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Minha primeira praia e terra – poema de tonicato miranda

meu remo chapeia na água do rio

na outra margem estás lá, Cabo Frio

 

despetalo devagar esta saudade

teu vestido e aquela alça solta

cheia de graça pendendo louca

sobre teus braços lisos de menina

 

nos teus pés sandálias simples

sem pretensão em elevar mais

do que nos meus sonhos já estás

como musa, mulher e assassina

 

meu remo chapeia na água do rio

na outra margem estás lá, Cabo Frio

 

tudo em ti  foi simples como música

Buena Vista Social Club cantando

Chan Chan repetidas vezes, matando

minhas despedidas pelas esquinas

 

meu carinho derramado no caminho

lembranças de ti, do teu perfume

do teu ardor, os cabelos em desalinho

meu sendero, minha vela, meu lume

 

meu remo chapeia na água do rio

na outra margem estás lá, Cabo Frio

 

e quem pensar que foste mulher

engana-se porque foste coisa anterior

foste a menina dos meus olhos, o amor

que somente a infância dá aos meninos

 

meu remo chapeia na água do rio

na outra margem estás lá, Cabo Frio

 

LUA FRIA poema de rita de cássia sovatti

 “Ó Lua branca, branca e fria,

 Tens os cristais gélidos da dor…

 Condensadora da agonia,

 Da aflição e pungente torpor…

 

 Gotejavas orvalhos prateados,

 Cintilavas, fulgurando alva, o amor…

 Giravas brumas, olhos irisados,

 Falavas de cantos, tal era o ardor…

 

 Ó Lua branca, branca e fria,

 Tens as gemas frias do dissabor…

 Cristalizadora da desvalia,

 Da desilusão e tépido fulgor…

 

 Invadiam-nos seus lumes clareados,

 Brilhavas, harmonizando, neve, o calor…

 Entornavas marfins, risos orquestrados,

 Embriagava-nos de néctares, tal era o esplendor…

 

 Ó Lua branca, branca e fria,

 Tens os opalas glaciais do desamor…

 Corporificadora da avaria,

 Da descrença e triste amargor…

 

 Ó Lua branca, branca e fria…

 Serás sempre branca, branca e fria…”

 

1968 – Mudou sua vida? – por julio moraes

 

Janeiro

* 5 de Janeiro – Início da Primavera de Praga, marcada pela vitória nas eleições do ministro Alexander Dubček, que questiona a Cortina de Ferro. 
* 15 de Janeiro – Um terremoto mata 231 pessoas na Sicília, Itália. 
* 21 de Janeiro – Acidente: Cai na Groelândia um bombardeiro americano B-52 com 4 bombas atômicas. 
* 30 de janeiro – Vietcongues lançam a “Ofensiva Tet” contra os americanos durante o ano-novo vietnamita (o ano lunar chinês). 
* 31 de Janeiro – Vietcongs atacam a embaixada americana em Saigon.

Fevereiro

* 5 de fevereiro – Universidades são ocupadas por estudantes na Espanha e na Itália, e na Alemanha, um consulado americano. 
* 18 de fevereiro – Em Berlim, grande manifestação estudantil contra a guerra do Vietnã, liderada por Rudi Dutschke. 
* 12 de Fevereiro – A vila de Mocuba, Moçambique é elevada à categoria de cidade. 
* 17 de Fevereiro – Uma reforma admnistrativa divide a Romênia em 39 distritos.

Março

* 4 de março – Muhammad Ali perde o título de campeão dos pesos pesados por se recusar a lutar no Vietnã. 
* 7 de Março – Guerra do Vietnã: Primeira batalha em Saigon começa. 
* 12 de Março – Declarada a independência das Ilhas Maurício. 
* 16 de Março 
o Robert F. Kennedy entra na disputa da presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. 
o Guerra do Vietnã: Tropas americanas matam vários civis (Matança de My Lai). 
* 27 de Março – Morre o astronauta russo Yuri Gagarin. 
* 28 de Março – Em Portugal, criação da freguesia de Ponte de Vagos. 
* 28 de Março – O estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, é morto pela polícia no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, Brasil. Secundarista e pobre, Edson estava almoçando no restaurante quando foi mortalmente baleado. Ao contrário do que o governo publicou na época, Edson não era líder estudantil nem participava de confrontos armados.

Abril

* 4 de Abril – Martin Luther King é assassinado em Memphis, Tennessee. 
* 4 de Abril – Falece o jornalista e empresário Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi e do império dos Diários Associados. 
* 6 de abril – Lançamento do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. 
* 7 de Abril – Morre o piloto escocês Jim Clark. 
* 7 de Abril – Morre o ator Amílton Fernandes, o Albertinho Limonta da primeira versão da novela O Direito de Nascer de 1964. 
* 11 de Abril – O presidente americano, Lyndon Johnson, assina a lei sobre os direitos civis. 
* 20 de Abril – Pierre Elliott Trudeau torna-se primeiro-ministro do Canadá. 
* 23 de Abril – Em Paris, França, é feito o primeiro transplante do coração na Europa. 
* 23 a 30 de Abril – Guerra do Vietnã: Estudantes americanos fazem prostestos contra a guerra, na Universidade de Columbia, em Nova York.

Maio

* 2 de Maio – Inicio do “Maio de 1968″. Estudantes se manifestam contra o “status quo”. Barricadas são levantadas nas ruas e ocorrem confrontos com a polícia. 
* 3 de Maio A Universidade de Paris (Sorbonne) é fechada pelas autoridades. A UNEF (Union nationale des étudiants de France) organiza passeatas que são dissolvidas com violência cada vez maior pela polícia. 
* 10 de Maio A “noite das barricadas”. Os estudantes ganham as simpatias de bancários, comerciantes, funcionários públicos, jornaleiros, professores e sindicalistas que aderem à causa estudantil. O protesto estudantil contra o autoritarismo e anacronismo das academias, com a adesão dos operários, transforma-se numa contestação política ao regime de Charles de Gaulle, então presidente francês. 
* 22 de Maio – O submarino americano Scorpion afunda com 99 homens a bordo a 400 milhas e Açores. 
* 26 de Maio – O médico Euryclides de Jesus Zerbini realiza em João Boiadeiro o primeiro transplante cardíaco do Brasil.

Junho

* 5 de Junho – Robert Kennedy é atingido por tiros no Hotel Ambassador em Los Angeles, na Califórnia. Kennedy morre. 
* 25 de Julho – O Papa Paulo VI publica a encíclica Humanae Vitae, que condena o uso de anticoncepcionais. 
* 26 de Junho – É realizada, na Av. Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Maior manifestação civil contra a ditadura militar, antes da decretação do AI-5, com participação de intelectuais, artistas e ativistas políticos. A “Marcha dos 100 Mil” representou o auge da resistência popular à ditadura e desfilou pelo centro do Rio praticamente sem nenhum incidente: o assassinato do estudante Edson Luís causou grande comoção social e, pela primeira vez – desde o golpe, os militares foram colocados na defensiva e aceitaram negociar uma pauta de reivindicações com os manifestantes. A marcha foi dedicada à memória do estudante Edson Luís, morto três meses antes.

Julho

* 1 de Julho – 137 países assinam acordo de não proliferação nuclear. 
* 13 de Julho – A brasileira Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo. 
* 17 de julho – Lançamento do filme de animação Yellow Submarine, dos Beatles.

Agosto

* 5 a 8 de Agosto – Convenção Republicana elege Richard Nixon como candidato a presidência dos Estados Unidos. 
* 20 e 21 de Agosto – Fim da Primavera de Praga: Tropas soviéticas e outros países do Pacto de Varsóvia (excepto a Romênia) invadem a cidade de Praga, na Tchecoslováquia, reprimindo a população local que apoiava as reformas levadas a cabo pelo governo local. 
* 24 de Agosto – Grécia torna-se no primeiro Estado Associado da CEE.

Setembro

* 3 de Setembro – O jornalista e deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB carioca, faz discurso no congresso criticando a ditadura militar. Em dado momento, Márcio ironiza os militares, pedindo para as jovens moças evitarem dançar com cadetes. O discurso irrita os generais e Márcio é processado. 
* 6 de Setembro – Suazilândia torna-se um país independente. 
* 16 de Setembro – Estréia a primeira versão televisiva do humorístico Balança Mas Não Cai na Rede Globo. 
* 16 de Setembro – Morre no Rio de Janeiro num acidente automobilístico o ator de teatro e tevê Celso Marques 
* 27 de Setembro – Marcello Caetano torna-se primeiro ministro de Portugal.

Outubro

* 2 de Outubro – Massacre de Tlateloco: massacre de estudantes na praça das Três Culturas: o exército mata 48 pessoas durante manifestação estudantil no México. 
* 2 e 3 de Outubro 
* A rua Maria Antônia, em São Paulo, onde se situavam a Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo é palco do conflito que ficou conhecido como a “Batalha da Maria Antônia”. 
* O general peruano Juan Velasco Alvarado dirige um golpe de estado, iniciando o regime militar que durou até 1980 no Peru. 
* 11 de Outubro – Lançada a Apollo 7, cuja missão foi a primeira televisionada. 
* 12 a 27 de Outubro – Pela primeira vez na América Latina realizam-se Jogos Olímpicos, na Cidade do México. 
* 12 de Outubro – Declarada a independência da Guiné Equatorial. 
* 14 de Outubro – O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anuncia que enviará 24.000 soldados para a Guerra do Vietnã. 
* 15 de outubro- Prisão de líderes estudantis no 30º Congresso da UNE, realizado em Ibiúna (São Paulo – Brasil): mais de 700 delegados eleitos nas universidades foram presos pelas forças policiais. 
* 20 de Outubro – Aristóteles Onassis e Jacqueline Kennedy casam-se na Grécia.

Novembro

* 5 de Novembro – Richard Nixon torna-se presidente dos Estados Unidos ao vencer as eleições. 
* 7 de Novembro – Inaugurada a nova sede do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista. 
* 14 de Novembro – A australiana Penelope Plummer é eleita Miss Mundo. 
* 19 de Novembro – É lançado o Chevrolet Opala no Brasil. 
* 26 de Novembro – Intervindo pela primeira vez na Assembléia Nacional, Marcello Caetano pronuncia-se a favor da manutenção da presença portuguesa em África.

Dezembro

* 13 de Dezembro – O Presidente Costa e Silva decreta o AI-5 – Ato Institucional número 5, dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil iniciada em 31 de Março de 1964. O ato, que durou dez anos, foi motivado pela recusa do Congresso Nacional em condenar o deputado Márcio Moreira Alves pelo discurso de setembro, que afrontou a ditadura. 
* 29 de Dezembro – O Club Atlético Vélez Sársfield torna-se pela primeira vez campeão argentino de futebol.

* Graham Hill sagra-se bicampeão mundial de Fórmula 1

 

 

foto livre. ilustração do site maio/1968. Paris.

TRADIÇÃO E RUPTURA: A Lírica Moderna de Nauro Machado – por joão batista do lago

TRADIÇÃO E RUPTURA: A Lírica Moderna de Nauro Machado

 

© DE João Batista do Lago

 

Desde que ganhei um exemplar deste livro – TRADIÇÃO E RUPTURA: a lírica moderna de Nauro Machado –, que me foi ofertado pelo protagonista do mesmo, o poeta maranhense Nauro Machado, esta é a quinta leitura que acabo de realizar. Leitura e releituras que me renderam significativas notas! Há tempo queria sobre isto falar alguma coisa, mas sempre relegava para o futuro sem me dar conta de que, escrever sobre este livro é uma exigência; mas, ao mesmo tempo, uma operação difícil de executar, pois, o seu autor, Ricardo Leão, se não esgotara o assunto deixara muito pouco por ser dito. A pesquisa feita por Ricardo Leão é de uma profundidade epistemológica insuperável, além do que, a metodologia da sua analítica me soa bem ao espírito e a alma: a fenomenologia, que reduz ao máximo os enfoques psicologistas.

 

Tenho em conta ser o ludovicense Nauro Machado o maior poeta da língua portuguesa brasileira. Maior que seus conterrâneos Sousândrade, Gonçalves Dias ou Ferreira Gullar, por exemplo; maior que seus compatriotas Carlos Drumond de Andrade, Manuel Bandeira ou Affonso Romano de Sant’Anna, por exemplo. Isto não significa dizer que estes não tenham valor literário. Ao contrário: têm-no até demasiadamente. Contudo significa destacar e enfatizar que a poética de Nauro Machado supera quaisquer dos citados. E o livro de Ricardo Leão [aos meus olhos] vem provar exatamente isto.

