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JANGO: Hoje voltamos todos a Brasília. Veja fotos deste dia histórico

Hoje voltamos todos a Brasília. Veja fotos deste dia histórico

Flávio Aguiar

Rede Brasil Atual – RBA

Hoje voltamos todos a Brasília

Com os despojos do nosso eterno presidente

Seremos recebidos todos com as honras e as cicatrizes de um futuro que não houve

E de um passado que não passa

Hoje voltamos todos a Brasília

Para cantarmos tudo o que não cantamos

Arrebanhar as almas penadas que ficaram dentro de nós

A dos que se foram antes do tempo

E a nossa que aos pedaços com eles também se foi

Hoje voltamos todos a Brasília

Levamos em nossos olhos

Os olhares dos que ficaram para trás

Mas deixaram suas marcas em nossas retinas

E levamos junto os olhos de nossos filhos, de nossos netos

Com a esperança de que eles não vejam o que vimos

O futuro ser roubado de gerações inteiras

Hoje voltamos todos a Brasília

Com o peso do que perdemos no coração

E as asas

E as asas

E as asas

Batendo nas vidraças

Passando pelas grades

Ruflando na escuridão

Entre as estrelas

Leia também: João Goulart recebe honras de chefe de Estado nesta quinta

Veja as fotografias de Marcello Casal Jr., da Agência Brasil, e de Roberto Stuckert Filho, da Presidência da República, da solenidade que recebeu os restos mortais do presidente João Goulart .

 | Foto: Marcello Casal Jr./ABr

| Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 | Foto: Marcello Casal Jr./ABr

| Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 | Foto: Marcello Casal Jr./ABr

| Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 | Foto: Marcello Casal Jr./ABr

| Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 | Foto: Marcello Casal Jr./ABr

| Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O Coxinha – uma análise sociológica – por léo rossatto / são paulo.sp

O Coxinha – uma análise sociológica

Um fenômeno se espalha com rapidez pela megalópole paulistana: os “coxinhas”. É um fenômeno grandioso, que proporciona uma infindável discussão. A relevância do mesmo já faz com que linguistas famosos se esforcem em entender a dinâmica do dialeto usado por esse grupo, inclusive.

Afinal, quem são os coxinhas, o que eles querem, como esse fenômeno se originou?

O que eles são?

“Coxinha”, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado, e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não-mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade parecer engraçado ou bom moço.

Os coxinhas, basicamente, são pessoas que querem ostentar um status superior, com códigos próprios. Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação.

Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são “politicamente corretos”, dentro de sua noção deturpada de política, e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica.

A Origem

Existem muita controvérsia a respeito do tema. Já foram feitas reportagens para elucidar o mistério, sem sucesso, mas é hora de finalmente  revelar a verdade a respeito do termo.

A origem do termo “coxinha”, como referência a esse grupo diferenciado, não tem nada de nobre. O termo é utilizado, ao menos desde a década de 80, para se referir aos policiais civis ou militares que, mal remunerados, recebiam também vales-alimentação irrisórios, também conhecidos como “vales-coxinha” (os professores também recebem, mas não herdaram o apelido). Com o tempo, a própria classe policial passou a ser designada, de forma pejorativa, como “coxinhas”. Não apenas por causa do vale, mas por conta da frequência com que muitos policiais em ronda, especialmente nas periferias das grandes cidades, acabam se alimentando em lanchonetes, com salgados ou lanches rápidos, por conta do caráter de seu serviço.

Reação da coxinha, o salgado injustiçado, ao ver seu nome associado ao grupo social

Os policiais, apesar de mal remunerados, são historicamente associados à parcela mais conservadora da sociedade, por atuarem na repressão aos crimes, frequentemente com truculência. Com o a popularização de programas policialescos como Aqui Agora, Cidade Alerta e Brasil Urgente, o adjetivo coxinha passou a designar também toda a parcela de cidadãos que priorizam a segurança antes de qualquer outra coisa. Para designar essa parcela que necessita de “diferenciação” e é individualista ao extremo, foi um pulo.

Expoentes

Não cabe citar socialites ou coisa do tipo. São pessoas que vivem em um mundo paralelo essas daí. Mas vou citar três criadores de tendências no universo coxinha:

1) O “engraçado”: Tiago Leifert

Um exemplo do que o Tiago Leifert trouxe pro jornalístico Globo Esporte: apostas babacas envolvendo a seleção da Argentina

Uma característica importante do coxinha padrão é tentar ser descolado, descontraído e não levar as coisas a sério. E nisso o maior exemplo é esse figurão da foto acima. Filho de um diretor da Globo, cavou espaço na emissora para introduzir o jornalismo coxinha na grade de esportes da Globo. Jogos de futebol valem menos do que as piadas sem graça sobre os jogos, metade do Globo Esporte é sempre sobre vídeo-game ou sobre a dancinha nova do Neymar, e TUDO vira entretenimento, não esporte.

Prova disso são declarações do próprio, como a declaração em que ele diz que não leva o esporte a sério, ou quando fala que o Brasil não é o país do futebol, é o país da novela. Isso revela duas características do coxinha default: ele não aceita críticas (e isso fica claro pelo número imenso de usuários bloqueados no Twitter pelo Tiago Leifert – incluindo este que vos escreve) e ele não tem conteúdo, provocando polêmicas para aparecer. Tudo partindo, obviamente, da necessidade quase patológica de diferenciação.

2) O “bom moço”: Luciano Huck

A aparência de bom moço – só aparência

O apresentador, que revelou beldades como a Tiazinha e a Feiticeira na Band, na década de 1990, virou, na Globo, símbolo do bom-mocismo coxinha. Faz um programa repleto de “boas ações”, que, no fundo, são apenas uma afirmação de superioridade, da mesma forma que a filantropia dos Rockfellers no início do século XX. Puro marketing.

Quando você reforma um carro velho ou uma casa, além de fazer uma boa ação, você se autopromove. Capitaliza com o drama alheio mostra que, além de “bondoso”, você é diferente daquele que você está ajudando. Como preza a cartilha do bom coxinha.

Além disso, Luciano Huck é a representação da família bem sucedida e feliz. Casado com outra apresentadora da Globo, Angélica, forma um dos “casais felizes” da emissora. Praticamente uma cartilha de como montar uma família coxinha. “Case-se com alguém bem sucedido, tenha dois ou três filhos, e leve eles para festinhas infantis junto com outros filhos de famosos”.

Para se mostrar engajado e bom moço, Huck deu até palestra sobre sustentabilidade na Rio+20. Irônico, pra quem foi condenado por crime ambiental, em Angra dos Reis. Ele fez  uma praia particular sem autorização. Diferenciação, novamente. Isolamento. Características típicas do coxinha default. Assim como “ter twitter”. Mas o twitter dele é praticamente um bot, só serve pra afagar seus amigos famosos e mandar mensagens bonitinhas.

3) A “Coxinha Política”: Soninha Francine

Soninha, em evento do PPS: “onde foi que eu me enfiei?”

O terceiro e último (graças a Deus) exemplo de coxinha é a figura da imagem acima. Soninha Francine deve ser o maior caso de metamorfose política do Brasil. Até 2006 era petista convicta, mas o vírus da COXINHICE já afetava seu cérebro, a ponto dela sair na capa da Época em 2001 falando “eu fumo maconha”, provavelmente por um brilhareco.

Daí ela saiu do PT, entrou no PPS, caiu nos braços de José Serra e do PSDB paulista e se encontrou. Tenta conciliar a fama de “descolada”, adquirida nos anos como VJ da MTV, com uma postura política típica de um coxinha padrão: individualista e conservadora. E, pra variar, manifesta tais posturas via… Twitter. Emblemático foi o dia em que Metrôs BATERAM na Linha Vermelha e ela, afogada em seu individualismo, disse que não encarou nenhum problema e que o Metrô estava “sussa”. Assim como a acusação de “sabotagem” do Metrô às vésperas da eleição de 2010.

Soninha ajuda a definir o estereótipo do coxinha default. O coxinha tenta de forma desesperada parecer um cara legal, descolado e antenado com os problemas do mundo. Mas não consegue disfarçar seu individualismo e sua necessidade de diferenciação. Não consegue disfarçar seu rancor quando os outros passam a ter as mesmas oportunidades e desfrutar dos mesmos serviços que ele.

Conclusão

O coxinha é um fenômeno sociológico disseminado em vários lugares, mas, por enquanto, só “assumido” em São Paulo (em outras cidades, os coxinhas ainda devem ter outros nomes). Não por acaso, tendo em vista que São Paulo é um dos ambientes mais individualistas do Brasil.

São Paulo é uma das cidades mais segregadas do país. É uma cidade de grande adensamento no centro, com as regiões ricas isoladas da periferia. A exclusão é uma opção dos mais ricos. Eles não querem  se misturar com o restante da população. E, nos últimos anos, isso ficou mais difícil: não dá mais pra excluir meramente pelo poder econômico. Daí, é necessário expor um personagem, torná-lo um padrão, pra disseminar essa mentalidade individualista e conservadora: é aí que surge o coxinha.

E isso é bom. Porque o coxinha, hoje, é exposto ao ridículo pelo restante da sociedade. Até algum tempo atrás, ele era apenas um personagem latente. Ele não aparecia, portanto, não podia ser criticado ou ridicularizado. No final, o surgimento dos coxinhas só reflete a mudança do nosso perfil social. E, por incrível que pareça, o amadurecimento de nossa sociedade.

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Marilena Chauí: Classe média é facista, violenta e ignorante / depoimento

“A classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”, afirmou a filósofa, durante lançamento do livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”; em seu discurso, ela também grita: “Eu odeio a classe média”; assista

marilena chaui

O ineditismo de medidas governamentais e seus resultados surpreendentes estão sendo analisados durante o lançamento do livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. O primeiro deles ocorreu no último dia 13, em São Paulo, e contou com presença de Lula, Emir Sader, Márcio Pochmann e Marilena Chauí.

Sem as sutilezas filosóficas das aulas emocionantes que costuma dar em eventos desse tipo, ela foi direto ao assunto. Chauí falou sobre o Bolsa Família para exemplificar a “revolução feminista” que vem ocorrendo no país, ao direcionar o recurso para a mulher, e depois o exemplo do ProUni, para explicitar o racismo que emergiu com força na sociedade, ao encher as salas de aula do ensino superior de pobres e negros.

Por fim, fez duras críticas à classe média: “a classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”, concluiu ovacionada.

Por que os médicos cubanos assustam – por pedro porfirio

Por que os médicos cubanos assustam

Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o nosso sistema mercantil de saúde

 

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha,  que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.

Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador  de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.

No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste

Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só  está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.

Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de  clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.

Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.

Sem compromisso em retribuir os cursos públicos

Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto  não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.

Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792.000,00 reais para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.

Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.

Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades

Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades.  Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.

Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho,  se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.

A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.

Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536.Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.

A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.

A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença.  Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical  nos seus índices de saúde.

Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia

Em  sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.

Não é isso que consta dos números da Organização Mundial de Saúde.  Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil.

Quando esteve em Cuba, em 2003, a deputada Lilian Sá
foi conhecer com outros parlamentares o médico de família,
uma equipe residente no próprio conjunto habitacional

Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas.

Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuídos por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação melhor dotada do mundo neste setor.

Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.

O Brasil forma 13 mil médicos por ano em  200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.

Formando médicos de 69 países

Estudantes estrangeiros na Escola Latino-Americana de Medicina

Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.

Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.

Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Escola Latino-Americana de Medicina. As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.

Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue.  Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.

Presença de médicos cubanos no exterior

Desde 1963,  com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.

No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.

No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.

Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o CFM adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o  regime de Havana,  segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Documentário ‘Carne, osso’ relata o assustador trabalho nos frigoríficos

FILME PRODUZIDO PELA ONG REPÓRTER BRASIL PODE SER VISTO NO FESTIVAL É TUDO VERDADE, ABERTO EM SÃO PAULO E NO RIO DE JANEIRO

Documentário ‘Carne, osso’ relata o assustador trabalho nos frigoríficos

Linha de produção exige movimentos repetitivos que tem consequências drásticas para os trabalhadores (Foto: Divulgação)

São Paulo – Seis segundos para desossar uma peça de frango. Mais de três mil peças por hora em cada esteira. 18 movimentos a cada 15 segundos. Uma carga de trabalho três vezes superior à recomendada como limite. Três vezes mais chances de desenvolver transtornos mentais. O documentário Carne, osso revela que a cadeia produtiva da carne no Brasil é repleta de desrespeitos à legislação trabalhista e um cotidiano de sofrimento, depressão e riscos.

As primeiras imagens da produção da ONG Repórter Brasilsugerem que trabalhar em um frigorífico não é “apenas” chato e massante. A trilha sonora escolhida para demonstrá-lo, por sinal, cumpre perfeitamente o papel ao usar sons repetitivos em uma longa sequência.

Os primeiros depoimentos colhidos, por outro lado, mostram que ficar em uma esteira cortando pedaços de frango, boi ou porco é muito mais arriscado do que imagina quem recebe um bife no prato em um grande centro urbano. Jovens trabalhadores de baixa escolaridade das regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil ficam expostos a condições de trabalho que são, no mínimo, assustadoras. Cortes profundos provocados pela lâmina afiada não são incomuns.

“Bota a faca no meio dos dedos dela para trabalhar”, disse um gerente de uma indústria do setor aos colegas de Valdirene, a uma funcionária de uma empresa de Forquilinha (SC), a 210 quilômetros da capital, já não conseguia mexer a mão. Ela relata que foram onze anos até chegar a esse ponto. Como não poderia correr o risco de perder o emprego, Valdirene aguentava a dor e precisava da ajuda diária do marido para esticar os dedos. Músculos e tendões atrofiaram-se pelos esforços repetitivos do trabalho de cortar frangos durante dez, doze, ou até catorze horas diárias.

Hoje sem o movimento das mãos, com menos de 40 anos de idade, ela se arrepende de ter “dado o sangue pela empresa” e lamenta ter se oposto à ação de um sindicato local que pedia melhores condições de trabalho. A vida profissional no setor é curta, revela o documentário. No geral, menos de dez anos de movimentos repetitivos diários são suficientes para acabar com a possibilidade de seguir atuando – nesta ou em qualquer área.

Carne, osso soa como um Tempos modernos da realidade dos frigoríficos que chega com boas credenciais ao festival de documentários É Tudo Verdade deste ano, aberto em São Paulo e no Rio de Janeiro. O filme de Charles Chaplin, de 1936, lançava mão de ironia e sarcasmo para denunciar as más condições do trabalho fabril no início do século XX. O documentário de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros é farto em tristes histórias sobre as condições do trabalho fabril no século XXI.

Assista a trechos do filme Carne, osso

Os funcionários do setor conhecem o médico local pelo nome de “Doutor Diclofenaco”, uma referência ao remédio receitado invariavelmente a quem se queixa de dor. “Precisava dormir com a mão amarrada na cama de tanta dor que sentia”, relata uma outra ex-trabalhadora do setor, igualmente impossibilitada de trabalhar.

O retrato apresentado no longa-metragem é de empresas que parecem não se importar com o cenário. Donas de uma fatia superior a US$ 10 bilhões na balança de exportações brasileira, são indicadas por diversos entrevistados como as grandes responsáveis pela maior parte das ações trabalhistas nas varas das regiões em que atuam – são 750 mil trabalhadores em toda a cadeia produtiva.

Um analista do mundo trabalhista lembra que a contribuição que, por mais impostos que paguem, essas corporações ficam devendo ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Boa parte dos trabalhadores ingressa, cedo ou tarde, na lista de brasileiros obrigados a se afastar do trabalho, temporária ou permanentemente, dependentes da assistência previdenciária. “Qual o verdadeiro déficit da Previdência?”, indaga.

O documentário é rico em explicações sobre o porquê de um trabalho tão esgotante. “Quanto mais tu dava conta, mais queriam”, pontua uma ex-funcionária sobre as metas impostas pelos empregadores. “Tomar show” é o jargão do meio que explica que um trabalhador não deu conta dessa meta. Quando isso ocorre, ele recebe uma cota extra de atividades e muitas vezes vara a madrugada na esteira de corte.

Ir ao banheiro tampouco é uma tarefa simples: é necessário pedir autorização do encarregado de controlar a produção e, segundo os relatos, urinar mais de duas vezes ao dia resulta em uma séria advertência. Por tudo isso,Carne, osso não é fácil de digerir, mas se faz fundamental.

Holandês de 19 anos cria projeto que pode acabar com plástico no oceano

The Ocean Cleanup pode remover 7,5 bilhões de kg de lixo dos mares em cinco anos. Veja fotos!

 

Atualmente, o projeto procura especialistas em diversas áreas e parceiros para viabilizar os custos. Imagem: Erwin Zwart / Fabrique Computer Graphics

“Será muito difícil convencer a todos no mundo a lidar com o plástico de maneira responsável, mas o que nós, seres humanos, somos muito bons em fazer, é inventar soluções técnicas para os nossos problemas. E é isso que estamos fazendo”, Boyan Slat, 19 anos, fundador do projeto The Ocean Cleanup.

The Ocean Cleanup Foundation começou como um projeto de conclusão de curso de ensino médio do holandês Boyan Slat, na época com 17 anos, e seu amigo Tan Nguyen. Gastando mais de 500 horas no trabalho em vez das 80 requeridas, a dupla criou um sistema de remoção de plástico dos oceanos baseado no movimento rotativo das correntes oceânicas.

O projeto rendeu à dupla diversos prêmios, entre eles o de Melhor Design Técnico de 2012 da Delft University of Technology, na Holanda. Boyan Slat continuou a desenvolver o conceito durante o verão de 2012, apresentando-o meses depois no TEDxDelft 2012 (assista ao vídeo abaixo). O novo projeto rendeu mais prêmios ao jovem holandês que, em janeiro deste ano oficializou-o e transformou-o em uma organização sem fins lucrativos.

*No ótimo vídeo abaixo, Boyan Slat explica seu projeto no TEDxDelft 2012:

Conceito

Existem cinco áreas nos oceanos do mundo onde correntes rotativas criam um enorme acúmulo de plástico. Movimentar-se pelos mares para remover este lixo seria custoso, poluente e ineficiente. Então, por que não deixar as próprias correntes transportarem os detritos até você? Essa é a ideia central do The Ocean Cleanup Foundation.

A remoção seria feita por uma estrutura batizada de Ocean Cleanup Array (traduzindo para o português, seria algo como “Matriz de Limpeza do Oceano”). Ancorado, o sistema seria composto por plataformas de processamento e, ligadas à elas, compridas barras flutuantes que abrangeriam o raio de uma corrente rotativa.

Estas barras atuariam como funis gigantes que, com o ângulo delas em relação à estrutura, forçariam uma corrente em direção à plataforma. Com os detritos adentrando o sistema, eles seriam filtrados para fora da água e eventualmente armazenados em containers até que fossem coletados para reciclagem em terra.

Uma das grandes vantagens de usar barras flutuantes em vez de redes é que a vida marinha não é afetada ou presa ao sistema, já que as boias ficam apenas na superfície da água e se movimentam lentamente, junto com as correntes.

Na teoria, o zooplâncton não se acumularia significativamente nas barras, mas de qualquer jeito, foi criado um sistema alternativo de separação de plânctons e plásticos pequenos usando a força centrífuga e baseado nas diferenças de densidade.

Existe também a preocupação com a interferência com rotas de navios e barcos e existe um planejamento quanto a isso no projeto.

Possibilidades

De acordo com o site oficial do projeto, um terço de todo o plástico superficial dos oceanos globais pode ser removido usando o método. Numericamente, seriam 7.250.000.000 kg (7,25 bilhões) de poluição retirada. O tempo estimado para limpar cada uma das cinco áreas principais seria cinco anos.

Apesar do The Ocean Cleanup ser uma possível estratégia para reduzir o acúmulo de plástico nos oceanos, o projeto não é a solução perfeita. Para a remoção total da poluição seria fundamental a prevenção e educação quanto à diminuição na produção de plástico e à reciclagem.

Viabilidade

A viabilidade do projeto é algo que ainda está em fase de estudo, entretanto, até então o método parece promissor também neste sentido. O que poderia ajudar a custear os gastos é a reciclagem do próprio plástico colhido – algo que pode até tornar o projeto financeiramente lucrativo.

Atualmente, uma equipe de 50 engenheiros, projetistas, especialistas externos e estudantes trabalham no projeto. Mesmo assim, o The Ocean Cleanup Foundation está recrutando profissionais de áreas específicas como engenharia de estruturas marítimas e biologia de plâncton.

O projeto também procura parceiros para custear orçamentos de pesquisa. Já foi divulgado que será utilizado “crowd funding”, método de financiamento público voluntário que vem sendo utilizado por instituições sem fins lucrativos, ONG’s, projetos sociais e afins.

“A história humana é basicamente uma lista de coisas que não poderiam ser feitas, e então foram feitas”, Boyan Slat.

Além de ser fundador e diretor do The Ocean Cleanup, Boyan estuda engenharia aeroespacial na Delft University of Technology e é um ávido fotógrafo e mergulhador.

JUDAÍSMO REJEITA O SIONISMO E O ESTADO DE ISRAEL – este texto está em ingles. escrita original.

JUDAÍSMO FOTO
‘NYT’ landmark: Jewish philosophy prof says we ‘really ought to question’ Israel’s right to existOur site keeps urging a mainstream conversation about Zionism. That’s the endpoint of our work, questioning that almost-religiously-held belief. Well, last night, the New York Times’s opinionator blog published a bold piece by Joseph Levine, a professor of philosophy at the University of Massachusetts, saying that we have to question the right of Israel to exist as a Jewish state–and pretty much concluding that it doesn’t have such a right.Mind you the piece appears in the Opinionator’s philosophical section, which I see is called The Stone, and though it begins by asserting that Levine was raised in a Zionist home, it is a calm and logical disquisition, explaining why Jews do not deserve self-determination inside a state created in the Middle East, up until the end, when Levine arrives at the actual conditions of Palestinians, including the Nakba, and says that these abuses were “unavoidable” in the constitution of a Jewish state.”I conclude, then, that the very idea of a Jewish state is undemocratic, a violation of the self-determination rights of its non-Jewish citizens, and therefore morally problematic.”Writes Donna Nevel, who sent this to me:I think it’s important that these positions are becoming more visible and it’s becoming much harder (though we know too well they still try!) for the Jewish establishment (and AIPAC, etc.) to silence and marginalize these discussions or pretend that views like this don’t reflect similar perspectives of an increasingly large segment of the Jewish community.

Here are excerpts. Go to the Times for the entire thing:

Over the years I came to question this consensus and to see that the general fealty to it has seriously constrained open debate on the issue, one of vital importance not just to the people directly involved — Israelis and Palestinians — but to the conduct of our own foreign policy and, more important, to the safety of the world at large. My view is that one really ought to question Israel’s right to exist and that doing so does not manifest anti-Semitism. The first step in questioning the principle, however, is to figure out what it means….

My view is that one really ought to question Israel’s right to exist…

But the charge that denying Jews a right to a Jewish state [is anti-Semitic because it] amounts to treating the Jewish people differently from other peoples cannot be sustained…

But if the people who “own” the state in question are an ethnic sub-group of the citizenry, even if the vast majority, it constitutes a serious problem indeed, and this is precisely the situation of Israel as the Jewish state. Far from being a natural expression of the Jewish people’s right to self-determination, it is in fact a violation of the right to self-determination of its non-Jewish (mainly Palestinian) citizens..

Any state that “belongs” to one ethnic group within it violates the core democratic principle of equality, and the self-determination rights of the non-members of that group…

I conclude, then, that the very idea of a Jewish state is undemocratic, a violation of the self-determination rights of its non-Jewish citizens, and therefore morally problematic…

There is an unavoidable conflict between being a Jewish state and a democratic state.

JUDAÍSMO PASSEATA

The piece is reminiscent of other Jewish landmarks/awakenings: Tony Judt writing 10 years ago in the New York Review of Books, territory the journal has never sought to lay claim to, that the Jewish state is an anachronism, Brian Klug’s great essay, “On saying that Israel has a right to exist,” which we republished two years ago. Once the media begin stating this argument more regularly, calmly and honestly, you’re going to be stunned by how many young Americans sign on.

Via: Mondoweiss

The Wall Will Fall

CHICO CARUSO: As reações contra a sua charge sobre a tragédia de Santa Maria/RS

 

publicado em 28 de janeiro de 2013 às 14:32

Gilson Caroni Filho, no Facebook

Esta é a charge da primeira página de hoje de O Globo. Uma total afronta aos mortos e ao sentimento de seus parentes e amigos. Para travar a luta política, o jornal da família Marinho não faz humor; produz escárnio, ódio, desrespeito. Quem é pior? O jornal que publica ou o chargista que se dispõe a fazer o serviço sujo? Se você tem assinatura desse pasquim de direita, cancele. Se o compra nas bancas, deixe de fazê-lo. Amigos, não houve falhas ou gafes. A ” gracinha” do Caruso é a ilustração da linha editorial do jornalismo de esgoto.

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Rudá Ricci, em seu blog

Será que qualquer discussão política em nosso país tem que vir acompanhada deste infantilismo bestial? Não dá para elevar um pouco o nível, até atingir o nível da humanidade?

Cancelei minha assinatura do jornal O Globo porque, nas eleições presidenciais, os editores transformaram o jornal num panfleto eleitoral. Liguei informando (sei que foi ingênuo, mas meu fígado pedia) o motivo: se for para contribuir com alguma campanha, faço doação direta, sem intermediários. Vejo que a opinião de um assinante conta pouco, hoje, na trilha da difamação a qualquer custo, com ares de crítica. Não dá. É o abandono de tudo o que parece mais caro à quem tem alma. Mesmo para aqueles que desprezam ou nem sabem que têm alma.

