotossíntese devida aos vegetais. E aí, podemos chegar à primeira grande conclusão: se não houver diluição de contato e fotossíntese somadas em quantidade suficiente, fornecendo oxigênio para atender a fauna, ela perecerá gradativamente, até a posição de equilíbrio com a demanda.

O animal respira oxigênio e expira CO2 (dióxido de carbono), se alimenta de matéria orgânica e a transforma em minerais; a planta absorve o CO2 e através da fotossíntese, regenera o oxigênio.

Essa teoria é límpida e certa e com ela, podemos analisar um a um os fatos que fazem “adoecer” um rio e, com isso, nominar cada reta do nosso feixe de paralelas citado. Vejamos:

Desmatamentos – A retirada de um vegetal do solo ou mesmo sua morte, enfraquecerá a resistência mecânica desse solo graças a fixação que havia pelas raízes. Ao perder essa resistência, as águas de chuva iniciam um processo de erosão que, invariavelmente, mesmo que longe do curso d’água, irá carregar para os leitos desse curso, quantidades anormais de sólidos, levando ao processo de assoreamento.

O assoreamento conduz a dois acontecimentos, um deles de caráter não ambiental propriamente dito, que é a diminuição da seção fluída e com isso, provocará alagamento extra-caixa do rio e o outro ambiental, que se dá pelo soterramento dos vegetais de fundo e inibição da penetração para eles do oxigênio, passando, aí, a ocorrer outro processo de decomposição do material orgânico soterrado – sem a presença de oxigênio – através de organismos ditos anaeróbios (que não necessitam do oxigênio dissolvido para respirarem) mas que, ao invés de darem como produto o dióxido de carbono e minerais (insumos para a fotossíntese), produzirão gases derivados de carbono e do enxofre como o metano, as mercaptanas e os gases sulfurosos, venenos para a fauna aeróbia.

Agrotóxicos – São substâncias utilizadas em plantações com a finalidade de matar organismos nocivos à saúde dessas plantações; evidentemente que, essas substâncias, mais cedo ou mais tarde, pelas chuvas, serão carreadas para um curso d’água, continuando ali seu efeito tóxico sobre outros organismos que não aqueles a que se destinavam eliminar. Tais organismos, principalmente os microorganismos, são exatamente aqueles que se encarregam de fazer a decomposição das substâncias orgânicas no seio da massa líquida e se eles estão mortos ou doentes, funcionarão como mais alimentos a serem consumidos, ao invés de transformadores de alimentos.

Adubos – São substâncias colocadas em plantações com a finalidade de abastecê-las de seus elementos vitais como o nitrogênio, o potássio e o fósforo, são as “vitaminas” da flora e estimulam seu crescimento. De uma forma ou de outra, parte desses adubos serão carregados para os rios e ali incentivarão o crescimento dos vegetais aquáticos, principalmente os minúsculos como as algas e esse crescimento exagerado fará acontecer o fenômeno de eutrofização (proliferação exagerada de vegetais) que turvará de verde as águas, dificultando a penetração de luz solar, imprescindível à fotossíntese (que é geradora de oxigênio).

 Barragens – O turbilhonamento das águas é fator que facilita a dissolução de oxigênio do ar na água. Se as águas ficam tranqüilas, caso das águas barradas, a tendência à oxigenação diminui à montante (antes) da barragem e também, fica facilitada a deposição de poluentes pesados que comprometem o ecossistema; de positivo, nesse caso, há um favorecimento na depuração das águas à jusante (depois).

Lixeiras – Uma lixeira (local de disposição de lixos domésticos, chamada lixão, aterro sanitário) deve se constituir num sistema de proteção que preveja o recolhimento dos percolados e do “chorume”, que nada mais é que um “caldo” altamente orgânico e que demandará um grande consumo de oxigênio ao chegar a um curso d’água; não se contando aí, a possibilidade do lixo conter patogênicos, se for oriundo de hospitais.

Lixos Públicos - As populações ribeirinhas têm, no geral, o costume de lançar seus lixos diretamente nos rios por suas margens; isso significa mais material orgânico a demandar oxigênio bem como, materiais biodegradáveis como metais e plásticos que se não afetam diretamente a saúde do rio, irão causar transtornos aos sistemas de captação das águas para tratamento.

Esgotos Sanitários – Está aí a causa maior da alta demanda bioquímica de oxigênio (consumo de oxigênio) de um rio. Estudos mostram que, para cada pessoa, o esgoto produzido demanda, por dia, um consumo de 54g de oxigênio das águas do rio, isso sem contar os prejuízos dos não biodegradáveis que irão influenciar, por efeito direto, na saúde da flora e da fauna.

Atividades Pastorís – A criação de animais implica numa concentração não natural de espécies e consequentemente, em conseqüência, focos concentrados de dejetos altamente orgânicos a sacrificar os cursos d’água, localizadamente.

Abatedouros – Da mesma forma, há uma concentração não natural de fontes altamente demandáveis de oxigênio nos cursos d’água, além de outros inconvenientes, como exemplo, as penas que constituem um grande transtorno de filtração primária nas estações de captação de águas para tratamento.

A Poluição Atmosférica por Particulados – A geração e lançamento ao ar de partículas pelas diversas atividades industriais têm o efeito de cobertura constante dos solos e vegetais. Tais partículas, mais cedo ou mais tarde, por efeito das chuvas, irão atingir os cursos d’água, causando efeitos de assoreamento e de turbidez.

Os Pós de Varrição – Da mesma forma, as partículas geradas nas vias públicas por veículos, principalmente, irão, mais cedo ou mais tarde, alcançar um curso d’água.

Efluentes Líquidos de Hospitais e Laboratórios – Não se tem notícias de que haja tratamentos nesses casos; isso leva, evidentemente, à poluições de caráter patogênico e químico, respectivamente.

Os Aterros Industriais – O fenômeno de lixiviação de metais nos aterros industriais, sem uma perfeita proteção do solo, infiltram para os aqüíferos subterrâneos esses metais em dissolução, terminando seu deságüe em curso d’água.

As Micro-Atividades – Oficinas, postos de gasolina, fundições, galvanoplastias, cemitérios etc. são contribuidores constantes de óleos, outros orgânicos e metais.

A Poluição Térmica – O lançamento de águas quentes num rio causará, de imediato, fenômenos localizados de desoxigenação pois, o calor favorece a dissipação do oxigênio dissolvido; além disso, a faixa de temperatura de sobrevivência de peixes e muitos microorganismos é bastante estreita e, ainda, alguns vegetais têm sua proliferação acentuada com o aumento de temperatura.

A Poluição por Tensoativos – Os sabões influenciam para desequilibrar a tensão superficial vital para espécies de animais que dela dependem para sobreviver; como exemplo a flutuação das aves aquáticas, as bolhas de ar do besouro d’água etc.

A Poluição por Potencial Hidrogeniônico – A acidez ou basicidade acentuada, fora da normalidade das águas, podem levar a mortandade de peixes, muito comum junto a despejos de usinas de açúcar de cana.

A Poluição por Valor Osmótico – O fenômeno da passagem de líquidos através de membranas semipermeáveis, na direção do menos saturado para o mais saturado, aplica-se à vida de animais acostumados ou à água doce ou à água salgada. Dessa forma, o lançamento de grande quantidade de sais em água doce é uma forma de poluição e, paradoxalmente, o lançamento de águas doces e límpidas no mar é, também, forma de poluição.

Bem, leitor, vou parar por aqui, mas queria que ficasse registrado que o assunto “saúde de um rio” é muito mais complexo do que se pensa.

Hoje, como temos assistido, a preocupação recai quase que exclusivamente nas indústrias. É mais fácil forçá-las a não poluir, porque os recursos para tal não saem de verbas públicas e as tecnologias não precisam ser pensadas por organismos públicos para que descubram aquelas de maior benefício a menor custo etc.

Com isso, apenas um dos enormes tentáculos do polvo vem sendo cuidado: a poluição devido às indústrias.

Este artigo tem a finalidade de chamar a atenção para a abrangência do assunto e se refere às formas de poluição.

Quanto à despoluição, a certeza é que, deixar de poluir é uma forma de despoluição pois, os cursos d’água são notavelmente auto-renováveis, bastando que se diminuam as causas de sua degradação para que eles se recuperem paulatinamente.

poluição no TIETÊ. sem crédito. ilustração do site.

COMO ACABAR COM A VIOLÊNCIA NA ESCOLA – por vicente martins

Encontro-me com um grupo de professores da educação básica. O bate-papo é inicialmente informal e ameno. Aos poucos, porém, a conversa torna-se confragosa, crua e empedrouçada. Ouço, atento, o relato das dificuldades pedagógicas dos mestres, em sala de aula, sobretudo as relacionadas ao ensino e à aprendizagem da leitura, escrita e ortografia. Logo me incomoda a descrição da escola enquanto palco de situações de violência. A violência escolar nas escolas, públicas e privadas, é um problema pedagógico.

 Diretores e professores de escolas públicas me descrevem, apavorados, ocorrências de depredações dos prédios, casos de arrombamento de salas e laboratórios, ameaças e casos de detenções ou prisões e, não poucas vezes, situações de constrangimento e amedrontamento envolvendo pais, professores e alunos. 

 Um professor me diz que a situação está tão grave que um puxão ou uma tapinha entre alunos, dentro ou fora da escola, já pode  não ser sinal de uma simples brincadeirinha infanto-juvenil, mas de safanão  que logo será desferido contra o colega de sala, a ser deflagrado com intenção de dano físico, moral e requinte de perversidade  Agora, uma pergunta advém: em que  a universidade pude ajudar as escolas públicas? Onde podemos encontrar, na Academia, respostas concretas para uma situação real e preocupante das escolas públicas?

Uma solução simplista, imediata e necessária é, decerto, o policiamento e a colocação de grades. Mas isso não basta.Quase sempre as medidas coercitivas e paliativas parecem reforçar, apenas, a violência escolar.

São nas crenças, atitudes e reações dos mestres e na descrição do que se passa efetivamente na ambiência escolar que um novo olhar de todos nós, educadores, pais e poder público, deve ser proativo e, desde logo, vale começar por uma questão fundamental: de onde vem a violência? E, em seguida, levantar dúvidas do tipo: onde há a exclusão social se manifesta de modo mais acentuado a violência escolar?  Onde as causas? Onde as soluções?

 As respostas que nos vem à consciência nos mostra que as escolas não ficam isoladas  do contexto social uma vez que, realmente, estão muito próximas das famílias e da sociedade. A escola, para lembrar Louis Althusser, é o principal aparelho ideológico do Estado. As boas experiências de superação da violência escolar sairão, pois, do interior dos  próprios estabelecimentos de ensino.

Os gestores escolares sabem que medidas tradicionais como gradeamento, vigilância e policiamento, a médio ou longo prazos, não são suficientes nem atingem os  pontos centrais do problema da violência escolar ou urbana.

 Se tomarmos, como referência a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), a Lei 9.394/96,  ela, ao certo, dar-no-á pistas para uma resposta mais contumaz e convincente para a violência escolar.

