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CHICO BUARQUE na campanha da DILMA: “Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai.”

PEDRO BIAL na campanha de DILMA !

 

arte enviada por Marcelo Leite da VISION – publicidade.

“SE UMA MULHER CHEGAR NO HOSPITAL PÚBLICO APÓS O ABORTO O ESTADO CUIDA OU PRENDE?”

A PERGUNTA É ESTA, QUE RESPONDAM TODOS, CRISTÃOS OU NÃO.

MONICA SERRA.

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a ambição do casal é ENORME. veja o “santinho do serra” é o máximo da hipocrisia!

Monica Serra mata criancinha !!

DILMA: ” CHEGA DE AGUENTAR CALADA” / são paulo

DILMA em Aparecida: chega de aguentar calada

 

Dilma diz que Serra subestima as pessoas e afirma que manterá tom contundente do debate


 

APARECIDA (SP) – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta segunda-feira que seu adversário, José Serra (PSDB), tem a mania de subestimar as pessoas e de se achar superior aos outros. (Ênfase minha – PHA)

Após assistir a uma missa na Basílica de Aparecida, a petista comentou o debate da TV Bandeirantes , em que partiu para o ataque direto ao tucano, e deu a entender que o tom deve ser mantido nos próximos confrontos

- Esperavam o quê? Que eu não defendesse as minhas posições? Que eu não apresentasse as minhas propostas? Que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso – declarou.

Domingo, a candidata do PT surpreendeu ao partir para o ataque contra Serra no primeiro debate da campanha presidencial do segundo turno, insistindo na discussão das privatizações e no que chamou de campanha caluniosa patrocinada pelo tucano.

- Eu sempre me recusei a baixar o nível do debate… eu passei quase três meses sendo acusada da quebra de sigilo fiscal e hoje está claro que quem quebrou o sigilo fiscal foi um esquema mercantilista e corrupto dentro da Fazenda por razões não eleitorais e não políticas – disse.

- Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações, o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos… eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar. Eu não fui na internet e não disse na forma de boato. Estou dizendo de forma aberta – completou a petista, lembrando que a Justiça aceitou abrir processo de crime de difamação contra Serra pelos ataques supostamente feitos a ela.

Dilma negou, no entanto, que tenha sido agressiva no debate e disse que quando há apenas dois debatedores, “as opiniões ficam mais claras”.

- Não sei por que se supõe, quando dizem para mim, que o governo Lula cometeu ‘esse, esse e esse erro’, que se eu retrucar vira ofensa. São dois pesos e duas medidas e isso não é possível. O debate foi de alto nível. Ninguém elevou o tom de voz. Então que qualificação é essa de (que houve) agressividade? Quando a gente é assertivo a respeito das próprias posições, o debate fica mais claro.

Marcelle Ribeiro – og

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ZÉ SERRA e  seus aliados : ARRUDA o chefe do mensalão do DEMO.

na foto troca de idéias ($$$) Daniel fala com a mão na boca para os jornalistas presentes não fazerem leitura labial.

ZÉ SERRA e o ALI BABÁ dos banqueiros, DANIEL DANTAS irmão da  VERÔNICA DANTAS sócia da VERÔNICA SERRA ( filha do zé) que durante o governo de FHC e SERRA ministro do planejamento  “ABRIRAM” 60.000.000 de contas bancárias de brasileiros para negociatas. HÁ UM PROCESSO DESDE ENTÃO, mas o  PIG -PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA não “sabe disso”, abrir as contas do povo “não tem importância” o que não pode é abrir as contas dos LADRÕES do país, eles fazem parte da elite nacional ! DANIEL DANTAS é aquele que foi solto da prisão pelo ministro (ugh) GILMAR MENDES a quem SERRA telefonou às vésperas do primeiro turno para pedir vistas do processo e, assim, atrasar a decisão sobre os documentos para votar. LEMBRAM? o GILMAR MENDES foi colocado no STF pelo FHC! é de cansar!

fotos e textos do site.

PEDRO BIAL sobre Serra e DILMA / são paulo

Carta de Pedro Bial sobre Serra e Dilma

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O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que um filho seu não foge à luta.

Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira.

Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, colocaram o rabinho entre as pernas e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante longo s 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários.

Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.

Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje, possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa.

Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora.

Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010.

Detesto fujões, detesto covardes!

Pedro Bial

jornalista.

enviado por M.C. Almeida.

ELES QUEREM O NOSSO PETRÓLEO – por brizola neto / rio de janeiro

Há dias estou alertando aqui – e o noticiário dos jornais o confirma – que o alvo e o centro do desejo tucano de voltar ao poder está a milhares de metros de profundidade, ao largo do litoral brasileiro.

Eles, que não tiveram força moral ou política para derrotar a retomada do controle brasileiro sobre as jazidas do pré-sal, vão pretender mostrar um “mar de lama” na grande empresa brasileira, embora esta se submeta às mais severas regras de governança corporativa e auditoria.

Como empresa com capital negociado em bolsa, aqui e no Exterior, a Petrobras está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores de São Paulo, no Brasil; da Securities and Exchange Commission e da New York Stock Exchange, nos Estados Unidos; do Latibex da Bolsa de Madri.

Este ano, pela 2ª vez, foi apontada como a empresa mais bem gerenciada da América Latina pela revista Euromoney, de Londres.

Captou US$ 45 bilhões no mercado privado, num aumento de capital de US$ 120 bilhões, para capacitar-se a explorar atenção – a maior jazida de petróleo em propecção hoje no mundo, que é o pré-sal e é, legalmente, a operadora exclusiva da sua extração.

Sobreviveu a Fernando Henrique, embora um retalho de sua propriedade tenha sido entregue e, só a muito custo – político e econômico – foi possível recuperá-lo, parcialmente.

A Petrobras é um sucesso econômico, tecnológico e gerencial. Pergunte a um fornecedor da Petrobras os níveis de exigência da empresa em seus contratos.
Hoje, o EstadãoO Globo iniciaram a ofensiva contra a Petrobras.

Jogam, criminosamente, contra o valor de mercado da mais valiosa empresa brasileira e usam a desvalorização deste patrimônio do povo brasileiro para seus objetivos políticos eleitorais.

Desde o início da semana, em vários blogs, circulam rumores de que a Veja seria a artilharia pesada desta campanha, como o foi na CPI da Petrobras, há mais de um ano, sem que tivessem arranjado mais que alguns grãos de poeira para usar como argumentos.

Eu tenho dito há três dias: aí está o furo da bala.

O que interessa a eles é ter o poder e as condições políticas para entregar o pré-sal, que nos torna uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a quinta ou sexta mais importante do mundo, por enquanto. E há possibilidade de novas descobertas, que já surgem, inclusive, como indícios mais palpáveis nas sondagens.

Todo o resto é cortina de fumaça. E nós não podemos dispersar nossas forças golpeando fumaça.

O discurso e a polêmica têm que se tornar claros para o povo brasileiro: é o petróleo que eles querem.

 

tijolaço.com

Maria Rita Khel demitida do “ESTADÃO”, SERRA segue fazendo vitimas arrastando as trevas com ele

A JORNALISTA FOI DEMITIDA DO JORNAL “O ESTADO DE SÃO PAULO” – o paladino da democracia – EM RAZÃO DESTE ARTIGO:

 

DOIS PESOS

 

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

 

 

SERRA e a calhordice: jogou todas as fichas no aborto – paulo henrique amorim / são paulo


Serra no horário eleitoral (Imagem: Latuff)

O programa de estréia do Serra no horário eleitoral foi a vitória da treva: a exploração do aborto como arma eleitoral.

O resto é bláblárina.

Ele escondeu – de novo – o Fernando Henrique.

E explorou com fúria a “onda” que deu 20% dos votos à Marina – a calhordice do aborto, como diz o Ciro.

Ele é o que o Chalita descreveu.

Ele é o que o Ciro sempre soube: Serra não tem escrúpulos e, se preciso for, passa com um trator por cima da mãe.

Se continuar assim vai ser uma goleada.

A Dilma vai ter muito tempo para provar que o Serra é um manipulador de quinta categoria.

Um Golpista.

A Dilma pensa sobre o aborto o que diz a Constituição: só em caso de estupro ou com risco para a mulher.

O que, aliás, sem o engodo, é a posição do Serra e do Fernando Henrique.

Como sempre disse o Conversa Afiada: a baixaria é última arma do Serra.

Paulo Henrique Amorim
http://www.conversaafiada.com.br/

E A CULTURA GOVERNADOR? por amilcar neves / ilha de santa catarina


Queiramos ou não, gostemos ou não, o senador Raimundo Colombo é o futuro governador de todos os catarinenses, legalmente escolhido em eleições livres e democráticas pelo povo de Santa Catarina.


O senhor Colombo, do DEM, ex-PFL, tem dois padrinhos contraditórios. Um deles é o ex-governador e ex-senador Jorge Konder Bornhausen, cacique nacional do seu partido, eminência parda de uma das agremiações políticas que brotou da ARENA, o suporte civil da ditadura militar brasileira da segunda metade do século XX. Esse é um partido que vive mudando de nome para esconder o que ele sempre foi.


O outro padrinho é o ex-governador e senador eleito Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, um predador do próprio partido em nome de uma aliança que atendesse ao seu projeto político pessoal. Sua agremiação, da qual já foi presidente nacional, sucedeu ao velho MDB, a única oposição política consentida e possível à mesma ditadura. Esse é um partido que mantém o nome para esconder o que ele hoje é.


Se JKB fosse um leitor de Maquiavel (“Engana-se quem acreditar que, nas grandes personagens, os novos benefícios fazem esquecer as antigas injúrias.”), LHS já deveria pôr as barbas de molho. O difícil, porém, é imaginar JKB, LHS e os políticos em geral lendo um livro – por ocupadíssimos que são. Da briga, sobraria um formidável dilema para Colombo.


Mas há outras contradições entre os padrinhos do novo governador. Enquanto Jorge entregou o Centro Integrado de Cultura construído, Luiz o entrega revolvido e desativado por uma reforma que dura mais do que a construção; enquanto Jorge criou o Prêmio Literário Anual Cruz e Sousa, Luiz, assim como os governos anteriores, lança-o uma vez a cada quatro anos, se tanto.


Descobrir o que Colombo pensa sobre Cultura é tarefa ingrata. A matéria é árdua para políticos, seu Programa de Governo não é facilmente encontrável na Internet. Mas isso talvez não faça grande diferença, pois o item pode ter sido sabiamente deixado de lado para evitar confrontos entre os padrinhos. Como se sabe, por pouco LHS não dissolveu a sesquicentenária Biblioteca Pública do Estado.


Porém, como lembra acertadamente o escritor Fábio Brüggemann, é melhor não haver planos do que havê-los megalomaníacos e desastrosos como no atual governo, pois um vazio assim abre a possibilidade de a categoria propor a política pública para a Cultura.

Amilcar Neves é escritor com sete livros de ficção publicados, diversos outros ainda inéditos, participação em 32 coletâneas e 44 premiações em concursos literários no Brasil e no exterior.

DC/06/10/10

“Revista VEJA, agora, esgoto a céu aberto !

os sentimentos e as fezes dos larápios de 450 anos e seus herdeiros acantonados no DEM, PSDB, PTB e outros menos cotados, saem para circular no seio da sociedade brasileira através da Revista VEJA, aquela, conhecidíssima de todos por sua função de esgoto da informação. sai derrotadíssima, para todo o sempre, deste embate entre os interesses do povo brasileiro e os interesses expúrios da pequena elite negocista que até 8 anos atrás “determinava o futuro do nosso país”. agora a DEMOCRACIA e as liberdades plenas começam a se instalar na estrutura social de nossa nação.

Geraldo Vandré Especial // Tudo o que o Grande Mudo da MPB disse na primeira gravação que faz para uma TV depois de décadas (Hoje, ele garante:”Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito”) – por geneton moraes neto / são paulo

O “DECÁLOGO” DE GERALDO VANDRÉ NA PRIMEIRA ENTREVISTA QUE GRAVA PARA A TV DESDE O INÍCIO DOS ANOS SETENTA:

1.”EU ESTOU EXILADO AINDA – ATÉ HOJE, NÃO VOLTEI”

2.”ARTE É CULTURA INÚTIL. CONSEGUI SER MAIS INÚTIL DO QUE QUALQUER ARTISTA.SOU ADVOGADO NUM TEMPO SEM LEI”

3.”PROTESTO É COISA DE QUEM NÃO TEM PODER”

4.”NÃO EXISTE NADA MAIS SUBVERSIVO DO QUE UM SUBDESENVOLVIDO ERUDITO”

5.”NÃO SOU MILITARISTA. TAMBÉM NÃO SOU ANTI”

6.”NÃO TENHO O QUE CORRIGIR EM NADA DO QUE FIZ. TENHO ORGULHO”

7.”RARAMENTE ME ARREPENDO DO QUE FAÇO”

8.”A LOUCURA É A AVIAÇÃO. A MAIOR LOUCURA DO HOMEM É VOAR”

9.”O QUE EXISTE É CULTURA DE MASSA. NÃO É CULTURA ARTÍSTICA BRASILEIRA. NÃO HÁ ESPAÇO PARA A CULTURA ARTÍSTICA”

10.”NUNCA FUI MILITANTE POLÍTICO. NUNCA PERTENCI A NENHUM PARTIDO. NUNCA FUI POLÍTICO PROFISSIONAL”

Um dos mais duradouros silêncios da Música Popular Brasileira foi quebrado num fim de tarde de domingo no Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro.

“Demorou uma eternidade”, mas Geraldo Vandré, o grande mudo da MPB, resolveu falar diante de uma câmera de TV.

Desde que voltou para o Brasil, no segundo semestre de 1973, depois de quatro anos e meio de exílio, Geraldo Vandré mergulhou num mutismo quase absoluto.

O compositor e cantor que entrara para a história da MPB dos anos sessenta como autor de canções como “Disparada” (em parceria de Théo de Barros) e “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores”/Caminhando” , parecia ter se especializado em provocar  espantos em série no público.


Primeiro espanto: numa declaração feita na volta do exílio, anunciou que, a partir dali, só queria fazer “canções de amor e paz”. O Jornal do Brasil registrou outras declarações de Vandré: “Eu desejo, em primeiro lugar, integrar-me à nova realidade brasileira. Isso é um processo que demanda paciência e tranquilidade de espírito – que espero encontrar aqui, nessa nova realidade”.

Segundo espanto: ao contrário do que se esperava, não houve novas canções de “amor e paz”.  Vandré sumiu. Nada de shows, nada de entrevistas, nada de excursões. Nada, nada, nada. Recolheu-se a um país que parece ter um só habitante: o próprio Geraldo Vandré.

O Vandré pós-exílio não lembrava em nada o compositor que arrebatara o público no Festival Internacional da Canção de 1967.  Entoados por Vandré diante de um Maracanãzinho superlotado, os versos de “Caminhando” ( “vem/vamos embora/que esperar não é saber/quem sabe faz a hora/não espera acontecer”) saíram daquele palco para entrar na história: viraram uma espécie de hino de protesto contra o regime militar. Sob uma vaia de fazer tremer as estruturas do ginásio, o júri deu o prêmio à “Sabiá”, a parceria de Chico Buarque com Tom Jobim. Mas o público foi seduzido pelo tom incendiário dos versos de “Caminhando”. Pouco depois, desabava sobre o país o Ato Institucional número 5 – que dava poderes absolutos aos militares. Vandré partiu para o exílio. A música “Caminhando” foi proibida.

O terceiro espanto viria anos depois: para surpresa geral, descobriu-se que Geraldo Vandré compôs uma peça sinfônica em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira. Sim, era verdade. Vandré não apenas compôs a declaração de amor à FAB como cultivou uma relação próxima com a Aeronáutica. Vive sozinho em São Paulo. Quando vem ao Rio, para visitar a mãe nonagenária, hospeda-se no hotel do Clube da Aeronáutica, nas proximidades do aeroporto Santos Dumont.

De vez em quando, faz aparições fugidias. Virou lenda. O mutismo deu origem a lendas de todo tipo. Vandré teria sido torturado na volta ao Brasil. Teria, simplesmente, “pirado”. Teria feito um acordo secreto com os militares. E assim por diante. A lenda mais estapafúrdia dizia que ele teria sido castrado !  O silêncio, claro, só servia para alimentar o mistério.  Como acontece em casos assim, a fantasia toma o lugar dos fatos.

O que há de certo é que ele foi, sim, constrangido a gravar um depoimento no Aeroporto de Brasília, em 1973. A gravação foi exibida à noite, na TV. Por onde andaria este filme ?  Fiz uma primeira busca. Voltei de mãos vazias. Vandré tem lembrança de que agentes da Polícia Federal participaram da operação. Não há registros do filme nem na Polícia Federal em Brasília nem no Arquivo Nacional. Faço uma tentativa no Centro de Documentação da Rede Globo. Nada. Com quem estará o filme  ?  O que se sabe é que uma empresa de Brasília – uma produtora que, entre outras atividades, fazia filmes para órgãos do governo – foi contratada para gravar o depoimento de Vandré, no aeroporto. O cinegrafista  escalado pela produtora para a gravação foi Evilásio Carneiro – por coincidência, trabalha hoje na Globonews. Por falar no assunto: uma dupla de documentaristas prepara atualmente um filme sobre o dono da produtora mobilizada para a gravação do depoimento – um italiano radicado na capital da República. Nome: Dino Cazzola. Em breve, novas informações.

Igualmente, as imagens de Geraldo Vandré cantando “Caminhando” no Maracanãzinho estão desaparecidas. Restou o áudio da performance. Lá, é possível ouvir o pequeno discurso que Vandré, elegantemente, fez em defesa de Chico Buarque e de Tom Jobim, crucificados pelas vaias do público. “A vida não se resume a festivais”, diz, antes de começar a cantar “Caminhando”.


Houve, obviamente, uma ruptura profunda entre o Vandré de antes e o Vandré de depois do exílio. O próprio Vandré nos deu uma explicação : disse que perdeu a motivação e a razão para cantar  porque aquele Brasil de 1973 já começava a viver um processo que ele chama de “massificação”. Num país em que a “cultura artística”  foi engolida pela “cultura massificada”,  não haveria lugar para o que ele fazia.

Depois de quatro meses de insistência, a produtora de TV Mariana Filgueiras terminou convencendo o Grande Mudo da MPB a falar. O mérito de ter derrubado o muro de silêncio que Vandré ergueu em volta de si deve ser creditado, portanto, à capacidade de insistência da produtora. É algo que ocorre com incrível frequência em TV: a responsável pelo  furo de reportagem fica nos bastidores. C´est la vie. Mas fica feito o registro.

Vandré marcou o encontro para as cinco da tarde do domingo, doze de setembro – justamente o dia em que ele completava setenta e cinco anos de idade. Nasceu em setembro de 1935 em João Pessoa, Paraíba.

O autor de pelo menos uma obra prima indiscutível – “Disparada” – escolheu o fim de tarde do domingo em que fazia aniversário para produzir um novo mistério – um, entre tantos outros que passou a cultivar desde que saiu de cena: o Grande Mudo decidiu, finalmente, que iria falar diante de uma câmera de TV. Por quê ? É provável que o fato de estar fazendo aniversário tenha pesado.

Para minha surpresa, o Grande Mudo estava solícito, falante, acessível. Aceitou sem reclamar os pedidos para caminhar no saguão do Clube de Aeronáutica diante da câmera do cinegrafista Ricardo Carvalho.

Quando a entrevista terminou, Vandré se recolheu  a um quarto do Hotel da Aeronáutica. Cinegrafista improvisado, captei a cena com minha DVCAM: Vandré se afastando em direção à escadaria que dá acesso aos quartos. Estava sozinho. Terminava assim o domingo em que completava setenta e cinco anos. Não imaginei que um dia iria testemunhar esta cena – o cantor que um dia incendiou o país com seus versos de alta combustão estava ali, solitário, no dia em que fazia aniversário, depois de ter quebrado, diante de mim, um silêncio que se estendeu por décadas.  Quem se lembra da última entrevista concedida por Vandré para uma TV ? Havia um tom ligeiramente melancólico na cena solitária protagonizada por Vandré no saguão do hotel, a caminho da ala dos hóspedes. Nada de grave. Os domingos à noite não são sempre assim ?

O que importa é que Geraldo Vandré deu sinal de vida. Eu estava lá para testemunhar a cena. Estava fazendo minha pequena parte no circo de horrores geral : “produzir memória”, não deixar que as palavras se desfaçam no vento.  Afinal, o que diabos um repórter pode fazer de útil, além de “produzir memória” ?  Pouquíssima coisa. Quase nada. Quando Vandré sumiu na penumbra do corredor do hotel,  dei por cumprida minha missão – o depoimento tinha sido devidamente colhido. É hora de passá-lo adiante. Eis o que o Grande Mudo falou no dia em que quebrou o silêncio:


A pergunta que todos gostariam de fazer é a mais simples possível: o que foi que aconteceu com Geraldo Vandré ?

Vandré : “Ficou fora dos acontecimentos (ri). Ficou fora dos acontecimentos. Acho melhor para ele. Tenho outras coisas para fazer. Estudei leis. Quando terminei meu curso de Direito aqui no Rio e fui me dedicar a uma carreira artística, já sabia que arte é cultura inútil. Mas hoje consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Sou advogado num tempo sem lei. Quer coisa mais inútil do que isso ? Quando entrei na escola, para estudar, era a Universidade do Distrito Federal. Quando saí, era Universidade do Estado da Guanabara. Hoje, é Uerj, no Maracanã”.

Você se animaria a fazer uma temporada comercial,em teatros ?

Vandré : “Tenho uma prioridade: fazer a minha obra de língua espanhola. É uma obra popular. Além de tudo, o que quero fazer, antes de cantar canções populares no Brasil, é terminar uma série de estudos para piano, música erudita com vistas a composição de um poema sinfônico. Porque aí já é a subversão total. Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito”.

O fato de a música “Caminhando” ter se tornado uma espécie de hino de protesto provoca o quê em você hoje: orgulho ou irritação ?

Vandré: “Estou tão distante de tudo. Mas não tenho o que corrigir em nada do que fiz. Tenho muito orgulho de tudo o que fiz. Protesto é coisa de quem não tem poder. Não faço canção de protesto. Fazia música brasileira. Canções brasileiras. A história de “protesto” tem muito a ver com a alienação denominatória, é o “protest song” norte-americano, a música country. Há algumas coincidências. Não concordo com a denominação “música de protesto”. Fiz música popular brasileira”.

Você teve uma divergência artística com os tropicalistas – entre eles, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Hoje, você ainda considera ruim a música que eles faziam na época ?

Vandré : “Com essa pergunta, eu me lembrei de uma reposta que o próprio Gil deu uma vez. Fiz uma pergunta a ele. Não me lembro qual foi. E ele disse: “Ah, faço qualquer coisa. Uma tem que dar certo”. Eu não faço qualquer coisa”.

Mas você mudou de opinião sobre os tropicalistas ou não ?

Vandré: “Parece que eles continuam na mesma. É o que me parece. Eu estou distante de tudo – não só do Tropicalismo como de tudo praticamente que se faz do Brasil”.

Em que país vive Geraldo Vandré ?

Vandré: “Vive num Brasil que não está aqui. Geraldo Vandré vive no Brasil. Eu até me atreveria a dizer que quem não vive no Brasil é a maioria dos brasileiros. A quase totalidade dos brasileiros não vive mais no Brasil. Vive num amontoado”.

Como é este Brasil de Geraldo Vandré ?

Vandré : “É o antes – de quarenta anos atrás. O país que o Brasil era quando fiz música para o Brasil não era este país de hoje. Não existia este processo de massificação. Dentro da minha própria carreira – profissionalmente falando – houve uma mudança ali no Maracanãzinho. Ali, houve a passagem do que eu fazia para um público de um teatro de setecentas ou no máximo mil e duzentas pessoas para um ginásio com trinta mil pessoas. E a televisão direto no ar. Já foi a massificação”.

O Brasil de quarenta anos atrás era melhor do que o Brasil de hoje ?

Vandré: “Eu fazia música para aquele país”.

E por que não fazer música para o Brasil de hoje ?

Vandré: “Porque o país é outro. O que existe é cultura de massa. Não é cultura artística brasileira.Não há praticamente espaço para a cultura artística. Se você considerar os outros autores, eles fazem coisas de vez em quando. Não têm uma carreira como tinham antigamente – nem Chico Buarque nem Edu Lobo, ninguém. A carreira que eles têm é uma carreira hoje muito segmentada”.

Você se considera, então, uma espécie de exilado que vive dentro do Brasil ?

Vandré: “Estou exilado até hoje. Ainda não voltei. Eu estou exilado e afastado das atividades que eu tinha até 1968 no Brasil. Eu me afastei. Não retornei”.

Por que é que você resolveu se afastar totalmente da carreira artística naquela época ?

Vandré: “Naquela época, já era assim: já era como hoje. Quando voltei, o Brasil já estava num processo de massificação em que o público para quem eu tinha escrito e para quem eu tinha composto praticamente já não existia, aquela classe média de quatro anos e meio antes. Estava muito confuso tudo.Fui esperando, fui vendo outras coisas. Isso foi de mal a pior – cada vez mais. Para você ter uma ideia: quando terminei o curso de Direito no Rio e me mudei para São Paulo, em 1961, para fazer uma carreira artística, não existia bóia-fria em São Paulo. Hoje, São Paulo é a terra do bóia-fria: todo mundo amontodo nas cidades. Vão aos campos para plantar e para colher e depois voltam para a cidades. Quando fui para São Paulo, a cidade tinha quatro milhões de habitantes. Hoje, são dezesseis milhões de amontoados. É um genocídio. Tiraram todo mundo dos campos para produzir e exportar…”

A decisão de interromper a carreira,então, foi – de certa maneira – um protesto contra o que você via como “massificação” da sociedade brasileira ?

Vandré: “Não. O que houve foi muito mais uma falta de motivo, uma falta de razão para cantar. Protesto,não: falta de razão, falta de porquê. Estou fazendo o que acho que devia fazer”.

O que é que chama a atenção do Geraldo Vandré no Brasil de hoje ? Que manifestação artística desperta interesse ?

Vandré: “A miséria aumentou. Se você pegar a letra de “Caminhando” – ” pelos campos, as fomes em grandes plantações/pelas ruas marchando indecisos cordões/ ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ e acreditam nas flores vencendo o canhão” -, hoje é mais ainda. Hoje, as ruas estão muito mais cheias de indecisos cordões. O processo de massificação destruiu praticamente a urbe brasileira”.

Você se animaria a fazer uma canção como “Caminhando” hoje ?

Vandré:”Não existe isso. A gente nunca faz uma canção como uma outra. Aquela é uma canção. Cada uma é uma.A gente faz independentemente de animação. Quando decide fazer, faz”.

Você diria que o Brasil é um país ingrato ?

Vandré : “Não. De forma alguma. São coisas que ocorrem. Guerra é guerra.Não perdi (ri). Eu me lembrei agora de um poema muito bonito de Gonçalves Dias que aprendi com meu pai: “Não chores, meu filho, não chores/ Viver é lutar/ A vida,meu filho, é combate/é luta renhida/ que aos fracos abate e aos bravos só pode exaltar”.

Quando você se lembra hoje do Maracanãzinho inteiro cantando “Caminhando” que sentimento você tem ?

Vandré: “Aquilo foi muito bonito, muito bonito. Pena que eu não posso ver o VT. Estão guardando o VT não sei para quê.Quero ver o VT. Lá na sua estação eles devem ter. Procure lá. Consegue o VT para ver!” ( olhando para a câmera).

Você tem saudade daquela época ?

Vandré : “Saudades….Saudades…Um pouco. Mas também há tanta coisa para fazer que não dá muito tempo de sentir saudade”.

Você vive de quê hoje ? Você recebe direitos autorais ?

Vandré: “Nunca dependi de música para viver. Sou servidor público. Hoje, estou aposentado como servidor público federal”.

Você deixou de receber direitos autorais ?

Vandré: “Pagam o que querem. Não existe controle. Não existe critério. Se nós tivéssemos direito de autor, teríamos os direitos conexos, direitos de marcas, patentes, propriedade industrial. É um assunto complexo. Mas aí não seríamos subdesenvolvidos“.

Você foi o único grande nome daquela geração que não voltou aos palcos – entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque…

Vandré: “Eu não voltei. É uma boa pergunta: por que não voltei? Não mudou tudo ? Mas será que mudou ?As razões pelas quais me afastei continuam preponderantes no que que se apresenta como realidade brasileira”.

Se você fosse escrever um verbete numa enciclopédia sobre Geraldo Vandré qual seria a primeira frase ?

Vandré: “Criminoso (ri)”.

Por quê ?

Vandré : “O que você chama de governo ainda me tem como anistiado por haver cantado as canções que cantei. Fui demitido do serviço público por causa das canções. O que se apresenta como governo no Brasil até hoje cobra impostos sobre o “corpo de delito” que foram as canções que fiz. Deu para entender agora ? “.

Você foi punido pelo governo da época, perdeu o emprego público…

Vandré: “Fui demitido. Depois, retornei. Briguei, briguei, briguei..”

Em algum momento, você foi considerado “criminoso”…

Vandré: “Fui demitido por causa da canção. E essa canção que foi motivo de minha demissão até hoje é…Voltei por força de um despacho dado com fundamento na Lei de Anistia, como se eu fosse criminoso. Anistia é para criminoso – condenado por sentença transitada em julgado, se ele aceitar. Porque ele pode não aceitar. Aceitar a anistia significa aceitar-se criminoso, beneficiário de anistia”.

Você acha que a grande injustiça foi esta : em algum momento você ser considerado um criminoso ?

Vandré: “Injustiça não é a palavra…”

Você teria cometido um “delito de opinião” …

Vandré: “Não. Era subversão mesmo, sob certos aspectos, porque não havia nada mais para fazer naquele instante. Não me lembro. Mas as Forças Armadas, propriamente ditas, entenderam muito melhor do que a sociedade civil. Nunca tive nenhum problema com as Forças Armadas propriamente. Sempre houve uma consideração e respeito entre nós”.

Hoje, você nega que tenha sido em algum momento um antimilitarista nos anos sessenta ?

Vandré: “Nunca fui antimilitarista. Nunca assumi tal posição. Fui lá e falei o que queria dizer, numa canção que foi dita e cantada no Brasil diante de todo mundo. A canção foi cantada para os soldados, também”.

O grande equívoco sobre Geraldo Vandré foi este : achar que você era antimilitarista ?

Vandré : “Não houve, na realidade, um grande equívoco. Houve uma grande manipulação porque, quanto mais proibido, mais sucesso fazia; mais se vendia; menos conta se prestava. É uma questão muito séria”.

Qual foi a última manifestação artística que despertou o interesse e a curiosidade de Geraldo Vandré no Brasil ?

Vandré: “Passei quatro anos e meio fora do Brasil. Quando voltei, havia uma coisa muito importante que era o Movimento Armorial. Havia o Quinteto Armorial e a Orquestra Armorial. A sonoridade era muito condensada. O resultado era importante. Para mim, foi a coisa mais importante que aconteceu nos últimos tempos. Não me lembro de outra coisa que tenha ido além daquilo”.

E da produção recente, alguma coisa chamou a atenção do Geraldo Vandré ?

Vandré: “Nada. Tiririca (ri). Dizem que vai ser o deputado mais votado de São Paulo. Está bom ? “.

Você disse, numa discussão na época dos festivais: “A vida não se resume a festivais”. Hoje, tanto tempo depois dos festivais, qual é o principal interesse do Geraldo Vandré ?

Vandré : “São as outras coisas que não estão nos festivais. Minha vida funcional – de que cuidei até me aposentar; as minhas relações com a Força Aérea, o meu projeto de fazer estas gravações na América espanhola…Tenho muita coisa para fazer”.

Outro grande nome que se celebrizou como opositor do regime militar na música brasileira foi Chico Buarque de Holanda. Você acompanhou o que ele fez depois ?

Vandré: “Chico teve um caminho diferente do meu. Não chegou a parar. Produziu muito durante aquela época em que eu estava fora. Chico ficou aqui. Saiu e voltou, saiu e voltou. Passei quatro anos e meio fora. Quando voltei, fiz uma tentativa de apresentação num programa de televisão. Não vem ao caso qual, mas não gostei do que aconteceu: o jogo de pressões que se fez em volta. Recuei. Depois, passou-se um tempo. A própria Globo queria fazer um festival. Chegaram a me procurar. Não tive interesse em participar”.

O que é que a produção de Chico Buarque significa para você ?

Vandré: “Chico é uma pessoa muito talentosa, muito importante. Um grande artista”.

Você perdeu o contato com todos os seus companheiros de geração na música ?

Vandré: “Nunca fui muito enfronhado no meio artístico. Fazia minhas coisas. Voltava para minhas atividades extramusicais”.

É verdade que você ficou escondido na casa da família Guimarães Rosa antes de ir para o exílio ?

Vandré: “Eu saí de circulação. Depois que o tempo foi passando, as coisas vão ficando claras: as Forças Armadas propriamente ditas não tinham nada contra mim. Não tomaram nenhuma iniciativa contra mim. Quando fecharam o Congresso Nacional, no dia 13 de dezembro de 1968, eu estava indo para Brasília para fazer um espetáculo.Evidentemente, suspendemos o espetáculo. Vim de carro – guiando – até São Paulo. Eu estava à mão das Forças Armadas….Nunca deixei de estar. Mas claro que algo poderia acontecer: ao andar à toa pela rua, eu poderia de repente encontrar um “guardinha de trânsito” que quisesse fazer média. Há sempre alguém que quer tirar proveito de situações assim. Para evitar, saí de circulação. Durante um tempo, estive na casa de Dona Aracy (viúva de Guimarães Rosa – que tinha morrido meses antes). Fiquei lá porque, quando vinha para o Rio, como não tinha casa aqui, sempre ficava na casa de amigos e de pessoas conhecidas”.

Por que você tomou esta decisão tão drástica – de interromper uma carreira de tanto sucesso ?

Vandré: “Decidir sair do Brasil naquele ano de 1968. (N:Os mesmos agentes que prenderam Caetano Veloso e Gilberto em São Paulo,em dezembro de 1968, tentaram prender Geraldo Vandré. Mas, avisado por Dedé, à época mulher de Caetano Veloso, Geraldo Vandré conseguiu escapar a tempo)  Eu tinha uma programação para fazer fora do Brasil. Tinha um contrato com a televisão Bavária,na Alemanha, para fazer um filme sobre Geraldo Vandré. Fui fazer. Passei um ano e meio pela Europa. Depois, voltei para o Chile – para onde eu tinha ido do Brasil. Havia muitos brasileiros lá ainda. De lá, fui para o Peru. Ganhamos um festival em Lima em 1972 com uma canção que era a única não cantada em espanhol. Era cantada em “brasileiro” mesmo. O Brasil não conhece a canção.Chama-se “Pátria Amada Idolatrada, Salve, Salve – Canção terceira”.

Você se lembra da letra ?

Vandré : “Eu me lembro. É uma canção que foi feita para ser cantada por um homem e uma mulher. Existe de caso pensado – coincidentemente – uma confusão de sentimentos entre a ideia da pátria e a ideia da mulher amada.O homem canta: “Se é pra dizer-te adeus/ pra não te ver jamais/Eu – que dos filhos teus fui te querer demais-/no verso que hoje chora para me fazer capaz da dor que me devora/quero dizer-te mais/ que além de adeus/ agora eu te prometo em paz levar comigo afora o amor demais”.

E a mulher, cuja imagem se confunde com a noção da pátria, responde:

“Amado meu sempre será quem me guardou no seu cantar/ quem me levou além do céu/além dos seus/e além do mais/ amado meu/ que além de mim se dá/não se perdeu nem se perderá”.

Os dois cantam juntos um para o outro. É um contraponto”.

Você foi constrangido a gravar, em 1973, um depoimento em que negava que fosse militante político. Qual foi o peso deste depoimento na decisão de Geraldo Vandré de interromper a carreira ?

Vandré: “Nunca fui constrangido a declarar que não tive militância política. Nunca tive militância político-partidária. Nunca pertenci a nenhum partido. Nunca fui político profissional. Não fui obrigado a dizer que não era militante. Nunca fui militante político. Nesta contemporaneidade em que estamos, eu me lembrei de um professor de Filosofia que dizia: “O homem é um animal político”. Sou uma qualidade de animal político que não depende de eleição. Vamos estudar a diferença entre política e eleição ?”.

Que lembrança você guarda deste depoimento ? Você foi levado para uma sala do aeroporto de Brasília e gravou um depoimento em que – de certa maneira – renegava ….

Vandré (interrompendo) : “É um assunto que ficou muito confuso. Não me lembro exatamente. Gostaria de ver a declaração…”

Você gravou o depoimento quando voltou do Chile…

Vandré: “Gostaria de ver, porque houve montagens. Era gravação. O que foi para o ar não sei”

O depoimento criou espanto na época, porque – de certa maneira – era você negando a militância política…

Vandré: “Nunca fui militante. Se engajamento político é pertencer a um partido, nunca pertenci a nenhum. Nunca fui engajado politicamente”.