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Renato Rovai, em seu blog

Esse jornalismo urubu perdeu completamente a capacidade de enxergar limites e de buscar alguma razoabilidade para a sua ação. Vale tudo para agradar aos que lhes pagam o soldo. Vale tudo para construir um discurso de ódio contra as posições políticas das quais não compartilham. Sinceramente, achei que só no limbo dos comentários anônimos fosse possível encontrar algo do nível desta charge do Chico Caruso publicada por Noblat. Sou um ingênuo. Esse pessoal que já havia transformado o acidente da TAM em um evento político, quer fazer o mesmo com Santa Maria. São carniceiros que evocam o que chamam de liberdade de imprensa para esse tipo de coisa.

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Gerson Carneiro, em comentário aqui

Charge de mau gosto sobre a tragédia em Santa Maria, de autoria de Chico Caruso, publicada na seção “Humor” no blogue do Ricardo Noblat. São esses aí os que “são sempre do contra” que a Dilma falou.

Os vencedores – por mino carta / são paulo.sp

É da percepção até do mundo mineral que Dilma Rousseff, Lula e a base governista são os vencedores deste primeiro turno das eleições municipais, e que a mídia nativa, além de mentir, omitir e inventar, consegue também ser patética. As lucubrações dos comentaristas no vídeo da noite de domingo último evocaram os melhores programas humorísticos do passado com suas tentativas de explicar o inexplicável.

No palanque. Para Haddad, daqui para a prefeitura. Foto: Nelson Almeida/AFP

E o mundo mineral sabe que a eleição de Lula em 2002 abriu uma nova temporada na política brasileira ao abalar os alicerces da casa-grande. Nesta moldura há de ser analisado o que aconteceu nos últimos dez anos e o que acontece neste exato instante. Inclusive o fato de que o PSB consiga resultados extraordinários em todo o País. Ocorre que Lula abriu as cancelas da fazenda e Dilma dá perfeita continuidade ao governo do antecessor.

Está claro, na minha visão, que na aliança governista o PMDB destoa e creio não ser necessário esclarecer por quê. Em todo caso, para usar terminologias dos dias de hoje, o governo de Dilma Rousseff poderia ser definido como de centro-esquerda, o que no Brasil assume significados mais profundos que em outros países. E a respeito, desta vez, esclareço. Este tempero de esquerda, esta alteração nítida nos rumos da política social e econômica e da política exterior é francamente subversiva segundo a casa-grande, inexistente em outros cantos, e como tal tem de ser enfrentada.

Toma-me o irresistível
 impulso de mencionar o Instituto Millenium. Tem o poder de recuar aos tempos do Ibad, que nos primeiros anos da década de 60 do século passado tramou decisivamente a favor do golpe. Precisamos falar mais do Instituto Millenium, mostrar a que vem com este seu sombrio nome nostradâmico. Para ele confluem polpudas contribuições de empresários graúdos, bem como o apoio das Organizações Globo e da Editora Abril. O conúbio assusta, mesmo porque sabemos que se recomenda neutralizar a lâmpada skuromatic e, ao apagá-la de vez, produzir a luz ao meio-dia, como convém.

Estranhas contradições vicejam no Millenium, promovidas pelos prestimosos emolumentos (mensalões) até de notáveis dispostos a se dizerem democratas convictos, amigões de Dilma e Lula. Espanto? Ou serei eu um ingênuo? Às vezes meus críticos botões me asseguram que sou mesmo. Não me iludo, porém, quanto ao significado dos resultados eleitorais. Falam por si, embora editorialistas, articulistas, colunistas não concordem.

Em São Paulo, digamos, praça onde Lula foi determinante, embora tenha entrado tarde na arena, e onde Dilma deu o arremate. Eu não hesito em vaticinar a vitória final de Fernando Haddad. Sei que com isso alimento os rancores de José Serra, e dele permito-me dizer algo, em ótima fé e boa consciência. Do ponto de vista ideológico, Serra já foi muito mais sincero do que Fernando Henrique Cardoso. Há uma diferença sensível, creio eu, nos temperamentos. FHC é um bon vivant, Serra um sofrido. FHC pode negar a si mesmo. “Esqueçam o que eu disse”, recordam? Serra, por injunção avassaladora nascida nas entranhas, tem de se explicar a si próprio o tempo inteiro.

Acredito na boa-fé
 do candidato tucano à prefeitura paulistana. Vítima de suas ambições mooquenses (da Mooca), por amarguras e decepções frequentes e até por dissabores buscados e cultivados, José Serra tornou-se intérprete do pior reacionarismo da extrema-direita brasileira, feroz sempre que esteja com as costas protegidas, pronta ao engodo e à mentira em nome do êxito da casta.

E aí está, já exposto na fala de Serra, o argumento do “mensalão”. CartaCapital está à vontade neste campo: sempre deixou claro desejar justiça, agora e sempre, além e aquém do processo em curso. É evidente que na conta da casa-grande o julgamento atual encerra o assunto.

Enganam-se. As urnas mostram que o País espera por mudanças e pouco, ou nada, se interessa pelo “mensalão”. Que se desate este nó, mas que se desatem todos os demais. Creio que os barões midiáticos deveriam cogitar da aposentadoria dos seus analistas. E que o Instituto Millenium desista de se dedicar à arqueologia.

HOMENAGEM FINAL à GAUCHADA PELAS COMEMORAÇÕES DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA – por arnaldo barbosa brandão / brasilia.df

Uma cortesia dos Torpedos ao facebook.

Pois é meus amigos, temos que aceitar a situação, o mundo não é mais de professores, muito menos dos políticos, e olha que eles se esforçam. E muito menos de escritores, filósofos ou de artistas plásticos ou de músicos ou poetas. De economistas, de sociólogos, antropólogos? Nem pensar. Já foi tempo em que até arquitetos ficavam famosos, cansei de dar entrevistas no Correio e na Tv, nos anos 70 e 80. Isso tudo já era. O mundo agora é dos jogadores de futebol, dos cantores populares, dos atores de Tv e das chamadas celebridades, uma profissão nova que circula por aí e acumula funções com as outras, inclusive com a mais antiga de todas. Pra vocês verem, até uns programinhas bem discretos sobre literatura que havia na Tv a cabo, de repente foram tomados pelos Caetanos, Gils e Chicos e Martinhos, etc. É a Tv em busca de audiência. Até o Paulo Coelho, que veio da canção popular (fazia letras pras maluquices do Raulzito), e diz ter sido escritor, está tendo que dizer umas coisas de quando ele se internava no Pinel, pra tentar atrair o olhar da mídia.

Então, nesta última homenagem, me desculpem os gaúchos mais letrados, mas vou ter que apelar. Vou falar um pouco de um grande cantor popular do Rio Grande. Vou logo avisando: não é o Lupicínio, muito menos Kleiton e Kleidir, que têm sotaque dos Beatles, que, como vocês sabem, iniciaram o processo de aveadagem do rock, com aquelas franjinhas e terninhos abichalados, cantando, “deu pra ti, baixo astral, Ciao”. Devem ser de Pelotas, não sei não.
O cara a que me refiro, começou com um “tiro ao alvo” em Passo Fundo, tinha um programa de rádio por lá, foi passear em Porto Alegre, voltou, vendeu o “tiro ao alvo”, gravou “Coração de Luto” que o pessoal mais refinado, fã dos Beatles e do Michael Jackson, chamava pejorativamente de “churrasco de mãe”. Teixeirinha comprou uma produtora de cinema, e fez doze filmes, felizmente ainda não vi nenhum. Bem, Teixeirinha foi o sujeito que mais vendeu discos no Brasil, e quiçá no mundo, vendeu mais do que o Michael e a Madona. Falam em 120 milhões de cópias, sabem como são os gaúchos. Pois é, entre ele e o Michael e a Madona, fico com Teixeirinha. Quer dizer, sugiro que a gauchada fiquem com Teixeirinha, porque eu fico mesmo é com a Angelina Jolie.

 

A RECUPERAÇÃO MORAL – por mauro santayana / brasilia.df

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em São Paulo, em um  encontro com artistas e intelectuais, que esse é o momento de “recuperação moral” da política brasileira. Ele pode ter razão, e a terá ainda mais se, depois do escrutínio judicial da Ação 470, o exame de outras ações pendentes no STF e nos tribunais dos Estados, abrir o véu que cobre o período de 1995 a 2003. Seria importante saber como se deu a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, uma empresa construída por mineiros. E seria também importante verificar, em sua intimidade, o processo de privatização da Telebrás e suas subsidiárias.

Estamos submetidos a um péssimo serviço, quase todo ele explorado por empresas estrangeiras. Segundo o PROCON, as reclamações contra os serviços telefônicos celulares batem o recorde naquele órgão. Enquanto isso, algumas empresas, como a Telefônica, continuam se valendo do nosso dinheiro, via BNDES, para financiar sua expansão no país, enquanto os lucros são enviados a Madri, e usados para a compra de empresas no resto do mundo.

Será, da mesma forma, necessária à recuperação moral da política brasileira saber quais foram as razões daquela medida, e como se desenvolveu o processo do Proer e da transferência de ativos nacionais  aos bancos estrangeiros, alguns deles envolvidos em negócios repulsivos, como a lavagem de dinheiro do narcotráfico.

Quem fala em recuperação moral estuprou a Constituição da República com a emenda da reeleição, recomendada pelo Consenso de Washington, uma vez que aos donos do mundo interessava a continuidade governamental nos países periféricos, necessária à queda das barreiras nacionais e à brutal globalização da economia, com os efeitos nefastos para os nossos países. Seria, assim, também importante, no processo histórico da “recuperação moral”, saber se houve ou não houve compra de votos para a aprovação do segundo mandato de Fernando Henrique, como se denunciou na época, e com algumas confissões conhecidas.

Tivemos oito anos sem  crescimento do ensino universitário público no Brasil, enquanto se multiplicaram os centros privados de ensino superior, que formam, todos os anos, bacharéis analfabetos, médicos açougueiros, sociólogos inúteis.

Para essa “recuperação moral” conviria ao ex-presidente explicar por que, no apagar das luzes de seu governo, recebeu, para um jantar a dois, o banqueiro Daniel Dantas, acusado de desviar dinheiro de seu fundo de investimentos para os paraísos fiscais, violando a legislação brasileira. Seria também importante reexaminar a súbita prosperidade dos jovens gênios que serviram à famosa “equipe econômica” em seus dois mandatos.

Se a “recuperação moral” for mesmo para valer, o ex-presidente não tem como eludir às suas responsabilidades. Para começar, se alguém se habilitar a investigar – e julgar ! – basta o seu diálogo gravado com o pessoal do BNDES no caso da privatização das telefônicas.

MORRE SANTIAGO CARRILLO, HERDEIRO DA PASSIONÁRIA., MENTOR DE MONCLOA – paulo timm / portugal.pt

Morreu dia 18 passado, sem que se saiba a hora, mas à sagrada séstia ibérica,   aos 94 anos, o líder comunista espanhol Santiago Carrillo, verdadeira legenda da esquerda européia.  Carrillo nasceu no início do “Século dos Direitos” , como Norberto Bobbio se refere ao Século XX, e o acompanhou enquanto teve lucidez.  Entrou jovem para o Partido Comunista Espanhol, fez a Guerra Civil (1936/39) , entrou para uma longa clandestinidade da qual emergiu na Europa nos anos 70 como um dos arautos do “Eurocomunismo”, protagonizou o Pacto de Moncloa, que redemocratizou a Espanha pós-Franco e comandou o comunismo espanhol nos anos seguintes, até 1982, sucedendo Dolores Ibarruri, La Passionaria. 

 Velho e enfermo, recolheu-se, logo depois,  até o anuncio de sua morte, sempre escrevendo artigos e proferindo palestras, com grande reconhecimento por todas as lideranças espanholas. Politicamente, pode-se dizer que transitou da ortodoxia leninista da vanguarda como instrumento do assalto ao poder para uma concepção do socialismo como resultado de um longo processo de rupturas pactuadas, para o qual o conceito de hegemonia se revela cada vez mais importante.
Duas passagens, contraditórias, mas intrinsecamente ligadas à sua militância e forte caráter, são hoje lembradas: sua suposta participação no assassinato de prisioneiros franquistas na Batalha de Madrid, em 1936,  e sua bravura, em 1981, quando um alucinado coronel fascista adentrou a Câmara dos Deputados em Espanha, tentando, de arma em punho,  impedir a redemocratização em curso.
Sobre este último fato,  um colunista do Diário de Notícias de Portugal, assim se refere, hoje:

“Ele há homens e ele há homens

por FERREIRA FERNANDES

É conhecido o verso do poema de Lorca dedicado ao toureiro Ignacio Sánchez Mejías: “Eran las cinco en punto de la tarde.” Menos conhecido, até porque não há, é o verso: “Eran las seis y veinte y dos en punto de la tarde.” Não há mas devia haver. Por essa exata hora do dia 23 de fevereiro de 1981, em Madrid, o Parlamento foi invadido por um bando e o chefe deste, um tenente-coronel bigodudo, subiu à tribuna e gritou: “Quieto todo el mundo!” Assistiu-se à humilhação: todos os deputados (quer dizer, toda a nação) encafuaram-se que nem coelhos sob as cadeiras e o tampo das mesas. Um militar na tribuna com uma pistola na mão – cujo disparo para o teto convenceu os hesitantes – dominava a casa dos representantes do povo. Mas quer a história que por vezes haja uns mais representantes do que outros. Três homens não obedeceram: um velho general, então ministro da Defesa, Gutiérrez Mellado, um homem de direita, o chefe do Governo demissionário, Adolfo Suárez, e um homem de esquerda, o comunista Santiago Carrillo. O general levantou-se para interpelar o bando e foi agredido, Suárez e Carrillo mantiveram-se sentados, soberbos. O general morreu em 1995, Suárez perdeu a lucidez e vive retirado eSantiago Carrillo morreu ontem. O último verso de Lorca diz: “Eran las cinco en sombra de la tarde.” No poema que não foi escrito, o das seis e vinte e dois de 23 de fevereiro de 1981, a palavra não seria sombra, mas luz. Graças a três homens”

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As “Matanzas de Paracuellos.” se constituíram num episódio insólito e ainda pouco elucidado sobre o assassinato de cerca de 2.500 prisioneiros políticos  , pelos Republicanos, no controle de Madrid, entre 7 de novembro e 4 de dezembro de 1936 . A responsabilidade destas matanzas ainda é um ponto obscuro entre historiadores.  Ian Gibson, irlandês, que escreveu sobre o insólito assunto, atribui clara responsabilidade ao Partido Comunista,  visto ser, à época a força hegemônica na  Madrid republicana , junto ao Conselho Geral de Segurança da  Consejería de Ordem Público , o qual, sob estrita vigilancia de um agente do COMINTERN, Mijail Koltsov , implantara um verdadeiro sistema de terror e morte na cidade. Não era frequente o recurso à liquidação de prisioneiros, mas quando Franco sitia Madrid e a submete a severo bombardeio, as pressões para o exterminio de prisioneiros ter-se-a se tornado irresistível.

A verdade é que , com erros e acertos, Santiago Carrillo foi um homem do seu tempo, imbuído dos ideais de heroísmo como resultado não só de palavras, mas de ações. Ainda assim, teve tempo para refletir – e conducir – , junto com outro ilustre español, Fernando Claudim,  sobre os caminhos do comunismo no final do século XX. Na minha juventude tinha estes dois nomes , reverenciados pelos cânones da rebeldía da época, como verdadeiros faróis de Alexandria. Sempre que  ia à Europa, no final dos anos 70, empenhado num Doutorado na Sorbonne para o qual o antigo SNI jamais me autorizou, como punição à uma ficha considerada “suja”,  fazia questão de parar em Madrid para adquirir seus libros, ainda desconhecidos no Brasil. Eles, Enrico Berlinger e, em menor escala Georges Marchais, líderes dos Partidos Comunistas de Espanha, Itália e França, sacudiram a ortodoxia marxista muito antes da queda do Império Soviético. Com isso, faziam coro aos líderes comunistas rebeldes da Primavera de Praga e da Polônia invadida,  abrindo novas fronteiras para a esquerda. A questão central: a democracia como valor universal e a questão da liberdade como seu maior ingrediente  .

Tais ideias podem soar “revisionistas” nestes días de crise sombria do capitalismo, quando se percebe um renascimento do Marx radical como profeta do Socialismo. É natural. Principalmente quando a abertura crítica  do marxismo coincidiu, nos anos 70/80, com o Consenso de Washington, vindo a dobrar   as melhores inteligências do mundo occidental aos imperativos do neoliberalismo desenfreado.  Nem mesmo o trabalhismo inglês, o socialismo europeu, o peronismo, e a ilustração brasileira escaparam. Chega a ser inacreditável que Sergio Paulo Rounet foi Ministro da Cultura do Governo Collor e que Francisco Weffort o tenha sucedido no Governo FHC, dois dos melhores intelectuais críticos  que já produzimos.  Tudo mostra do capitulacionismo ideológico do final do século, quando se confundiu o monolitismo da Pax Americana no processo de globalização com uma Nova Era de Paz e Prosperidade para o mundo inteiro.

Mas não se confunda a venda das coisas sagradas com os fundamentos da doutrina, como fez Lutero na Reforma Religiosa. Se há algo de podre no Reino de Dinamarca a salvação nunca estará num passo atrás, na Teologia de Revolução, mas um passo adiante, na Epifania da Liberdade.

O Maestro Waltel Branco receberá título de Doutor “Honoris Causa” na Universidade Federal do Paraná – 19 de setembro de 2012

Waltel Branco receberá o título de “doutor honoris causa” pela UFPR. Uma justa homenagem ao músico e compositor.

Waltel Branco: maestro, compositor, arranjador e professor – Foto: Rodrigo Juste Duarte

O renomado maestro Waltel Branco vai receber da UFPR o título de Doutor Honoris Causa em reconhecimento a sua vida dedicada ao estudo da música. O maestro, que está com 82 anos, começou seu aprendizado quando criança e desde então nunca parou. Receberá o título durante um dos eventos mensais que a universidade celebra em comemoração ao seu centenário, marcado para 19 de setembro.

Nascido em Paranaguá, Waltel Branco começou a estudar em Curitiba. Entre os muitos instrumentos que aprendeu a tocar, o violão sempre foi seu favorito. De Curitiba, viajou para diversos países como Estados Unidos, Cuba, Espanha, Itália, fosse pelo aprendizado, ou pela oportunidade de tocar e trabalhar com grandes nomes da música, como Nat King Cole, Dizzy Gillespie, Perez Prado, Mongo Santamaria, Quincy Jones e Henry Manciny (com este, trabalhou como arranjador da música tema do filme “A Pantera Cor de Rosa”). No Brasil, compôs e arranjou diversas trilhas sonoras para novelas entre as décadas de 60 a 90. Foi arranjador de álbuns de artistas dos mais diversos, como Elis Regina, Gal Costa, Tim Maia, Cazuza, Astor Piazzola, Tom Jobim, Roberto Carlos, Zé Ramalho, entre tantos outros.

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atualizado em 19/09/2012 às 22:06

Waltel Branco recebe homenagem da UFPR por vida dedicada à música

Músico e compositor paranaense é considerado um dos precursores do jazz-fusion nos Estados Unidos e da bossa nova no Brasil

19/09/2012 | 18:39 | GAZETA DO POVO 

O maestro paranaense Waltel Branco recebeu nesta quarta-feira (19) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) o título de Doutor Honoris Causa em reconhecimento à vida dedicada à música. Filho de um maestro, ele começou na área do pai ainda criança e nunca mais parou, tornando-se uma referência em todo o país e até no exterior. A premiação fez parte das comemorações do centenário da UFPR, que será comemorado em 19 de dezembro.

Walter Alves/ Gazeta do Povo

Walter Alves/ Gazeta do Povo / Maestro recebeu o título da UFPR em cerimônia nesta quarta-feiraAmpliar imagem

Maestro recebeu o título da UFPR em cerimônia nesta quarta-feira

Com 82 anos de idade, Waltel nasceu em Paranaguá, em 22 de novembro de 1929, Dia da Música. Atuou no Brasil, em Cuba, nos Estados Unidos, na Espanha e na Itália. Tem uma obra extensa, com mais de 20 discos autorais e participação em cerca de mil discos importantes da música brasileira como instrumentista, regente ou arranjador.

Nesta quarta, com um sorriso no rosto o tempo todo, mesmo com a saúde frágil e amparado por uma bengala, Waltel agradeceu o reconhecimento do povo do Paraná pelos seus acordes. O músico se disse satisfeitíssimo com o título da UFPR. “É ótimo receber um prêmio como esse em vida, já que é algo concedido geralmente depois da morte”, declarou, pedindo desculpas pela voz rouca. Por fim, dedicou o título à mulher e às duas filhas.

Entre os artistas com os quais Waltel estabeleceu parcerias estão Elizeth Cardoso, Altamiro Carrilho, João Bosco, Tim Maia e João Gilberto — todos os arranjos de Chega de Saudade são do maestro paranaense. É considerado um dos precursores do jazz-fusion nos Estados Unidos e da bossa nova no Brasil.

FACEBOOK – por arnaldo barbosa brandão / brasilia.df

FACEBOOK. O veículo desgovernado vai passando, entra o Leonardo com o adágio do dia (hoje ele abriu o baú e mostrou o peitão da Ella). Benício entrou pautando com um link, pra variar. Entrou o Ribondi com uma mulher nua do Ingres, acho que é a Dominique, atrás uma centena de seguidores, o ônibus passa debaixo dos Ipês (azuis, amarelos, brancos), todo mundo curte, e tome cervejas, depois o Bolivar

 com a política e a musica, ultimamente dá pra ouvir a risada dele. Nem parece o cara que citei na minha tese há 30 anos. O Cassio deve estar doente, não botou nada, logo entra no ônibus o pessoal do amor romântico: pelos cachorrinhos, gatinhos, leõezinhos. Finalmente a Silvia aparece, acompanhada pelo Flósculo, sai fora Silvia. O Walter reapareceu. A Silvia curtiu uma flor branca. Ah, o Luis Áquila, volto, Proust. A Gauchada chegou, entra o Vidal, e o Timm direto de Torres. Ishh, baixou o pessoal das músicas. Douglas entrou com suas orações, botou um Cristo do Mantegna, ainda bem. O Bruno e Prdl Saldanha a essa hora? Devem ter caído da cama. Tadeu aparece de boné correndo a maratona do Texas, e o Torelly, onde andará? O Evangelos ativa os neurônios dos arquitetos, aí entra minha filha e diz pra eu parar de falar palavrões. Agora tu vê. Dalvinha e Lee dos EUA e suas meninas lindas. João e sua paixão: MENGOOO. Giselle Moll hoje está curtindo adoidado, e a Patricia Melasso mostra mais uma vez o belo rosto com sardas, no espelho. Patricia Doyle compareceu discretamente com a trilha dos “intocáveis”, Toledo sai do Sarah-Rio e nos bombardeia com uns desenhos fantásticos e uma foto do sítio Alecrim(fui Papai Noel numa festa lá).Instituto Moreira Sales diz que falta sexo, aqui em casa acho que não. Giselle Mancini em inglês, nossa! Como diria o Ribondi. Paulo Cesar da UnB quer um dia mundial sem carro, faz isso não Paulo. Timothy reaparece. Carlos Fernando, que não vejo há um tempão, curtiu “La Règle de Jeu”, está passando em Paris, de graça. Aí entram uns garotos, já chegam kkkkkk. O pessoal do Rio deve estar na praia. Rochana Rams entrou com um ditado indiano. Estou sentindo falta da piada do Fabiano. Aí entra outra carrada de cervejas e logo a seguir o time da política, Rollemberg quer regular o uso da rocha moída. Imagine que até FHC me aparece recebendo alguém no seu Cafofo, será que é candidato? Eu entro com uma historinha do Marquês, ninguém curtiu, pesada demais. O veículo é desgovernado, mas nem tanto. E tome cerveja. Vou pro Badoo.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA : Zero Hora visitou lugares mitológicos da Revolução Farroupilha, palcos da guerra contra o Império. Assista ao documentário e saiba o que eles guardam na memória.

veja os dez principais palcos da REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835 – 1845)

CLIQUE AQUIREVOLUÇÃO FARROUPILHA

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A Revolução Farroupilha, também é chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico ( 1835 – 1845), eclodiu no RS e configurou-se, na mais longa revolta brasileira.

Foram diversas as causas que levaram os farroupilhas a atacarem Porto Alegre, no dia 20 de setembro de 1835, dando início a Revolução Farroupilha, que estendeu-se, até o dia 11 de setembro de 1836, quando Antônio de Souza Neto, proclamou a República Riograndense. Após esta data, iniciou-se então, uma guerra que durou até 28 de fevereiro de 1845.

Muitos fatos aconteceram, várias pessoas morreram, e quase dez anos depois de muitas lutas e combates, houve a pacificação.

Os problemas econômicos que atingiam as classes dominantes, figuram entre as principais causas da revolução. Os poderosos estancieiros gaúchos, queriam que o governo imperial, protegesse a pecuária do RS e dificultasse a entrada do charque argentino e uruguaio no Brasil, que devido o baixo imposto de importação, fazia concorrência desleal, arruinando a economia gaúcha. Essa mesma elite dos grandes fazendeiros, também lutava junto ao governo imperial, por uma maior liberdade administrativa para o RS.

A revolução farroupilha não foi portanto, uma revolta do povo pobre, e sim, uma rebelião dos ricos estancieiros que lutavam pelos seus interesses econômicos e políticos. O povo só participou do movimento, sob o controle dos fazendeiros. Não existia entre os líderes, o desejo de libertar o povo da exploração social, da escravidão ou da vida miserável.

Entre os principais líderes, destacam-se: Bento Gonçalves, Davi Canabarro, José Garibaldi, Antônio de Souza Neto, Gomes Jardim e Lucas de Oliveira.

O momento máximo da expansão do movimento, deu-se em 1839, com a fundação da República Juliana, na cidade de Laguna em Santa Catarina, sob comando de Canabarro e Garibaldi.