O artigo 22, da LDBEN, referindo-se à educação infantil, ao ensino fundamental e médio, estabelece que é tarefa das instituições de ensino assegurar aos alunos a formação para cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho, nos estudos posteriores e na vida.  Agora, novos questionamentos: a escola tem cumprido esta missão? A escola tem se preocupado em formar os alunos para viver em sociedade, a saber-estar na vida social, ou tem se limitado a repassar conteúdos curriculares?

Sei que nada disso é fácil. E a primeira tarefa é sairmos do discurso ou espírito da Lei e ingressarmos na ação concreta. Então, com o fim de colaborar nessa missão, eis algumas sugestões ou passos  em direção  ao que chamaria aqui de práxis cidadã.

O primeiro passo para uma práxis cidadã, certamente, pode ser o de seguir alguns procedimentos de gestão participativa como, por exemplo, o de ouvir todos os segmentos envolvidos na comunidade escolar, em especial, os alunos.

O segundo passo é o de explicitar as contradições existentes na escola. Um terceiro passo é o de trabalhar as contradições internas da escola para que, em quarto momento, possa propor melhorias para as relações humanas. Um quinto procedimento é o de organizar comissões para aprofundar as discussões sobre violência e sobre a segurança possível na escola, no bairro, na cidade. E, por fim, duas ações são fundamentais para uma escola com menos violência e mais cidadania: os gestores devem abrir as escolas para dentro e para fora, inclusive aos finais de semana, e fazer funcionar, sem medo, e  efetivamente,  as estruturas democráticas das escolas.

A atuação de cada docente pode se materializar em projetos especiais nas escolas públicas. Como professor de língua materna, sem hesitação, montaria um projeto “ Ler Mais para uma Vida Melhor”. Sim, começar, pela leitura. Não é,  por certo, um projeto original, mas, para o modelo de escola que temos no Brasil, não há dúvida de que há de ser inovador, um novo olhar sobre a problemática escolar. Um bom exemplo (e é bom imitar o que é bom) é o projeto Círculos de Leitura, do Instituto Fernand Braudel, com grande atuação em Diadema, São Paulo.

O nome do Instituto é inspirativo: Fernand Braudel, um historiador francês e um dos mais importantes representantes da Escola dos Annales. Esta escola foi pioneira na abordagem de um estudo de estruturas histórias de longa duração nos eventos. Conhecer a história é, de alguma maneira, conhecer a geografia, cultura material, as mentalidades e a psicologia da época.  Da mesma forma, conhecer a violência urbana ou escolar é algo que extrapola histórica, social e juridicamente a questão da segurança pública e  nos conduz ao campo dos valores, crenças, maneira de pensar, disposições psíquicas e morais da coletividade.

Pois bem. As atividades do Instituto começaram assim: um grupo de estudiosos da problemática social, ao conduzirem pesquisas de campo nas escolas públicas da periferia da Grande São Paulo, em 1999, documentaram a falta da prática da leitura, reflexão e debate no cotidiano da sala de aula. A partir do diagnóstico, desenvolveram uma política de apoio às bibliotecas escolares, através de mutirões e capacitação de voluntariado em parceria com a comunidade escolar.

O método da Fundação Fernand Braudel é fantástico, por sua simplicidade e eficácia e, mais do que isso, por seus resultados.  Eles trabalham com grupos pequenos e interativos de educadores pagos e voluntários  que trabalham de forma interativa com grupos de 10 a 15 jovens. Com esta medida, o Instituto oferece melhores condições para o jovem dialogar e formar vínculos com outros alunos e professores.

Outra interessante atividade é o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem a partir da leitura de temas universais e clássicos da literatura. Vale destacar que trabalham com obras literárias que trazem em suas  histórias (e estórias) temas universais, com que o jovem pode se identificar, ampliando seu repertório cultural e relacionando suas experiências com relatos que sobrevivem ao tempo.

Entre as atividades de lectoescrita, a Fundação  faz um trabalho de desenvolvimento da leitura em voz alta e em grupo. A Fundação acredita, e isso é verdade, que para aquisição da capacidade cognitiva, alunos necessitam de instrução efetiva em cinco áreas: fonêmica, fonética, fluência, vocabulário e compreensão do texto. Em pequenos círculos, participantes se alternam lendo em voz alta e parando periodicamente para discutir sobre o significado dos trechos lidos.     

Ainda no campo da lectoescrita, os voluntários da Fundação Fernand Braudel desenvolvem atividades como produção textual para que o aluno reflita e escreva sobre o que foi lido e discutido em grupo. As redações desenvolvidas durante as sessões do Círculo são utilizadas para acompanhar o progresso de cada aluno e do grupo. Ao final de cada encontro, os participantes lêem e refletem sobre os conteúdos dos poemas e textos encontrados ou escritos por eles.

Por fim, outras ações da Fundação, não menos significativas, são a participação voluntária do jovem, peça-chave para a construção de sua cidadania, e sua contribuição na melhoria das condições do espaço escolar. As atividades culturais também têm lugar na missão da Fundação. São elas que auxiliam no aprendizado do jovem e ampliar seu universo de referência cultural a partir das obras lidas, além de organizar atividades e passeios culturais, incluindo visitas a bibliotecas, parques  e teatros.

         O que sei, depois de duas décadas de magistério, é que a privação da leitura interfere no desenvolvimento da personalidade dos alunos. Um sem-leitura é como um sem-terra sem a posse legal da terra em que vive e trabalha. Um aluno sem leitura não compreende os códigos lingüísticos e sociais e, o mais grave, não sabe interpretar, naquela visão paulofreiriana, a vida em sociedade. Não é à toa que um aluno sem-leitura é rechaçado e rechaçador, triste e deprimido, agressivo e angustiado, potencialmente um excluído do convívio social. .

         Numa sociedade de informação, ler ou escrever bem é condição de superação da desigualdade social. A leitura vai além do repertório de palavras que brotam do alfabeto.  Ler é compreender, interpretar, descobrir, criar e, sobretudo, desfrutar do reino do conhecimento.

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará.
foto feita pelo telescópio hubble. foto da nasa.

CÓDIGO E LINGUAGEM, METALINGUAGEM por décio pignatari

Vê-se por aí que código e linguagem são basicamente uma e mesma coisa, a ponto de podermos dizer que o Português é um código, e o Inglês, outro. O que não impede que, sem certas circunstâncias, e para maior clareza, se faça uma distinção entre linguagem e código, como o faz Colin Cherry. Para ele, linguagem é “um vocabulário (de signos) e o modo de usá-los”, um conjunto de signos e regras, tais como os que usamos na conversação diária, de um modo altamente flexível e, até, bastante “ilógico”. As mensagens podem ser codificadas quando já expressas por meio de signos (letras, por exemplo); então, uma codificação seria uma transformação, geralmente unívoca e reversível, por meio da qual mensagens podem ser convertidas de um conjunto de signos para outro. O código semafórico e o código dos surdos-mudos – melhor ainda, o Código Morse – representam exemplos típicos. Dessa forma, as linguagens teriam um longo desenvolvimento orgânico, enquanto que os códigos seriam inventados para algum fim específico e sujeitos a regras explícitas. A verdade, no entanto, é que na medida em que se introduz a ambigüidade num código – ou seja, quando a sua reversibilidade não é perfeita – ele começa a tingir-se de certas características de linguagem, ou melhor, de língua.

 

De outra parte, convém fazer a distinção entre língua e linguagem, ainda mais quando vemos que, em Inglês e Francês, as palavras “language” e “langage” são tomadas como sinônimos de “língua”, Por esta razão, no que nos toca, consideramos as línguas como manifestações particulares, fundamentais embora, da linguagem, e a Lingüística como um ramo da Semiótica, que pode, assim, ser considerada como a Linguagem (ou: princípios gerais que comandam toda e qualquer manifestação da linguagem).

 

No estudo da linguagem, uma última distinção se faz ainda necessária: entre linguagem-objeto e metalinguagem. Linguagem-objeto é a linguagem que se estuda; metalinguagem é a linguagem com que se estuda, é a linguagem instrumental, crítico-analítica, que permite estudar a linguagem-objeto sem com ela se confundir. Ou ainda: quando a linguagem-objeto se volta sobre si mesma, ela tende a ser metalinguagem, beneficiando-se da fenomenologia. Este fenômeno é particularmente notável nas revoluções artísticas e de “design” (Dada, neoplasticismo e pop, nas artes visuais; dodecafonismo, música serial e eletrônica, na música; “nouvelle vague”, no cinema; Mallarmé, Joyce, Pound, poesia concreta, na literatura; a revista Mad em relação às linguagens dos meios de comunicação de massas; Mies Van Der Rohe, na arquitetura).

 

Segue-se daí que toda metalinguagem é marcadamente sintática, formal, estrutural. É por ignorância deste fato e pela tendenciosa e hegemônica formação cultural de tipo lingüístico (melhor dizer literário), que a maior parte da chamada crítica de arte – literária, visual, musical, cinematográfica, arquitetônica – se manifesta “literária” e subjetivamente: carece de metalinguagem adequada (voltada que está, aristotelicamente, para o “conceito”, o “conteúdo” a “significação”). O criador está por dentro da linguagem; o crítico, por fora. O criador se alimenta de raízes da linguagem; o crítico, de suas folhas, flores e frutos. O mesmo se diga dos professores de nossas universidades, ao abordarem o fenômeno artístico. A metalinguagem é um processo dinâmico, mas é comum ver como ela tende a se estratificar em código, confundindo-se então com o jargão técnico, especializado.

 

Texto escrito em Janeiro de 1968.

                                                

     coletânea CARPE DIEM. Curitiba.

COMENTÁRIO de ANDRÉA POÇA em “DO PROIBIDO AO OBRIGATÓRIO”, neste site

COMENTÁRIO:

Andréa  Barreto M. da Poça

 

 

Adorei o Post. Sou Professora de Ciências, dou aulas de Educação Sexual para meninos e meninas de Escolas Públicas do Rio de Janeiro. E o que vejo é uma imensa massa de adolescentes que não tem informação, ou melhor tem a informação só mas não a transformam em conhecimento. E essa massa é empurrada a fazer sexo sem o menor preparo. Passamos do nada pode, para tudo vale. Já enfrentei meninos com 12 anos com Doenças Sexualmente Transmissíveis ou meninas com 11 anos, grávidas ! Isso é uma aberração! Não é natural. Eles não estão preparados para isso !
Parabéns pela coragem e clareza do Post ! Está na hora de falar o óbvio!

 

veja o tema: AQUI

A GUERRA dos MÉTODOS na ALFABETIZAÇÃO – por vicente martins

O presente artigo responde a quatro perguntas sobre método de alfabetização em leitura: (1) O método fônico é o mais eficaz para alfabetização?(2) Quais as principais diferenças entre o modelo fônico e o construtivista? (3) Segundo uma pesquisa feita pela revista Veja 60% das escolas adotam o modelo construtivista para alfabetização dos alunos. Por que a grande maioria opta por esse método? (4) Quais as vantagens que o aluno tem ao ser alfabetizado pelo método fônico?