 

Para além do resgate que faz da obra poética de Nauro Machado, Ricardo Leão restabelece “uma” verdade que, ainda hoje, está escondida sob o domínio de uma aculturação imperativa e imperialista do eixo Rio-São Paulo. Aculturação que produz e reproduz o conceito do colonizador sobre o colonizado, do ponto de vista da literatura brasileira. “Esse trabalho de Ricardo Leão é de significativa importância não só porque representa, para a cena crítica acadêmica e para o leitor da boa poesia, um poeta de larga produção qualificada, como Nauro Machado, mas também porque recoloca a reflexão, um tanto adiada, do fazer poético da contemporaneidade” [grifo meu] – (Valdelino Soares de Oliveira, professor de Teoria Literária da Universidade Estadual Paulista).

 

Ricardo Leão não mediu a extensão do fôlego. Não teve medo. Fez imersão na obra nauriana de tal profundidade que desconheço trabalho idêntico. E digo sem medo de, aqui e agora, fazer qualquer exageração que TRADIÇÃO E RUPTURA: a lírica moderna de Nauro Machado é um livro indispensável para quem quer, honestamente, estudar a literatura brasileira sem apelos de regionalismos ou submisso a uma indústria cultural bajulatória e concentradora de mesmisses que conspurcam a inteligência, o pensamento e as artes literárias daquilo que “eles” chamam de “o interior do Brasil”. Afirmo que qualquer estudo que se realizar no campo da literatura nacional e não se fizer menção a este livro, nada está (ou se considerará) completo, posto que, faltará sempre esta verdade sobre a poética de Nauro Machado.

 

E para finalisar resgato uma questão levantada pelo autor de  TRADIÇÃO E RUPTURA: a lírica moderna de Nauro Machado: “que fato de natureza literária ou não, explica a ausência de consagração absoluta em torno da obras de Nauro?” (p. 224). Ricardo Leão enumera e discorre sobre algumas nuanças para responder a esta pergunta. Todas factíveis. Todas prenhes de respostas ainda não dadas. Pessoalmente tenho outras tantas nuanças que poderiam ou podem ser enumeradas (o que não é o caso presente), mas a principal delas [aos meus olhos], não tenho qualquer dúvida, reside no seguinte fato: Nauro Machado jamais baixou a cueca para o eixo Rio-São Paulo, construtor de mitos de barro… de igrejinhas… de curriolas… Enfim, Nauro Machado, jamais quis sair do seu torrão, da sua São Luis,  da sua Atenas, para integrar os círculos de comensais circulatórios e circundantários de uma indústria cultural voltada para si mesma.

 

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FICHA TÉCNICA

 

Martins, Ricardo André Ferreia (Ricardo Leão)

Tradição e Ruptura: a lírica moderna de Nauro Machado / Ricardo André Ferreira Martins (Ricardo Leão. São Luis: Fundação Cultural do Maranhão, 2002. 388 pp.

Livro impresso pela Indústria Gráfica e Editora LITHOGRAF. End.:  Av. Ferreira Gullar, 40 – São Luis – Maranhão.

Fone: (0xx98) 3235-2082

DESCULPAS AO ESPORTE E AOS ATLETAS BRASILEIROS por ronaldo pacheco

 

Vendo os atletas brasileiros pedindo desculpas pela não obtenção de medalhas e sobre o que se faz pelo esporte no Brasil, resolvi escrever este texto que na minha opinião reflete sobre quem deve desculpas a quem.                                

 

 Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que ‘o esporte serve para tirar a criança da rua’ (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente, tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o ‘esporte-brincadeira’ e lhe impuseram o ‘esporte-profissão';

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar adequadamente, ou de pagar um ‘exame de faixa';

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas propostas; Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a ‘Lei do Gérson’ (coitado do Gérson);

Desculpem pelos secretários de esporte de ‘ocasião’, cujas escolhas visam atender apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por pensar em organizar ‘Olimpíadas’ se ainda não conseguimos organizar nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se ‘exilarem’ no exterior caso pretendem se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

 

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

Prof. MSc. Ronaldo Pacheco de Oliveira Filho. Prof. da Secretaria de Educação do DF (cedido à UnB). Prof. da Universidade Católica de Brasília.

foto livre. ilustração do site. atleta húngaro desloca o cotovelo.

 

O VELHO CHICO e os OITENTA MILHÕES de árvores do PARANÁ – por beto almeida

 

A grande mídia comercial dedica seu tempo a divulgar agendas sociais de políticos, e deixa de dar importância a ações em favor do meio ambiente

A grande midia comercial dedica seu tempo a divulgar agendas sociais de politicos, e deixa de dar importância a ações em favor do meio ambiente

“Eu tenho esses peixes e vou de coração

eu tenho estas matas e vou de coração
à natureza”

Milagre dos Peixes – Milton Nascimento e Fernando Brant

A grande mídia comercial pré-paga revela, com freqüência instigante, as agendas sociais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a cada final de semana, na insuperável vida noturna do Rio de Janeiro. Não é o caso de fazer comparações sobre o volume de espaço midiático dedicado a tão edificante informação para a cidadania brasileira, que nada, isto é coisa de comunicólogo azedo, dirão alguns.

A mesma mídia ignora sistematicamente a decisão do governo do Paraná de plantar 80 milhões de árvores em seu território que, como no país inteiro, viu-se devastado em razão de um modelo de desenvolvimento petro-dependente capitaneado pelo agronegócio transnacional e pelo incremento de uma pauta de exportação dominada por produtos primários, tal como prevê o novo mapa mundial do neocolonialismo. Para os países ricos, a “concepção” da produção, as funções especializadas, bem remuneradas, com o uso intensivo de tecnologias de ponta; aos países da periferia, a “execução” da produção, o desemprego crônico, a desespecialização da mão-de-obra, a desindustrialização da produção e da exportação, cujos produtos cada vez mais matéria-prima, com selinho coloniais e tudo, têm preço definido lá fora, por quem comanda o comércio internacional. E não somos nós.

Assim como temos o direito de indagar sobre a relevância informativa da agenda, digamos, cultural do jovem governador mineiro – pré-candidato à presidência do país – , também nos é dado o direito de tentar entender porque o plantio de 80 milhões de árvores não contém, para a mídia comercial, qualquer relevância noticiosa, quando o mundo discute com perplexidade e aflição o aquecimento global, o desmatamento, as novas leis de crimes ambientais etc. Será que o inédito gesto do governador do Paraná de cortar o cordão umbilical da dependência e da cooptação entre mídia e Estado, zerando as verbas publicitárias, também chamadas de “o mensalão do coronelismo eletrônico”, tem influência na transformação dos 80 milhões de árvores numa não-notícia? É vasto o nosso deserto informativo…

Nasce ali na Serra da Canastra, não muito longe da Serra da Boa Esperança que inspirou inapagável canção de Lamartine Babo, com o mesmo título, o nosso rio São Francisco. Ele corta o Grande Sertão de Guimarães, ele desagua na sanfona de Gonzagão em acordes e versos filosofando sobre “o rádio e terras civilizadas”; ele torna ainda mais misterioso o mistério do Ciúme de Caetano, flutuando entre duas cidades que se amam com infinita dor, sem descifrar a alma do Velho Chico que vem de Minas, “onde o oculto do mistério se escondeu”. ´

Para além da dor e da alegria da música que inspira, dos personagens brasileirões que nutre na imaginação de Guimarães para fazer nascer os Manuelzões, a dura realidade é que o Velho Chico está sangrando devagar. Tão devagar quanto mais duradoura e interminável é esta dor de ver aquele orgulho dos brasileiros – aquele rio da Unidade Nacional amado por todos – rebaixado em vergonha, pela nossa incapacidade de realizar um projeto sócio-econômico-ambiental que o impeça transformar-se na cloca contaminada da República, vendo os predadores dos cofres públicos atirar naquelas águas já embaçadas e sufocadas, o veneno químico resultante dos “podres poderes” também registrados em outra canção do Caetano. E tome lixo, tome desprezo, tome negligência, e tome hipocrisia ambiental, vai tudo naquele leito. É alumínio, é agrotóxico, é mercúrio, é esgoto, é incentivo fiscal do BNDES, é dívida rural quase que eternamente perdoada.. tudo se joga, com raiva e indiferença, no Velho Chico. Ele que agüente!!! Eis aí o nosso padrão ambiental bárbaro, imposto pelo capitalismo pra lá de bárbaro, já que os selvagens eram mais puros, mais responsáveis até.

Oitenta milhões de árvores lá embaixo, no Paraná. O Velho Chico não deve ter mais de 4 mil quilômetros de extensão. Quantas mãos desocupadas temos no Brasil ainda desempregadas? Quantas árvores precisamos para replantar menos de 4 mil quilômetros de margens da nossa brasilidade devastada pela incúria? Quem deve fazer as contas de quantas árvores e quantas mãos necessitamos para sentirmos, novamente, orgulho legítimo do nosso rio, são os técnicos, o Batalhão de Engenharia do Exército, que, aliás, foi convocado para construir, bravamente, a Ferroeste, lá no Paraná, a única ferrovia edificada nesta quadra de paralisia ferroviária que sucedeu a privataria devastadora do setor.

O geólogo Marcello Guimarães, um dos pioneiros da energia renovável da biomassa, ex-diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, desafia-nos a provar se é mesmo verdadeiro nosso amor e nosso orgulho pelo Velho Chico. A recuperação de suas matas ciliares é tarefa perfeitamente realizável se nossos tecnocratas não tremessem de tanto desejo e furor pelo endividamento externo, mesmo que seja para a simples colocação de meio-fio na periferia de uma cidadezinha do interior, “uma cidadezinha qualquer”, poetisa o mineiro Drummond. Não importa que haja paralelepípedos em abundância nas redondezas, é mais chique fazer um empréstimo junto ao FMI para….. calçar ruas com pedras que temos aqui mesmo.

Para recuperar o Velho Chico não precisamos de nenhum empréstimo externo. Ao contrário, temos de sobra os ingredientes, a força social e a biodiversidade. Uma grande mobilização em Minas, com a força de seu ferro, com a dignidade de suas montanhas e com a audácia de seu histórico amor rebelde pela liberdade, permitiria juntar desempregados, talvez também com a participação do exército, e mesmo militantes do MST não se negariam, para replantar milhões de árvores ao longo das margens da nossa própria alma brasileira encravada ali naquele rio! E também no sertão da Bahia, com um pouquinho da energia rebelde degolada em Canudos, poderíamos sim mobilizar batalhões de desempregados para o replantio, para salvar o Rio, para irrigar com mais força nossas consciências, inclusive acerca da gritante urgência de uma reforma agrária que encontre, a longo do rio querido, “um jeitinho prá viver” , como diz a canção do baiano Gil, não apenas para fazer canções, literatura e lamentos sobre a seca definhante em curso.

Será que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, não pode meditar um pouquinho sobre o quanto se pode fazer com mobilização da consciência nacional, dos desempregados, de alguns batalhões do exército, da militância do MST, dos ribeirinhos, índios, quilombolas, dos nossos artistas, cientistas para pensar, um bocadinho que seja, no exemplo não noticiado das 80 milhões de árvores do Paraná? Se a grande mídia comercial, com sua volumosa capacidade de penetração permitisse uma parte do espaço que reserva para divulgar a interessantíssima vida social do governador mineiro no Rio de Janeiro, quem sabe poderíamos construir um grande debate nacional em torno de idéias e de um plano concreto para salvar o Velho Chico? Será que a TV Brasil acende novamente nossa necessária indignação para o debate inadiável?
“Eu tenho essas matas e dou de coração”

Beto Almeida é jornalista, membro do Conselho editorial do Brasil de Fato e diretor da Telesur.

 

foto de joão zinclar. o velho chico (rio são francisco). ilustração do site.

 

A NOITE DA POESIA NO TEATRO GUAÍRA – por manoel de andrade

A NOITE DA POESIA NO TEATRO GUAÍRA

 

                                                                             Manoel de Andrade

 

 

        Em 1965 o Pequeno Auditório do Teatro Guaíra abriu seu palco para um dos mais belos espetáculos de cultura literária já realizados em Curitiba: A Noite da Poesia Paranaense.