Você obrigado a gravar este depoimento ? Fazia parte do acordo para voltar para o Brasil ?

Vandré: “Queriam que eu fizesse uma declaração. Não me lembro o que foi que disse. Mas eu disse coisas que poderia dizer. O que eu disse era verdade. Não disse nada que não tenha querido dizer. A TV Globo deve ter isso. Procure lá…”

A gente procurou e não encontrou….

Vandré: “Pois é:  somem com tudo. Que loucura essa…Por quê ? Veja se acha o vt do Maracanãzinho. É o que tem Tom Jobim. É o mesmo vt. A minha parte sumiu. Por quê ? Fizeram uma retrospectiva do Festival. Botaram o Festival no Maracanãzinho- Tom,Chico, todo mundo, Cynara e Cybele. Mas,na hora de botar o Geraldo Vandré, usaram um filme feito na Alemanha, em que eu estava de barba. Não é certo”…

Talvez tenham recolhido o filme…

Vandré: “Para mim, é muito difícil acreditar que a TV Globo tenha se desfeito do filme. Não acredito. Devem estar guardando muito bem guardado”

Só para esclarecer este episódio sobre o depoimento que você gravou quando voltou do exílio : que lembrança exatamente você tem ? Quem pediu a você para gravar este depoimento ?

Vandré: “Aquelas declarações foram feitas para uma pessoa que se me apresentava como da Polícia Federal. Fiz um depoimento aqui. Depois, disseram que eu tinha de ir para Brasília. Cheguei ao Brasil no dia 14 de julho. Dois meses depois, apareço como se estivesse chegando em Brasília. Aquilo foi uma manipulação. O depoimento foi gravado antes. Gravaram-me descendo do avião em Brasília. Tudo muito manipulado. É esta a história dos vts: normalmente, temos esta doença. Estou falando aqui. O que vai ser mostrado vai ser uma seleção que a estação vai fazer. Não vai ser o que estou dizendo. Isso é muito sério”.

Para encerrar o assunto: o depoimento teve um peso na decisão de interromper a carreira ? Você ficou incomodado com aquilo ?

Vandré: “Não. Eu estava chegando e vendo como estavam a coisas. Não tinha a menor noção da realidade. Tive de passar por um processo de adaptação no retorno ao Brasil”.

O grande mistério que existe sobre Geraldo Vandré durante todas essas décadas é, afinal de contas, o que aconteceu com ele depois da volta do exílio: você foi maltratado fisicamente ?

Vandré: “Não. Não”

Se você tivesse a chance hoje de se dirigir a uma plateia de jovens num festival, o que é que você diria a eles ?

Vandré: “Vamos ter de dar um tempo aí, não é ?…” (rindo)

Um “tempo” de quantos anos ?

Vandré: “Não sei. Agora, vocês vão votar para presidente, deputado, senador. Estão ocupados com outras coisas. Estou por fora”.

Que papel você acha que vai caber a Geraldo Vandré na história da música popular brasileira moderna ?

Vandré: “Nunca fiz este tipo de avaliação”.

Que papel você espera ter ? Você se acha suficientemente reconhecido ?

Vandré: “Obtive o reconhecimento que procurei e quis”.

Você em algum momento se arrepende de ter interrompido a carreira ?

Vandré: “Não. Porque raramente me arrependo das coisas que faço. Calculo bem, reflito bem, meço bem : quando faço é para ficar feito mesmo. Não existe arrependimento não”.

Para efeito de registro histórico: você, primeiro, não se considera antimilitarista…

Vandré: “Não…”

Segundo: você não foi maltratado fisicamente durante o regime militar…

Vandré: “Não…”

Terceiro: você disse o que quis no depoimento que você foi forçado a gravar quando voltou do exílio…

Vandré: “E em quarto: há o Quarto Comando Aéreo Regional…Tenho uma canção para o “exército azul”, a Força Aérea…(ri e exibe o brasão da Aeronáutica, impresso numa espécie de cartão de visita que traz, no verso, a letra de “Fabiana“). A aviação é muito bonita. A loucura é a aviação. Porque a maior loucura do homem é voar. Conhece loucura maior do que esta ? Não existe”.

Como é que surgiu a fascinação de Geraldo Vandré pela aviação ?

Vandré: “Desde pequeno, desde criança”.

Você gostaria de ter sido aviador ?

Vandré: “É. Não fui aviador militar. Não sou piloto, mas – de certa forma – sou aviador, porque me ocupo de assuntos da aviação. Uma coisa é aviador, outra é piloto. Você pode ser piloto, co-piloto, rádio navegador, mecânico de bordo, médico aviador. Há vários caminhos – não necessariamente tem de ser piloto…”.

O fato de você ter composto uma música em homenagem à Força Aérea criou um certo espanto. Hoje, você se hospeda em hotéis da Aeronáutica, como este. Nós estamos num ambiente militar…

Vandré :”Relativamente, porque este é um instituto de direito privado…”

Houve alguma mudança na postura do Geraldo Vandré ou não em relação às Forças Armadas ?

Vandré : “O que houve foi o reconhecimento de uma parte da sociedade que nunca tinha tido oportunidade de saber realmente quais eram as minhas posições”.

Em que situação Geraldo Vandré voltaria a um palco hoje ?

Vandré:”Depende de onde. Tenho uma programação na qual invisto meu tempo e minhas energias : gravar um disco no exterior, num país de língua espanhola. É minha prioridade. Depois, vou ver minha programação para o Brasil. Escrevi umas trinta canções originalmente em “americano de habla hispânica”. Quero gravar num país de música espanhola, com músicos de lá. Minha prioridade comercial é esta. Para o Brasil, por ora, o projeto é a canção da Força Aérea mesmo – e um projeto sinfônico. A canção se chama Fabiana porque nasceu na FAB – em sua honra e em seu louvor”.

Você, hoje, então prefere compor peças sinfônicas ?

Vandré: “Tenho estudado música. Compus uma série de estudos para piano – aproveitando da técnica de uma jovem pianista de São Paulo. Mas a música ganhou outras dimensões. Passou a ser física e matemática. Ritmos do coração. Fica mais complicado,mas, para mim, é música”.

Você tem planos de gravar a música que você fez em homenagem à FAB ?

Vandré: “Claro. Já fizemos uma apresentação numa festa da Força Aérea em torno das comemorações da Semana da Asa, em São Paulo, com um coral de trezentos infantes. Uma coisa muito bonita. Com o tempo, vamos ver quais são alternativas que se colocam”.

Você declarou algumas vezes : “Geraldo Vandré não existe mais….”

Vandré ( interrompendo) : “Não, não declarei. Eu disse que ele não canta no Brasil comercialmente. Apresentei uma canção para a Força Aérea do Brasil. Não canto comercialmente no Brasil porque os problemas todos que tive de enfrentar resultaram de especulações comerciais: vendas clandestinas, câmbio negro, tudo isso. Quanto mais se proibia, mais se vendia. A sociedade, às vezes, tem essa doença”.

Você canta “Disparada” hoje, em casa ?

Vandré : “Não. Faz tempo que não pego num violão. Tenho de voltar a estudar”.

Que instrumento, então, você toca ? Piano ?

Vandré :”Não. Não sou pianista. Toco de improviso alguma coisa”.

Pelo menos duas músicas que você compôs são conhecidíssimas até hoje: “Disparada” e “Caminhando”.

Vandré ( interrompendo) : “Pelo menos duas…”

Se você fosse escolher uma, que música você escolheria como típica da produção de Geraldo Vandré ?

Vandré: “Disparada” é mais brasileira, tem uma forma mais consequente com a tradição das formas da música popular : a moda de viola. “Caminhando” já é mais urbana. É uma crônica da realidade. É a primeira vez que fiz uma crônica. Deu no que deu. A realidade não estava muito querendo ser…”

Retratada…A obra-prima de Geraldo Vandré qual é ?

Vandré: “Todas são iguais. Para mim, são todas iguais. Isso de obra-prima é uma questão de seleção e de predileção do público, os meios de comunicação e os chamados formadores de opinião”.

Mas você deve ter uma predileção pessoal…

Vandré: “Não tenho. É tudo igual mesmo”.

As peças sinfônicas você compõe como ?

Vandré : “As melodias, algumas harmonias…Para escrever em notas convencionais, preciso da escrita de pessoas que estão muito mais afeitas a esta tarefa do que eu.Eu levaria anos para escrever uma partitura. Jamais escreveria como alguém que faz parte de uma orquestra, lê e escreve na hora, à primeira vista. Hoje,estou dedicado a preparar um poema sinfônico cuja abertura coralística será a Fabiana, a canção que fiz para a Força Aérea”.

Você hoje se animaria a fazer um espetáculo para o público brasileiro ?

Vandré :”Não.Para o público brasileiro, só uma coisa muito especial”…

Em que situação você voltaria a se apresentar no Brasil ?

Vandré: “Chegamos a cogitar de fazer uma apresentação da Fabiana no Clube de Aeronáutica. É um dos projetos de que chegamos a nos ocupar. Mas até agora as coisas ficaram postergadas, porque o clube vai entrar em reforma. Vêm aí as Olimpíadas Militares. O clube vai ter de se adequar”.

Qual é a grande inspiração que você tem para compor essas peças sinfônicas ? O que é que motiva você a compor ?

Vandré: “Nunca dependi muito da palavra inspiração. Escolhia os temas. O fundamental para mim é a memória que tenho do que ouvia no cancioneiro popular, as músicas de desde a minha infância”.

O público brasileiro ainda vai ter chance de ver Geraldo Vandré cantando “Caminhando” e “Disparada” no palco ?

Vandré: “Isso é profecia. Não sou profeta”.

O que é que levou você a fazer uma música em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira, você, que era tido nos anos sessenta como antimilitarista ?

Vandré: “Era tido. Por quem ? Isso deveria ser perguntado para os que a mim me tinham como antimilitarista.Não sou militarista. Mas também não sou anti. Todos os países soberanos do mundo têm suas forças armadas. O que é que devemos fazer com as nossas ? Entregá-las para outras pessoas ? Vamos fazer isso ? Acho que não!

Chamo de “Fabiana” porque nasceu na FAB. Costumamos dizer assim: uma servidora da FAB é “fabiana”. A letra diz : “Desde os tempos distantes de criança numa força,sem par, do pensamento teu sentido infinito e resultado do que sempre será meu sentimento/todo teu/todo amor e encantamento/vertente.resplendor e firmamento/ Como a flor do melhor entendimento/a certeza que nunca me faltou/na firmeza do teu querer bastante/seja perto ou distante é meu sustento/ De lamentos não vive o que é querente do teu ser no passado e no presente/Do futuro direi que sabem gentes de todos os rincões e continentes/que só tu saber do meu querer silente/porque só tu soubeste, enquanto infante, das luzes do luzir mais reluzente pertencer ao meu ser mais permanente”.

O refrão é, coincidentemente, um contraponto de “vem/vamos embora/ que esperar não é saber” : “Vive em tuas asas todo o meu viver/ meu sonhar marinho / todo amanhecer”.

Termina a entrevista. Já são quase sete da noite. O Grande Solitário da MPB caminha em direção à escadaria que dá acesso à ala de hóspedes do hotel que funciona no Clube da Aeronáutica. Parte sozinho. Vai em companhia do único habitante do Brasil que Geraldo Vandré criou para si: o próprio Geraldo Vandré.

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma” – Joseph Pulitzer

Verônica Dantas, irmã do banqueiro e Verônica Serra, filha do candidato, sócias em uma empresa em Miami, quebraram o sigilo de 60.000.000 (milhões ) de brasileiros quando SERRA era ministro e FHC presidente. A imprensa, dita democrata, que formam o PIG- PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA, FOLHA DE SÃO PAULO, V E J A, O ESTADO DE SÃO PAULO e outros, NÃO SABEM DE NADA, não apuram nada, não…NADA ! $$$$$

REDE GLOBO de tv E O GOLPE FINAL / por luis nassif / são paulo

A direita prepara o golpe fatal, o definitivo


Como será a bala de prata na campanha

Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada?


Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro:

1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então, tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas, mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião pública.

2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era “bandida” e “assassina”. Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola – em Curitiba – as coleguinhas repetem a mesma história.

As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo.

Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito.

Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado.

A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final.

A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena.


Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto.

No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa.

Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço desse lixo.

Essa loucura – que, tenho certeza, ocorrerá – será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história.

Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre.

Todas essas possibilidades são meras hipóteses que partem do pressuposto da falta de limites total da velha mídia.

Mas a hipótese fecha plenamente.

enviado do blog do Luis Nassif

AÉCIO NEVES deixa o PSDB após as eleições.

o ex governador de Minas Gerais, Aécio Neves, concorre ao senado e pelas pesquisas encontra-se praticamente eleito para 8 (oito) anos de mandato. Segundo informações correntes Aécio tem se aborrecido com o rumo da campanha eleitoral do colega José Serra. Por formação, da politica mineira, afirma que não concorda com as ações desencadeadas após as tres últimas pesquisas. Pessoas próximas ao ex governador afirmam ter ouvido dele mesmo que “tantos anos de convivência levaram o PSDB a absorver e praticar os métodos tradicionais da direita histórica, e eu não concordo com isso”.

RETTAMOZO expõe no FOLHA SECA / curitiba

“Rettamorfose 1” no Folha Seca

Retta se intitula “gauchibano”. Nasceu em São Tomé, na Argentina e foi registrado três dias depois em São Borja no Rio Grande do Sul. Nasceu gaúcho e diz que vai morrer curitibano.

Autodidata, com vários prêmios de arte contemporânea, já expôs em Macau na China, em Kanagawa no Japão, na UNESCO em Atenas, Santiago do Chile, Bienal de São Paulo, Museu do Olho, entre outros.

Nesta terça-feira, 14, Retta abre a exposição “Rettamorfose 1”, a partir das 19h, no Folha Seca. “Esses desenhos são ‘estudos’ feitos para depois serem pintados. Ideias óbvias”, diz. O artista tem trabalhado com essa visão de topo. Em ângulo de 90º, do alto do campanário ou de cima das árvores. Com isso ele afirma o trocadilho: cada macaco no seu galho.

“O fundo é o chão do planeta terra. Neste ângulo, trabalhando as sombras e os objetos de topo, se consegue uma leitura completa da cena. Conteúdo, significado e forma, integrados em uma só imagem. Rettamorfose 1 também é um caderno de rabiscos, folha a folha”, explica.
Um trabalho bom para ser curtido nas idas e vindas ao banheiro no bar Folha Seca. A exposição fica em cartaz até o dia 9 de outubro. Não perca!

Serviço

Abertura da Exposição “Rettamorfose 1”, de Retta. Dia 14 de setembro, terça-feira. 19h.

Bar Folha Seca. Rua Petit Carneiro, 394 – Água Verde.
Telefone: (41) 3343-5632 –
www.folhasecabar.com.br

Visitação: 14 de setembro a 9 de outubro. De terça a sexta-feira, das 17h às 2h. Sábados, das 12h30 às 2 h.
Entrada: R$ 9,00


FILHA de SERRA EXPÔS SIGILO DE MILHÕES DE PESSOAS, VEJA COMO: – por luiz nassif / são paulo

Aventuras das duas Verônicas

A revista CartaCapital que está nas bancas nesta semana traz reportagem de Leandro Fortes que vai colocar em apuros o tucano José Serra. Segundo a reportagem, baseada em documentos oficiais, por 15 dias no ano de 2001, no governo FHC/Serra a empresa Decidir.com abriu o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros. A Decidir.com é o resultado da sociedade, em Miami, da filha de Serra, Verônica Serra,  com a irmã de Daniel Dantas.

Veja abaixo a reportagem de CartaCapital.

Extinta empresa de Verônica Serra expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros obtidos em acordo questionável com o governo FHC

30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires , mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo , cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town , Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

Fonte: CartaCapital

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/aventuras-das-duas-veronicas

‘Modelo cubano não funciona mais nem mesmo para nós’, diz Fidel / havana. cuba (entrevista histórica)

Ex-presidente admitiu que o modelo não tem apelo para ser exportado.
Especialista diz que declaração deve abrir espaço para reformas em Cuba.

O ex-presidente cubano Fidel Castro admitiu que o “modelo cubano” não tem mais apelo para ser exportado para outros países. A declaração faz parte de uma longa entrevista que concedeu à revista americana “The Atlantic Monthly”, cuja segunda parte foi publicada nesta quarta-feira (8). Questionado pelo o jornalista Jeffrey Goldberg se a

chava que o modelo cubano ainda poderia ser exportado para algum lugar, Fidel respondeu: “O modelo cubano não funciona mais nem mesmo para nós”.

Segundo Julia Sweig, diretora de pesquisas sobre a América Latina no Council of Foreign Relations, que acompanhou o jornalista em sua viagem a Cuba, “ele não rejeitou as ideias da revolução”, mas apenas admitiu que sob o “modelo cubano” o Estado tem um papel grande demais na vida econômica do país. Segundo ela, trata-se de uma forma de abrir espaço para que Raúl Castro, irmão de Fidel que está no poder desde que ele saiu da Presidência, faça as reformas necessárias para abrir a economia do país.

Reportagem da revista “Atlantic” com a entrevista de

Fidel Castro publicada na internet nesta quarta-feira (8).

(Foto: Reprodução)

Fidel Castro, durante visita ao Aquário Nacional em Havana, junto ao jornalista americano Jeffrey Goldberg, da revista ‘Atlantic Montlhy’ (Foto: AFP)

Na mesma entrevista, o ex-ditador cubano criticou a retórica antissemita usada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. “Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Diria que muito mais do que os muçulmanos. Foram mais difamados que os muçulmanos porque são acusados e caluniados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos de nada”, estimou Fidel.

“Digo isso para que você possa dizer a ele”, respondeu Fidel, indagado pelo correspondente Jeffrey Goldberg se tem a intenção de compartilhar com Ahmadinejad seu ponto de vista.

Goldberg foi convidado pelo próprio Fidel, que se interessou por um artigo seu sobre as tensões entre Irã e Israel. “Os judeus tiveram uma vida muito mais dura do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto”, afirmou Fidel Castro, que foi entrevistado pelo jornalista em Havana durante três dias.

Fidel Castro, que voltou a aparecer em público e escrever com frequência nas últimas semanas, criticou Ahmadinejad por negar o Holocausto, e afirmou que o governo iraniano contribuiria para a paz se tentasse entender porque os israelenses temem por sua existência, escreveu Goldberg.

JORNAL NACIONAL e o APOCALIPSE !

PARA O JORNAL NACIONAL, O BRASIL É UM HORROR!

Se você acordar de manhã com a Miriam Leitão e dormir com o William Waack, no dia seguinte pede asilo à Embaixada do Haiti.
No
Amapá – onde começou a série patrocinada pelo Bradesco -, em Pernambuco e no Paraná,
onde o jornal nacional pousar haverá sempre uma desgraça haitiana.
Com um jatinho da
Embraer e o patrocínio do Bradesco.

Interessante que o Bradesco, neste segundo trimestre de 2010, tenha lucrado a bagatela de R$ 2,5 bilhões.
Neste segundo trimestre de
2010, quando Lula tem 80% de popularidade, o Bradesco se aproveitou, segundo Luis Carlos Trabuco Capri, (jornal ValorGlobo -, pág D6, de 29 de julho de 2010) , presidente do Bradesco, do “cenário de mobilidade social”:
“Nos últimos três anos,
dois milhões de clientes (do Bradesco) migraram das classes D e E para a classe C”, diz Trabuco.

“Dos atuais 20,6 milhões de correntistas pessoas físicas (do Bradesco) cerca da metade pertence À CLASSE  C”.

QUE HORROR!, dirá o Casal 45. (William Bonner e Fátima Bernardes).

E, por isso, não é difícil entender que o Lula tenha 80% de aprovação ou que a Dilma possa ganhar no primeiro turno. O que não se entende é o Jornal Nacional manipular o patrocínio do Bradesco para essas aventuras aero-rocambolescas pelo Brasil afora com o objetivo de mostrar que o Brasil não passa de um Haiti.

- “Fico imaginando quando este avião sobrevoar o Piauí, meu Deus!”, profetiza Zeferino Pinuca, morador de Campo Maior, cidade situada a 80 km da capital, Teresina, e uma das maiores do Estado. “Não ficará um pé de carnaúba em pé pra contar nossa históra!”, arremata o irrequieto Pinguim, figura folclórica e apavorado eleitor do Lula.

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by jenipaponews.

DILMA tem 51% e serra 27%, aponta IBOPE


Marina registra 7%. Margem de erro é de 2 pontos percentuais.
No cenário com segundo turno, Dilma tem 56%, e Serra, 32%.

Do G1, em São Paulo


INTENÇÃO DE VOTO PARA A PRESIDÊNCIA
Resposta estimulada e única, em %
Dilma (PT) 51%
José Serra (PSDB) 27%
Marina Silva (PV) 7%
Eymael (PSDC) * 0%
Ivan Pinheiro (PCB) * 0%
Levy Fidelix (PRTB) * 0%
Plínio (PSOL) * 0%
Zé Maria (PSTU) * 0%
Brancos e nulos 5%
Indecisos 9%
* não atingiram 1%
** O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) não foi citado por nenhum entrevistado

DILMA e trabalhadoras de SP

A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada neste sábado (28). A petista tem 51% das intenções de voto contra 27% do adversário José Serra (PSDB).

De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 7%. No  levantamento anterior do Ibope, realizado dos dias 12 a 15 de agosto, Dilma tinha 43%, Serra, 32%, e Marina, 8%.

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para mais ou menos. Isso indica que Dilma pode ter entre 49% e 53% e Serra, entre 25% e 29%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Os eleitores que responderam que votarão em branco ou nulo somaram 5% e os que se disseram indecisos, 9%.

Dos demais candidatos, Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Zé Maria (PSTU), nenhum alcançou 1% das intenções de voto. O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) não foi citado por nenhum dos entrevistados.

O Ibope ouviu 2.506 eleitores com mais de 16 anos em 171 municípios de terça-feira (24) a quinta-feira (26). A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 26139/2010.

Votos válidos

De acordo com o Ibope, considerando-se apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Dilma tem hoje 59% das intenções de voto, Serra, 32%, e Marina, 8%. Outros candidatos não atingiram 1%. O candidato do PCO, Rui Costa Pimenta, não foi citado pelos entrevistados. Nesse cenário, se as eleições fossem hoje, Dilma poderia ser eleita no primeiro turno.

Segundo turno
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, o Ibope apurou que a petista teria 56% e Serra, 32%. Brancos e nulos seriam 6%, e indecisos, 7% (a primeira versão deste texto apontava, erradamente, que Dilma teria 55% no segundo turno). Na pesquisa anterior, as taxas de Dilma e Serra eram de 48% e 37%, respectivamente.

Avaliação do governo
O levantamento também mostrou como os eleitores avaliam o governo Lula. Para 78%, o governo é ótimo ou bom; para 17%, regular; para 4%, ruim ou péssimo.

foto livre. publicação do site.

ALEXANDRE FRANÇA e EDSON FALCÃO convidam: / curitiba

SELO LITERÁRIO DEZOITO ZERO UM CHEGA COM A PROPOSTA DE LANÇAR A NOVA POESIA CURITIBANA.

Dia 2 de setembro a livraria Arte e Letra recebe o lançamento dos livros ‘de doze em doze horas’, de Alexandre França, e a ‘fachada e os fundos’ de Edson Falcão. E no dia 14, no Wonka Bar, será celebrado o lançamento do selo Dezoito Zero Um Cultura e Arte.

O selo Dezoito Zero Um – Cultura e Arte começa as suas atividades lançando dois poetas representativos de Curitiba: Edson Falcão e Alexandre França. É a Coleção Poesia – Dezoito Zero Um que pretende publicar, dentro em breve, mais poetas da nossa cidade, sempre com um apelo visual único, seguindo a tendência de publicações de ponta no Brasil e no exterior. Com a idéia de materializar no objeto livro a idéia central da publicação, os livros da Dezoito Zero Um não possuem texto de contra-capa, logomarcas ou signos que interfiram na apreciação visual de suas concepções: tudo é confeccionado pensando no conceito principal da obra. Na capa do livro do poeta Edson Falcão, por exemplo, temos uma brincadeira com o título “a fachada e os fundos”, quando percebemos que, na contra-capa, este título encontra-se invertido.

LEPREVOST, J B VIDAL E ALEXANDRE FRANÇA, poetas, músicos, atores, dramaturgos, contistas, compositores e amigos.

“Tudo começou com a idéia de criar um selo de música”, conta Alexandre França, editor e criador do selo. “Até então não tinha um nome, daí me veio a idéia de pegar o mesmo nome da minha companhia de teatro, formando mais um braço de produção cultural”. Apoiada pela lei do mecenato da Fundação Cultural de Curitiba, e com design gráfico assinado por Giovanni Dameto da G de Gato, a Dezoito Zero Um pretende, no futuro, publicar coleções de prosa e dramaturgia. Alguns nomes já estão cotados para futuras publicações, como o escritor Luiz Felipe Leprevost, o poeta Rodrigo Madeira, entre outros. “Queremos no futuro formar um bom painel do que aconteceu na cidade nestes anos”, conta Alexandre. Perguntado sobre o significado do nome Dezoito Zero Um, França explica: “é o número do meu apartamento”.

Sobre os livros

Edson Falcão nos apresenta, nos 44 novos poemas desta obra e nos outros 23 retirados de outros livros e incluídos nesta publicação, uma profunda visão do homem contemporâneo nos seus mais diferentes aspectos. Com uma poética seca, na qual o poeta, a partir de uma análise do próprio fazer poético, e de sua infância vivida no interior do Paraná, Edson tece um painel do individuo no meio urbano. O prefácio ficou por conta do poeta Jaques Brand, em que diz: “ Falcão decididamente não tem aquelas qualidades pessoais que levam, no Brasil de 2010, ao sucesso institucional; não é um alcoolista com algum beatnik na ponta da língua, não fala sempre alguns decibéis acima do normal, não morreu, aliás goza de boa saúde (…) A despeito de lhe faltarem esses trunfos, sendo além de tudo um tímido e um discreto, sobra-lhe contudo legitimidade para interessar o leitor que busca, fora da feira literária das vaidades, o fazer poético mais autentico, que vê como água cristalina, que brota de uma fonte situada no interior.”

Alexandre França apresenta seu ‘de doze em doze horas’, que segundo Márcio Matanna ; “ se abre ao leitor como um convite(…), embora Alexandre França nos ofereça um ciclo de manhã, tarde e noite, há sempre uma sensação meio noturna a brotar de seus versos. A manhã se mistura a madrugada, e quase tudo é vivido dentro de salas e quartos, oscilando entre o sono e a insônia. Se cada cidade madura tem seus mitos, então poderíamos afirmar que Curitiba cultiva em si mesmo o mito da solidão e o mito do suicida, a poesia de França cava um túnel rumo ao fundo dessa mitologia. A solidão é um quarto trancado por dentro. E cada vez que um olhar desvia de outro olhar e se olha para o chão, dá-se mais uma volta na chave.”

Serviço

Lançamento dos livros “a fachada e os fundos” de Edson Falcão e “de doze em doze horas” de Alexandre França


Data: 02/09/2010
Horário: 19h30
Local: Livraria Arte e Letra (Lucca Café)
Endereço: Rua Presidente Taunay, 40
Fone: 30166675

Festa de lançamento do selo Dezoito Zero Um Cultura e Arte

Show com a banda Confraria da Costa – e a presença dos poetas Edson Falcão, Alexandre França e Luiz Felipe Leprevost.

Data: 14/09/2010
Horário: 22h00
Local: Wonka bar
Endereço: Rua Trajano Reis, 326
Fone: 30266272

T H O M A S . J O N E S

BATALLA DE ACOSTA ÑU ou CAMPO GRANDE, 16 de agosto de 1869 – por jaime galeano y hugo montero / paraguay

Dia del Niño – Acosta Ñu

En Paraguay la fecha del Día del Niño tiene otro significado, porque se recuerda a los niños caídos en la Guerra de la Triple Alianza y tiene su origen en la batalla de Acosta Ñu, librada el 16 de agosto de 1869. En dicha batalla, niños y adolescentes paraguayos combatieron, precariamente armados, contra las fuerzas invasoras brasileñas y fueron masacrados sin piedad. En la contienda intervinieron también las fuerzas armadas argentinas, cuyo gobierno de entonces carga con el baldón más negro de la historia. El Día del niño en Paraguay es entonces un homenaje al extraordinario acto de heroísmo realizado por esos niños caídos en combate. El mundo entero, y especialmente los países que integraron la Triple Alianza, deberían rendir honores a esas criaturas paraguayas que cayeron inmolados frente a ejércitos veteranos de Brasil y Argentina.

Los chicos de la guerra

El tan comercial entre nosotros Día del Niño se conmemora con desfiles y homenajes en Paraguay el 16 de agosto, en recuerdo de los tres mil quinientos niños exterminados en la batalla de Acosta Ñú librada en 1869. Los chicos masacrados llevaban las caras pintadas con barbas y bigotes, las cabezas cubiertas con quepis militares y sus manos con palos y maderas simulando fusiles.

Muchos años han pasado desde el final de la guerra del Paraguay; el genocidio organizado por los británicos y ejecutado por argentinos, brasileños y uruguayos, que tuvo en una batalla su síntesis más sangrienta.

El viento que cruzaba entonces el Cerro Gloria, jugaba con el pelo de los niños, sucio de sangre y de tierra, cuerpos esparcidos por la pradera, desgarrados por el fuego de las balas y las cargas de soldados profesionales y mercenarios bien entrenados bajo la bandera de la Alianza. Los derrotados en la batalla de Acosta Ñú, ese 16 de agosto de 1869, eran chicos, pibes paraguayos de entre nueve y quince años de edad, y sobre ellos el viento del cerro pasaba rasante, silencioso. A lo lejos, soldados brasileños comenzaban a cumplir las últimas órdenes del Conde D’Eu y azuzaban el fuego entre las matas para no dejar rastros de la masacre, para evitar cargar con los heridos, para apagar definitivamente la luz de un genocidio inédito en la historia de América del Sur. Y ese fuego escondió la sangre para siempre.

La batalla de Acosta Ñú, donde fueron asesinados cerca de tres mil quinientos niños paraguayos, no sólo representó el símbolo máximo de un genocidio que devastó a un floreciente país sudamericano, sino que continúa siendo hoy uno de los hechos más vergonzosos en la historia de los países responsables y cómplices de la guerra de la Triple Alianza, Argentina entre ellos. Una historia que suele omitirse en los manuales escolares que leen los niños de esos mismos países.

“Si queremos salvar nuestras libertades y nuestro porvenir tenemos el deber de ayudar a salvar al Paraguay, obligando a sus mandatarios a entrar en la senda de la civilización”, exhortaba Domingo Sarmiento, meses antes del comienzo de la guerra. La conclusión de esa entrada en la senda de la civilización que representaban entonces civilizados países como Argentina, Brasil y Uruguay, significó para el Paraguay el aniquilamiento del noventa y nueve por ciento de su población masculina mayor a los quince años y del setenta y seis por ciento del total de sus habitantes durante la etapa 1865-70.

La guerra redujo la población del Paraguay de un millón trescientos mil habitantes a doscientos mil y a un ejército de cien mil hombres a apenas cuatrocientos soldados sobrevivientes. También representó, claro, la pérdida de ciento sesenta mil kilómetros cuadrados de su territorio a manos de los vencedores, la aceptación del tratado de libre navegación en sus ríos (principal motivo de la guerra), el pago de mil quinientos millones de pesos en concepto de indemnizaciones, la privatización de sus tierras, fábricas y servicios a precios de remate y el comienzo de un endeudamiento crónico producto de un préstamo otorgado por la misma banca que costeó los gastos de guerra de Brasil: la británica Baring Brothers. Esta compañía fue, en realidad, la única ganadora del conflicto: el préstamo de tres mil libras esterlinas a un Paraguay en ruinas se transformó tres década después en una deuda de siete millones y medio de libras, por ejemplo.

“¿Cuánto tiempo, cuántos hombres, cuántas vidas, cuántos elementos y recursos necesitaremos para terminar esta guerra, para convertir en humo y polvo a toda la población paraguaya, para matar hasta el feto en el vientre de cada mujer?”, se preguntaba el Marqués de Caxias, mariscal del ejército brasileño, en una carta dirigida al emperador Pedro II, antes de resignar su cargo a manos del asesino Conde D’Eu. Pero para zanjar la crisis interna de Pedro II en Brasil y también del presidente argentino Bartolomé Mitre, la guerra debía prolongarse hasta el final, y el final era la masacre.

Por eso la mañana del 16 de agosto el mariscal Francisco Solano López ordenó organizar una resistencia en Acosta Ñú para permitir su retirada hacia Cerro Corá, cuando las derrotas paraguayas se sucedían una tras otra. El general Bernardino Caballero fue el encargado de armar y vestir a un batallón de tres mil quinientos niños y apostarlos, junto con quinientos veteranos, en el paraje de Ñú Guassú, frente a un ejército brasileño de veinte mil hombres, alineados con mercenarios provenientes del Uruguay. Pese a las cargas reiteradas de los brasileños desde los cuatro flancos y a la debilidad lógica de la heroica resistencia paraguaya, la batalla de Acosta Ñú demoró toda una tarde en resolverse. Allí fue cuando las madres de los niños comenzaron a bajar del monte para sumarse a la batalla con las armas de sus hijos caídos. Con los últimos vestigios de sol, el Conde D’Eu no titubeó al ordenar el incendio de la pradera, con heridos y prisioneros incluidos, antes de continuar la marcha.

Con la muerte de Solano López en Cerro Corá, la guerra había terminado y la batalla de Acosta Ñú pasó a formar parte de la historia olvidada del continente. Sin embargo, el vergonzoso papel de los gobiernos de Argentina, Brasil y Uruguay en defensa de los intereses comerciales británicos tardaría mucho en apagarse. Al igual que el fuego que consumía de a poco los restos de la masacre en el Cerro Gloria.

a BATALHA de CAMPO GRANDE chamada de BATALLA de los NIÑOS ou de ACOSTA ÑU pelos paraguaios. óleo sobre tela de Pedro Américo.

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COMENTÁRIO:

Corria a Guerra do Paraguai, que já derrotado, tinha seu líder, o ditador Solano, em fuga. Duque de Caxias, líder do exército brasileiro, sugeriu que o Brasil propusesse acordo de paz, mas D. Pedro II recusou-se, ordenando que o exército achasse e eliminasse Solano. Em 16 de agosto de 1869, o exército brasileiro, agora liderado pelo Conde d’Eu, cunhado do Imperador, saía à caça do líder paraguaio. Num lugar chamado Acosta Ñu, 20.000 homens cercaram um “exército” paraguaio com aproximadamente 3.500 crianças (até 15 anos) e outras pessoas que procuravam proteger ou esconder Solano. Conta-se que estavam no meio deste grupo adultos feridos e velhos. As crianças, para passarem-se por adultos, pintaram bigodes com carvão. Quando a cavalaria invadiu, e as crianças começaram a ser mortas, suas mães saíram do meio da mata e também foram mortas, degoladas, pisadas. Daqui para frente, as versões variam. Alguns dizem que os paraguaios colocaram fogo na mata para dificultarem a ação do brasileiros.

Outros dizem que, não sendo suficiente a matança, Conde d´Eu, na metade do dia, mandou colocar fogo na mata para que tivesse menos trabalho.

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ilustração do site.

Datafolha mostra Dilma com 41% e Serra com 33%

Marina aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos percentuais.

Na pesquisa anterior, em julho, Dilma estava com 36% e Serra com 37%.

Pesquisa Datafolha para presidente da República divulgada neste sexta-feira (13) mostra os candidatos Dilma Rousseff (PT) com 41% e José Serra (PSDB) com 33%das intenções de voto. Marina Silva (PV) aparece em terceiro lugar com 10%.

Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Serra pode ter entre 31% e 35% e Dilma, entre 39% e 43%, e Marina, entre8% e 12%.

O Datafolha realizou 10.856 entrevistas em 382 municípios. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo” e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o número 22734/2010.

Em maio, Dilma Rousseff tinha 36% das intenções de voto. Foi a 37%, na virada de junho para julho. Em julho, voltou a 36% e agora tem 41%.

José Serra tinha 36% em maio. Na virada de junho para julho, foi a 39%. Em julho, 37% e agora, em agosto, tem 33%.

Marina Silva, do PV, tinha 10% em maio, depois, 9%. Em julho, foi a 10% e agora se manteve em 10%.

Os outros candidatos não chegaram a 1% cada. Brancos e nulos somaram 5% e os que não sabem, 9%. Segundo o Datafolha, excluindo-se os indecisos, brancos e nulos – e considerando apenas os votos válidos, Dilma Rousseff estaria hoje a três pontos percentuais de uma possível vitória no primeiro turno.

Segundo turno
A simulação de segundo turno efetuada pelo Datafolha aponta Dilma com 49% e Serra com41%. Os indecisos são 5%, e outros 5% votariam em branco ou anulariam o voto.