As capitais da República Riograndense, foram Piratini, Caçapava e Alegrete.

Os oficiais farroupilhas, reuniram-se nos Campos de Ponche Verde, e discutiram as questões do tratado de paz. Ocorreu então, um tratado entre duas nações: Rio Grande do Sul e Brasil. Assinou o tratado representando os farroupilhas, Davi Camabarro e pelos imperiais, Duque de Caxias, no qual não houve vencedores ou vencidos.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA

ANTECEDENTES

              No Brasil, estávamos no período das Regências, duas correntes políticas existiam: Corrente Liberal Moderada – Chimangos que desejavam modificação do regime através de leis, e a Corrente Liberal Escoltada – Farroupilhas, que apontava como a solução a resolução.

Em 1833, quando Bento Gonçalves foi chamado ã Corte, (RJ), entrou em contato com Evaristo da Veiga e com o Padre Diogo Antonio Feijó, (futuro regente), e indica Antônio Rodrigues Braga, um moderado republicano, para o cargo de presidente da província, que por influência de seu irmão, passou para o partido conservador, rompendo com Bento Gonçalves.

Foram geradas as divergências entre o poder executivo (Fernandes Braga) e o poder legislativo; que era em sua maioria formado por deputados liberais, que acusaram Fernandes Braga de déspota por que havia mudado de partido.

CAUSAS

- Idéias de liberdade política
– Desejo de implantação do sistema republicano no Brasil com a federação das províncias;
– O descontentamento reinante aqui, pelos desastrosos e não contentáveis governos da província que eram orientados pelo império. Era o caso de Fernandes Braga.
– Um regime iníquo com excessivos impostos e taxas, cobradas pelo poder central, o Império, sobre nossa principal economia o Charque.
– Faltam de estradas, pontes e escolas;
– Dificuldades para o registro das pessoas físicas
– O desgosto do soldado gaúcho, pelo revés sofrido nos campos da Cisplatina, cuja culpa era atribuída aos comandos escolhidos, cuja culpa era atribuída aos comandos escolhidos pelo império;
– Os gaúchos já haviam participado a lança e a espada em mais de uma campanha não queriam se deixar dominar e oprimir pela corrupção imperial brasileira.

ÉPOCA 1835/1845

TEATRO DE OPERAÇÕES Província do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina

INÍCIO 20/09/1835 com a entrada em Porto Alegre de Gomes Jardim e Onofre Pires.

A primeira fase do Movimento Farroupilha contou com o apoio de todas as correntes liberais. Esta fase caracterizou-se pela deposição do presidente Fernandes Braga.

PRINCIPAIS EVENTOS

Ano de 1835

19/setembro , um grupo de 400 revolucionários reuniu-se nos arredores de Porto Alegre, e nas 1ªas da madrugada de 20/09 – junto à ponte da Azenha, ocorria a 1ª escaramuça com os Imperiais, visando a ocupação da capital. Bento Gonçalves Chega a 21.os farroupilhas eram comandados por Onofre Pires e Vasconcelos Gomes Jardim, enquanto a defesa da capital estava confinada a Gaspar Mena Barreto.

DR, Fernandes Braga, foge para a cidade do Rio Grande, de barco pela Laguna dos Patos. Bento Gonçalves segue para Rio Grande, ã frente de um pequeno destacamento, para enfrentar o Presidente deposto, porém, Fernandes Braga já havia fugido para a corte do Rio de Janeiro.

Entre as cidades que não aderem a causa estão : Rio Grande, Pelotas, e São José do Norte.

08.setembro – Entrada dos Farrapos em Piratini.
09.setembro – Os Farroupilhas apoderam-se de Rio Pardo.
13.setembro – Os revolucionários são derrotados em Arroio Grande.

Ano de 1836

07 de abril – Entrada dos Farroupilhas em Pelotas.

15 de junho – Restauração de Porto Alegre pelos imperiais.

10 de setembro – , no Campo dos Menezes a Batalha do Seival, onde ocorre a maior vitória das forças Farroupilhas, as tropas do Cel. Antonio de Souza Netto derrotaram as do Cel. João da Silva Tavares.

Na noite de 10 para 11 de setembro de 1836 chimarreando ao redor do fogo e ainda comemorando a brilhante vitória, Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares deram a idéia da Proclamação da República Rio Grandense. Na manhã seguinte as tropas foram perfiladas em ordem e o General Netto faz um pronunciamento.

12 de setembro – Proclamação da República Rio-Grandense por Souza Netto, nos Campos dos Menzes, pontas do Jaguará Chico, afluente do rio Jaquarão.

04 de outubro – Bento Gonçalves é derrotado e preso na Ilha do Fanfa (Rio Jacuí- proximidades de Rio Pardo). É enviado para a Corte e daí para o Forte do Mar na Bahia.

10 de novembro – Piratini torna-se a primeira Capital da novel Republica.

Ano de 1837

09 de março – Tomada de Lages (Santa Catarina) pelos farroupilhas.

07 de abril – Os republicanos tomam Caçapava.

10 de setembro – Fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar, na Bahia.

Ano de 1838

17 de março – Os imperiais retomam Rio Pardo

06 de maio – Rio Pardo volta ao poder dos revolucionários.

12 de setembro – Lages (santa Catarina) pela 2ª vez, é tomada pelos farroupilhas.

Ano de 1839

14 de fevereiro – A Capital da República é transferida para Caçapava, instalando-se o governo no dia 24.

06 de junho – Garibaldi inicia sua memorável travessia por terra com seus lanchões Seival e Rio Pardo, conduzindo os do Capivari até o Tramandaí.

22 de julho – Combate e tomada de Laguna (Santa Catarina)

25 de julho – Proclamação da República Juliana.

15 de novembro – Restauração de Laguna pelos imperiais após o combate naval desse dia.

Ano de 1840

03 de maio – Combate de Taquari, de resultados indecisos.

16 de julho Ataque a São José do Norte, de conseqüências desastrosas para os Farrapos. São José do norte recebe o Título de “Mui heróica Vila”. E Ajuda os feridos das tropas farrapas.

Cerco de Porto Alegre.

Ano de 1841

Continua Porto Alegre cercada
19 de outubro – Porto Alegre recebe o título de “Mui Leal e valorosa” pela resistência à revolução.

Ano de 1842

Inicia o declínio da revolução. Divergências entre os revolucionários. É assassinado o vice-presidente Antonio Paulino da Fontoura. Bento Gonçalves é acusado de autor intelectual. Duelo entre Bento Gonçalves e Onofre Pires, resultando a morte deste.
09 de novembro – Caxias assume a presidência e o comando das armas legais.

01 de dezembro – Alegrete torna-se a sede do governo republicano.

Ano de 1843

26 de maio – Combate de Ponche Verde, de resultados indecisos.

Vantagens dos legalistas em todo o território. A revolução começa e perder terreno.

Ano de 1844

Início das conversações de paz.

14 de novembro – Surpresa de Porongos. Canabarro é derrotado pro Chico Pedro.

29 de dezembro – Combate de Quero (afluente do quarai) último da Revolução.

Ano de 1845 – Final da Guerra – Inicio da Paz.

28 de fevereiro – Assinatura da paz no acampamento de Ponche Verde, município de D.Pedrito.

01 de março – Caxias, nos campos de Alexandre Simões, proclama a anistia do Rio Grande do Sul, declarando pacificada a província.

CAPITAIS FARROUPILHAS

Piratini 10.11.1836 a 14.02.1839

Caçapava – 14.02.1839 ã 22.03.1840

Alegrete – 22.03.1840 ao término da Revolução

VULTOS EMINENTES

Imensa é a galeria do relevo nos fatos da memorável EPOPÉIA

Destacam-se, de parte dos farrapos:

Bento Gonçalves da Silva; Antonio de Souza Neto; David Canabarro; Domingos José de Almeida; Onofre Pires; Silva Jardim.

Junto aos imperiais:

Caxias; J.J.de Andrades Neves; João de Deus Mena Barreto; Silva Tavares; Francisco Pedro de Abreu.

Bento Manuel Ribeiro teve destacada atuação quer ao lado dos farrapos, quer dos imperiais

Condições da Paz
Os rio-grandense indicariam o nome para assumir a presidência da província
A dívida revolucionária seria paga pelo governo imperial.

O PÓS-GUERRA

Tempo de Construir – com a economia e a administração pública desorganizada por quase dez anos de guerra., a província tenta recuperar o tempo perdido;
Reinício da Imigração;
Dois partidos 1848 –Partido Conservador – Partido Liberal
18 de julho de 1847 – Morre Bento Gonçalves
1852 – rearticulação partidária , liga partidária, e contra liga.
Antonio de Souza Neto – vai para o Uruguai- se reconcilia com o Governo brasileiro 1864
David Canabarro – Morre em 1867
Da contra liga – origina-se o Partido Liberal Progressista.
1868 – Partenon Literário

Bibliografia : Lessa, Barbosa-Projeto Pró-memória farroupilha. 1985 Filho, Artur Ferreira – Rio Grande Heróico e Pitoresco- 1985 História Ilustrada do Rio Grande do Sul – 1998 Quevedo, Julio – José C.Tamanquevis. Rio Grande do Sul Aspectos da História Freitas, Sebastião Rodrigues de, Estudos Rio-Grandenses.

Governo recupera R$ 2,2 mi dos R$ 124 bi desviados via Banestado

Esta será a terceira parcela repatriada dos recursos remetidos ilegalmente para o exterior, entre 1996 e 2002, no auge das privatizações tucanas. Mas as investigações sobre o caso continuam cercadas por uma cortina de fumaça. O Ministério da Justiça não divulga informações sobre os processos no exterior. No Judiciário brasileiro, as ações estão pulverizadas em diferentes varas e a maioria corre em segredo de justiça. No Legislativo, a CPI do Banestado (2003) terminou em pizza e a CPI da Privataria (2011) segue engavetada.

Najla Passos

Brasília – O governo brasileiro conseguiu recuperar R$2,2 milhões dos recursos públicos remetidos ilegalmente ao exterior via Banco do Estado do Paraná (Banestado), no esquema de corrupção que abalou o país entre 1996 e 2002, no auge das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o diretor do Departamento Internacional da Advocacia Geral da União (AGU), Boni de Moraes Soares, a parcela que será repatriada já é a terceira relativa ao caso. As duas anteriores representavam valores equivalentes. Mas o percentual desviado é bem mais robusto: algo em torno de R$ 124 bilhões, conforme o deputado Protógenes Queirós (PCdoB), que é delegado da Polícia Federal (PF) e atuou no caso.

Soares conta que os R$ 2,2 milhões estavam bloqueados, desde 2005, em uma conta aberta nos Estados Unidos, por três brasileiros já condenados em primeira instância por envolvimento no caso Banestado. Para reaver o montante, não bastaram os pedidos de devolução feitos pelo Ministério da Justiça (MJ), com base em tratados de cooperação internacional. Foi necessário comprovar, na Corte Distrital de Nova York, que o dinheiro depositado no banco norte-americano era fruto de corrupção. Causa que a AGU assumiu em 2010, segundo ele.

O MJ, que é responsável pela repatriação, não divulga a identidade dos brasileiros e mesmo o nome da instituição financeira. Dez anos após o fim do governo que conduziu as grandes privatizações brasileiras, o escândalo do Banestado permanece cercado por uma cortina de fumaça. As ações contra executivos do banco, doleiros e usuários do sistema fraudulento do banco estão esparsas em diferentes varas da justiça brasileira, a maioria sob segredo de justiça, o que dificulta seu acompanhamento.

A reportagem de Carta Maior perguntou ao secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, quanto, exatamente, o Brasil já recuperou dos recursos desviados via Banestado, quanto resta bloqueado no exterior aguardando o curso dos processos legais e qual o andamento das ações penais relativas ao caso. “A maior parte dos processos corre em segredo de justiça. Como o MJ só atua quando acionado pelo Ministério Público ou pelos juízes responsáveis pelas ações, não nos cabe informar detalhes”, respondeu Abrão.

Uma CPI abortada e outra engavetada
No Legislativo, as investigações sobre o caso não tiveram êxito. A CPI do Banestado, aberta em 2003, terminou em pizza: um acordão indigesto entre PSDB e PT poupou das investigações uma farta carteira de clientes vips da “lavanderia”. Entre eles, alguns já comprovadamente culpados, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP), o juiz Nicolau dos Santos Neto, e a fraudadora da Previdência, Jorgina de Freitas. E outros sob os quais pesavam graves indícios, como o publicitário Marcos Valério (que, à época, atendia o governo tucano de Minas Gerais), o ex-senador Jorge Bornhausen (do antigo PFL) e o candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra.

O deputado Protógenes Queirós não desiste de esclarecer os fatos. No final do ano passado, apresentou à mesa diretora da Câmara o pedido de abertura de uma nova comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso, batizada de CPI da Privataria. Segundo ele, o lançamento do livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, em 2011, trouxe novas evidências da corrupção praticada no país pelo esquema ilícito do Banestado. E reascendeu o anseio por investigações.

Mesmo cumprindo todas as formalidades exigidas pela casa, a comissão, hoje, continua engavetada, enquanto a CPI do Cachoeira, proposta vários meses depois, já está caminhando para a conclusão. “O que os partidos alegaram, na época, é que era melhor esperar as eleições deste ano, para não parece que a CPI era uma armação política para minar a candidatura de Serra”, explicou. Esta semana, porém, ele vai voltar a cobrar a instalação da CPI da Privataria. Como o Serra despenca nas pesquisas eleitorais e pessoas ligadas ao PT estão sendo julgadas por crimes semelhantes no processo do “mensalão”, o deputado avalia que a conjuntura está mais favorável.

Se há participação de tucanos nos desvios do Banestado? Protógenes aposta que sim. Segundo ele, empresários interessados em proteger suas reservas da instabilidade fiscal dos anos 1990 também usaram a lavanderia, mas o grosso do dinheiro era proveniente dos recursos públicos desviados das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. “Os personagens que encontrei na investigação coincidem com os retrados no livro Privataria Tucana, o que nos leva a crer que o esquema foi, sim, usado para lavar dinheiro do PSDB”, afirma.

Na obra, o jornalista comprova o envolvimento com o esquema de remessa ilegal de dinheiro para o exterior de dois parentes próximos de Serra: o primo Gregório Martin Preciado e a filha Verônica Serra. O relatório da PF sobre o caso Banestado indica também um possível envolvimento direto do próprio candidato à prefeitura paulistana: extratos fornecidos pelo banco norte-americano JP Morgan Chas apontam que Serra era uma das pessoas autorizadas a movimentar a conta denominada “tucano”, que teria recebido US$ 176,8 milhões, entre 1996 e 2000.

Avanços nas investigações de lavagem
A sofisticação do esquema fraudulento do Banestado prejudicou em muito as investigações iniciadas há uma década. Conforme o diretor do Departamento Internacional da AGU, o dinheiro desviado dos cofres públicos era remetido para uma agência do próprio Banestado nos Estados Unidos. Em Privataria Tucana, Amaury relata que, de lá, o dinheiro circulava em várias outras contas, de forma a despistar sua origem, para só depois ser depositado em paraísos fiscais ou retornar, já lavado, às mãos de seus verdadeiros donos.

Até 2003, o Brasil também não contava com dispositivos eficientes para combater a prática. Foi só após a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os mecanismos destinados ao combate de crimes que resultam em evasão de divisas foram desenvolvidos. Segundo o secretário nacional de Justiça, a criação da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) mudou a forma do país processar a investigação desses crimes. O fórum, que congrega 60 órgãos e entidades dos três poderes da República envolvidos com ao combate à lavagem, permitiu a troca de informações, dinamizando prevenção e investigação.

Abrão destaca também a implantação dos Laboratórios de Lavagem de Dinheiro (LABs) , classificados por ele de “escritórios de produção de informação estratégica”. Tratam-se de software e hardware que fazem processamento de dados em massa, indicando as relações que se estabelecessem entre as diversas contas em que os recursos ilícitos circulam. Permitem, portanto, estabelecer a origem e a destinação do dinheiro lavado que, por estratégia de ocultamento, costumam transitar em diferentes contas, de diferentes instituições, antes de chegarem às mãos dos seus verdadeiros destinatários.

O secretário afirma que, hoje, o Brasil possui R$ 3 bilhões de ativos ilícitos bloqueados em outros países, remetidos para o exterior tanto pelo Banestado quando por outros esquemas ilegais de evasão de divisas e lavagem. O montante processado pelos LABs, só de 2009 para cá, chega a R$ 11 bilhões, referentes a 600 casos. “Nossa capacidade de bloqueio de recursos é maior do que a de repatriação porque, no último caso, dependemos da tramitação dos processos aqui no país e nos países estrangeiros”, esclareceu.

O diretor da AGU também avalia que o país tem avançado muito na recuperação do dinheiro público desviado por corrupção. Ele lembra que, na semana passada, o órgão fechou um acordo que resultou na maior operação do gênero, que possibilitará o retorno aos cofres da União dos R$ 468 milhões destinados à construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), que haviam sido desviados pelo Grupo OK, do ex-senador Luís Estevão (PP-DF). Do total, R$ 80 milhões foram pagos à vista.

O restante foi parcelado em 96 prestações de R$ 4 milhões. E para garantir a recuperação do total do valor, o órgão mantém penhorados 1.255 imóveis de Estevão, com valor correspondente à 150% do que ele deve ao erário.

Epidemia de indiferença – por atila roque / brasilia.df

O Brasil convive, tragicamente, com uma espécie de “epidemia de indiferença”, quase cumplicidade de grande parcela da sociedade e dos governos, com uma situação que deveria estar sendo tratada como uma verdadeira calamidade social. Em 2010, 8.686 crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio. Estamos falando ao equivalente a cerca de 43 aviões da TAM, como o do trágico acidente em 2007, lotados de crianças e adolescentes.

De 1981 a 2010, o país perdeu assassinadas 176.044 pessoas com 19 anos ou menos, sendo que meninos representam em torno de 90% do total. Esses dados horripilantes nos alcançaram mais uma em meados de julho, quando foi divulgado o “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil”, do pesquisador Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Brasil. Os dados e análises compilados sistematicamente nos últimos anos pelo Mapa revelam um cenário de dor e horror que não tem obtido a atenção que merece na sociedade brasileira.

Passados mais de uma década de governo do PT e mais de trinta anos de regimes democráticos a área de segurança pública permanece praticamente intocada. Arraigada em um modelo arcaico que não apenas relega aos Estados o grosso das responsabilidades com a implementação das políticas de segurança e que mantém um arcabouço institucional de polícia militarizado que penaliza a sociedade e, em última instância, os próprios profissionais do setor: mal remunerados, mal treinados e sistematicamente desvalorizados. Uma das consequências são os índices de violência e homicídios associados as más práticas da polícia. Somente no Estado de São Paulo, onde a taxa geral de homicídios voltou a subir depois de um período de queda, a polícia matou nos últimos cinco anos nove vezes mais que o total de mortes decorrentes da ação policial em todo os EUA.

A taxa de homicídios na população entre 0 e 19 anos em 1980 era de 3,1 para cada grupo de 100 mil. Em 2010, foi de 13,8

O exemplo mais recente desse descaso do Estado brasileiro em relação a gravidade do tema foi a notícia divulgado ao final do ano passado que o tão esperado Plano Nacional de Redução de Homicídios havia sido engavetado pelo Ministério da Justiça por orientação expressa da presidente Dilma, que preferia concentrar esforços na ampliação e modernização do sistema penitenciário, no combate ao crack e no monitoramento das fronteiras, adiando mais uma vez a abordagem integrada do problema. Em fevereiro deste ano o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou que a redução dos homicídios seria uma prioridade do novo Plano Nacional de Enfrentamento da Violência. Infelizmente muito pouco e muito tarde para um problema que se repete todos os anos e para o qual não faltam análises, diagnósticos e propostas colocadas em diferentes graus em debate e experimentadas em pequena escala ao longo das últimas duas décadas.

As chances de uma criança ou adolescente brasileiro morrer assassinado são maiores hoje do que eram há 30 anos, colocando o país na quarta pior colocação numa comparação com outros 91 países. Em 1980, a taxa de homicídios na população entre zero e 19 anos era de 3,1 para cada 100 mil pessoas. Pulou para 7,7 em 1990, chegou a 11,9 em 2000 e alcançou 13,8 em 2010. Um crescimento de 346,4% em três décadas, em contraste com a mortalidade provocada por problemas de saúde, que teve queda acentuada. Quando considerada toda a população, a taxa de homicídios em 2010 foi de 27 por 100 mil habitantes. Considera-se que há uma epidemia de homicídios quando a taxa fica acima de 10 por 100 mil.

 

De fato, o Brasil é o país com o maior número bruto de homicídios no mundo, ocupando o sexto lugar quando considerado a proporção em relação ao tamanho da população do país. E os jovens, em sua maioria crianças e adolescentes, meninos, ocupam uma parcela desproporcional dessas mortes, sem que isso vire um escândalo público nacional. Passado o momento da divulgação dos dados voltamos a situação de quase inércia em que as medidas tomadas não incorporam o sentido de urgência e emergência que a questão merece.

O fim trágico da vida desses jovens vem acompanhado da anulação simbólica de suas histórias, a dor das famílias e dos amigos ignorada, sonhos e trajetórias de vidas suprimidos. Isso ocorre devido à naturalização da violência e a um grau assustador de complacência em relação a essa tragédia. É como se estivéssemos dizendo, como sociedade e governo, que o destino deles já estava traçado. Estavam destinados à tragédia e à morte precoce, violenta, porque nasceram no lugar errado, na classe social errada e com a cor da pele errada, em um país onde o racismo faz parte do processo de socialização e do modo de estruturação do poder na sociedade.

São jovens submetidos constantemente a um processo que os transforma em ameaça, os desumaniza, viram “delinquentes”, “traficantes”, “marginais” ou, às vezes, nem isso, apenas “vítimas” de um contexto de violência e discriminação em relação ao qual a sociedade prefere virar às costas e olhar para o outro lado, com raras exceções.

É preciso quebrar esse padrão de violência e indiferença e compreender que o país está perdendo o melhor da sua juventude. Esses meninos não estavam destinados a morte violenta, mas sim a serem médicos, artistas, engenheiros, professores, filhos e pais, avôs e presidentes da República.

Precisamos criar alternativas, abrir canais de conversação na sociedade sobre essa tragédia, combater a violência armada, inclusive policial, estabelecer instrumentos de participação e controle cidadão sobre o desenho e implementação das políticas públicas de segurança. Reconhecer que isso é uma questão nacional, um problema do estado e central à consolidação da democracia. Precisamos quebrar a apatia, o silêncio e a cumplicidade passiva com o extermínio dos jovens brasileiros.

Atila Roque é diretor executivo da Anistia Internacional Brasil

‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’ – por roberto feith

Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

24 de agosto de 2012 | 19h 30

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

 

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz - Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE
Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois noGlobo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características”, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros (Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar), os acertos (Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares), pirataria online (“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta), o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revistaGranta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanholEl País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. (Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006)

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem (meio milhão de exemplares), que foi oInteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

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Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil – O Estado de S. Paulo

A LENDA DO PRIMEIRO GAÚCHO

Século XVIII.

Uma partida de brasileiros atravessa as verdejantes campinas do Rio Grande do Sul. Impulsionados pela necessidade de braços para as lavouras, buscam o índio. Hão de avassalar as tribos ocupantes daquela região. Com esta disposição, viajam bem municiados e armados. Os índios Minuano, avisados pelas sentinelas, da aproximação dos brancos, montam em seus fogosos cavalos e, armados de flechas e boleadeiras e lanças, deixam seu acampamento e rumam para as coxilhas. Ao avistar os brasileiros se aproximando, os índios usam de sua tática de ocultar-se ao longo de dorso dos cavalos. Destarte, dificilmente saíram descobertos pelos inimigos. Imóveis, esperam eles o momento azado para atirar-se sobre os viajantes. Os brasileiros não são conhecedores dos hábitos e da tática empregada pelos índios habitantes das campinas do Sul. E avistando à distância o bando de cavalos pastando, tomam essa direção, muito senhores de si. Assim, ao se aproximarem os brasileiros, os índios despencam-se nos seus animais do cimo das coxilhas, em galopada, investindo contra os brancos com furiosas saraivadas de flechas. Respondem estes com tiros de armas de fogo. Nova investida dos índios, agora servindo-se das lanças, obriga os invasores a fugir em desordem. Caído por terra acha-se um moço ferido; a seu lado, uma jovem índia minuana. Fascinara-a a coragem do estrangeiro. O brasileiro sabe da sorte que o espera. E, interrogando a moça quando será sacrificado, responde-lhe esta que nada tema, pois estará a seu lado. Anima-o com palavras confortadoras, cheias de simpatia e compaixão pela sorte do estrangeiro. O prisioneiro é levado para o acampamento dos Minuanos. Enquanto esperam que se cure da ferida para sacrificá-lo, lhe dão toda a liberdade sob a vigilância das sentinelas. O jovem branco resolve fazer uma viola. Uma tarde, à sombra de uma árvore, com a pouca ferramenta de que dispõe, a muito custo vai improvisando um rústico instrumento. Inicialmente aparelha, em forma de espessa tábua, um pau de corticeira. Cava-o, dando-lhe a forma de viola. Coloca uma tampa com abertura circular para dar vibração ao som das cordas. Para colar a tampa, emprega o grude da parasita sombaré, das árvores da serra. E da própria fibra da parasita ele prepara as cordas para o instrumento. A índia já lhe tem muita amizade e está sempre a seu lado nas horas de folga. Enquanto lhe vê trabalhar, canta-lhe suavemente um canto doce e pitoresco da gente minuana. Ainda não passara um alua e já, na grande ocara do acampamento, celebra-se o ritual do sacrifício. Amarrado a um tronco está o prisioneiro. Todos os índios da nação, reunidos em volta dele, dançam e cantam sua morte. De quando em vez passam, de mão em mão, cuias contendo delicioso vinho, fabricado com o mel eiratim. Há um silêncio de morte em todo o acampamento. O chefe minuano ordena que soltem o prisioneiro e tragam-no a sua presença. Fitando o moço bem nos olhos, assim fala o cacique: – que aos teus irmãos sirva de lição esta última derrota. Ou não nos tornem vir a nos incomodar. Os que vierem nestes campos buscar escravos, hão de ser esmagados pelas patas de nossos cavalos. E tu pagarás com a morte a tua audácia e a dos teus! Contudo, o chefe Minuano diz ao condenado que faça o seu último pedido. Surpreende-se o branco com tal gesto. E, dotado de uma inteligência não vulgar, num relance percebe como poderá livrar-se da morte. Sabendo da emotividade e a influência que exerce a música sobre aquelas criaturas, pede que lhe tragam o seu instrumento de cordas. Quer tocar pela última vez; cantar uma balada de sua terra. É a jovem índia quem lhe traz a sua viola, debaixo dos olhares curiosos dos índios. Cheio de fé, o moço pega da viola. Depois de alguns sonoros acordes, entoa uma canção. E o rito bárbaro daquelas fisionomias rudes transforma-se como por encanto. Ouvem-se com enlevo, exclamando a todo instante: – Gaú-che! Gau-che! – a significar gente que canta triste. Sensibilizados pela doce cantiga do condenado á morte, os índios intercedem para que o sacrifício seja revogado. E, assim, o brasileiro fica morando com os Minuanos. Enamorado da jovem índia, casa-se com ela. E dessa bela união, do elemento branco com o indígena, resultou o tipo desse homem extraordinário que se chama gaúcho!