Comecemos pela primeira questão. Há uma guerra dos métodos de alfabetização em leitura, no Brasil e fora do Brasil, especialmente a Europa, que, na verdade, dissimula uma outra guerra, de ordem ideológica e financista, entre especialistas no mundo da lectoescrita. Não é de hoje.

Diríamos que há, pelo menos, um século, discutimos a prevalência de um método sobre o outro. Ontem, hoje e amanhã, certamente, quem ganha, claro, terá seus dividendos editoriais e mais prestígio nacional ou internacional sobre o campo fértil das mídias, que é o da leitura e da escrita.

No Brasil, nos anos 60, século passo, o educador Paulo Freire, por exemplo, com seu método de alfabetização, ganhou notoriedade internacional por defender a aquisição da leitura além do acesso ao código lingüístico e de levar o alfabetizado a uma visão crítica, política e politizada de um mundo do trabalho, do cotidiano, da vida em sociedade, povoado de inquietações, aspirações sociais, violências simbólicas, conflitos de classes sociais e dominado por forças de dominação econômica e cultural. É um modelo inspirador para os alfabetizadores do século XXI.

A peleja dos métodos de alfabetização está bem polarizada: métodos fônicos de um lado, do outro, os construtivistas. Os métodos fônicos também são conhecidos por métodos sintéticos ou fonéticos. Partem das letras (grafemas) e dos sons (fonemas) para formar, com elas, sílabas, palavras e depois frases.

São vários modelos de métodos fônicos. Entre eles, o mais antigo e mais consistente, em termos de pedagogia da alfabetização em leitura, é o alfabético ou soletração, que consiste em primeiro ensinar as letras que representam as consoantes e, em seguida, unir as letras-consoantes às letras-vogais.

Os modelos alfabéticos de alfabetização em leitura, por seu turno, partem das sílabas para chegar às letras e aos seus sons nos contextos fonológicos em que aparecem. As cartilhas de ABC, durante muito tempo encontradas em mercearias ou bodegas ou mesmo mercados, eram o principal material didático e contavam com a presença forte do alfabetizador que acreditava que, pelo caminho da repetição das letras e dos seus sons, o aluno logo chegaria ao mundo da leitura.

Os métodos construtivistas de alfabetização em leitura, também chamados analíticos ou globais partem das frases que se examinam e se comparam para, no processo de dedução, o alfabetizando encontrar palavras idênticas, sílabas parecidas e discriminar os signos gráficos do sistema alfabético.

A aplicação do método construtivista, na prática, quando aplicado, tende a ser mais praxiologia do que mesmo método. Por que praxiologia? Induz à alfabetização, centra-se no alfabetizando e não no alfabetizador, quando, a rigor, nesse momento, a intervenção do educador se faz importante uma vez que há necessidade, na alfabetização, de um ensino sistemático e diretivo para levar o aluno à compreensão do sistema de escrita da língua. É na alfabetização que o aluno deve construir a consciência lingüística da leitura.

A tradição de helênica de alfabetização nos leva a considerá-la uma importante etapa da educação escolar (embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação(LDB), promulgada, em 1986, não faça referência a uma sala específica de alfabetização na educação infantil ou no ensino fundamental) como uma iniciação no uso do sistema ortográfico.

Há uma espécie de consenso entre os alfabetizadores de considerar que a alfabetização é um processo de aquisição dos códigos alfabético e numérico cujo finalidade última é a de levar o alfabetizado ao letramento e ao enumeramento, isto é, a adquirir habilidades cognitivas para desenvolver práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito.

Mas como garantir a alfabetização em leitura? Através de métodos ou estratégias de aprendizagem. Por isso, quando nos reportamos, historicamnente, aos métodos de alfabetização em leitura, estamos nos referindo, dentro da longa tradição da alfabetização, a um conjunto de regras e princípios normativos que regulam o ensino da leitura. Nos anos 60, a maioria da população brasileira aprendeu a ler pelo método da silabação, que consiste em ensinar a ler por meio do aprendizado de sílabas e a partir delas a formar palavras e frases. A segmentação das sílabas em fonemas e letras é uma etapa posterior.

Todavia, só o método, em si, não garante a aprendizagem. É importante a formação do alfabetizador. Sem formação lingüística, o método pode perder sua eficácia. A alfabetização em leitura é diretamente relacionada com o sistema de escrita da língua.

No caso das chamadas línguas neolatinas, particularmente o Português e o Espanhol, o método fônico se torna um imperativo educacional por conta do próprio sistema lingüístico, isto é, o chamado princípio alfabético, manifesto na correspondência entre grafemas e fonemas e na ortografia sônica, mais regular e digamos, assim, mais biunívoca: uma letra representa um fonema, na maioria dos casos. Como a língua não é perfeita unívoca – exatamente por é social, construída historicamente pala comunidade lingüística - sons como /sê/ ou /gê/ poderão terão várias representações gráficas, transformando esses casos isolados em contextos equívocos e que, no fundo, podemos contar nos dedos e que não perturba o processo de alfabetização.

Com as afirmações acima, já podemos estabelecer algumas diferenças básicas entre os dois métodos. O fônico, como o próprio nome nos sugere, favorece o princípio alfabético, a relação grafema-fonema e seu inverso, isto é, a relação fonema-grafema. Se a escola partir do texto escrito, no método fônico, estará, assim, enfatizando a relação grafema-fonema. Se a escola parte da falta do alfabetizando, focalizará, desde logo, a relação fonema-grafema.

O grande desafio dos docentes ou dos pedagogos da leitura é, tendo conhecimento de Lingüística e Alfabetização, levar os alunos a entenderem, ao longo do processo de alfabetização, as noções de fonema e grafema. Entender, por exemplo, que fonema, som da fala, faz parte do chamado módulo fonológico, uma herança genética do ser humano.

Na fase de balbucio, ainda não os sons da fala ainda não manipulados pela criança, mas, a partir dos três anos de idade, já considerada nativa, a escola pode ensinar ao educando, sistematicamente, o sistema sonoro da língua, levando-o à consciência fonológica ou fonêmica, de modo que entendam que o fonema é uma   unidade mínima das línguas naturais no nível fonêmico, com valor distintivo.

Os investigadores de leitura mostram que o método fônico também é mais eficiente para as comunidades lingüísticas pobres, ou seja, as camadas populares com acesso precário aos bens culturais da civilização letrada. Por que isso ocorre? Graças ao fonema podemos distinguir morfemas ou palavras com significados diferentes, todavia próprio fonema não possui significado. Em português, as palavras faca e vaca distinguem-se apenas pelos primeiros fonemas/f/ e/v/.

Os fonemas não devem ser confundidos, todavia, com as letras dos alfabetos, porque estas frequentemente apresentam imperfeições e não são uma representação exata do inventário de fonemas de uma língua. As letras do alfabeto são signos ou sinais gráficos que representam, na transcrição de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas. Como as letras não dão conta de todo o sistema de escrita, os lingüistas falam em grafemas no campo da escrita.

Os grafemas, bastante variados, estão presentes no sistema da escrita da língua portuguesa. Para a compreensão da escrita alfabética ou ortografia da língua portuguesa, a noção de grafema se faz necessária uma vez ser uma unidade de um sistema de escrita que, na escrita alfabética, corresponde às letras e também a outros sinais distintivos, como o hífen, o til, sinais de pontuação e os números.

O método global além de não ter funcionado ou vir tendo uma resposta eficaz no sistema educacional da América Latina, uma vez que não se presta ao nosso sistema lingüístico, ao contrário do método fônico, que requer conhecimentos metalingüísticos da fonologia da língua portuguesa, o global requer dos alunos uma maior carga de memorização lexical.

O método global de alfabetização em leitura peca porque sobrecarrega a memória dos alfabetizandos quando ainda não estão em processo de construção do seu léxico, que depende, como nos ensina o sociointeracionismo, das relações intersubjetivas ou interpessoais e de engajamento pragmático das crianças no uso social da língua. Numa palavra, diríamos que o método global depende muito das formas de letramento da sociedade, dos registros de atos de fala, nos diferentes contextos sociais e culturais da sociedade, em que a palavra é, assim, o grande paradigma em ponto de partida da pedagogia da leitura. Para os países desenvolvidos e com equipamentos sociais à disposição dos alunos, cai como uma luva.

Para os países subdesenvolvimentos, tem se constituído uma lástima e é deplorável a situação por que passa o Brasil, nos exames nacionais e internacionais, anunciando o nosso pais como o pior país do mundo em leitura.Ao contrário do método fônico, o método global não tem um caráter emancipatório, retarda o ingresso da criança no mundo da leitura.

A partir dos anos 80, no século passado, o Brasil, através de seus governos, influenciado com os achados da psicogênese da escrita, realmente uma teoria (e não pedagogia) bastante sedutora em se tratando de postulações pedagógicas, adotou o método construtivista para o sistema educacional, em particular, o público, a adotar o método construtivista ou global. Uma década depois, os resultados pífios do Sistema de Avaliação da Educação Escolar (convertido,agora, em Prova Brasil) revelaram que as crianças, depois de oito anos de escolaridade, estavam ainda com nível crítico de alfabetização, mal sabiam decodificação, isto é, transformar os signos gráficos(letras) em leitura. Sem leitura, como sabemos, o aluno não tem estratégia de desenvolvimento de capacidade de aprender ou de aprendizagem.

Os primeiros seis anos do século XXI já assinalam o principal desafio dos governos, estabelecimentos de ensino e docentes, no meio escolar, é o de levar o aluno ao aprendizado da lectoescrita. O que deveria ser básico se tornou um desafio aparentemente complexo para os docentes da educação básica: assegurar, através da leitura, escrita e cálculo, a aprendizagem escolar.

Por que o domínio básico de lectoescrita se tornou tão desafiador para o sistema de ensino escolar? Por que ensinar a ler não é tão simples? Como desvelar o enigma do acesso ao código escrito? Em geral, quando nos deparamos com as dificuldades de leitura ou de acesso ao código escrito, esperamos dos especialistas métodos compensatórios para sanar a dificuldade.

Nenhuma dificuldade se vence com método mirabolante. O melhor caminho, no caso da leitura, é o entendimento lingüístico, do fenômeno lingüístico que subjaz ao ato de ler. Ler é ato de soletrar, de decodificar fonemas representados nas letras, reconhecer as palavras, atribuir-lhes significados ou sentidos, enfim, ler, realmente, não é tão simples como julgam alguns leigos.

O primeiro passo, nessa direção, o de ensinar o aluno a  aprender a ler antes para praticar estratégias de leitura depois,  em outras palavras, de atuar eficientemente com as dificuldades do acesso ao código escrito, as chamadas dificuldades leitoras ou dislexias pedagógicas, é ensinar o aluno a  aprender mais sobre os sons da língua, ou melhor, como a língua se organiza no âmbito da fala ou da escrita.Quando me refiro à fala, estou me referindo, sobretudo, aos sons da fala, aos fonemas da língua: consoantes, vogais e semivogais.

A leitura, em particular, tem sua problemática agravada por conta de dificuldades de sistematização dos sons da fala por parte da pedagogia ou metodologia de plantão: afinal, qual o melhor método de leitura? O fônico ou o global? Como transformar a leitura em uma habilidade estratégica para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de aprendizagem do aluno?