        Organizada pelo Centro de Estudos de Jornalismo da PUC, com apoio da Secretaria de Educação e Cultura, seu objetivo era levar a poesia e o poeta a um contato mais direto com o público. O evento teve à frente a brilhante figura da jovem intelectual Lúcia Glück, bem como  Vânia Mara Welte, Nelson Luiz de Oliveira, Diretor Cultural do CEJUC, entre outros.

        O acontecimento colocou sob as luzes da ribalta quatorze poetas entre os quais se encontravam os veteranos Leopoldo Scherner, Helena Kolody, Vasco José Taborda, Otávio de Sá Barreto, Apollo França, Graciette Salmon  e a geração de 60 composta pelos jovens poetas: Hélio de Freitas Puglielli, Sônia Régis Barreto, Maria Inês Hamann, João Manuel Simões, Paulo Leminski, Humberto Augusto Espíndola, Maria de Jesus Coelho e o subscritor deste texto, Manoel de Andrade.

        Com os dois recintos totalmente lotados, o palco se abriu sob a penumbra de uma platéia que assistiu atenta à leitura dos poemas, aplaudindo com entusiasmo cada um dos participantes. Quando o recital terminou, uma imensa ovação repercutiu estrondosamente em todo o ambiente, sustentando sua intensidade por quase três minutos, premiando assim os poetas com um reconhecimento que perenizou na memória de muitos dos presentes a beleza indelével daquele espetáculo de cultura.

        Em 2002, numa carta-documento em que Jamil Snege  honra minha poesia política junto à Comissão de Anistia, o escritor relembra ainda, trinta e sete anos depois, a sua presença naquele fantástico acontecimento cultural.

        Entusiasmados pelo seu grande sucesso, a Comissão Organizadora se propôs a repetir o mesmo espetáculo em 1966, mas encontrou as portas oficiais da Cultura já fechadas e encerradas pela Ditadura Militar, e a imensa noite que se aquartelou sobre a nação, silenciou por vinte anos as  vozes combatentes da cultura, amordaçando o teatro de resistência e emudecendo a oralidade pública da poesia.

 

Um espaço para a poesia

 

      Agora, em 2008, quando nossa memória política tem relembrado tantos fatos desfraldados pelas bandeiras da arte e da literatura na década de 60, dois dos sete poetas sobreviventes daquela Noite de Poesia, Helio de Freitas Puglielli e o autor destas linhas, se reencontram, após 40 anos de saudade, e resolvem reeditar o memorável Recital de 1965. Partilham então a idéia com alguns outros poetas e encontram no entusiasmo de J B Vidal   (João Bosco Vidal) e Marilda Confortin,  os confrades afins para organizar a Comissão de um novo espetáculo. A idéia estava no ar quando recebi, do médico e empresário Cadri Massuda, o convite para organizarmos o evento poético no seu recém inaugurado Espaço Cultural Alberto Massuda, ambiente em que a inteligência, o bom gosto e a criatividade uniram arte, literatura e gastronomia.

       Hoje, numa época em que a indústria editorial retira “cruelmente” a poesia dos seus títulos de mercado; numa época marcada pelo silêncio e a omissão dos órgãos oficiais da cultura em relação ao papel declamatório e social da poesia; numa época em que a oralidade e o tom encantatório da arte poética vai emudecendo; enfim, numa época em que a poesia perdeu sua cidadania literária e os poetas são vistos como esses seres desgarrados e apenas tolerados pelo mundo globalizado, uma voz se manifesta, neste território literariamente descomprometido da iniciativa privada, e nos acena com entusiasmo oferecendo um “palco” para que nós, os poetas, possamos dizer nossos versos. O Espaço Alberto Massuda, com apenas dois meses de vida, já marca a notoriedade do seu território cultural. Agora em agosto  abriu suas portas para dois lançamentos de livros de poesia, oferecendo o coquetel, o belíssimo folder eletrônico do convite e a sua impressão gráfica para ampla distribuição, num raro gesto de solidariedade cultural com os autores. Porem é importante ressaltar que muito além das atividades literárias, da pequena livraria e do espaço áudio-visual para projeção, lançamento de filmes e apresentações teatrais, o local, com seus 3 pavimentos, se destaca, sobretudo, como uma verdadeira Galeria de Arte. Ao longo dos seus 500m² uma parte significativa dos quadros e gravuras de Alberto Massuda está exposta em suas paredes, nichos e painéis.  Todo este acervo, bem como as exposições e o agendamento dos eventos no âmbito das artes plásticas já estão sendo coordenados pelo curador Luiz Fernando Sade.

 

Um  novo Mecenas?

 

         Quem é esse empresário que aprendeu com o pintor Alberto Massuda, a sensibilidade e a paixão pela arte? Que conservou cuidadosamente, desde muitos anos, o imenso acervo de telas e desenhos de seu pai falecido no ano 2000!? Em 2004, publica o livro de Gravuras “Alberto Massuda e o Surrealismo Paranaense”. Em 2006 reuniu, pacientemente, todos os manuscritos e fragmentos com os poemas do pintor e nos revelou o seu lado literário, publicando os “Poemas de Alberto Massuda” . Em 2007 reúne 116 gravuras e outros trabalhos inéditos do artista e publica “Alberto Massuda – Gravuras”. Neste ano de 2008, seu sentimento de gratidão pela memória paterna e sua sensibilidade pela arte  reúnem  a pintura e a poesia na moderna arquitetura de um velho casarão tombado no Centro Histórico,  transformando uma casa em ruínas no mais belo recanto de cultura de Curitiba. A obra iniciada em 2005 cobrou um investimento de um milhão de reais para realizar avançado projeto, onde as linhas coloniais partilharam sua beleza com o estilo contemporâneo.

        Mas quem é afinal o cidadão Cadri Massuda? Professor da UFPR, médico humanitário e empresário de sucesso na área de medicina de grupo, foi recentemente escolhido pelo Governador do Estado para dirigir o recém-inaugurado Hospital de Reabilitação do Paraná, justamente pela sua competência e o trabalho voluntário de muitos anos como Diretor da Associação Paranaense de Reabilitação. Para aqueles que, além do médico, conheciam-no apenas como um apaixonado visitante dos museus do Brasil e da Europa, surge agora, pela imagem de um grande empreendimento, o inusitado protetor da cultura em Curitiba. Seria um novo Caius Mecenas, um outro Lourenço Médici? Aquele patrocinando, sob o Império de Augusto, a poesia de Horácio e de Virgílio, e este, na Florença renascentista, a arte de Michelangelo. Ressalvadas, é óbvio, as justas proporções históricas e culturais, vamos dar as boas vindas ao Dr. Cadri. Quem sabe as razões da sua solidariedade para com a cultura venha de um homem que conheceu as grandes dificuldades que o próprio pai, como artista, teve que passar para sustentar seus sonhos e conquistar o seu espaço num contexto cultural tão adverso. Venha de um homem cuja real fortuna está no coração e no espírito porque pagou seu curso de medicina e ajudava a sustentar a família, vendendo artesanato nas feiras dominicais do Largo da Ordem. De qualquer maneira, a vida lhe abriu muitas portas e o material que se veiculou pela imprensa escrita, falada e eletrônica, dizem da importância do seu melhor “negócio”. Reportagens, releases, artigos, entrevistas, opiniões e comentários dando destaque à sua inauguração, prenunciam que o Espaço Cultural Alberto Massuda, na Trajano Reis, 443, se apresenta, na atualidade, como o melhor endereço para se provar o mais requintado “cardápio” de cultura e culinária da Cidade. Acreditamos que o “ESPAÇO” veio para ficar e quem está por trás de tudo isso já não poderá mais disfarçar sua anônima sensibilidade e nem esconder sua invejável modéstia, reveladas agora pela realização dos seus próprios ideais de beleza.

 

A 1ª Semana da poesia paranaense

 

          Com a participação de cerca de 20 poetas, da Capital e do Interior, a 1ª SEMANA DA POESIA PARANAENSE se realizará nos dias 23, 24 e 25 de setembro e espera que o seu sucesso seja o aval para que os órgãos oficiais de cultura, municipais e estaduais possam colocar o evento como um fato cultural na agenda anual da Curitiba..  Além dos quatro poetas que integram a Comissão –Hélio de Freitas Puglielli, Marilda Confortin, J B Vidal (João Bosco Vidal) e Manoel de Andrade — já confirmaram presença os poetas Leopoldo Scherner  – participante da Noite da Poesia em 65 — Adélia Maria Woellner, Walmor Marcelino, Bárbara Lia, Jairo Pereira, Roza de Oliveira, João Batista Lago, Solivam Brugnara, Maria da Graça Stinglin, Nei Garcez, José Carlos Correia Leite, Philomena Gebran, Daniel Faria, Sergio Pitaki e Lucrecia Welter. As noites de poesia serão nos dias 23 e 24 e a leitura do perfil literário de cada poeta será feita pela apresentadora Laís Mann. O programa se encerra na noite do dia 25, com o coquetel de lançamento coletivo de  livros de poesia, onde estarão autografando os poetas Jairo Pereira, Roza de Oliveira, Bárbara Lia, Solivan Brugnara, Lucrécia Welter, Adélia Maria Woellner e Sergio Pitaki.

 

A GUITARRA DE AR por affonso romano de sant’anna

A GUITARRA DE AR

 Affonso  Romano de Sant’Anna

 

              Acaba de acontecer na França um campeonato de tocadores de guitarras invisíveis. E   entre 20 e 22 de agosto, na Finlândia, ocorreu o campeonato mundial de guitarras de ar. Não foi a primeira vez, este foi o 13º certame e reuniu representantes de  mais de 20 países.

            Os guitarristas sobem ao palco (sem guitarra nas mãos) e dão um show. Fazem todos os gestos típicos de Jimmy Hendrix ou de qualquer outro gênio da espécie como Kurt Cobain. Os dedos dobrados dedilhando o nada, o corpo badalando o invisível, o rosto fazendo as caretas acompanhando os acordes enquanto a platéia delira diante do ausente. Claro, a música existe em play-back, o instrumento é que é conceitual.

            A prova consiste em duas etapas. Na primeira o concorrente escolhe a música que quer, e na segunda, conforme o regulamento ” usa um mediador real”. Há um júri que dá notas de 4,0 a 6,0.

            Dizem os comentadores que este tipo de espetáculo   é algo entre o humor e a arte contemporânea. Afinal de contas, Marcel Duchamp não havia dado de presente ao seu marchand americano uma ampola de farmácia cheia do “ar de Paris”?

            Os artistas da guitarra invisível aprofundam essa proposta. Levam o falso (“fake” ), a imitação e o “cover” ao extremo. Criam pseudônimos, artistas imaginários que tocam guitarras imaginárias. Criam biografias de músicos inexistentes, como o de um tal Juano Fonzo, que foi inventado pelo músico Pitt Feio (alusão a Brad Pitt), que por sua vez é pseudônimo de Guillaume  de Tonquédec. Este revelou que Pitt morreu de uma overdose de “aeroína”- substância “mais funesta que a heroína”.  Tal herói confessa que optou pela guitarra imaginária porque  aos 8 anos seu pai recusou-se a dar-lhe uma guitarra verdadeira.

            Como se vê, Freud tem tudo a ver com a arte de nosso tempo.

            Mas  isto tem a ver também com   um outro tipo de arte que nos deixa igualmente surpresos: a arte dos negócios. Vejam   os jornais destes dias com notícias sobre fabulosos banqueiros e políticos. Alguns, como aqueles intangíveis guitarristas,  tocam instrumentos que não existem, outros tocam negócios invisíveis, que quando vistos pela Polícia Federal provocam um desconcerto nacional.

            Afinal, o que é uma bolsa de valores? o que é a criação de empresas fictícias que são lançadas no mercado gerando ações milionárias, cheias de ar? O que são os famosos “laranjas”, utilizados como “fake”, como “cover”, imitadores, pastiches e paráfrases? Daniel Dantas, Naji Nahas, Cacciola e Eike Batista são grandes artistas, grandes jogadores no cassino das finanças, virtuoses internacionais  da arte dos negócios. 