Avaliação do governo
De acordo com a pesquisa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é avaliado como ótimo/bom por 77% dos entrevistados; como regular por 18%; e como ruim/péssimo por 4%.

Do G1, em São Paulo e Brasília

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COMENTÁRIO:

comitê do zé serra se transforma em paiol de pólvora ! tucanalha querem se livrar do vice (indio) dos DEMOS. creditam a ele a queda vertiginosa nas pesquisas a partir das suas calúnias “bombásticas”.  o menino, filho do césar maia, que é presidente ventríluquo dos demos, ensaia com os caciques como dominar os tucanos na cacetada! sérgio guerra, o presidente da tucanada ameaça deixar a coordenação geral da campanha. FHC diz que o barco da campanha já fez água e lavou as mãos na mesma. enfim, estabeleceu-se o caos. zé serra, completamente perdido, segue beijando criancinhas e velhinhas na periferia de são paulo e prometendo 400 km de metrô para o Brasil inteiro !!!

fotos e comentário do site.

RUDI BODANESE e suas fotos e poemas V / ilha de santa catarina

BIENAL do LIVRO é aberta em SÃO PAULO


Convidados visitaram o Pavilhão do Anhembi, nesta quinta (12/08/10).
Público poderá visitar o evento a partir de sexta (13/08/10).

A 21ª edição da Bienal do Livro de São Paulo foi aberta oficialmente nesta quinta-feira (12), no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na Zona Norte da capital paulista. O acesso do público será permitido a partir desta sexta-feira (13), mas alguns convidados, como grupos de alunos de escolas da cidade, foram convidados para visitar a feira em primeira mão (Foto: Juliana Cardilli/G1)

O prefeito Gilberto Kassab e o governador Alberto Goldman participaram da cerimônia de abertura. A feira terá 350 expositores e 4,2 mil lançamentos. O evento vai até o dia 22 de agosto (Foto: Juliana Cardilli/G1)

G1.

AS VERGONHAS NACIONAIS QUE O POVO, PORTUGUÊS, DESCONHECE por vera lucia kalaari / portugal

De facto, Portugal está a atravessar uma situação que se torna cada vez mais difícil para o Povo, moribundo, resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, que se vai transformando em burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de miséria, sem uma rebelião, sem um protesto digno de se registar, enfim, umpovo que desistiu de reclamar os seus direitos, que se vai embriagando com o futebol, como se tudo o que  diz respeito a uma sobrevivência digna, deixasse de ter interesse.Mas não é o futebol que lhes dá pão…

Enchemos de bandeiras nacionais as nossas janelas, homenageando a nossa Selecção..

Mas vistas as coisas e, principalmente, caindo na nossa realidade, devíamos era enfeitar todas as nossas casas com bandeiras negras de protesto contra esse futuro que nos preparam, e que nós, inconscientemente, deixamos que aconteça porque quem cala, consente. Mobilizamo-nos por determinadas causas que não nos dizem respeito, mas nada fazemos em prol de nós próprio… Tornámo-nos num Povo de ‘’otários’’ silenciosos, quando, mais do que nunca, devíamos ter consciência das palavras de Zeca Afonso, que nunca foram tão oportunas:’’Eles comem tudo e não deixam nada.’’

Mas passemos aos factos, que acho deverem ser do conhecimento de todos:

NOVO PENSIONISTA: MARQUES MENDES

Aos 50 anos e com 20 anos de desconto como Deputado, este senhor acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais.

Contudo, um trabalhador normal, tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos, para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.

CAMPOS E CUNHA, ex-ministro das Finanças, recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo, 4.600,00 euros mensais de ordenado e uma reforma de 8.000 euros do Banco de Portugal.

MIRA AMARAL saiu da Caixa Geral de Depósitos com uma reforma de gestor de 18.000,00 euros. Na altura acumulava outra pensão de 1.8 mil euros como deputado e ainda uma terceira de 16.000 euros como líder executivo da CGD. E o mais interessante é que esta reforma paga pelo povo era auferida ao fim de…pasme-se: um ano e nove meses.

PAULO TEIXEIRA PINTO com 46 anos passou à reforma por incapacidade, decretada por Junta Médica, com uma pensão no valor de 35000 euros mensais. Mas apesar desta incapacidade,  já arranjou um cargo numa consultora financeira. Teixeira Pinto nega ter recebido uma ‘’indemnização pela rescisão do contrato’’ com o BCP, garantindo que APENAS recebeu a ‘’remuneração total referente ao exercício de 2007: 9.732 milhóes de euros em ‘’compensações’’ e ‘’remunerações variáveis´´.

Estas Juntas Médicas são as mesmas que recusam reformas a funcionários com doenças graves, inclusive cancro. Que moral é esta?

ANTONIO CARRAPATOSO, figura de proa da Telecel/Vodafone,  foi bafejado pela sorte, quando viu a sua  dívida de 7000.000.00 de IRS prescrever. Porque raz~qo ela prescreveu? Porque razão não se fez a cobrança coerciva da mesma, se este senhor nunca saiu do país e nunca o seu paradeiro foi desconhecido , aparecendo, aliás, diversas vezes na televisão, para entrevistas e comentários, onde fez questão de defender sempre as virtudes do ‘’sistema’’ em que vivemos presentemente. Mas lembremo-nos todos, que esta dívida nunca poderia prescrever, porque somos nós todos, contribuintes, os credores deste senhor.. Mas ao povo, o que acontece? Qualquer pequena dívida ao fisco e aí temos as penhoras…

CARLOS HORTA E COSTA um exemplo de como o dinheiro de todos nós, é desbaratado, sem que disso ninguém tenha conhecimento: No dia 14 de Janeiro de 2005 no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, durante um Encontro dos Correios de Portugal, os CTT pagaram 19.00000 euros a Luís Felipe Scolari por uma palestra de 45 minutos cujo tema era ‘’Como fortalecer o espírito de grupo.’’.

Nestas comemorações, gastaram-se mais de 430.000.00 euros.

Também a despesa com as remodelações do gabinete e sala de visitas deste senhor, rondaram os 430.691.00 euros.

Sempre na linha das grandezas o sr.Horta e Costa tinha à sua disposição um Jaguar S. Type ,  e um Mercedes Benz S320CDI totalizando em rendas 50.758.00 euros  mais 84.000.00 euros.

Assim, o Relatório da Inspecção Geral concluiu haver ‘’indícios de má gestão’’ e ‘’falta de contenção de uma empresa que gere dinheiros públicos’’.Que se adiantou com isso?

VITOR CONSTANCIO,  ex-governador do Banco de Portugal com um ordenado anual de 272.628.00  euros anuais.

Estes alguns exemplos entre dezenas doutros. E por estes abusos, estas vidas de luxo, com os gestores mais bem pagos do mundo, que nunca são responsabilizados pelos erros que cometem, está o nosso País a debater-se com a crise que todos nós conhecemos, pedindo-se, não àqueles que muito contribuíram para a mesma – não podemos responsabilizar só a crise financeira mundial- mas sim ao pobre povo, ‘’sacrifícios’’, cortando-lhes pensões, subsídios, e o que muito bem lhes apetece.

E esses outros? Esses que se encheram e continuam a encher e que ainda têm a veleidade de nos tapar os olhos com belos discursos?

É urgente que  todos tenhamos consciência que este, é o País que temos. As contas, que os outros desequilibraram, têm que ser agora suportadas por todos nós. Uma vergonha…

2010 : “ANO NACIONAL RACHEL DE QUEIROZ” / fortaleza

banner caricatura do artista visual gráfico NETTO.

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O ano de 2010 está sendo instituído como Ano Nacional Rachel de Queiroz, em homenagem ao centenário da escritora. A iniciativa foi do Senado Federal, manifestando publicamente o reconhecimento da singular contribuição para a literatura brasileira. Mulher, nordestina, cearense, escritora. Rachel de Queiroz natural de Fortaleza, nasceu dia 17 de novembro de 1910.

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“[...] tento, com a maior insistência, embora com tão
precário resultado (como se tornou evidente), incorporar
a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à
língua com que ganho a vida nas folhas impressas.  Não
que o faça por novidade, apenas por necessidade.
Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia
brigando por isso e fez escola.”



Rachel de Queiroz
, nasceu em Fortaleza – CE, no dia 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendendo, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna — “dona Miliquinha” — era prima José de Alencar, autor  de “O Guarani“), e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas em Quixadá, onde residiam e seu pai era Juiz de Direito nessa época.

Em 1913, voltam a Fortaleza, face à nomeação de seu pai para o cargo de promotor. Após um ano no cargo, ele pede demissão e vai lecionar Geografia no Liceu. Dedica-se pessoalmente à educação de Rachel, ensinando-a a ler, cavalgar e a nadar. As cinco anos a escritora leu “Ubirajara“, de José de Alencar, “obviamente sem entender nada”, como gosta de frisar.

Fugindo dos horrores da seca de 1915, em julho de 1917 transfere-se com sua família para o Rio de Janeiro, fato esse que seria mais tarde aproveitado pela escritora como tema de seu livro de estréia, “O Quinze“.

Logo depois da chegada, em novembro, mudam-se para Belém do Pará, onde residem por dois anos. Retornam ao Ceará, inicialmente para Guaramiranga e depois Quixadá, onde Rachel é matriculada no curso normal, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925, aos 15 anos de idade. Sua formação escolar pára aí.

Rachel retorna à fazenda dos pais, em Quixadá. Dedica-se inteiramente à leitura, orientada por sua mãe, sempre atualizada com lançamento nacionais e estrangeiros, em especial os franceses. O constante ler estimula os primeiros escritos. Envergonhada, não mostrava seus textos a ninguém.

Em 1926, nasce sua irmã caçula, Maria Luiza. Os outros irmãos eram Roberto, Flávio e Luciano, já falecidos).

Com o pseudônimo de “Rita de Queluz” ela envia ao jornal “O Ceará“, em 1927, uma carta ironizando o concurso “Rainha dos Estudantes”, promovido por aquela publicação. O diretor do jornal, Júlio Ibiapina, amigo de seu pai, diante do sucesso da carta a convida para colaborar com o veículo. Três anos depois, ironicamente, quando exercia as funções de professora substituta de História no colégio onde havia se formado, Rachel foi eleita a “Rainha dos Estudantes”. Com a presença do Governador do Estado, a festa da coroação tinha andamento quando chega a notícia do assassinato de João Pessoa. Joga a coroa no chão e deixa às pressas o local, com uma única explicação “Sou repórter”.

Seu pai adquiri o Sítio do Pici, perto de Fortaleza, para onde a família se transfere. Sua colaboração em “O Ceará” torna-se regular. Publica o folhetim “História de um nome” — sobre as várias encarnações de uma tal Rachel — e organiza a página de literatura do jornal.

Submetida a rígido tratamento de saúde, em 1930, face a uma congestão pulmonar e suspeita de tuberculose, a autora se vê obrigada a fazer repouso e resolve escrever “um livro sobre a seca”. “O Quinze” — romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca — é mostrado aos pais, que decidem “emprestar” o dinheiro para sua edição, que é publicada em agosto com uma tiragem de mil exemplares. Diante da reação reticente dos críticos cearenses, remete o livro para o Rio de Janeiro e São Paulo, sendo elogiado por Augusto Frederico Schmidt e Mário de Andrade. O livro logo transformaria Rachel numa personalidade literária. Com o dinheiro da venda dos exemplares, a escritora “paga” o empréstimo dos pais.

Em março de 1931, recebe no Rio de Janeiro o prêmio de romance da Fundação Graça Aranha, mantida pelo escritor, em companhia de Murilo Mendes (poesia) e Cícero Dias (pintura). Conhece integrantes do Partido Comunista; de volta a Fortaleza ajuda a fundar o PC cearense.

Casa-se com o poeta bissexto José Auto da Cruz Oliveira, em 1932. É fichada como “agitadora comunista” pela polícia política de Pernambuco. Seu segundo romance, “João Miguel“, estava pronto para ser levado ao editor quando a autora é informada de que deveria submetê-lo a um comitê antes de publicá-lo. Semanas depois, em uma reunião no cais do porto do Rio de Janeiro, é informada de que seu livro não fora aprovado pelo PC, porque nele um operário mata outro. Fingindo concordar, Rachel pega os originais de volta e, depois de dizer que não via no partido autoridade para censurar sua obra, foge do local “em desabalada carreira”, rompendo com o Partido Comunista.

Publica o livro pela editora Schmidt, do Rio, e muda-se para São Paulo, onde se aproxima do grupo trotskista.

Nasce, em Fortaleza, no ano de 1933, sua filha Clotilde.

Muda-se para Maceió, em 1935, onde faz amizade com Jorge de Lima, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Aproxima-se, também, do jornalista Arnon de Mello (pai do futuro presidente da República, Fernando Collor, que a agraciou com a Ordem Nacional do Mérito). Sua filha morre aos 18 meses, vítima de septicemia.

O lançamento do romance “Caminho de Pedras“, pela José Olympio – Rio, se dá em 1937, que seria sua editora até 1992. Com a decretação do Estado Novo, seus livros são queimados em Salvador – BA, juntamente com os de Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sob a acusação de subversivos. Permanece detida, por três meses, na sala de cinema do quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza.

Em 1939, separa-se de seu marido e muda-se para o Rio, onde publica seu quarto romance, “As Três Marias“.

Por intermédio de seu primo, o médico e escritor Pedro Nava, em 1940 conhece o também médico Oyama de Macedo, com quem passa a viver. O casamento duraria até à morte do marido, em 1982. A notícia de que uma picareta de quebrar gelo, por ordem de Stalin, havia esmigalhado o crânio de Trótski faz com que ela se afaste da esquerda.

Deixa de colaborar, em 1944, com os jornais “Correio da Manhã“, “O Jornal” e “Diário da Tarde“, passando a ser cronista exclusiva da revista “O Cruzeiro“, onde permanece até 1975.

Estabelece residência na Ilha do Governador, em 1945.

Seu pai vem a falecer em 1948, ano em que publica “A Donzela e a Moura Torta“. No ano de 1950, escreve em quarenta edições da revista “O Cruzeiro” o folhetim “O Galo de Ouro“.

Sua primeira peça para o teatro, “Lampião“, é montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo, no ano de 1953. É agraciada, pela montagem paulista, com o Prêmio Saci, conferido pelo jornal “O Estado de São Paulo“.

Recebe, da Academia Brasileira de Letras, em 1957, o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.

Em 1958, publica a peça “A beata Maria do Egito“, montada no Teatro Serrador, no Rio, tendo no papel-título a atriz Glauce Rocha.

O presidente da República, Jânio Quadros, a convida para ocupar o cargo de ministra da Educação, que é recusado. Na época, justificando sua decisão, teria dito: “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista.”

O livro “As Três Marias”, com ilustrações de Aldemir Martins, em tradução inglesa, é lançado pela University of Texas Press, em 1964.

O golpe militar de 1964 teve em Rachel uma colaboradora, que “conspirou” a favor da deposição do presidente João Goulart.

O presidente general Humberto de Alencar Castelo Branco, seu conterrâneo e aparentado, no ano de 1966 a nomeia para ser delegada do Brasil na 21ª. Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, junto à Comissão dos Direitos do Homem.

Passa a integrar o Conselho Federal de Cultura, em 1967, e lá ficaria até 1985. Depois de visitar a escritora na Fazenda Não me Deixes, em Quixadá, o presidente Castelo Branco morre em desastre aéreo.

Estréia na literatura infanto-juvenil, em 1969, com “O Menino Mágico“, em 1969.

No ano de 1975, publica o romance “Dôra, Doralina“.

Em 1977, por 23 votos a 15, e um em branco, Rachel de Queiroz vence o jurista Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e torna-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. A eleição acontece no dia 04 de agosto e a posse, em 04 de novembro.  Ocupa a cadeira número 5, fundada por Raimundo Correia, tendo como patrono Bernardo Guimarães e ocupada sucessivamente pelo médico Oswaldo Cruz, o poeta Aluísio de Castro e o jurista, crítico e jornalista Cândido Mota Filho.

Seu livro, “O Quinze“, é publicado no Japão pela editora Shinsekaisha e na Alemanha pela Suhrkamp, em 1978.

Em 1980, a editora francesa Stock lança “Dôra, Doralina“. Estréia da Rede Globo de Televisão a novela “As Três Marias“, baseada no romance homônimo da escritora.

Com direção de Perry Salles, estréia no cinema a adaptação de “Dôra, Doralina“, em 1981.

Em 1985, é inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche “Casa deRachel de Queiroz“. “O Galo de Ouro” é publicado em livro.

Retorna à literatura infantil, em 1986, com “Cafute & Perna-de-Pau“.

A José Olympio Editora lança, em 1989, sua “Obra Reunida“, em cinco volumes, com todos os livros que Rachel publicara até então destinados ao público adulto.

Segundo notícia que circulou em 1991, a Editora Siciliano, de São Paulo, pagou US$150.000,00 pelos direitos de publicação da obra completa de Rachel.

Já na nova editora, lança em 1992 o romance “Memorial de Maria Moura“.

Em 1993, recebe dos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões e da União Brasileira de Escritores, o Juca Pato. A Siciliano inicia o relançamento de sua obra completa.

1994 marca a estréia, na Rede Globo de Televisão, da minissérie “Memorial de Maria Moura“, adaptada da obra da escritora. Tendo no papel principal a atriz Glória Pires, notícias dão conta que Rachel recebeu a quantia de US$50.000,00 de direitos autorais.

Inicia seu livro de memórias, em 1995, escrito em colaboração com a irmã Maria Luiza, que é publicado posteriormente com o título “Tantos anos“.

Pelo conjunto de sua obra, em 1996, recebe o Prêmio Moinho Santista.

Em 2000, é publicado “Não me Deixes — Suas histórias e sua cozinha”, em colaboração com sua irmã, Maria Luiza.

Em novembro deste ano, quando a escritora completou 90 anos de idade, foi inaugurada, na Academia Brasileira de Letras, a exposição “Viva Rachel“. São 17 painéis e um ensaio fotográfico de Eduardo Simões resumindo o que os organizadores da mostra chamam de “geografia interior de Rachel, suas lembranças e a paisagem que inspirou a sua obra”.

Rachel de Queiroz chega aos 90 anos afirmando que não gosta de escrever e o faz para se sustentar. Ela lembra que começou a escrever para jornais aos 19 anos e nunca mais parou, embora considere pequeno o número de livros que publicou. “Para mim, foram só cinco, (além de O Quinze, As Três Marias, Dôra, Doralina, O Galo de Ouro e Memorial de Maria Moura), pois os outros eram compilações de crônicas que fiz para a imprensa, sem muito prazer de escrever, mas porque precisava sustentar-me”, recorda ela. “Na verdade, eu não gosto de escrever e se eu morrer agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa”.

Recebe, em 06-12-2000, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Em 2003, é inaugurado em Quixadá (CE), o Centro Cultural Rachel de Queiroz.

Faleceu, dormindo em sua rede, no dia 04-11-2003, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou, aguardando publicação, o livro “Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz”, uma fusão de imagens do Ceará fotografadas por Maurício com textos de Rachel de Queiroz.

Obras:

Individuais:

Romances:

- O quinze (1930)
– João Miguel (1932)
– Caminho de pedras (1937)
– As três Marias (1939)
– Dôra, Doralina (1975)
– O galo de ouro (1985) – folhetim na revista ” O Cruzeiro”, (1950)
– Obra reunida (1989)
– Memorial de Maria Moura (1992)

- Literatura Infanto-Juvenil:

– O menino mágico (1969)
– Cafute & Pena-de-Prata (1986)
– Andira (1992)
– Cenas brasileiras – Para gostar de ler 17.

- Teatro:

- Lampião (1953)
– A beata Maria do Egito (1958)
– Teatro (1995)
– O padrezinho santo (inédita)
– A sereia voadora (inédita)

- Crônica:

- A donzela e a moura torta (1948);
– 100 Crônicas escolhidas (1958)
– O brasileiro perplexo (1964)
– O caçador de tatu (1967)
– As menininhas e outras crônicas (1976)
– O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
– Mapinguari (1964)
– As terras ásperas (1993)
– O homem e o tempo (74 crônicas escolhidas}
– A longa vida que já vivemos
– Um alpendre, uma rede, um açude: 100 crônicas escolhidas
– Cenas brasileiras
– Xerimbabo (ilustrações de Graça Lima)
– Falso mar, falso mundo – 89 crônicas escolhidas (2002)

- Antologias:

- Três romances (1948)

- Quatro romances (1960) (O Quinze, João Miguel, Caminho de Pedras,
As três Marias)

- Seleta (1973) – organização de Paulo Rónai

- Livros em parceria:

- Brandão entre o mar e o amor (romance – 1942) – com José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Jorge Amado.

- O mistério dos MMM (romance policial – 1962) – Com Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto Sales, Jorge Amado, José Condé, Guimarães Rosa, Antônio Callado e Orígines Lessa.

- Luís e Maria (cartilha de alfabetização de adultos – 1971) – Com Marion Vilas Boas Sá Rego.

- Meu livro de Brasil (Educação Moral e Cívica – 1º. Grau, Volumes 3, 4 e 5 – 1971) – Com Nilda Bethlem.

- O nosso Ceará (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), relato, 1994.

- Tantos anos (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), auto-biografia, 1998.

- O Não Me Deixes – Suas Histórias e Sua Cozinha (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), 2000.

Obras traduzidas pela escritora:

- Romances:

AUSTEN, Jane. Mansfield Parlz (1942).
BALZAC, Honoré de. A mulher de trinta anos (1948).
BAUM, Vicki. Helena Wilfuer (1944).
BELLAMANN, Henry. A intrusa (1945).
BOTTONE, Phyllis. Tempestade d’alma (1943).
BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes (1947).
BRUYÈRE, André. Os Robinsons da montanha (1948).
BUCK, Pearl. A promessa (1946).
BUTLER, Samuel. Destino da carne (1942).
CHRISTIE, Agatha. A mulher diabólica (1971).
CRONIN, A. J. A família Brodie (1940).
CRONIN, A. J. Anos de ternura (1947).
CRONIN, A. J. Aventuras da maleta negra (1948).
DONAL, Mario. O quarto misterioso e Congresso de bonecas (1947).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Humilhados e ofendidos (1944).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Recordações da casa dos mortos (1945).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os demônios (1951).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os irmãos Karamazov (1952) 3 v.
DU MAURIER, Daphne. O roteiro das gaivotas (1943).
FREMANTLE, Anne. Idade da fé (1970).
GALSWORTHY, John. A crônica dos Forsyte (1946) 3 v.
GASKELL, Elisabeth. Cranford (1946).
GAUTHIER, Théophile. O romance da múmia (1972).
HEIDENSTAM, Verner von. Os carolinos: crônica de Carlos XII (1963).
HILTON, James. Fúria no céu (1944).
LA CONTRIE, M. D’Agon de. Aventuras de Carlota (1947).
LOISEL, Y. A casa dos cravos brancos (1947).
LONDON, Jack. O lobo do mar (1972).
MAURIAC, François. O deserto do amor (1966).
PROUTY, Oliver. Stella Dallas (1945).
REMARQUE, Erich Maria. Náufragos (1942).
ROSAIRE, Forrest. Os dois amores de Grey Manning (1948).
ROSMER, Jean. A afilhada do imperador (1950).
SAILLY, Suzanne. A deusa da tribo (1950).
VERDAT, Germaine. A conquista da torre misteriosa (1948).
VERNE, Júlio. Miguel Strogoff (1972).
WHARTON, Edith. Eu soube amar (1940).
WILLEMS, Raphaelle. A predileta (1950).

- Biografias e memórias:

BUCK, Pearl. A exilada: retrato de uma mãe americana (1943).
CHAPLIN, Charles. Minha vida (caps. 1 a 7 (1965).
DUMAS, Alexandre. Memórias de Alexandre Dumas, pai (1947).
TERESA DE JESUS, Santa. Vida de Santa Teresa de Jesus (1946).
STONE, Irwin. Mulher imortal (biografia de Jessie Benton Fremont (1947).
TOLSTÓI, Leon. Memórias (1944).

- Teatro:

CRONIN, A. J. Os deuses riem (1952).


Os dados acima foram obtidos em livros de e sobre a autora, sites da Internet, jornais e revistas de circulação nacional.


Textos íntimos de Marilyn Monroe revelam uma poetisa desconhecida / new york

Obra “Fragmentos” reúne dezenas de escritos da estrela de Hollywood

Textos pessoais, cartas e poemas totalmente inéditos de Marilyn Monroe, que serão publicados em um livro a ser lançado em outubro próximo, levantam um véu sobre uma faceta desconhecida de um dos grandes ícones do século XX: sua alma de poeta.

Intitulado Fragmentos, o livro editado pelo francês Bernard Comment e o produtor de cinema americano Stanley Buchthal, reúne também 33 fotos pessoais da trágica e sedutora artista, assim como trechos de seus diários íntimos, que revelam seu extraordinário amor pela literatura e os livros.

— Dezenas de livros foram escritos sobre Marilyn, mas esta é a primeira vez que se publica um livro com textos dela — explicou Comment à AFP, enfatizando que, pela primeira vez, é possível “inteirar-se de seu universo mental”, através de seus próprios escritos.

— Ninguém suspeitava que no interior de seu corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta — escreve o italiano Antonio Tabucchi no prefácio do livro, que chegará às livrarias entre 7 e 12 de outubro em vários países.

Fragmentos reúne dezenas de reproduções desses textos íntimos, escritos desde 1943 até às vésperas da morte da estrela, na madrugada de 5 de agosto de 1962.

A estrela loura em alguns de seus textos evoca o irlandês James Joyce

Intitulado Fragmentos, o livro editado pelo francês Bernard Comment e o produtor de cinema americano Stanley Buchthal, reúne também 33 fotos pessoais da trágica e sedutora artista, assim como trechos de seus diários íntimos, que revelam seu extraordinário amor pela literatura e os livros.

Segundo Comment, a maior parte do livro diz respeito aos anos 1950, “no momento em que a estrela deixa Hollywood, onde triunfou, para instalar-se em Nova York”, onde se matricula no mítico Actor’s Studio, fundado por Lee Strasberg, que foi o herdeiro da fortuna de Marilyn.

— Seus textos mostram como Marilyn busca nela mesma sua própria verdade, para dar vida a seus melhores papeis, e para enfrontar os grandes textos — acrescenta Comment.

A literatura está muito presente nos textos de Marilyn, assim como os escritores que ela admirava.

Apesar de não fazer muitas referências diretas a escritores, a estrela loura em alguns de seus textos evoca o irlandês James Joyce, a quem descobriu em seu começo no Actor’s Studio, ao interpretar, aos 26 anos, o mítico monólogo de Molly.

Ela também cita o grande poeta americano Walt Whitman, o dramaturgo irlandês Samuel Beckett e, é claro, Arthur Miller, outro dramaturgo com quem se casou depois de ter sido apresentada pelo prórpio Strasberg.

Marilyn Monroe possuía uma imponente biblioteca, onde estavam presentes todos os grandes escritores, recordou Comment.

Essa admirável biblioteca foi dispersada em um grande leilão da Christie’s em 1999, em benefício de uma associação de caridade para escritores carentes.




DESCOBERTA ESTRELA COM MASSA 265 VEZES MAIOR QUE A DO SOL !

Descoberta estrela com maior massa no universo

Cientistas calculam que ‘R136a1′ tem atualmente 265 vezes a massa do Sol.
Sua luminosidade é 10 milhões de vezes maior.


Imagem divulgada por observatório europeu mostra três estrelas que tem massa maior que a do sol. A que tem mais massa, conhecida como R136a1e localizada no centro da imagem, tem hoje o equivalente a 265 vezes a massa do Sol, mas cientistas calculam que na época de seu nascimento esse número pode ter chegado a 320 vezes. (Foto: AP)

Ela também tem grande luminosidade, cerca de dez milhões de vezes maior que a do Sol (Foto: AP)

A. PRESS.

JOSÉ ANTONIO DE LIMA abre exposição no CENTRO CULTURAL CORREIOS / RIO DE JANEIRO

Julho, 2010

Rio recebe instalação “Tramas” de artista plástico do Paraná

O Centro Cultural Correios, no Centro do Rio, abre no dia 28 de julho, às 19 horas, a exposição individual do artista plástico paranaense José Antonio de Lima. Sob o título “Traquitramas”, a mostra é composta por objetos de produção recente, que gravitam em torno da instalação “Tramas”, confeccionada por tecidos costurados com cordas e fios de nylon, estruturadas com ferro. O conjunto permanece em exibição até o dia 5 de setembro.

“Tramas” já foi apresentada em espaços internacionais como o Hyogo Prefectual Museum of Art, da cidade de Kobe, capital da província de Hyogo, no Japão, em 2008, em uma parceria com o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, PR. Foi exposta ainda em Estocolmo, Suécia (2007) e na Finlândia (2010); além de ter tomado o espaço do Memorial de Curitiba e do Museu de Arte Contemporânea, de Joinville (SC), em 2007.

O artista explica que o ponto de partida para as Tramas, agora apresentadas no Rio de Janeiro, são obras anteriores, iniciadas no período de 2001-2002, chamadas de Catedrais Espaciais, realizadas a partir de estruturas de metal retorcido, de forma mais ou menos circular, recobertas por pedaços de tecido cru, amarrado e esticado. “As Catedrais ainda tinham o caráter de uma escultura tradicional, no sentido de constituírem um núcleo estrutural ao redor do qual o espectador transitava para descobrir seus vários ângulos e formas. Nas Tramas este núcleo desapareceu; a obra, então, cresceu em todas as direções, sendo formada por várias peças construídas apenas com corda e tecido esticados, ligadas entre si e à estrutura do espaço em que se inserem”, descreve.

Para o crítico de arte e professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Fabrício Vaz Nunes, “a obra de José Antonio é marcada pela evocação da ação humana e da passagem do tempo sobre materiais crus e rudes, em que elementos como texturas, cores, densidades e resistências tornam-se pontos de partida para a sua poética”. Ele destaca que “ação do artista cria, a partir da matéria bruta, objetos que parecem querer retornar ao estado de natureza, envelhecidos e degradados ou mesmo semelhantes aos objetos naturais; mas trata-se, sempre, de uma construção cenográfica, ilusória”

Vaz Nunes, que foi curador da exibição de “Tramas” em mais de uma ocasião, acrescenta que trata-se de uma obra que se realiza em direta articulação com o ambiente arquitetônico, qualificando-o como um espaço fictício e ilusório, tornado parte de uma obra que é feita para ser vivida, percorrida pelo olhar e também pelo corpo do espectador. A multiplicidade dos módulos e as várias possibilidades de articulação entre as peças criam assim uma obra “mole”, em que cada montagem é diferente da anterior: as Tramas são como um organismo que se adapta de forma diversa a cada ambiente, gerando, propriamente, todo um espaço configurado pela ação artística”. Assim, a instalação aumenta, diminui, cresce ou encolhe em altura e largura, de acordo com o espaço onde é apresentada.

Os objetos, ou “traquitanas”, que complementam a exposição dos Correios, passaram a se denominar “traquitramas”, por serem variantes e giraram em torno da instalação “Tramas”, completando a proposta.

JOSÉ ANTONIO DE LIMA tem uma página exclusiva neste site. CLIQUE AQUI.

Divulgação Institucional

Centro Cultural Correios

Maria José Cardoso

(21)2219-5323/5301-9761-2630

Contato com o artista

José Antonio de Lima

(41) 9193 2754 ou (41) 9227- 6025

jose@joseantoniodelima.com.br

Site:www.joseantoniodelima.com.br

Serviço

Centro Cultural Correios

José Antonio de Lima “Traquitramas”

Abertura: 28 de julho, às 19 horas

Exposição: de 29 de julho a 5 de setembro

De terça feira a domingo, das 12h às 19 h

Local: Rua Visconde de Itaboraí, 20

Centro – Corredor Cultural

CEP 200-10976

Fone: (21) 2253 1580

Patrocínio: Ministério da Cultura

Lei de Incentivo à Cultura

Objetos: chamados Traquitramas e as tramas.

Objetos construídos com tecido, metal e ferro.

UM ANIVERSÁRIO PARA SER COMEMEMORADO – por tonicato miranda ( pelos palavreiros da hora.)

Estivesse vivo Vladímir Vladímirovitch Maiakovski estaria hoje completando 117 anos. É muito? Pelo menos nos tempos modernos, não. O brasileiro mais ilustre, Oscar Niemeyer, completou ainda este ano 101 anos. A “nossa” brasileira mais idosa faleceu no início de Julho com 130 anos. A longevidade tanto é o tempo cronológico, mas também aquela que dura nos corações e na gente do povo e na memória da cultura humana. Ao povo russo, ao menos ao longo de duas décadas após 1930, Maiakovski permaneceu vivo, ainda que a muitos do governo revolucionário russo sua genial poesia parecesse obscura e inatingível às massas populares do seu país.

Mas tudo isto tem importância menor. Devemos agora render uma homenagem a este grande homem. E ele foi grandioso duas vezes. Na estatura, com quase 1,90m, e na grandeza da sua literatura, a maior parte dela: poemas. Pois neste dia especial a Equipe dos Palavreiros quer lembrar um pouco da vida e obra deste magnífico artífice da palavra.

Maiakovski nasceu em Bagdadi, ou Baghdati, segundo o Google, na Geórgia, em 7 de Julho de 1893, 19 de Julho pelo calendário ocidental. Naquela época a Geórgia era russa, e Maiakovski, teve seu início de envolvimento com a poesia e com a revolução quando foi preso, em 29 de Março de 1908. A tipografia onde habitualmente passava horas da sua juventude e que pregava os ideais revolucionários foi fechada e o bardo que se locomovia próximo ao local foi revistado, sendo com ele encontrada caderneta com importantes nomes de ativistas contrários ao regime imperial vigente. Ficou preso por dois anos, saindo da prisão aos 16 anos. Falando do seu tempo de prisão deixou escrito:

Eu, no entanto,

aprendi a amar no cárcere

…………………………………….

me enamorei da janelinha da cela 103

da “oficina de pompas fúnebres”

……………………………………..

então

por um raiozinho de sol amarelo

dançando em minha parede

teria dado todo um mundo.

Na prisão escreveu poemas e textos diversos, tendo organizado um conjunto de poemas que pretendia ver transformado em livro, mas os originais foram apreendidos quando ganhou a “liberdade”. Aspeamos a palavra porque saiu da prisão para cumprir um período de degredo, que somente não se materializou por influência de amigos e companheiros apaziguados pelo sistema.

Matriculou-se na Escola de Belas-Artes, conviveu com o Príncipe Lvov, que tentou mudar sua vontade de “crítica e agitação”. Conselho não seguido, evidentemente, dado seu espírito irrequieto e ideais fortemente arraigados, inclusive em sua poesia. Ao seguir nos estudos, se opõe à linguagem acadêmica de muitos professores, aos quais chamava de decadentes e simbolistas. Costumava dizer sobre os conservadores e seguidores dos clássicos na literatura da sua época: eles “continuam a atirar ananases ao céu”.

Chegou a afirmar:

“…Que posso opor às estéticas antiquadas que me rodeiam? Por acaso a revolução não exigirá de mim que passe por uma escola séria? Fui visitar um camarada, Medvédev, que era então para mim um camarada do Partido. “Quero fazer uma arte socialista”. Meu amigo se pôs a rir às gargalhadas: “Tens os olhos maiores que a barriga”. Interrompi o trabalho de militante e me pus a estudar.”

Procurou depois completar sua instrução, de forma independente, com outros mestres, tendo se tornado amigo íntimo de Gorki. Logo funda o grupo futurista e busca, através de publicações regulares colocar suas posições e a de companheiros sobre a arte, a literatura e as ideias partidárias, sempre atacando a literatura conservadora.

Por não pretendermos repetir aqui toda a sua trajetória, contida na excelente tradução e estudo biográfico realizado por Emílio C. Guerra, 2ª  Edição, 1983, da Editora Max Limonad, a Equipe dos Palavreiros vai apenas pontuar poucas passagens constantes no livro citado e colocar seu mais conhecido poema. Vale dizer, entretanto, que nenhum antes dele, e mesmo depois, levou a poesia engajada às lutas operárias e à vontade de melhores dias dos cidadãos simples do povo e do campesinato. Esta sua ação aguda não tem paralelo na história cultural da humanidade.

Maiakovski além da poesia, dos textos para teatro e artigos voltados à propaganda do partido da revolução. realizou inúmeras palestras e conferências. Ficou conhecido o seu sarcasmo que ele dizia ele ser uma das suas armas mais certeiras e eficientes. Tinha mania de colecionar bilhetes e perguntas escritas por pessoas das platéias que lotavam para assisti-lo, nas diversas cidades em que visitava. Mas muitas vezes respondia as perguntas após a conferência, onde os poemas declamados sempre ficavam para o final. Foi grande declamador, com uma capacidade de improviso na resposta sem igual.

Certa feita, foi questionado por alguém na platéia que lhe disse:

__ Maiakovski, suas piadas não atingem meu entendimento.

__ É que você é uma girafa! – exclamou o poeta. – Somente uma girafa pode molhar os pés na segunda-feira e só ficar resfriada no domingo.