Assim, um ponto inicial a considerar é a perspectiva que temos de leitura no âmbito escolar. Como lingüística, acredito que a perspectiva psicolingüística responde a série de questionamentos sobre o fracasso da leitura na educação básica. Em geral, os docentes não partem, desde o primeiro instante de processo de alfabetização escolar, da fala. A fala recebe um desprezo tremendo da escola e é fácil compreender o porquê: a escrita é marcador de ascensão social ou de emergência de classe social.

A escrita é ideologicamente apontada como sendo superior a fala. A tal ponto podemos considerar essa visão reducionista da linguagem, que quem sabe falar, mas não sabe escrever, na variação culta ou padrão de sua língua, não tem lugar ao sol, não tem reconhecimento de suas potencialidades lingüísticas. Claro, a escrita não é superior a fala nem a fala superior a escrita. Ambas, interdependentes. A alma e o papel, o pensamento e a linguagem, a fala e a memória, todos esses componentes têm um papel extraordinário na formação para o leitor proficiente.

ABUD, Maria José Millarezi. O ensino da leitura e da escrita na fase inicial de escolarização. São Paulo: EPU, 1987. (Coleção temas básicos de educação e ensino)

ALLIEND, G. Felipe, CONDEMARÍN, Mabel. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Tradução de José Cláudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

BETTELHEIM, Bruno, ZELAN, Karen. Psicanálise da alfabetização. Tradução de José Luiz Caon. Porto Alegre: Artmed, 1984.

BOUJON, Christophe, QUAIREAU, Christophe. Atenção e aproveitamento escolar. Tradução de Ana Paula Castellani. São Paulo: Loyola, 2000.

CARDOSO-MARTINS, Cláudia (org.). Consciência fonológica e alfabetização.Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

CARVALHO, Marlene. Guia prático do alfabetizador. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1999.

CASTELLO-PEREIRA, Leda Tessari. Leitura de estudo: ler para aprender a estudar e estudar para aprender a ler. Campinas, SP: Alinea, 2003.

CATACH, Nina (org.). Para uma teoria da língua escrita. Tradução de Fulvia M. L Moretto e Guacira Marcondes Machado. São Paulo: Ática, 1996.

CATANIA, A. Charles. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4ª ed. Tradução de Deisy das Graças de Souza. Porto Alegre: Artmed, 1999.

CHAPMAN, Robin S. Processos e distúrbios na aquisição da linguagem. Tradução de Emilia de Oliveira Diehl e Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996.

COHEN, Rachel, GILABERT, Hélène. Descoberta e aprendizagem da linguagem escrita antes dos 6 anos. Tradução de Clemence Marie Chantal Jouët-Pastre et ali. São Paulo: Martins Fontes, 1992. (Coleção Psicologia e Pedagogia)

COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesús. Desenvolvimento psicológico e educação: volune 3, transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2 ed. Tradução Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004.

COLOMER, Teresa, CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

CONDEMARÍN, Mabel e MEDINA, Alejandra. A avaliação autêntica: um meio para melhorar as competências em linguagem e comunicação. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2005

CONDEMARÍN, Mabel, GALDAMES, Viviana, MEDINA, Alejandra. Oficina da linguagem: módulos para desenvolver a linguagem oral e escrita. 1ª ed. Tradução de Marylene Pinto Michael. São Paulo: Moderna, 1999.

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

tela de mazé mendes. ilustração do site.

 

O QUE HÁ COM A POESIA? PARA IVO BARROSO FALTA…

Para Ivo Barroso, falta à poesia atual o poder de emocionar

Cada vez a poesia “atinge” menos leitores, seja porque recorre a uma linguagem que em última instância a elitiza ou a marginaliza, seja pela sua atual incapacidade de atingir aquilo que parece o fim precípuo dessa arte: o poder de emocionar, de tocar uma corda sensível do leitor e tirá-lo, ainda que por brevíssimos instantes, do fulcro habitual em que vive e pensa. A maior parte da produção poética de nosso tempo nada tem a ver com a poesia propriamente dita: é prosa ruim ou letra de música ou abjeções destinadas ao vaso sanitário. Além disso há uma persistência inexplicável por métodos que de há muito se revelaram inócuos. Tenho engulhos quando leio poemas com trocadilhos ou jogos de palavra aleatórios tipo pá/lavra e quejandos. Há gente que ainda hoje usa recursos concretistas pensando que está fazendo poesia “avançada”…

BAÍA DE ANTONINA. tela de claudio kambé. ilustração do site.

BEHAVIORISMO, LINGÜÍSTICA E DISLEXIA por vicente martins

 

 

Os modelos behavioristas de intervenções em crianças disléxicas, disgráficas e disortográficas teriam uma base em teoria e método em duas abordagens: (1) psicológica, cuja intervenção psicopedagógica procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações), sem fazer recurso à introspecção e (2) lingüística, cuja intervenção psicopedagógica é apoiada na psicologia behaviorista e proposta inicialmente por L. Bloomfield (1887-1949) e depois por B.F. Skinner (1904-), que busca explicar os fenômenos de erros da comunicação lingüística e da significação na língua em termos de estímulos observáveis e respostas produzidas pelos falantes em situações específicas de uso da linguagem escrita.

 

Esta visão tem caráter empirista, isto é, os profissionais trabalham na perspectiva filosófica de aliar suas atividades, no programa de treinamento, à doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo. É, na verdade, o empirismo uma atitude de quem se atém a conhecimentos práticos. No campo da psicopedagogia, especialmente clínica, a abordagem empirista ocorre quando a intervenção se orienta pela experiência, com desprezo por qualquer metodologia científica.

 

Os modelos inatistas de intervenções em crianças disléxicas, disgráficas e disortográficas teriam uma base a concepção de inato e inatismo. Aqui, as atividades ou programas de treinamento reconheceriam que os disléxicos não são uma tabula rasa, isto é, teriam condições de dar respostas compensatórias, com seu esforço próprio, de suas dificuldades na linguagem escrita.

 

Os modelos inatistas de intervenção se afirmam na idéia de um caráter inato das idéias no homem, sustentando que independem daquilo que ele experimentou e percebeu após o seu nascimento . Os modelos de intervenção se apóiam na lingüística gerativa, hipótese segundo a qual a estrutura da linguagem estaria inscrita no código genético da natureza humana e seria ativada pelo meio após o nascimento do homem.

 

Numa perspectiva psicolingüística, os modelos de intervenção fazem à teoria de que a criança nasce com uma predisposição biológica para aprender uma língua.Segundo a hipótese do inatismo, o rápido e complexo desenvolvimento da competência gramatical da criança só pode ser explicado pela hipótese de que ela nasceu com uma conhecimento inato de pelo menos alguns dos princípios estruturais universais da linguagem humana. O inatismo se baseia na doutrina que privilegia a razão como meio de conhecimento e explicação da realidade.

 

O racionalismo é o  conjunto de teorias filosóficas (eleatismo, platonismo, cartesianismo etc.) fundamentadas na suposição de que a investigação da verdade, conduzida pelo pensamento puro, ultrapassa em grande medida os dados imediatos oferecidos pelos sentidos e pela experiência.

 

 

 

Exemplo de modelos behavioristas bem sucedidos durante a intervenção dislexiológica podemos extrair entre as sugesões presentes no livro Dislexia: manual de leitura corretiva (Artes Médicas, 1989), de Mabel Condemarín e Marlys Blomquist.

 

Os profissionais devem ter, preferencialmente, um olha r racionalista sobre as atividades abaixo, apostando que os disléxicos têm competência para responderem, com seus esforços, às propostas de atividades do programa de treinamento.

 

Segundo Mabel Condemarín e Marlys Blomquist, os elementos fonéticos nos quais os disléxicos tendem a apresentar maior número de problemas referem-se à discriminação de vogais, de letras de grafia similar e de letras de sons próximos.

 

Com base nas autoras, vamos propor a seguir exercícios para discriminar vogais. A lista de palavras que expomos pode ser utilizada pelo reeducador para grafar as vogais orais iniciais e para ampliar os exemplos de outros exercícios.

 

Os timbres das vogais indicadas para leitura poderão ser abertos (´) ou fechados (^), conforme a variação regional. Uma observação importante é que elegemos palavras cognatas, isto é, palavras que vêm de uma mesma raiz que outra(s).

 

Uma vez que os disléxicos apresentam déficit de memória de trabalho as palavras cognatas favorecem a memorização dos itens lexicais. Também os itens lexicais são organizados na forma alfabética exatamente para facilitar a memorização dos mesmos, recursos disponível em programa de word (em tabela, classificar as palavras).

 

Batizamos aqui esta atividade de atividade de discriminação dos elementos fonéticos das palavras, uma vez que trabalhamos duas habilidades: a consciência fonológica e a memória de trabalho. Podendo, assim, ser aplicada tanto para exercício de leitura em voz (decodificação leitora) como treinamento ortográfico (codificação escritora)

 

Lista de palavras para serem lidas em voz e levaram os educandos a terem a percepção do sistema vocálico da língua portuguesa: anedota, eletricista, Imortalizar, Ouvidor, Último, Amoroso, Eletricidade, Imortalidade, Ouvido, Úmido, Amor, Eletivo, Imortal, Ouvinte, Universal, Ameixeira, Elenco, Imobilizar, Ouvir, Universalismo, Amável, Elementar, Imobiliária, Ovelha, Universalista, Ameixa, Elemento, Imobilismo, Overdose, Universalizar, Arrastão, Eletrocutar, Imigração, Ovo, Universidade,Anedotário, Elétrico, Imitação, Oxigenar, Universitário, Arrastar, Eletrocussão, Imigrante,Oxigênio, Universo, arrastamento, Eletrizante, Imitar, Oxítono, Urna

 


No campo da expressão oral, em geral, os disléxicos, disgráficos e disortográficos tendem a confundir auditivamente aqueles fonemas, representados em letras ou grupos de letras (dígrafos), que possuem um ponto de articulação comum. Três conceitos são fundamentais para esta tarefa:

(1) Letra, entendida como cada um dos sinais gráficos que representam, na transcrição de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas;

 

(2) dígrafo, definido como grupo de duas letras us. para representar um único fonema; digrama, monotongo [No português são dígrafos: ch, lh, nh, rr, ss, sc,, xc;incluem-se tb. am, an, em, en, im, in, on, om, um, un (querepresentam vogais nasais), gu e qu antes de e de , e tb. ha, he, hi, ho, hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.] e

(3) Grafema, definido como unidade de um sistema de escrita que, na escrita alfabética, corresponde às letras (e tb. a outros sinais distintivos, como o hífen, o til, sinais de pontuação, os números etc.), e, na escrita ideográfica, corresponde aos ideogramas.

 

As letras com sons acusticamente próximos que são mais susceptíveis de ser confundisos são as seguintes: b-p; x-j; d-t; c-j; em menor grau confunde-se m-p-b. As listas de palavras figurativas que apresentamos a seguir podem ser empregadas para ilustrar exercícios.