            Dest’arte,  falando da arte dos negócios e do negócio da arte, por coincidência, no Museu de Arte Moderna de São Paulo foi inaugurada   uma grande exposição retrospectiva de Marcel Duchamp. Além do vidro vazio (“L’air de Paris”) esse grande ilusionista fabricou também uma nota falsa para pagar suas dívidas. Também inventou  e imprimiu por conta própria umas ações do  Cassino de Monte Carlo, pois era um jogador inveterado. Chegou a confessar que o jogo era seu vício e queria ser o melhor jogador de xadrês do mundo. Não conseguiu. Esse jogo tem regras fixas, e não pode cada jogador sair por aí inventando suas próprias regras. Mas no cassino das artes, deu-se bem. Intitulando-se “pseudo artista”, um “anartista” virou uma referência na história da arte contemporânea.

            Só falta os advogados desses que andaram pintando e bordando com o dinheiro alheio alegarem que eram artistas conceituais.

               

LAURITA MARTEL escreve a segunda carta para GARCIA de GARCIA.

Meu querido,

Não sabes como me alivia saber que não guardas nenhum rancor. Eu era uma menina ainda quando você me encontrou e eu também guardo as melhores lembranças daquelas noites. Mas eu não podia ficar, aquele lugar era muito pequeno para mim, a minha alma precisava de expansão, eu precisava de experiências novas, descobrir quem eu era. Depois do nosso encontro, já tive muitos amores estrangeiros, e hoje acho que todos eram uma espécie de retorno ao que tínhamos sido e vivido. Um estrangeiro, um homem que vinha do mundo, com as mãos cheias de histórias. E aquele idioma que me ensinava palavras novas, que me nomeava de outros jeitos, E a sua voz, quente, doce, rouca, que eu não esqueço. Que bom que você decidiu viver no Brasil, mesmo não sabendo onde você está, agora sinto que estamos mais próximos, muito embora eu nunca tenha me sentido longe de você. Você esteve dentro de mim todos estes anos, era com a nossa experiência que eu comparava todas as demais. Era com você e com a força que você me transmitia que eu comparava todo o resto. Eu também não planejei a escrita de uma carta, era pra ser um comentário, mas acho que me entusiasmei e decidi contar um pouco de mim pra você. Não vou enviar o meu endereço particular. Vamos nos comunicar assim, se você concordar. Vivo um momento difícil no meu casamento, com um homem que merece todo o meu respeito. Mas agora, não é dele que quero falar, é de nós. Estou tomada pela saudade, imantada com as lembranças daquilo que sei que foi o melhor de mim. Que maravilha você lembrar do meu corpo de mulher jovem, que maravilha ouvir você me chamar de indomável. Foi com você que aprendi sobre isso, meu querido, que o meu corpo ansiava por experiências que respondiam aos anseios da minha alma. A última noite em que estivemos juntos foi um marco na minha vida. Você me ensinado com seu corpo, que eu era a dona do meu corpo, e que com você eu tinha espaço e lugar para crescer, para ser eu mesma. Indomável, quente, carinhosa, arrebatada. E perfumada, para encantá-lo. Meu Deus, que saudade de nós, meu querido, que saudades de mim. Mas é claro que não sou mais a mesma. Me sinto como a personagem daquele filme que diz que é muito jovem pra ser velha e muito velha pra ser jovem. Indomável sempre, saiba. E pronta para você, da maneira, que for, nem que seja esta, através das palavras. Para onde vamos agora? Me conduza nesta dança, me leve com você. Desta vez eu não vou fugir.

Sua Laurita Martel.

 

se o leitor(a) quer saber mais sobre o caso:

primeira carta de Laurita Martel: AQUI

resposta de Garcia de Garcia: AQUI

RODIN E CAMILLE CLAUDEL – por flávio calazans

 

“Se a religiosidade não existisse, eu teria a necessidade de inventá-la. Os artistas verdadeiros são, em suma, os mais religiosos dos mortais”                       

Rodin, em O misticismo na Arte, capítulo de A Arte.

 

Dia 11 de julho de 1995, terça-feira, Paris amanheceu ensolarada e feliz.

Em uma caminhada sem destino pelas ruas da Cidade-Luz, bebericando nos cafés, visitando as livrarias, cheguei até o Centro Georges Pompidou com sua armação de canos de metal e ao “Quartier de l’Horloge” com a livraria mais “Cult”, a “Fantasmagories”(13, rue Brantome) com vasto acervo sobre artes visuais, Cinema de Autor, TV e Histórias em Quadrinhos de Arte, além de fanzines de vanguarda bem experimentais.

Depois, passeio pelo Metrô, visito a estação Saint Michel, toda verde em estilo Art Noveau, e depois chego a uma enorme mansão com jardins atráz, quase um pequeno bosque, o Museu Rodin (77 Rue de Varenne, Metrô estação Varenne) no Hôtel Biron.

            O movimento e as expressões, toda a emotividade registrada nas estátuas é profundamente comovente, é impossível não repetir o universal clichê “Parecem estar vivas”, pois Rodin congela em um instantâneo tridimensional toda a energia de uma vida e suas contradições.

            Rodin vivia no meio de uma explosão cultural, frequentava seu atelier gente do porte de Alberto Santos Dummont, o brasileiro que voôu em Paris no primeiro avião, o 14-Bis, que Rodin imortaliza em um busto; o mago inglês Aleister Crowley, e todos os literatos, políticos, artistas de um momento de explosão cultural na europa centralizado em Paris; é a época do pintor Cézanne (cujas banhistas e mesas com várias perspectivas inspiram Picasso ao Cubismo), do filósofo alemão Nietzsche e seus aforismos, da música de Debussy (que depois seria namorado de Camille).

            Entre 1887 a 1890 a fama de Rodin explode, junto à aluna-modelo-escultora-amante Camille Claudel, cuja história de amor é inesquecível, do namoro à loucura da mulher abandonada, destruindo as próprias obras como um aborto cósmico, e internada em manicômio até o falecimento.

            O secretário de Rodin, Rainer Maria Rilke, envolvido neste turbilhão cultural anos depois fica nos anais da História da Arte, não só como poeta e crítico literário, como pelo livro clássico, uma leitura obrigatória de todos que amam a arte, o livro “Cartas a um jovem poeta” onde dá lições de vida e de arte a seu correspondende Franz Xaver Kappus, em um processo de anos de missivas, o longo e paciente processo de desenvolvimento da sensiblilidade.

            Para Rilke, de seu longo convívio com Rodin, desnuda-se um artista que ele descreve com carinho, um artista plástico sempre lendo, invariavelmente com um livro nas mãos,  Rodin exercitava uma transformação de sí próprio na escultura, modelando a sí mesmo, corpo e espírito, nas obras; uma arte cujo conjunto é um testemunho-grimório em pedra e metal, um registro das etapas deste processo alquímico, onde a beleza está nas entrelinhas de toda a realidade, e se não a percermos, é por não ter os olhos capazes de maravilhar-se com o encanto do mundo.

             Rodin fala com a linguagem do corpo, sua poesia está no espaçial, não no verbal, uma arte sensual, visceral, fruto das emoções aceitas e assumidas, refinadas, desenvolvidas, sutilmente sofisticadas.

            É o que fala o gravurista-poeta inglês Willian Blake: “Arte é a árvore da vida” referindo-se à cabala, e “Os caminhos dos excessos levam à sabedoria”.

            Também o diz o poeta francês Arthur Rimbaud, na Alquimia do Verbo: “O Poeta se faz vidente por meio de um longo, intenso e racional desregramento de todos os sentidos”.

            Estes excessos, este desregramento dos sentidos é o êxtase místico presente na obra de Rodin e Camille Claudel.

            É preciso estar frente a estas esculturas, andar em torno delas e, em O Beijo, perceber o instante congelado no tempo que antecede em um microssegundo o toque dos lábios dos amantes…sutil e sensível registro de todo o vórtice de sentimentos do primeiro beijo paradoxalmente entre tímido e apaixonado do casal.

            O garbo de Balzac envolto na capa, tão polêmico-como toda obra genial o é-a frorça de Vitor Hugo, as redes de emoções sobrepostas dos Burgueses de Calais, e a beleza das velhas anciãs, enrrugadas em sua dignidade e miséria…mas, acima de tudo..

 

            A Porta do Inferno de Rodin !

 

            Passeando nos jardins do Museu Rodin e saboreando, usufruindo tanta beleza, deparei-me repentinamente com sua gigantesca ”Porta do Inferno”. A emoção estética comove-me até as lágrimas, choro soluçando , profundamente tocado , lamentando por Rodin e por mim mesmo.. .até hoje ainda sinto um nó na garganta ao ver esta porta! Sinto todo o sofrimento das estátuas coladas naquele portal soldado, enormidade fundida em um bloco único; a poesia tenebrosa do monstruoso portal que nunca , jamais poderá ser aberto..eternamente selado..todas as obras inacabadas ou nunca realizadas, todos esboços esquecidos e trancados no inferno criativo de cada artista…o ”salão dos recusados” das idéias rejeitadas no meu inconsciente, retorcidas e injustiçadas, que nunca ninguém vai ver.

            A Porta do Inferno é o Nigredo, a Obra em Negro dos Alquimistas, a noite escura  da alma descrita pelos místicos europeus, a descida ao inferno do herói mítico, Orfeu, Hercules, etc…talvez tudo fosse mera projeção do meu inconsciente..mas, então, o que não seria projeção na vida? Vale a autêntica emoção que tomou todo meu ser, e minha sinceridade em deixar que crescesse até o meu pranto soluçante e convulsivo.

            Acima de tudo, o ”Pensador” observa sem nada poder fazer…a fatalidade cruel de nosso inferno pessoal criativo..quantas obras ainda vou condenar a minha própria porta do inferno? Indubitavelmente, tenho muito mais obras no meu inferno das não-nascidas que as realizadas…quanta dor, agonia eterna das formas mentais que vizualizei e não permití existirem.

            Após visitar por horas o jardim florido e a comovente sala ”Camille Claudel” e deliciar-me com Psiquê estendendo as mãos para um cupido que escapa, com aquelas Fofoqueiras e a magnífica Onda verde com as três meninas encarando a iminente e inevitável tragédia do vagalhão avassalador; tantas lindas miniaturas introvertidas e delicadas em seus tocantes detalhes femininos, intimidade e interiorização, obras que comovem por serem tão pessoais, tão biográficas…é Camille dentro de cada uma, ela retrata sua alma, seus sentimentos, e os expõe a nú como somente um verdadeiro Artista tem a coragem de se expor, um mundo de sensibilidade extrema, um retrato comovente da alma feminina; …só então, depois de uma longa tarde, é que conseguí então controle para voltar à Porta do Inferno e tirar uma coleção de fotos-cicatrizes.

 As enormes esculturas de Rodin poderiam indicar um  caráter extrovertido, social, público-político, com ligações com os poderosos, status, aparências;  mármores pesados, duros, sólidos, gigantescos (segundidade) e seu enquadramento nos cânones das obras públicas agradando as maiorias (nem sempre…) em uma terceiridade, sua amargura e fracasos poderiam estar na “Porta do Inferno” das obras condenadas que todo artista tem nos porões do inconsciente ou do atelier, tudo encabeçado pelo próprio auto-retrato retorcido como o Pensador no umbral.

Ao contrário, as delicadas miniaturas de Camile Claudel mostram sua personalidade introvertida, detalhista, materiais transparentes, fragilidade oculta sob as máscaras sociais de mulher independente; do conjuno das esculturas  e sua cronologia pode-se reconstruir um sintagma de provável culpa e aborto nas faces infantis, de perda do amado nas “psiquês sem cupido” e da perda de auto-estima em medusas , antevendo a catástrofe com as três deusas (moiras-parcas) sob a enorme e inevitável onda prestes a rebentar sobre elas,chegando à internação no sanatório onde falece.

 

Bibliografia:

 FABRE-PELLERIN, Brigitte. Le jour e la nuit de Camille Claudel. France: Lachenal e Ritter, 1998.

 RILKE, Rainer Maria. Rodin. Rio de Janeiro:Relume Dumará, 1995.

 RILKE, Rainer Maria. Poemas e Cartas a um jovem poeta. Rio de Janeiro: Tecnoprint, S.D.