(A LENDA DO PRIMEIRO GAÚCHO in LESSA, Barbosa. Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul. São Paulo: Livraria Literart Editora, 1960. Lenda coletada de Martha Dutra Tavares, baseada em Cezimbra Jacques e Aurélio Porto, em O Gaúcho, álbum publicado pelaTransoceanic Trading Company). Nota de Barbosa Lessa: a versão gaú – cantar triste, eche – gente, é combatida por vários entendidos em questões lingüísticas, que alegam se inexata essa explicação etimológica. Outras autoridades, porém, como Batista Caetano, aceitam essa tradução, e informam que ainda hoje, no Paraguai, há a forma guahú para designar o uivo tristonho do cão e, por analogia, o canto triste que possa assemelhar-se a esse uivo; quanto a Che – expressão gaúcha tão usual na conversação comum, pode significar fulano, pessoa, e aplica-se muitas vezes quando se quer chamar a atenção de um interlocutor, cujo nome próprio se desconhece.

A DITADURA CONDENADA: Condenação de USTRA abre portas para novas ações – por pedro estevam serrano / são paulo.sp

A ditadura condenada

A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acaba de decidir por unanimidade negar provimento ao recurso interposto pelo Coronel Carlos Brilhante Ustra contra decisão de primeiro grau que o condenou em ação declaratória como responsável por crimes de tortura durante o regime militar, no período em que foi um dos comandantes do DOI-CODI.

O coronel reformado Carlos Alberto Ustra, ex-comandante do Doi-Codi de SP. Foto: Sergio Dutti/AE

A ação foi promovida pela família Teles, que teve cinco de seus integrantes torturados nas dependências do Doi-Codi sob o comando de Ustra

A decisão é relevantíssima: pela primeira vez o Tribunal paulista reconhece que um agente público específico praticou crimes de tortura no exercício de função publica contra presos políticos na época da ditadura militar.

O caso oferece ao processo judicial e à inquirição judicial seu papel essencial de forma civilizada de acesso a verdade.

A repercussão da decisão no plano histórico e sociopolítico vai muito além da justa pretensão de reconhecimento judicial da ofensa pela família autora.

Leia também:
TJ-SP reconhece Ustra como torturador

Nosso STF teve o pior momento de sua historia recente, após muitas decisões acertadas , quando julgou intangíveis os torturadores e homicidas do regime militar por conta da incidência da Lei de Anistia, contrariando o sentido da própria lei e o disposto em nossa Constituição e em Tratados Internacionais subscritos pelo Brasil.

Das ditaduras sul-americanas das décadas 60 e 70, a brasileira é a única que permanece incólume à ação da Justiça.

As consequência desta impunidade e deste forçado esquecimento, sem identificação das pessoas, dos algozes e dos corpos das vítimas, poderá ser o retorno, no futuro, de um regime político com práticas semelhantes.

Em verdade, tortura e vilipendio ainda é a regra real de conduta do Estado face à maioria pobre de nossa população. O STF tem feito esforços no sentido de ampliar o reconhecimento dos direitos fundamentais de nossa Carta Magna, mas quase nada os Poderes estatais têm feito para efetivamente universalizar estes direitos reconhecidos.

Enquanto criminosos do colarinho branco são presos sem algemas e discretamente (da forma correta e civilizada), suspeitos pobres são seviciados e expostos a público em programas televisivos estimuladores do ódio étnico e de classe.

Neste quadro, a vitória da família Teles – mais do que declarar judicialmente a violência que sofreram – abre portas para que medidas cíveis individuais e de defesa do interesse coletivo possam ser propostas, e com isso, obter ao menos a identificação dos que torturaram e mataram e, quem sabe, auxiliar na localização dos corpos de suas vítimas.

A verdade quanto a nosso passado pode auxiliar para que a ditadura não volte no futuro, e para que os direitos humanos fundamentais, no presente, passem a ser uma realidade para todo o nosso povo.

O SOCIALISMO É UMA TÉCNICA CIVILIZATÓRIA. E SÓ! – por paulo timm / portugal.pt

 

 

O cronista é  uma ave de rapina sobre os acontecimentos diários. Ele acorda com o sol, ,  levanta vôo, olha com rigor o espaço perscrutado ,aguça os sentidos e prepara-se para o ataque: Avidez pelo fato que lhe saciará a vontade de escrever, temperando algum talento na descrição da realidade com a vaidade de mostrar o que sabe e o que pensa sobre ela.

Hoje, particularmente, os assuntos abundam e confundem o caçador: O sono de dois Ministros do Supremo no Julgamento do século; o aprofundamento da crise na Europa,;  a tensão do PT gaúcho diante de inúmeros contratempos com seus candidatos, à beira de um ataque de nervos, à exceção da boa performance da Nilvia em Torres; a decepção com o Brasil nas Olimpíadas de Londres,;  o lamento mundial pelo aniversário do trágico lançamento da bomba atômica em Hiroshima/Nagasaki,  mal compensado pela lembrança nostálgica da morte de La Monroe; Tanta coisa,  meu Deus…! Como Mas me concentro em algo menor, quase pequeno, onde, como diz a sabedoria popular, o diabo se esconde: O comentário de meu amigo Yamil Dutra, às voltas com um filho hospitalizado em Porto Alegre.

Ele desabava:  -“Enquanto a galera preocupa-se com o mensalão, o Cachoeira e a novela das 8, o caos galopa nos hospitais particulares de Porto Alegre. A classe média, enganada pelos planos de saúde, experimenta um SUS privado em salas de espera mais cômodas mas também superlotadas. A incompetência igualiza a cidadania!”

O comentário me comove e me atinge, assim como deve atingir milhões de brasileiros que  pagam regularmente seus Planos de Saúde e que não recebem, destes planos,   o suporte prometido. Eu mesmo, ano passado,  tive que pagar do meu bolso, diversos exames e esperar quase um ano por outros, diante da morosidade do Plano. Sobrevivi. Mas descobri, no meio do desespero , duas coisas: (1)Nenhum plano cumpre o que promete, com exceção de Planos proibitivos, fechados, inacessíveis à classe média; (2) quando a enfermidade se converte numa doença grave , como câncer, todos nós acabamos no SUS, único sistema capaz de pagar os elevados custos desta – e outras – enfermidades. Os leitos hospitalares públicos estão coalhados de doentes graves, grande parte deles, da classe média, régios subscritores de Planos de Saúde. Desde então, contenho-me nos meus ataques ao SUS. Pelo contrário, tenho procurado entender melhor a complexa máquina de financiamento e organização deste modelo de saúde pública, idealizado por dois grandes sanitaristas brasileiros Valério Konder e Mário Magalhães, ainda ao tempo de Vargas.

Agora mesmo, de volta à Portugal, vejo que este é o sistema que opera em grande parte da  Europa e que o distingue do modelo americano, mitigado pela Reforma de Obama. Modelo que hoje eles tentam empurrar para a América Latina. E vejam o paradoxo: a Coroa Britânica orienta seus súditos a fazer “turismo sanitário”no continente, para tratar da saúde. Não acreditam? Leiam então: http://www.torres-rs.tv/site/pags/nacional_turismo2.php?id=2269” . Um grande debate ocupa hoje, também,  o canal europeu, dando conta que a Romênia se debate diante dos imperativos vindos de fora e que pretendem privatizar sua medicina, que aliás, na era comunista, era horrorosa- http://www.torres-rs.tv/site/pags/nac_int2.php?id=2281 .

Ou seja, o SUS é ruim. Viva o SUS! ,  porque é ele que irá nos amparar na hora derradeira – e  não os planos.

Mas não vou encerrar esta crônica falando sobre um tema que pouco conheço: Saúde. Prefiro voltar ao terreno da cidadania. Respondi, pois, ao indignado Yamil, assim:

Com efeito! Voltamos  à consigna politicamente incorreta, embora muito em moda, mesmo por seculares moralistas, do Millor: OU RESTAURE-SE A MORALIDADE OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS!  Não sou um esquerdista ortodoxo, opto pela moralidade : Ou estes PLANOS DE SAÚDE funcionam, ou,  é melhor acabar com eles e socializar de vez a medicina no país.  Os ricos, enfim, continuarão fazendo o que sempre fizeram , desde o descobrimento, em 1500  : Vão se tratar no exterior.

O SOCIALISMO, enfim,  não é   “ o sistema ” alternativo  ao “CAPITALISMO”, como os adeptos da Guerra Fria nos fizeram crer, levando-nos ao limiar do holocausto nuclear.  É uma técnica civilizatória. Só! As grandes narrativas e teorias à que tanto se referem os defensores de cada um destes sistemas são meras ilusões que obliteram, em vez de iluminar,  os caminhos da humanidade. Viraram religiões, ou melhor, doutrinas, às quais não faltam os livros sagrados, profetas , hierarquias rígidas e promessas de um futuro radiante.

Boa Sorte, pois, Yamil, aí em Porto Alegre! E saúde ao filho enfermo!

O prof. Paulo Timm é economista.

 www.paulotimm.com.br

E SE FALTAR ESPAÇO NA INTERNET?


De fato, isso já está acontecendo.


Vint Cerf, Chief Internet Evangelist no Google e o pai da Internet, discute a próxima versão da Internet e explica por que precisamos dela.

Por que está começando a faltar espaço na Internet?

Assim como os telefones usam um sistema de números de telefone para efetuar as chamadas, cada dispositivo conectado à Internet recebe um número exclusivo conhecido como “endereço IP” que o conecta coma rede global on-line.

O problema é que o sistema atual de endereçamento da Internet, Internet Protocol v4 (IPv4), só tem espaço para cerca de 4 bilhões de endereços – longe de ser suficiente para os habitantes do planeta, sem falar nos dispositivos que estão on-line hoje e os que estarão no futuro: computadores, telefones, TVs, relógios, geladeiras, carros e por aí vai. Mais de 4 bilhões de dispositivos já compartilham endereços; com o esgotamento dos endereços IPv4 disponíveis, dispositivos e usuários da Internet precisarão compartilhar.

Como estamos abrindo espaço para crescer?

Está claro que a Internet precisa de mais endereços IP.Mais quantos, exatamente? Bem, que tal uns 340 trilhões de trilhões de trilhões (ou 340.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000)? É isso que cabe na nova “tubulação” da Internet, o IPv6. É o suficiente para que todos os habitantes do planeta tenham seus próprios bilhões de endereços IP. Em outras palavras, é suficiente para oferecer espaço infinito para a Internet crescer, de agora até o futuro previsível.

Quando vai acontecer a transição?

Substituir os encanamentos da Internet vai levar um tempinho. O lançamento mundial do IPv6, dia 6 de junho de 2012, marcou apenas o início de uma implantação coordenada pelos principais websites e provedores de serviços e equipamentos de Internet. No Google, acreditamos que o IPv6 seja essencial para o bem-estar e o crescimento contínuos da Internet e que, permitindo que todos os dispositivos conversem entre si diretamente, o IPv6 possibilita novos serviços inovadores.

Você não precisa fazer nada para se preparar, mas se estiver interessado em aprender mais sobre o IPv6 e como apoiar sua implementação, consulte algumas perguntas frequentes.

 

 

 

Perguntas frequentes

IPv4 é a versão atual do Protocolo de Internet, o sistema de identificação que a Internet usa para enviar informações entre dispositivos. O sistema atribui uma série de quatro números (cada um variando entre 0 a 255) a cada dispositivo. O IPv4 permite apenas 4 bilhões de endereços, e a Internet precisa de um espaço maior que esse. O IPv6 é a nova versão do Protocolo de Internet, que aumenta o número de endereços disponíveis a um total praticamente sem limites: 340 trilhões de trilhões de endereços.

Estão faltando endereços IPv4 na Internet. A transição para o IPv6 permite que a Internet continue a crescer e que serviços novos e inovadores sejam desenvolvidos, uma vez que mais dispositivos podem se conectar à Internet.

Assim como um número de telefone ajuda você a se comunicar com outro telefone, um endereço IP (abreviação para endereço de Protocolo de Internet) é fornecido a seu computador para que ele possa se comunicar com websites, serviços de Internet e outros dispositivos. Endereços IP são números exibidos como strings de letras e números, como, por exemplo 192.0.2.1 (para IPv4) e 2001:db8::1234:ace:6006:1e (para IPv6).

O Lançamento Mundial do IPv6, em 6 junho de 2012, organizado pela Internet Society, é o dia em que os principais websites e Provedores de Serviços de Internet (ISPs) participantes ativarão o IPv6 e começarão a transição do IPv4.

Você não precisa preparar nada para o IPv6; seus aplicativos e dispositivos funcionarão exatamente como antes. Essa mudança é para garantir que você possa continuar a usar a Internet no futuro da mesma forma que faz hoje.

A transição completa do IPv4 para o IPv6 demorará algum tempo, uma vez que todos os websites e Provedores de Serviços de Internet precisarão fazer a troca. Por enquanto, ambos os sistemas funcionarão juntos, até que o IPv4 não seja mais necessário.

Não, os serviços de IPv4 continuarão a operar como de costume.

Talvez você já esteja usando o IPv6. Visite ipv6test.google.com para descobrir. Muitos dispositivos que você usa já suportam IPv6; no entanto, os websites que você visita e seu Provedor de Serviços de Internet devem, primeiro, ativar o IPv6 para que você possa usá-lo.

A maioria dos principais websites e Provedores de Serviços de Internet já oferece suporte ao IPv6, mas há outros que ainda precisam realizar a troca. Se você gostaria de usar o IPv6, entre em contato com seu Provedor de Serviços de Internet e peça para fornecerem a você o acesso à Internet com IPv6. Você também precisa ativar o IPv6 em seu roteador doméstico ou fazer upgrade para um que suporte o IPv6. Para obter uma lista de fabricantes de roteadores doméstico que suportam IPv6, comece aqui.

A versão 5 foi reservada para o Protocolo de Fluxo de Internet, desenvolvida antes do IPv6. Ela não foi amplamente implantada e não será usada publicamente.

 

CLARICE LISPECTOR, sua história é marcada por sofrimento e estupro da mãe

Família da escritora veio ao Brasil para fugir da miséria na Ucrânia

História de Clarice Lispector é marcada por sofrimento e estupro da mãe Ver Descrição/Ver Descrição

Autora morreu de câncer aos 57 anosFoto: Ver Descrição / Ver Descrição
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Clarice, os pais e as duas irmãs, judeus, vieram ao Brasil escapando da miséria e de um pogrom na Ucrânia. Sua mãe havia sido estuprada pelos russos. Seu avô, assassinado. Os Lispector moraram primeiro em Maceió, a partir de 1922. Depois, Recife e Rio de Janeiro.

A escrita começou cedo: “Antes dos sete anos eu já fabulava, inventei uma história que não acabava nunca”, disse uma vez a autora, que depois cursou Direito e passou 15 anos no exterior como mulher de um diplomata. Quando separou do marido, trouxe os dois filhos para o Rio. Sobreviveu escrevendo para jornais. Assinou colunas femininas, recentemente compiladas nos livros Minhas Queridas e Clarice só para Mulheres. Inspirada por um dos filhos, começou a escrever livros infantis. Paralelamente, publicava coletâneas de contos como Laços de Família (1960) e romances como A Paixão Segundo G.H. (1964) e Água Viva (1973). Sempre escrevendo “com amor e atenção e ternura e dor e pesquisa”.

Dependente de soníferos e antidepressivos, Clarice tinha longo histórico psiquiátrico. Aos 45 anos, escapou de um incêndio no seu apartamento. Aos 57, morreu de câncer.

“Meus livros felizmente não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo”, afirmou a escritora, que em muitas ocasiões mostrou seu desprezo por acontecimentos. “Sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável”. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal”.

Não à toa, Clarice Lispector ganhou fama de ser enigmática, o que ela mesmo reforçou. Relembrando uma passagem pelos desertos egípcios, a escritora disse ter olhado fixo para ninguém menos que a esfinge: “Eu não decifrei ela”, disse Clarice, mas com um acréscimo: “Tampouco ela me decifrou”.

g1.

Gilmar Mendes: o óbito da probidade?

Gilmar Mendes está cercado de fatos graves, como a lista em que aparece um valor de R$185 mil do Valerioduto, mas a imprensa, exceto Carta Capital, e a oposição não dão um pio sobre o desastrado e probo(?) ministro do STF

Gilmar Mendes, o mais controverso e combatido ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça brasileira segue enrolado, mais uma vez, em sérias denúncias.
Desta vez surge em uma lista em que, como apontam os indícios, teria recebido R$ 185 mil do esquema do mensalão tucano, desembolsado pelo publicitário Marcos Valério, para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais de Eduardo Azeredo em 1998.

O ministro indicado pelo ex-presidente FHC perde, a cada novo fato que se apresenta contra sua pessoa, as condições morais exigidas para desempenhar tão delicada função na república.

Já bastaria toda a desastrosa narrativa em que denunciou Lula por pressioná-lo a não julgar o mensalão este ano, ato desmentido por Lula e por Nelson Jobim, também presente no encontro, para removê-lo do STF.
O ministro acusou mas não provou, jogou todas as suas fichas em sua imagem de homem público e probo, para convencer a opinião pública de que falava a verdade.  Fracassou.

Aliás o histórico de Mendes não é dos melhores, segundo juristas importantes, o douto ministro desmoraliza e descredencia o STF como lugar de justiça e guardiã dos pilares da democracia.
Como chegou a afirmar o jurista Dalmo Dallari, ao advertir que, se Mendes chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Dallari tem tido toda a razão.

Seu envolvimento suspeito com Demóstenes Torres, após viagem patrocinada por Carlinhos Cachoeira no jatinho do contraventor, trazendo-os de Berlim para o Brasil, já seria mais um episódio capaz de marcá-lo por grandes dúvidas advindas de tal passeio, cercado por tal companhia e patrocínio.

Os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas em apenas 48 horas, enquanto Mendes era presidente do Supremo, já seriam suficientes para escandalizar o magistrado e toda a sociedade brasileira.

Mas tais arroubos passaram discretamente pelos holofotes da imprensa e não foram motivos de moções de desagravo da oposição, nem mesmo daquela se coloca mais a esquerda.

Mendes segue colecionando escândalos e sendo protegido dos feitos duvidosos que protagoniza.

O personagem deste mal acabado enredo, não custa nada lembrar, no caso do Mensalão tucano, votou convicto pela rejeição da denúncia contra o senador tucano de Minas Gerais, Eduardo Azeredo.
Na edição de Carta Capital desta semana, é publicada uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do senador mineiro, então candidato a governador em 1998.
A suspeição se materializa pela aparição do nome de Mendes nesta lista e ao lado o registro do valor de 185 mil reais.
O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista registrada em cartório.
Coincidência?

[clique na imagem para ampliar]
Segundo a Carta Capital “a documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”.
O que está exposto nas bancas de todo o Brasil sobre Mendes lançam sobre ele, novos indícios graves de mais uma trama de sua conduta pouco ortodoxa para o desempenho de cargo tão importante.
A lisura de processos de grande relevância pode ficar comprometida pela simples presença de Mendes no plenário como julgador.
Apesar de todo o socorro que recebe de parte considerável da imprensa e do silêncio constrangedor por parte de partidos da oposição, principalmente do PSDB e do DEM, o ministro parece enfrentar, no mínimo, questões éticas sobre conflitos de interesses em pelo menos dois importantes processos: o mensalão de 2005 e o mensalão tucano, em que surge como beneficiário deste esquema milionário.
Tão lastimáveis evidências de mal feito de um ministro do STF ferem com gravidade a sua pretensão de probidade, além de aleijar severamente sua capacidade de julgar com a imparcialidade obrigatória de um magistrado exemplar em matérias de grandes destaques para a nação.
O ataque preventivo
A intriga que montou, em conluio com a velha imprensa, para imputar uma suspeição a Lula, em uma suposta pressão do ex-presidente para não fosse julgado o caso do mensalão em 2012, parece se encaixar, perfeitamente, em um ataque preventivo para desqualificar as provas que ora eclodem contra si.
Desta maneira, Mendes poderia se queixar de ataque leviano contra a sua honestidade e decoro.
Poderia fazer uso de um discurso de personagem perseguido por denunciar fatos de tamanha gravidade, sofredor de uma obra vingativa por sua “atuação republicana”.
Acontece é que Gilmar Mendes, encontra-se em avançado processo de óbito de sua probidade.
Poderá a mais alta corte do país ter que arcar por tão caro prejuízo de suas aspirações de justiça plena e cidadã.
PD.

188 anos da imigração alemã – dia 25 de julho de 1824 / por paulo timm – portugal.pt

 

Há 188 anos, dia 25 de julho de 1824, 39 colonos alemães chegavam  à Feitoria do Linho Cânhamo, oriundos do veleiro Anna Louise,  dando início à aventura da imigração teuta no Rio Grande do Sul. Este dia ficou consagrado, no Brasil, como o “DIA DO COLONO”, hoje pouco lembrado. Seus nomes ficaram registrados  e se encontram na obra de  Telmo Lauro Müller- UM MARCO NA HISTÓRIA GAÚCHA.

Eu tenho a honra de ser o sexto na descendência de um deles – o Patriarca Heinrich Timm. Meu pai  era Olacyr e meu avô Álvaro, com o qual convivi até sua morte, em 1954;  os “bisas” foram  Vô Andréa, de quem só ouvi falar, quem saiu da colônia para lutar na Guerra contra Rosas, no Uruguai, no início de 1850 acabou  em Santa Maria, onde fez família. Seu pai era  André, filho do Patriarca,  dele já nascido em terras brasileiras.  Digo-os como homenagem a todos aqueles bravos  homens contratados por um agente do Governo brasileiro, o major  Von Schafer,  que estava no Brasil desde 1814 e que veio cair nas boas graças da  Princesa austríaca D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I , da Áustria,  quando esta, casando-se com  Dom Pedro I, veio para o Brasil.

Fala-se em imigração alemã para o Rio Grande do Sul, mas, na verdade, àquela época não havia uma Alemanha unificada. Naquela região pululavam diversos reinos e ducados. A Áustria, porém, de origem também germânica, era o centro do mundo, depois de ter derrotado Napoleão e congelado seu internacionalismo militante de boca de canhão. Ela comandara no continente europeu, a realização do Congresso de Viena, em 1815 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_de_Viena-  e, desde essa cidade comandava a reconstrução conservadora das áreas devastadas pelas guerras. Não permitia, sob hipótese alguma, o recrutamento de soldados, com medo de uma recidiva belicista, mal desconfiando que, a partir daquele momento, o perigo não seria mais externo, mas interno. Em 1848, várias cidades europeias seriam varridas por revoluções sangrentas. A proletarização das cidades inchadas  com o advento da era industrial e  a inflamação do discurso iluminista,transbordando para o socialismo,  estava num curso inarredável.

A difícil missão de angariar colonos e contratar soldados alemães para os Batalhões de Estrangeiros do Brasil, coube ao Major Johann Anton von Schaeffer, que havia chegado ao Brasil em 1814 e conseguido granjeara amizade de D. Leopoldina, pelo interesse de ambos nas ciências naturais.

De posse de uma procuração que o nomeava de “Agente de afazeres políticos do Brasil”, Schaeffer encontrou inicialmente grandes dificuldades em contratar soldados na Alemanha. A exportação de soldados era proibida, desde o Congresso de Viena em 1815, pois as grandes potências europeias ( Prússia, Inglaterra, Áustria e Rússia) não permitiriam o surgimento de um outro “Napoleão” no mundo, e , D. Pedro I, com a independência do Brasil foi considerado um usurpador do poder, um rebelde que traíra o pai.

(http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm)

 

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Formou-se na UFRGS – Economia,

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA
Técnico de Planejamento · Brasília

O BLUES NASCENDO…

O BLUES NASCENDO!