 

Lista de signos alfabéticos: d,b, p,t, v,f,c, g,m

Lista de palavras: Dado, Bata, Pau, Taco, Vela, Farol,Cara, Gato, Mapa, Dedo,Bote, Puma,Táxi, Vaso, Foca, Casa, Gola, Macaco, Dois, Boca, Pipa, Touro, Vaca

Fila, Copa, Gota, Mesa, Disco, Baú, Peru, Tubo, Vale, Folha

Calha, Galo, Marco, Ducha, Bala, Parede, teto, Vila, Fogo

Carta, Gordo, Muleta,

 

As crianças com dislexia, disgrafia e disortografia, geralmente, apresentam dificuldades para o reconhecimento rápido da sílaba com ditongo. Por ditongo, o reeducador deve entender, foneticamente, emissão de dois fonemas vocálicos (vogal e semivogal ou vice-versa) numa mesma sílaba, caracterizada pela vogal, que nela representa o pico de sonoridade, enquanto a semivogal é enfraquecida. Além do ditongo intraverbal – no interior da palavra, como pai, muito -, ocorre em português tb. o ditongo interverbal, entre duas palavras, como p.ex.: Ana e Maria, que exerce papel importante na versificação portuguesa.

 

Dentro da tradição do ensino gramatical do português, existem dois tipos de ditongo: (1) ditongo crescente, o que tem a semivogal como primeiro som (p.ex., quadro) e (2) ditongo decrescente, aquele que tem a semivogal como segundo som (p.ex., mau).

 

A lista de palavras com ditongos que apresentamos abaixo pode ser utilizada em diferentes exercícios: leitura em voz alta e treinamento ortográfico.

 

Lista dos ditongos: ÃE,ÃO,ÕI,OU,EI,EA,IO,IA,ÕE

Lista de palavras a serem trabalhadas em voz alta: Mãe, Pão, Dói,Dou,Hem, Área, Lírio, Várias, Põe, Pães, Mãos, Herói, Louco,Vivem, Áurea, Curioso, Sábia, Limões, capitães, Falam, Constrói, Estoura, Têm, Orquídea, ópio, Constância, Ações.

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

sala de aula. foto sem crédito. ilustração do site.

KONPLIKASÃO ORTOGRÁFICA – por eno teodoro wanke

Ningén ignora, todos senten na pele: a ortografia do Brazil está muito konplikada atualmente. Ningén konsege aprendê-la por konpleto. E os ke aprenden kon serta dezenvoltura fikan uzando iso para demonstrar status e sabedoria – mas kuando akaba, terminan senpre por nesesitar de ir ao disionário de vez em kuando para tirar dúvidas ortográfikas. Mesmo profisionais da palavra kalejados, komo os revizores, tên o disionário komo instrumento de trabalho.

Perdemos uma longa parte de nosso tenpo e de nosas enerjias eskolares estudando ke tal ou kual palavra se esckreve kon “x“ e não kon “z“, kon “ss“ e não kon “c”, kon “j” e não kon “g”. E -pior- akabamos não aprendendo nunka. Uma konplikasão!

Tudo iso por ke? Tudo devido a uma tal “ortografia etimolójika” ke andava en moda na Fransa do fin do sékulo 19- e ke os portugezes adotaran ao fazer sua reforma ortográfica em 1911. A mesma ortografia ke, kon pekenas modifikasões, foi adotada pelo Brazil em 1945 e uzamos oje.

A etimolojia, todos saben, ningén duvida, é uma siênsia muito interesante, fasinante mesmo, ke estuda a istória e a origem das palavras. Mas não konfundamos as koizas. A orotografia etimolójika não estuda koiza nenhuma, apenas atrapalha o estudo. Ou seja: etimolojia é uma siênsia, ortografia etimolójica não.

Porke ortografia kualker ke ela seja – é senpre e apenas uma konvensão, a maneira konvensional de se pasar do kódigo falado ao kódigo eskrito da língua. Deve ser o mais sinples e direto posível.

Kon efeito -pergunto eu- por ke diabos deverian as palavras fikar demonstrando de onde vieran kada vez ke são eskritas? Ke “mesa” se eskreva kon “s” (embora se pronunsie “z”) porke vem do latin “mensan”.

E ke, ao kontrário, “razão” (kujo “z” pronunsiamos igual ao “s” de “mesa” se eskreve kon “z” porke vem do latin “rationen”_e se konvensionou (veja bem: se konvensionou!) ke o ke en latin se eskrevia kon “t” deve em portugês ser eskrito kon “z” …E asin por diante em milhares de palavras.

(Afinal, kuando falamos, não presizamos demonstrar a orijen de palavra nenhuma no son da fala…)

E o pior ainda não é isso. Animados kon sua pretensa siênsia, os pretensos sientistas da língua inventaran etimolojias! Estabeleseran, por ezenplo, ke kuando uma palavra ven de línguas nativas de negros afrikanos ou índios brazileiros, o son “j” é eskrito kon “j” mesmo e não kon “g”: “jiló”, “canjica”. Mas akontese, ke não é só a origem ke konta. A istória da palavra tanbén! Asin, a palavra “girafa”, ke é de origem afrikana, e deveria, pela própia konvensão dos “sientistas ortográfikos” ser eskrita “jirafa” não é, porke antes de vir para o portugês, pasou pelo italiano “girafa”!

Iso é sério? Isso é sientífico?

Siênsia não é brincadeira, jente! Siênsia é para sinplifikar, e não para konplikar! Se os sientistas de verdade fosen konplikados komo eses tais “siêntistas ortográfikos”, jamais o omen teria seker inventado a roda, kuanto mais pizado na Lua !

Ainda ben ke eziste a proposta fonétika kujo lema é a biunivosidade entre letras e sons: “Os mesmos sons as mesmas letras; as mesmas letras os mesmos sons”. Tudo aplikado sobre uma língua padrão média do falar dos brazileiros.

Sonho inposível? Utopia? Não.

Os de língua alemã tên ortografia fonética perfeita, bazeada na língua padrão kuja origem foi a tradusão feita por Lutero da Bíblia: o hochdeutsch. Os xinezes bazearam a fonetizasão de sua eskrita no mandarin falado em Pekin. E línguas bem prósimas à nosa, komo o kasteliano e o italiano, são línguas fonétikas.

Por ke não deskonplikarmos tanbén nós, a nosa eskrita?

Regra únika – “Kada letra só tem un son e vise-versa”

COMO APRENDER A LER SONETOS por vicente martins

A leitura é uma habilidade complexa: o leitor tem diante de si um texto a ser decifrado, através da decodificação, através da soletração e da fluência verbal,  e em seguida, terá que atribuir sentido ao que é decantado ou lido. Esse conceito vale tanto para o texto em prosa como em verso. Mas como ler um poema ou um soneto clássico? No presente, artigo trataremos de mostrar as principais características da leitura literária e quais as estratégias para o aprendizado da leitura em versos.

Partirei, então e desde logo, do conceito de poesia. No campo da Literatura, poesia é a composição em versos (livres e/ou providos de rima) cujo conteúdo apresenta uma visão emocional e/ou conceitual na abordagem de idéias, estados de alma, sentimentos, impressões subjetivas, quase sempre expressos por associações imagéticas  

Por poesia também podemos entender também a  arte de excitar a alma com uma visão do mundo, por meio das melhores palavras em sua melhor ordem. Daí, entendê-la também todo texto com alto grau de poder criativo e inspiração e que desperta, no leitor ou ouvinte, o sentimento do belo.

A etimologia da palavra poesia é muito sugestiva para se compreender o seu verdadeiro sentido aos olhos do leitor de versos. A palavra poesia vem do latim  poésis,is ‘poesia, obra poética, obra em verso’,  derivado, por sua vez, do  grego  poíésis,eós ‘criação; fabricação, confecção; obra poética, poema, poesia’. A palavra chegou à língua portuguesa, por intermédio da palavra em  italiano  poesia entendida como “arte e técnica de exprimir em verso uma determinada visão de mundo”

Leiamos, então, um bela poesia de Vinicius de Moraes, :

Enjambement

Soneto de fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto


Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Trata-se um soneto. Esta palavra aparece na Língua Portuguesa lá pela segunda metade do século XVI. Refere-se a uma  pequena composição poética composta de 14 versos, com número variável de sílabas, sendo o mais freqüente o decassílabo, e cujo último verso (dito chave de ouro) concentra em si a idéia principal do poema ou deve encerrá-lo de maneira a encantar ou surpreender o leitor. No caso do soneto de Vinicus, a chave de ouro é a definição de amor “ uma paixão imortal, posto que é chama, mas infinto enquanto dura”.

A palavra soneto entra no léxico português através do italiano  sonetto, no século XIII, entendida como “composição lírica formada de quatorze hendecassílabos, rimados variadamente, cujos oito primeiros formam duas quadras, e os outros formam dois tercetos’” No caso acima, trata-se de um soneto clássico ou italiano, porque é um soneto formado por dois quartetos e dois tercetos.

Para a leitura deste soneto de Vinicius de Moraes é necessário o leitor levar em conta o ritmo. Um dos traços do soneto é a musicalidade e o ritmo pertence ao mundo da música. A própria palavra ritmo, de origem latina  rhythmus,i  quer dizer “ movimento regular, cadência, ritmo”. Assim, deverá o leitor tomar por ritmo a cadência, o que acaba por caracterizar o soneto como um poema com padrão rítmico especial..  

         Vale lembrar aqui que todo soneto é um poema, mas nem todo poema é um soneto. Por poema, devemos entender, no campo da Literatura, obra de poesia em verso ou  uma composição poética em que há enredo e ação. A  epopéia é um exemplo de um poema. Há situações que o poema , no entanto, tem forma romanesca ou em prosa. É o que denominamos poema em prosa, em que a obra não é verso, mas é análoga a um poema pela inspiração, pelos temas e pelo estilo,  mas, diferente do poema, com estrutura menos formal.

Para o leitor, é importante que entenda que cada linha do poema é chamada verso. Assim, por verso, deve ser entendida a subdivisão de um poema, geralmente,  coincidindo com uma linha do mesmo, que obedece a padrões de métrica (pés) e de rima (variáveis no tempo e no espaço), ou prescinde deles (versos brancos e livres), caracterizando-se por possuir certa linha melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de sentido

Esta noção de verso é fundamental para a leitura do soneto em voz alta. A essência da leitura do soneto  é que o leitor leia os versos com movimento compassado ou cadenciado como se fosse um passo de dança ou uma dança. Este “passo de dança” é garantido, durante a leitura, pelo enjambement, uma palavra de origem francesa.

Por enjambement, entendemos a partição de uma frase no final de um verso ou uma estrofe, sem respeitar as fronteiras dos sintagmas, colocando um termo do sintagma no verso anterior e o restante no verso seguinte. É o enjambement  que cria um efeito de coesão entre os versos, pois aquele onde começa o enjambement não pode ser lido com a habitual pausa descendente no final, e sim com entonação ascendente, que indica continuação da frase, e com uma pausa mais curta ou sem pausa.