 RODIN, Auguste. A arte: conversas com Paul Gsell. Rio de Janeiro:Nova Fronteira,1990.

 RODIN, Auguste. Aquarelas e desenhos eróticos.  Bibliothèque de l’image, 1996.

 THE RODIN MUSEUM GUIDE. Laurent, Monique, Paris:Éditions Hazan- Les Guides Visuels, 1994 .

 WAHBA, Liliana Liviano.Camille Claudel: Criação e loucura.  Rio de Janeiro: Record-Rosa dos ventos, 1996.

 WITTKOWER, Rudolf. Escultura. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

Como a ESCOLA deve encarar com a cola – por vicente martins

 

 

Tomando como referência para avaliação do sistema de avaliação tradicional os dados do MEC quanto às taxas de repetência, evasão e atraso escolar e posso ainda apresentar dados do SAEB, ENEM e PISA, os resultados são preocupantes: os estudantes brasileiros não dominam habilidades básicas como leitura e escrita.

O Censo escolar 2002 revela que, pelo menos, 7.577.784 alunos estão na faixa etária irregular, isto é, com15 a mais anos de idade. Relatórios recentes do INEP afirmam presenciar uma estabilização no crescimento de ofertas de vagas no Ensino Fundamental, favorecido pelo o impacto dos programas de melhoria do fluxo escolar (ciclos de progresso continuada) e pela injeção de recursos do FUNDEP que, realmente, provocou uma grande expansão nas matrículas.

Repetência como exclusão social - Em 2002, o MEC constatou que a matrícula, em 2002, no Ensino Fundamental regular, foi de cerca de 35 milhões (incluindo todas as faixas etárias. No entanto, a população na faixa etária ideal ou própria, de 7 a 14 anos, era de pouco mais de 27 milhões de crianças. A matrícula está muito acima da população na faixa etária própria em decorrência da repetência e da forma tradicional de avaliação.

Quando analisamos os dados do Sistema de Avaliação da educação básica (SAEB), relativos ao ano de 2001, nos deparamos com 22% alunos da quarta série do ensino fundamental que não desenvolveram habilidades de leitura compatíveis a esse patamar de escolaridade e 37% aprimoraram algumas competências, mas ainda demonstram desempenho em língua portuguesa bem abaixo do desejado. Os dois grupos de estudantes, que totalizam 59% da matrícula do final do primeiro ciclo da educação obrigatória, apresentam níveis de rendimento escolar considerados “crítico” ou “muito crítico”.

O modelo de avaliação escolar vigente no País não apenas reprova mas faz com um número significativo de criança em idade própria não querer estudar, porque não reconhece na escola um espaço para desenvolver de sua capacidade de aprendizagem (assimilar bem os conteúdos) e de sua capacidade de aprender (autonomia intelectual).

Cola como liberdade de aprender - Vejo a cola não como fraude ou ato clandestino do aluno, mas como manifestação ou recurso de liberdade de aprender do aluno e estratégia de recuperação dos alunos de baixo rendimento.

Podemos ver no procedimento da cola um instrumento para assegurar, no verificação do rendimento escolar, um princípio de ensino como preconiza a Constituição Federal, no seu inciso II, do artigo 206 , que enumera, entre os princípios de ensino, a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.

Encaro, pois, a cola como uma manifestação de liberdade de aprender do aluno. O mesmo princípio é reafirmado no inciso II, do artigo 3, da Lei 9.394/96 , a chamada Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional(LDB) Como ato de liberdade de aprender, a cola teria, pois, amparo na norma constitucional inviolável, de modo a vir a ser uma prática comum e viável no processo ensino-aprendizagem.

Defino a cola como um direito de o aluno agir, dentro dos limites do regimento escolar e sob a proteção do projeto pedagógico da escola, de modo independente, no decorrer das provas parciais ou globais para atender os fins da educação nacional.

A liberdade discente de colar é, na verdade, o poder reconhecido aos alunos, pelos estabelecimentos de ensino, de só aprenderem aquilo que quiserem e como quiserem. Quando há a liberdade de aprender do aluno e a liberdade de ensinar do professor, podemos falar em liberdade de ensino.

O inciso V, do artigo 12, da LDB , estabelece que os estabelecimento de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, têm a incumbência de prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento!.

A cola, portanto, pode ser um meio para recuperação dos alunos com baixo rendimento escolar, especialmente os educandos com necessidades educacionais especiais que, pelo artigo 4 , da LDB, tem a garantia de atendimento educacional especializado por parte do poder do poder público.

Dentro de uma perspectiva de política educacional, a titulo, por exemplo, de programa de correção de fluxo escolar, a cola pode ser um instrumento poderoso, na verificação do rendimento escolar, como preconizada o item b, inciso V, do artigo 24, da LDB,, para a aceleração de estudos para alunos com atraso escolar, isto é, com desafamem série-idade.

A cola, pois, pode ser vista como forma de estudo de recuperação apara os alunos de baixo rendimento. O item e, inciso V, do artigo 24, da LDB, determina a obrigatoriedade de estudos de recuperação para os casos de alunos de baixo rendimento escolar.

A cola é um procedimento que pode ser normalizado a partir de um acordo de convivência, prescrito seu uso em regimento escolar, não sendo, pois, como um direito imprescritível de aprender do aluno

Direitos imprescritíveis - Apresentamos a seguir um conjunto de diireitos imprescrítiveis do colante assumido:

  • O direito de não aceitar as estratégias de coerção e de controle dos professores.
  • O direito de não competir na avaliação escolar, ao longo ou ao final do curso, para garantir a promoção de uma série a outra.
  • O direito de legitimar sua liberdade de aprender.
  • O direito de não executar os prodígios de memória.
  • O direito de colar diante de matéria inadequada à maneira de ver, às experiência e aos objetivos do aprendiz-colante ou do colante-aprendiz.
  • O direito de colar através de conversas colaborativas antes e durante a aplicação de provas, exercícios, tarefas ou outros meios de observação que tem por fim a verificação de desempenho do aprendizagem, em situações de atribuição de notas.
  • O direito de colar para enfrentar a pressão dos professores e dos gestores dos estabelecimentos de ensino
  • O direito de colar para evitar atraso escolar, repetência e evasão escolar.
  • O direito de colar para desenvolver a capacidade de aprender, mediante leitura compensatória e compartilhada.
  • O direito de colar por considerar que a escola não é um palco de guerra, mas um processo institucional construtivo de amor, paz, conhecimento e amizade.
A cola como conduta pedagógica

A cola é semelhante aos ritos de uma religião, que parecem absurdos, mas tornam a escola um espaço de liberdade de aprender, e os professores e os alunos em pessoas melhores.

Vejo, assim, a cola na avaliação como parte do processo do desenvolvimento da capacidade de aprender dos meus alunos, descartando sua ritualização ou sacralização.

Dia de prova é dia de aprender. Apenas isso. Tenho transformado o dia da prova em uma experiência ou acadêmica prazerosa, numa situação positiva, seguindo os seguintes passos:

  1. Oriento, no primeiro momento, pelos menos, a uma semana antes da avaliação parcial ou global, para os conteúdos e os modelos de questões(múltipla escolha, completamento, discursiva etc) que serão cobrados durante a verificação de rendimento. No dia da prova, destino, pelos menos, 10 minutos antes de sua aplicação, para mais uma vez revisar e permitir em seguida as conversas colaborativas ou as colações prévias para que no decorrer da avaliação o aluno se sinta tranqüilo quanto ao que requeiro do aluno.
  2. Durante a avaliação, o aluno cria um clima de tranqüilidade para não contrair o corpo, podendo, livremente, ir ao banheiro ou pegar um material didático para consultas ou anotações feitas durante as aulas expositivas.
  3. Há situações em que as provas ou, pelo menos, as questões mais discursivas, são feitas em casa ou em sala de aula, com a orientação do professor, de modo a favorecer uma maior discussão em grupo ou leituras complementares.
  4. Tomo a auto-avaliação, inclusive com atribuição e justificação de notas para si mesmo (e quando quer o aluno dar nota para o professor também), de 6 a 10 ( quando a média é 7, por exemplo) , como um recurso de aprendizagem significativo, de modo a evidenciar, para o aluno que enquanto profissional de educação sei o que faço, como faço e para que faço ou porque deixo de fazer alguns procedimentos pedagógicos, de modo a conduzir o aluno para a formação ética, de atitudes e valores e, sobretudo, desenvolver sua autonomia intelectual e pensamento crítico.
  5. permito a cola colaborativa ou consentida para assegurar uma avaliação culturalmente justa , que tenta ser tão livre quando possível de preconceitos específicos, culturais ou amarras pedagógicas ou escolares. Levo em conta que o momento da prova, com ou sem cola, é de natureza pedagógica e tem por fim revelar para o professor, em especial, as habilidades e competências que aprendidas e apreeendidas, que vão do fácil ao muito difícil, com limites de tempo o suficiente para também permitir que os alunos respondam as questões de forma tranqüila e sejam promovidas para a série ou semestre seguinte e, no final do curso, sejam concludentes e não excludentes da formação escolar.

Cola: Justiça, pode. Educação, por que não?

Minhas primeiras experiências com novas formas de avaliação de alunos foram realizadas logo quando ingressei, no início dos anos 90, I, por concurso publico de provas e títulos, na rede estadual de ensino, no Ceará, e me deparej com um grande contigente alunos de baixo rendimento escolar, em turmas de quinta série, que é, como sabemos pelos relatórios oficiais do MEC, um dos gargalos do sistema educacional uma vez que concentra altas taxas de repetência e evasão escolar.

A forma de avaliação tradicional, que ocorre na maioria das escolas brasileiras, em regime de seriação e no final do processo ensino-aprendizagem, a chamada avaliação com função somativa, é uma forma perversa de avaliar alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e das principais causas do fracasso escolar no Brasil.

A este modelo de avaliação somativa, muitas vezes, descarta a função diagnóstica , que visa a companhar o processo de aprendizagem bem a função formativa que é a de aprimorar o processo de ensino-aprendizagem. O que se tem feito no País, mesmo nos exames oficiais, é verificar competências e habilidades dos alunos, com objetivo unicamente de avaliação do rendimento do aluno num curso, para atribuição de notas ou conceitos. Isso é péssimo para a educação.

Quando aluno do Colégio Militar de Fortaleza, durante muitos anos fui à recuperação nos meses de férias para não colar e correr risco de ser expulso do colégio, uma vez que temi, sendo flagrado, ser sumariamente expulso do colégio, mas vi vários colegas, mais espertos , inteligentes e realmente perspicazes, hoje brilhantes no mercado de trabalho, apelaram para cola como expediente de resolução de questões enfadonhas, principalmente para evitar a reprovação, a humilhação na escola, a decepção na família ou exacreção pública.

Hoje, não censuro nem vejo o expediente da cola como uma conduta desviante que precisaria de um corretivo. Sendo assim, fiz uma espécie de conversão de uma conduta discente em uma estratégia docente.

A cola foi introduzida, na minha prática prática educacional, como estratégia de recuperação para os alunos de baixo rendimento assim como o sol, por osmose, interpenetra a carne.

Vejo a cola escola com a mesma naturalidade que um juiz eleitoral vê a cola no dia de eleição. Durante as campanhas de esclarecimento na mídia, sobre o processo eleitoral, os tribunais regionais eleitorais, de todo o Pais, ao serem indagado se o eleitor pode ou não levar cola eleitoral para urna eletrônica, afirmam não poder , e sim, ver, acrescentando que para facilitar o voto, o eleitor deve levar os números dos candidatos anotados em um papel. O que é lícito para a democracia eleitoral porque seria ilícito para a democracia escolar?

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará. 

 

ESSES TEUS ATRASOS… poema de marilda confortin

Esses teus atrasos…

                                                                                            Marilda Confortin

Porque demoras tanto

se moras tão perto de mim?

Porque me apartas das horas

quando me apertas assim?

Enquanto te espero, repito

teu nome infinitamente

e exagero, te elevo a mito

Eros, herói,  anjo, serpente.

Mas se tardas além do que deverias

me desvio, desvairo, enraiveço 

saio do cio, dispo fantasias

estrago, azedo, desvaneço.