Na mesma sessão um jovem mais atrevido o desafiou:

__ Maiakovski, você nos toma a todos como idiotas, não?

__ Bem, bem… – responde Maiakovski – Por que a todos? Por enquanto só vejo um diante de mim.

Assim era o bardo. Não sabemos dizer – e os estudiosos da sua vida e obra até hoje não sabem dizer, as razões do seu suicídio. Mas certamente muito teve a ver com seus amores (ele um apaixonado, tendo convivido com três grandes amores), e com o desgosto de ver muitos dos seus ideais serem apartados das lutas e campanhas partidária após a morte de Lênin, por quem nutria grande admiração.

Os palavreiros recomendam a leitura do livro Maiacovski (esta a grafia colocada pelo autor), da importante tradução realizada por Emílio C. Guerra e, também, a tradução realizada por Haroldo de Campos, da Record.


A plenos pulmões

Vladímir Maiakóvski

Primeira introdução ao Poema

Caros

camaradas

futuros!

Revolvendo

a merca fóssil

de agora,

perscrutando

estes dias escuros,

talvez

perguntareis

por mim. Ora,

começará

vosso homem de ciência,

afogando os porquês

num banho de sabença,

conta-se

que outrora

um férvido cantor

a água sem fervura

combateu com fervor. (1)

Professor,

jogue fora

as lentes-bicicleta!

A mim cabe falar

de mim

de minha era.

Eu — incinerador,

eu — sanitarista,

a revolução

me convoca e me alista.

Troco pelo “front”

a horticultura airosa

da poesia —

fêmea caprichosa.

Ela ajardina o jardim

virgem

vargem

sombra

alfrombra.

“É assim o jardim de jasmim,

o jardim de jasmim do alfenim”.

Este verte versos feito regador,

aquele os baba,

boca em babador, —

bonifrates encapelados,

descabelados vates —

entendê-los,

ao diabo!,

quem há-de…

Quarentena é inútil contra eles —

mandolinam por detrás das paredes:

“Ta-ran-ten-n-n…”

Triste honra,

se de tais rosas

minha estátua se erigisse:

na praça

escarra a tuberculose;

putas e rufiões

numa ronda de sífilis.

Também a mim

a propaganda

cansa,

é tão fácil

alinhavar

romanças, —

Mas eu

me dominava

entretanto

e pisava

a garganta do meu canto.

Escutai,

camaradas futuros,

o agitador,

o cáustico caudilho,

o extintor

dos melífluos enxurros:

por cima

dos opúsculos líricos,

eu vos falo

como um vivo aos vivos.

Chego a vós,

à Comuna distante,

não como Iessiênin,

guitarriarcaico.

Mas através

dos séculos em arco

sobre os poetas

e sobre os governantes.

Meu verso chegará,

não como a seta

lírico-amável,

que persegue a caça.

Nem como

ao numismata

a moeda gasta,

nem como a luz

das estrelas decrépitas.

Meu verso

com labor

rompe a mole dos anos,

e assoma

a olho nu,

palpável,

bruto,

como a nossos dias

chega o aqueduto

levantado

por escravos romanos.

No túmulo dos livros,

versos como ossos,

Se estas estrofes de aço

Acaso descobrirdes,

vós as respeitareis,

como quem vê destroços

de um arsenal antigo,

mas terrível.

Ao ouvido

não diz

blandícias

minha voz;

lóbulos de donzelas

de cachos e bandos

não faço enrubescer

com lascivos rondós.

Desdobro minhas páginas

— tropas em parada,

E passo em revista

o “front” das palavras.

Estrofes estacam

chumbo-severas,

Prontas para o triunfo

ou para a morte.

Poemas-canhões,

rígida corte,

apontando

as maiúsculas

abertas.

Ei-la,

a cavalaria do sarcasmo,

minha arma favorita,

alerta para a luta.

Rimas em riste,

sofreando o entusiasmo,

eriça

suas lanças agudas.

E todo

este exército aguerrido,

vinte anos de combates,

não batido,

eu vos dôo,

proletários do planeta,

cada folha

até a última letra.

O inimigo

da colossal

classe obreira,

é também

meu inimigo figadal.

Anos

de servidão e de miséria

comandavam

nossa bandeira vermelha.

Nós abríamos Marx

volume após volume,

janelas

de nossa casa

abertas amplamente,

mas ainda sem ler

saberíamos o rumo!

onde combater,

de que lado,

em que frente.

Dialética, não aprendemos com Hegel. Invadiu-nos os versos

Ao fragor das batalhas,

Quando,

sob o nosso projétil,

debandava o burguês

que antes nos debandara.

Que essa viúva desolada,

— glória —

se arraste

após os gênios,

merencória.

Morre,

meu verso,

como um soldado

anônimo

na lufada do assalto.

Cuspo

Sobre o bronze pesadíssimo,

cuspo

sobre o mármore, viscoso.

Partilhemos a glória, —

entre nós todos, —

o comum monumento:

o socialismo,

forjado

na refrega

e no fogo.

Vindouros,

Varejai vossos léxicos:

do Letes

brotam letras como lixo —

“tuberculose”,

“bloqueio”,

“meretrício”

Por vós, geração de saudáveis, —

um poeta,

com a língua dos cartazes,

lambeu

os escarros da tísis.

A cauda dos anos

faz-me agora

um monstro,

fossilcoleante.

Camarada vida,

vamos,

para diante,

galopemos

pelo qüinqüênio afora. (2)

Os versos

para mim

não deram rublos,

nem mobílias

de madeiras caras.

Uma camisa

Lavada e clara,

e basta, —

para mim é tudo.

Ao

Comitê Central

do futuro

ofuscante,

sobre a malta

dos vates

velhacos e falsários,

apresento

em lugar

do registro partidário

todos

os cem tomos

dos meus livros militantes.

[Dezembro, 1929/janeiro, 1930]


dê UM clique no centro do vídeo.

Notas

1 — Maiakóvski escreveu versos de propaganda sanitária.

2 — Alusão aos Planos Quinquenais soviéticos.

Este é um dos poemas mais conhecidos do poeta.

A tradução é de Haroldo de Campos.

Veja também:

http://www.xenia.com.br/jornal/maiakovski.htm

http://www.revistabula.com/posts/livros/revolucao-russa-de-stalin-devorou-maiakovski

DANTE MENDONÇA é escolhido para ocupar a cadeira número 1 da ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS.

o chargista e cronista  DANTE MENDONÇA em manhã de autógrafos no PASSEIO PÚBLICO em Curitiba.


O jornalista e chargista Dante Mendonça, cronista de O Estado e daTribuna do Paraná, foi eleito ontem (15/7/10)  por unanimidade para ocupar a cadeira de número 1 da Academia Paranaense de Letras. A mesma foi fundada pelo professor e historiador José Francisco da Rocha Pombo (1857-1933) e está vaga desde 2006, quando faleceu seu antigo ocupante, o poeta e advogado Valfrido Pilotto, que tinha 103 anos de idade.

Dante deve assumir a cadeira no final deste ano. “Vai ser uma grande honra, principalmente porque a Academia tem apenas quarenta cadeiras”, diz. “A eleição representa uma consideração muito grande para qualquer escritor. A Academia tem um papel de muita importância na preservação do nome dos escritores e da literatura paranaense”.

Além das crônicas diárias que escreve para O Estado e Tribuna, Dante é autor de seis livros. O primeiro deles é Álbum de figurinhas e figurões, lançado em 1986, como uma coletânea de charges publicadas no jornal. O mais recente é Serra acima, serra abaixo: o Paraná de trás pra frente, que foi colocado à disposição do público no último mês de março.

Bastante ativo, o jornalista conta que deve começar a se dedicar a uma nova obra no final do ano, mas ainda não revela o assunto da mesma. Na Academia, ele conta que vai trabalhar para melhor divulgar e valorizar a literatura paranaense. “Soube da indicação à cadeira de número 1 há quinze dias. Ainda não sei ao certo quais vão ser minhas funções, mas quero trabalhar bastante para fazer crescer e incentivar a literatura do Paraná”, comenta.

Dante Mendonça começou a assinar a charge editorial de O Estado em 1974. Cidadão Honorário de Curitiba e do Paraná, nasceu emNova Trento (SC), estando radicado em Curitiba desde 1970. Além de chargista e jornalista, trabalhou por muitos anos em teatro, como ator, diretor e cenógrafo. Também passou pela televisão, fazendo um quadro diário de humor em telejornal. Foi o fundador da Banda Polaca, o maior bloco carnavalesco de Curitiba, e, em 1981, presidente da Comissão de Carnaval de Curitiba.

Entre outras exposições, participou do Salão de Humor de Piracicaba (SP) e da mostra especial de cartunistas brasileiros e estrangeiros no Salão Carioca de Humor, no Rio de Janeiro. Ganhou página no livroO Paraná e a caricatura, de Newton Carneiro, e consta da Antologia Brasileira de Humor.

Cintia Végas/Daniel Caron.

OEP.

‘Vovós do tricô’ arrancam a roupa para calendário / washington

Quarteto quer arrecadar dinheiro para tratamento de netos autistas.
Turma posou coberta apenas por peças tricotadas.

Marsha Cunningham, 63, Debby Sims, 57, Barbara Weber, 76, e Lavonne Northcutt, 48, posam para calendário (Foto: AP)

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As agulhas e novelos de lã de um grupo de vovós americanas foram deixados de lado nos últimos tempos. Quatro senhoras de Tacoma, no estado de Washington (EUA), tiraram a roupa para arrecadar fundos para uma boa causa.

Dinheiro da venda dos calendários ajudará no cuidado de crianças autistas (Foto: AP)

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Marsha Cunningham, 63, Debby Sims, 57, Barbara Weber, 76, e Lavonne Northcutt, 48, fazem parte de um grupo de tricô, mas se sensibilizaram com a história dos netos de Marsha, que são autistas e precisam de constante tratamento.

Amigas, elas posaram nuas para um calendário que será vendido na região em benefício dos netos gêmeos de Marsha e outras crianças que sofrem com o mesmo problema. Para não esquecerem de sua atividade preferida, as distintas senhoras ainda exibem no ensaio algumas peças tricotadas pelo grupo.

G1.

DUNGA envia carta ao RICARDO TEIXEIRA “il cappo”

Dunga desembarcou em Porto Alegre no domingo e foi demitido horas depois (Foto: EFE)

CESAR VALLEJO: Um coração dividido (1) – por manoel de andrade / curitiba

Eu conhecia apenas alguns poemas esparsos de Cesar Vallejo quando encontrei, entre os livros de Francisco Macias, — meu anfitrião em Lima em fins de 69 — o poemário Trilce.

Publicada em 1922, sob a influência das vanguardas europeias, e, sobretudo pelo seu rompimento com a tradição poética peruana, a leitura da obra, não somente pela data da edição, mas pela nova postura literária, lembrava-me a renovação da linguagem e a liberdade na criação poética apresentada pelo movimento modernista brasileiro de 22 —  também rompendo com os cânones  parnasianos e românticos da poesia brasileira, bem como influenciada pelos ismos europeus e sobretudo pelo Futurismo de Marinetti.                                                                                                                                                                                                     Como nunca aceitei o radical rompimento com os ideais estéticos do século XIX, proposto pela Semana da Arte Moderna de São Paulo – que foi um modernismo meramente paulista, marcado pela irreverência e o ufanismo, ideologicamente reacionário e com uma insensata aversão pelo lirismo  –  não  me identifiquei com o discurso poético do segundo livro de Vallejo. Trilce surgiu numa época em que, na literatura hispânica, estava em moda a poesia “experimental” como umareação em marcha contra o modernismo e foi  um desesperado manifesto de liberdade do poeta, expresso por sua íntima intuição, mas marcado então por uma liberdade literária ainda sem norte. “Quero ser livre – declara, na época, em carta, a seu amigo Antenor Orrego  – ainda que a troco de todos os sacrifícios. Por ser livre, me sinto ocasionalmente rodeado de espantoso  ridículo  com o ar de um menino que leva a colher às narinas…”(2) O resultado desse íntimo desencontro é uma atitude poética audaciosa e original, mas expresso em versos sem lógica, frases  fragmentadas, espaços em branco, letras invertidas, neologismos, imagens herméticas, numa linguagem extraída do caos e do absurdo que maculam a  imagem da poesia.

Como a postura de vanguarda, em Trilce, pertencia a uma fase da linguagem poética que eu já havia superado, — sobretudo pelo engajamento político da minha poesia na década de 60, no Paraná  —   mas sabendo da consagração mundial da poesia de Vallejo e das providências que, naqueles anos, tomava a intelectualidade peruana, para consagrar a imagem do seu maior poeta  — desprezado e auto-desterrado para sempre da pátria, quarenta anos antes  —, me isolei por uma semana, na Biblioteca Nacional do Peru, para ler a tão comentada primeira edição nacional de sua obra poética completa,  lançada no país, no ano anterior pelo editor Francisco Moncloa. (3)

Excetuando-se quatro poemas, toda a obra poética de Vallejo, escrita depois de Trilce, somente foi publicada depois de sua morte. Contudo, seu livro Poemas Humanos, última fase de sua produção poética, continuaria marcado pelo binômio metafísico do tempo e da morte, ante a ironia e a orfandade do homem diante do destino, mas agora enriquecido pelo comprometimento político, pelo seu despojamento social e solidário com o ser humano onde sua poesia conquista o merecido reconhecimento mundial e a cidadania da universalidade. Percebe-se claramente nessa obra o resgate poético do vazio com que ele próprio declarou ter escrito Trilce: “ O livro nasceu no maior vazio.   – Escreveu ao amigo Antenor Orrego, logo após seu lançamento Sou responsável por ele. Assumo toda a responsabilidade de sua estética”.(4) Essa discreta “mea culpa” prematura de Vallejo será reassumida abertamente, alguns anos depois em Paris, quando ele renega Trilce depois que adere ao marxismo e ao ativismo ideológico.

1. Los heraldos negros

Mas além da grandeza e da qualidade social dos Poemas Humanos, tocou-me sobretudo, o lirismo de seu primeiro livro, Los Heraldos Negros, de 1918, obra com a qual inaugurou uma nova fase da poesia peruana. O primeiro poema, que dá o nome ao livro, aqui apresentado na excelente tradução de Felipe José Lindoso (5), nos leva a profundas reflexões sobre o significado da vida, com seus golpes, poucos, mas cruéis, que nos são enviados como os arautos da morte:

Os arautos negros

Há golpes na vida, tão fortes… Não sei!

Golpes como o ódio de Deus; como se diante deles

A ressaca de todo o sofrido

Encharcasse a alma… Não sei!

São poucos;  mas são… Abrem valas escuras

no rosto mais duro e no lombo mais forte.

Serão talvez os potros de bárbaros átilas;

ou os arautos negros que nos manda a morte.

São as quedas profundas dos Cristos da alma,

de alguma fé adorável que o Destino blasfema.

Esses golpes sangrentos são as crepitações

de algum pão que nos queima na  porta do forno.

E o homem… Pobre… pobre! Volta os olhos, como

quando por cima do ombro nos chama uma palmada;

volta os olhos loucos, e todo o vivido

se empoça, como charco de culpa, na mirada.

Há golpes na vida, tão fortes… Não sei!” (6)

Todo o simbolismo que permeia Los Heraldos Negros ultrapassa esse estilo, meramente literário, para identificar-se com a própria simbologia da vida no seu cotidiano como um todo e a uma particular expressão nostálgica das imagens antropomórficas da cultura andina.  Talvez, por isso mesmo e por sua origem e aparência de mestiço, sua poesia não foi aceita, na época, pela “aristocrática” intelectualidade limenha. Na atualidade, Vallejo é a glória da poesia peruana, mas Mariátegui colocou abertamente, já em 1928, o dedo nessa preconceituosa  ferida cultural ao afirmar que  “Essa arte assinala o nascimento de uma nova sensibilidade. É uma arte nova, uma arte rebelde, que quebra com a tradição cortesã de uma literatura de bufões e lacaios. Essa linguagem é a de um poeta e de um homem. O grande poeta de Los heraldos negros e de Trilce —  esse grande poeta que passou ignorado e desconhecido pelas ruas de Lima tão propícias e subservientes aos louros dos jograis de feira  —  se apresenta, em sua arte, como um precursor do novo espírito, da nova consciência”. (7)

2. O indigenismo de Vallejo

Vallejo foi amigo do grande ensaísta peruano José Carlos Mariátegui, com quem conviveu e depois manteve o mais estreito contato do exterior publicando seus textos na Revista Amauta fundada em Lima no ano de 1926, por Mariátegui,  levantando com ele as bandeiras do indigenismo andino – empunhadas primeiramente pelo pensamento lúcido e acusador de Manuel Gonzáles Prada, “descobridor” do índio peruano, (8) e, posteriormente,  por José Maria Arguedas,  Manuel Scorza e Ciro Alegria  –  e referindo-se poeticamente ao incário em sua histórica grandeza, quando o perfil do Império do Sol se justapunha á silhueta litorânea e a paisagem andina do continente americano do sul da Colômbia até o norte do Chile. “Consiste o indigenismo de Cesar Vallejo em mostrar seus antepassados não como débeis criaturas, mas sim pelo contrário” —  é o que afirma o escritor colombiano Miguel Manrique, mostrando a clara disposição de Vallejo para o melhor indigenismo, não somente na poesia, mas também como prosador em sua novela Hacia el Reino de los Sciris: Ressaltando a pompa de uma civilização na plenitude de sua glória e não na apresentação melindrosa da arquisabida má história da conquista. O que  melhor,  para alguém que se considera membro ou natural de uma coletividade, que representá-la com o brilho que Cesar Vallejo faz com esta curta porém imensa novela. Muito melhor do que se o escritor se colocasse na chorosa  tarefa de encenar a captura de Atahualpa e as exigências para o seu resgate. Vallejo se converte assim em um Homero quíchua que tece com luminosidade o esplendor de sua civilização, do outro costado do seu ser. Os dois sangues nunca o abandonarão nem muito menos o trairão, um em benefício covarde do outro. Vallejo soube toda a vida ser índio e espanhol, desfraldando uma mestiçagem fidalga, fiel descendente do quixotesco e do quíchua”. (9)

E agora, é novamente Mariáteghi quem declara: “Vallejo é o poeta de uma estirpe, de uma raça. Em Vallejo se encontra, pela primeira vez em nossa literatura, sentimento indígena virginalmente expresso.(10) Contudo é um pouco diferente a opinião contemporânea do poeta e ensaísta peruano Américo Ferrari — talvez o melhor conhecedor da poesia de Vallejo  —  quando se refere a’Os Heraldos Negros: “O tema indigenista e telúrico é, de todos os modos, n’Os Heraldos Negros, secundário: a vocação do verdadeiro Vallejo é ruminar obsessões mais que descrever paisagens ou cantar a raça.” E contudo é o mesmo Ferrari quem escreve anteriormente: (…)“E, não obstante, existe algo mais: sob o espartilho das novas formas palpita a emoção e a nostalgia, o apego à terra andina de um homem que já antes de sair do Peru, na cidade costeira de Trujillo primeiro, em Lima depois, se sentia desterrado: desterrado do lar, que se confunde com o lugar onde nasceu, que se confunde com a pátria. A pátria é o entorno andino, com seu povoador, o camponês índio e serrano. Mais tarde, em Paris, o índio, essencializado e agigantado pela distância e a nostalgia, será protótipo de humanidade: “Índio depois de homem e antes dele”; e a serra peruana, símbolo de pátria universal: “Serra do meu Peru, Peru do mundo/ e Peru ao pé do orbe; eu concordo!” (11)

O fato é que sua condição de mestiço está sempre presente na sua assumida postura quíchua e castelhana, índia e espanhola, marcada pelo seu amor ao Peru e à Espanha, pela sua vida quixotesca e sempre iluminada pela luz e o calor de Inti, o deus Sol dos seus antepassados.  Há também, na fase inicial da poesia de Vallejo, uma contraditória religiosidade e uma imagem de Deus ora evocada com amargura e hostilidade (“golpes como o ódio de Deus”) ora com o sentimento de piedade pelos homens: (12)

Sinto Deus que caminha

tão em mim, com a tarde e com o mar.

Com ele vamos juntos. Anoitece

Como ele anoitecemos. Orfandade…

Mas eu sinto Deus. E até parece

que ele me dita nem sei que boa cor.

Como um hospitaleiro, e bom e triste;

languesce um doce desdém  de apaixonado:

deve doer-te muito o coração.

Oh, Deus meu, só agora a ti chego

hoje que amo tanto esta tarde; hoje

que na balança falsa de uns seios

olho e choro uma frágil Criação.

E tu, o que chorarás… tu, apaixonado

de tão enorme seio girador…

Eu te consagro Deus, porque amas tanto;

porque jamais sorris; porque sempre

deve doer-te muito o coração. (13)

3. A pobreza, a indiferença e os caminhos do mundo

Nascido em 1892 em Santiago de Chuco, numa região montanhosa a quinhentos quilômetros ao norte de Lima, décimo primeiro filho de uma família de origem indígena e espanhola, Cesar Abraham Vallejo Mendoza sempre se identificou com os pobres e desamparados do mundo porque essa foi a imagem que trouxe da infância e adolescência marcada por dificuldades familiares próximas da miséria.. Viveu sua juventude com a intelectualidade de Trujillo em cuja Universidade estudou e onde publicou seus primeiros poemas. Foi lá que  entrou em contato com a poesia de Juan Ramón Jimenez, Miguel de Unamuno, Rubén Darío, Walt Whitman, Julio Herrera y Reissig e Chocano. (14)

Chega à Lima em 1917 e no ano seguinte publica Los Heraldos Negros, onde transparece a influência e sua admiração por Darío, a afinidade com Herrera, onde usa e abusa do valor dos símbolos. Talvez tenha sido a indiferença com que os limenhos trataram  a poesia de seus dois primeiros livros e sua injusta prisão de quatro meses, em Trujillo, por sua suposta participação em um incidente público ao visitar sua terra natal em 1920,  que o levou em 1923, a deixar o Peru, para sempre, indo viver em Paris onde passará fome, dormirá algumas noites ao relento e depois sobrevive da atividade gráfica, jornalística, de traduções e docência. É ali que conhece os grandes poetas e pintores da época como Vicente Huidobro, Pablo Neruda, Juan Gris, Pablo Picasso, Antonin Artaut, Jean Cocteau, Tristan Tzara e o poeta espanhol Juan Larrea, que seria seu grande amigo, futuro biógrafo e com quem funda, em 1926, a Revista Favorables Paris Poema. Em 1928 viaja a Moscou, onde conhece Maiakovski. Retorna a Paris, onde abre a  primeira célula parisiense do Partido Socialista do Peru e no ano seguinte, em companhia de Georgette Marie Philippart Travers – com quem passa a viver — viaja novamente à Rússia, retornando pela Hungria, Áustria, Tchecoslováquia, Polônia, Alemanha e Itália.

Em 1930 chega à Espanha para o lançamento da segunda edição de Trilce, voltando em seguida a Paris de onde é expulso por propagar o comunismo. Em 1931 está novamente na Espanha onde testemunha a queda da monarquia e a ascensão republicana. Relaciona-se com o filósofo Miguel de Unamuno, com António Machado e com os poetas mais jovens, da chamada “geração de 27”, como Federico Garcia Lorca e Rafael Alberti, Jorge Guillen, Miguel Hernandez, Luis Cernuda, Dámaso Alonso ePedro Salinas, entre outros e quase todos vítima da Guerra Civil Espanhola. Neste mesmo ano publica suas crônicas e ensaios sobre a Rusia en 1931 e Reflexiones al pie del Kremlin, título cujo sucesso de vendas levou os editores espanhóis a publicar três edições em quatro meses. Ainda em 1931, atendendo a uma proposta editorial de uma novela proletária, escreve em três semanas e publica em Madri o livro El tungsteno, onde recorda seu tempo de adolescente e o contacto com trabalhadores da Empresa Minimo Society, no assentamento mineiro de Quiruvilca, perto de sua cidade natal. Denuncia as injustiças por que passam os mineiros, acusando os “gringos” e autoridades peruanas que defendem os interesses dos exploradores norte-americanos em detrimento dos abusos contra os mineiros e, sobretudo, pela exploração de uma coletividade indígena da etnia sora, submetida pelos atos mais cruéis e iníquos de arbitrariedade e cuja revolta é sufocada com o sangue dos caídos.

Em 1931 realiza sua última viagem a Moscou para participar do Congresso Internacional de Escritores Solidários com o Regime Soviético, de onde retorna a Madrid e encontra as portas editoriais fechadas a seus novos livros em razão do caráter marxista e revolucionário de suas obras. Recomeça a escrever poesia cujos versos serão publicados, postumamente, com o título de Poemas Humanos.

Em 1932 filia-se ao Partido Comunista Espanhol e regressa a Paris onde vive na clandestinidade, organizando, posteriormente, com Neruda, a coleta de fundos para a causa republicana na guerra civil espanhola. Em 1937 volta pela última vez à Espanha para participar do Congresso Internacional de Escritores Antifascistas, e talvez porque sua precária saúde o impedisse de empunhar um fuzil para defendê-la, escreve seu grande poema político: España, aparta de mí este cáliz, que deu título ao livro de quinze poemas, publicado postumamente, em 1939, como um verdadeiro testamento poético, por sua viúva, Georgette Vallejo.

4. Cesar Vallejo, um coração dividido.

Vallejo foi homem repartido. Filho da consanguinidade indígena e espanhola, sentiu seu coração dividir-se pelos caminhos da vida. Primeiro sentiu sua alma partir-se, dolorosamente, entre a imagem querida da mãe e a imperecível saudade que chegou com sua morte, em 1918.  Repartiu-se entre o idílio e a separação da mulher que amou, num romance tormentoso e frustrado de sua juventude como professor em Lima. Sentiu sempre o coração dividido entre a pátria e o mundo e culturalmente entre o Peru e a Espanha.  Vallejo viveu dividido entre Paris e a sua crônica nostalgia da paisagem andina. Pablo Neruda, seu grande amigo, afirma que: “Vallejo era sério e puro. Morreu em Paris. Morreu no ar sujo de Paris, do rio sujo de onde tiraram tantos mortos. Vallejo morreu de fome e asfixia. Se o tivéssemos trazido para o Peru, se o tivéssemos feito respirar ar e terra peruana, talvez estivesse vivo e cantando.(15)

O poeta  transitou balizado pelas  ironias da vida, pelos golpes do destino, entre o desespero e a esperança, que atormentaram sua alma sobretudo depois dos quarenta anos, onde sua poesia mantém sempre aquela obscuridade tatuada pela dor dos homens, pela perplexidade ante o grande mistério da vida e o significado da morte: “Haver nascido para viver de nossa morte”, e assim sempre dividido entre o imenso vazio do mundo e seu sonho de plenitude espiritual e de uma eterna felicidade. “ E se alguém fica perplexo ante esse universo de trevas, de limites, é sobretudo o próprio poeta que o revela em seu poema; (Panteón) daí o acento de angústia que raramente abandona Vallejo; daí essas yuntas, essas parelhas de significações em conflito que não são nunca abolidas nem superadas: o todo-o nada, a alma-o corpo, o alto-o baixo, o nunca-o sempre, o tempo-a eternidade, a vida-a morte, Deus-nada. (16)

Vallejo viveu repartido entre sua íntima plenitude, filosófica e poética, e sua fidelidade ao marxismo. Conforme carta datada em 29 de Janeiro de 1932 ao poeta e amigo Juan Larrea, Vallejo confessa: Comparto a minha vida entre a inquietação política e social e a minha inquietação introspectiva e pessoal minha para dentro. Ou seja, O poeta sentia-se, pois, dividido, sem conseguir unificar as duas partes de que se sentia feito: uma de inquietação política e social, que o marxismo satisfazia; outra introspectiva e pessoal minha para dentro para a qual nunca encontrou resposta que o satisfizesse, nem mesmo a religião que desde os primeiros tempos pulsava no seu íntimo, sem que por isso possa entender-se a adesão a uma igreja. Essa angústia persistirá até a sua morte, não sem um vislumbre de esperança que o levará a ditar a sua mulher, poucos dias antes de morrer, estas palavras: Qualquer que seja a causa que tenha de defender perante Deus, para além da morte, tenho um defensor: Deus.” (17)

Vallejo, cuja poesia foi desprezada por seus contemporâneos, é tido hoje como o maior poeta peruano de todos os tempos e talvez a figura mais proeminente da poesia hispano-americana depois de Pablo Neruda, o qual declarou que a poesia de Vallejo era maior que sua própria poesia.  Foi um homem marcado por transes pedregosos, por uma infância de misérias e penitências, e sua pobreza o obrigou a abandonar, em 1910, o curso de Letras na Universidade de Trujillo – somente concluído em 1915  –  para dar aulas particulares e depois trabalhar na administração de uma fazenda açucareira no vale de Chicama, onde presencia o drama cruel e cotidiano da exploração do trabalho indígena. Ciro Alegria – que depois se tornaria um dos grandes romancistas peruanos  — conta que foi aluno de Vallejo no Colégio San Juan, de Trujillo, e que (…) “De todo seu ser fluía uma grande tristeza. Nunca  vi um homem que parecesse mais triste. Sua dor era como  uma secreta e ostensível condição, que terminou por contagiar-me.(…)  Ainda que à primeira vista pudesse parecer tranquilo, havia algo profundamente desgarrado naquele homem que eu não entendi mas senti com toda minha desperta e alerta sensibilidade de menino.(…) Foi assim como encontrei a  César Vallejo e como o vi, como se fosse pela primeira vez. As palavras que dele ouvi sobre a Terra são também  as que mais  gravei na memória. O tempo haveria de revelar-me novos aspectos de sua pessoa, os longos silêncios em que caía, sua atitude de tristeza infindável…(…) (18)

5. “O poeta dos vencidos”

Eu nasci num dia em que Deus estava enfermo”, afirma ele, reiteradamente, em seu poema Espergegia. E apesar de tudo, do sentimento pessimista pela sua dor e por compreender a imensa dor humana, do desamparo que colheu da vida, nunca permitiu que suas dolorosas experiências alterassem seu espírito solidário com os pobres, os injustiçados do mundo e apagassem de sua alma a fé revolucionária e a esperança com que o marxismo prometia a construção de uma sociedade mais justa para todos os homens.

É, por isso mesmo, chamado o poeta dos pobres, da dor dos homens, o “poeta dos vencidos” na ótica histórica de Eduardo Galeano, e esse é o retrato que está  por trás dos 76 poemas que integram os seus Poemas Humanos, escritos entre 1931 e 1937, e publicados, postumamente, em Paris, em 1939. “Aí o poeta exprimiu o sofrimento próprio e dos outros, o absurdo da existência, o sentimento de culpa que sentia pelos direitos em que se baseia a sociedade que fazia parte, e revolta perante a injustiça que era gritante ao seu redor, o horror da guerra vista como conflito global, sem rosto, e como tragédia dos seus humildes protagonistas anônimos, as contradições de um ser tenso entre pontos opostos que não param de enfrentar-se, a esperança num mundo de compreensão entre os homens, que ele sabia ser uma utopia” (19)

O seu sentimento poético de solidariedade e de piedade pelos desamparados e humildes, cujos primeiros passos são dados n’Os Heraldos Negros, — como neste fragmento do poema El pan nuestro:

Todos meus ossos são alheios;
quem sabe os tenha roubado!
Dei-os a mim mesmo o que talvez estivesse
designado para outro;
e penso que, se não tivesse nascido,
outro pobre tomaria este café!
Sou um mau ladrão… Para onde irei?

E nesta hora fria, em que a terra
recende a pó humano e é tão triste,
quisera eu bater em todas as portas
e suplicar a não sei quem, perdão,

e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco

aqui,  no forno do meu coração…! (20)

– caminham ao longo de toda sua vida de escritor e chegam ainda mais comoventes em tantos de seus últimos poemas, como a perplexidade ante a dor humana em Los Nueve Monstruos e nestes versos  fraternos de Traspié entre duas estrelas, ambos do livro Poemas Humanos:

Amado seja aquele que tem percevejos,
o que anda sob a chuva com sapatos furados
o que vela o cadáver de um pão com dois fósforos,
o que prende um dedo  numa porta,
o que não tem aniversário,
o que perdeu sua sombra num incêndio,
o animal, o que parece um papagaio,
o que parece um homem, o pobre rico,
o puro miserável, o pobre pobre!
(21)

6. O pressentimento e a morte

Na poesia dos últimos tempos de Vallejo, apesar do engajamento político dos seus  versos, persistirão sempre a sua obsessão pelo metafísico, que já existia com a feição religiosa n’Os Heraldos Negros e ressurgindo somente em Espanha, aparta de mi este cáliz,  e nos Poemas Humanos onde o social e o metafísico se abraçam solidariamente nas emoções e sentimentos dos homens diante  da pobreza, do abandono, da injustiça e da morte. O tema da morte é uma constante na poesia de Vallejo e, à medida que o poeta dela se avizinha, vai registrando com seus versos sua despedida do mundo, como no poema París, octubre 1936:

De tudo isto sou o único que parte.
vou-me deste banco vou-me , de meus calções,
de minha  grande situação, de minhas ações,
de meu número fendido parte a parte,
de tudo isto sou o único que parte.

Dos Campos Elíseos ao dar volta

à estranha viela da Lua,
meu féretro se vai, parte de meu berço,
e, rodeada de gente, sozinha, solta,
minha semelhança humana dá a volta
e despacha suas sombras uma a uma.

E afasto-me de tudo, porque o todo
fica para ser restringido:
meu sapato, sua botoeira,  seu lodo
e até a dobra do  cotovelo
de minha própria camisa abotoada.
(22)

Há também um claro pressentimento de sua morte no poema Pedra negra sobre uma pedra branca. Não morreu na quinta, como supôs, mas no dia seguinte, numa sexta-feira chuvosa. Era outono em Lima, mas primavera em Paris. Este é um dos seus poemas mais conhecidos e dos mais reproduzidos nas antologias e seu estranho título deriva de uma tradição dos habitantes de Santiago de Chuco, sua cidade natal: o de colocar uma pedra negra sobre uma pedra branca para assinalar os enterros. Eis um fragmento:

Morrerei em Paris com aguaceiro

num dia do qual já tenho a lembrança.

Morrerei em Paris — de onde não saio —

talvez numa quinta, como hoje, de outono.(…) (23)

No início de 1938 leciona Língua e Literatura em Paris, quando tem um forte esgotamento físico. Foi internado em 24 de março com sintomas indefinidos que o levaram a uma forte crise e à morte em 15 de abril daquele ano, numa sexta-feira chuvosa. O poeta e romancista francês, Louis Aragon, um dos iniciadores do surrealismo, fez o elogio fúnebre a Vallejo, cujos restos repousam no cemitério de Montparnasse com o epitáfio: “He nevado tanto, para que duermas”.

“Esta primavera da Europa está  crescendo sobre mais um, um inesquecível entre os mortos, nosso bem-admirado, nosso bem-querido César Vallejo. Por estes tempos de Paris, ele vivia com a janela aberta, e  sua pensativa cabeça de pedra peruana recolhia o rumor de França, do mundo, da Espanha… Velho combatente da esperança, velho querido. É possível? E que faremos neste mundo para sermos  dignos de tua silenciosa obra duradoura, do teu interno crescimento essencial? Já em teus últimos tempos, irmão, teu corpo, tua alma te pediam terra americana, mas a fogueira da Espanha te retinha na França, onde ninguém foi mais estrangeiro.Porque eras o espectro americano  – indo-americano como vós outros preferis dizer  – , um espectro de nossa martirizada América, um espectro maduro na liberdade e na paixão. Tinhas algo de mina, de socavão lunar, algo terrenamente profundo.

“Rendeu tributo a suas muitas fomes”  –  me escreve Juan Larrea. Muitas fomes, parece mentira…  As muitas fomes, as muitas solidões, as muitas léguas de viagem, pensando nos homens, na injustiça sobre a terra, na covardia de meia humanidade. O caso da Espanha já te ia roendo a alma. Essa alma roída por teu próprio espírito, tão despojada, tão ferida por tua própria necessidade ascética. O caso da Espanha foi a verruma diária para a tua imensa virtude. Eras grande, Vallejo. Eras interior e grande, como um grande palácio de pedra subterrânea, com muito silêncio mineral, com muita essência de tempo e de espécie. E ali no fundo, o fogo implacável do espírito, brasa e cinza…   Salve, grande poeta, salve irmão!” (24)

Pablo Neruda (25)

Notas e textos em espanhol:

  1. Este artigo integra o texto de um livro que o autor está escrevendo sobre os anos que passou na América Latina , nas décadas de 60/70.

  1. O texto original em espanhol pode ser encontrado em: FERRARI, Américo. César Vallejo entre la angústia y la esperanza. In: FERRARI, Américo (int.). Cesar Vallejo: Obra poética completa. Madrid: Alianza ,1983, p. 20.