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

A FormaÇÃo HistÓrica da LÍngua Portuguesa – PerÍodo Galego-PortuguÊs – por francisco da silveira bueno

 

Angola
Brasil

Cabo Verde
Dadra / Damão / Diu / Goa / Nagar Haveli (Índia)
Guiné-Bissau
Macau (China)
Moçambique
Portugal
São Tomé e Príncipe
Timor Leste

 

A língua portuguesa é, com mais de 250 milhões de falantes nativos, a sexta língua materna mais falada no mundo e a terceira língua mais falada no mundo ocidental, sendo a língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

É falada na antiga Índia Portuguesa: Goa, Damão, Diu e Dadra e Nagar Haveli; assim como em Macau na China

Também é oficial na Galiza, noroeste da Espanha, com a denominação histórica de galego-português e, agora, de galego. Neste caso, entretanto, o assunto é polêmico: os galegos nåo admitem a redução de sua língua ao português. E ao espanhol, língua da qual retiram suas regras ortográficas.

A língua portuguesa é também falada em comunidades de Paris (França), em cidades como Toronto, Hamilton, Montreal e Galineau (Canadá), em comunidades de Boston, New Jersey e Miami nos EUA, e em cidades como Nagoya e Hamamatsu no Japão.

 

A FormaÇÃo HistÓrica da LÍngua Portuguesa – PerÍodo Galego-PortuguÊs

O Condado Portucalense, embora tivesse o seu monarca próprio, Henrique de Borbota, continuava a fazer parte da Galiza. Em dois anos apenas, de 1095 a 1097, dilatara o Conde seus domínios para o sul, dando mostras de tornar-se independentes da suserania do primo Raimundo, fato que se consumou com a derrota deste, nas proximidades de Lisboa, infilgida pelo general almorávide Seyr. O Condado de Portucale passou então a fazer parte do reino de Leão. Falecido Dom Henrique, em Astorga, no ano 1114, governou o Condado a sua viúva Dona Teresa, com solércia política e firmeza guerreira, aumentando ainda mais os limites do futuro reino de Portugal. Passada a minoridade de Afonso Henriques, depois de várias dificuldades, viu-se este praticamente elevado à posição de monarca, embora combatido pelos partidários de Dona Teresa que tinham outros objetivos políticos. Vencidos estes na batalha do Campo de S. Mamede, em 1128, a unidade do Condado pareceu consolidar-se mormemente depois do exílio e morte de Dona Teresa, em 1130. Depois da batalha de Ouriques, 25 de julho de 1139, em que Afonso Henriques venceu maometanos e cristãos aliados contra ele, passou a usar o título de Rei de Portugal. Tal título, porém, somente em 1179 foi solenemente reconhecido pelo Papa Alexandre III. Estava definitivamente fundado o novo Estado e tomava fisionomia internacional o novo povo: Portugal, os portugueses.
 
Se assim se constituía o novo reino, a nova nacionalidade, continuava, porém, a unidade lingüística a ser a mesma com Galiza. É o grande traço de união entre as duas partes. O Minho, separando os territórios, começa a separar também a primeira unidade, criando o binômio galego-português que será, até o século XV, uma das expressões mais apreciadas do lirismo medieval. Entramos no período histórico da língua, no período por excelência arcaico. A produção lírica é a mais numerosa e a mais perfeita, moldada aos gêneros, temas e formas, que vêm da Provença. Aquelas incipientes imitações de quando romeiros provençais exibiam, em Compostela, os primores da sua arte poética, começam a aparecer com fisionomia própria desde o reinado de Sancho I, o segundo rei português.
 
Carolina Michelis de Vasconcelos faz iniciar as atividades trovadorescas no reinado de Sancho I: “Os cimélios da lírica, hoje subsistentes, são de perto de 1200: datei a mais arcaica de 1189; outra de 1199; mais outra de 1211. Foi,  portanto, no último quartel do século XII que a arte trovadoresca começou a dar os primeiros frutos de sementes lançadas em 1158, ou mesmo de 1135 em diante. Isto é, quando em Portugal reinava Sancho I; em Castela, Afonso VIII; em Leão, Fernando II” (Cancioneiro d’Ajuda -II – 755).

Esta cantiga datada por D. Carolina, de 1189, pertence a Pay Soares, poeta régio da corte de Sancho I. Encontra-se no Cancioneiro d’Ajuda, vol. I, nº 37, 38 :

           
37
“Eu sôo tan muit’amador
do meu linhagen, que non sei
al do mundo querer melhor
d’ũa mia parenta que ei.
E quen as linhagem quer bem,
tenh’eu que faz dereit’e sem;
t eu sempr’ o amarei.

E sempre serviç’e amor
eu a meu linhagen farei,
entanto com’eu vivo for’;  
esta parenta servirei,
que quero melhor d’outra ren,
e muito serviç’ em mi tem,
se eu poder’e poderei.

Pero nunca vistes molher
nunca chus pouc’(o) algo fazer 
a seu linhagen, ca non quer
em meu preito mentes meter:
e poderia me prestar
par Deus, muit’, e non lhe custar
a ela ren de seu aver

E veede, se mi-á mester
d’atal parenta bem querer:
que m’ei a queixar, se quiser’
lhe pedir algo, u a veer’.
Pero se me quisesse dar
algo, faria-me preçar
atal parenta e valer.
    
38
No mundo non me seu parelha
mentre me for’ como me vay,ca já moiré por vos-e ay,
mia senhor branca e vermelha,
quererdes que vos retraya
 
quando vus eu vi em saya !
mao dia me levantei,
Que vus enton non vi fea !

 

 

 

E, mia senhor, dês aquel di’ay !
me foi a mi muyn mal,
e vos, filha de don Paay
Moniz, a ben vus semelha
d’aver eu por vos guarvaya
pois eu, mia senhor, d’alfaya
nunca de vos ouve nen ey
valia d’ũa correa..

Como limite extremo desta lírica trovadoresca assinala a mesma erudita senhora o ano de 1334 ou 1340, metade do século XIV: “Fixando mais acertadamente para os nossos fins, como limites extremos os anos em que suponho compostas as mais temporãs e as mais seródias das cantigas que realmente possuímos, a época trovadoresca não chega a abranger centúria e meia: de perto de 1200 (talvez mesmo 1189) e 1334 (ou 1340). Cinco a seis gerações. Em Portugal desde Sancho I até a adolescência de Pedro, o Justiceiro. Em Leão, e Castela, de Alfonso IX de Leão até a morte de Alfonso XI, ou igualmente até a adolescência de Pedro, o Cru ( Opus citatum – 5863).

 

COMO TRABALHAR A POESIA EM SALA DE AULA – por luciana claudia de castro olímpio

 

“A poesia sensibiliza qualquer ser humano. É a fala da alma, do sentimento. E precisa ser cultivada.”

Afonso Romano de Sant’AnnaMesmo sabendo da importância da poesia na vida dos seres humanos como mostra acima Afonso Romano, muitas escolas esqueceram-na, principalmente nas séries iniciais, dando mais espaços, entre aspas, para coisas mais importantes e mais sérias, como também para textos em prosa, privando os alunos dessa “experiência inigualável”, conforme caracteriza Maria Helena Zancan Frantz (1998, p. 80)

Neste artigo, enfatiza-se a necessidade de educadores, principalmente nas séries inicias, pois o aluno só cria hábito se for iniciada desde muito cedo, trabalharem com poesia na sala de aula ou fora dela.

O objetivo não é transformar os discentes em grandes escritores de poemas, até porque se precisa ter dom para esta arte, mas sim transformá-los em leitores aptos a interpretar e compreender o que o poeta quis transmitir em meio aos versos, além de propor que os educandos não percam a poesia que nasce neles desde quando as mães cantavam cantigas de ninar para que dormissem e depois quando brincavam de cantigas de roda, adivinhas, trava línguas etc.

Com esse objetivo, proponho alternativas de trabalhos com poesia e didáticas para implantação tanto no Ensino Fundamental como para o Ensino Médio baseadas nas idéias dos escritores relacionados no parágrafo abaixo.

Vários autores vêm pesquisando as questões da leitura e de trabalhos de poesias em sala de aula como Pinheiro (2002), Micheletti (2001), Frantz (1997), Cunha (1986) e investigam as dificuldades que os alunos possuem de interpretar estes textos, não só pela falta do conhecimento prévio, mas também pelo pouco contato que eles têm com a poesia.

Metodologia
Atualmente, a prática da leitura de poesia está um pouco esquecida nas escolas. Isso ocorre devido ao pouco contato, desde os primórdios de sua formação, dos educadores de Língua Materna.

“Está claro que a personalidade do professor e particularmente, seus hábitos de leitura são importantíssimos para desenvolver os interesses e hábitos de leitura nas crianças, sua própria educação também contribui de forma essencial para a influência que ele exerce.” (Banberger, 1986)

Sem trair o escritor estudado, posso afirmar que se o professor não tiver um hábito de ler poemas e não se sensibilizar ao ler uma poesia, dificilmente conseguirá despertar esse interesse em seus alunos como afirma Cunha (1986, p. 95):

“… se o professor não se sensibilizar com o poema, dificilmente conseguirá emocionar seus alunos.”

Sabidos de que a poesia é um dos gêneros literários mais distantes da sala de aula, é preciso descobrir formas de familiarizar e de aproximar as crianças e os jovens da poesia. E essa forma de familiarização e aproximação deve ser feita com parcimônia e através de um planejamento para evitar as várias afirmações de que os poemas são de difíceis interpretações e entendimento.

Pinheiro (2002, p.23) afirma que “… a leitura do texto poético tem peculiaridades e carece, portanto, de mais cuidados do que o texto me prosa.”

Assim a poesia não é de difícil interpretação, apenas necessita de mais cuidado e atenção para que ocorra um entendimento da mesma. A aprendizagem da interpretação da poesia compreende o desenvolvimento de coordenar conhecimentos dos vários sentidos que um texto poético proporciona.

Uma forma para melhorar a aprendizagem é a aproximação constante da poesia, como também a utilização do conhecimento prévio. O conhecimento prévio engloba o conhecimento lingüístico, que abrange desde o conhecimento sobre pronunciar o português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. O conhecimento do texto, que se refere às noções e conceitos sobre o texto, e, por último, o conhecimento de mundo, que é adquirido informalmente através das experiências, do convívio numa sociedade, cuja ativação, no momento oportuno, é também essencial à compreensão de um poema.

Se estes conhecimentos não forem respeitados, o entendimento e a compreensão do poema podem ficar prejudicados, e assim, como foi dito anteriormente, de difícil interpretação.

Como exemplo do que foi exposto no parágrafo anterior, coloco excerto do poema “Balada do amor através das idades”, de Carlos Drummond de Andrade (Cinco Estrelas, 2001, p. 26).

“Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana
Troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
Para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

(…)

Mas depois de mil peripécias,
Eu, herói da Paramount,
Te abraço, beijo e casamos.

A compreensão do poema acima pode ficar comprometida se o leitor não tiver um dos conhecimentos acima citado. A poesia de Drummond exige do discente um bom conhecimento de mundo e da história para que ele entenda a poesia, pois nela é citado, de certa forma, a Guerra de Tróia, os costumes romanos como também expõe o nome de um dos mais poderosos estúdios de Hollywood, dando referência aos finais felizes dos filmes.