Por isso, quando fores atrasar

atrase bastante, o suficiente

pra toda minha fome passar

e eu não te quebrar um dente.

tardes observando el volcán – poema de francisco cenamor/España

tardes observando el volcán

 

había allí tantas formas

de ser mujer

que decir mujeres

resultaba un intento vano

 

nunca pude retener

esos momentos

 

la placidez de observar

aquellos montes que se juntaban

en suave declive

al borde mismo del volcán

se me escapaba sin remedio

al final de la escalera

 

al volver

nunca cogía el tren

volaba plácidamente

envuelto en los olores

de una tarde que

se resistía a ser noche

 

cómo amaba entonces

a aquellas personas que

se revolvían inquietas

allá abajo en la vida

 

me dormía después

sereno, cansado

y me abrazaba a cada

momento que se quedó

plácidamente

acostado en los rincones

de la memoria


Del libro Ángeles sin cielo (Ediciones Vitruvio, Madrid, 2003)

POEMA (II) de sara vanegas/Ecuador

¿escuchas su brillo aún lejano?. es ella que se asoma. tímida y ausente. con todos sus desiertos y sus manantiales. con su cortejo de leyendas y suicidas. ligera y blanca como un fantasma adorado. y sus adoradores enloquecen. allí. sobre las rocas y en el mar

entonces empieza la larga danza: gritos y conjuros. tambores y aullidos. hasta que ya a la madrugada -ebria de luz y de hastío- ella los deja

desde el agua yo espero el retorno de sus ojos

DESCORTÍNIO poema de altair de oliveira


 

Te soube tarde da vida

E, ainda assim, me alvoraste

Me coube ficar sabendo

Que o teu veneno era doce

Rio de como mataste

A morte que andei trazendo…

 

Bem sabes, tenho saudades

De idades que não tivemos

E sonho que adolescemos

Tecendo um mundo de planos

Deixando os outros sem-graça

De tanta graça que somos!

 

Ao menos eu te sei no mundo

E me aqueço quando te penso

No fundo sei que somamos

Os sentimentos mais densos

E minha alma alegrada,

Não deixa nada por menos,

Te quer amante e amada

Por todo e quanto duremos.

 

Altair de Oliveira – In: O Lento Alento

ANATOMIA SEM REMORSO de darlan cunha

Dito está aqui (e só aqui, pois não há cabedal suficiente para isso fora daqui) que o cinismo, ou civismo, de Deus e a visão nada egocêntrica do mercado financista fariam as honras da casa a noivas que vieram festejar comigo o labirinto, a solidez da solidão, a terceira e a quarta margens do rio (não o de janeiro, morto), a décima nona frase de O Aleph… etc, e que eram falsas as notícias acerca de divergências entre ambos, e ainda mais falsos os entendimentos. Sim, o mundo e o submundo e o extramundo são isso: trevos & anomalias, encontros e despedidas (fugazes), faúlhas & fagulhas – nem aoristo nem oaristo.

WONKA apresenta TERÇAS DE SETEMBRO

 

Flores de Aço com Neuza Pinheiro e Rogéria Holtz

Neuza Pinheiro

integrou a vanguarda paulista dos anos 90 com Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção ao vencer o Festival da Tupi de 79 como melhor intérprete por Sabor de Veneno, e Diversões Eletrônicas vencedora do I Festival da TV Cultura. Compositora e intérprete, gravou e foi gravada por grandes nomes nacionais, como autora venceu o 1º Prêmio de Literatura Lúcio Lins em poesia. Seu trabalho sobre a obra de Leminski vem desde parcerias até musicalização de seus poemas. Será acompanhada por Tonho Penhasco(vilão/guitarra) compositor, participante da banda Sabor de Veneno de Arrigo Barnabé e Ronaldo Gama (baixo) da banda paulistana Nhocuné Soul.

Rogéria Holtz

para fazer par à poesia de Leminski apenas o trabalho de Alice Ruiz na voz da cantora paulista Rogéria Holtz. Seu último CD “No País de Alice” é fruto de uma longa admiração e colaboração com a poetisa curitibana. Rogéria participou do Vocal Brasileirão e mantém uma sólida e elogiada carreira conquistando espaço no cenário independente brasileiro calcada em sua potente voz e domínio de palco. 

Entrada R$10 e R$5 para estudantes

RESPEITO É BOM E TODOS MERECEM por alceu sperança

É dever do jornalista defender os direitos humanos. É dever do jornalista respeitar o direito à privacidade do cidadão. O jornalista não pode concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual. O jornalista não pode exercer cobertura jornalística, pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas onde seja funcionário, assessor ou empregado.

Isso é lei para qualquer jornalista honrado, pois está configurado claramente no Código de Ética do Jornalista. Não é preciso advogado, promotor ou juiz lhe dizer que este é seu dever. Mas jornalista algum tem o direito de contrariar os princípios de seu Código de Ética e acreditar que não pode receber uma merecida descompostura por trair sua própria lei, já que o Código de Ética deve ser a lei suprema, uma espécie de Constituição para o exercício dessa profissão.

O Código de Ética do Jornalista está em pleno (e necessário) vigor e quem se colocar contra ele – como os patrões de empresas jornalísticas e emissoras de rádio e TV que exigem de seus profissionais cometer crimes em nome da “audiência” – que o denuncie perante as autoridades e as entidades representativas da categoria. Se está errado, que mude, uai! Como está certo, que se cumpra, ora!

Os jornalistas vivem pegando no pé dos médicos que não cumprem o Juramento de Hipócrates, e têm razão: estão defendendo a população. De fato, não cumprir seu próprio Código de Ética é uma vergonha para um profissional. Mais: os jornalistas estão sempre expondo à execração pública os advogados que sofrem a acusação de contrariar os princípios consignados em seu próprio estatuto. Por isso não deveriam subir nas tamancas quando os advogados observam que eles mesmos, esses zelosos jornalistas, pisoteiam seu Código de Ética.

Cumprir o Código de Ética não é um favor à categoria, à sociedade e à própria família, mas um sinal de respeito a si mesmo e à opção profissional feita em um momento decisivo de sua existência. Isso vale para todas as categorias profissionais. O policial também tem seu estatuto, cujo cumprimento pode lhe render tanto as homenagens devidas – será considerado da “banda limpa” da polícia – quanto às penas cabíveis, como a desmoralização e a expulsão do corpo funcional. O advogado, até para exercer a profissão depois de se formar, precisa passar pelos crivos da OAB, a começar pelo teste da Ordem.

Quando tanto o policial quanto o advogado e o jornalista cumprirem dignamente seus próprios códigos de ética não será mais preciso haver conflitos: policial reclamando de jornalista que furou uma investigação e a prejudicou; advogado reclamando que a polícia lesou os direitos de seus clientes e a imprensa expôs gente inocente à desmoralização pública; advogado e jornalista denunciando policiais achacadores e torturadores; policiais e advogados se queixando de que jornalistas, a serviço de maus patrões, atropelaram seu próprio Código de Ética, interessados mais em “audiência” que na dignidade profissional. Que cada profissional cumpra o seu próprio Código de Ética e se atenha ao estrito cumprimento do dever e da lei e não haverá mais desnecessários atritos entre profissionais extraordinariamente úteis para a comunidade:

O policial, tão necessário nesses tempos em que a bandidagem nos ataca até durante o dia.

O advogado, que tem sido a consciência, o “Grilo Falante” da sociedade, tanto para protegê-la quanto para avisá-la de que há limites na busca pelo exercício das liberdades conquistadas.

O jornalista, cujo exercício profissional é o melhor termômetro da democracia: quando ele tem liberdade de expressão, há democracia; quando não a tem, a democracia é uma farsa.

Para concluir, o lembrete de um dos decanos do jornalismo brasileiro – Alberto Dines: “A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor”.

Exija um jornalismo melhor. Cobre de jornalistas, radialistas e homens de TV que honrem sua profissão em respeito ao público e a si próprios, conhecendo quais são as leis que regem o exercício desses profissionais acessando o Código de Ética do Jornalista em http://www.fenaj.org.br/Leis/Codigo_de_Etica.htm e o Código de Ética da Radiodifusão em http://www.fenaj.org.br/leis.php?id=11

RUMOREJANDO (decepções com o meu time PARANÁ, catalogando)

 


Constatação I (Reminiscências de maus tempos I…).

Em 1975, em plena ditadura militar, a Fundação Cultural de Curitiba expôs mostra de cerâmicas e de fotografias da arquitetura russa. A inauguração contou com a presença do Adido Cultural da Embaixada da Rússia. Todos os presentes, ao cumprimentá-lo, eram fotografados por um cidadão com cara de poucos amigos… Um dos presentes, ao ver espocar um flash atrás do outro, comentou: -“Será que não vai dar complicação a gente ser fotografado em companhia de um russo, de um comunista?” -“Não se preocupe, alguém respondeu, o risco é de apenas 50%. A gente não sabe para quem o fotógrafo trabalha”…

Constatação II (Reminiscências de maus tempos II…)

No coquetel que se seguiu à exposição russa, relatada na constatação anterior, foi servida aos presentes uma vodca “da legítima”, daquelas que davam calor até no dedão do pé. Enquanto aproveitando a rara oportunidade, se degustava aquela escassa bebida (a globalização ainda não estava em vigência…), passou um garçom com uma bandeja de refrigerantes, contendo, inclusive, pasmem: a acqua nera del imperialismo ianque, Coca Cola!!!. O fato suscitou o comentário do mesmo cidadão que havia dito que a gente não sabia para quem o fotógrafo trabalhava e, com ar de condena, meneando a cabeça: “Bah! Já não se fazem mais russos como antigamente…”  

Constatação III (Reminiscências de maus tempos III…)

Um radioamador, tão logo obteve autorização do Ministério das Comunicações para começar a operar, não saía da frente do seu equipamento de transrecepção. Passava todo o tempo, inclusive nos intervalos do almoço e a noite em longos papos. A maioria, furados. A comida era engolida rapidamente para não perder algum eventual contato. Um dia, entusiasmado, mostrou à sua mulher uma fotografia , que um colega de um país distante havia mandado, onde o sujeito aparecia diante do seu – dele – sofisticado equipamento de rádio. A mulher, que andava aborrecida com a indiferença do marido, não se conteve: -“Agora, você, em retribuição, vai mandar uma tua em que você aparece só de calção?…

Constatação IV (Reminiscências de não tão maus tempos).

Um professor de Cálculo Integral e Diferencial da Universidade Federal do Paraná, já falecido, anteriormente havia lecionado matemática no Colégio Estadual do Paraná. Tanto nesta época, como posteriormente, foi professor do seu filho. Certa vez, numa aula do 2° grau, pai e filho se tramaram numa discussão a respeito de uma questão matemática. O professor, diante do impasse, se propôs a dirimir a dúvida na próxima aula. No dia aprazado, a turma do aluno aguarda no corredor a vinda do professor. Outras turmas também haviam se aproximado, face a repercussão, curiosas pelo desfecho. Eis que o professor desponta no corredor com o livro de chamada debaixo do braço. À medida que se aproxima o rumorejo da turma diminui até o silêncio total. O professor acerca-se do filho e, diante de todos, aplica em cada bochecha dois sonoros beijos. Os que estavam mais próximos juram ter escutado: -“Não é que o filho da mãe tinha razão…”

Constatação V

Senador

Deputado

Governador

Prefeito

Vereador

Não têm mérito

Eles têm pretérito

Imperfeito

E, em princípio,

Particípio

Passado,

Ultrapassado.

Já, o presidente,

De pouca atividade

E pouco ativo,

Tem subjuntividade*

É presente

Do subjuntivo.

Coitado!

*Subjuntividade = “característica do que é subjuntivo; dependência, subordinação”. (Houaiss).

Constatação VI

Rico é fogoso; pobre, é tarado.

Constatação VII (Passível de mal-entendido).

A magnitude, dentre outras, numa performance é diretamente proporcional a amplitude da abertura das pernas. Me refiro, ou melhor, refiro-me a uma bailarina. E, claro, é inversamente proporcional à falta de talento.

Constatação VIII (Dúvida crucial).

Será que não existe alguém do staff do governo, familiar ou amigo com coragem suficiente para dizer, respeitosamente, é claro, ou assoprar no ouvido do presidente da República que esse cartão corporativo – respaldado com o tal do sigilo bancário – é uma excrescência? Quem souber que existe alguém, além da imprensa e da oposição, por favor, cartas à redação. Obrigado.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

          foto sem crédito algum. ilustração do site. HOJE, TAMBÉM, NA IGREJA!