O blues é filho africano em terras americanas – nasceu do grito vindo dos campos, nasceu da dor, do movimento sincronizado do trabalho pesado, nasceu, sobretudo, pela necessidade de se libertar, de se fazer ouvir… entre os anos 20 e 30, Charley Patton, Blind L. Blake e Robert Johnson ajudaram no parto, fizeram-lhe as honras da casa e saíram em digressão por todo o sul, para apresentarem a mais nova criação. E os bons ventos encarregaram-se de o transportar a Chicago e Detroit, onde foi muito bem recebido. Nos anos 40 e 50, identificado e registrado já tinha um nome, conhecido nacionalmente. Muddy Waters, J.Lee Hoocker, Howlin Wolf e Elmore James confraternizam a passagem do ilustre visitante no Mississipi Delta Blues, acrescentando-lhe um cadenciado que o tornam irresistível. A corrente blues continua, a viagem prossegue – em Houston, T-Bone, abraça a mais nova paixão. Já robusto, formoso e bem dotado, a chegada a Memphis foi triunfal – alguém, ansiosamente, o esperava. Emocionado, diante de BB King, o jovem Blues deposita-lhe uma guitarra nos braços e diz – esta é minha casa, agora tu és Rei!

 

UM clique no centro do vídeo:

Morna, 10ª Flip esquenta no último dia com humor e poesia / paraty.rj

FlipFoi como uma virada no finalzinho do segundo tempo de uma partida de futebol.
Mesas emocionadas do dia final conquistam o público

Aberta na última quarta-feira à noite em Paraty, até ontem a Flip vinha perdendo para a apatia e a mornidão.

Mas o último dia da festa literária, que costuma ser o mais monótono, reuniu dois dos debates mais divertidos e espirituosos da décima edição: o de Fabrício Carpinejar e Jackie Kay e o de Gary Shteyngart e Hanif Kureishi.

Houve também um momento de comoção da plateia, após o poeta Carlito Azevedo ler um poema inédito que fez para Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da festa.

Na verdade, a virada havia começado a se desenhar na noite do sábado, quando os cartunistas Angeli e Laerte divertiram o público presente à Tenda dos Autores com sua sintonia escrachada.

Não que até ali não tivesse havido graça.

Zanone Fraissat/Folhapress
Da esq. p/ dir., o libanês Amin Maalouf, o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flio, a editora britânica Liz Calder, na mesa "Livro de Cabeceira"
O libanês Amin Maalouf (esq.), o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flip, a britânica Liz Calder, na mesa “Livro de Cabeceira”

A conferência de Antonio Cicero sobre Drummond na abertura, o debate sobre a morte por Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello, a mesa sobre Shakespeare com Stephen Greenblatt e James Shapiro e a troca intelectual entre Adonis e Amin Maalouf foram alguns bons momentos.

Mas não houve um nome consagrado pelo público (como Valter Hugo Mãe em 2011 ou Ferreira Gullar e Isabel Allende em 2010) nem confrontos acirrados de ideias, outra marca da festa –no ano passado, o curador criticou um convidado (Claude Lanzmann), que atacara um mediador; em 2010, convidados criticaram o homenageado Gilberto Freyre, e outros, o então presidente Lula.

Ao contrário, a ideia de juntar em várias mesas convidados com afinidade eletivas revelou-se infeliz, com poucos atritos e debates que pareciam papo de comadres.

Mais que isso, as atrações mais esperadas protagonizaram encontros chochos.

Foi assim com o americano Jonathan Franzen, numa mesa em que alternou momentos de leseira e simpatia.

Ou no debate entre Ian McEwan e Jennifer Egan, que se salvou graças a tiradas espirituosas dele, mas ainda assim não passou de mediano.

Para ajudar a transformar o último dia num domingo gordo, a mesa “Livro de Cabeceira”, evento de encerramento em que os convidados leem trechos de seus títulos prediletos (e que normalmente é esvaziado), reuniu neste ano algumas das principais atrações da Flip, como Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Luis Fernando Verissimo e Javier Cercas.

GRACILIANO

Embora a organização da Flip não tenha confirmado, é provável que o autor homenageado da edição de 2013 seja o romancista alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).

A informação oficial deve ser anunciada em 45 dias.

O jornalista Miguel Conde será mantido na função de curador para o ano que vem.

De acordo com os organizadores do evento, a edição encerrada ontem levou 25 mil pessoas às ruas da cidade de Paraty durante os cinco dias de festa e teve recorde de participação de público, com 45 mil acessos aos 135 eventos disponíveis.

FABIO VICTOR
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
MARCO RODRIGO ALMEIDA
RAQUEL COZER
RODRIGO LEVINO
ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY (RJ)

Editoria de Arte/Folhapress

Tráfico proíbe a venda de crack em favelas do Rio

Boca de fumo na favela Mandela põe aviso de que vai proibir a venda de crack: é como uma farmácia anunciando que não vai vender mais remédios de tarja preta

O tráfico de drogas vai proibir a venda de crack nas favelas do Jacarezinho, Mandela e de Manguinhos. A informação foi publicada na coluna de Ancelmo Gois de hoje com a foto acima. A medida, decidida pela maior facção do tráfico no Rio, ocorre dois meses depois de lançado no Rio o programa “Crack, é possível vencer” — do governo federal.

A ordem de proibir a venda de crack partiu de chefes do tráfico, que estão presos. A informação vinha circulando pelas comunidades, mas ontem pela primeira vez apareceu o cartaz anunciando a proibição, “em breve”, ao lado da cracolândia da favela Mandela, na Rua Leopoldo Bulhões, na chamada Faixa de Gaza. Os traficantes ainda têm ali cerca de dez quilos de crack. Cada pedra custa R$ 10,00. Há informações de que os criminosos temem que a Força Nacional de Segurança ocupe aquelas favelas, como ocorreu na comunidade Santo Amaro, no Catete, onde está há um mês e já apreendeu 1.513 pedras.

– Gostaria que essa decisão se espalhasse por todas as favelas do Rio porque o crack é uma droga devastadora e tem produzido só dor e sofrimento —  diz o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, que desde 2009 faz trabalhos sociais na Mandela.

Durante muito tempo o crack era vendido apenas em São Paulo. Dizia a lenda que os traficantes do Rio não queriam produzir “zumbis”. Dependentes de crack vivem nas imediações das bocas de fumo, atraindo a atenção da mídia e de operações do poder público. O tráfico no Rio alegava que a clientela de crack — miserável — traria problemas à venda de maconha e cocaína, mas capitulou após supostas alianças com a facção paulista, e começaram a oferecer o entorpecente vendido junto com a cocaína.

O combate ao crack virou uma questão de honra para o governo Dilma, que anunciou investimentos da ordem de R$ 4 bilhões no programa lançado em dezembro do ano passado. A grande dificuldade, segundo o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, é a falta de pessoal capacitado para lidar com os dependentes de crack em todo o país. No Rio o programa foi implantado em abril, com a participação do governo do estado e da prefeitura. Só no Estado do Rio, a previsão de verbas da União é de R$ 240 milhões.

De alguma forma a prioridade dada pelo governo ao combate ao crack chegou ao conhecimento dos chefes da maior facção criminosa, que vende a droga nas favelas. Um sinal de que o governo federal vai combater com firmeza o problema pode estar no envio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) ao Rio, apesar do desinteresse inicial manifestado pelo governo do estado. No domingo fez um mês que integrantes da Força Nacional de Segurança — a tropa de elite subordinada ao Ministério da Justiça — ocuparam a comunidade de Santo Amaro, que ainda não foi pacificada, na Zona Sul do Rio. Em um mês de ocupação, a Força Nacional realizou na favela 6.929 abordagens e apreendeu 650 papelotes de cocaína, 1513 pedras de crack, 840 gramas de maconha. Além disso, foram recolhidas munições, explosivos e armas.

Durante 180 dias, serão realizadas ações de polícia ostensiva, judiciária, bombeiros e perícia, em apoio às Secretarias de Saúde, Assistência Social e de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, nas áreas onde serão desenvolvidas as ações de implantação do Programa Crack, é Possível Vencer.

Nas favelas de Manguinhos, traficantes foram informados que a área poderia ser ocupada pela Força Nacional se o crack não fosse retirado de lá. Isso pode ter motivado a decisão dos traficantes. A decisão agradou muitos moradores da favela Mandela. Eles são testemunhas diárias do estrago causado pelo crack na comunidade. No Jacarezinho é possível ver usuários de crack na entrada da favela, mesmo por quem passa no asfalto. As operações policiais têm sido recorrentes, mas o problema está longe de ser resolvido.

Há três anos fazendo trabalhos sociais na favela Mandela, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirma que tem visto a tragédia causada pelo crack na comunidade. Ele lembra que já teve que solicitar ajuda da Justiça para levar a um abrigo três crianças que eram abandonadas pelos pais, usuários de crack. A ONG Rio de Paz — que nasceu envolvida cm a redução de homicídios — tem um projeto social, que prevê a construção de uma padaria-escola e o apadrinhamento de crianças por famílias de classe média — até a universidade.

Assista ao vídeo em que Antônio Carlos entrevista dona Veruska, uma usuária de crack. Ela confessa que é “uma droga maldita”:

– Eu fumo para deitar e acordo para fumar — diz a moradora da favela Mandela.

Economista brasileiro será homenageado pela rainha Elizabeth II / londres

15/06/2012 08h17 – Atualizado em 15/06/2012 08h17

Eduardo Moreira é sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital.
Motivo é pelo seu esforço para eliminar violência no treinamento de cavalos.

No próximo dia 24, o economista brasileiro Eduardo Moreira, de 36 anos, sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital e ex-sócio do Banco Pactual (hoje BTG Pactual) será homenageado com um certificado entregue diretamente das mãos da rainha Elizabeth II, no Castelo de Windsor, na Inglaterra. A homenagem, contudo, de nada tem a ver com seus mais de 13 anos de experiência no mercado financeiro, mas sim com seu esforço, nos últimos anos, para eliminar o uso da violência no treinamento de cavalos no Brasil.

Após fazer o curso com o domador Monty Roberts, Eduardo Moreira ficou amigo do americano e passou a difundir a técnica da doma gentil no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)Após fazer o curso com o domador Monty Roberts (esq.), Eduardo Moreira (dir.) ficou amigo do americano e passou a difundir a técnica da doma gentil no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

A premiação acontecerá na final de um campeonato de polo, no Guards Polo Club (clube de polo que fica em Windsor). Além de Moreira, outras nove pessoas receberão a homenagem da rainha Elizabeth II (entre eles outros dois brasileiros, peões que trabalham com Moreira, e jogadores de polo), todas indicadas pelo domador norte-americano Monty Roberts, de 77 anos, responsável pela difusão, ao redor do mundo, do método da doma gentil de cavalos.

Moreira, inclusive, afirma que será o primeiro brasileiro a receber o tipo de homenagem da rainha. “Essa condecoração, com certeza serei o primeiro, até porque ela não existia”, relata.

O pontapé inicial que fez Moreira acrescentar à sua vida uma nova preocupação além do já “preocupante” mercado financeiro e ser indicado por Roberts foi, literalmente, uma queda do cavalo.

Em 2009, o carioca, que já vive há mais de dez anos na capital paulista, adquiriu uma fazenda no interior de São Paulo e resolveu comprar uma égua pela internet. “Fui montar, o cavalo era super bravo e levei um tombo”. Ele quebrou o tornozelo, além de ter sofrido rupturas musculares nas costas pelo trauma da queda. Os meses que sucederam o acidente, além de preenchidos com o tratamento para a recuperação (foram duas semanas de cama e seis meses de fisioterapia), acabaram sendo responsáveis por apresentá-lo a Roberts, autor do livro “O homem que ouve cavalos” – que inspirou, inclusive, o filme “O encantador de cavalos”, de Robert Redford.

Se não quisermos ser livres da violência, então podemos prosseguir usando a violência, mas com essa decisão temos que admitir que não somos um povo civilizado”
Monty Roberts

Como havia sofrido o acidente, Moreira foi presenteado por um amigo com o livro, que fala da vida do autor e da técnica chamada por ele de “Join Up”, um treinamento sem o uso da violência, basicamente por meio da troca de gestos e olhares com o animal. “Li e fiquei super interessado em conhecer Monty Roberts”.

Moreira viajou para a Califórnia, onde vive o domador, e fez um curso de cinco dias no qual Roberts faz apresentações de seu método. “Nesse período fiquei muito amigo dele (…). Voltei para o Brasil e tentei fazer o mesmo. Foi quando comecei a notar que eu tenho esse dom”, revela.

O economista afirma que apenas observou como o americano agia com os cavalos e já aprendeu a técnica. Antes, ele conta que sequer tinha contato com cavalos – a égua da qual levou o tombo foi a primeira que comprou (hoje, contudo, há 15 cavalos em seu sítio).

Impressionado com os resultados do modelo de Roberts, Moreira relata que sentiu a necessidade de difundir a prática pelo Brasil. Desde que adotou a causa, calcula que já fez apresentações pelo país com mais de 400 cavalos. Em todas as vezes, são levados animais selvagens para ele domar. “Nunca deu errado”, garante. Ele diz não cobrar nada pelas demonstrações. “Mosto para todo mundo que o método violento não é o mais eficiente”, afirma.

O economista diz acreditar ser importante difundir a técnica porque o método tradicional de doma é muito duro. “Amarra, priva o cavalo de alimentação para deixá-lo mais fraco. Demora umas seis semanas e vários não aguentam e morrem”, diz. Pelo treinamento de Roberts, Moreira se comunica com o cavalo de forma a conseguir domá-lo em 25 minutos, diz, sem praticamente tocar no animal.

“É muito importante não julgar aquele que bate. Enquanto as pessoas não têm uma forma nova apresentada, elas não podem ser julgadas por fazerem aquilo que sempre aprenderam”, diz. “Depois que a pessoa vê a apresentação, ela chega em casa e não consegue bater no cavalo”, salienta.

No método de doma 'Join-up', praticamente não se toca no cavalo (Foto: Arquivo pessoal)No método de doma ‘Join-up’, praticamente não se toca no cavalo (Foto: Arquivo pessoal)

A habilidade do economista é inclusive reconhecida por Roberts, que falou ao G1 sobre a homenagem. “Moreira foi meu aluno por um período muito curto. Ele é um homem talentoso, física e mentalmente. Aprendeu em cinco dias tanto quanto muitos de meus alunos aprendem em dois, três anos”, afirma. “Eduardo não só aprendeu os meus conceitos e os executou como tem sido uma influência na causa para se fazer o mesmo”, disse.

Na opinião do escritor, a rainha Elizabeth II é a líder que tem o maior poder de influência nos tempos atuais, levando em conta o alto número de pessoas que atinge, daí a importância da homenagem. “Ela [a rainha] ficará para a história como o líder mundial que mais influenciou, de forma positiva, a relação do homem com os animais na terra”, opina.

Esta não será a primeira vez, aliás, que Roberts estará envolvido em homenagens da rainha da Inglaterra. Em 2011, o domador americano foi condecorado por ela como Membro da Ordem Vitoriana (Member of the Royal Victorian Order, M.V.O, em inglês), com uma medalha citando seus trabalhos em prol dos estábulos reais.

Desta vez, além de Moreira, os outros oito homenageados pela rainha indicados por Roberts por incentivar a doma sem violência na América Latina são os dois peões brasileiros que trabalham com o economista, Carlos Leite e Mateus Ribeiro, além dos jogadores de polo Adolfo Cambiaso (Argentina), Carlos Gracida e Memo Gracida (Mexico), Joel Baker (USA) e Satish Seemar (Dubai). Também será homenageada Catherine Cunningham, da Guatemala, que trabalha com Roberts. Segundo Moreira, Leite e Ribeiro não poderão comparecer à entrega do prêmio pela rainha. O economista receberá os certificados e os trará ao Brasil, onde serão entregues aos dois em um evento em julho em Belo Horizonte, com a presença de Roberts.

O domador americano afirma que a disseminação da técnica gentil nas Américas do Sul e Central, além do México, é importante, pois o treino violento ainda é muito comum nesses lugares. “O domador atual tende a deixar de lado o antigo método a partir do momento que ele fica sabendo que a doma sem violência é mais efetiva”, disse.

Após ler o livro de Roberts, 'O encantador de cavalos', Moreira acabou escrevendo seu próprio livro, 'Encantadores de vidas' (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)Após ler o livro de Roberts, ‘O encantador de
cavalos’, Moreira acabou escrevendo seu próprio
livro, ‘Encantadores de vidas’
(Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Livro
O acidente com o cavalo, porém, não foi o único episódio que marcou a vida de Moreira. Em dezembro de 2010, o economista sofreu um segundo tombo: foi correr para pegar um táxi num dia de chuva e escorregou. “Foram sete ossos completamente quebrados no pé e perna esquerdos”. Para a recuperação, conheceu uma segunda pessoa que considera como um ‘inspirador’, o preparador físico Nuno Coba (que trabalhou com Ayrton Senna). Moreira diz ter aprendido muito com Cobra, tendo em vista a reabilitação que teve – em dois meses tirou o gesso e já andava sem o auxílio de muletas. “Eu tinha, segundo os medicos, 80% de chance de perder o pé”, conta.

O contato com Roberts e Cobra levaram Moreira a escrever um livro, “Encantadores de vidas”, da editora Record. Os ganhos com as vendas são usados para doações. Entre os destinos está um instituto de Roberts que promove a equoterapia e a mensagem de não violencia pelo mundo, diz.

‘Perdeu o juízo’

Quando fala sobre a premiação da rainha, o economista se diz orgulhoso. “Quando eu vim para o Brasil, há três anos, e comecei a fazer isso [o trabalho com os cavalos], todo mundo falou ‘um cara do mercado financeiro, sócio de banco, ele enlouqueceu, não está com nada na cabeça, perdeu o juízo’”, revela. Moreira acrescenta que ouviu de muita gente que ele “estava querendo aparecer” ou “jogando fora a oportunidade de ganhar dinheiro”. “Foram três anos brigando com o mundo e do e do nada receber um negócio desse, para mim é uma vitória que não consigo nem expressar”, diz.

Moreira frisa que, ao contrário do que muitos disseram, não perdeu dinheiro com a dedicação à causa. “Eu disponho uma grande parte do meu tempo livre [para as apresentações com os cavalos], eu não tirei uma hora do meu trabalho no mercado financeiro por causa disso (…). Se você acredita numa coisa que gosta, que acha que é possível, ir lá e fazer, é um risco, é um negócio que tem que encarar opiniões contrárias, mas é gratificante”, sugere.

Para Roberts, os esforços para a eliminação da violência no trato com os animais apenas são válidos, contudo, se como seres civilizados não usarmos a violência em todos os tipos de educação, seja com animais ou com seres humanos. Ele cita tempos em que homens podiam bater em suas mulheres com uma forma de submissão, e o mesmo ocorriam com as crianças. Ele também lembra que, por séculos, foi usada a violência para os subordinados no trabalho. “Se não quisermos ser livres da violência, então nós podemos prosseguir usando a violência, mas com essa decisão temos que admitir que não somos um povo civilizado”, afirma.

Gabriela GasparinDo G1, em São Paulo

CUBA: Bar e museu da Revolução fazem as vezes de ‘catedrais’ / havana.cu

Caminhando em direção a Habana Vieja, chega-se ao centro de Havana. Guarde uma tarde para passear sem pressa pelo Paseo del Prado, bulevar cheio de árvores no qual artistas locais mostram suas obras de arte.

Bem próximo ao passeio fica o museu da Revolução -num palácio que já foi residência presidencial, palácio da Justiça e Tribunal Supremo- e que conserva buracos de tiro na parede, herança de um atentado nos anos 1950.

Dispensável dizer que o local é apropriado para entender a Revolução Cubana, que culminou com a tomada do poder, no dia 1º de janeiro de 1959, por um grupo liderado por Fidel Castro.
Deposto, o até então presidente Fulgêncio Batista, integrantes do seu governo e opositores da revolução fugiram da ilha, muitos deles rumo à Flórida, nos EUA.

Os textos, fotos, armas e uniformes dos revolucionários são expostos sem muita pompa e mostram, didaticamente, a luta para derrubar Batista e instituir, alguns anos depois, uma república socialista inicialmente alinhada com a ex-União Soviética. O ingresso dá direito a visitar o memorial Granma.

Ao lado do museu da Revolução ficam expostos os aviões, barcos e veículos que tomaram parte da empreitada militar-revolucionária de Fidel e de seus companheiros rumo ao poder em Cuba.

Guilherme Tosetto/Folhapress
Turistas passeiam na Plaza de la Revolucion, em Havana; cidade tem 'acervo revolucionário
Turistas passeiam na Plaza de la Revolucion, em Havana; cidade tem ‘acervo revolucionário’

No fim do Paseo del Prado fica o Grande Teatro de La Habana. Se puder, passe na bilheteria e compre ingresso para algum dos espetáculos apresentados quase diariamente. O preço é alto para turistas, 25 CUCs, mas, se você der sorte, pode até ver o Ballet Nacional de Cuba.

Uma quadra adiante fica o Capitólio, que antes da revolução abrigou o Congresso e foi biblioteca. Lamentavelmente entrou num período de reformas que se estendem até hoje e está fechado.

A qualquer hora do dia, o turista pode ir atrás de outra entidade cubana, o daiquiri, drinque preferido do escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961), que foi habitué de Cuba. Ele é magistralmente preparado no El Floridita, um restaurante caro, mas com turistas entrando e saindo sem parar.

A estátua de Hemingway continua lá, no canto do balcão, embalada por hits cubanos para estrangeiro ouvir: “Hasta Siempre, Comandante” e “Guantanamera”.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

 

GUILHERME TOSETTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CUBA

 

Florence Nightingale: a lâmpada da caridade (*) – por manoel de andrade / curitiba.pr

 

A ENFERMEIRA NO ACAMPAMENTO COM AS DEMAIS COLEGAS E ALUNAS.

                                                                              “A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte,  requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes, poder-se-ia dizer, a mais bela das artes”…

                                                                                                                         Florence Nightingale

          Realmente é uma arte das mais belas devotar-se ao alívio do sofrimento humano e Florence Nightingale, filha de aristocratas londrinos, teve que romper com a própria família quando optou por esse caminho. Contrariada com o vazio da vida na alta sociedade de Londres, aos 24 anos sente um forte apelo íntimo para cuidar dos enfermos, mas viu os primeiros passos de sua vocação paralisados pela frontal oposição da mãe.

Nascida na Itália, numa longa viagem dos pais, seu nome foi uma referência à cidade de Florença onde veio à luz em 12 de maio de 1820. Aos vinte anos, entediada com a rotina dos bordados e da dança de salão, insiste com os pais que a deixem estudar matemática, mas a mãe não permite. Contudo, como o pai gostava da matemática, ambos acabaram concordando, desde que a filha estudasse tutorada por bons  matemáticos, entre eles Arthur Cayley —  posteriormente conhecido pelos seus estudos da matemática pura e sobretudo pelo seu  trabalho sobre matrizes algébricas, desenvolvido na mecânica quântica por Werner Heisenberg em 1925 — e por James Joseph Sylvester — celebrizado pelas suas teorias dos invariantes, matricial e análise combinatória  — de quem foi considerada a melhor aluna. Seus conhecimentos de Aritmética, Geometria e Álgebra foram utilizados para dar aulas para crianças antes que abraçasse a carreira de enfermagem. Além das aulas com os matemáticos ingleses, Florence estudou os métodos estatísticos do cientista belga  Jacques Quetelet  — célebre pelos estudos sobre o Índice da Massa Corporal (IMC)  — que ela aplicou pela primeira vez, como enfermeira de guerra, utilizando métodos de representação visual com informações em forma de diagrama para mostrar as taxas de mortalidade dos soldados na Guerra da Criméia.

Seu caminho irreversível para a enfermagem começa em 1846 ao sensibilizar-se diante de um fato que escandalizou a opinião pública pelo péssimo tratamento que levou à morte um indigente numa enfermaria de Londres. Florence levantou a bandeira do Comitê de Lei para os Pobres (Poor Law Board) propondo sua reforma e visando ampliar os deveres do Estado no atendimento dos pobres e desamparados. Seu interesse pelas causas sociais e suas iniciativas de buscar experiência para socorrer doentes em hospitais, contudo, não eram aceitas pela família. Seus poucos procedimentos de enfermagem reduziam-se ao atendimento de parentes e amigos doentes. Os fortes preconceitos sociais da época não abriam à profissão uma graduação acadêmica e as enfermeiras eram vistas como pessoas sem preparo, ignorantes, sem reputação, ladras, sexualmente promíscuas e voltadas para o alcoolismo.[1]

Aos 30 anos Florence decide romper com a oposição da família e finalmente iniciar uma missão que, segundo ela, nascera de um chamamento espiritual ouvido aos 17 anos. A partir de então começa a fazer estágios em importantes hospitais da Alemanha e da França, iniciando seu treinamento como enfermeira. Em março de 1854 teve início a Guerra da Criméia, com a Inglaterra, França e Turquia declarando guerra à Rússia. As críticas da imprensa contra a precariedade hospitalar na retaguarda militar britânica levou o governo da Inglaterra a solicitar a supervisão oficial de Florence aos hospitais ingleses na Turquia, onde chegou em novembro de 1854, com 38 enfermeiras.

O início de seu trabalho em Scutari, um subúrbio asiático de Constantinopla (hoje Istambul), não foi fácil, pelo fato de ser mulher e ter que enfrentar os preconceitos, a burocracia, a alta hierarquia militar, a hostilidade dos médicos e a falta de recursos a fim de mudar toda a estrutura do sistema hospitalar. Encontrou os soldados deitados em chão de terra, partilhando o mesmo ambiente com baratas, insetos e ratos e onde os processos cirúrgicos eram feitos em condições anti-higiênicas. Alarmada com o altíssimo índice de mortalidade causado pelo tifo e pela cólera, concluiu que as doenças hospitalares estavam matando sete vezes mais do que os campos de batalha. Com uma coleta constante de dados e aplicando os métodos de Quetelet, organizou registros e estatísticas montando diagramas de área polar onde visualizou, mês a mês, que o rigor na assepsia fazia decrescer as mortes por infecção. Durante o mês de janeiro de 1855, enquanto 2.761 soldados morreram por doenças contagiosas, apenas 324 foram por causas diversas e 83 por ferimentos em campo de batalha. Seus relatórios foram de importância vital para a sobrevivênvia do exército britânico na guerra, mostrando que com tal índice de mortalidade e a não reposição constante das tropas, em pouco tempo todo o contingente da Crimeia seria aniquilado pela infecção. Três meses depois de sua chegada, as taxas de mortalidade de fevereiro de 1855 caíram de 60% para 42,7%. Prosseguindo com as melhorias sanitárias, o uso da água fresca, frutas, vegetais e novos equipamentos hospitalares, os óbitos caíram em abril para 2,2%.