Para amenizar os problemas do distanciamento, de interpretação e de compreensão poética, é necessário que o professor compreenda que o ato de interpretar um poesia não pode ficar restrito a sua forma de apresentação sobre uma página, ou seja, como ocorre a disposição das palavras, dos versos, das rimas e das estrofes, e nem somente pelos questionamentos apresentados nas atividades de interpretação propostas pelos livros didáticos, pois as perguntas são impressionistas. Assim afirma Micheletti (2001, p. 22):

“Freqüentemente a interpretação textual dadas nos livros e materiais afins tem um caráter ‘impressionista’, ou seja, o autor das questões propostas ou dos comentários, registram as suas intuições, as suas impressões sobre o texto.”

É necessário ressaltar que o professor deve partir de uma leitura poética do mundo, fazendo da poesia motivo de apreciação lúdica e de motivação para a produção de intertextualidade ( relação existente entre textos diversos, da mesma natureza ou de naturezas diferentes e entre o texto e contexto) e de muitas outras formas de criar com seriedade, mas brincando com palavras.

Segundo Elias José (2003, p. 11) , “vivemos rodeados de poesia”, ou seja, poesia é tudo que nos cerca e que nos emociona quando tocamos, ouvimos ou provamos, poesia é a nossa inspiração para viver a vida.

Conforme Elias José (2003, p. 101), “ser poeta é um dom que exige talento especial. Brincar de poesia é uma possibilidade aberta a todos.”. Então, se todos podemos brincar de poesia, por que não trabalharmos a poesia de forma lúdica? Assim proponho atividades que oportunizem momentos lúdicos aos alunos, tendo em vista exercícios de imaginação, de fantasia e de criatividade e ao mesmo tempo mostrar a vida de uma forma mais poética, com maior liberdade para construir seu conhecimento.

Todas as estratégias capazes de aguçar a sensibilidade da criança e do adolescente para a poesia são válidas. É interessante para isso, que a poesia seja freqüentemente trabalhada para que ocorra um interesse por ela.

Um dos processos para o educador iniciar este trabalho, é ele fazer uma sondagem para descobrir os temas de maior interesse dos alunos, proporcionando uma maior participação. Este levantamento pode ser de forma direta, através de pequenas fichas ou ouvindo e anotando as temáticas preferidas dos alunos. Outro método é descobrir os filmes, os programas de rádios e de televisão que mais gostam. Isso é necessário para o professor saber que tipo de poesia pode levar para a sala de aula. Vale ressaltar que cada sala tem um gosto diferente. No entanto não se pode prender-se somente aos temas escolhidos pelos discentes. A variedade e a novidade também são métodos eficazes para a aprendizagem.

Faz-se necessário, antes de iniciar as atividades poéticas, preparar um ambiente adequado, principalmente nas séries iniciais, para que os alunos sintam-se a vontade para recitar e interpretar os textos poéticos. Além de uma biblioteca agradável, ventilada, espaçosa e com um acervo bem variado para que os estudantes possam escolher livremente na prateleira o livro que quiser.

Trabalhar com poesia em pares é muito interessante. Este trabalho é realizado de duas maneiras: primeiro, através da leitura da poesia, depois são propostas as atividades interpretativas, nada de questões objetivas, já que cada pessoa interpreta um texto de forma diferente, mas de maneira coerente.As duplas conversam sobre o texto, analisam as possibilidades possíveis e escrevem o que foi apreendido.

É através das diferenças individuais que a troca de experiências vai sendo edificada, como também a partir da reflexão e da construção social do conhecimento sustentada pela interação dos indivíduos envolvidos. Essa interação entre os sujeitos é fundamental para o desenvolvimento pessoal e social, pois ela busca transformar a realidade de cada sujeito, mediante um sistema de trocas.

É proveitoso ressaltar também que construir um cantinho para fixar vários tipos de poesia é um método eficaz para o incentivo da leitura e interpretação poética, pois quanto mais se lê, mais se aprende e cria o hábito da leitura não só de poesia como de outros tipos de textos. Pinheiro (2002, p. 26) afirma que:

“Improvisar um mural, onde os alunos, durante uma semana, um mês, ou o ano todo colocam os versos de que mais gostam (…) de qualquer época ou autor, são procedimentos que vão criando um ambiente (…) em que o prazer de lê-la passa a tomar forma.”

Não satisfeita ainda com as metodologias apresentadas, proponho mais alguns métodos que são incentivadores para a prática da leitura de poesia, como o momento poético, a poesia e as datas comemorativas e a apresentação da poesia em forma de dança, desenho ou interpretação teatral.

 

O primeiro, momento poético, é um artifício aplicado em sala de aula, em que os estudantes, dispostos de forma bem a vontade, sentados no chão ou em almofadões, se a escola possuir, uma música suave ao fundo, recitam poesias de preferência pessoal, ligadas, de preferência ao momento literário estudado, buscando, junto aos colegas, descobrir a mensagem transmitida pelo autor da poesia. O segundo, a poesia e as datas comemorativas, apesar de ser bastante criticada, também é uma forma proveitosa de aprender a gostar e interpretar a poesia. Como é o caso do dia 07 de Setembro em que os brasileiros mostram seu patriotismo comemorando a independência do Brasil. O mestre pode trabalhar a poesia de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio” , fazendo primeiramente uma leitura crítica, levando os discentes a observar a poesia e fazer um paralelo da época em que a canção foi feita e se a terra natal (Brasil) hoje é tão perfeita como apresenta Gonçalves Dias em sua poesia.Trabalhar a poesia ligada as datas comemorativas só se torna enfadonho, pouco proveitoso, sem criatividade e método empobrecido, quando a poesia só é lembrada nestas datas.

O último método citado neste artigo, é a apresentação da poesia em forma de dança, desenho ou interpretação teatral. Um exemplo do primeiro, a dança pode ser representada pela poesia “A Bailarina”, de Cecília Meireles, em que as crianças ou adolescentes podem formar um grupo de dança, todas vestidas de bailarina, para interpretar corporalmente a poesia abaixo que deve ser recitada por um outro estudante. Não é obrigatório o professor trabalhar com esta poesia, ela pode ser substituída por outra, tudo depende do docente ou dos alunos.

“Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si
Mas fecha os olhos e sorrir.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
E nem fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
E diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
E também quer dormir como as outras crianças.

No caso do desenho, ótimo método para se trabalhar tanto nas aulas de Língua Portuguesa como nas de Artes. Os alunos em grupo tentam interpretar a poesia lida através do desenho, para depois apresentar aos colegas de sala para também ser analisada por eles. Depois os desenhos podem ser colocados ao lado da poesia referente a cada um e exposto em um mural em toda a escola ou só na sala de aula.

O “Soneto”, de Álvares de Azevedo, pode ser um exemplo para ser apresentado em forma de teatro lido. O narrador representa o eu lírico, lendo a poesia enquanto uma aluna representa a mulher recitada nos versos.

“ Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! Na escuma fria.
Pela maré das águas embaladas,
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se balançava e se esquecia!

Era mais bela! O seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando;
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!”

Estas aulas anteriormente citadas são bem lúdicas. Os alunos aprendem em grupo, de forma bem participativa, a interpretar e compreender as poesias tendo contato com as idéias dos amigos de sala.

As poesias também podem ser trabalhadas como ajuda para produções de textos, como é o caso das poesias de Manuel Bandeira, grande escritor do Modernismo brasileiro, “O Bicho” ( retrata a desigualdade social), “O Poema tirado de uma notícia de jornal (incentiva a produção de uma narração relatando o cotidiano humilde das pessoas desprestigiadas socialmente) e para finalizar, tem-se “Irene Preta” (retrata o preconceito racial).

Este trabalho exige que o aluno descubra qual o tema apresentado na poesia, para depois escrever, de acordo com o gênero exigido, o texto.

A poesia pode ser trabalhada não só nas aulas de Língua Portuguesa, mas também nas aulas de História, Geografia e outras como é o caso da poesia “A Rosa de Hiroxima”, de Vinícius de Moraes, que retrata o triste acontecimento da explosão da bomba atômica em Hiroxima.

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa sem nada
Esta poesia, como foi dito acima, pode ser trabalhada numa aula de história, que o professor, através dos versos, pode explicar todo o conteúdo desse aterrorizante acontecimento. Pode explicar, por exemplo, por que o poema se chama A Rosa de Hiroxima, como também explicar que os escritores modernistas transplantavam o momento vivido para as poesias, como é o caso de Vinícius.

Conclusão

Os professores devem trabalhar poesias e textos poéticos com seus alunos pois estes vêm sendo indicados como um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento das habilidades de percepção sensorial da criança e do adolescente, do senso estético e de suas competências leitoras e, conseqüentemente, simbólicas.

A interação com a poesia é uma das responsáveis pelo desenvolvimento pleno da capacidade lingüística da criança e do adolescente, através do acesso e da familiaridade com a linguagem conotativa, e refinamento da sensibilidade para a compreensão de si própria e do mundo, o que faz deste tipo de linguagem uma ponte imprescindível entre o indivíduo e a vida.

Referências Bibliográficas
AMARAL, Emília; ANTÔNIO, Severino; FERREIRA, Mauro; LEITE, Ricardo. Novas Palavras: Literatura Gramática, Redação e Leitura. São Paulo: FTD, 1997 – Coleção Novas Palavras, V.2, p. 60.
CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil: Teoria & Prática. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1986.
FRANTZ, Maria Helena Zancan. O Ensino da Literatura nas séries iniciais. 2ª ed. Ijuí: Unijuí, 1997.
JOSÉ, Elias. A poesia pede passagem: um guia para levar a poesia às escolas. São Paulo: Paulus, 2003.
In: MACHADO, Ana Maria. Cinco estrelas. Literatura em minha casa. V.1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
In: MICHELETTI, Guaraciaba (Coord.) Leitura e Construção do real: o lugar da poesia e da ficção. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. (coleção aprender e ensinar com textos, v. 4)
In: PINHEIRO, Helder; BANBERGER, Richard. Poesia na sala de aula. 2ª ed., João Pessoa: Idéia, 2002.

Meio ambiente: A CONTA QUE NÃO FOI FEITA – por joão suassuna

Na defesa do desenvolvimento a todo o custo, o governo federal já se engasgou com a espinha de um bagre do rio Madeira e se atolou na lama dos seus sedimentos. Enquanto isso, o país segue na rota da escuridão.

Quando não se quer que um determinado assunto prospere, ou quando os resultados de uma discussão não satisfazem as expectativas da sociedade brasileira, criam-se comissões. No nosso cotidiano, são vários os exemplos que mostram essa realidade e, não raro, têm envergonhado o povo brasileiro.

Quem não lembra das ações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar o mensalão e que acabaram não chegando aos resultados esperados pela nação? A grande maioria dos envolvidos naquele caso foi inocentada e, o que é pior, continua legislando.

Agora, estamos diante da criação do Instituto Chico Mendes de conservação da biodiversidade, dentro do próprio Ibama, órgão que atuará no licenciamento ambiental dos projetos de hidrelétricas na região amazônica. Idealizado pela ministra Marina Silva para satisfazer as exigências do governo federal, quanto ao licenciamento ambiental das obras contidas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), esse instituto já está sendo alvo de severas críticas, por ser considerado desnecessário, tendo em vista a sua atuação ir de encontro às ações que são de responsabilidade do próprio corpo técnico do Ibama. Esta ambigüidade de ações resultou em uma greve de grandes proporções no órgão.