 

O SITE “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” ESTÁ EM FESTA COM A CHEGADA DE ZULEIKA DOS REIS E TONICATO MIRANDA.

zuleika dos reis e tonicato miranda, são de há muito tempo colaboradores desta página e contribuiram substancialmente para o seu sucesso ao completar UM ANO de vida na rede mundial no dia de ontem. OS PALAVREIROS DA HORA dão suas boas vindas aos dois poetas esperando, agora, contar com as suas brilhantes contribuições mais amiúde. com a presença agora de zuleika e tonicato a editoria cumprimenta à todos os PALAVREIROS e COLABORADORES por terem chegado até aqui e contribuído para esse grandioso sucesso.

 

 

PENÉLOPE

                                                        Zuleika dos Reis

 

 

Dia após dia ergues

um edifício precário

ao rés do cotidiano.

Essa inglória odisséia

de rejuvenescer lençóis

na arquitetura das camas.

Esse brilho de objetos

 - panelas talheres copos…

desfeito

no implacável trajeto

da pia ao armário às bocas.

Esse modo preciso

de educar gavetas

avessas

à hierarquia das roupas.

Essas roupas quietas

na geometria das dobras.

As dobras…

 

Ainda que mal compreendam

as mãos não perguntam nada

apenas refazem

no ciclo interminável

o gesto de Penélope.

 

 

“Não me preveniram

que ir ao oceano

seria acumular cargos.”

 

 

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Quando um mendigo mendiga…

                                                                                para Sophia Loren e Catherine Deneuve

 

 

Se eu

lambesse com a língua curva

o parafuso mais recurvo de uma nave estelar

seria muito mais do que um boi estrelado

seria um quadrúpede intergaláctico e alado

Mas não,

sou touro do campo mesmo

lambendo chão, remoendo gramíneas

trespassando o corpo de porteira em porteiras

chifrando os horizontes e as segundas-feiras

Se eu

babasse a baba do ódio com o olho turvo

seria um demo de carranca na cara

meu frontispício assustando o espelho

a cara fugindo da imagem, qual coelho

Mas não,

tenho a cara santa e limpa

sorriso suave, noves fora da maldade

e até dizem tenho um rosto suave

que até confiança produz à pequena ave

Se eu

fosse um jacaré com dentes pontiagudos

ansiando o estômago por carne dilacerada

de frango, de galinhas e suas ninhadas

penas apenadas seriam na boca trituradas

Qual o quê…

sou quase vegetariano e verde

meus dentes e as bocas do meu olhar

miram mais os peixes e os frutos do mar

uma dúzia de camarões já me serve um manjar

Se eu

fosse um rude de queixo duro

gestos imprecisos, mãos e pés calejados

monossílabos frios e curtos no canto da boca

teria a voz sem cantares e arte, totalmente rouca

Qual o quê…

meu canto também é rouco

a voz, do princípio ao fim de um louco

apenas ressoa o muito brilho de um cântico

porque sou irremediavelmente romântico

Se eu

fosse o pergaminho de uma era

teria apenas poucos versos impressos

um poema de pedra e tons de verdes

na umidade da gaveta criando musgos mais verdes

Mas pra quê?

ninguém se interessa por poemas e poesias

nem por bois voadores e jacarés comedores de galinhas

muito menos por musgos e liquens

o mundo continua atrás dos verdes e seus níqueis

Se eu

fosse um mago da palavra

que um gesto da vara e no abracadabra

pudesse mudar o olhar da atriz

fa-la-ía mirar-me na platéia, deixando-me por um triz

Mas pra quê?

se a personagem e os atores da peça

somente à atriz seu olhar interessa

não vê que este pobre ser pedalador de bicicleta

não é homem, boi ou musgo, apenas um mendigo poeta

 

Blumenau, 28/08/2008


PROCURA-SE poema de cleto de assis

 

PROCURA-SE

 

 

Onde estarão os poemas perdidos,

aqueles nunca lidos,  até os não escritos

e esquecidos nas gavetas da memória?

Que fogos terão alimentado

ou que lixos freqüentaram, sem dedicatória?

Sei que, por nunca ter sido um poeta de carteirinha,

jamais  cultivei razões maiores para guardá-los

ou ter rotinas para gravar repentinas inspirações

com palavras escritas caprichadamente,

como se fazia nos cadernos escolares e nos livros de recordações.

Sei, agora:  nunca fui um pai sempre presente

e muitos de meus filigramas manaram apenas sonhados 

ou abortados, ou desprezados, ou se tornaram poemas sem teto,

abandonados nas ruas, sem proteção de estatutos de criança e adolescente.

Mas, apesar de tudo, sinto falta de todos eles

e por eles procuro, mesmo desesperançado,

porque são células perdidas de meu espírito,

partes concretas de passados que passam e passam

tantas vezes sem deixar rastros.

Se alguém souber a pista de algum deles,

por favor, me envie um sinal.

Estou de braços abertos para a filharada que abandonei

ou que me desprezou em prosaicos momentos de extrema lucidez.

Digam a todos eles que aprendi: nunca é tarde para acreditar na poesia

e ter coragem para ser louco e colar letras com sensações estranhas.

 

Curitiba

30.07.08

 

TONINHO VAZ encerra a IV FEIRA do LIVRO de TUBARÃO/SC dia 12/09/08

 

Como parte das atividades de encerramento o escritor e biógrafo Toninho Vaz se apresenta na IV Feira do Livro de Tubarão/SC, nesta sexta-feira (12/09), quando irá discorrer sobre a poética de Paulo Leminski. Toninho é autor da biografia do poeta curitibano com o título O BANDIDO QUE SABIA LATIM.  Ele irá se apresentar ao lado do escritor e membro da ABL Moacir Scliar  e Gabriel O Pensador músico e escritor.

 

o autor autografando na SEMANA DO CACHORRO-LOUCO, homenagem à Leminski, em Curitiba. foto do site.

ANGÚSTIA poema de joão batista do lago

Angústia
 
© DE João Batista do Lago
 
calaram-se:
o criador e a criatura!
o verbo não se lhes fora suficiente
para a tripudiagem da carne
que se lhes emana de almas vagabundas
 
calaram-se:
o criador e a criatura!
agora tristes e insuficientes
perderam o tino a coragem e a vergonha
– não tenham medo de perder a opinião! -
 
os deuses são assim: feitos de ilusão absoluta
não tenham medo de perder santos e anjos
aqui no inferno vos dareis abrigos
aqui podereis espiar vossas miseráveis felicidades
e podereis ter a justa angústia de si
e a certeza da remissão de pecados
 
vinde, pois, criador e criatura
aqui vivereis com seus humanos
aqui sabereis da virtude dos demônios
seres encantados, mas reais profanos
adoradores das imagens sagradas
dos infernos mais profundos do ser
 
vinde, ó criador… ó criatura…
o vinho da poesia nos confortará
nele dissiparemos todas as dores
dele sairemos embriagados
e depois de torturados pelas ressacas da incompetência
haveremos de bebê-lo
e de novo dele renas-ser plenos de consciência

O ASNO E A CENOURA por walmor marcellino

O ASNO E A CENOURA

Conta que um mu atribuía à carroça arreada sua facilidade de alimentar-se com cenouras; quando lhe punham os arreios esquecia do infortúnio — de ter tão bela mãe seduzida por pai ignorante e ronço –, até antevendo que o penoso sacrifício de puxar fardos era contrapartida de comer muitas cenouras. Algumas fontes afirmam que essa fábula nasceu de Apuleio, outros a apontam como da cultura semítica para figurar que a função e a razão de certos pensares parecem inumanas por serem irracionais.

Mas bem, esse Mu acreditava numa entidade cenoura só porque o ladino que o aprestava costumava esfregar cenoura na arreata e depois na cilha; e ainda pendurava uma cenoura bem na sua frente, como alegre prenúncio de que depois da faina a comeria com outras tantas surgidas em molhes. Os antigos se habituaram chamar a isso o sucesso muar, ou engodo místico de pai ronço com égua bonita, porque essa estranha construção ideológica seria a cenoura, a ideologia ou a religião da sabedoria asinina ou dos rústicos e broncos. Assim denotavam que a ignorância e a sedução podiam gerar um híbrido capaz de ju(ra)mentar que seus anseios e pensamentos constituíam a própria realidade.

Levada tal fábula à psicanálise, Jules de Levère assim a decompôs: o ouro, o dinheiro, o empenho de agir sem princípios para obter fortuna e sucesso, a manha que assemelha astúcia e sabedoria podem ser apenas o mulo investido de seus arreios, garantindo a vida puxando os carros.

Nos tempos eleitorais, em que além de escolhas políticas alguns escolhem arreios para desfilar garbosamente, essa fábula se repõe, a mostrar a importância das cenouras no cotidiano dos mulos.

RECADO poema de marilda confortin

RECADO

 

 

 

 

O tempo me mandou um recado

pelo vento, mas eu tonta

liguei o ar condicionado

e não deixei o vento entrar.

Insistente, 

ele mandou um sabiá laranjeira

cantar na palmeira até me acordar.

O louco cantou, cantou,

até ficar rouco

mas, eu tonta,

não entendi.

A palmeira então

bateu palmas no portão

mas eu, sem noção.

nunca atendi.

Até que um dia

ela derrubou uma folha

amarela na minha cabeça.

Foi quando li o recado

que o tempo havia deixado.

Estava escrito assim:

- Estou passando. Liga prá mim.

 

O ENIGMA VAZIO livro de affonso romano de sant’anna que será lançado neste mês (release)

 

 

 

O ENIGMA VAZIO

Impasses da arte e da crítica


Refletir sobre a arte – particularmente a moderna e contemporânea dos séculos XX e XXI – pode se tornar um exercício tão complexo quanto os próprios objetos de análise – os artistas e suas obras.  Um desafio ao qual até mesmo os críticos podem sucumbir, diante do verdadeiro mosaico de conceitos e opiniões que podem mais confundir que localizar os parâmetros do que é ou não arte e ser artista. Em O enigma vazio – Impasses da arte e da crítica o poeta, ensaísta, cronista e professor Affonso Romano de Sant´Anna coloca essa crítica no divã, analisando e, em alguns momentos, desconstruindo seus discursos e argumentos ao apontar suas contradições e exageros.

Desta vez, o poeta e ensaísta aprofunda ainda mais questões abordadas em Desconstruir Duchamp e A cegueira e o saber e passa a pente fino famosas análises de quadros e pintores feitas por Octávio Paz, Jacques Derridá, Michel Foucault, Roland Barthes, Jean Clair, Heidegger, Mayer Shapiro e Frederic Jameson. Através da lingüística e da teoria do discurso, Affonso Romano de Sant’Anna analisa os principais sofismas em que se baseia a arte conceitual e propõe uma nova episteme para reavaliação da arte do século XX.

Ao fazer isso, o autor questiona também os limites da arte contemporânea, uma arte conceitual, que, dando primazia ao pensamento, à idéia e à linguagem, deslocou o enfoque da obra para a proposta da obra.  Daí a importância de se analisar o discurso dos pensadores desta arte, de se fazer a crítica da crítica. 

O autor destaca que, se, na arte conceitual, o discurso e a palavra tomaram a tela o lugar da tinta, a crítica de arte fez algo semelhante e inverso: transformou seu texto em um quase-gênero artístico, numa espécie de reflexo distorcido da obra analisada, no que foi batizado de action writing, uma forma de pintar com palavras seus devaneios conceituais. Nele, a obra de arte que iniciou a escrita é logo abandonada, num olhar narcisista e deslumbrado com as próprias idéias e construções.  O texto criou uma deformação, uma alucinação, uma especulação, fascinante em si, mas muito distante da obra original. 

Grandes nomes como Octavio Paz e Jean Clair deixaram a isenção e a objetividade serem afetadas pela possibilidade de, por exemplo, alçar as obras do francês Marcel Duchamp (1887-1968) a um patamar que talvez o próprio artista jamais tivesse tido intenção.  Um dos precursores da arte conceitual, criador – se é que assim pode ser chamado – dos ready mades – objetos do cotidiano transportados para o campo das artes sem interferência do autor -, Duchamp legou ao espectador a responsabilidade de pensar o que é arte e sua linguagem.  Mesmo assim, sua obra “Grande vidro” ganhou uma interpretação místico-fantasiosa de Paz e ele foi comparado a Leonardo Da Vinci por Jean Clair.  Ao invés de propor uma reflexão, tais críticas tornaram-se o que Sant´Anna chama de “crítica reflexa”, de “endosso” e de “celebração”.