Com o correr das semanas e dos meses, a imagem de Florence emergia triunfante pelo reconhecimento e admiração dos próprios médicos e pelos resultados da disciplina e da liderança com que comandava as demais enfermeiras. Contudo foi entre os soldados que sua imagem foi surgindo como a de um anjo da guarda, sempre buscando  consolar os moribundos. Sua generosidade e doçura com os pacientes e seus cuidados percorrendo as enfermarias dos batalhões e acampamentos durante a noite com uma lanterna na mão, visitando a todos e dirigindo-se a cada um, fizeram-na conhecida como  “A dama da lâmpada”.

Com o fim da guerra, Florence retorna a Londres e verifica que os soldados, entre 20 e 35 anos, mesmo desmobilizados pelo fim da guerra, dobravam o índice de mortalidade em relação aos civis. Seu pedido de investigação e de reforma nas condições sanitárias dos hospitais militares chamou a atenção da Rainha Vitória e uma Comissão Real Sobre a Saúde nas Formas Armadas foi instalada em 1857. As mesmas providências Florence pediu para os hospitais militares da Índia. Em 1858, suas contribuições para a saúde dos soldados ingleses levaram-na a ser eleita membro da Sociedade Estatística Real.

Quando de seu retorno à Inglaterra, em 1856, acamada e limitada pela doença que contraiu na guerra, recebe um prêmio em dinheiro do governo britânico, pelo extraordinário trabalho e a dedicação incondicional aos feridos na guerra. Todo o dinheiro foi usado por Florence para fundar, em1859, aPrimeira Escola de Enfermagem, no Hospital Saint Thomas, tornando-se modelo para as demais escolas que surgiram no mundo ao estabelecer as bases da moderna enfermagem. Era o seu sonho transformando-se em realidade: ensinar a outras mulheres a grandeza e a dignidade da enfermagem, concebida como uma verdadeira profissão e exercida com ciência e como uma arte.

A biografia de Florence Nightingale é a história de uma vida inteiramente dedicada ao amor pelos semelhantes e seus detalhes não cabem nos limites deste artigo. Na Guerra da Crimeia, quando um médico a pediu em casamento ela respondeu que “Com 17 anos ouvi a voz de Deus convocando meus serviços”. Sua missão de lenir o sofrimento humano nunca lhe permitiu que se casasse. O espírito Emmanuel, numa sugestiva passagem, referindo-se à “Dama da Lâmpada” afirmou: “Pensas em Florence Nigthtingale, a mulher admirável que esteve quase um século entre os homens, dedicando-se aos feridos e aos doentes, sem quaisquer intenções subalternas.” (Justiça Divina, F.C. Xavier, FEB, 3ª ed., p. 109.)

“Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda.
Escolhi ser enfermeira porque amo e respeito a vida!!!”

                                                                                   Florence Nigthtingale (1820-1910)

(*) Este artigo foi escrito para o jornalMUNDO ESPÍRITA” publicação da Federação Espírita do Paraná.  Publicado aqui com licença do autor.

[1] Charles Dickens (1812-1870), o mais famoso escritor da era vitoriana e um crítico profundo da miséria social do seu tempo, retratou de uma forma nua e crua o perfil da enfermagem na Inglaterra em seus romances Oliver Twist, Martin Chuzzlewitt.  Neste último, a célebre personagem da enfermeira Mrs. Sairey Gamp é o retrato chocante do despreparo profissional, da frieza e do descaso para com os doentes.


DIÁRIO DA PROVYNCIA III – por olsen junior / rio negrinho.sc


 

CÍNICO, CÉTICO E EFICIENTE!

Foi somente depois que o carro passou sobre a água empoçada num desvão (de um trabalho mal feito anteriormente) nas lajotas oitavadas da Avenida das Rendeiras, salpicando com água barrenta uma família inteira que caminhava no passeio em frente é que me dei conta: tínhamos de ser muito otimistas para acreditar que havia alguma esperança para o ser humano.

O veículo trafegava com o dobro da velocidade permitida naquele trajeto no bairro boêmio da Lagoa da Conceição. Compreende-se que as pessoas de férias possam distrair-se com o ambiente enquanto passeiam, mas é injustificável que um motorista não tenha a dimensão de uma atitude imprudente. Seja pelo excesso de velocidade ou pela visão embotada do percurso. O que é pior, que encare ambas com naturalidade como se estivessem incorporadas ao “seu fazer” e até, a danação, que sequer tenha consciência da imperícia e da infração cometida.

Sei! Alguém pode lembrar que uma ação isolada não serve de parâmetro para avalizar um comportamento humano. De tanto observar atitudes desrespeitosas como essa, me tornei um cético. Então, resta o quê?

Lembrei de um texto do Paulo Francis na Folha, década de 1970 “Resta o consolo do trabalho. São Paulo estava errado e São João certo. A salvação é pelas obras e não pela fé. Esta matamos há muito tempo”.

Parte do meu aprendizado foi aperfeiçoada num texto do mesmo Paulo Francis (já que mencionei o trabalho) comentando o filme “Mississippi em Chamas”, de Alan Parker e a atuação de Gene Hackman.

O filme é baseado no assassinato em 1964, de três ativistas dos direitos civis no sul segregacionista dos EUA. O foco está na investigação de dois agentes do FBI, o sulista Rupert Anderson (Gene Hackman) e o nortista Alan Ward (William Dafoe) e os métodos de cada um para chegar a verdade: o primeiro com suavidade e o segundo agressivo. No fim triunfa a astúcia do primeiro e a perseverança do segundo. Em 2005, um ex-integrante da Ku-Kux-Klan, Edgar Ray Killen, então com 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão pela morte dos ativistas no qual o filme se baseou, corroborando a tese de seu diretor, que acreditava que um filme pode ter funções políticas.

Francis ressaltava que a atuação de Gene Hackman era a expressão pura do que o crítico Edmund Wilson chama de Jobbism num ensaio em que afirmava  “só nos resta neste mundo corrupto fazer nosso trabalho bem feito, sem tomar conhecimento de causas e pretensões iluministas”.

No filme, as pessoas se recusam a falar. Quem diz alguma coisa é espancada. Lá como aqui, uma realidade que se repete no mundo e no submundo da impunidade. Mas o Francis afirma que “Hackman olha e ri nos falando uma enciclopédia britânica sobre a natureza humana. Não se vangloria e nem tem ilusões. São pessoas assim que avançam as causas, poucas ainda em que acreditamos, e não ideólogos e idealistas. São céticas, cínicas e eficientes. Nossa única esperança, e Gene Hackman é emblemático de nossa condição”.

Esse “jobbism” que pode ser traduzido como “mãos-à-obra” descoberto pelo Francis no ensaio de Edmund “Bunny” Wilson que ele tomou conhecimento no início da década de 1960 e só foi assimilado na de 1980 pode ter raízes no médico e poeta transcendentalista americano Oliver Wendell Holmes… A uni-los, a descoberta da dignidade profissional enquanto último e inoxidável instrumento de participação social.  Não será a pólvora, como lembrou a jornalista Ana Claudia Vicente, mas para mim o jobbism foi um achado. Que funcionará, quando muita gente o achar também.

É isso, desde então, na cabeceira da minha cama, além de um champanhe e do livro que estiver lendo, está o trípdico: cínico, cético e eficiente…

Justifica-se: a bebida, como lembrou Zózimo Barroso do Amaral “enquanto houver champanhe, há esperança”; um livro, porque como afirma o poeta que habita em mim “é a melhor companhia quando você não quer ver ninguém” e as palavras, para manter uma atitude enquanto não se põe mãos-à-obra!

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NOTAS:

Olá, camaradas, salve!

Tempo curto, dinheiro escasso…

Segue o texto da semana…

Com o abraço fraterno!

http://www.youtube.com/watch?v=zC4poOpZG9w&feature=related

Gilmar não é o Supremo – por mauro santayana /são paulo.sp

Engana-se o Sr. Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do Senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.
A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.
Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava – e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim – o Sr. Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao Sr. Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o Presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como P.C. Farias. Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o Sr. Gilmar Mendes a ele retornou, como Advogado Geral da União de Fernando Henrique Cardoso. Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.
Gilmar, como advogado geral da União – e o fato é conhecido –, recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o Sr. Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.
Esse comportamento de desrespeito – vale lembrar – ocorreu também quando o Sr. Francisco Rezek renunciou ao cargo de Ministro do Supremo, a fim de se tornar Ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, re-indicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar. Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.
A nação deve ignorar o esperneio do Sr. Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do Ministro, e levar a CPMI às últimas conseqüências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como mensalão, como está previsto. Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o Sr. Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a Nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.
O Sr. Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana – sempre lembrando a forte advertência de Dallari – cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

‘Smartphone é acordo com o diabo’, diz super-hacker – por marco aurélio canônico / rio de janeiro.rj

Ele foi chamado de “a peste que envergonha as empresas para que corrijam falhas de segurança”, em perfil da revista “Wired”, e foi listado como um dos “dez manipuladores da internet” pela “PC World”, graças à influência de suas ações na rede.

O americano Christopher Soghoian, 30, construiu essa reputação –e uma carreira– denunciando brechas em sistemas de companhias, como Google, Facebook e AT&T, que levavam à exposição dos dados de seus usuários.

Ele virá pela primeira vez ao Brasil nesta semana para participar da conferência de direitos humanos e tecnologia RightsCon, que acontece nas próximas quinta e sexta, no Rio.

“MODELO TÓXICO”

Ele participará do painel “O Futuro do Modelo de Negócios On-line”, na sexta, às 11h45. Sua visão sobre o tema: o atual modelo de negócios na rede não combina com privacidade e, portanto, não deveria ter futuro.

Graeme Mitchell
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil

“Esse modelo apoiado em publicidade, no qual recebemos serviços de graça em troca de nossos dados, é tóxico e fundamentalmente incompatível com a proteção da nossa privacidade”, diz Soghoian à Folha por telefone, de Washington, onde mora.

“Apesar de estarmos todos usando serviços gratuitos, é um mau negócio, e deveríamos considerar pagar por e-mails da mesma forma que pagamos por ligações.”

Com os usuários pagando, crê o americano, as empresas poderiam (se quisessem) deixar de armazenar dados privados, pois não precisariam mais deles para lucrar.

Com isso, deixariam de ser as fontes às quais os governos recorrem regularmente para vigiar seus cidadãos.

“Nossos dados pessoais estão cada vez mais nas mãos de empresas, e elas ajudam governos na vigilância. Seus papéis como facilitadoras não são bem conhecidos. Meu foco tem sido explorar e expor esse relacionamento.”

LEVE PARANOIA

Autor do blog Slight Paranoia (“leve paranoia”, em inglês; paranoia.dubfire.net), Soghoian se descreve como “basicamente um hippie”.

“É o que a maioria das pessoas pensa quando me vê. Sou vegetariano, tenho cabelo comprido, barba, me desloco de bicicleta e sou o único de camiseta e bermuda em todas as minhas reuniões.”

O interesse por aspectos legais da privacidade on-line emergiu em 2006, após ter a casa invadida pelo FBI -ele ensinara, num site, a driblar o controle de segurança nos aeroportos, com cartões de embarque falsos; queria expor a fragilidade do sistema. “Sempre tive problemas com autoridades. Não gosto que me digam o que fazer.”

Editoria de Arte/Folhapress

ESPIONAR É BARATO

Soghoian diz que a vigilância governamental ficou mais barata e eficiente com o avanço tecnológico e graças ao apoio das empresas privadas.

Até poucos anos atrás, ter um aparato de vigilância era complexo e caro, o que forçava o governo a limitar os alvos. Hoje, todo mundo pode ser alvo, porque é barato vigiar todos -afinal, boa parte de nós leva um “agente secreto” no próprio bolso: o smartphone.

“Eles são um acordo com o diabo. Ganhamos esses aparelhos extremamente convenientes, mas eles não trabalham em nosso benefício. Aplicativos podem vasculhar dados e enviá-los sem nos consultar. As empresas podem pedir para nossos telefones indicarem onde estamos. O smartphone é como um agente secreto do governo, pelo qual pagamos.”

Editoria de Arte/Folhapress

‘Documenta de Kassel’ tem quatro brasileiras; veja lista de artistas – por fabio cypriano / são apulo.sp

Vazou nesta quinta-feira (17) a lista de artistas mais esperada do ano: os 154 nomes selecionados para a 13ª Documenta de Kassel, programada para ser aberta no próximo dia 9 de junho.

A lista foi publicada no jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, quando a previsão era que a curadora da mostra, Carolyn Christov-Bakargiev, anunciasse os nomes selecionados apenas no dia 6.

Quatro artistas brasileiras foram escolhidas pela curadora: além de Anna Maria Maiolinno e Renata Lucas, nomes que a Folha já havia antecipado, as novidades são a paulista radicada em Berlim Maria Thereza Alves e a surrealista Maria Martins (1894-1973).

A presença de brasileira é representativa do restante da lista, com número significativo do que já foi chamado um dia de “sexo frágil”.

Alves participou, há dois anos, da 29ª Bienal de São Paulo com uma obra sobre a cultura do povo indígena Krenak, tema recorrente em suas obras. São muitos, aliás, os artistas da Documenta vistos na mais recente Bienal de São Paulo, entre eles o cineasta tailandês Apichatpong, o belga radicado no México Francis Alys, a dupla cubano norte-americana Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla, o norte-americano Jimmie Durhan, a espanhola Dora Garcia, o mexicano Mario Garcia Torres, e o albanês Anri Sala.

Com o longo título “The dance was very frenetic, lively, rattling, clanging, rolling, contorted and lasted for a long time” (em tradução livre a dança era muito frenética, viva, de chocalhar, tinir, rolar, contorcer e durou muito tempo), a exposição em Kassel irá apresentar ainda outros artistas com caráter histórico, caso da brasileira Maria Martins e dos também surrealistas Salvador Dali (1904-1989) e Man Ray (1890-1976).

Como o título já indica, alguns nomes da dança e da performance também foram elencados, como o coreógrafo francês Jerome Bel e o anglo-germânico Tino Sehgal, que chama suas performances de “situações construídas”.

Poucos são os nomes que podem ser considerados estelares, com exceção do próprio Dali e Man Ray. Entre eles, encontram-se o sul-africano Willian Kentridge e a alemã Rosemarie Trockel.

Uma das curiosidades da lista é atribuída a um artista anônimo: objetos destruídos pela guerra no Líbano.

A Documenta é considerada a mostra mais importante de arte contemporânea, com periodicidade de cinco anos. Em três semanas, a concretização desses nomes em diversos espaços de Kassel continuará a dar o que falar.

Mastrangelo Reino – 18.mar/Folhapress
A artista plástica Anna Maria Maiolino em exposição em Barcelona

LISTA DOS ARTISTAS (POR SOBRENOME)

A
Bani Abidi
Etel Adnan
Korbinian Aigner
Barmak Akram
Khadim Ali
Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla
Kai Althoff
Maria Thereza Alves
Francis Alys
Kanwar Amar
Ida Applebroog
Julietta Aranda & Anton Vidokle
Doug Ashford
Tarek Atoui
Kader Attia

B
Princess Bactrian
Nanni Balestrini
Amy Balkin
Massimo Bartolini
Thomas Bayrle
Jerome Bel
Gordon Bennett
Rosella Biscotti
Alighiero Boetti
Anna Boghiguian
Carol Bove
Andrea Bruno
Andrea Büttner
Gerard Byrne

C
Emily Carr
Mariana Castillo Deball
Paul Chan
Critical Art Ensemble
Abraham Cruzvillegas
Istvan Csakany
Attila Csörgö

D
Salvador Dali
Tacita Dean
Mark Dion
Thea Djordjadze
Willie Doherty
Song Dong
Trisha Donnelly
Sam Durant
Jimmie Durham

F
Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg
Geoffrey Farmer
Omer Fast
Lara Favaretto
Ceal Floyer
Liyn Foulkes
Chiara Fumai

G
Ryan Gander
Dora Garcia
Mario Garcia Torres
Theaster Gates
Mariam Ghani
Symrin Gill
Julio Gonzales

H
Fiona Hall
Donna Haraway
Susan Hiller
Horst Hoheisel
Pierre Huyghe
Sanja Ivekovic

J
Emily Jacir
Toril Johannessen
Joan Jonas
Brian Jungen

K
Robin Kahn
Hassan Khan
William Kentridge
Erkki Kurenniemi

L
Adriana Lara
Dinh Quang Le
Yan Lei
Gabriel Lester
David Link
Maria Loboda
Mark Lombardi
Renata Lucas
Marcos Lutyens

M
Goshka Macuga
Anna Maria Maiolino
Nalini Malani
Man Ray
Maria Martins
Fabio Mauri
Julie Mehretu
John Menick
Gustav Metzger
Lee Miller
Amanullah Mojadidi
Kyungwon Moon & Joonho Jeon
Gareth Moore
Rabih Mroue
Christian Phillipp Müller
Zanele Muholi

N
Vann Nath

O
Shinro Ohtake
Roman Ondak
Otolith Group

P
Christodoulos Panayiotou
Giuseppe Penone
Claire Pentecost
Susan Philipsz
Sopheap Pich
Lea Porsager
Michael Portnoy
Margret Preston
Seth Price
Ana Prvacki

R
Walid Raad
Michael Rakowitz
Araya Rasdjarmrearnsook
Doreen Reid Nakamarra
Pedro Reyes
Gunnar Richter
Stuart Ringholt
Ruth Robbins & Dixie Evans
Paul Ryan
Hannah Ryggen

S
Natascha Sadr Haghighian
Anri Sala
Seed Constellation Project
Albert Serra Juanda
Wael Shawky
Charlotte Salomon
Ines Schaber
Tino Sehgal
Albert Serra Juanola
Tejal Shah
Nedko Solakov
Alexandra Sukhareva

T
Mika Taanila
Javier Tellez
Aase Texmon Rygh
Alexander Tarakhovsky
Warwick Thornton
Rosemarie Trockel

V
Rojas Adrian Villar
Jeronimo Voss

W
Tjapaltjarri Warlimpirringa
Jessica Warboys
Lori Waxman
Clemens Wedemeyer
Apichatpong Weerasethakul
Lawrence Weiner

Y
Haegue Yang

Z
Akram Zaatari
Anton Zeilinger
Konrad Zuse

Anônimo
Destroyed objects damaged during Lebanese

.

FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA

VEJA e GILMAR MENDES criam “outro” encontro com o EX – PRESIDENTE LULA e NELSON JOBIM desmascara a farsa. O desespero das “forças OCULTAS” com ascensão de DILMA e a permanente liderança de LULA provocam situações, antes, inimagináveis.

Um Ministro do STF não pode permanecer no cargo depois de ser “flagrado” em conluio com a revista “veja”. É inadmissível para a sociedade brasileira um ministro que chegue ao ponto de CRIAR mentiras escabrosas contra um ex presidente da república.  A  revista “veja” trata o marginal “cachoeira” de EMPRESÁRIO, o ex presidente de “molusco” e a presidente da república de “assaltante”, você imagina  por que?

leia o FATO divulgado pela  revista “veja”:

“Jobim nega pressão de Lula sobre STF para adiar julgamento do mensalão

Ex-presidente teria se encontrado com Gilmar Mendes no escritório do ex-ministro da Defesa, segundo ‘Veja’

AEstado

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira.

Reportagem da revista Veja publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é “inconveniente” e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu Jobim, questionado peloEstado. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão”, reiterou.

Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse “perplexo” com as “insinuações” do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes da capital alemã, supostamente pago por Cachoeira.

Ele teria manifestado preocupação com o ministro Ricardo Lewandowski, que deve encerrar o voto revisor do mensalão em junho; e adiantado que acionaria o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Carmen Lúcia, para que ala apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013.

Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. E que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou Veja. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos”, assegurou.

Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim respondeu: “Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer”.

Procurado pelo Estado, Pertence negou ter sido acionado para que intercedesse junto a Carmen Lúcia: “Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito”.”

Quem tem medo de Dalton Trevisan? – por joão cezar de castro rocha / rio de janeiro.rj

Anunciado esta semana como vencedor do Prêmio Camões, o autor paranaense consagrou uma galeria de personagens exemplarmente medíocres, sob o coerente signo da concisão

 


Caricatura do escritor Dalton Trevisan - Loredano
Loredano
Caricatura do escritor Dalton Trevisan

Dalton Trevisan (1925) é autor de uma das obras mais originais da literatura brasileira. Com sabor de paradoxo, es,sa originalidade foi conquistada através da recorrência obsessiva de temas, de personagens, de situações e de uma fidelidade quase perfeita à forma do conto – em sua extensa obra, a exceção é o romance A Polaquinha (1985).

Acrescente-se uma habilidade incomum para ampliar os efeitos linguísticos de seus textos a partir da redução aparentemente contraditória do universo das palavras, além do emprego deliberado de chavões. O resultado é uma estética da contenção; aliás, no duplo sentido da palavra: conciso e agônico.

O vampiro de Curitiba é um jogador de xadrez que sempre lança mão de idêntica abertura de jogo e adota um único sistema defensivo, porém nunca repete o xeque-mate! Detalhe relevante, porque ele costuma vencer suas partidas.

Recordemos a trajetória fundamental do autor de Cemitério dos Elefantes (1964).

Com sabor de paródia, Quem Tem Medo de Vampiro?, reunido em Dinorá (1994), talvez seja um ponto de partida conveniente. Pelo avesso, o conto oferece um retrato da literatura (e mesmo de aspectos da biografia) de Dalton Trevisan. O texto incorpora satiricamente as ressalvas mais comuns feitas a seu estilo, transformando em matéria ficcional a incompreensão de certos críticos. Leia-se a abertura:

“Há que de anos escreve ele o mesmo conto? Com pequenas variações, sempre o único João e a sua bendita Maria. Peru bêbado que, no círculo de giz, repete sem arte nem graça os passinhos iguais. Falta-lhe imaginação até para mudar o nome dos personagens. Aqui o eterno João: ‘Conhece que está morta’. Ali a famosa Maria: ‘Você me paga, bandido.’”

O retorno de personagens em narrativas do mesmo autor não é exatamente novidade e nem precisamos mencionar a Honoré de Balzac. Por exemplo, Quincas Borba surge como personagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas e posteriormente volta no romance homônimo.

Contudo, Dalton Trevisan vira o recurso de ponta-cabeça. Nos casos de Balzac e Machado, os personagens que retornam são tipos excepcionais. Na literatura de Trevisan, “João” e “Maria” retornam precisamente por não possuírem traços singulares.

Ora, se a galeria de personagens é escolhida por ser exemplarmente medíocre, mesmo banal, a linguagem que os define não pode ser exuberante, muito menos barroca. A repetição, tornada método de escrita, exige uma linguagem sistematicamente esvaziada, quase anônima.

Retorne-se ao conto. De novo, pelo avesso, o autor explicita seu projeto linguístico e temático:

“Quem leu um conto já viu todos. Se leu o primeiro pode antecipar o último – bem antes que o autor. (…) Mais de oitenta palavras não tem o seu pobre vocabulário. O ritmo da frase, tão monótona quanto o único tema, não é binário nem ternário, simplesmente primário. Reduzida ao sujeito sem objeto, carece até de predicado – todos os predicados. Presume de erótico e repete situações da mais grosseira pornografia. No eterno sofá vermelho (de sangue?) a última virgem louca aos loucos beijos com o maior tarado de Curitiba. (…)”

Naturalmente, o leitor deve inverter o sentido das afirmações, a fim de avaliar a superioridade dessa concepção de literatura, compreendendo na repetição metódica a diferença almejada por Trevisan.

Escassez não é obrigatoriamente sinônimo de precariedade. Afinal, se literatura é a arte combinatória do propriamente humano, 80 palavras permitem a reinvenção infinita de um núcleo restrito de histórias. Isso para não mencionar os jogos literários que Trevisan inclui com sutileza no “único” conto que reescreve sem parar.

Entre 1946 e 1948, ele foi editor de importante revista, que assim definiu: “O movimento de renovação inventado por Joaquim não tem ambições modernistas: tem ambições modernas.” Por isso, no seu conto, menos é sempre mais. Esteta da concisão, Trevisan vislumbra no conto a possibilidade de um haicai narrativo.

Leia-se, então, O Vampiro de Curitiba, publicado no livro homônimo, saído em 1965. O texto apresenta um personagem-síntese das obsessões do autor: “Nelsinho, o Delicado”, definido com poucas, mas definitivas pinceladas: “Pobre rapaz na danação dos vinte anos.” O nome do personagem não deixa de trazer à baila o universo de Nelson Rodrigues. Ademais, o conto alude à linguagem bíblica, à obra de Machado de Assis, à poesia de Carlos Drummond de Andrade:

“Olhe as filhas da cidade, como elas crescem: não trabalham nem fiam, bem que estão gordinhas. Essa é uma das lascivas que gostam de se coçar. Ouça o risco da unha na meia de seda (…).”

A breve menção à passagem bíblica, acerca da beleza espontânea dos lírios do campo, amplifica o efeito de dessacralização provocado pela sequência imediata: “bem que estão gordinhas”!

De igual modo, na sua peregrinação, o vampiro Nelsinho, na urgência típica dos 20 anos, flerta não apenas com mulheres as mais diversas, mas também com a literatura.

Recorde-se outra passagem do conto:

“Cedo a casadinha vai às compras. (…) Ó bracinho nu e rechonchudo – se não quer por que mostra em vez de esconder? -, com uma agulha desenho tatuagem obscena. Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho.”