  1. O reconhecimento literário de toda obra poética de Vallejo chegou, editorialmente, trinta anos atrasado em seu próprio país. A primeira edição de Poemas Humanos (1923-1938) foi publicada  por Editions des Press Modernes, Paris, 1939, um ano depois de sua morte.  Já na América do Sul, foi a editora argentina Losada que tomou a dianteira na publicação de toda a sua poesia, editando, em  1949, as Poesías Completas (1918-1938). Em 1959, Los Heraldos Negros e Poemas Humanos foram publicados em Lima, em edições separadas, pela Editora Peru Nuevo. Contudo a publicação de Cesar Vallejo, Obra poética completa, somente foi lançada no Peru em 1968, pelo editor Francisco Moncloa. Essa edição tornou-se clássica, servindo de base para muitas outras edições latino-americanas,  espanholas e portuguesas. Além do excelente prólogo de  Américo Ferrari, a obra, com 510 páginas, foi supervisionada por Georgette Vallejo, esposa do poeta, e sua originalidade está em apresentar  os fac-smiles dos poemas póstumos, quase todos datilografados e corrigidos pelo próprio Vallejo. Em 1970, a Casa das América editou em Havana Cesar Vallejo, obra poética completa, com prólogo do poeta cubano Roberto Fernández Retamar, reproduzindo o título e o texto da edição Moncloa.

  1. FERRARI, Américo. Obra citada.

  1. MARIÁTEGUI, José Carlos. Sete ensaios de interpretação da realidade peruana. Tradução Felipe José Lindoso. São Paulo: Clacso. 2008. p. 291/292.

  1. Hay golpes en la vida, tan fuertes… Yo no sé!/ Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,/ la resaca de todo lo sufrido/ se empozara en el alma… Yo no sé./ Son pocos; pero son… Abren zanjas oscuras/ en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte./ Serán talvez los potros de bárbaros atilas;/ o los heraldos negros que nos manda la Muerte./ Son las caídas hondas de los Cristos del alma,/ de alguna fe adorable que el Destino blasfema./ Esos golpes sangrientos son las crepitaciones/ de algún pan que en la puerta del horno se nos quema./ Y el hombre… Pobre… pobre! Vuelve los ojos, como/ cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;/ vuelve los ojos locos, y todo lo vivido/ se empoza, como un charco de culpa, en la mirada./ Hay golpes em la vida, tan fuertes… Yo no sé! (N.A.)

  1. MARIÁTEGUI, José Carlos. Obra citada, p. 299.

  1. A importância do indigenismo, no Peru, surge somente com as obras de Gonzalo Prada, estabelecendo, entre 1900 e 1930, o início da grande  polémica entre hispanismo e indigenismo que dominariam todo o pensamento social do Peru durante o século XX e marcam os conflitos culturais até os dias de hoje no país, cujas negociações têm buscado, sem sucesso, a igualdade cultural sem desconsiderar as diferenças.

  1. MANRIQUE, Miguel. El hombre vallejiano. Cuadernos Hispanoamericanos, Madrid. v. I. n. 456/457, junio/julio 1988, p.531.

10. MARIÁTEGUI, José Carlos. Op. cit., p. 291.

11. FERRARI, Américo. Op. cit., p. 12.

12. MARIÁTEGUI, José Carlos. Op. cit., p.296.

13. Siento a Dios que camina/ tan  en mí, con la tarde y con el mar./  Con  él nos vamos juntos. Anochece./ con él anochecemos. Orfandad…/ Pero yo siento a Dios. Y hasta parece/ que él me dicta no sé qué buen color./ Como un hospitalario, es bueno y triste;/ mustia un dulce desdén de enamorado:/ debe dolerle mucho el corazón./ Oh, Dios mío, recién a ti me llego,/ hoy que amo tanto en esta tarde; hoy/  que en la falsa balanza de unos  senos,/ miro y lloro una frágil Creación./ Y tú, cuál llorarás… tú, enamorado/ de tanto enorme seno girador…/  Yo te consagro Dios, porque amas tanto;/ porque jamás sonríes; porque siempre/  debe dolerte mucho el corazón. (N.A.)

14. José Santos Chocano, destacado poeta modernista peruano nascido em 1875, em Lima, também conhecido pelo pseudônimo de O Cantor da América. Foi uma estranha figura literária.  Polêmico e aventureiro, foi secretário de Pancho Villa, escapou por pouco do fuzilamento na Guatemala, em 1920, e matou em Lima, num duelo o jovem escritor Edwim Elmore. Morreu em 1934 em Santiago, assassinado por  um demente que acreditava ter Chocano  o mapa de um tesouro.

15. NERUDA, Pablo. Confesso que vivi. São Paulo: Difel, 1979, p.285.

16. FERRARI, Américo. Op. cit., p.39.

17. VALLEJO, César. Antologia poética. Tradução, seleção, prólogo e notas de José Bento. Lisboa: Relógio D’Água, 1992, p.19/20.

18. ALEGRÍA, Ciro. El César Vallejo que yo conocí. Cuadernos Hispanoamericanos. México, ano III, vol. XVIII, n. 6, nov/dez 1944.

19. VALLEJO, César. Op. cit., p 18.

20. Todos mis huesos son ajenos/ yo talvez los robé!/ Yo vine a darme lo que acaso estuvo/ asignado para otro;/ y pienso que, si no hubiera nacido,/ otro pobre tomara este café!/ Yo soy un mal ladrón… A dónde iré!/ Y en esta hora fría, en que la tierra/ trasciende a polvo humano y es tan triste,/ quisiera yo tocar todas las puertas,/ y suplicar a no sé quién, perdón,/ y hacerle pedacitos de pan fresco/ aquí, en el horno de mi corazón…! (Tradução e nota do autor)

21. ¡Amado sea aquel que tiene chinches,/   el que lleva zapato roto bajo la lluvia,/el que vela el cadáver de un pan con dos cerillas,/el que se coge un dedo en una puerta,/ el que no tiene cumpleaños,/ el que perdió su sombra en un incendio,/el animal, el que parece un loro, el que parece un hombre, el pobre rico,/ el puro miserable, el pobre pobre! (Tradução e nota do autor)

22. De todo esto yo soy el único que parte./ De este banco me voy, de mis calzones, de mi gran situación, de mis acciones,/ de mi número hendido parte a parte,/ de todo esto yo soy el único que parte./De los Campos Elíseos al dar vuelta/ la extraña callejuela de la luna,/ mi defunción se va, parte de mi cuna,/ y, rodeada de gente, sola, suelta,/ mi semejanza humana dase vuelta/ y despacha sus sombras una a una./ Y me alejo de todo, porque todo/ se queda para hacer la coartada:/ mi zapato, su ojal, también su lodo/ y hasta el doblez del codo/ de mi propia camisa abotonada.(Tradução e nota do autor)

23. Me moriré en París con aguacero,/ un día del cual tengo ya el recuerdo./ Me moriré en París —y no me corro— / tal vez un jueves, como es hoy, de otoño.(Tradução e nota  do autor)

24. NERUDA, Pablo. Para nascer nasci. São Paulo: Difel, 1979, p.66.

25. Este texto foi escrito quando Cesar Vallejo morreu e posteriormente publicado, em Santiago do Chile, pela revista Aurora, em 1° de agosto de 1938.

JOSÉ SARAMAGO, entrega as moedas ao barqueiro nas Ilhas Canárias.

O escritor português e prêmio Nobel de Literatura José Saramago morreu nesta sexta-feira aos 87 anos em sua residência em Lanzarota, nas Ilhas Canárias. Ele sofria de problemas respiratórios.

José Saramago nasceu na província de Ribatejo no dia 16 de novembro de 1922, embora seu registro oficial aponte o dia 18.

Ateu, Saramago era membro do Partido Comunista Português. Em 1947, publicou o seu primeiro livro, o romance “Terra do Pecado”. Trabalhou durante doze anos numa editora, e colaborou como crítico literário na Revista “Seara Nova”.

Entre 1972 e 1973, participou da redação do jornal “Diário de Lisboa”, onde comentou política e, anos depois, o suplemento cultural. Fez parte também da primeira Associação Portuguesa de Escritores. Em 1975, foi diretor-adjunto do “Diário de Notícias”. E desde 1976 viveu exclusivamente da literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa.

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos logos usando a pontuação de uma maneira não-convencional (aparentemente errada aos olhos da maioria). Em suas obras, os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, a ponto de o leitor confundir se o diálogo foi real ou apenas um pensamento.

josé saramago, em 2008, quando esteve no Brasil. (foto AFP)

Obras publicadas de Saramago

» Poesia

Os Poemas Possíveis (1966)
Provavelmente Alegria (1970)
O Ano de 1993 (1975)

» Crônica

Deste Mundo e do Outro (1971)
A Bagagem do Viajante (1973)
As Opiniões que o DL Teve (1974)
Os Apontamentos (1976)

» Viagens

Viagem a Portugal (1981)

» Teatro

A Noite (1979)
Que Farei com este Livro? (1980)
A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987)
In Nomine Dei (1993)
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido (2005)

» Contos

Objecto Quase (1978)
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido (1979)
O Conto da Ilha Desconhecida (1997)

» Romance

Terra do Pecado (1947)
Manual de Pintura e Caligrafia (1977)
Levantado do Chão (1980)
Memorial do Convento (1982)
O Ano da morte de Ricardo Reis (1984)
A Jangada de Pedra (1986)
História do Cerco de Lisboa (1989)
O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)
Ensaio Sobre a Cegueira (1995 – Prémio Nobel da literatura 1998)
A Bagagem do vVajante (1996)
Cadernos de Lanzarote (1997)
Todos os Nomes (1997)
A Caverna (2001)
O Homem Duplicado (2002)
Ensaio Sobre a Lucidez (2004)
As Intermitências da Morte (2005)
As Pequenas Memórias (2006)
A Viagem do Elefante (2008)
O Caderno (2009)
Caim (2009)

gp.

JOSÉ SARAMAGO pelo olhar do poeta brasileiro C. RONALD /santa catarina

ARREMATE

Ninguém Saramago, inventa Deus para sua miséria; você teve pai e mãe, você não se inventou. Seus livros embalam o erro, a inocência e também o pecado.

Constância e tumulto sem quebra de visão na árvore, a figura humana é transferida, a morte é só ressonância. O desconhecido não deve ser impresso na presa, o medo mede todo o discurso do pavor, a eternidade passa além se a perdemos de vista. Se o homem inventou Deus, como o homem poderia inventar você?

A diferença é grande, não é? Quantas vezes foi Saramago o amor de Deus, perdido. O sentido é uma consequência sem memória. Havia distância que não sabia o seu tamanho, hibernação no contorno sem alma,leveza ritmada, dança! Quem chegar à vida só por si mesmo ganha Saramago de graça.

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poemas de C.RONALD:

.

OS  SEMPRE

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a demora do vidente precipita-se
naqueles que o esperam

novamente um princípio para o erro
caso contrário mastiga a norma como alimento
conhecíamos o destino quando vinha só
no ar como o enigma
sobreposto ao susto
e de repente alguém aderiu-se
à língua e fez-se prédio

por que os mortos não se tornam
excessivos e nem excitam a forma excetuada
houve espera na melancolia onde
o fundamento desapropriado
pelo rigor da claridade pode
alterar o riso análogo

a existência favorece o medo
partes variadas da distração com molas arriadas
e o pecado no meio
deve dar para quatro aventuras
quatro são as mãos do homem
quando dá e tira
depois vários quadradinhos de suspeita
e Abel no meio
se era mesmo a religiosidade
na parte crua do bife
faca e garfo sonolentos
sem que o prato justifique
mudança no percurso do Caim
ou dança simplesmente
o espírito mais ereto que liso
“Senhor eu não sou digno”

.

CUIDADOS DO ACASO poemas (II)

Tenho o nó na garganta, o tiroteio
no peito da criança, essa bagagem de ossos
próxima de um semáforo, esquecida
do tráfego sangrento numa noite sussurrada.

Um plaft para o homem sem aniversário.
As duas partes do rosto
fazem uma concha fechada pela indiferença.
Asas derretidas depois de derrubadas
entre a inquietação e a banalidade dos pardais
no asfalto exposto. Sinceramente

a morte não é coisa de mortos.
Estão podres os que representam
o personagem que nunca foram. O sonho
sai dos alvos alagados diante da porta,
alguns trazem sementes fumegantes,
farpas cravadas no luar,
o aquecimento da comunhão
no vermelho da maçã.

I

Que isto resuma toda a importância do homem:
não ficou pronto pela carne, mas viveu.
Animais escorregam do universo e sentem
apenas o momento veloz que une garras e dentes.

Desiguais na aparência, espelham o mundo
entre átomos sofridos quando Deus separa
na eternidade as árvores e os próprios bichos.
Os outros são defeitos da existência. O nada,

que o efêmero revela de um estranho fundo,
a realidade exige. Mas engulo Jonas,
como baleia, e o anzol, curva para nós mesmos,

é cuspido na aurora de um ser descontente.
Inconsciência e apogeu, cada qual com seu caos,
dobra de temporal desde o início do tempo.

C. RONALD, considerado o maior poeta da atualidade brasileira, em sua fantástica biblioteca.

.

Em 2 de Dezembro de 1935, nasce em Florianópolis, Carlos Ronald Schmidt, filho de Lourival H. Schmidt e Ana Ernestina Kersten Schmidt. Em 1942, aos 7 anos de idade, C. Ronald faz o pré-primário na escola particular Jurema Cavallazi. Em 1946, com 11 anos de idade, Ronald ingressa no Ginásio Catarinense. Aos 20 anos, em 1955, presta serviço militar no CPOR de Curitiba (PR), logo depois aos 21 começa a colaborar no jornal “O Estado” de Florianópolis (SC).

Em 1957 assina, entre outros, o Manifesto do Grupo Litoral. Com 23 em 1958, ingressa na Faculdade de Direito em Florianópolis, em 1959, publica o livro Poemas (Edições Litoral), mais tarde repudiado. Em 1960, com 25 anos, sai em edição do autor o livro Cantos de Ariel , também repudiado. Em 1962 recebe o grau de Bacharel em Direito e muda-se com a família para o Rio de Janeiro.

Com 30 anos, em 1965 casa-se com Neide Maria Campos, natural de Biguaçu (SC), logo após ocorre o falecimento de sua mãe, em Petrópolis, Estado do Rio. Em 1966 ingressa na Magistratura Catarinense, sendo nomeado Juiz Substituto da Comarca de Concórdia (SC), ocasião em que nasce sua filha Ariadne. É promovido para a Comarca de Guaramirim (SC).

Em 1967, nascimento do filho Cristiano, falecido quatro meses após, logo após, em 1968 Nasce sua filha Amarílis, e em 1969 Nascimento do seu filho André. Aos 36 anos de idade, em 1971 É promovido para a Comarca de Braço do Norte (SC); é editado no Rio(RJ) o livro As origens (Ed Livros do Mundo Inteiro/MEC).

Em 1973 Nasce seu filho Bernardo; e muda-se com sua família para a Comarca de Biguaçu(SC). Em 1975 Sai em São Paulo(SP) o livro Ânua (Ed. do Autor / Udesc): considerado o melhor livro do ano pelo Conselho Estadual de Cultura. Recebe o título de Personalidade Maior do estado de Santa Catarina; em 1978 É publicado em São Paulo o livro Dias da terra (Ed. Quíron/INL).

Aos 46 anos, em 1981 falece seu pai em Florianópolis(SC). Começa a colaborar no suplemento “Cultura” do jornal “:O Estado de São Paulo”.

Em 1982, é publicado o livro Gemônias (FCC/UFSC), em Florianópolis(SC). Em 1986, sai em Portugal na antologia Poesia Brasileira Contemporânea, coleção “Escritores dos Países de Língua Portuguesa” editada pela Imprensa Oficial — Casa da Moeda, Lisboa; Edição do livro As coisas simples (Arte Hoje Editora/INL), Rio.

Em 1993, é publicada em São Paulo (João Scortecci) o livro A cadeira de Édipo; Na mesma ocasião sai em Florianópolis seu livro Como pesa! (Editora Paralelo 27. coleção “Poesia de Santa Catarina”). Em 1995, C.Ronald publica o livro “Cuidados do Acaso” (Scortecci Editora, São Paulo, 1995), Em 1997, publica o livro “Todos os Atos (Scortecci Editora, São Paulo, 1999), Em 1999, o poeta publica o livro “Ocasional Glup” (Scortecci Editora, São Paulo, 1999), Em 2001, publica o Livro “A Razão do Nada (Scortecci Editora, São Paulo,2001), Em 2003, pela Editora Bernúncia Florianópolis-SC, o poeta publica “OS SEMPRE”. Em 2006 publica pela mesma editora o Livro “Caro Rimbaud”;

Rumorejando (Com a preocupação de que com a nossa seleção estaremos penando). – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos reciprocamente inverossímeis).

Disse um velhinho pro outro:

“Você já viu as imagens eróticas que têm na Internet ?”

“Não. E nem quero ver. Como é que você ficou sabendo de tudo isso ? Você já viu ?”

“Ainda não. Me contaram”…

“E como é que faz pra ver ?”

“Não sei. E nem quero saber”.

Constatação II

A corrupção e os altos salários dos políticos são concentradores de renda, consequentemente do aumento filhadapu…mente da pobreza.

Constatação III (De diálogos anti-desperdícios).

-“É da casa do Fulano ?”

-“É”.

-“É o senhor que ia ter uma consulta hoje às 16 horas com o Dr. Beltrano ?”

-“É”.

-“O Dr. pede mil desculpas, mas teve um chamado urgente em outra cidade e não sabe se conseguirá voltar em tempo para lhe atender. Ele pediu para marcar uma nova consulta para amanhã, no mesmo horário. De acordo ?

-“É. Tá bem. O que é que a gente vai fazer ? Pena que eu já tomei banho”…

Constatação IV

Tá certo que no par de meias estava escrito que ele continha 94% de algodão e os restantes 6% de fibra sintética. Mas, os 6% de fibra sintética provocaram uma alergia tal que ficou a dúvida crucial se não haviam trocado os percentuais…

Constatação V (Lamentavelmente).

A persistente agressão

Na camada de ozônio

Sem cessar

Fará uma transformação,

Um pandemônio,

Na água, na terra e no ar.

Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo).

Deixou curtindo o mate chimarrão para melhor curti-lo.

Constatação VII

E como dizia aquele extenuado marido para a sua obcecada e insaciável esposa: “Assim como existe, em alguns lugares, o cartaz: “Por favor, respeite o meu direito de não fumar”, eu te peço: “Por favor, respeite o meu direito de não me esfalfar”.

Constatação VIII (Via pseudo-haicai).

A petulância

É irmã gêmea

Da arrogância.

Constatação IX

Disse um velhinho, nada a ver com um dos velhinhos da Constatação I: “Viagra é um santo remédio”. Disse outro velhinho, nada a ver com nenhum dos velhinhos da Constatação já mencionada: “Viagra é um remédio santo”. Disse um terceiro velhinho, etc., etc.,: “Viagra é um santo remédio santo”. Mentiu um quarto velhinho, metendo panca: “Coitados de todos esses velhinhos”.

Constatação X

Bertold Brecht é o autor da frase: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. “Parodiando” o grande teatrólogo, depois das chuvas em Curitiba e adjacências: A enxurrada que tudo destrói se diz que é malsã, mas o lixo na calçada se acumula desde a manhã…

Constatação XI (De diálogos esclarecedores).

-“Ele reprovou nos exames”.

-“Por falta de estudo ?”

-“Não. Por excesso de coceira”…

Constatação XII (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela foi provar

O chá do samovar

E se queimou.

E se queimou

Porque ninguém avisou.

Constatação XIII

Ela teve um sonho

Que tava declamando

Muralha, o Sidônio

E a turma, só vaiando.

Constatação XIV

Não parece normal

Que, em casa, eu não apite.

Mas, não faz mal

Ando mesmo sem palpite…

Constatação XV

Disse o crupiê

Pra mulher,

Com dureza,

Sentada no bidê

Como quem nada quer:

“Cartas na mesa”!

Constatação XVI

A guisa

De informação:

Certo tipo de aposentado,

Fizeram dele

Um palhaço

Nessa anômala contribuição,

Pois, foi ele,

De novo, tungado.

E o seu quinhão

Que já era escasso

Passou a ser uma brisa…

Constatação XVII

As desavenças entre um casal também se verificam quando ambos, já com uma certa idade, a provecta, ou  “a terceira idade”, ou “a idade de ouro” retornam a fase do “não”. E o “não” deles não são para as mesmas coisas, são “nãos” totalmente díspares.

Constatação XVIII (De conselhos úteis).

E nunca esqueça, prezado leitor, que você, para subir na vida, não precisa pisar nos outros. É bem mais fácil você pisar em degraus… Inclusive, você se equilibra bem melhor e não corre o risco de um escorregão. De nada !

Constatação XIX

Não se deve confundir Extremadura, que é o nome de um time de futebol da Espanha, com ferradura, muito embora, a semelhança de tantos atletas que atuam por outros times, há muito jogador do Extremadura que deveria jogar com ferradura

Constatação XX

Em certos países, devendo ou não, o camarada paga “para não se incomodar”. E viva “nóis” !

Constatação XXI

Quisera

Eu

Que

Aquela

Doce

Sensação

Que

Ela

Prometeu

Não

Fosse

Quimera…

Constatação XXII

A fofoca provem principalmente da falta de assunto.

Constatação XXIII

Dentre os livros mais vendidos nas livrarias na área de “Não ficção”: 203 maneiras de enlouquecer um homem na cama, de Olivia St. Claire; 177 maneiras de enlouquecer uma mulher na cama, de Margot Saint Loup. Para quem se interessa em estatística, isso tudo dá um total, entre “segredos” e “maneiras”, de 380. É só conferir. Me refiro a estatística. Quem quiser, pode, também, ler esses dois livros. É decisão pessoal da necessidade de cada um…

Constatação XXIV

Quando o ambientalista leu o cartaz da loja “Estamos liquidando o verão” pensou imediatamente: “Também o inverno, a primavera, o outono…”

Constatação XXV

O jiu-jitsu está entrando na moda. Com toda a certeza, o caratê vai entrar também. Provavelmente, seguir-se-ão (perdão, leitores, saiu assim. Não tem nada a ver com o “fi-lo porque qui-lo”) outros esportes assemelhados. Em certos países, andar armado faz horas que entrou na moda e até hoje não saiu…

Constatação XXVI (De conselhos úteis. De nada!).

Vê se manera

Na tua despesa.

Seja austera.

Nessa vertente

De mulher burra

Dificilmente,

Você chegará,

Você se tornará

Uma formosura,

Uma globeleza.

Constatação XXVII

Tem gente que te visita para fazer terapia, despejando em cima de você todas as suas desditas e saindo, em seguida, leve como sombra de asa de libélula. Depois disso, é você que tem que fazer terapia. Aí, com um especialista, pagando uma baita consulta.

Constatação XXVIII

Quando a vizinha e amiga falou: “Eu vou convidar vocês para aparecerem lá em casa para ver o filme da nossa viagem com as crianças para a Disneylandia”, a amiga e vizinha pensou: Puxa! Eu nunca fiz nada de mal pra essa gente. Ao contrário, sempre os tratei bem. Só fiz gentilezas nesses quinze anos que vizinhamos”…

Constatação XXIX (De temas de transcendental importância).

Quando a gente era mais novo – e por mais incrível que isso possa parecer, a gente já foi mais novo –, quando criança, a gente costumava dizer, caso chovesse e saísse sol simultaneamente: “Chuva e sol, casamento de espanhol”, ou “sol e chuva, casamento de viúva”. Hoje em dia, em Curitiba, não daria mais, não só pelas condições climáticas, já que só chove e o sol não é visto, mas porque o casamento está, gradativamente, sendo abolido… Agora, nos poucos casos que eles ocorrem, os noivos costumam se despedir na igreja, não oferecendo um almoço, um jantar ou, sequer, um simples coquetel, o que, convenhamos, parece meio usurário, meio sovina. Para esses casos esdrúxulos sugerimos que, em Curitiba, as crianças, digam: Chuva e chuva, queremos a manjuva*. Fica consignada a imprescindível sugestão.

*Manjuva = comida, refeição.

Constatação XXX (Ah, esse nosso vernáculo).

O Cunha, contou uma história, sem cunho histórico, sobre o seu cunhado que fez uma cunha toda torta por haver tomado uma “caña” paraguaia.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Se o Presidente Dutra, que governou o Brasil em 1946, depois da ditadura de Getúlio Vargas, também tivesse sido ditador, teríamos tido uma ditadutra ? (Perdão, leitores).

Dúvida II

E já que falamos no assunto, quem poderia supor, pela cabeça de quem iria passar que, um dia, o mundo ficaria mais pequeno para os “grandes”  ditadores, como por exemplo o falecido Pinochet ?

Dúvida III

Progenitura,

Atualmente,

Somente

Quem

Não

Tem

Fartura ?

Perdão,

Sinecura ?

Dúvida IV

Você também é daqueles que fica pê da vida, possesso, fulo de raiva quando a caneta esferográfica, recém adquirida, não solta tinta ou solta em demasia ? Ou você acha que apenas levou azar na compra ?

Dúvida V

Dependendo da resposta para a Dúvida IV, você acha que irá para o céu ou para o inferno, eventualmente, com baldeação, ou conexão, no purgatório ? (Baldeação, nos casos de utilizar trem: conexão, avião).

Dúvida VI

O seu bocejar

Incessante,

A sua sonolência

Irritante

Começou a estragar

Sua boa aparência ?

Dúvida VII

O flerte

De sua filha

Tão solerte ?

Dúvida VIII

O namoro

Do seu filho

Só decoro ?

Dúvida IX

A cartomância,

Como ciência,

É ignorância,

Ou sapiência ?

Dúvida X

Quando o vendedor, ao te apresentar um orçamento, diz: “Dependendo da oferta do concorrente, ainda dá para negociar o meu preço”, ele está te dando um diploma de burro, já que estará pensando: “se meu preço passar, passou”; ou ele está se dando um diploma de burro, pois você sempre poderá dizer que o preço do seu concorrente é menor, ou, ainda, ambas as coisas ? (Comentários no blog. Obrigado).

Dúvida XI (Via pseudo-haicai).

Sem parcimônia

Ele mandou a sogra

Tocar zampônia* ?

*Zampônia = Instrumento de sopro muito utilizado no Peru e Bolivia.

Dúvida XII (De alguns países africanos).

Dolarizar ou não dolarizar, esta é a questão, digo, that is the question ?

Dúvida XIII

Potência estrangeira

Só quer nossa infelicidade!

Tudo isso não é besteira

Ou, da oposição, maldade ?

Dúvida XI

A novela

Foi a responsável

Pela queima da panela ?

Dúvida XII

Ora veja,

Naquele momento,

Tão solene,

O falatório

Da proclama

De casamento

Da Irene:

“Foi no cartório,

Na igreja

Ou na cama ?”

Dúvida XIII

Foi o xexelento*

Que propôs à ricaça beldade

Casamento?

*Xexelento = “Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

1. desprovido de qualidade; de pouco valor

2. de aparência desagradável; falto de beleza

3. usualmente desejoso de amolar, incomodar; implicante” (Houaiss).

Dúvida XIV

A mulher que se permite ser objeto de um homem é uma mulher abjeta?

PESQUISA IBOPE: DILMA e SERRA EMPATADOS EM 37% / “DEMOS e TUCANADA agonizam nas reuniões de emergência e sujeira.”

“entre o final da semana passada e a última sexta-feira os DEMOS já davam sinais de fadiga com a campanha de zé serra. alguns deputados federais do DEMO já acenam em marchar com o PT nos seus estados. o organismo da campanha se mostra fraco, facilmente contaminável ao ponto de o termo “vice” ( de serra) chega a ser uma ofensa para quem é lembrado. vide aécio.” PTP.

Pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. De acordo com levantamento, 8% dos entrevistados se dizem indecisos

Pesquisa Ibope de intenção de voto para presidente da República divulgada neste sábado (5) aponta Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) empatados. Os dois têm 37% das preferências e Marina Silva (PV), 9%.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 141 cidades do país entre os últimos dias 31 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Isso quer dizer que Dilma e Serra podem ter entre 35% e 39% das preferências e Marina, entre 7% e 11%. Nove por cento dos entrevistados disseram que votarão em branco, nulo ou em nenhum candidato. Os indecisos somam 8%.

No último levantamento feito pelo Ibope, em abril, José Serra tinha 40% das intenções de voto, Dilma Rousseff, 32%, e Marina Silva, 9%. Dilma foi a única candidata que apresentou crescimento.

Em fevereiro deste ano, a diferença entre os dois primeiros colocados na disputa era de 13 pontos percentuais (Serra tinha 41% e Dilma, 28%). Em março, caiu para cinco pontos (38% e 33%, respectivamente). E, em abril, voltou a subir e chegou a oito pontos (40% e 32%). Nesse mesmo período, Marina teve 10%, 8% e 9% das intenções de voto nos estudos feitos pelo Ibope.

A série histórica citada não considera na disputa o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), que oficializou, no fim de abril, a desistência de concorrer à Presidência.

A pesquisa é a primeira encomendada neste ano ao instituto pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Esse levantamento aferiu somente as intenções de voto nos três principais presidenciáveis. Nos cartões apresentados aos eleitores, não constavam os nomes de eventuais pré-candidatos cujas taxas são inferiores a 1% em outras pesquisas já divulgadas neste ano.

O prazo legal para que os partidos oficializem os candidatos em convenção começa no próximo dia 10 e termina no dia 30. Após essa data, serão conhecidos os nomes de todos os candidatos que disputarão a Presidência na eleição de outubro.

Segundo turno

O Ibope também considerou a possibilidade de segundo turno entre Serra e Dilma. O resultado é um novo empate, em 42%. Nessa situação, brancos e nulos somam 9%. Sete por cento não responderam.

Segundo os pesquisadores, a candidata do PT recebe mais votos dos eleitores de Marina Silva(40%, contra 32% que optariam pelo candidato tucano).

Entre os entrevistados que declararam que votariam branco ou nulo no primeiro turno, o percentual de quem escolheria Serra na segunda etapa é maior (17%, contra 6% para Dilma).

Rejeição

O Ibope também aferiu o grau de rejeição dos eleitores aos três principais pré-candidatos. Vinte e quatro por cento dos entrevistados disseram que não votarão em Serra; 19% em Dilma e 15% em Marina.

Os entrevistados responderam ainda questionários sobre o interesse na eleição que vai ocorrer em outubro. De acordo com o Ibope, 21% disseram que têm muito interesse, 32% têm interesse médio, 27% têm pouco interesse e 19% não têm interesse nenhum.

Avaliação do governo

De acordo com o levantamento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 75% dos entrevistados, regular por 20% e ruim ou péssimo por 5%. A nota média atribuída ao governo pelos eleitores ouvidos pelo Ibope é 7,8.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo número 13642/2010.

05/06/2010 | 15:40 | G1/GLOBO.COM

segunda manchete, entre aspas, e ilustrações são do site PTP.

O escritor WILSON BUENO está MORTO /curitiba

O escritor Wilson Pinto Bueno, de 61 anos, foi encontrado morto dentro de sua residência, no bairro Santa Cândida, em Curitiba as 19h30 desta segunda-feira. Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas havia sinais de violência.

Wilson Bueno nasceu em Jaguapitã, no Norte do Paraná, em 1949, mas morava em Curitiba desde a década de 1970. Ele era considerado um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos. Foi apresentado aos leitores brasileiros em 1986, pelo poeta curitibano Paulo Leminski, com a publicação da coletânea de contos Bolero’s Bar. Com a novela Mar paraguayo, lançada em 1992, ganhou projeção nacional e internacional.

O escritor foi o criador e editor, durante oito anos, do suplemento de ideias Nicolau, considerado o Melhor Jornal Cultural do Brasil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1987. Ele também era cronista do jornal “O Estado do Paraná”, da revista “Ideias” e colaborador do caderno cultural do jornal O Estado de São Paulo.

gp.

RUMOREJANDO – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Quem estuda cálculo infinitesimal e integral se depara com o capítulo “função de função” que é expresso da seguinte maneira: y = f(x) que se lê como y é função de x e, por sua vez, x = f(z) que é lido como x é função de z. Logo, y = f [f (z)], ou seja, y é função de função de z. Bem, quando da época da ditadura militar no Brasil, numa certa fase, o país estava sendo presidido pelo general Costa e Silva. Seu vice-presidente era o civil Pedro Aleixo. Eis que um enfarte mata ogeneral Costa e Silva. O vice Pedro Aleixo se veste com um terno de corte impecável para ocasiões muito especiais e sai de casa, lépido e, digamos, gracioso, para assumir a presidência, no que é impedido pelos três ministros militares que assumem o comando do país. O que, sem dúvida, se constituiu num golpe função de outro golpe. Em suma, numa função de função. O que se infere, de imediato, que é elementar, minha gente, o que é função de função. Mais elementar, ainda, era dar golpes em certos países, continentes, e outros assemelhados… Em alguns, ainda é…

Constatação II (De conselhos úteis).

Tomar um chimarrão, dentre outros e/ou outras, ouvindo uma música clássica de Mozart, Bach, Vivaldi e autores outros da preferência do cidadão ou cidadã é uma excelente terapia para esses tempos tempestuosos do país com um altíssimo grau de violência e outros também assemelhados imperando. Naturalmente desde que seja uma erva não muito forte para não deixar o pobre do mortal muito mais elétrico do que o coitado já anda. De nada.

Constatação III (Via pseudo-haicai).

Um resquício

Na conta corrente.

Que suplício!

Constatação IV

Pai! Não os perdoai, porque eles continuam não sabendo o que fazem…

Constatação V

Rico emagrece no spa; pobre, não precisa tomar quaisquer providências.

Constatação VI

Não se deve confundir enjoado com enojado, muito embora existam atitudes que nos deixam nas duas condições simultânea e indistintamente.

Constatação VII

“Tá escrito aqui que o euro voltou a cair e tem o menor valor em quatro anos”, disse a mulher que estava lendo o jornal de domingo. “E ele se machucou?” perguntou o marido que não tirava os olhos da televisão que tava transmitindo o desfile das misses em maiô para a rainha de qualquer coisa (Não foi possível apurar exatamente para quê. Perdão, leitores por essa nossa omissão).

Constatação VIII

Declaração recente e oficial da Unesco, Organismo das Nações Unidas: “O tango é Patrimônio Cultural da Humanidade. Este assim chamado escriba, que tem paixão pelo tango, acha “merecedíssima” a outorga da Unesco. Vale lembrar que o argentino R. Ostuni no seu Trinta versos para sentir o tango incluiu que “O tango é tão antigo como o homem, nasceu com a primeira dor da alma”. Provavelmente também com dor de cotovelo que o nosso Lupicinio Rodrigues foi um digno representante. Rumorejando, sem qualquer inveja dos hermanos, cuja diferença se resume apenas – e não mais que apenas – ao futebol – acha – data vênia, é claro – que o nosso samba também mereceria ser Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao contrário do tango, pela sua alegria da alma. Tenho sem patriotada dito!

Constatação IX (De uma senhora em dúvida meio crucial).

“Foi a horrível

Da petulante

Que, por incrível

Que pareça,

Me disse algo interessante:

“Não esmoreça

Na crise atual,

Nem pereça

Com a situação.

Mude o visual,

Fazendo unha e cabelo,

Com muito desvelo.

Apareça

Lá no meu salão.

Preço de ocasião!”

-“Sei, não…”

Constatação X (Grande Monteiro Lobato).

Mostrou pertinácia

Ao dizer que no Brasil

Havia petróleo,

“Basta que se sonde”,

O criador de Tia Anastácia

No livro infantil

O poço do visconde.

Constatação XI

Resvalo,

Sem querer

Na gatona.

Que dona!

Não precisava

Nem eu esperava

Ela me dizer:

“Cavalo!”

Constatação XII

Rico especula preço, terras, prédios, casas e dólar; pobre, não tem porque, em que, com que e para que especular.

Constatação XIII

Quando o goleiro começou, no final da partida, justificar como deixou passar aquele chute despretensioso do meio do campo, permitindo que a partida que parecia ganha e que terminou empatada, Rumorejando ficou com uma dúvida crucial: Se ele quis dizer que o jogo só termina quando acaba ou se o jogo acaba quando termina. Quem escutou a entrevista e puder esclarecer, por favor, comentários no blog indicado a seguir: http://rimasprimas.blogspot.com

Penhoradamente nossos efusivos e respeitosos agradecimentos.

Constatação XIV (De uma dúvida, não necessariamente crucial, de quem não sofre de complexo de perseguição e julga que tem “desconfiômetro” que funciona às mil maravilhas).

Por que será que me perseguem e nunca me convocam para defender a seleção de quaisquer esportes que se pratica por esse mundo afora? Quem souber, por favor, etc. Obrigado.

Constatação XV

Deu na mídia: “Ronaldo Fenômeno se reconcilia com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira”. Taí mais uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (De uma fofoqueira, atingindo dois, ou melhor, duas coelhas com uma só cajadada).