A criação do instituto está parecendo um ato cujos resultados tendem a ser inócuos.Se essa moda pega, é de se supor que para o tratamento de assuntos relacionados à desertificação do Nordeste, o Ibama seja orientado a criar o Instituto Vasconcelos Sobrinho (ecólogo pernambucano que primeiro denunciou a formação de desertos no Nordeste), cujo desempenho também será duvidoso.

Na nossa ótica, o corpo técnico do Ibama tem toda a razão de estar desgostoso com a instituição, tendo em vista que há competência técnica interna para assumir e dar conta das questões ambientais do país, sem a necessidade de serem criados esses apêndices. Afirmo isso por experiência própria, pois iniciei a carreira profissional no órgão, em meados da década de 70, quando ele ainda era denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). Recordo do interesse e da preocupação da instituição em capacitar seus técnicos, levando sempre em consideração o binômio desenvolvimento versus custo ecológico.

Faz sentido colocarmos aqui essas questões, tendo em vista o atual dilema vivenciado pelo Ministério do Meio Ambiente na implementação do PAC: proporcionar o desenvolvimento do país com o menor custo ecológico possível. 

O fato preocupante é que o Ibama é um órgão de governo e, como tal, deve cumprir a lei e não a vontade do chefe da nação.

Militante nas questões ambientais há muitos anos, a ministra Marina vive momentos difíceis em sua pasta, principalmente ao defender a transposição do rio São Francisco – projeto que consta do PAC -, ao julgar suas ações ambientalmente seguras. Mas como conceder o licenciamento ambiental a um projeto polêmico, tecnicamente deficiente e ambientalmente impactante, sem que o mesmo seja precedido de uma ampla e profunda discussão junto a sociedade? E não é o único caso. As hidrelétricas do rio Madeira que irão alagar uma extensa área com rica biodiversidade na região amazônica quando prontas são outro bom exemplo que precisa ser discutido com a participação da sociedade.

A ministra já deu depoimentos favoráveis ao projeto da transposição, por entender que o mesmo não apresenta problemas técnicos, sendo, portanto, ambientalmente seguro. Ora, como acreditar na excelência técnica de um projeto demasiadamente caro, quando o rio a ser transposto já deu sinais de debilidade hídrica no ano de 2001, obrigando o governo federal a proceder ao racionamento de energia? Caso já existisse o projeto naquele ano, como ficaria a população que seria abastecida com as águas do Velho Chico, cujos volumes já eram insuficientes para garantir a geração e o pronto atendimento da demanda energética dos nordestinos? Nesse cenário, será que a ministra acredita piamente que esse rio tenha condições de abastecer 12 milhões de pessoas na região setentrional nordestina, sem antes pôr em risco todos os investimentos havidos ao longo da sua bacia?

A prioridade de uso das águas do São Francisco para o abastecimento humano é um assunto que merece reflexão. Entendemos que o maior opositor do projeto de transposição é o próprio governo federal, ao editar recentemente, pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Atlas Nordeste de abastecimento urbano. Esse tabalho mostra que é possível abastecer, com as águas que já existem na região, um número três vezes maior de pessoas, com a metade dos recursos previstos no projeto da transposição. Ou seja, até o ano de 2010 serão gastos na transposição R$ 6,6 bilhões para o abastecimento de 12 milhões de pessoas, período no qual se prevê, no Atlas, que seria possível, com um gasto de R$ 3,3 bilhões, beneficiar cerca de 34 milhões de pessoas. Com essa informação, é de se supor que o problema de nossas autoridades passa, também, por deficiência matemática. 

Exemplos como esses têm se mostrado constantes no nosso cotidiano, o que torna cada vez mais evidente a assertiva de que a vontade política está sempre acima das possibilidades técnicas de se realizar as ações de desenvolvimento no país. O governo Lula não pode abrir mão da importância de se discutir essas questões junto ao setor técnico, valendo-se inclusive da participação da sociedade como um todo, sob pena de estar pondo em risco a governabilidade do país. 

É preciso entender, antes de tudo, que uma hidrelétrica construída na bacia do rio Madeira ou em qualquer outra bacia da região norte, por estar localizada numa área de planície, estará sempre sujeita a fortes inundações, com claras interferências no ecossistema. a pergunta que fica no ar é a seguinte: como atuar nessas áreas que afetarão o país e a vizinha Bolívia, mantendo-se a sustentabilidade ambiental local, com baixo custo ecológico, evitando a extinção de espécies de animais e plantas e tratando adequadamente os sedimentos acumulados no interior das represas?

Essas questões são pedras no sapato do governo federal, ao ponto dele ter se engasgado recentemente com a espinha de um bagre do Madeira e se atolado na lama dos seus sedimentos. Neste contexto o país segue na rota da escuridão, e já se comenta a possibilidade da construção de usinas termonucleares como alternativa para minimizar o problema elétrico que se avizinha.                    

Finalmente, entendemos que não pode haver desenvolvimento sem custo ecológico, por menor que seja. a participação técnica nestes casos se mostra importantíssima, pois cabe a ele, técnico, envidar esforços no sentido de minimizar tanto quanto possível esses problemas. essa é a nossa função. portanto vamos à luta.

João Suassuna é engenheiro agrônomo, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e um dos maiores especialistas na questão hídrica nordestina.

RIO SÃO FRANCISCO: “RESPEITO AO VELHO CHICO” – por mauro chaves

Ao se omitir de um debate profundo sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco, deixando que a sociedade brasileira e as futuras gerações venham a sofrer os efeitos desastrosos de um “fato consumado”, imposto pelo governo, o que pode resultar numa obra tão faraônica quanto ambientalmente estúpida, o Congresso Nacional está passando um recibo de criminosa irresponsabilidade.O Velho Chico, rio da integração nacional, cuja força das águas já foi tamanha que durante séculos o fez avançar vários quilômetros adentro do Oceano Atlântico, a ponto de embarcações pararem em pleno oceano para se abastecerem de sua água doce, hoje sofre em sua foz um trágico recuo, por insuficiência de vazão. Já se disse que esse projeto de transposição é a transfusão que tem como doador um doente internado na UTI. Se a idéia de levar águas do São Francisco, por gravidade, para o semi-árido do Nordeste setentrional já estava na cabeça generosa de dom João VI, é porque naquele tempo não existiam açudes, nem adutoras, nem estudos hidrogeológicos.

Durante séculos muitos têm defendido a transposição como solução salvadora para a tragédia das secas. Mas a quantidade formidável de açudes já construídos – que já chega a cerca de 70 mil – e a possibilidade de retirada de água do subsolo nordestino (que, embora muitos não saibam, é abundante em água) sugerem soluções muito menos dispendiosas e mais eficazes para distribuir água às populações que dela mais necessitam. E distribuição, no caso, é a palavra-chave, pois em grande parte a malsinada “indústria das secas” nordestina tem sido mantida pelos chefetes políticos para comandar o abastecimento de água de seus currais eleitorais. A transposição não significará a oferta de água a 12 milhões de nordestinos – como têm dito seus defensores -, mas sim a canalização para determinados projetos de irrigação do agronegócio, enquanto falta distribuição de água até para projetos e populações bem mais próximas do rio, nos Estados ribeirinhos.

O engenheiro Manoel Bomfim Ribeiro, especialista em hidrologia e geologia, ex-diretor do Dnocs e autor do livro Potencialidades do Semi-Árido Brasileiro, num texto sobre as obras inconclusas do Nordeste assevera: “A indústria das secas é um fato inerente à vida política da região nordestina tendo como carro chefe o pipa a desfilar pelos nossos sertões sequiosos, onde o chefe político exerce o seu poder sobre a água. Esta indústria vem num crescendo constante com obras de todos os tamanhos, açudes, canais, adutoras, obras inconclusas. Agora é a vez da Transposição, obra inócua e desprovida de significado, pois que o Nordeste setentrional, penhoradamente, agradece e dispensa as águas do rio São Francisco, por total e absoluta falta de necessidade, uma vez que já acumula, somente nos oito grandes açudes, 13 bilhões de metros cúbicos de água (5 vezes e meia a baía da Guanabara), exatamente os 8 açudes plurianuais que irão receber os magros 2 bilhões/m3 anuais (127m3/s) advindos do canal da Transposição. A evaporação anual dos 13 bilhões é da ordem de 4 bilhões, o dobro da água que vai chegar do rio. Uma irrisão. Mais ainda, os 3 Estados mais ávidos por mais água, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, já acumulam nos seus imensos reservatórios 26 bilhões de metros cúbicos, 70% das águas estocadas no semi-árido brasileiro, 11 vezes as águas da baía da Guanabara.”

E em outro texto escreve o especialista: “Dos aqüíferos do Nordeste podem ser extraídos até 20% das reservas existentes, cerca de 27 bilhões de m3/ano sem queda de pressão hidrostática, pois são reabastecidos, anualmente, pelas águas de chuvas e que drenam verticalmente para o seio da terra. Só extraímos até hoje cerca de 4% deste potencial disponível, 800 a 900 milhões de m3 através de 90.000 poços, sendo que 40% destes estão paralisados por razões diversas menos por falta de água. O deserto de Negev, com área de 16.000 km2, fornece para Israel 1 bilhão de m3/ano de água extraído do seu subsolo, mais que a produção da nossa região cuja área é 60 vezes maior que aquele deserto.”

Para o jurista Ives Gandra Martins, há pelo menos cinco argumentos sobre a inconstitucionalidade da transposição: fere o pacto federativo – atinge quatro Estados que não foram consultados (Minas, Bahia, Sergipe, Alagoas); fere o princípio da razoabilidade – já que há formas menos onerosas, sem prejudicar o Rio São Francisco, utilizando-se de reservas de água do subsolo ou da interligação de açudes nos Estados donatários; fere o princípio da proporcionalidade – ao, em vez de revitalizar o rio, enfraquecê-lo ainda mais com a transposição de suas águas; fere o princípio da preservação ambiental – por destruir fauna e flora das margens do Rio São Francisco, além da flora fluvial e das espécies de peixes; fere o princípio da eficiência, pois se gastará mais dinheiro dos contribuintes para um projeto muito mais oneroso do que o da ligação dos açudes ou da retirada de água do subsolo.

Esse projeto faraônico, de pelo menos R$ 15 bilhões, além de poder resultar em desastre ambiental – como o do Rio Colorado (para o México) e o do Rio Amarelo, na China, dentro do “espetáculo de horror dos rios que morreram” a que se refere João Alves Filho -, está criando uma cizânia entre os Estados ribeirinhos e o do Nordeste setentrional, acirrada pelo presidente Lula, quando disse aos cearenses que seus irmãos nordestinos não lhes negarão (com a transposição) “uma cuia de água”. Só não contou que está mandando o Velho Chico pra cucuia.

Se o Congresso mostra vergonhosa frouxidão em não debater esse tema, cabe à sociedade mobilizar-se para fazê-lo.

Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor.

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