Malicioso, o narrador pisca um olho para Machado de Assis, na alusão a Uns Braços. Nesse conto, Inácio, um rapaz de 15 anos, não resiste à visão dos braços nus de D. Severina, “belos e cheios, em harmonia com a dona, que era antes grossa que fina”.

Ao mesmo tempo, o narrador enfrenta dilema semelhante ao impasse do poeta drummondiano. Leiam-se os versos iniciais de O Lutador: “Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco (…).” Basta substituir “palavras” por “mulheres”, e Nelsinho, o Delicado, não hesitaria em se engajar na porfia.

O trânsito entre repetição, esvaziamento da linguagem e jogos literários se encontra no título do primeiro livro de Dalton Trevisan – isto é, o primeiro reconhecido, pois ele renegou suas publicações anteriores. Refiro-me a Novelas Nada Exemplares (1959), cuja menção a Miguel de Cervantes não passou incólume.

Otto Maria Carpeaux reagiu com ambiguidade ao livro, que obteve o Prêmio Jabuti. No calor da hora, ele se viu compelido a ressalvar: “A pretensão inédita desse título parece desafio à crítica.” A resenha não é exatamente favorável, mas tem o mérito de assinalar os eixos da literatura do autor de A Guerra Conjugal (1969) – aliás, adaptado para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade.

No juízo de Carpeaux: “Os acontecimentos nas novelas de Cervantes criam nos personagens um estado de alma próprio ‘para el hombre salvarse’. Nas novelas nada exemplares do Sr. Dalton Trevisan, os acontecimentos criam nos personagens um estado de alma para o homem perder-se.”

Sem dúvida.

A não ser que esse homem seja leitor de Dalton Trevisan.

Nesse caso, ele intui que a esperança de salvação ou o temor da condenação pouco importam ao vampiro (que todos nós somos).

E não apenas em Curitiba.

JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA É PROFESSOR DE LITERATURA COMENTADA DA UERJ

cabo anselmo: por unanimidade, comissão nega indenização ao TRAIDOR DUPLO

Atuação do ex-militar em casos de tortura inviabiliza reparação, na avaliação dos conselheiros; julgamento foi o primeiro caso de pedido feito por agente duplo

22 de maio de 2012 | 20h 10
Leonêncio Nossa, da Agência Estado

BRASÍLIA – A Comissão de Anistia negou nesta terça-feira, 22, por unanimidade pedido de indenização de José Anselmo dos Santos, 70 anos, que entrou para a história do Brasil como Cabo Anselmo, protagonista de uma revolta de marinheiros dias antes do golpe contra o presidente João Goulart e, depois, participante de reuniões de militantes de esquerda e agente duplo da repressão contra ex-colegas de farda e perseguidos políticos.


Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado - JF Diório/AE
JF Diório/AE
Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado

 

Em reunião que começou à tarde e se estendeu até o início da noite, Nilmário Miranda, relator do processo do ex-militar, afirmou em seu voto que Cabo Anselmo tornou-se parte “explícita” do regime militar, atuando em ações que resultaram na tortura e na morte de adversários da ditadura, em especial a própria companheira, Soledad Barret Viedma. Nilmário Miranda sustentou a versão de que Cabo Anselmo já era agente duplo nas agitações na Marinha nos primeiros meses de 1964. Uma das versões mais difundidas é a de que ele teria se tornado aliado do regime a partir de 1971, quando foi preso.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, ressaltou que o fato de Cabo Anselmo passar a atuar como um agente repressor inviabilizava, constitucionalmente, a reparação. A concessão da anistia, na avaliação de Abrão, não se deveria aplicar ao caso do agente duplo. “Abrir um precedente de uma anistia para um agente repressor é distorcer o instituto da reparação e os preceitos dos Estado democrático de direito”, afirmou.

Durante o encontro, Genivalda Melo da Silva fez um relato sobre a morte do marido, o ex-marinheiro José Manoel da Silva, uma das vítimas do massacre do sítio São Bento, em Abreu e Lima, Pernambuco, nos anos 1970. Num depoimento emocionado, ela acusou Anselmo de entregar José Manoel à repressão. “Eu perdoo de todo coração a ditadura, mas conceder anistia a Cabo Anselmo será uma vergonha para o País”, disse.

Genivalda emocionou os 12 integrantes da comissão e a plateia ao relatar que torturada e violentada sexualmente por agentes da repressão logo após a morte do marido. Ela lamentou que Cabo Anselmo não estava presente. O advogado dele, Juliano Brandi, tentou convencer a comissão de que o seu cliente foi obrigado a virar agente duplo.

Na reunião desta terça, os integrantes da Comissão de Anistia aprovaram a condição de anistiado e o pedido de pagamento de indenização de Ana Lúcia Valença de Santana Oliveira, que receberá um valor único de R$ 100 mil, e Anivaldo Pereira Padilha, que receberá uma parcela de R$ 229 mil e um benefício mensal de R$ 2.484. Anivaldo é pai do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

CABO ANSELMO: COMISSÃO DE ANISTIA JULGA ANSELMO NA PRÓXIMA TERÇA / brasilia.df

O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político

20/05/2012 | 16:46 | AGÊNCIA O GLOBO

Comissão de Anistia julga na manhã da próxima terça-feira (22), menos de uma semana após a instalação da Comissão da Verdade, o caso de José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão em 2004.

O relator do processo na comissão será o petista Nilmário Miranda, ex-preso político e ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência é que os conselheiros neguem o pedido de Anselmo.

O processo dele, de número 2004.01.42.025, aguardava na fila para entrar na pauta. Cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar.

REGINA, a mulher-loba do Brasil – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Regina, mulher-loba do Brasil

 

Lobas são extremamente ciosas dos seus filhotes. Ou então: lobas são selvagemente ciosas. São mansas e pacíficas enquanto o mundo se lhes apresenta manso e pacífico. O problema é que elas se dão ao hábito de pensar e, ao pensar, tomam partido e definem-se criticamente frente a esse mesmo mundo. E ele que se comporte! Nem sonhe em sair da linha!

 

Os filhotes da Regina são os seus alunos, a Literatura (mais necessária e carinhosamente aquela próxima, feita em Santa Catarina) e, por consequência dos cuidados anteriores, os escritores catarinenses. Estes filhotes é que lhe importam.

 

Regina, loba, preocupa-se. Tem consciência política (não se trata aqui de partido político, é importante deixar bem claro), posiciona-se filosoficamente no meio em que vive, em que trabalha com uma dignidade que muita gente não tem para mostrar, no meio em que paga seus impostos como penitência para viver e participar da sua rua, do seu bairro, da sua cidade.

 

Com esse dinheiro, com seu imposto, paga o salário de vereadores e servidores públicos que têm a obrigação de considerar suas opiniões, ao invés de, numa forma simplista, demagógica e autoritária, ameaçá-la de processo judicial por “entravar a máquina pública” ao impedir, com sua força de mulher e sua coragem de ser humano, a “limpeza de um terreno público” no Estreito.

 

O terreno público em questão é uma área com árvores que abriga um sítio arqueológico protegido pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Acontece que a gerente da loja vizinha ao sítio, loja que vende a mais famosa marca de motos do mundo, decidiu limpar o terreno público ao lado. “Vive cheio de usuários de droga”, foi a bandeira que ela levantou. Como o local estaria “desocupado”, dita senhora dá a qualquer um o direito de supor que ela imaginava abrir ali um espaço informal e gratuito para servir de estacionamento exclusivo aos seus abastados clientes. Já que a loja naturalmente será contribuinte dos cofres públicos, a gerente achou-se no direito de acionar seus “contatos”, de maneira informal (por que tanta burocracia, não é mesmo?), a fim de conseguir autorização para a limpeza – limpeza arrasadora com patrola, como um corte de cabelo com máquina zero.

 

Um vereador, que já deixara a secretaria municipal ligada ao caso para candidatar-se à reeleição, autorizou verbalmente o desmate, o desmonte, a “limpeza” de tolerância zero com o terreno – atribuição e autoridade de que ele já não mais dispunha, da mesma forma que não disporia ainda que estivesse no exercício do cargo, simplesmente por tratar-se de um sítio arqueológico: um patrimônio público (não do poder público) de interesse histórico.

 

Regina Brasil, mulher-loba, escolada, que dá um monte de aulas, educa pessoas e ensina-lhes cidadania, desconfiou quando retiraram a tela que protegia o terreno. No dia seguinte, bem cedo, a patrola iniciou a devastação. A professora correu, pôs-se à frente da máquina e impediu que o crime se consumasse em sua totalidade. Ela foi fotografada (as fotos saíram na imprensa e circulam pelos caminhos da internet), aplaudida e consagrada como heroína.

 

Mas as pressões sobre ela aumentam, e serão maiores assim que baixar a poeira da publicidade que envolve o seu ato. Como a ameaçou o pessoal da loja de motos, o que a forçou a registrar Boletim de Ocorrência na delegacia do bairro, “Você não sabe do que somos capazes! Você tem certeza que quer essa incomodação para o resto dos seus dias?”

 

 

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA  CATARINENSE DE  LETRAS

TAINHA: No alto de morro na Barra da Lagoa, olheiros têm papel importante na captura da tainha / ilha de santa catarina.sc

Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Olheiros têm papel importante na captura da tainha  Caio Marcelo/Agencia RBS

Seo Diquinho (E) conta causos enquanto observaFoto: Caio Marcelo / Agencia RBS
Sâmia Frantz

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: “vem vindo tainha aí, minha gente!”.

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.

Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da “bagunça”:

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.

Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida – geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.

Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!

Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico – alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

senador AGRIPINO MAIA, presidente do DEM, arauto da moralidade, É ACUSADO de receber propina (de R$1.000.000,00) no Rio Grande do Norte

Testemunha acusa Agripino Maia de receber propina

Leandro Fortes
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O senador Agripino Maia, presidente do DEM, é acusado de receber 1 milhão de reais do esquema. Foto: Válter Campanato / Agência Brasil

Há pouco mais de um mês, em 2 de abril, um grupo de seis jovens promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte organizou uma sessão secreta para ouvir um lobista de São José do Rio Preto (SP), Alcides Fernandes Barbosa, ansioso por um acordo que o tirasse da cadeia. Ele foi preso com outras nove pessoas, em 24 de novembro de 2011, durante a Operação Sinal Fechado, que teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por empresários  e políticos locais com a intenção de dominar o serviço de inspeção veicular no estado por 20 anos. A quadrilha pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais com o negócio. Revelado, agora, em primeira mão, por CartaCapital, o depoimento de Barbosa aponta a participação do senador Agripino Maia, presidente do DEM, acusado de receber 1 milhão de reais do esquema.

O depoimento de Barbosa durou 11 horas e reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pelo advogado George Olímpio, apontado como líder da quadrilha, ainda hoje preso em Natal. De acordo com trechos da delação, gravada em vídeo, Barbosa afirma ter sido chamado, no fim de 2010, para um coquetel na casa do senador Agripino Maia, segundo disse aos promotores, para conhecer pessoalmente o presidente do DEM. O convite foi feito por João Faustino Neto, ex-deputado, ex-senador e atual suplente de Agripino Maia no Senado Federal. Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por conta da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o outro apenas como “Clóvis” – provavelmente, de acordo com o MP, o também tucano Clóvis Carvalho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso no estado, Faustino Neto foi subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão do tucano José Serra. Na época, era subordinado a Aloysio Nunes Ferreira.

De acordo com os promotores, o papel de Barbosa na quadrilha era evitar que a Controlar, uma empresa com contratos na prefeitura de São Paulo, participasse da licitação que resultou na escolha do Consórcio Inspar. Em conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça potiguar, Barbosa revela ter ligado para o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em 25 de maio de 2011, quando se identificou como responsável pela concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Aos interlocutores, o lobista garantiu ter falado com o prefeito paulistano e conseguido evitar a entrada da Controlar na concorrência aberta pelo Detran local. Em um dos telefonemas, afirma ter tido uma conversa “muito boa”. Embora não se saiba o que isso significa exatamente, os promotores desconfiam das razões desse êxito. Apenas em propinas, o MP calcula que a quadrilha gastou nos últimos dois anos, cerca de 3,5 milhões de reais.


Aos promotores, Alcides Barbosa revelou que foi levado ao “sótão” do apartamento do senador Agripino Maia, em Natal, onde garante ter presenciado o advogado Olímpio negociar com o senador apoio financeiro à campanha de 2010. Na presença de Faustino Neto e Barbosa, diz o lobista, George prometeu 1 milhão de reais para o presidente do DEM. O pagamento, segundo o combinado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Agripino Maia, o ex-senador José Bezerra Júnior, conhecido por “Ximbica”. De acordo com Barbosa, Agripino Maia queria o dinheiro na hora, mas Olímpio afirmou que só poderia iniciar o pagamento das parcelas a partir de janeiro de 2012.

O depoimento reforça um outro, do empreiteiro potiguar José Gilmar de Carvalho Lopes, dono da construtora Montana e, por isso mesmo, conhecido por Gilmar da Montana. Preso em novembro de 2011, o empreiteiro prestou depoimento ao Ministério Público e revelou que o tal repasse de 1 milhão de reais de Olímpio para Agripino Maia era “fruto do desvio de recursos públicos” do Detran do Rio Grande do Norte. O empresário contou história semelhante à de Barbosa. Segundo ele, Olímpio deu o dinheiro “de forma parcelada” na campanha eleitoral de 2010 a Carlos Augusto Rosado, marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), e para o senador Agripino Maia. E mais: a doação foi acertada “no sótão do apartamento de José Agripino Maia em Morro Branco (bairro nobre de Natal)”.

Com base em ambos os depoimentos, o Ministério Público do Rio Grande do Norte decidiu encaminhar o assunto à Procuradoria Geral da República, pelo fato de Agripino Maia e ser senador da República, tem direito a foro privilegiado. Lá, o procurador-geral Roberto Gurgel irá decidir se uma investigação será aberta ou não.

O depoimento de Barbosa (foto) reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pela quadrilha.,

Procurado por CartaCapital, o senador Agripino Maia negou todas as acusações. Afirma que nunca houve o referido coquetel no apartamento dele, muito menos repasse de 1 milhão de reais das mãos da quadrilha para sua campanha eleitoral, em 2010. Negou até possuir um sótão em casa. “Sótão é aquela coisinha que a gente sobe por uma escadinha. No meu apartamento eu tenho é uma cobertura”, explicou. Agripino Maia afirma ser vítima de uma armação de adversários políticos e se apóia em outro depoimento de Gilmar da Montana, onde ela nega ter participado do coquetel na casa do senador.

De fato, dias depois de o depoimento do empreiteiro ter vazado na mídia, no final de março passado, o advogado José Luiz Carlos de Lima, contratado posteriormente à prisão de Gilmar da Montana, apareceu com outra versão. Segundo Lima, houve “distorções” das declarações do empresário. De acordo com o advogado, o depoimento de Montana, prestado a dois promotores e uma advogada dentro do Ministério Público, ocorreu em condições “de absoluto estresse emocional e debilidade física” do acusado, que estaria sob efeito de remédios tranquilizantes. No MP potiguar, a versão não é levada a sério.

PRESIDENTA DILMA: Um dia de desagravo a VARGAS, JANGO e BRIZOLA

DILMA põe a máquina, de volta, aos trilhos da história e Fernando Henrique Cardoso sai dos trilhos envergonhado. A história é implacável.

Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas. Foi generosamente elogiado pelas corporações midiáticas, saudado pelos bancos, aplaudido pelo capital estrangeiro, incensado, enfim, pelo dinheiro grosso e seus áulicos de escrita fina.

Era preciso sedimentar o estigma maniqueísta para legitimar o projeto conservador. Foi o que se fez e ainda se faz. Não escapa ao observador atento a entrevista ‘oportuna’ de FHC à Folha esta semana para advertir a Presidenta em corajosa ofensiva contra os bancos para a redução dos juros.”Vá devagar, não se brinca (sic) com o mercado financeiro”, protestou o tucano. É coerente. Pelos quase dez anos seguintes seu governo negociaria barato o patrimônio público construído, na verdade, por décadas de lutas de toda a sociedade brasileira. A nova referência autossuficiente da economia, da sociedade e da história seriam os livres mercados –sobretudo o capital especulativo que não presta contas a ninguém.
Inclua-se nesse arremate a Vale do Rio Doce, mas também algo de incomensurável importância simbólica: a auto-estima da população, seu discernimento sobre quem tem o direito e a competência para comandar o destino de uma sociedade e do desenvolvimento. Entorpecida a golpes do tacape midiático, essa consciência seria desqualificada para a entronização dos ‘mercados desregulados’ como o portador autossuficiente do futuro e da eficiência. Em suma, era a vez do ‘Brasil não caipira’.

Três vitórias seguidas do PT resumem o escrutínio da população sobre os resultados desse ciclo de desmonte da esfera pública, endividamento da Nação e depreciação da cidadania em dimensões profundas, talvez ainda não suficientemente avaliadas; por certo, não superadas em suas usinas realimentadoras.

Seria preciso, porém, uma crise capitalista igual ou pior que a de 1929 para sacudir de vez a inércia ideológica e o interdito histórico que recusavam admitir nas conquistas sociais e econômicas do ciclo iniciado em 2003, um fio de continuidade com tudo aquilo antes execrado e sepultado como anacrônico e populista.

Lula cutucou-os não poucas vezes; no fígado da intolerância histórica em certas ocasiões , como quando anunciou a autossuficiência do petróleo em 2006, e disse: ” a seta do tempo não se quebrou”. E o demonstraria na prática pouco depois, com a regulação soberana do pré-sal, fazendo das encomendas da Petrobrás uma alavanca industrializante capaz de fixar um novo divisor produtivo.

Conquistas acumuladas em décadas de luta pelo desenvolvimento seriam assim resgatadas de um reducionismo a-histórico, desmentido nos seus próprios termos pelo colapso planetário das premissas esfareladas na crise de 2008.

Coube nesta 5ª feira à Presidenta Dilma Roussef acrescentar a essa espiral dialética um discurso pedagógico. Na cerimônia de posse do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, nomes e agendas que a soberba conservadora se propôs um dia a banir da história brasileira, retornaram com orgulho e reconhecimento à narrativa de um governo soberano que, desde 2003, com tropeços e hesitações, aos poucos se liberta daqueles que ainda evocam o direito de cercear o passo seguinte da história brasileira. Esse tempo acabou e Dilma,ontem, fez do seu réquiem um desagravo à história da luta pelo desenvolvimento.Palavras da Presidenta Dilma Rousseff:

“O desemprego no Brasil está hoje nos mais baixos patamares de nossa história – 6,5% em março. Trata-se de um contraste gritante(…) o mundo perdeu 50 milhões de vagas formais de emprego, pulverizadas pela crise econômica, por políticas de austeridade exagerada, pela redução de direitos e precarização da legislação trabalhista. Nós navegamos na contramão dessa tendência (…)

A partir do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma mudança (…) Nós mudamos a nossa forma de conceber o desenvolvimento e definimos um processo de desenvolvimento com inclusão social (…) Somente nesses últimos 15 meses do meu governo, nós geramos 2 milhões e 440 mil empregos formais (…)

É assim, muito significativa, a circunstância que traz ao cargo de ministro um jovem que representa, inclusive, no sobrenome Brizola, uma história de mais de meio século de lutas sociais, de defesa do interesse nacional e de conquistas de direitos por parte dos trabalhadores brasileiros. Não bastasse levar o sobrenome Brizola, o novo ministro do Trabalho carrega consigo a história do seu tio-avô João Goulart, ex-presidente da República. Em 1953 – vejam os senhores que coincidência -, também aos 34 anos, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas. Foi Jango quem deu à pasta do Trabalho grande peso político e grande dimensão.

Assim, nomear como ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola Neto reforça, em meu governo, é o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país” (Presidenta Dilma na posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto).

 

C. MAIOR.

O poeta MANOEL de ANDRADE escreve sobre sua resistente viagem pela América Latina no livro: “O BARDO ERRANTE” / curitiba.pr

Na década de 60 tudo estava no ar e bastava o compromisso de sonhar para que os caminhos se abrissem magicamente. Contudo nem todas as portas da realidade se abriram aos ideais e nem todos os visionários que lutaram por uma nova sociedade conseguiram sobreviver às suas trincheiras. O poeta Manoel de Andrade trilhou esse venturoso tempo pelos caminhos da América Latina, identificado com a história e as bandeiras revolucionárias desfraldadas pelo continente. Neste artigo ele faz uma reflexão sobre os sentimentos e as emoções que marcaram a agenda daqueles anos, dizendo da ventura de ter sido jovem nesse tempo e do desencanto de ver, atualmente,  as utopias desterradas. Fala-nos da trágica herança dos nossos dias, de um mundo sem norte, sem porto e de um tempo marcado pela perplexidade e os pressentimentos. Contudo, nesse impasse,  sua alma de poeta não abdica de sonhar, imaginando que a misteriosa dialética do  tempo nos reconduza a um amanhecer , aos territórios  da esperança e a um mundo possível e melhor.

 

 

 

NOS RASTROS DA UTOPIA (*)… (capitulo)

 

                                                              Manoel de Andrade

 

                                                                                                            Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

                                                                                                                   Mário Quintana

 

Eram os últimos dias de 1969 e, nas conversas em Lima, discutíamos a herança que recebéramos dos “anos rebeldes”. A década de 60 se iniciara com um exército murando a liberdade de Berlím, mas terminara com três astronautas abrindo os caminhos do universo. Naqueles anos o mundo comovera-se com a mensagem de paz e de amor, na imagem sacrificada de Martin Luther King, e conhecera o real significado da resistência, na figura irretocável de Ho Chi Minh. A revolta de Nanterre mobilizara os estudantes do mundo inteiro e, ao longo do
continente, aportávamos em 1970 na crista de uma poderosa onda libertária, cujas espumas espraiavam o exemplo de Che Guevara. Vivíamos num tempo sem liberalismo e sem globalização e Cuba surgia como uma alternativa socialista e referência da luta revolucionária. O mundo era uma alquimia de ideias e a América Latina seu melhor laboratório. A nova história, no contexto continental, era a de uma só nação, de um só povo, latino e “indo-americano”  — na expressão de Mariátegui. A esperança era uma bandeira hasteada no coração de todos os que ousavam sonhar com uma sociedade justa e fraterna, fossem eles um guerrilheiro, um intelectual engajado ou integrasse uma vanguarda estudantil. Nossa ancestralidade cultural – manchada pela violência colonial e por tantos mártires na memória sangrenta de cinco séculos – era redescoberta como uma fonte trazendo novas águas para interpretar a história. Nossos sonhos navegavam no misterioso veleiro do tempo, enfunado pelos ventos da fé revolucionária, carregado de hinos e canções libertárias, levando a mãe-terra e as sementes para os deserdados, carregado com as emoções e o encanto da solidariedade e rumando à sociedade que sonhávamos.

Nós, os poetas, expressávamo-nos pelos líricos rastros dessa ansiada utopia, cantando as primícias de um novo mundo e pressentindo as luzes daquele imenso amanhecer. Transitávamos na rota das estrelas, em busca de um porto no horizonte, em busca de um homem novo, de uma terra prometida a ser entrevista nos primeiros clarões da madrugada. Havia uma perseverante certeza no amanhã e muitos caíram lutando com essa crença tatuada na alma, embora os sobreviventes nunca tenham chegado a contemplar essa alvorada.

Nos anos 60, ser jovem significava estar comprometido com uma fé, com uma causa social e, naqueles passos da história, era um desconforto, perante o grupo, não ter um engajamento político e, pior ainda, ser de “direita”. Na juventude daqueles anos, ser um “reacionário” era um estigma. Essa era a palavra com que nós, da “esquerda”, desfazíamos ideologicamente os adversários da “direita” e até os dogmáticos do Partidão, por quem éramos chamados de revisionistas. Por outro lado, falava-se de um “Poder Jovem”. Mas que “poder jovem” era aquele, maquiado com a credibilidade das filosofias orientais se esse poder não estivesse comprometido com o significado social da liberdade e da justiça? A ideologia marxista não nos permitia confundir os ideais inconsequentes da contracultura com o ideário daqueles que estavam dispostos a dar a vida pela construção de uma nova sociedade. Era como se houvesse, na América Latina, duas Mecas para a juventude: uma em Berkeley e outra em Cuba.

Se a palavra “esquerda”, perante as benesses do poder, foi perdendo sua transparência ideológica, é imprescindível não se perder o significado histórico dessa dicotomia, já que na sua origem, durante a Revolução Francesa, o clero e a nobreza ficavam à direita do rei e os representantes do povo a sua esquerda. Passados duzentos e vinte anos, todos sabemos qual o lado que continua defendendo as causas sociais. Os princípios são intocáveis mas não as ideias. É razoável, portanto, que possamos resignificá-las redefinindo as cores de nossa antiga bandeira, assim como reconhecer os equívocos e os defeitos congênitos da propria  “esquerda”.

          Os anos 60, ricos pela geração de novas teses sociais, por filosofias que apontavam para o progresso das relações humanas, não mostrariam, no gosto amargo dos frutos, o doce sabor semeado pela esperança. Os grandes sonhos políticos foram desmobilizados por interesses ideológicos equivocados, pelo oportunismo eleitoral e pela sedução do poder. Os sonhos alimentados pela contracultura, inicialmente legitimados pelas postulações contra os males do capitalismo, perderam-se nas perigosas síndromes da ilusão propiciada pelas drogas, pelos desencantos da sexualidade e pela posterior dependência de tecnologias alienantes. Sonhos e esperanças  acabaram desaguando neste inquietante “mar de sargaços” em que se transformou o mundo, onde navegam os corsários da ambição e da crueldade.