É a caquética

Que é aparentada

Da atlética

Espiantada ?

Dúvida II

Foi a tomada que espalhou que o plugue andava tomando viagra ?

Dúvida III(Via pseudo-haicai).

A turma nem fica lívida

Com sua dolarizada

Impagável dívida ?

Dúvida IV (Meio surrealista).

O carreto pra levar o lápis

Da Terra até a Lua

Não saiu grátis ?

Dúvida V

Foi a aranha

Que não creu na patranha,

Estranha,

Contada pelo “aranho”,

Fazendo manha ?

“Estranho !?”

Dúvida VI

Pingue-pongue

Ela tava jogando,

Tudo mostrando

Só de “sarongue” ?

Dúvida VII

Essa crise geral

Deixou a emergente

Soturna e noturnal

Igual

A todo mortal,

Como a gente ?

Dúvida VIII (por atacado).

A tangente é por pouco uma quase secante ? E o arco tem complexo por não ser diâmetro ? E foi o raio que mandou o diâmetro para o raio que o parta ? E no teorema de Pitágoras todo mundo é quadrado ? Quem nasce circunferência nunca freqüentará o circulo ? O lado do quadrado é uma diagonal dividido por uma certa ou incerta raiz quadrada ? O cone tem complexo de inferioridade por valer apenas 1/3 do volume do cilindro ? O trapézio está para o retângulo assim como o camelo está para o cavalo ? A Lemniscata de Bernouilli é um oito cansado ? Ou o infinito é um oito deitado ? A elipse, a parábola e a hipérbole de figuras geométricas passaram a figuras de retórica ? 69 também é número cabalístico ? O número pi ao quadrado é somente o produto de 3,14159 por ele mesmo ? O tetraedro não tem nada a ver com o icosaedro ? O pentágono despreza o hexágono, o heptágono e o octógono só porque se julga importante já que tem o seu nome usado na maior potência do planeta ?

Dúvida IX

Era naquele cartaz que estava escrito: “Não escrevemos nada aqui porque não temos nada a escrever” ?

Dúvida X

Ela fez firula

Para não comer

Por temer

O pecado da gula ?

Dúvida XI

A tua perda, com a desvalorização do real, foi uma rima rica ?

Dúvida XII (Via pseudo-haicai).

Acha o sonhador

Que com a euro

O aplicador

Não

Ficará tão

“Neuro” ?

Dúvida XIII (Perdão, leitores, o péssimo latim).

Nosso triste destino é ser, para todo o sempre, por “seculae seculorum”, “ad eternam”, o país com um futuro sem corruptos ? (De acordo com estudo da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, “o custo” da corrupção pode variar entre R$ 41 bilhões e R$ 69 bilhões por ano).

Dúvida XIV

Quem dominar

O computador

Deverá se tornar,

No futuro,

O grã-senhor

De tudo que é burro?

Reforma política: aposentar Caciques dos Partidos – Revista “O Cruzeiro” de 3 de outubro de 1964 / rio de janeiro

O PRESIDENTE Castello Branco parece interessado em examinar as sugestões que lhe vêm sendo feitas no sentido de dar maior profundidade à revisão das estruturas políticas, que inicialmente pensou fazer em escala bastante modesta. Os projetos iniciais do Govêrno referiam-se a uma reforma eleitoral e a uma lei orgânica dos partidos, ambas consideradas essenciais a uma melhoria dos instrumentos de apuração da manifestação da vontade popular, mas ambas tidas pelos peritos nos estudos constitucionais do Brasil como insuficientes.

O de que se necessitaria, no momento, seria de alguma coisa semelhante ao que fêz na França, em 1958, o General Charles De Gaulle, embora sem que se pense em adotar necessàriamente a mesma linha de fortalecimento do poder presidencial seguida na Constituição francesa daquele ano.

Abandonada a idéia da mudança do sistema presidencialista para uma nova experiência parlamentarista – idéia condenada pelo malôgro da experiência anterior e recente, muito embora já haja novamente na Câmara uma emenda constitucional parlamentarista com 205 assinaturas, o que demonstra, pelo menos, a persistência das inclinações doutrinárias da maioria dos deputados -, cogita-se de modificar a estrutura do regime presidencialista. Essas modificações poderiam ir até admitir a existência de um conselho de ministros ou de ministros prèviamente aprovados pelo Congresso ou, ao menos, pelo Senado – prática norte-americana – como tentativa de contenção dos excessos presidencialistas e de uma boa distribuição de tarefas. Entende-se que a missão de chefe de Estado cresceu tanto quanto a missão de chefe de govêrno, a tal ponto que se tornaria rigorosamente impossível a um só homem exercer eficientemente as duas.

Ao chefe de Estado, no entanto, seriam asseguradas prerrogativas que manteriam em suas mãos o poder de decisão em tôdas as questões de importância política e administrativa.

Tentar-se-ia, por outro lado, assegurar senão a prevalência pelo menos a liderança legal – no reconhecimento da liderança de fato – do Poder Executivo sôbre o Poder Legislativo, na formulação da política de govêrno. Pensa-se, portanto, em introduzir, em caráter permanente, a tramitação especial dos projetos da iniciativa do Presidente da República, bem como a de consagrar, no texto da Constituição, as restrições à iniciativa legislativa dos deputados, notadamente no que se refere a projetos de lei aumentando a despesa pública.

A proibição de iniciativas de parlamentares com reflexos na despesa pública não só asseguraria a incolumidade da política econômico-financeira do Govêrno, como favoreceria o prestígio do Congresso, afetado exatamente pela liberalidade com que deputados e senadores usam, sob pressão dos seus eleitores, da faculdade de propor projetos de lei ou emendas aos projetos em andamento.

No que se refere ao problema dos partidos políticos, as tendências vêm variando, mas de um modo geral consideram-se carentes de objetividade as tentativas de eliminar os atuais partidos para substituí-los por organizações que estruturassem de modo mais coerente as tendências ideológicas e compusessem de maneira melhor, os interêsses em jôgo. Os partidos que aí estão, sobretudo os grandes partidos, como o PSD, o PTB e a UDN, encontram bases de opinião bastante estáveis e têm seu fundamento de realidade nas rivalidades políticas municipais que seriam ainda a substância do grande jôgo político nacional.

O problema seria o de democratizar êsses partidos, interferindo no seu processo, condicionando-os ao cumprimento de exigências legais que os poriam a salvo do domínio de oligarquias ou de interêsses de grupos que em cada Estado monopolizam a legenda sem qualquer possibilidade de apêlo ou recurso. Os partidos brasileiros não têm existência efetiva a não ser nos períodos eleitorais, e assim mesmo as convenções que ratificam candidaturas são manipuladas pelos donos da legenda, que negam acesso a qualquer influência estranha ao seu exclusivo interêsse político ou mesmo pessoal. Seria necessário permitir o arejamento das reuniões partidárias com o acesso às mesmas das correntes de opinião, desde o município até o âmbito nacional. Isso jamais aconteceria por vontade própria dos caciques partidários e teria de ser uma resultante de imposições legais, que o atual Govêrno poderia promover com rapidez e eficiência.

Os Srs. Gustavo Capanema e Afonso Arinos, juntamente com o falecido San Thiago Dantas, estudavam êsses temas em profundidade e vinham mantendo a respeito exaustivos encontros com o Ministro da Justiça, sensível à necessidade de partir o País para novas experiências em matéria de estrutura política.

Pensaram aquêles próceres em interessar no assunto o Presidente dos grandes partidos para a formação de uma frente ou bloco parlamentar que, na base do estímulo ao Govêrno, apoiasse firmamente a votação das reformas. A idéia está em marcha, e é possível que o Presidente autorize o Ministro Milton Campos a ampliar o terreno em que se estudam, no momento, as reformas políticas que pretende fazer possìvelmente nos primeiros meses de 1965.

As resistências da rotina política e parlamentar serão muito grandes e só mesmo o impulso de uma dinâmica revolucionária poderá permitir a reestruturação de que se cogita no momento.

Caso, no entanto, as dificuldades de ordem doutrinária sejam inconciliáveis, o Govêrno poderá se ver na contingência de restringir seu propósito reformista, na área política, a simples ajustamentos da legislação vigente.

Nesse caso, teríamos apenas algumas providências destinadas a coibir a fraude eleitoral ou a fixar exigências maiores para registro de partidos políticos, a fim de evitar que continuem a proliferar as legendas partidárias destituídas de qualquer significação.

MV.

LA FANFARLO [1] – de charles baudelaire / paris

Samuel Cramer, qui signa autrefois du nom de Manuela de Monteverde quelques folies romantiques, — dans le bon temps du Romantisme, — est le produit contradictoire d’un blême Allemand et d’une brune Chilienne. Ajoutez à cette double origine une éducation française et une civilisation littéraire, vous serez moins surpris, — sinon satisfait et édifié, — des complications bizarres de ce caractère. — Samuel a le front pur et noble, les yeux brillants comme des gouttes de café, le nez taquin et railleur, les lèvres impudentes et sensuelles, le menton carré et despote, la chevelure prétentieusement raphaélesque. — C’est à la fois un grand fainéant, un ambitieux triste, et un illustre malheureux ; car il n’a guère eu dans sa vie que des moitiés d’idées. Le soleil de la paresse qui resplendit sans cesse au-dedans de lui, lui vaporise et lui mange cette moitié de génie dont le ciel l’a doué. Parmi tous ces demi-grands hommes que j’ai connus dans cette terrible vie parisienne, Samuel fut, plus que tout autre, l’homme des belles œuvres ratées ; — créature maladive et fantastique, dont la poésie brille bien plus dans sa personne que dans ses œuvres, et qui, vers une heure du matin, entre l’éblouissement d’un feu de charbon de terre et le tic tac d’une horloge, m’est toujours apparu comme le Dieu de l’impuissance, — dieu moderne et hermaphrodite, — impuissance si colossale et si énorme qu’elle en est épique !

Comment vous mettre au fait, et vous faire voir bien clair dans cette nature ténébreuse, bariolée de vifs éclairs, — paresseuse et entreprenante à la fois, — féconde en desseins difficiles et en risibles avortements ; — esprit chez qui le paradoxe prenait souvent les proportions de la naïveté, et dont l’imagination était aussi vaste que la solitude et la paresse absolues ? — Un des travers les plus naturels de Samuel était de se considérer comme l’égal de ceux qu’il avait su admirer ; après une lecture passionnée d’un beau livre, sa conclusion involontaire était : voilà qui est assez beau pour être de moi ! — et de là à penser : c’est donc de moi, — il n’y a que l’espace d’un tiret.

Dans le monde actuel, ce genre de caractère est plus fréquent qu’on ne le pense ; les rues, les promenades publiques, les estaminets, et tous les asiles de la flânerie fourmillent d’êtres de cette espèce. Ils s’identifient si bien avec le nouveau modèle, qu’ils ne sont pas éloignés de croire qu’ils l’ont inventé. — Les voilà aujourd’hui déchiffrant péniblement les pages mystiques de Plotin ou de Porphyre ; demain ils admireront comme Crébillon le fils a bien exprimé le côté volage et français de leur caractère. Hier ils s’entretenaient familièrement avec Jérôme Cardan ; les voici maintenant jouant avec Sterne, ou se vautrant avec Rabelais dans toutes les goinfreries de l’hyperbole. Ils sont d’ailleurs si heureux dans chacune de leurs métamorphoses, qu’ils n’en veulent pas le moins du monde à tous ces beaux génies de les avoir devancés dans l’estime de la postérité. — Naïve et respectable impudence! Tel était le pauvre Samuel.

Fort honnête homme de naissance et quelque peu gredin par passe-temps, — comédien par tempérament, — il jouait pour lui-même et à huis clos d’incomparables tragédies, ou, pour mieux dire, tragi-comédies. Se sentait-il effleuré et chatouillé par la gaieté, il fallait se le bien constater, et notre homme s’exerçait à rire aux éclats. Une larme lui germait-elle dans le coin de l’œil à quelque souvenir, il allait à sa glace se regarder pleurer. Si quelque fille, dans un accès de jalousie brutale et puérile, lui faisait une égratignure avec une aiguille ou un canif, Samuel se glorifiait en lui-même d’un coup de couteau, et quand il devait quelques misérables vingt mille francs, il s’écriait joyeusement :

— Quel triste et lamentable sort que celui d’un génie harcelé par un million de dettes !

D’ailleurs, gardez-vous de croire qu’il fût incapable de connaître les sentiments vrais, et que la passion ne fît qu’effleurer son épiderme. Il eût vendu ses chemises pour un homme qu’il connaissait à peine, et qu’à l’inspection du front et de la main il avait institué hier son ami intime. Il apportait dans les choses de l’esprit et de l’âme la contemplation oisive des natures germaniques, — dans les choses de la passion l’ardeur rapide et volage de sa mère, — et dans la pratique de la vie tous les travers de la vanité française. Il se fût battu en duel pour un auteur ou un artiste mort depuis deux siècles. Comme il avait été dévot avec fureur, il était athée avec passion. Il était à la fois tous les artistes qu’il avait étudiés et tous les livres qu’il avait lus, et cependant, en dépit de cette faculté comédienne, il restait profondément original. Il était toujours le doux, le fantasque, le paresseux, le terrible, le savant, l’ignorant, le débraillé, le coquet Samuel Cramer, la romantique Manuela de Monteverde. Il raffolait d’un ami comme d’une femme, aimait une femme comme un camarade. Il possédait la logique de tous les bons sentiments et la science de toutes les roueries, et néanmoins il n’a jamais réussi à rien, parce qu’il croyait trop à l’impossible. — Quoi d’étonnant ? il était toujours en train de le concevoir.

Samuel, un soir, eut l’idée de sortir ; le temps était beau et parfumé. — Il avait, selon son goût naturel pour l’excessif, des habitudes de réclusion et de dissipation également violentes et prolongées, et depuis longtemps il était resté fidèle au logis. La paresse maternelle, la fainéantise créole qui coulait dans ses veines l’empêchait de souffrir du désordre de sa chambre, de son linge et de ses cheveux encrassés et emmêlés à l’excès. Il se peigna, se lava, sut en quelques minutes retrouver le costume et l’aplomb des gens chez qui l’élégance est chose journalière ; puis il ouvrit la fenêtre. — Un jour chaud et doré se précipita dans le cabinet poudreux. Samuel admira comme le printemps était venu vite en quelques jours, et sans crier gare. Un air tiède et imprégné de bonnes odeurs lui ouvrit les narines, — dont une partie étant montée au cerveau, le remplit de rêverie et de désir, et l’autre lui remua libertinement le cœur, l’estomac et le foie. — Il souffla résolûment ses deux bougies dont l’une palpitait encore sur un volume de Swedenborg, et l’autre s’éteignait sur un de ces livres honteux dont la lecture n’est profitable qu’aux esprits possédés d’un goût immodéré de la vérité.

Du haut de sa solitude, encombrée de paperasses, pavée de bouquins et peuplée de ses rêves, Samuel apercevait souvent, se promenant dans une allée du Luxembourg, une forme et une figure qu’il avait aimées en province, — à l’âge où l’on aime l’amour. — Ses traits, quoique mûris et engraissés par quelques années de pratique, avaient la grâce profonde et décente de l’honnête femme ; au fond de ses yeux brillait encore par intervalles la rêverie humide de la jeune fille. Elle allait et venait, habituellement escortée par une bonne assez élégante, et dont le visage et la tournure accusaient plutôt la confidente et la demoiselle de compagnie que la domestique. Elle semblait rechercher les endroits abandonnés, et s’asseyait tristement avec des attitudes de veuve, tenant parfois dans sa main distraite un livre qu’elle ne lisait pas.

Samuel l’avait connue aux environs de Lyon, jeune, alerte, folâtre et plus maigre. À force de la regarder et pour ainsi dire de la reconnaître, il avait retrouvé un à un tous les menus souvenirs qui se rattachaient à elle dans son imagination ; il s’était raconté à lui-même, détail par détail, tout ce jeune roman, qui, depuis, s’était perdu dans les préoccupations de sa vie et le dédale de ses passions.

Ce soir-là, il la salua, mais avec plus de soin et plus de regards. En passant devant elle, il entendit derrière lui ce lambeau de dialogue :

— Comment trouvez-vous ce jeune homme, Mariette ?

— Mais cela dit avec un ton de voix si distrait, que l’observateur le plus malicieux n’y eût rien trouvé à redire contre la dame.

— Mais je le trouve fort bien, madame. — Madame sait que c’est M. Samuel Cramer ?

Et sur un ton plus sévère :

— Comment se fait-il que vous sachiez cela, Mariette ?
. . . . . . . . . . . . . . . . . .

C’est pourquoi le lendemain Samuel eut grand soin de lui rapporter son mouchoir et son livre, qu’il trouva sur un banc, et qu’elle n’avait pas perdus, puisqu’elle était près de là, regardant les moineaux se disputer des miettes, ou ayant l’air de contempler le travail intérieur de la végétation. Comme il arrive souvent entre deux êtres dont les destinées complices ont élevé l’âme à un égal diapason, — engageant la conversation assez brusquement, — il eut néanmoins le bonheur bizarre de trouver une personne disposée à l’écouter et à lui répondre.

— Serais-je assez heureux, madame, pour être encore logé dans un coin de votre souvenir ? Suis-je tellement changé que vous ne puissiez reconnaître en moi un camarade d’enfance, avec qui vous avez daigné jouer à cache-cache et faire l’école buissonnière ?

— Une femme, — répondit la dame avec un demi-sourire, — n’a pas le droit de reconnaître aussi facilement les gens ; c’est pourquoi je vous remercie, monsieur, de m’avoir, le premier, offert l’occasion de me reporter vers ces beaux et gais souvenirs. — Et puis… chaque année de la vie contient tant d’événements et de pensées… et il me semble vraiment qu’il y a bien des années ?…

— Années, — répliqua Samuel, — qui pour moi ont été tantôt bien lentes, tantôt bien promptes à s’envoler, mais toutes diversement cruelles !

— Et la poésie ?… fit la dame avec un sourire dans les yeux.

— Toujours, Madame ! répondit Samuel en riant. — Mais que lisiez-vous donc là ?

— Un roman de Walter Scott.

— Je m’explique maintenant vos fréquentes interruptions. — Oh ! l’ennuyeux écrivain ! — Un poudreux déterreur de chroniques ! un fastidieux amas de descriptions de bric-à-brac, — un tas de vieilles choses et de défroques de tout genre : — des armures, des vaisselles, des meubles, des auberges gothiques et des châteaux de mélodrame, où se promènent quelques mannequins à ressort, vêtus de justaucorps et de pourpoints bariolés ; — types connus, dont nul plagiaire de dix-huit ans ne voudra plus dans dix ans ; des châtelaines impossibles et des amoureux parfaitement dénués d’actualité, — nulle vérité de cœur, nulle philosophie de sentiments ! Quelle différence chez nos bons romanciers français, où la passion et la morale l’emportent toujours sur la description matérielle des objets ! — Qu’importe que la châtelaine porte fraise ou paniers, ou sous-jupe Oudinot, pourvu qu’elle sanglote ou trahisse convenablement ? L’amoureux vous intéresse-t-il beaucoup plus pour porter dans son gilet un poignard au lieu d’une carte de visite, et un despote en habit noir vous cause-t-il une terreur moins poétique qu’un tyran bardé de buffle et de fer ?

Samuel, comme on le voit, rentrait dans la classe des gens absorbants,— des hommes insupportables et passionnés, chez qui le métier gâte la conversation, et à qui toute occasion est bonne, même une connaissance improvisée au coin d’un arbre ou d’une rue, — fût-ce d’un chiffonnier, — pour développer opiniâtrément leurs idées. — Il n’y a entre les commis voyageurs, les industriels errants, les allumeurs d’affaires en commandite et les poëtesabsorbants, que la différence de la réclame à la prédication ; le vice de ces derniers est tout à fait désintéressé.

Or, la dame lui répliqua simplement :

— Mon cher monsieur Samuel, je ne suis que public, c’est assez vous dire que mon âme est innocente. Aussi le plaisir est-il pour moi la chose du monde la plus facile à trouver. — Mais parlons de vous ; — je m’estimerais heureuse si vous me jugiez digne de lire quelques-unes de vos productions.

— Mais, madame, comment se fait-il… ? fit la grosse vanité du poëte étonné.

— Le maître de mon cabinet de lecture dit qu’il ne vous connaît pas.

Et elle sourit doucement comme pour amortir l’effet de cette taquinerie fugitive.

— Madame, dit sentencieusement Samuel, le vrai public du XIXe siècle est les femmes ; votre suffrage me constituera plus grand que vingt académies.

— Eh bien, monsieur, je compte sur votre promesse. — Mariette, l’ombrelle et l’écharpe ; on s’impatiente peut-être à la maison. Vous savez que monsieur revient de bonne heure.

Elle lui fit un salut gracieusement écourté, qui n’avait rien de compromettant, et dont la familiarité n’excluait pas la dignité.

Samuel ne s’étonna point de retrouver un ancien amour de jeunesse asservi au lien conjugal. Dans l’histoire universelle du sentiment, cela est de rigueur. — Elle s’appelait madame de Cosmelly, et demeurait dans une des rues les plus aristocratiques du faubourg Saint-Germain.

Le lendemain il la trouva, la tête inclinée par une mélancolie gracieuse et presque étudiée, vers les fleurs de la plate-bande, et il lui offrit son volume desOrfraies, recueil de sonnets, comme nous en avons tous fait et tous lu, dans le temps où nous avions le jugement si court et les cheveux si longs.

Samuel était fort curieux de savoir si ses Orfraies avaient charmé l’âme de cette belle mélancolique, et si les cris de ces vilains oiseaux lui avaient parlé en sa faveur ; mais quelques jours après elle lui dit avec une candeur et une honnêteté désespérantes :

— Monsieur, je ne suis qu’une femme, et, par conséquent, mon jugement est peu de chose ; mais il me paraît que les tristesses et les amours de messieurs les auteurs ne ressemblent guère aux tristesses et aux amours des autres hommes. Vous adressez des galanteries, fort élégantes sans doute et d’un choix fort exquis, à des dames que j’estime assez pour croire qu’elles doivent parfois s’en effaroucher. Vous chantez la beauté des mères dans un style qui doit vous priver du suffrage de leurs filles. Vous apprenez au mondeque vous raffolez du pied et de la main de madame une telle, qui, supposons-le pour son honneur, dépense moins de temps à vous lire qu’à tricoter des bas et des mitaines pour les pieds ou les mains de ses enfants. Par un contraste des plus singuliers, et dont la cause mystérieuse m’est encore inconnue, vous réservez votre encens le plus mystique à des créatures bizarres qui lisent encore moins que les dames, et vous vous pâmez platoniquement devant des sultanes de bas lieu, qui doivent, ce me semble, à l’aspect de la délicate personne d’un poëte, ouvrir des yeux aussi grands que des bestiaux qui se réveillent dans un incendie. De plus, j’ignore pourquoi vous chérissez tant les sujets funèbres et les descriptions d’anatomie. Quand on est jeune, qu’on a comme vous un beau talent et toutes les conditions présumées du bonheur, il me paraît bien plus naturel de célébrer la santé et les joies de l’honnête homme, que de s’exercer à l’anathème, et de causer avec des Orfraies.

Voici ce qu’il lui répondit :

— Madame, plaignez-moi, ou plutôt plaignez-nous, car j’ai beaucoup de frères de ma sorte ; c’est la haine de tous et de nous-mêmes qui nous a conduits vers ces mensonges. C’est par désespoir de ne pouvoir être nobles et beaux suivant les moyens naturels, que nous nous sommes si bizarrement fardé le visage. Nous nous sommes tellement appliqués à sophistiquer notre cœur, nous avons tant abusé du microscope pour étudier les hideuses excroissances et les honteuses verrues dont il est couvert, et que nous grossissons à plaisir, qu’il est impossible que nous parlions le langage des autres hommes. Ils vivent pour vivre, et nous, hélas ! nous vivons pour savoir. Tout le mystère est là. L’âge ne change que la voix et n’abolit que les cheveux et les dents ; nous avons altéré l’accent de la nature, nous avons extirpé une à une les pudeurs virginales dont était hérissé notre intérieur d’honnête homme. Nous avons psychologisé comme les fous, qui augmentent leur folie en s’efforçant de la comprendre. Les années n’infirment que les membres, et nous avons déformé les passions. Malheur, trois fois malheur aux pères infirmes qui nous ont faits rachitiques et mal venus, prédestinés que nous sommes à n’enfanter que des mort-nés !

— Encore des Orfraies ! dit-elle ; voyons, donnez-moi votre bras et admirons ces pauvres fleurs que le printemps rend si heureuses !

Au lieu d’admirer les fleurs, Samuel Cramer, à qui la phrase et la période étaient venues, commença à mettre en prose et à déclamer quelques mauvaises stances composées dans sa première manière. La dame le laissait faire.

— Quelle différence, et combien il reste peu du même homme, excepté le souvenir ! mais le souvenir n’est qu’une souffrance nouvelle. Le beau temps que celui où le matin ne réveilla jamais nos genoux engourdis ou rompus par la fatigue des songes, où nos yeux clairs riaient à toute la nature, où notre âme ne raisonnait pas, mais où elle vivait et jouissait ; où nos soupirs s’écoulaient doucement sans bruit et sans orgueil ! que de fois, dans les loisirs de l’imagination, j’ai revu l’une de ces belles soirées automnales où les jeunes âmes font des progrès comparables à ces arbres qui poussent de plusieurs coudées par un coup de foudre. Alors je vois, je sens, j’entends ; la lune réveille les gros papillons ; le vent chaud ouvre les belles-de-nuit ; l’eau des grands bassins s’endort. — Écoutez en esprit les valses subites de ce piano mystérieux. Les parfums de l’orage entrent par les fenêtres ; c’est l’heure où les jardins sont pleins de robes roses et blanches qui ne craignent pas de se mouiller. Les buissons complaisants accrochent les jupes fuyantes, les cheveux bruns et les boucles blondes se mêlent en tourbillonnant ! — Vous souvient-il encore, madame, des énormes meules de foin, si rapides à descendre, de la vieille nourrice si lente à vous poursuivre, et de la cloche si prompte à vous rappeler sous l’œil de votre tante, dans la grande salle à manger ?

Madame de Cosmelly interrompit Samuel par un soupir, voulut ouvrir la bouche, sans doute pour le prier de s’arrêter, mais il avait déjà repris la parole.

— Ce qu’il y a de plus désolant, dit-il, c’est que tout amour fait toujours une mauvaise fin, d’autant plus mauvaise qu’il était plus divin, plus ailé à son commencement. Il n’est pas de rêve, quelque idéal qu’il soit, qu’on ne retrouve avec un poupard glouton suspendu au sein ; il n’est pas de retraite, de maisonnette si délicieuse et si ignorée, que la pioche ne vienne abattre. Encore cette destruction est-elle toute matérielle ; mais il en est une autre plus impitoyable et plus secrète qui s’attaque aux choses invisibles. Figurez-vous qu’au moment où vous vous appuyez sur l’être de votre choix, et que vous lui dites : Envolons-nous ensemble et cherchons le fond du ciel ! — une voix implacable et sérieuse penche à votre oreille pour vous dire que nos passions sont des menteuses, que c’est notre myopie qui fait les beaux visages et notre ignorance les belles âmes, et qu’il vient nécessairement un jour où l’idole, pour le regard plus clairvoyant, n’est plus qu’un objet, non pas de haine, mais de mépris et d’étonnement !

— De grâce, monsieur, dit madame de Cosmelly.

Elle était em même temps émue ; Samuel s’était aperçu qu’il avait mis le fer sur une ancienne plaie, et il insistait avec cruauté.

— Madame, dit-il, les souffrances salutaires du souvenir ont leurs charmes, et, dans cet enivrement de la douleur, on trouve parfois un soulagement. — À ce funèbre avertissement, toutes les âmes loyales s’écrieraient : « Seigneur, enlevez-moi d’ici avec mon rêve intact et pur : je veux rendre à la nature ma passion avec toute sa virginité, et porter ailleurs ma couronne inflétrie. » — D’ailleurs les résultats du désillusionnement sont terribles. — Les enfants maladifs qui sortent d’un amour mourant sont la triste débauche et la hideuse impuissance : la débauche de l’esprit, l’impuissance du cœur, qui font que l’un ne vit plus que par curiosité, et que l’autre se meurt chaque jour de lassitude. Nous ressemblons tous plus ou moins à un voyageur qui aurait parcouru un très-grand pays, et regarderait chaque soir le soleil, qui jadis dorait superbement les agréments de la route, se coucher dans un horizon plat. Il s’assied avec résignation sur de sales collines couvertes de débris inconnus, et dit aux senteurs de bruyères qu’elles ont beau monter vers le ciel vide ; aux graines rares et malheureuses, qu’elles ont beau germer dans un sol desséché ; aux oiseaux qui croient leurs mariages bénis par quelqu’un, qu’ils ont tort de bâtir des nids dans une contrée balayée de vents froids et violents. Il reprend tristement sa route vers un désert qu’il sait semblable à celui qu’il vient de parcourir, escorté par un pâle fantôme qu’on nomme Raison, qui éclaire avec une pâle lanterne l’aridité de son chemin, et, pour étancher la soif renaissante de passion qui le prend de temps en temps, lui verse le poison de l’ennui.

Tout d’un coup, entendant un profond soupir et un sanglot mal comprimé, il se retourna vers madame de Cosmelly ; elle pleurait abondamment et n’avait même plus la force de cacher ses larmes.

Il la considéra quelque temps en silence, avec l’air le plus attendri et le plus onctueux qu’il put se donner ; le brutal et hypocrite comédien était fier de ces belles larmes ; il les considérait comme son œuvre et sa propriété littéraire. Il se méprenait sur le sens intime de cette douleur, comme madame de Cosmelly, noyée dans cette candide désolation, se méprenait sur l’intention de son regard. Il y eut là un jeu singulier de malentendus, à la suite duquel Samuel Cramer lui tendit définitivement une double poignée de main, qu’elle accepta avec une tendre confiance.

— Madame, reprit Samuel après quelques instants de silence, — le silence classique de l’émotion, — la vraie sagesse consiste moins à maudire qu’à espérer. Sans le don tout divin de l’espérance, comment pourrions-nous traverser ce hideux désert de l’ennui que je viens de vous décrire ? Le fantôme qui nous accompagne est vraiment un fantôme de raison : on peut le chasser en l’aspergeant avec l’eau bénite de la première vertu théologale. Il y a une aimable philosophie qui sait trouver des consolations dans les objets les plus indignes en apparence. De même que la vertu vaut mieux que l’innocence, et qu’il y a plus de mérite à ensemencer un désert qu’à butiner avec insouciance dans un verger fructueux, de même il est vraiment digne d’une âme d’élite de se purifier et de purifier le prochain par son contact. Comme il n’est pas de trahison qu’on ne pardonne, il n’est pas de faute dont on ne puisse se faire absoudre, pas d’oubli qu’on ne puisse combler ; il est une science d’aimer son prochain et de le trouver aimable, comme il est un savoir bien vivre.

Plus un esprit est délicat, plus il découvre de beautés originales ; plus une âme est tendre et ouverte à la divine espérance, plus elle trouve dans autrui, quelque souillé qu’il soit, de motifs d’amour ; ceci est l’œuvre de la charité, et l’on a vu plus d’une voyageuse désolée et perdue dans les déserts arides du désillusionnement, reconquérir la foi et s’éprendre plus fortement de ce qu’elle avait perdu, avec d’autant plus de raison qu’elle possède alors la science de diriger sa passion et celle de la personne aimée.

Le visage de madame de Cosmelly s’était éclairé peu à peu ; sa tristesse rayonnait d’espérance comme un soleil mouillé, et à peine Samuel eut-il fini son discours, qu’elle lui dit vivement et avec l’ardeur naïve d’un enfant :

— Est-il bien vrai, monsieur, que cela soit possible, et y a-t-il pour les désespérés des branches aussi faciles à saisir ?

— Mais certainement, madame.

— Ah ! que vous me rendriez bien la plus heureuse des femmes, si vous daigniez m’enseigner vos recettes !

— Rien de plus facile, répliqua-t-il brutalement ?

Au milieu de ce marivaudage sentimental, la confiance était venue et avait en effet uni les mains des deux personnages ; si bien qu’après quelques hésitations et quelques pruderies qui semblèrent de bon augure à Samuel, madame de Cosmelly à son tour lui fit ses confidences et commença ainsi :

— Je comprends, monsieur, tout ce qu’une âme poétique peut souffrir de cet isolement, et combien une ambition de cœur comme la vôtre doit se vite consumer dans sa solitude ; mais vos douleurs, qui n’ appartiennent qu’à vous, viennent, autant que j’ai pu le démêler sous la pompe de vos paroles, de besoins bizarres toujours insatisfaits et presque impossibles à satisfaire. Vous souffrez, il est vrai ; mais il se peut que votre souffrance fasse votre grandeur et qu’elle vous soit aussi nécessaire qu’à d’autres le bonheur. — Maintenant, daignerez-vous écouter, et sympathiser avec des chagrins plus faciles à comprendre, — une douleur de province ? J’attends de vous, monsieur Cramer, de vous, le savant, l’homme d’esprit, les conseils et peut-être les secours d’un ami.

Vous savez qu’au temps où vous m’avez connue, j’étais une bonne petite fille, un peu rêveuse déjà comme vous, mais timide et fort obéissante ; que je me regardais moins souvent que vous dans la glace, et que j’hésitais toujours à manger ou à mettre dans mes poches les pêches et le raisin que vous alliez hardiment voler pour moi dans le verger de nos voisins. Je ne trouvais jamais un plaisir vraiment agréable et complet qu’autant qu’il fût permis, et j’aimais bien mieux embrasser un beau garçon comme vous devant ma vieille tante qu’au milieu des champs. La coquetterie et le soin que toute fille à marier doit avoir de sa personne ne me sont venus que tard. Quand j’ai su à peu près chanter une romance au piano, on m’a habillée avec plus de recherche, on m’a forcée à me tenir droite ; on m’a fait faire de la gymnastique, et l’on m’a défendu de gâter mes mains à planter des fleurs ou à élever des oiseaux. Il me fut permis de lire autre chose que Berquin, et je fus menée en grande toilette au théâtre de l’endroit voir de mauvais opéras. Quand M. de Cosmelly vint au château, je me pris tout d’abord pour lui d’une amitié vive ; comparant sa jeunesse florissante avec la vieillesse un peu grondeuse de ma tante, je lui trouvai de plus l’air noble, honnête, et il usait avec moi de la galanterie la plus respectueuse. Puis on citait de lui les traits les plus beaux : un bras cassé en duel pour un ami un peu poltron qui lui avait confié l’honneur de sa sœur, des sommes énormes prêtées à d’anciens camarades sans fortune ; que sais-je, moi ? il avait avec tout le monde un air de commandement à la fois affable et irrésistible, qui me dompta moi-même. Comment avait-il vécu avant de mener auprès de nous la vie de château ; avait-il connu d’autres plaisirs que de chasser avec moi ou de chanter de vertueuses romances sur mon mauvais piano ; avait-il eu des maîtresses ? Je n’en savais rien, et je ne songeais pas à m’en informer. Je me mis à l’aimer avec toute la crédulité d’une jeune fille qui n’a pas eu le temps de comparer, et je l’épousai, — ce qui fit à ma tante le plus grand plaisir. Quand je fus sa femme devant la religion et devant la loi, je l’aimai encore plus. — Je l’aimai beaucoup trop, sans doute. Avais-je tort, avais-je raison ? qui peut le savoir ? J’ai été heureuse de cet amour, j’ai eu tort d’ignorer qu’il pût être troublé. — Le connaissais-je bien avant de l’épouser ? Non, sans doute ; mais il semble qu’on ne peut pas plus accuser une honnêtefille qui veut se marier de faire un choix imprudent, qu’une femme perdue de prendre un amant ignoble. L’une et l’autre, — malheureuses que nous sommes ! — sont également ignorantes. Il manque à ces malheureuses victimes, qu’on nomme filles à marier, une honteuse éducation, je veux dire la connaissance des vices d’un homme. Je voudrais que chacune de ces pauvres petites, avant de subir le lien conjugal, pût entendre dans un lieu secret, et sans être vue, deux hommes causer entre eux des choses de la vie, et surtout des femmes. Après cette première et redoutable épreuve, elles pourraient se livrer avec moins de danger aux chances terribles du mariage, connaissant le fort et le faible de leurs futurs tyrans.

Samuel ne savait pas au juste où cette charmante victime en voulait venir ; mais il commençait à trouver qu’elle parlait beaucoup trop de son mari pour une femme désillusionnée.