          Mas também havia jovens que não vivenciaram essa sublime  emoção de indignar-se com as injustiças. Naqueles anos, numa outra linha de reações,  uma elitizada coluna de jovens marchava contra  tudo pelo que lutávamos. Conheci essas sinistras figuras nas ruas de Curitiba. Porta-vozes da alta hierarquia da Igreja, desfilavam altaneiras, com seus paramentos medievais, nos primeiros anos da ditadura no Brasil, defendendo o regime militar e os interesses conservadores da oligarquia que representavam com os estandartes da “Tradição, Família e Propriedade”. Vi também seus parceiros, no Chile, liderados por Maximiano Griffin Ríos, em 1969, durante o governo de Eduardo Frei, portando, nos panos ao vento com o emblema da “Fiducia”, o ódio social, o ressentimento contra um cristianismo que abraçava as causas populares e, sobretudo, plantando as sementes da conspiração que derrubaria, com outros aliados sanguinários, o governo legítimo de Salvador Allende.

          A partir da década de70 aascensão do capitalismo financeiro, sob o disfarce de globalização, começou a estender as suas redes e a ganhar, com armas invencíveis, essa nova e imensa guerra mundial, avançando com sua voracidade, desterrando os valores humanos, gerando multidões de excluídos,  triturando nossas utopias, transformando o planeta num supermercado e descaracterizando a própria  cultura com atraentes modelos de um consumismo supérfluo e descartável.

Ainda que haja, no Brasil, muitos jovens “conectados”, preocupados com a ética, com as fronteiras alarmantes da corrupção, com a redenção ambiental e com belos projetos comunitários, toda aquela geração foi vítima da nova ordem social imposta ao longo dos vinte e um anos de ditadura militar, sendo induzida a “educar-se” pela cartilha da Educação Moral e Cívica, focada na obediência, passividade, no anti-comunismo e num patrioterismo doentio. Vítimas de todo um processo subliminar de moldagem comportamental, os jovens que abdicaram da consciência crítica foram transformados em meros consumidores.  Formam parte da juventude apressada dos nossos dias, descomprometida com os problemas sociais, imediatista, avessos à leitura,  ou derrotada pelo vício. Essa é a face trágica de um segmento da juventude contemporânea: jovens como meras marionetes de um mercado global de ilusões, aculturados pelas novas midias, homogeneizados desde os primeiros anos para consumir, abdicando quase sempre da análise dos fatos e do estágio promissor da cidadania.

          Os precursores involuntários da pós-modernidade – leia-se Nietzsche e Heidegger – e os seus mais ilustres ideólogos, na filosofia e na arte, aliaram-se ao trabalho posterior de demolição comandado pela globalização. Reagindo aos paradigmas orgulhosos e dogmáticos da ciência mecanicista do século XIX, os intelectuais niilistas apostaram na reação generalizada da descrença nos valores humanos, desconstruindo o significado da verdade, da beleza e da transcendência do humanismo na tradição ocidental; anunciando uma liberdade sem a noção do dever; desrespeitando os arquétipos da religiosidade; desqualificando a história; invertendo a estética da arte ao despojá-la da estesia e do encanto  – (e se há algum mérito nos exageros da arte moderna é o de retratar o perfil catastrófico do mundo contemporâneo); retirando a melodia da música,  proclamando a irreverência  e ironizando os ideais e o significado da utopia. Sobre esse termo, tão desfigurado em nossos dias, certa vez estudantes colombianos fizeram ao celebrado cineasta argentino Fernando Birri, a seguinte pergunta: Para que serve a utopia? Ele respondeu que a utopia é como a linha do horizonte, está sempre a nossa frente e por isso nunca podemos alcançá-la. Se andamos dez, vinte, cem passos, ela sempre estará adiante de nós. Se a buscamos, ela se afasta. Para que serve a utopia? perguntou ele, respondendo: Para fazer-nos caminhar…

 

Embora  quase tudo tenha sido desconstruído, nossos ideais desterrados e a globalização já não nos deixe sonhar e nos insinue a esquecer, é imprescindível acreditar que há uma Fênix entre as cinzas que restaram do mundo pelo qual lutamos. Não abdicamos da esperança, mas reconhecemos que nosso veleiro soçobrou e que seus restos foram bater nas praias melancólicas desses anos. Sobrevivemos quais náufragos num mar de ultrajes e decepções, junto com os destroços das grandes ideologias e com as cruéis aberrações que envergonharam os nossos sonhos ao vermos  o marxismo dogmatizado pelo stalinismo e ao compreendermos porque murchava a “Primavera de Praga”. Sobrevivemos nas lágrimas derramadas sobre as páginas d’O Arquipélago Gulag,  no desencanto de saber a beleza da utopia hegeliana invertida pelo totalitarismo nazista e o conhecimento científico manchado pela explosão atômica.

A contracultura, a pós-modernidade, a globalização e a destruição ambiental, são os novos cavaleiros do mundo apocalíptico que recebemos. Dessas quatro patéticas “figuras”, as três primeiras causaram efeitos desastrosos sobre a cultura – e lá na região andina, minha nova escola naqueles anos, a globalização insinuaria o esquecimento da história e da cultura deparando-se com a luta dos peruanos ante a herança quéchua e a resistência inquebrantável dos bolivianos pela manutenção da cultura aymara  –  e as duas últimas sobre os rumos futuros da humanidade.

Não herdamos somente a decepção, mas uma crônica indignação a despeito de qualquer otimismo. Hoje somos, tão somente, seres comprados nesse grande shopping de negócios e aparências em que se transformou o mundo, herdeiros impotentes de um sonho, vivendo num mundo alienante, distópico e devorado pelas fauces da globalização.

Anos 60 — que ventura ter sido jovem naquele tempo! Lá a realidade estava a poucos passos dos ideais.

Século XXI  — que estranha transição! Para onde vamos? Sem norte, sem porto, sem um amanhecer! Quanta perplexidade, quantos pressentimentos!  Haverá outro mundo, melhor e possível? Sem crueldade, estupidez e promessas mentirosas? São perguntas plurais que pedem respostas plurais. Essa é uma transição sombria balizada pela desventura e o desencanto. É um tempo de antíteses. Esperamos que o próprio Tempo, com sua misteriosa dialética, traga-nos uma regenerada síntese. Nesse impasse restam-nos, contudo, os territórios invioláveis da imaginação e da esperança e para mim um pouco mais: a transcendência, e a grata introspecção nessas memórias.

(*) Este texto é parte de livro que o autor está escrevendo sobre seus anos de auto-exílio, na América Latina.

revista Hispanista.

DILMA: Aprovação ao seu governo bate recorde e vai a 64%, diz Datafolha / sãopaulo.sp

22/04/2012 08h52 – Atualizado em 22/04/2012 08h53

Pesquisa mostrou que maioria prefere ver Lula candidato do PT em 2014.
Comparação mostrou que para 57% dos eleitores Dilma é igual a Lula.

Do G1, em Brasília

Após um ano e três meses de duração, o governo da presidente Dilma Rousseff obteve aprovação recorde de 64% dos eleitores, que o consideram bom ou ótimo, mostra pesquisa Datafolha publicada na edição deste domingo pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Outros 29% consideraram a gestão regular e apenas 5% acharam o governo ruim ou péssimo.

A série histórica das pesquisas do instituto revela que a avaliação do governo Dilma melhorou. No levantamento anterior, de janeiro, a gestão era aprovada por 59%, considerada regular por 33% e ruim ou péssima por 6% do universo pesquisado.

Os índices revelam a melhor avaliação obtida por um presidente no período considerado. Com um ano e três meses de mandato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha o governo aprovado por 30% e Luiz Inácio Lula da Silva por 38%.

Apesar da aprovação recorde de Dilma, um novo dado da pesquisa revela que a maioria dos eleitores consultados prefere que em 2014 o candidato do PT seja Lula. Para 57%, o ex-presidente deve voltar a concorrer nas próximas eleições presidenciais pelo partido, contra 32% que preferem que sua sucessora concorra à reeleição. Para 6%, o candidato petista não deveria ser nenhum dos dois e 5% não souberam responder.

A comparação entre os dois governos mostrou que para 57% dos eleitores, Dilma é igual a Lula. Para 21%, Dilma é pior que Lula; 20% acham Dilma melhor que Lula; e 2% não sabem.

A pesquisa foi realizada nos dias 18 e 19 de abril e ouviu 2.558 pessoas em 161 municípios de todos os estados e Distrito Federal. A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Dilma estabelece ‘padrão mundial contra a corrupção’, afirma Hillary Clinton

Secretária de Estado dos EUA fez comentário na conferência da Parceria para o Governo Aberto

17 de abril de 2012 | 12h 12
 Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

BRASÍLIA – A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff está estabelecendo um “padrão mundial” na questão de transparência e luta contra a corrupção. O comentário foi durante a abertura da Primeira Conferência Anual de Alto Nível da Parceria Para Governo Aberto, que está sendo realizado em Brasília.


'Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil', disse Hillary  - Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil
Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil
‘Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil’, disse Hillary

 

 

A Open Government Partnership (OGP), ou Parceria do Governo Aberto, foi lançada em setembro passado nos Estados Unidos como um esforço conjunto na luta contra a corrupção e na promoção de transparência na gestão pública. O Brasil e os Estados Unidos lideram a iniciativa.

 

“Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil e, particularmente, a presidente (Dilma) Rousseff. O compromisso dela com abertura, transparência, sua luta contra a corrupção está estabelecendo um padrão mundial”, disse Hillary.

 

De acordo com a secretária de Estado norte-americana, os Estados Unidos estão orgulhosos com a parceria e querem mantê-la para garantir que o século XXI seja uma era de “transparência, democracia e resultados para pessoas de todos os lugares”.

 

Para Hillary, a corrupção “mata o potencial de um país, drena recursos, protege pessoas desonestas”. “Uma das mais significantes divisões não são entre norte, sul, leste, oeste, religiosas ou de outras categorias. Estamos falando de sociedades abertas e fechadas. Aqueles governos que se escondem da opinião pública vão encontrar dificuldades crescentes”, afirmou.

 

Para o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, “todos se deram conta de que, quanto maior a abertura de informações ao escrutínio público, maior será a eficiência dos serviços públicos”. “Não há melhor desinfetante que a luz do sol”, disse Hage, que também discursou no evento.

Executivo da Marcopolo é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff – por silvana toazza / ZH / porto alegre.rs

José Antônio Fernandes Martins ajudou a moldar o pacote de estímulo à indústria

Executivo da Marcopolo é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff Maicon Damasceno/Agencia RBS

Martins tem longa amizade com a presidente do paísFoto: Maicon Damasceno / Agencia RBS

Um articulador, um interlocutor e um conciliador. Mais do que palavras parecidas, elas definem José Antonio Fernandes Martins, executivo da Marcopolo escalado pela presidente Dilma Rousseff para ajudar a moldar o pacote de estímulo à indústria lançado na última terça-feira.

Não foi, portanto, uma coincidência que setores importantes da Serra, como o de fabricantes de ônibus, tenham sido contemplados com as medidas de desoneração da folha de pagamento e de redução de juros para aporte em inovação.

Grande mérito de Martins, a quem Caxias vê como seu porta-voz junto ao Planalto, num momento em que a palavra desindustrialização assombra a economia. O prestígio e a responsabilidade estão à altura dos cargos que Martins ocupa.

É presidente de três entidades: da Associação do Aço do Estado, da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) e do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre).

Também é vice-presidente de Relações Institucionais da Marcopolo, da Federação das Indústrias do RS (Fiergs) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Isso só para citar os cargos mais representativos, sendo que a última função demonstra um grande reconhecimento nacional, uma vez que a Marcopolo não possui planta fabril em São Paulo.

Martins, junto com Jorge Gerdau e Paulo Tigre, é um dos três industriais gaúchos a ter credencial para sentar na mesa da presidente e expor suas reivindicações. Esteve em Brasília na terça-feira passada durante o anúncio do pacote. Tem um canal aberto com Dilma. E não é de hoje: conhece-a há cerca de 20 anos e começou a estreitar os laços desde quando ela era secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.

Como ministra-chefe da Casa Civil, Dilma ligou diretamente para o celular de Martins em pelo menos duas oportunidades: para consultá-lo sobre o programa de ônibus escolar e para convidá-lo a integrar o conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

— É um patrimônio essa relação de amizade. Mas eu nunca me aproveitei dessa situação, muito menos agora que ela é presidente. Só quando era candidata a presidente é que a pressionei, no bom sentido, a vir a Caxias e visitar a Marcopolo, conhecer nossa empresa — recorda, acrescentando que é convocado para os encontros em Brasília por meio de e-mails assinados pela presidente.

Com perfil afável, sorriso fácil e um discurso sereno, o vice-presidente para assuntos institucionais da Marcopolo conseguiu convencer a presidente, mostrando por “a mais b” que o ramo de ônibus tem uma importância estratégica brutal para o país. Engatou, com isso, avanços significativos para o setor, refletidos na redução de juros e na ampliação do prazo de pagamento do crédito, a  ponto de Dilma perguntar na terça:

— Está satisfeito, Martins?
— Muito! — apressou-se.

O Pioneiro fez a mesma pergunta, e ouviu de resposta:
— Esse pacote busca a continuidade de um crescimento sustentável das empresas nacionais contra os ataques que sofremos da economia mundial. Mas, claro, não vai resolver tudo. É o início. É uma demonstração que o governo federal está dando no sentido de recompor e melhorar a competitividade das nossas empresas.

Com seu jeito conciliador, Martins transita com desenvoltura tanto no ambiente de sindicalistas quanto por gabinetes de ministros, deputados, senadores, secretários, governador e presidente (muitos, amigos pessoais dele), carregando os pedidos de melhoria ao setor de transporte. Resultado: foi escolhido para o time de “conselheiros” de Dilma como um dos 28 jogadores que mais entendem do campo econômico e empresarial do país.

— Eu era até certo ponto um grão de areia perto da montanha rochosa do PIB brasileiro — sintetiza, modestamente, lembrando que nos encontros no Palácio do Planalto ficou lado a lado de grandes nomes do setor de empreiteiras, de bancos, da aviação.

Na última semana, sentou ao lado de Eike Batista, empresáriomais rico da América do Sul. Para Caxias, no entanto, Martins representa o oceano de oportunidadese perspectivas de uma região que soube se projetar no mundo e hoje é o segundo maior polo metalmecânico do país.

Com 79 anos a serem completados no dia 21 de abril, José Antonio Fernandes Martins não aparenta nem de longe a idade que tem. Exibe com orgulho as medalhas como corredor de longa distância. Participou de maratonas em São Paulo, Porto Alegre e Blumenau, fato que lhe trouxe no passado problemas na coluna e a necessidade de uma cirurgia.

De 1982 até 1995, chegava a correr 16 quilômetros por dia. Em uma única prova, atingiu 43 quilômetros, em quatro horas e vinte minutos. Afastado da maratona de corridas (embora continue maratonista de aeroporto e na defesa de setores econômicos), o engenheiro montou uma academia em casa. Sempre que pode, exercita-se duas horas por dia para não perder o pique.

Também é adepto da medicina ortomolecular. Conheceu praticamente o mundo quando trabalhava com afinco no processo de internacionalização da Marcopolo.

Hoje, em compensação, faz questão de não viajar ao Exterior para compromissos de trabalho. Os xodós da casa são o trio de cadelas: a Âmbar (poodle), a Chanel (poodle gigante que parece uma ovelha) e a Lica (boxer). Tem dois filhos, Bebeto (empresário) e Zeca (jornalista, com atuação junto ao governo), três netas e um neto.
Seu Martins tenta reunir a família em almoços e jantares, mas admite que a agenda às vezes não ajuda.

Mas, como conciliador, consegue administrar as múltiplas tarefas, sempre com tranquilidade, fala pausada e bom humor. Assim, com seu  jeito cortês, ganhou a simpatia da presidente, a ponto de lhe perguntar na visita que fez ao estande da Marcopolo, durante a abertura da Festa da Uva 2012, em fevereiro:

— Seu Martins, se recuperou da cirurgia do coração? — numa preocupação que vai além de números.

Ele diz que passou um mês em ritmo lento, mas agora já retomou sua antiga boa forma. Engana-se quem pensa que José Antonio Fernandes Martins tem um bom trânsito apenas com alas oficiais.

Assim como é amigo de grandes nomes ocupantes de cargos dos governos federal e estadual e tem boa relação com entidades de classe e órgãos institucionais, também demonstra habilidade para se comunicar com sindicalistas. Consegue dialogar com lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), resolvendo impasses e buscando formas de empresas e funcionários crescerem juntos. Como se dá esse trânsito por alas com interesses conflituosos?

— Eu aprendi uma coisa muito cedo na minha vida: eu não brigo com ninguém, porque você nunca sabe de quem vai precisar e quem estará sentado na cadeira amanhã.
Eu me dou bem com o PT, o (José) Serra de São Paulo é meu amigo, assim como o Geraldo Alckmin (governador de São Paulo). Já fui a Dubai com os dois. A vida não tem partido político bom ou ruim. Você tem de buscar as melhores condições para o seu setor — aconselha, dando uma pista do temperamento amistoso.

Porto-alegrense de nascimento, Seu Martins tem como hobby colecionar obras de arte. Sabe contemplar o que é belo. E não apenas por intuição ou por vaidade. Dedica-se com desenvoltura a ler (ou melhor, estudar, como define) livros sobre arte, vinhos e economia, áreas com as quais trava bastante afinidade.

Seu escritório em casa é recheado de publicações sobre os três temas. Mandou catalogar, em formato de livro, todos os quadros que, junto com a mulher Hieldis Severo Martins, garimpa em antiquários, galerias e por meio de contatos com colecionadores.
Orgulha-se das peças raras que possui e prestigia pintores brasileiros (inclusive de Caxias e região), como Iberê Camargo, Sergio Lopes, Heitor dos Prazeres, Victor Hugo
Porto, Beatriz Balen Susin, Di Cavalcanti, Celestino Machado e Britto Velho.
Em sua casa, para onde quer que se olhe, há um detalhe a espreitar a curiosidade e enlevar o espírito.

O bom gosto é expresso em obras de arte como quadros, esculturas, móveis, prataria e pequenos objetos raros de decoração garimpados em antiquários, galerias e pelas viagens ao redor do mundo. A impressão é de se estar circulando por uma galeria. Uma casa inteira ornamentada com uma primorosa coleção de arte, inclusive o elevador.

— Eu prefiro investir em arte do que em imóveis e terrenos. Arte é uma coisa que você aproveita, curte, embeleza, alegra. Mas para curtir, você tem de conhecer, ler, estudar — ensina, admitindo que poucos empresários investem nessa área.

Martins e Hieldis também gostam de frequentar amigos e serem frequentados. Nesses momentos, “aos que apreciam e conhecem”, o casal não hesita em brindá-los com vinhos distintos, de lotes raros. Já recebeu em sua casa, para “jantares de cortesia”, o governador Tarso Genro, secretários, políticos e empresários.
Homem de confiança de Dilma, já houve especulação de que Martins teria sido convidado pela presidente para assumir algum cargo no governo, como o de ministro. O empresário, no entanto, nega. Garante que isso não ocorreu, até por ele sempre ter demonstrado que não assumiria um desafio assim:

—Eu nunca tive intenção, vontade e nem disposição para assumir um cargo político. Eu sou homem Marcopolo e acabou. Eu sou mais útil para a empresa (Marcopolo), para a comunidade e para o setor de transporte na posição em que estou, pois tenho liberdade para falar e criticar — argumenta Martins.

O executivo diz que está confiante na sinalização de Dilma de que pretende dar continuidade a esses encontros com o empresariado e que mais medidas de impulso à economia devem estar a caminho, abrangendo outros setores. E já aponta, com conhecimento de causa, lacunas que o setor industrial apresenta:

— Carga tributária próxima aos 40%, uma logística altamente inadequada e cara, um câmbio desfavorável, talvez os maiores juros do mundo, uma energia cara, uma carga de leis sociais absurdamente alta. Isso faz com que o custo Brasil torne-se elevado, deteriorando nosso poder de competição. Tudo isso fez com que o país sofresse um ataque forte das economias internacionais, sobretudo da China, provocando o que chamamos de desindustrialização.

Salman Rushdie: pseudônimo batizará suas memórias / ag. f

O nome falso que Salman Rushdie usou enquanto durou a sentença de morte contra ele vai batizar o livro de memórias do escritor britânico nascido na Índia.

“Joseph Anton” terá lançamento mundial em 18 de setembro. No Brasil, o livro sairá pela Companhia das Letras.

Em 1989, após a publicação do romance “Versos Satânicos”, o aiatolá Khomeini, do Irã, anunciou uma “fatwa”, um decreto religioso que naquele caso estipulava uma sentença de morte, contra o escritor, alegando que o livro blasfemava o islã e o profeta Maomé.

Rushdie viveu por nove anos escondido e sob proteção policial, até que em 1998 o governo do Irã anunciou que não mais incentivaria o cumprimento do decreto religioso.

Segundo a editora Random House, que publicará “Joseph Anton” no Reino Unido, quando passou a viver escondido o romancista escolheu o pseudônimo –exigido pela polícia para dar-lhe proteção– em homenagem a dois de seus escritores prediletos: Joseph Conrad e Anton Tchékhov.

Zsolt Szigetvary/Efe
Escritor Salman Rushdie durante entrevista coletina em Budapeste em novembro de 2007
Escritor Salman Rushdie durante entrevista coletina em Budapeste em novembro de 2007

O ESCRITOR AMILCAR NEVES, colunista do site ‘PALAVRAS,TODAS PALAVRAS’ toma posse na ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS hoje as 19:00

Amilcar Neves toma posse da cadeira 32 da Academia Catarinense de Letras

Prestes a completar 50 anos de carreira literária, ele tem sete livros e meio publicados


o escritor AMILCAR NEVES.

Uma coincidência marca a posse do escritor Amilcar Neves hoje, na condição de membro da Academia Catarinense de Letras. Não é coincidência que precisaria, obrigatoriamente, constar no discurso que preparava ontem para a ocasião. Mas é significativa: no próximo dia 24, ele completa 65 anos de vida. Como começou a escrever aos 15, será empossado no ano em que completa 50 anos de produção literária.Sua atividade não vai ser arrefecida pela condição de imortal das Letras do Estado. Uma conta é curiosa: ele tem sete livros e meio publicados.

— Sem querer copiar o 8 1/2 de Federico Fellini, mas o livro sobre Eduardo Dias (O Tempo de Eduardo Dias —Tragédia em Quatro Tempos), pelo qual tenho carinho especial, é metade do Francisco Pereira — argumenta Amilcar.

Quem sabe até a frequência de lançamentos se intensifique. Já há um novo trabalho bem encaminhado. A filha morou no Bronx, famoso bairro de Nova York, enquanto fazia seus estudos de doutorado. Hospedados na casa dela, o escritor e a mulher passaram três períodos por lá, vivendo um dia a dia normal, se deslocando por metrô e fazendo as compras de casa.

O período serviu para escrever muito. Várias crônicas escritas nos EUA foram publicadas no Diário Catarinense, onde é colunista (assina a crônica da página 3 do Variedades, logo ao virar a página). Da época, há material não publicado.

— Quero juntar tudo em um livro, são textos com uma visão crítica do país. De longe, a gente consegue perceber coisas que aqui não percebemos. Essa é a ideia, ver o Brasil a partir do Bronx. Não vai ser um guia turístico, vai ter um pouco de ficção e de realidade — conta.

Amilcar também quer reeditar uma de suas mais curiosas obras. Trata-se de Pai Sem Computador, uma novela infanto-juvenil de 1993, que teve seis edições e, para o autor, pode ter mais. É uma história que se passa na Ilha, e introduz algo que era mais ou menos novo à época, o computador pessoal. Por conta de nomes técnicos ainda desconhecidos pela maioria dos leitores, tinha muitas notas de rodapé.

— As pessoas têm me pedido para reeditar o livro, que tem um tema sempre interessante. Mas agora, não há mais razão de ter as notas de rodapé. Hoje em dia, nem se usa mais disquete — diz.

Nova posse na semana que vem

Quanto ao assunto Academia, vale destacar que ele assume a cadeira número 32, que pertencia ao escritor e professor Lauro Junkes. A solenidade será amanhã, às 19h, na sede da instituição. Na semana que vem, outro novo membro será empossado na ACL: Gilberto Gerlach, que assume a vaga deixada pela morte do historiador Carlos Humberto Corrêa.

— Não tenho tido contato com a Academia, nem oficialmente. Só começo a receber as informações quando for oficialmente empossado. Mas acho que há muita coisa para ser feita. A tendência entre um grande grupo de membros é trabalhar para abrir mais a estrutura física — opina o novo imortal.

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RENÊ MÜLLER – DC

Demóstenes aposta no STF para esfriar caso e evitar cassação / leandro colon e gabriela guerreiro – brasilia.df

O senador Demóstenes Torres (sem partido) planeja esperar que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise o pedido de anulação dos indícios contra ele nas investigações da Polícia Federal para só então discutir uma eventual renúncia, informa  Leandro Colon e Gabriela Guerreiro.

Senado exonera enteada de Gilmar Mendes de gabinete de Demóstenes
Entenda as suspeitas envolvendo o senador Demóstenes Torres
Ministro da Justiça defende atuação da PF no caso Demóstenes
Chefe de gabinete de Marconi Perillo deixa cargo após revelações
Duro oposicionista, Demóstenes criticou corrupção; relembre

A defesa de Demóstenes afirma que vai entrar hoje com um pedido para que seja anulado o poder de prova das gravações telefônicas que o ligam ao empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal. O senador alega que, por ter foro privilegiado no STF, não poderia ter sido monitorado sem o aval da corte.

Carlos Cecconello – 6.dez.10/Folhapress
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Mendes
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Gilmar Mendes….

Juridicamente, avalia o senador, uma renúncia a esta altura levaria o seu caso para o Tribunal de Justiça de Goiás, onde tem foro como procurador de Justiça. Lá, corre o risco de ter sua prisão pedida, o que hoje ele descarta no âmbito da Procuradoria-Geral da República.

A.FOLHA.

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