Après avoir fait une pause de quelques minutes, comme si elle craignait d’aborder l’endroit funeste, elle reprit ainsi :

— Un jour, M. de Cosmelly voulut revenir à Paris ; il fallait que je brillasse dans mon jour et que je fusse encadrée selon mes mérites. Une femme belle et instruite, disait-il, se doit à Paris. Il faut qu’elle sache poser devant le monde et faire tomber quelques-uns de ses rayons sur son mari. — Une femme qui a l’esprit noble et du bon sens sait qu’elle n’a de gloire à attendre ici-bas qu’autant qu’elle fait une partie de la gloire de son compagnon de voyage, qu’elle sert les vertus de son mari, et surtout qu’elle n’obtient de respect qu’autant qu’elle le fait respecter. — Sans doute, c’était le moyen le plus simple et le plus sûr pour se faire obéir presque avec joie ; savoir que mes efforts et mon obéissance m’embelliraient à ses yeux, à coup sûr, il n’en fallait pas tant pour me décider à aborder ce terrible Paris, dont j’avais instinctivement peur, et dont le noir et éblouissant fantôme dressé à l’horizon de mes rêves faisait se serrer mon pauvre cœur de fiancée. — C’était donc là, à l’entendre, le vrai motif de notre voyage. La vanité d’un mari fait la vertu d’une femme amoureuse. Peut-être se mentait-il à lui-même avec une sorte de bonne foi, et rusait-il avec sa conscience sans trop s’en apercevoir. — À Paris, nous eûmes des jours réservés pour des intimes, dont M. de Cosmelly s’ennuya à la longue, comme il s’était ennuyé de sa femme. Peut-être s’était-il un peu dégoûté d’elle, parce qu’elle avait trop d’amour ; elle mettait tout son cœur en avant. Il se dégoûta de ses amis par la raison contraire. Ils n’avaient rien à lui offrir que les plaisirs monotones des conversations où la passion n’a aucune part. Dès lors, son activité prit une autre direction. Après les amis vinrent les chevaux et le jeu. Le bourdonnement du monde, la vue de ceux qui étaient restés sans entraves et qui lui racontaient sans cesse les souvenirs d’une jeunesse folle et occupée, l’arrachèrent au coin du feu et aux longues causeries. Lui, qui n’avait jamais eu d’autre affaire que son cœur, il eut des affaires. Riche et sans profession, il sut se créer une foule d’occupations remuantes et frivoles qui remplissaient tout son temps ; les questions conjugales : « — Où vas-tu ? — À quelle heure te reverra-t-on ? — Reviens vite, » il fallut les refouler au fond de ma poitrine ; car la vie anglaise, — cette mort du cœur, — la vie des clubs et des cercles, l’absorba tout entier. — Le soin exclusif de sa personne et le dandysme qu’il affecta me choquèrent tout d’abord ; il est évident que je n’en étais pas l’objet. Je voulus faire comme lui, être plus que belle, c’est-à-dire coquette, coquette pour lui, comme il l’était pour le monde ; autrefois j’offrais tout, je donnais tout, je voulus désormais me faire prier. Je voulais ranimer les cendres de mon bonheur éteint, en les agitant et en les retournant ; mais il paraît que je suis bien malhabile à la ruse et bien gauche au vice ; il ne daigna pas s’en apercevoir. — Ma tante, cruelle comme toutes les femmes vieilles et envieuses, qui sont réduites à admirer un spectacle où jadis elles furent actrices, et à contempler les jouissances qu’on leur refuse, eut grand soin de me faire savoir, par l’entremise intéressée d’un cousin de M. de Cosmelly, qu’il s’était épris d’une fille de théâtre fort en vogue. Je me fis conduire dans tous les spectacles, et toute femme un peu belle que je voyais entrer en scène, je tremblais d’admirer en elle ma rivale. Enfin j’appris, par une charité du même cousin, que c’était la Fanfarlo, une danseuse aussi bête que belle, — Vous qui êtes auteur, vous la connaissez sans doute. — Je ne suis pas très-vaniteuse ni très-fière de ma figure ; mais, je vous jure, monsieur Cramer, que maintes fois, la nuit, vers trois ou quatre heures du matin, fatiguée d’attendre mon mari, les yeux rouges de larmes et d’insomnies, après avoir fait de longues et suppliantes prières pour son retour à la fidélité et au devoir, j’ai demandé à Dieu, à ma conscience, à mon miroir, si j’étais aussi belle que cette misérable Fanfarlo. Mon miroir et ma conscience m’ont répondu : Oui. Dieu m’a défendu de m’en glorifier, mais non d’en tirer une légitime victoire. Pourquoi donc entre deux beautés égales, les hommes préfèrent-ils souvent la fleur que tout le monde a respirée, à celle qui s’est toujours gardée des passants dans les allées les plus obscures du jardin conjugal ? Pourquoi donc les femmes prodigues de leur corps, trésor dont un seul sultan doit avoir la clef, possèdent-elles plus d’adorateurs que nous autres, malheureuses martyres d’un amour unique ? De quel charme si magique le vice auréole-t-il certaines créatures ? Quel aspect gauche et repoussant leur vertu donne-t-elle à certaines autres ? Répondez donc, vous qui, par état, devez connaître tous les sentiments de la vie et leurs raisons diverses !

Samuel n’eut pas le temps de répondre, car elle continua ardemment :

— M. de Cosmelly a des choses bien graves sur la conscience, si la perte d’une âme jeune et vierge intéresse le Dieu qui la créa pour le bonheur d’une autre. Si M. de Cosmelly mourait ce soir même, il aurait bien des pardons à implorer ; car il a, par sa faute, enseigné à sa femme d’affreux sentiments, la haine, la défiance de l’objet aimé et la soif de la vengeance. — Ah ! monsieur, je passe des nuits bien douloureuses, des insomnies bien inquiètes ; je prie, je maudis, je blasphème. Le prêtre me dit qu’il faut porter sa croix avec résignation ; mais l’amour en démence, mais la foi ébranlée, ne savent pas se résigner. Mon confesseur n’est pas une femme, et j’aime mon mari ; je l’aime, monsieur, avec toute la passion et toute la douleur d’une maîtresse battue et foulée aux pieds. Il n’est rien que je n’aie tenté. Au lieu des toilettes sombres et simples auxquelles son regard se plaisait autrefois, j’ai porté des toilettes folles et somptueuses comme les femmes de théâtre. Moi, la chaste épouse qu’il était allé chercher au fond d’un pauvre château, j’ai paradé devant lui avec des robes de fille ; je me suis faite spirituelle et enjouée quand j’avais la mort dans le cœur. J’ai pailleté mon désespoir avec des sourires étincelants. Hélas ! il n’a rien vu. J’ai mis du rouge, monsieur, j’ai mis du rouge ! — Vous le voyez, c’est une histoire banale, l’histoire de toutes les malheureuses — un roman de province !

Pendant qu’elle sanglotait, Samuel faisait la figure de Tartufe empoigné par Orgon, l’époux inattendu, qui s’élance du fond de sa cachette, comme les vertueux sanglots de cette dame qui s’élançaient de son cœur, et venaient saisir au collet l’hypocrisie chancelante de notre poëte.

L’abandon extrême, la liberté et la confiance de madame de Cosmelly l’avaient prodigieusement enhardi, — sans l’étonner. Samuel Cramer, qui a souvent étonné le monde, ne s’étonnait guère. Il semblait dans sa vie vouloir mettre en pratique et démontrer la vérité de cette pensée de Diderot : « L’incrédulité est quelquefois le vice d’un sot, et la crédulité le défaut d’un homme d’esprit. L’homme d’esprit voit loin dans l’immensité des possibles. Le sot ne voit guère de possible que ce qui est. C’est là peut-être ce qui rend l’un pusillanime et l’autre téméraire. » Ceci répond à tout. Quelques lecteurs scrupuleux et amoureux de la vérité vraisemblable trouveront sans doute beaucoup à redire à cette histoire, où pourtant je n’ai eu d’autre besogne à faire que de changer les noms et d’accentuer les détails ; comment, diront-ils, Samuel, un poëte de mauvais ton et de mauvaises mœurs, peut-il aborder aussi prestement une femme comme madame de Cosmelly ? lui verser, à propos d’un roman de Scott, un torrent de poésie romantique et banale ? madame de Cosmelly, la discrète et vertueuse épouse, lui verser aussi promptement, sans pudeur et sans défiance, le secret de ses chagrins ? À quoi je réponds que madame de Cosmelly était simple comme une belle âme, et que Samuel était hardi comme les papillons, les hannetons et les poëtes ; il se jetait dans toutes les flammes et entrait par toutes les fenêtres. La pensée de Diderot explique pourquoi l’une fut si abandonnée, l’autre si brusque et si impudent. Elle explique aussi toutes les bévues que Samuel a commises dans sa vie, bévues qu’un sot n’eût pas commises. Cette portion du public qui est essentiellement pusillanime ne comprendra guère le personnage de Samuel, qui était essentiellement crédule et imaginatif, au point qu’il croyait, comme poëte, à son public, — comme homme, à ses propres passions.

Dès lors il s’aperçut que cette femme était plus forte, plus escarpée qu’elle n’en avait l’air, et qu’il ne fallait pas heurter de front cette piété candide. Il lui défila de nouveau son jargon romantique. Honteux d’avoir été bête, il voulut être roué ; il lui parla quelque temps encore en patois séminariste de blessures à fermer ou à cautériser par l’ouverture de nouvelles plaies saignant largement et sans douleur. Quiconque a voulu, sans avoir en lui la force absolutrice de Valmont ou de Lovelace, posséder une honnête femme qui ne s’en souciait guère, sait avec quelle risible et emphatique gaucherie chacun dit en montrant son cœur : prenez mon ours ; — cela me dispensera donc de vous expliquer combien Samuel fut bête. — Madame de Cosmelly, cette aimable Elmire qui avait le coup d’œil clair et prudent de la vertu, vit promptement le parti qu’elle pouvait tirer de ce scélérat novice, pour son bonheur et pour l’honneur de son mari. Elle le paya donc de la même monnaie ; elle se laissa presser les mains ; on parla d’amitié et de choses platoniques. Elle murmura le mot de vengeance ; elle dit que, dans ces douloureuses crises de la vie d’une femme, on donnerait volontiers à son vengeur le reste du cœur que le perfide a bien voulu vous laisser, — et autres niaiseries et marivaudages dramatiques. Bref, elle fit de la coquetterie pour le bon motif, et notre jeune roué, qui était plus nigaud qu’un savant, promit d’arracher la Fanfarlo à M. de Cosmelly, et de le débarrasser de la courtisane, — espérant trouver dans les bras de l’honnête femme la récompense de cette œuvre méritoire. — Il n’y a que les poëtes qui soient assez candides pour inventer de pareilles monstruosités.

Un détail assez comique de cette histoire, et qui fut comme un intermède dans le drame douloureux qui allait se jouer entre ces quatre personnages, fut le quiproquo des sonnets de Samuel ; car, à l’endroit des sonnets, il était incorrigible, — l’un pour madame de Cosmelly, où il louait en style mystique sa beauté de Béatrix, sa voix, la pureté angélique de ses yeux, la chasteté de sa démarche, etc.… l’autre pour la Fanfarlo, où il lui servait un ragoût de galanteries pimentées à faire venir le sang au palais le moins novice, genre de poésie, du reste, où il excellait, et où il avait de bonne heure bien dépassé toutes les andalouseries possibles. Le premier morceau arriva chez la créature qui jeta ce plat de concombres dans la boîte aux cigares ; le second, chez la pauvre délaissée, qui ouvrit d’abord de grands yeux, finit par comprendre, et, malgré ses douleurs, ne put s’empêcher de rire aux éclats, comme en de meilleurs temps.

Samuel alla au théâtre et se mit à étudier la Fanfarlo sur les planches. Il la trouva légère, magnifique, vigoureuse, pleine de goût dans ses accoutrements, et jugea M. de Cosmelly bien heureux de pouvoir se ruiner pour un pareil morceau.

Il se présenta deux fois chez elle, — une maisonnette à l’escalier velouté, pleine de portières et de tapis, dans un quartier neuf et verdoyant ; mais il ne pouvait s’y introduire sous aucun prétexte raisonnable. Une déclaration d’amour était chose profondément inutile et même dangereuse. Un échec lui aurait interdit d’y retourner. Quant à s’y faire présenter, il apprit que la Fanfarlo ne recevait personne. Quelques intimes la voyaient de temps à autre. Que venait-il dire ou faire chez une danseuse magnifiquement appointée et entretenue, et adorée de son amant ? que venait-il lui apporter, lui qui n’était ni tailleur, ni couturière, ni maître de ballets, ni millionnaire ? — Il prit donc un parti simple et brutal ; il fallait que la Fanfarlo vînt à lui. À cette époque, les articles d’éloges et de critiques avaient beaucoup plus de valeur que maintenant. Les facilités du feuilleton, comme disait récemment un brave avocat dans un procès tristement célèbre, étaient bien plus grandes qu’aujourd’hui ; quelques talents ayant parfois capitulé avec les journalistes, l’insolence de cette jeunesse étourdie et aventureuse ne connut plus de bornes. Samuel entreprit donc, — lui qui ne savait pas un mot de musique, la spécialité des théâtres lyriques.

Dès lors la Fanfarlo fut hebdomadairement éreintée au bas d’une feuille importante. On ne pouvait pas dire ni faire soupçonner même qu’elle eût la jambe, la cheville ou le genou mal tourné ; les muscles jouaient sous le bas, et toutes les lorgnettes eussent crié au blasphème. Elle fut accusée d’être brutale, commune, dénuée de goût, de vouloir importer sur le théâtre des habitudes d’outre-Rhin et d’outre-Pyrénées, des castagnettes, des éperons, des talons de bottes, — sans compter qu’elle buvait comme un grenadier, qu’elle aimait trop les petits chiens et la fille de sa portière, — et autres linges sales de la vie privée, qui sont la pâture et la friandise journalière de certains petits journaux. On lui opposait, avec cette tactique particulière aux journalistes, qui consiste à comparer des choses dissemblables, une danseuse éthérée, toujours habillée de blanc, et dont les chastes mouvements laissaient toutes les consciences en repos. Quelquefois la Fanfarlo criait et riait très-haut vers le parterre en achevant un bond sur la rampe ; elle osait marcher en dansant. Jamais elle ne portait de ces insipides robes de gaze qui laissent tout voir et ne font rien deviner. Elle aimait les étoffes qui font du bruit, les jupes longues, craquantes, pailletées, ferblantées, qu’il faut soulever très-haut d’un genou vigoureux, les corsages de saltimbanque ; elle dansait, non pas avec des boucles, mais avec des pendants d’oreilles, j’oserais presque dire des lustres. Elle eût volontiers attaché au bas de ses jupes une foule de petites poupées bizarres, comme le font les vieilles bohémiennes qui vous disent la bonne aventure d’une manière menaçante, et qu’on rencontre en plein midi sous les arceaux des ruines romaines ; toutes drôleries, du reste, dont le romantique Samuel, l’un des derniers romantiques que possède la France, raffolait fort.

Si bien qu’après avoir dénigré pendant trois mois la Fanfarlo, il en devint éperdument amoureux, et qu’elle voulut enfin savoir quel était le monstre, le cœur d’airain, le cuistre, le pauvre esprit qui niait si opiniâtrément la royauté de son génie.

Il faut rendre cette justice à la Fanfarlo, qu’il n’y eut chez elle qu’un mouvement de curiosité, rien de plus. Un pareil homme avait-il réellement le nez au milieu du visage et était-il tout à fait conformé comme le reste de ses semblables ? Quand elle eut pris une ou deux informations sur Samuel Cramer, qu’elle eut appris que c’était un homme comme un autre, de quelque sens et de quelque talent, elle comprit vaguement qu’il y avait là quelque chose à deviner, et que ce terrible article du lundi pouvait fort bien n’être qu’une sorte particulière de bouquet hebdomadaire ou la carte de visite d’un opiniâtre solliciteur.

Il la trouva un soir dans sa loge. Deux vastes flambeaux et un large feu faisaient trembler leurs lumières sur les costumes bariolés qui traînaient dans ce boudoir.

La reine du lieu, au moment de quitter le théâtre, reprenait une toilette de simple mortelle, et, accroupie sur une chaise, chaussait sans pudeur sa jambe adorable ; ses mains, grassement effilées, faisaient se jouer à travers les œillets le lacet du brodequin comme une navette agile, sans songer au jupon qu’il fallait rabattre. Cette jambe était déjà, pour Samuel, l’objet d’un éternel désir. Longue, fine, forte, grasse et nerveuse à la fois, elle avait toute la correction du beau et tout l’attrait libertin du joli. Tranchée perpendiculairement à l’endroit le plus large, cette jambe eût donné une espèce de triangle dont le sommet eût été situé sur le tibia, et dont la ligne arrondie du mollet eût fourni la base convexe. Une vraie jambe d’homme est trop dure, les jambes de femmes crayonnées par Devéria sont trop molles pour en donner une idée.

Dans cette agréable attitude, sa tête, inclinée vers son pied, étalait un cou de proconsul, large et fort, et laissait deviner l’ornière des omoplates, revêtues d’une chair brune et abondante. Les cheveux lourds et serrés retombaient en avant des deux côtés, lui chatouillaient le sein et lui bouchaient les yeux, de sorte qu’à chaque instant il fallait les déranger et les rejeter en arrière. Une impatience mutine et charmante, comme d’un enfant gâté qui trouve que cela ne va pas assez vite, remuait toute la créature et ses vêtements, et découvrait à chaque instant de nouveaux points de vue, de nouveaux effets de lignes et de couleur.

Samuel s’arrêta avec respect, — ou feignit de s’ arrêter avec respect ; car, avec ce diable d’homme, le grand problème est toujours de savoir où le comédien commence.

— Ah ! vous voilà, monsieur ! lui dit-elle sans se déranger, quoiqu’elle eût été prévenue quelques minutes auparavant de la visite de Samuel. — Vous avez quelque chose à me demander, n’est-ce pas ?

L’impudence sublime de cette parole alla droit au cœur du pauvre Samuel ; il avait bavardé comme une pie romantique pendant huit jours auprès de madame de Cosmelly ; ici, il répondit tranquillement :

— Oui, Madame.

Et les larmes lui vinrent aux yeux.

Cela eut un succès énorme ; la Fanfarlo sourit.

— Mais quel insecte vous a donc piqué, monsieur, pour me mordre à si belles dents ? Quel affreux métier…

— Affreux, en effet, madame… c’est que je vous adore.

— Je m’en doutais, répliqua la Fanfarlo. Mais vous êtes un monstre ; cette tactique est abominable. — Pauvres filles que nous sommes ! ajouta-t-elle en riant. — Flore, mon bracelet. — Donnez-moi le bras jusqu’à ma voiture, et dites-moi si vous m’avez trouvée bien ce soir ?

Ils allèrent ainsi, bras dessus, bras dessous, comme deux vieux amis ; Samuel aimait, ou du moins sentait son cœur battre fort. — Il fut peut-être singulier, mais à coup sûr cette fois il ne fut pas ridicule.

Dans sa joie, il avait presque oublié de prévenir madame de Cosmelly de son succès, et de porter un espoir à son foyer désert.

Quelques jours après, la Fanfarlo jouait le rôle de Colombine dans une vaste pantomime faite pour elle par des gens d’esprit. Elle y paraissait par une agréable succession de métamorphoses sous les personnages de Colombine, de Marguerite, d’Élvire et de Zéphirine, et recevait, le plus gaiement du monde, les baisers de plusieurs générations de personnages empruntés à divers pays et diverses littératures. Un grand musicien n’avait pas dédaigné de faire une partition fantastique et appropriée à la bizarrerie du sujet. La Fanfarlo fut tour à tour décente, féerique, folle, enjouée ; elle fut sublime dans son art, autant comédienne par les jambes que danseuse par les yeux.

Chez nous, l’on méprise trop l’art de la danse, cela soit dit en passant. Tous les grands peuples, d’abord ceux du monde antique, ceux de l’Inde et de l’Arabie, l’ont cultivée à l’égal de la poésie. La danse est autant au-dessus de la musique, pour certaines organisations païennes toutefois, que le visible et le créé sont au-dessus de l’invisible et de l’incréé. — Ceux-là seuls peuvent me comprendre à qui la musique donne des idées de peinture. — La danse peut révéler tout ce que la musique recèle de mystérieux, et elle a de plus le mérite d’être humaine et palpable. La danse, c’est la poésie avec des bras et des jambes, c’est la matière, gracieuse et terrible, animée, embellie par lemouvement. — Terpsichore est une Muse du midi ; je présume qu’elle était très-brune, et qu’elle a souvent agité ses pieds dans les blés dorés ; ses mouvements, pleins d’une cadence précise, sont autant de divins motifs pour la statuaire. Mais Fanfarlo la catholique, non contente de rivaliser avec Terpsichore, appela à son secours tout l’art des divinités plus modernes. Les brouillards mêlent des formes de fées et d’ondines moins vaporeuses et moins nonchalantes. Elle fut à la fois un caprice de Shakspeare et une bouffonnerie italienne.

Le poëte était ravi ; il crut avoir devant les yeux le rêve de ses jours les plus anciens. Il eût volontiers gambadé dans sa loge d’une manière ridicule, et se fût cassé la tête contre quelque chose, dans l’ivresse folle qui le dominait.

Une calèche basse et bien fermée emportait rapidement le poëte et la danseuse vers la maisonnette dont j’ai parlé.

Notre homme exprimait son admiration par des baisers muets qu’il lui appliquait avec ferveur sur les pieds et les mains. — Elle aussi l’admirait fort, non pas qu’elle ignorât le pouvoir de ses charmes, mais jamais elle n’avait vu d’homme si bizarre ni de passion si électrique.

Le temps était noir comme la tombe, et le vent qui berçait des monceaux de nuages faisait de leurs cahotements ruisseler une averse de grêle et de pluie. Une grande tempête faisait trembler les mansardes et gémir les clochers ; le ruisseau, lit funèbre où s’en vont les billets doux et les orgies de la veille, charriait en bouillonnant ses mille secrets aux égouts ; la mortalité s’abattait joyeusement sur les hôpitaux, et les Chatterton et les Savage de la rue Saint-Jacques crispaient leurs doigts gelés sur leurs écritoires, — quand l’homme le plus faux, le plus égoïste, le plus sensuel, le plus gourmand, le plus spirituel de nos amis arriva devant un beau souper et une bonne table, en compagnie d’une des plus belles femmes que la nature ait formées pour le plaisir des yeux. Samuel voulut ouvrir la fenêtre pour jeter un coup d’œil de vainqueur sur la ville maudite ; puis abaissant son regard sur les diverses félicités qu’il avait à côté de lui, il se hâta d’en jouir.

En compagnie de pareilles choses, il devait être éloquent : aussi, malgré son front trop haut, ses cheveux en forêt vierge et son nez de priseur, la Fanfarlo le trouva presque bien.

Samuel et la Fanfarlo avaient exactement les mêmes idées sur la cuisine et le système d’alimentation nécessaire aux créatures d’élite. Les viandes niaises, les poissons fades étaient exclus des soupers de cette sirène. Le champagne déshonorait rarement sa table. Les bordeaux les plus célèbres et les plus parfumés cédaient le pas au bataillon lourd et serré des bourgognes, des vins d’Auvergne, d’Anjou et du Midi, et des vins étrangers, allemands, grecs, espagnols. Samuel avait coutume de dire qu’un verre de vrai vin devait ressembler à une grappe de raisin noir, et qu’il y avait dedans autant à manger qu’à boire. — La Fanfarlo aimait les viandes qui saignent et les vins qui charrient l’ivresse. — Du reste, elle ne se grisait jamais. — Tous deux professaient une estime sincère et profonde pour la truffe. — La truffe, cette végétation sourde et mystérieuse de Cybèle, cette maladie savoureuse qu’elle a cachée dans ses entrailles plus longtemps que le métal le plus précieux, cette exquise matière qui défie la science de l’agromane, comme l’or celle des Paracelse ; la truffe, qui fait la distinction du monde ancien et du moderne [2], et qui, avant un verre de Chio, a l’effet de plusieurs zéros après un chiffre.

Quant à la question des sauces, ragoûts et assaisonnements, question grave et qui demanderait un chapitre grave comme un feuilleton de science, je puis vous affirmer qu’ils étaient parfaitement d’accord, surtout sur la nécessité d’appeler toute la pharmacie de la nature au secours de la cuisine. Piments, poudres anglaises, safraniques, substances coloniales, poussières exotiques, tout leur eût semblé bon, voire le musc et l’encens. Si Cléopâtre vivait encore, je tiens pour certain qu’elle eût voulu accommoder des filets de bœuf ou de chevreuil avec des parfums d’Arabie. Certes, il est à déplorer que les cordons bleus d’à présent ne soient pas contraints par une loi particulière et voluptuaire à connaître les propriétés chimiques des matières, et ne sachent pas découvrir, pour les cas nécessaires, comme celui d’une fête amoureuse, des éléments culinaires presque inflammables, prompts à parcourir le système organique, comme l’acide prussique, à se volatiliser comme l’éther.

Chose curieuse, cet accord d’opinions pour le bien-vivre, cette similitude de goûts les lia vivement ; cette entente profonde de la vie sensuelle, qui brillait dans chaque regard et dans chaque parole de Samuel, frappa beaucoup la Fanfarlo. Cette parole tantôt brutale comme un chiffre, tantôt délicate et parfumée comme une fleur ou un sachet, cette causerie étrange, dont lui seul a connu le secret, acheva de lui gagner les bonnes grâces de cette charmante femme. Du reste, ce ne fut pas non plus sans une vive et profonde satisfaction qu’il reconnut, à l’inspection de la chambre à coucher, une parfaite confraternité de goûts et de sentiments à l’endroit des ameublements et des constructions intérieures. Cramer haïssait profondément, et il avait, selon moi, parfaitement raison, les grandes lignes droites en matière d’appartements et l’architecture importée dans le foyer domestique. Les vastes salles des vieux châteaux me font peur, et je plains les châtelaines d’avoir été contraintes à faire l’amour dans de grands dortoirs qui avaient un air de cimetière, dans de vastes catafalques qui se faisaient appeler des lits, sur de gros monuments qui prenaient le pseudonyme de fauteuils. Les appartements de Pompéi sont grands comme la main ; les ruines indiennes qui couvrent la côte de Malabar témoignent du même système. Ces grands peuples voluptueux et savants connaissaient parfaitement la question. Les sentiments intimes ne se recueillent à loisir que dans un espace très-étroit.

La chambre à coucher de la Fanfarlo était donc très-petite, très-basse, encombrée de choses molles, parfumées et dangereuses à toucher ; l’air, chargé de miasmes bizarres, donnait envie d’y mourir lentement comme dans une serre chaude. La clarté de la lampe se jouait dans un fouillis de dentelles et d’étoffes d’un ton violent, mais équivoque. Çà et là, sur le mur, elle éclairait quelques peintures pleines d’une volupté espagnole : des chairs très-blanches sur des fonds très-noirs. C’est au fond de ce ravissant taudis, qui tenait à la fois du mauvais lieu et du sanctuaire, que Samuel vit s’avancer vers lui la nouvelle déesse de son cœur, dans la splendeur radieuse et sacrée de sa nudité.

Quel est l’homme qui ne voudrait, même au prix de la moitié de ses jours, voir son rêve, son vrai rêve poser sans voile devant lui, et le fantôme adoré de son imagination faire tomber un à un tous les vêtements destinés à protéger contre les yeux du vulgaire ? Mais voilà que Samuel, pris d’un caprice bizarre, se mit à crier comme un enfant gâté : — Je veux Colombine, rends-moi Colombine ; rends-la-moi telle qu’elle m’est apparue le soir qu’elle m’a rendu fou avec son accoutrement fantasque et son corsage de saltimbanque !

La Fanfarlo, étonnée d’abord, voulut bien se prêter à l’excentricité de l’homme qu’elle avait choisi, et l’on sonna Flore ; celle-ci eut beau représenter qu’il était trois heures du matin, que tout était fermé au théâtre, le concierge endormi, le temps affreux, — la tempête continuait son tapage, — il fallut obéir à celle qui obéissait elle-même, et la femme de chambre sortit ; quand Cramer, pris d’une nouvelle idée, se pendit à sonnette et s’écria d’une voix tonnante :

« — Eh ! n’oubliez pas le rouge ? »

Ce trait caractéristique, qui a été raconté par la Fanfarlo elle-même, un soir que ses camarades l’interrogeaient sur le commencement de sa liaison avec Samuel, ne m’a nullement étonné ; j’ai bien reconnu en ceci l’auteur desOrfraies. Il aimera toujours le rouge et la céruse, le chrysocale et les oripeaux de toute sorte. Il repeindrait volontiers les arbres et le ciel, et si Dieu lui avait confié le plan de la nature, il l’aurait peut-être gâté.

Quoique Samuel fût une imagination dépravée, et peut-être à cause de cela même, l’amour était chez lui moins une affaire des sens que du raisonnement. C’était surtout l’admiration et l’appétit du beau ; il considérait la reproduction comme un vice de l’amour, la grossesse comme une maladie d’araignée. Il a écrit quelque part : les anges sont hermaphrodites et stériles. — Il aimait un corps humain comme une harmonie matérielle, comme une belle architecture, plus le mouvement ; et ce matérialisme absolu n’était pas loin de l’idéalisme le plus pur. Mais, comme dans le beau, qui est la cause de l’amour, il y avait selon lui deux éléments : la ligne et l’attrait, — et que tout ceci ne regarde que la ligne, — l’attrait pour lui, ce soir-là du moins, c’était le rouge.

La Fanfarlo résumait donc pour lui la ligne et l’attrait ; et quand, assise au bord du lit, dans l’insouciance et dans le calme victorieux de la femme aimée, les mains délicatement posées sur lui, il la regardait, il lui semblait voir l’infini derrière les yeux clairs de cette beauté, et que les siens à la longue planaient dans d’immenses horizons. Du reste, comme il arrive aux hommes exceptionnels, il était souvent seul dans son paradis, nul ne pouvant l’habiter avec lui ; et si, de hasard, il l’y ravissait et l’y traînait presque de force, elle restait toujours en arrière : aussi, dans le ciel où il régnait, son amour commençait d’être triste et malade de la mélancolie du bleu, comme un royal solitaire.

Cependant, il ne s’ennuya jamais d’elle ; jamais, en quittant son réduit amoureux, piétinant lestement sur un trottoir, à l’air frais du matin, il n’éprouva cette jouissance égoïste du cigare et des mains dans les poches, dont parle quelque part notre grand romancier moderne .

À défaut du cœur, Samuel avait l’intelligence noble, et, au lieu d’ingratitude, la jouissance avait engendré chez lui ce contentement savoureux, cette rêverie sensuelle, qui vaut peut-être mieux que l’amour comme l’entend le vulgaire. Du reste, la Fanfarlo avait fait de son mieux et dépensé ses plus habiles caresses, s’étant aperçue que l’homme en valait la peine : elle s’était accoutumée à ce langage mystique, bariolé d’impuretés et de crudités énormes. — Cela avait pour elle du moins l’attrait de la nouveauté.

Le coup de tête de la danseuse avait fait son bruit. Il y avait eu plusieurs relâches sur l’affiche ; elle avait négligé les répétitions ; beaucoup de gens enviaient Samuel.

Un soir que le hasard, l’ennui de M. de Cosmelly ou une complication de ruses de sa femme, les avait réunis au coin du feu, — après un de ces longs silences qui ont lieu dans les ménages où l’on n’a plus rien à se dire et beaucoup à se cacher, — après lui avoir fait le meilleur thé du monde, dans une théière bien modeste et bien fêlée, peut-être encore celle du château de sa tante, — après avoir chanté au piano quelques morceaux d’une musique en vogue il y a dix ans, — elle lui dit avec la voix douce et prudente de la vertu qui veut se rendre aimable et craint d’effaroucher l’objet de ses affections, — qu’elle le plaignait beaucoup, qu’elle avait beaucoup pleuré, plus encore sur lui que sur elle-même ; qu’elle eût au moins voulu ; dans sa résignation toute soumise et toute dévouée, qu’il pût trouver ailleurs que chez elle l’amour qu’il ne demandait plus à sa femme ; qu’elle avait plus souffert de le voir trompé que de se voir délaissée ; que d’ailleurs il y avait beaucoup de sa propre faute, qu’elle avait oublié ses devoirs de tendre épouse, en n’avertissant pas son mari du danger ; que, du reste, elle était toute prête à fermer cette plaie saignante et à réparer à elle seule une imprudence commise à deux, etc., — et tout ce que peut suggérer de paroles mielleuses une ruse autorisée par la tendresse. — Elle pleurait et pleurait bien ; le feu éclairait ses larmes et son visage embelli par la douleur.

M. de Cosmelly ne dit pas un mot et sortit. Les hommes pris au trébuchet de leurs fautes n’aiment pas faire à la clémence une offrande de leurs remords. S’il alla chez la Fanfarlo, il y trouva sans doute des vestiges de désordre, des bouts de cigare et des feuilletons.

Un matin, Samuel fut réveillé par la voix mutine de la Fanfarlo, et leva lentement sa tête fatiguée de l’oreiller où elle reposait, pour lire une lettre qu’elle lui remit :

« Merci, monsieur, mille fois merci ; mon bonheur et ma reconnaissance vous seront comptés dans un meilleur monde. J’accepte. Je reprends mon mari de vos mains, et je l’emporte ce soir à notre terre de C***, où je vais retrouver la santé et la vie que je vous dois. Recevez, monsieur, la promesse d’une amitié éternelle. Je vous ai toujours cru trop honnête homme pour ne pas préférer une amitié de plus à toute autre récompense. »

Samuel, vautré sur de la dentelle et appuyé sur une des plus fraîches et des plus belles épaules qu’on pût voir, sentit vaguement qu’il était joué, et eut quelque peine à rassembler dans sa mémoire les éléments de l’intrigue dont il avait amené le dénoûment ; mais il se dit tranquillement : — Nos passions sont-elles bien sincères ? qui peut savoir sûrement ce qu’il veut et connaître au juste le baromètre de son cœur ?

« — Que murmures-tu là ? qu’est-ce que c’est que ça ? je veux voir, dit la Fanfarlo.

— Ah ! rien, fit Samuel. — Une lettre d’honnête femme à qui j’avais promis d’être aimé de toi.

— Tu me le paieras, » dit-elle entre ses dents.

Il est probable que la Fanfarlo a aimé Samuel, mais de cet amour que connaissent peu d’âmes, avec une rancune au fond. Quant à lui, il a été puni par où il avait péché. Il avait souvent singé la passion ; il fut contraint de la connaître ; mais ce ne fut point l’amour tranquille, calme et fort qu’inspirent les honnêtes filles, ce fut l’amour terrible, désolant et honteux, l’amour maladif des courtisanes. Samuel connut toutes les tortures de la jalousie, et l’abaissement et la tristesse où nous jette la conscience d’un mal incurable et constitutionnel, — bref, toutes les horreurs de ce mariage vicieux qu’on nomme le concubinage. Quant à elle, elle engraisse tous les jours ; elle est devenue une beauté grasse, propre, lustrée et rusée, une espèce de lorette ministérielle. — Un de ces jours elle fera ses pâques et rendra le pain bénit à sa paroisse. À cette époque peut-être, Samuel, mort à la peine, sera cloué sous la lame, comme il le disait en son bon temps, et la Fanfarlo, avec ses airs de chanoinesse, fera tourner la tête d’un jeune héritier. — En attendant, elle apprend à faire des enfants ; elle vient d’accoucher heureusement de deux jumeaux. Samuel a mis bas quatre livres de science : un livre sur les quatre évangélistes, — un autre sur la symbolique des couleurs, — un mémoire sur un nouveau système d’annonces, — et un quatrième dont je ne veux pas me rappeler le titre. — Ce qu’il y a de plus épouvantable dans ce dernier, c’est qu’il est plein de verve, d’énergie et de curiosités. Samuel a eu le front d’y établir pour épigraphe : Auri sacra fames ! — La Fanfarlo veut que son amant soit de l’Institut, et elle intrigue au ministère pour qu’il ait la croix.

Pauvre chantre des Orfraies ! Pauvre Manuela de Monteverde ! — Il est tombé bien bas. — J’ai appris récemment qu’il fondait un journal socialiste et voulait se mettre à la politique. — Intelligence malhonnête ! — comme dit cet honnête M. Nisard.


  1. Cette nouvelle est le premier écrit de Charles Baudelaire. Présentée et reçue originairement à la Revue de Paris, elle fut rendue à l’auteur. La Fanfarlo a paru pour la première fois en janvier 1847, dans le Bulletin de la Société des gens de lettres.

CLUBE DE CRIAÇÃO DO PARANÁ apresenta: RETTA, SOLDA e VÍTOLA / curitiba

WorkChopp cheio de novidades

No 3º WorkChopp de 2010, três lendas da publicidade paranaense marcam presença como convidados: Retta, Solda e Vítola. Eles vão promover um bate-papo sobre criação publicitária, os clássicos da propaganda paranaense e atualidades. Além disso, os convidados também farão uma exposição com seus trabalhos. Outra atração deste WorkChopp é a apresentação dos dois spots produzidos durante a Oficina 4×4. Mais um motivo para não perder esse WorkChopp.

Rettamozo trabalhou em agências até o ano 2.000. Depois disso tem dedicado a maior parte do seu tempo a criar obras de arte, que já fazem parte do Acervo do Museu Oscar Niemeyer. Também faz free lance pra RPC, Positivo, Getz e Bronx Propaganda entre outras agências. Solda, paulista de Itararé, é reconhecido por seu talento como cartunista e poeta. É um dos fundadores da Academia Paranaense de Letras e um dos grandes nomes que fizeram história no mercado paranaense. E como ele mesmo afirma é nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Vítola, com mais de 40 anos em atividade, já passou pela Exclam Propaganda, Casulo, Bits Comunicação e OpusMúltipla, além de dedicar-se à produção de música popular brasileira, teatro e televisão.

O WorkChopp acontece dia 06 de maio, quinta-feira, no John Bull Pub (Rua Mateus Leme, 2204). Sócios do Clube não pagam entrada e ainda ganham o primeiro chopp. Não sócios, com nome na lista, pagam meia entrada até as 21h. Então já envie nome, e-mail e empresa para ccpr@ccpr.org.br.

BRASIL: ELEIÇÕES 2010 !

DEM entra com ação contra Lula e Dilma por festa do Dia do Trabalho

G1.

é só o que lhes resta. para LULA  e DILMA nada de festa.

o candidato zé serra com o zé  arruda, chefe da roubalheira do mensalão do DEM em Brasilia.

são os extertores da agonia nas urnas.

o povo brasileiro não volta atrás.

Revista Time escolhe Lula como um dos líderes mais influentes do mundo

DEMOS  e TUCANALHAS, se desesperam diante do reconhecimento  da liderança mundial do Presidente LULA. Para lembrar, FHC, O CULTO, jamais recebeu uma frase elogiosa, sequer de uma ditadura africana. Essa gente, vendilhões da pátria,  já passou! O povo brasileiro não quer voltar atrás!

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Presidente é destaque na categoria “leaders”, junto com Barack Obama; brasileiro Jaime Lerner é citado entre “pensadores”

29/04/2010 | 11:50 | AGÊNCIA ESTADO E G1/GLOBO.COMatualizado em 29/04/2010 às 19:57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista americana “Time” um dos líderes mais influentes do mundo em 2010, ao lado de figuras como o colega americano, Barack Obama. Embora o nome de Lula seja o primeiro da lista, a publicação afirma que isto não o qualifica como o líder mais influente, pois não se trata de um ranking. Em 2004, o presidente brasileiro já figurara na relação – ocasião em que foi descrito como “a voz dos países em desenvolvimento”.

A lista das 100 pessoas mais influentes do mundo deste ano, divulgada nesta quinta-feira (29), é dividida em quatro categorias: líderes, heróis, artistas e pensadores. Lula divide o título com outros 25 líderes, de empresários a políticos.

O perfil do brasileiro é assinado pelo documentarista Michael Moore. No texto – altamente elogioso -, ele descreve Lula como “um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana”. “O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de o sonho americano”, compara.

O perfil menciona a história de Lula, desde sua infância no Nordeste, “forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família”, até sua eleição em 2002, “quando, depois de três candidaturas fracassadas, já era uma figura conhecida na política brasileira”. O texto questiona: “mas o que o levou à política?”. E responde: “foi quando, aos 25 anos, assistiu sua mulher Maria morrer no oitavo mês de gravidez, junto com o bebê, porque não podiam pagar um atendimento médico decente”.

Moore aproveita o perfil de Lula para criticar seu próprio país. “A grande ironia do governo Lula é que, enquanto tenta conduzir o Brasil ao primeiro mundo com programas sociais estatais, como o Fome Zero, os Estados Unidos se parecem cada vez mais com o antigo terceiro mundo.”

Esta é a sétima lista do gênero divulgada pela “Time”. A publicação de 2010 chega quando a aprovação do presidente brasileiro alcança os 84%, de acordo com a última pesquisa Ibope A lista de líderes influentes inclui o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, e a ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidente na chapa de John McCain, Sarah Palin , além dos primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad.

Jaime Lerner

O ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner também figura na lista, só que na categoria dos pensadores mais influentes do mundo. “Nos últimos 40 anos, Lerner deixou um magnífico legado de sustentabilidade urbana”, escreveu o prefeito de Vancouver, Gregor Robertson, que traçou o perfil do brasileiro. Ele descreve o colega como um “pioneiro” do sistema de transporte público nas cidades – um modelo, segundo o texto, “agora usado em todo o mundo”.

Outros nomes na mesma categoria incluem o presidente da Apple, Steve Jobs, os economistas Paul Volcker e Amartya Sen, e a integrante da Suprema Corte americana Sonia Sotomayor.

Outras homenagens

Lula já havia recebido outras homenagens de jornais e revistas importantes no cenário internacional. Em 2009, foi escolhido pelo jornal britânico “Financial Times” como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Também foi eleito o “homem do ano 2009″ pelo jornal francês ‘Le Monde’, na primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade. No mesmo ano, o jornal espanhol ‘El País’ escolheu Lula o personagem do ano. Na ocasião, Zapatero refigiu o artigo de apresentação do brasileiro e disse que Lula ‘surpreende’ o mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 líderes mais influentes da Time

1 – Luiz Inácio Lula da Silva
2 – J.T. Wang
3 – Admiral Mike Mullen
4 – Barack Obama
5 – Ron Bloom
6 – Yukio Hatoyama
7 – Dominique Strauss-Kahn
8 – Nancy Pelosi
9 – Sarah Palin
10 – Salam Fayyad

(Confira a lista completa no site da revista)

Chomsky: o que está em jogo na questão do Irã – David Goessmann/Fabian Scheidler – Freitag

Noam Chomski

Em entrevista à publicação alemã Freitag, Noam Chomsky fala da pressão dos EUA e de Israel sobre o Irã e seu significado geopolítico. “O Irã é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Militarmente essa ameaça é irrelevante. Esse país não se comportou agressivamente fora de suas fronteiras durante séculos. Israel invadiu o Líbano, com o beneplácito e a ajuda dos EUA, até cinco vezes em trinta anos. O Irã não fez nada parecido”, afirma.


Barak Obama obteve em 2009 o Prêmio Nobel da Paz enquanto enviava mais tropas ao Afeganistão. O que ocorreu com a “mudança” prometida?

Chomsky: Sou dos poucos que não está desiludido com Obama porque não depositei expectativas nele. Eu escrevi sobre as posições de Obama e suas perspectivas de êxito antes do início de sua campanha eleitoral. Vi sua página na internet e para mim estava claro que se tratava de um democrata moderado ao estilo de Bill Clinton. Há, claro, muita retórica sobre a esperança e a mudança. Mas isso é como uma folha em branco, onde se pode escrever qualquer coisa. Aqueles que se desesperaram com os últimos golpes da era Bush buscaram esperanças. Mas não existe nenhuma base para expectativa alguma uma vez que se analise corretamente a substância do discurso de Obama.

Seu governo tratou o Irã como uma ameaça em função de seu programa de enriquecimento de urânio, enquanto países que possuem armas nucleares como Índia, Paquistão e Israel não sofrem a mesma pressão. Como avalia essa maneira de proceder?

Chomsky: O Irã é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Militarmente essa ameaça é irrelevante. Esse país não se comportou agressivamente fora de suas fronteiras durante séculos. O único ato agressivo se deu nos anos 70 sob o governo do Xá, quando, com apoio dos EUA, invadiu duas ilhas árabes. Naturalmente ninguém quer que o Irã ou qualquer outro país disponha de armas nucleares. Sabe-se que esse Estado é governado hoje por um regime abominável. Mas apliquem-se os mesmos rótulos aplicados ao Irã a sócios dos EUA como Arábia Saudita ou Egito e só se poderá o Irã em matéria de direitos humanos. Israel invadiu o Líbano, com o beneplácito e a ajuda dos EUA, até cinco vezes em trinta anos. O Irã não fez nada parecido.

Apesar disso, o país é considerado como uma ameaça…
Chomsky: Porque o Irã seguiu um caminho independente e não se subordina a nenhuma ordem das autoridades internacionais. Comportou-se de modo similar ao que fez o Chile nos anos setenta. Quando este país passou a ser governador pelo socialista Salvador Allende foi desestabilizado pelos EUA para produzir “estabilidade”. Não se tratava de nenhuma contradição. Era preciso derrubar o governo de Allende – a força “desestabilizadora” – para manter a “estabilidade” e poder restaurar a autoridade dos EUA. O mesmo fenômeno ocorre agora na região do Golfo. Teerã se opõe à autoridade dos EUA.

Como avalia o objetivo da comunidade internacional ao impor graves sanções a Teerã?
Chomsky: A comunidade internacional: curiosa expressão. A maioria dos países do mundo pertence ao bloco não alinhado e apóiam energicamente o direito do Irã de enriquecer urânio para fins pacíficos. Tem repetido com freqüência e abertamente que não se consideram parte da denominada “comunidade internacional”. Obviamente pertencem a ela só aqueles países que seguem as ordens dos EUA. São os EUA e Israel que ameaçam o Irã. E essa ameaça deve ser tomada seriamente.

Por que razões?
Chomsky: Israel dispõe neste momento de centenas de armas atômicas e sistemas de lançamento. Destes últimos, os mais perigosos provem da Alemanha. Este país fornece submarinos nucleares Dolphin, que são praticamente invisíveis. Podem ser equipados com mísseis nucleares e Israel está preparado para deslocar esses submarinos para o Golfo. Graças à ditadura egípcia, os submarinos israelenses podem passar pelo Canal de Suez.

Não sei se isso foi noticiado na Alemanha, mas há aproximadamente duas semanas a Marinha dos EUA informou que construiu uma base para armas nucleares na ilha Diego Garcia, no oceano Índico. Ali seriam estacionados os submarinos equipados com mísseis nucleares, inclusive o chamado “destruidor de bunkers”. Trata-se de projéteis que podem atravessar muros de cimento de vários metros de espessura. Foram pensados exclusivamente para uma intervenção no Irã. O destacado historiador militar israelense Martin Levi van Creveld, um homem claramente conservador, escreveu em 2003, imediatamente após a invasão do Iraque, que “depois desta invasão os iranianos ficaram loucos por ainda não terem desenvolvido nenhuma arma atômica”. Em termos práticos: há alguma outra maneira de impedir uma invasão? Por que os EUA ainda não ocuparam a Coréia do Norte? Porque ali há um instrumento de dissuasão. Repito: ninguém quer que o Irã tenha armas nucleares, mas a probabilidade de que o Irã empregue armas nucleares é mínima. Isso pode ser comprovado nas análises dos serviços secretos estadunidenses. Se Teerã quisesse equipar-se com uma só ogiva nuclear, provavelmente o país seria arrasado. Uma fatalidade deste tipo não é do gosto dos clérigos islâmicos no governo: até agora eles não mostraram nenhum impulso suicida.

O que pode fazer a União Européia para dissipar a tensão desta situação tão explosiva?
Chomsky: Poderia reduzir o perigo de guerra. A União Européia poderia exercer pressão sobre Índia, Paquistão e Israel, os mais proeminentes não assinantes do Tratado de Não Proliferação Nuclear, para que finalmente o assinem. Em outubro de 2009, quando se protestou contra o programa atômico iraniano, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou uma resolução, que Israel desafiou, para que este país assinasse o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e permitisse o acesso de inspetores internacionais aos seus sistemas nucleares. A Europa e os EUA trataram de bloquear essa resolução. Obama fez Israel saber imediatamente que não devia prestar nenhuma atenção a esta resolução.

É interessante o que acontece na Europa desde que a Guerra Fria acabou. Quem acreditou na propaganda das décadas anteriores devia esperar que a OTAN se dissolvesse em 1990. Afinal, a organização foi criada para proteger a Europa das “hordas russas”. Agora já não existem “hordas russas”, mas a organização se expande e viola todas as promessas que fez a Gorbachev, que foi suficientemente ingênuo para acreditar no que disseram o presidente Bush e o chanceler Kohl, a saber: que a OTAN não se deslocaria um centímetro na direção do leste europeu. Na avaliação dos analistas internacionais, Gorbachev acreditou em tudo o que eles disseram. Não foi muito sábio. Hoje a OTAN expandiu a grandes territórios do Leste e segue sua estratégia de controlar o sistema mundial de energia, os oleodutos, gasodutos e rotas de comércio. Hoje é uma mostra do poder de intervenção dos EUA no mundo. Por que a Europa aceita isso? Por que não se coloca de pé e olha de frente para os EUA?

Ainda que os EUA pretendam seguir sendo uma superpotência militar, a sua economia praticamente desmoronou em 2008. Faltaram bilhões de dólares para salvar Wall Street. Sem o dinheiro da China, os EUA talvez tivessem entrada em bancarrota.
Chomsky: Fala-se muito do dinheiro chinês e especula-se muito a partir deste fato sobre um deslocamento do poder no mundo. A China poderia superar os EUA? Considero essa pergunta uma expressão de extremismo ideológico. Os Estados não são os únicos atores no cenário mundial. Até certo ponto são importantes, mas não de modo absoluto. Os atores, que dominam seus respectivos Estados, são sobretudo econômicos: os bancos e as corporações. Se examinamos quem controla o mundo e determina a política, vamos nos abster de afirmar um deslocamento do poder mundial e da força de trabalho mundial. A China é o exemplo extremo. Ali se dão interações entre empresas transnacionais, instituições financeiras e o Estado na medida em que isso serve a seus interesses. Esse é o único deslocamento de poder, mas não proporciona nenhuma manchete.

CM.
Tradução para a Carta Maior: Katarina Peixoto

Fonte original: http://www.freitag.de/politik/1013-iran-obama-weltordnung-sanktionen

Morre Ivo Rodrigues, vocalista da banda Blindagem / curitiba

foto de marcelo elias.

Músico tinha 61 anos e não resistiu a complicações de um câncer. Corpo será velado no Teatro Guaíra; enterro está programado para 17 horas, no Cemitério Municipal

O vocalista da banda Blindagem, Ivo Rodrigues Jr., morreu aos 61 anos na noite desta quinta-feira (8) no Hospital de Clínicas de Curitiba, vítima de uma parada cardiorrespiratória decorrente de complicações em função de um câncer.

O velório acontecerá a partir das 9h no hall do Teatro Guaíra. O cortejo partirá às 16h30 aoCemitério Municipal, onde às 17h horas acontecerá o sepultamento. Ivo era casado e deixa dois filhos.

Segundo a assessoria de imprensa do músico, há um mês a equipe médica que o acompanhava detectou um tumor no canal da uretra do músico, mas o câncer já estava em estágio avançado. Em julho do ano passado, ele foi submetido a um transplante de fígado, em razão de uma cirrose hepática.


História

Ivo nasceu em Porto Alegre (RS), mas com três anos de idade se mudou para Curitiba com a família. O músico assumiu o vocal da banda Blindagem em 1969, uma das mais tradicionais do Paraná. Além de se manter por três décadas nos microfones da banda, o vocalista também se notabilizou por manter sólida parceria com o poeta curitibano Paulo Leminski.

O contato com a música começou cedo, com a participação de programas de auditórios em rádios e em programas de calouros na televisão. Em 1966, foi eleito o melhor cantor do Sul do Brasil, conquistando o “Troféu Barra Limpa”, em um programa apresentado por Júlio Rosemberg na TV Paranaense. Com isso, ganhou como prêmio um programa de duas horas, o “Juventude Alegria”, que passou a ser transmitido na emissora nas tardes de sábado.

Na Blindagem, participou de momentos históricos para o rock paranaense. Com um som agressivo e performático, variando do lírico ao pesado, a banda participou de festivais memoráveis, como o de Águas Claras. Entre os momentos mais importantes do grupo, a banda foi a responsável pela montagem do legendário espetáculo Rocky Horror Show, em 1982.

O primeiro disco foi gravado em 1981, pela Continental, com o título “Blindagem”. No mesmo ano, a banda lançou dois compactos. Em 1983, vieram mais dois compactos, com as músicas “Malandrinha” e “Me provoque pra ver”. Outro single foi lançado em 1985, pela Polygram, com a música “Operário Padrão”. O outro LP, “Cara x Coroa”, foi lançado de maneira independente em 1987.

Os trabalhos da banda tiveram reedições e versões em CD. O novo disco foi lançado em 1997, com o título “Dias Incertos”. Em junho de 2008, a Blindagem lançou seu DVD “Rock em Concerto – Banda Blindagem e Orquestra Sinfônica do Paraná”, gravado ao vivo na primeira apresentação do Rock em Concerto, em setembro de 2007.

felipe anibal.

gp

jb vidal, rettamozo e IVO RODRIGUES no pub Kapelle, falando, óbviamente, sobre música em 2008. foto da MARA proprietária do pub.

meu grande amigo IVO RODRIGUES entregou as moedas para o barqueiro. eu e outros amigos já estamos sentindo saudades.  como singela homenagem, pois não posso despedir-me dele em razão da distância, publico, entre tantas, a última composição feita para ele e sobre ele:

POEMA PARA LEVAR NO  BOLSO                      – jb vidal/2008

para IVO RODRIGUES ( BANDA BLINDAGEM)

não sou tempo

nem espaço

sou átomo desprendido

sou canção universal

faço vilas e cidades

estradas e corredores

canto a vida

canto a glória

canto o homem

canto a história

não canto

os canhões e as espadas

nucleares de outrora

canto almas repudiadas

canto santo em procissão

o verbo que se fez carne

mas carne não tem perdão

canto à Deus e querubins

aos céus e o próprio chão

canto pois ao todo tudo

canto o início e o fim

BICHO PREDILETO – por tonicato miranda /curitiba


Prezado Hamilton,

Desde o dia doze de Janeiro não lhe escrevo. Não nos comunicamos desde aquele momento de ousadia em que cismei em meter a colher, o açúcar; e até molhar o biscoito, na sua brilhante crônica de ano novo. É claro, você, com direitos e pompa, recusou qualquer interferência. Pois deixemos o passado guardado nas gavetas do tempo.

Agora vejo no PALAVRAS, TODAS PALAVRAS que você, pela segunda vez, fala em predileção por bichos. Também por uma segunda vez fala da sua preferência pelo urubu. E mais, propõe fundar a SAU (Sociedade de Amigos do Urubu). Devo dizer que mesmo tendo convivido com tais bichos desde minha infância no Grajaú, no Rio de Janeiro, onde sempre proliferavam tais aves, desde o mangue até os morros que cercam toda a cidade, jamais tive muito apreço por eles e não poderei ser sócio ou parceiro nesta sua confraria.

Ocorre que o urubu é o bicho símbolo do maior rival do meu time do coração. Aquele cujo nome me recuso citar nesta carta-crônica. Apesar disto afirmo não gostar também da cartola atribuída ao meu time, o Fluminense. Prefiro a associação que nos fazem ao pó de arroz. Mas também compreendo ficaria difícil adotar o pó de arroz como símbolo do nosso time. Isto porque ele é meio intangível, sem forma, soando mais como atitude, não como uma imagem palpável.

Mas retornando aos bichos-símbolos estou aqui caraminholando sobre prováveis bichos de minha predileção. Ou ainda que tenham ou tiveram comigo alguma afinidade. No entanto, não encontro um capaz de representar todo meu afeto. Pensei inicialmente na tartaruga, virada para cágado, presença constante na minha infância, na casa dos meus avós. Não, não serve. Ela era deles, não minha. Jamais lhe fiz carinhos. Apenas a observava à distância com medo dos seus recuos abruptos para dentro da casca dura.

Em seguida pensei nos cachorros. O primeiro deles não era igualmente meu. Pertencia a um tio. Seu nome: “Zurich”. Era um bulldog folgadão que se sentava à beira de um quarto de televisão vizinho de grande pátio coberto. Era tão próximo à família que por vezes ousava adentrar o recinto, sentando-se no limiar da soleira entre os dois espaços. Quando alguém deixava escapar gases nada agradáveis inadvertidamente, a maioria deles do meu próprio tio, era acompanhado de um “Sai fora Zurich!” Pois bem, este e outros fatos lavaram-me a me afastar por um bom tempo dos cães. É claro que mais tarde tive outros cachorros maravilhosos a quem me afeiçoei. Mas não chegam eles a balançar-me as emoções a ponto de cravá-los como prediletos, assim como os gatos, de uma única e também infeliz experiência.

Pensando nos pássaros os primeiros foram igualmente da casa do meu tio. De início os periquitos, com sua algaravia contumaz. Não, também não seriam animais dignos da minha afeição, apesar das suas plumagens divinas. Depois teve a araponga, com seu martelo estridente, que azucrinou meus ouvidos por longo tempo, impedindo-me a concentração nos estudos. Da mesma época lembro-me de um corrupião incrível comendo na mão de meu tio. Saía para dar uns passeios, passando a manhã fora da gaiola e sempre voltava na hora do almoço, deixando-se aprisionar. Um belo dia foi para nunca mais voltar. Pudera. Quem quer liberdade vigiada ou pela metade? Ao meu tio ele deu – Aquele Abraço!

Pensei também em cabritos, em cotias, porcos, em peixes e até mesmo em mariposas. Mas nada. Pensei numa jacupemba ou jacupema, que matei numa única caçada que fiz em vida. Seria a maneira de retribuir ao animal a afeição como forma de me redimir do ato criminoso. Ou como índios americanos, louvar a morte do bicho abatido. Qual o quê, também não seria este o bicho.

É meu caro, penso não estar preparado ainda para amar um animal especial. Vou prestar mais atenção em meus sentimentos para ver para qual bicho poderia dirigir de forma mais intensa os meus afetos. Acredito ser um bicho talvez incomum. Talvez seja uma arraia, talvez um caramujo, ou mesmo o marimbondo, dos quais já tive oportunidade de tomar ferroadas, mas nem por isto construiu uma antipatia definitiva.

Assim que tiver definido tal predileção farei um comunicado.

Outra coisa ainda. Enviarei esta carta para ser postada no PALAVRAS, TODAS PALAVRAS. Acredito ser ela de altíssimo interesse a Sociedade Protetora dos Animais, assim como também a sua sempre admirável crônica. Penso assim porque poderemos estar ajudando a montar uma grande confraria protecionista, desde os marimbondos até os urubus. Afinal se cada indivíduo proteger uma determinada espécie haverá um planeta mais rico em variedades animais. Muito embora quanto aos bichos homens a variedade já extrapolou o bom senso, principalmente quanto às tipologias e ao número de pulhas que grassam em todos os rincões e desvãos da Terra.

Por fim, devo dizer que há muito estou lhe traindo como missivista. Desde que parei de lhe escrever passei a manter correspondência assídua com Marilda Confortim. A nossa troca tem sido, pelo menos quanto à poesia, mais reconfortante. Isto porque sendo ela uma dama, tratamos de assuntos totalmente impossíveis de conversar com o amigo.

João Antonio fazendo a parte dele.

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A galinha fazendo a parte dela.

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Luis Fernando alimentando seu filhote de estimação.

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Claudio cuida muito bem de seu Escorpião Imperador.

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e eu?…

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esta carta refere-se à crônica URUBU de hamilton alves que encontra-se logo abaixo.

ilustrações do site.

DE PLATÃO A ARISTÓTELES – por alexandre araújo costa

  1. Superando Heráclito e Parmênides

    Platão é provavelmente o pensador mais influente da filosofia. O modo como ele equacionou as questões da verdade até hoje representa um dos modelos fundamentais do pensamento filosófico.

    Porém, para compreender a importância do pensamento platônico, é preciso dar um passo atrás, e entender o modo como a questão da verdade foi colocada por dois dos mais importantes filósofos pre-socráticos: Heráclito e Parmênides.

    Eles ainda eram filósofos naturalistas, o que significa que estavam envolvidos no projeto de dar uma explicação laica para o mundo natural. Eles são anteriores ao movimento dos sofistas, que deslocaram o eixo das questões para a oposição entre a natureza e a sociedade e, com isso, possibilitaram o afloramento das reflexõessocráticas, que se concentram sobre o homem em sociedade (e não sobre o mundo natural).

    Uma das questões que eram fundamentais e até hoje continuam sendo, é a questão do movimento. Observando o mundo, nossos sentidos nos mostram que tudo está em constante transformação, e essa constatação fez com que Heráclito de Éfeso sugerisse que tudo é dinâmico. “Tudo se move, tudo escore (panta rhei). “Não se pode descer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, pois, por causa da impetuosidade e da velocidade da mudança, ela se dispersa e se reúne, vem e vai…. Nós descemos e não descemos pelo mesmo rio, nós próprios somos e não somos”.

    Em contraposição, na escola de Eléia, Parmênides afirmava que o ser é imóvel. Ele não conseguia admitir a idéia de que uma coisa simplesmente deixasse existir, passando do ser para o não-ser. Como toda transformação envolve uma passagem para o não-ser (na medida em que algo se que acaba), Parmênides terminou por sustentar que o movimento é ilusório.

    Por mais que os nossos sentidos nos indiquem que as coisas se movem, a nossa razão mostra que isso não pode ocorrer. Essa teoria soa para nós tão estranha quanto soou àquela época, pois ela contraria frontalmente o senso comum.

    Porém, ela foi defendida com alguns argumentos desconcertantes, especialmente por Zenão de Eléia, o pai da dialética. Ele desenvolveu a técnica de sustentar uma idéia por meio da refutação das refutações, algo que é fundamental no raciocínio jurídico. Se eu não posso comprovar a minha tese diretamente, posso ao menos desacreditar as teses contrárias, mostrando que elas são absurdas. E foi justamente isso que ele tentou fazer: se as teorias de Parmênides eram estranhas, os argumentos utilizados contra ele eram paradoxais.

    Isso ele faz por meio de dois famosos paradoxos, que tentam mostrar o caráter paradoxal das nossas impressões sobre o mundo. Embora o paradoxo da corrida entre Aquiles e a tartaruga seja o mais conhecido, o meu preferido é o paradoxo da flecha, que atualmente poderia ser atualizado como o paradoxo do cinema.

    Quando vocês assistiram agora ao filme, vocês viram imagens em movimento? A nossa visão diz que sim, que as pessoas se moviam na tela. Porém, a nossa razão sabe que isso é falso. Sabemos que o cinema é a projeção contínua de quadros estáticos, e que o movimento na tela é uma ilusão criada pelos nossos modos de perceber as imagens. Sabemos racionalmente que isso é uma ilusão, apesar de vermos o movimento.

    E o que nos leva mais próximo à verdade: a percepção sensitiva ou o conhecimento racional? A tendência normal dos filósofos é de desconfiar dos sentidos tanto quanto dos preconceitos, pois ambos nos ligam ao mundo das sombras. Porém, será que a única conclusão racional é a de que o movimento é impossível porque gera consequências racionalmente inaceitáveis?

    É nesse ponto que ingressa a estratégia platônica fundamental, consistente em dizer que nenhum desses dois pólos avalia adequadamente a questão. Heráclito tem razão em ver que o mundo físico está em constante transformação, mas isso que vemos não é a realidade inteira. Para além do mundo físico, existe o metafísico, composto por elementos que não mudam, e que justamente por isso são a própria estrutura da nossa compreensão.

    Ambos os mundos são igualmente reais, mas se diferenciam na medida em que acessamos o mundo físico pelos sentidos e o mundo metafísico apenas pela razão.

    2. A metafísica platônica ou de como o mundo não se explica por si mesmo
    A grande invenção platônica foi a metafísica. Enquanto os filósofos naturalistas buscavam explicar o mundo a partir de elementos com existência física (água, ar, quatro elementos, átomos etc.), Platão percebeu a insuficiência dessas tentativas. O que é a beleza? Os naturalistas buscariam responder essa pergunta a partir de referências a características físicas: cor, forma, simetria etc. Platão propõe uma resposta completamente diversa, que encontra sua expressão mais sistemática na teoria das idéias.

    Suas reflexões apontam para o fato de que nós buscamos explicações e não apenas descrições do mundo. Não nos basta descrever o que acontece, pois o nosso logos tenta explicar os fatos segundo as suas causas, o que coloca Platão frente ao problema que descrevemos como o trilema de Münchhausen.

    A causalidade, como a validade, exige uma cadeia de relações que seria absurdo apontar para o infinito ou para uma circularidade. Por isso mesmo, Platão reconhece que a única forma racional de encarar o mundo é admitir que existem certos objetos não-causados, certas formas originais que estão na base do nosso pensamento.

    Frente ao trilema, Platão acentua a necessidade de desvendar as coisas em si, as verdades necessárias, os conceitos imutáveis, que podem ser colocados justificadamente na base das nossas cadeias de explicação do mundo. Essas coisas em si não são observáveis no mundo físico, mas sem elas não podemos dar sentido às nossas próprias experiências.

    Creio que o exemplo mais claro desse pensamento é a justiça. A observação dos fenômenos do mundo não nos capacita a distinguir o justo do injusto. Uma completa descrição de todos os fatos do mundo não nos tornaria mais capazes de fazer uma distinção ética. Por isso mesmo, se faz algum sentido falar que é injusto descumprir promessas, ou que é injusto condenar inocentes, então precisa existir uma idéia de justiça que confira sentido a essas percepções.

    Se essa justiça em si não existir, então todos os nossos discursos sobre o justo e o injusto não passam de coisas sem sentido. Portanto, a existência da justiça é uma necessidade racional, embora não seja uma evidência empírica. Assim, Platão sustentou que a nossa racionalidade exigia a admissão de que existe uma justiça em si, da qual todas as coisas justas participam de alguma forma.

    Essa idéia da justiça não pode estar no mundo físico, pois ela não é sensível (que pode ser apreendida pelos nossos sentidos), mas apenas inteligível (só pode ser percebida por meio da razão). Por isso, Platão postulou a existência de objetos que são reais, mas que não fazem parte do nosso mundo sensível – objetos dos quais somente podemos conhecer alguma coisa a partir da nossa razão.

    Assim, Platão admite a existência de dois tipos de objetos igualmente reais: os visíveis e os invisíveis, uns captados pelos sentidos, outros percebidos apenas pela razão. Com isso, ele conseguiu fazer uma aproximação entre teorias de Heráclito e Parmênides. Tudo muda, tudo flui, mas apenas no mundo sensível. No mundo das coisas invisíveis, tudo é eterno, nada muda, tudo permanece.

    Essas coisas invisíveis são as idéias, seres incorpóreos que somente podem ser captados pela nossa capacidade de raciocínio. O que é um quadrado? O que é a relação de anterioridade? De causa e conseqüência? O que é a beleza ou a verdade? No campo do direito, o que são a validade e a justiça?

    Essas são idéias que existem, mas cuja existência não se dá no mundo físico, mas no que Platão chama de lugar além do céu – um lugar que não existe fisicamente, mas que nossa razão nos diz que deve existir. Nesse mundo além do mundo (metafísico, portanto) estão todas as idéias, também chamadas de formas, os arquétipos ideais de tudo o que existe no mundo.

    Essa referência a um mundo das idéias é uma ferramenta muito útil de explicação da realidade. Talvez a mais útil que tenha sido inventada pelos homens. Ela nos permite falar da existência de coisas incorpóreas, cuja permanência dá estabilidade ao nosso pensamento: existe uma verdade, existe uma beleza, existe um bem.

    Além disso, essa teoria nos permite explicar o modo como conhecemos. Como sabemos diferenciar um quadrado de um retângulo? Apenas porque há uma idéia de quadrado, diferente de uma idéia de retângulo. Assim como há uma idéia de árvore, que nos permite identificar as árvores como participantes de um mesmo gênero. Nesse sentido, todo jusnaturalismo é platônico, pois apela para a existência de um direito natural imutável, perceptível pelo logos, que define as normas justas por natureza.

    Toda essa construção é bastante engenhosa. Foi Platão que primeiramente tentou – de forma racional – explicar o mundo físico a partir de um mundo metafísico. Para alguns, essa idéia pode parecer absurda a primeira vista, mas a colocação platônica ainda guarda uma força imensa: ou admitimos a estranha existência das idéias absolutas (de justiça, verdade e validade), ou admitimos que não faz sentido algum tratar da justiça dos homens ou da validade das normas.

    Por mais que seja difícil sustentar uma metafísica que não conta (nem pode contar) com evidências empíricas, é somente a partir dela que podemos falar de direitos universais ou de verdade objetiva. Creio que a intuição platônica é correta e que não podemos escapar da metafísica sem perder junto o significado dos fenômenos. Nossa condição humana é tal que a nossa racionalidade nos condena à metafísica.

    Mas não devemos perder de vista que, para Platão, a metafísica não é a ilusão, mas a luz. O conhecimento metafísico é que nos liberta das sombras da caverna, pois é ele que nos esclarece as estruturas universais do mundo.

    3. Aristotélicos e Platônicos

Platão era um mestre da linguagem literária e da construção de alegorias. Os seus livros tinham uma estrutura narrativa, pois ele escrevia na forma de diálogos, normalmente protagonizados por Sócrates, que foi o seu mestre.

Já os escritos de Aristóteles são grandes compilações das aulas que ele proferiu em sua escola (o Liceu), quando voltou a Atenas, com cerca de 50 anos de idade. Embora essas anotações muitas vezes não formem um discurso linear, elas se tratam da primeira grande tentativa de sistematização do conhecimento.

Mas a grande diferença entre Platão e Aristóteles não estava apenas no estilo da escrita, mas em suas linhas de interesses. Platão era um estudioso da matemática, e sua capacidade de abstração permitiu que ele formulasse os conceitos metafísicos que constituem o seu maior legado. Já Aristóteles era concentrado no mundo empírico, nos dados da experiência. Diversamente de seu mestre Platão, ele foi um grande naturalista, um conhecedor dos fenômenos físicos, com interesses que hoje seriam entendidos como científicos, e não filosóficos. Essa clássica distinção de perspectivas tem seu retrato mais célebre no quadro “A escola de Atenas”, de Rafael.

Tal como Platão, Aristóteles também valoriza o estudo da metafísica, vista como o conhecimento das causas primeiras, dos princípios primeiros e imutáveis, do ser enquanto ser. Porém, as chaves de compreensão utilizada por Aristóteles não apontam para a pressuposição de um arquétipo fora do mundo físico, e sim para um estudo das características intrínsecas do próprio ser. Assim, a metafísica aristotélica assume a forma de uma ontologia, ou seja, de um estudo acerca do ser (ontos em grego).

A principal distinção aristotélica nesse âmbito é a diferença conceitual entre substância (ou essência) e acidente. A substância é aquilo que dá identidade a uma coisa. É da essência do homem, por exemplo, ser racional. Um animal que tivesse todas as características do homem, mas fosse irracional, não seria um homem. Em oposição à essência, temos o acidente. Vocês estão fazendo uma pós-graduação em direito, mas isso é um acidente. Vocês poderiam estudar administração ou artes cênicas, e isso não os tornaria essencialmente diversos.

A segunda diferenciação é entre ato e potência. Todo homem – assim como todo objeto – tem uma série de potencialidades. Qual a diferença entre um cego e um homem de olhos fechados? O primeiro não tem o sentido da visão, enquanto o segundo apenas não o exerce. Uma muda de feijão é feijão em potência – ela tem a possibilidade de gerar feijões, mas o exercício dessa possibilidade depende de algumas condições. Apenas quando gerar a semente ela será feijão em ato.

O bronze é uma estátua em potência – necessitando de outras causas para que se transforme em estátua. O pensador de Rodin é uma estátua em ato. Com isso, Aristóteles promoveu uma reconciliação entre os filósofos naturalistas e o platonismo. Os primeiros acreditavam que o princípio do mundo era a matéria. Platão afirmava que era a forma. Aristóteles une os dois elementos e afirma que é a combinação entre forma e matéria que dá individualidade aos seres.

Mas Aristóteles não remete a forma para um mundo das idéias à parte do mundo físico, pois as coisas do mundo são efetivamente forma e matéria ao mesmo tempo. Assim, enquanto os pensadores de linha platônica tendem a ser racionalistas que privilegiam o estudo abstrato das idéias, os aristotélicos tendem a construir suas abstrações a partir da observação dos fenômenos empíricos.

Esse tipo de distinção entre as sensibilidades permanece sendo uma boa chave de compreensão. Pensemos em um problema jurídico, como a definição do que é o interesse público. Uma aproximação possível seria buscar os diferentes ramos do direito que tratam do interesse público, para construir com base nessas observações particulares um conceito geral. Essa aproximação, que passa da análise de fatos individuais e conclui pela formulação de categorias gerais, é o procedimento indutivo.

Essa é a aproximação tipicamente aristotélica, que um platônico certamente sentiria como limitada. Ocorre que, para buscar o que é interesse público em cada ramo do direito, precisamos partir de um conceito anterior acerca do que seja interesse público. Sem um conceito prévio, não podemos identificar no mundo as suas ocorrências. Assim, um pensador platônico tende a partir de um esclarecimento do que é o interesse público em si, para compreender as decorrências necessárias desse conceito. Com isso, há um primado do pensamento dedutivo, que parte de certas concepções gerais e abstratas, para extrair delas as suas conseqüências particulares.

Assim, existe uma forte possibilidade de que os platônicos acusem os aristotélicos de certas ingenuidades conceituais e de generalizações indevidas, enquanto os aristotélicos tendem a acusar os platônicos de exageros no idealismo e na abstração.

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