Sant´Anna também contrapõe as diferentes falas de Jacques Derrida, Heidegger e Mayer Schapiro sobre uma mesma obra: Os sapatos, de Van Gogh.  Também dá destaque às alucinações visuais e verbais de Roland Barthes a respeito do expressionista americano Cy Twombly.  E, a partir destes discursos, Affonso Romano de Sant´Anna levanta uma questão: até onde a obra é uma criação do artista e a partir de quando passa a ser criação daqueles que pensam o criador e a criatura? E, se for assim, se grandes pensadores cometem equívocos, “o que dizer dos repetidores disseminados no sistema artístico desde que se oficializou que tudo é arte e todos são artistas e críticos?”, pergunta o autor. 

O enigma vazio (Impasses da arte e da crítica) aprofunda a análise do discurso produzido pela arte e pela crítica de nosso tempo recorrendo à lingüística, à filosofia, a retórica e à análise literária.  Aos poucos, o autor procura desmontar os silogismos e sofismas repetidos durante anos por artistas e críticos.  Também defende a leitura interdisciplinar – antropologia, sociologia, política, marketing, filosofia, lingüística – como a única capaz de enfrentar este enigma vazio que provocou tantas obras insignificantes e tantas alucinações críticas. 

ROCCO.

TONINHO VAZ lança biografia de LUIZ SEVERIANO RIBEIRO no II FESTIVAL CineMúsica

 

Em Conservatória

 

foto de oscar maron.

Passei quatro dias da última semana na cidade da serenata, participando do II Festival CineMúsica, uma das principais atrações culturais do lugar. Na sexta-feira, 5, aconteceu a noite de autógrafos do meu livro O Rei do Cinema, a extraordinária história de Luiz Severiano Ribeiro, o homem que multiplicava e dividia (Record). Como tudo no festival, a minha noite também foi um sucesso: assinei mais de 150 livros para figuras como Hugo Carvana, Roberto Faria (o cineasta, irmão do Reginaldo), Kate Lira, Martha Alencar (única jornalista na redação do Pasquim), etc…

Da mostra oficial, gostei muito do documentário sobre a vida de Wilson Simonal, dirigido pelo Claudio Manoel, do Casseta e Planeta. Um primor.

Desta vez, como aconteceu em Curitiba, durante a semana do cachorro-louco (homenagens a Leminski) a Naná foi comigo. Fiz a foto dela ao lado da réplica de Gilda de Abreu,  no Museu Vicente Celestino. A minha foto, ao lado da antiga estação ferroviária, foi feita pelo videomaker Oscar Maron.

 

Veja um trecho do meu livro:

 

“Foi nessa época que aconteceu a grande virada, a atração obstinada de Severiano Ribeiro pela maior novidade no mundo ocidental: o cinema. Uma luz apareceu e ela preconizava uma aventura desconhecida que misturava emoções com negócios. Mas não se pode dizer que, ao dar o primeiro passo para a nova atividade e abrir sua primeira sala de exibição, Ribeiro tenha desistido de vender cerveja, fabricar gelo, administrar café e hoteís. Não foi bem assim.

O que aconteceu foi uma paixão arrabatadora por uma atividade mais dinâmica e moderna: o entretenimento.”

 

(Para agendar palestras e bate-papo literário: tvaz@uol.com.br

CAPIMIÃ por jairo pereira

CAPIMIÃ

 

A FACE POÉTICA DE UMA REALIDADE QUE O SIGNO NÃO ESCONDEU

 

Tantos objetos perseguidos quantos nossos sonhos de poeta. Bem ou mal escolhi esse (objeto) que batia de cara comigo: uma invasão de sem-terra. Local: minha cidade, Quedas do Iguaçu, no Paraná, com as ruas nomeadas árvores. Meu rio o Iguaçu, um rio desprestigiado, com eiva de lixos químicos nas origens: muitos acidentes terríveis de percurso (usinas hidrelétricas, refinaria de petróleo, aluvião & agrotóxicos & cataratas) onde Tarobá detonou seus dias sempre iguais pela bela Naipi).

 

provisórios dias de sem-terra

essa a vida repartida

 

Minha poesia rolou por ali entre esporos e protopólipos, nos chãos brutos dos barracos negros. Subiu a velha guajuvira, onde a prima sem-terra embaixo, com três filhas adolescentes, na fina sombra, cerzia os trapos da família. Sondou a cidadela como um OVNI invasor. Minha poesia, doença boa do sono.

Fazer da realidade imediata motivo à poesia nos dias de hoje, é desafio extremamente temerário ao poético, tal a banalização dos eventos/vida.

Ergoluz, a construção começou por si mesma, a um simples comando do fazer. Sou mezzonoergo. Espirnoético. Empíricas as descobertas entre os cercados de taquara lascada. Protonathural o processo de reunião dos elementos. Costuras intransigentes. Nenhum compromisso, senão com a composição deliberada.

 

moscas invasoras forjam moradas

de improviso ao redor do cu

da anta morta

 

Não há medo na arte que se faz com amor. Amei esses barracos negros incendiados de ideologia, bronca ao pobre invasor, na sua cultura dirigida & culta aos preceptores altamente preparados. Luta social, coroada nos fins. Não discuto, complemento. Gáudio coletivo a reconquista. Infiltres de toda sorte. Nichos. Repensagens do processo da posse dita violenta, precária e clandestina, nos códigos (os fósseis) criados pelos homens.

Sagrada a invasão dos espaços da matéria dura da vida. Sagrada a investida febril nos fatos, atos, pensamentos. O poeta e seu caráter messiânico, o instrutor majoritário dos signos no caminho do sem-caminho. O que alardeia significação: objeto x sujeito x subjeto, as linhas tênues do dizer sem precedentes.

Aqui uma realidade, e um salto no escuro e uma projeção de ser. Ali um movimento com seus líderes, sua plêiade de espíritos imbuídos de um mesmo pensar, objetivando a um mesmo fim.

 

sempreterra a palavra vertida

das tocas sujas

pólipos aderidos às sílabas

metáforas com miles de pernas

 

Duas linguagens, muitas linguagens provocadas por um mesmo evento sacro-simbólico, a ocupação no tempo, no vento. O poeta está não-está entre os invasores. O poeta é pai da linguagem invasora sobre o espaço invadido. Práxis. Labor. Resgate de signos híbridos que a vida deixa pelos caminhos. Antropomística a aventura nesses campos que o Senhor prometeu e irá cumprir. O Senhor também me prometeu a superlinguagem phutura e irá cumprir. Já cumpriu. Descumpriu, enliou as coisas. Uma porção de terra para cada um. Uma porção do melhor alimento à :vida: em estado de graça.

Não falei da realidade da pesquisa, da realidade do ver que penetra em tudo: o olho que vê, desvê, revê, transvê e em ato semiótico recompõe o real, admitindo os desvios de ótica do sujeito que conhece (poeta) e em acordo ou desacordo com a estrutura de sua significação.

 

nos relativos do pensamento

um pensamento maldormido

me sacode cedo da cama

 

Este livro (CAPIMIÃ) antecipou a realidade em pelo menos 10 anos. E minha verve proletária, já vinha de vinte anos atrás, rastreando realidades natimortas como era (estava) essa, sob a espada de governos reacionários. O poeta não cobra nada. O poeta cobra o encontro ou desencontro (choque das linguagens) a percepção antecipatória do real, a tomada ou reconsciência do espaço da poesia na contemporaneidade, como órgão detrator de vertigens, verdades, ilusões e augúrios.

Capimiã é prova de que a poesia é elemento também de conquista de chãos únicos, pinça precisa de transcendências alarmadas que o próprio jornalismo onipresente não identifica. Idem os estudos sociológicos, antropológicos… philosóphicos.

A poesia cobra o que é de seu direito: um lugar à mesa, uma cadeira no descampado pra olhar os horizontes nebulosos e denunciar o indizível. A poesia cobra o reconhecimento dos homens, a reverência da humanidade, o reconhecimento dos ideólogos, ovação indistinta (será que cobra!?) um lugar o seu lugar, não-lugar do olhar crítico sobre as coisas. A projeção do artífice que traz ao mundo a face transcendental do signo, antes que a idéia se faça real, antes que o lírio perfume a paisagem. E, atrás do verbo poético correm philósophos, antropólogos, teólogos e pensadores destemidos, aproveitando as sobras esmeriladas das estrelas.

 

no caminho do futuro

um homem a pensar

seu futuro

 

Territórios distintos que se entrelaçam na mesma voragem: a conquista da terra e a conquista da imagem na poesia. Participante a consciência que integra as contradições, que lança-se nos espaços futuros. Performances de saltimbancos, os poemas sujos da matéria do chão, lambehúmidos de luas, crispados de sóis, folheados de verdes, amarelos de grãos. Amareliz amareleziranino.

Passada, hodierna, futura, minha predileção pelo gesto ergoluz, noético, dessa gente na tomada da terra. Tudo a ver com o signo na poesia –o pântano da não-razão- onde o poeta vez que outra pesca anímoras florescências. Tudo a ver com o signo no dia de hoje, a luta pela vida, os pés no chão dos espaços dúbios, que a conquista traz pra perto e equilibra o viver.

A face revolta do signo brinca de invasora. A face precisa do signo só se compromete com a realidade. A face primeva da palavra :vida: ilude, prestidigita o conhecimento. Invasora a poesia, que não pede bexiga pra político, que não manda recados, que não requer autorização ao bispo. Estamos todos mergulhados no lugar de ninguém, no antilugar da vida em opressão, (a globalização traz sim seu chicote invisível contra as diferenças regionais!?) e tudo pode surpreender, expandir, revolucionar nesses espaços.

 

:morte: nós de nós que se habilitam

a vencer a vida

 

O poeta não cobra os louros do assentamento nacional, símbolo heráldico do movimento-vida. O poeta não cobra a vinheta de lambuja na Rede Globo Televisios, o poeta não cobra honorários poéticos pela anunciação. O poeta quer respeito, aplauso, reconhecimento pelo signo abatido no ar como vespa em transfunção. O poeta e as catanas de bambu no duelo contra os baixos espíritos, a história, a verdade opressora do poder sob as nuvens negras.

Faber, exclusivo de Capimiã, prazer em apresentar-me: Jairo Pereira, dublê de pintor e poeta, reinvindico leitores, vocações, militância poética, almas gêmeas no mergulho no pântano dos signos, reinvindico mais, o estado de direito poético frente ao institucional que me faz pagar a letra impressa. O institucional que agrega servilismo a baixo custo. E muito mais, reinvindico mantença da liberdade e acesso aos meios de produção, como gestor majoritário dos signos de minha criação.

Catequese poético-pictórica. Conflição de pensares. Espectros nos espectros. Malboruthu insistente como olheiro cultural nessa região. Garimpador de talentos letárgicos.

 

acidente a imaginação acidente

como a arte transluzida vento ventado

pra dentro do ser

 

Relembro, quando há tempos, eu era aquela sombra escura atrás dos palanques onde “ideólogos” (e tantos outros ativistas) discursavam no movimento estudantil.

O PT esteve sem poeta. O MST afásico no signo belo. Os neoconservadores de mãos limpas, refratários a questão :terra:. Esse tema achei no chão, na valeta que a erosão fez aqui nos fundos de casa, e com meu talento órfico o transformei em canto plúrimo & universal. Cumpri a tarefa endereçada pelo vento. Ou o destino!? Vento. Ventos interiores. Primitivas aparições ao meu espírito. Guturos esquisitos nas grotas abissais da terra. Compus o livro num flux repentino.

 

na amêndoa sementida

do interior do fruto palavra

imagens comprimidas

concentradas significâncias

 

O poeta de Capimiã quer e não quer quase-nada, chamar a atenção para seu filho, este livro de espirithações naturais dos signos com base na dura e fria realidade de uma invasão sem-terra que deu certo.

Hão de dizer, e para que fins se precisa do poeta agora!? Não se precisa mais da palavra-poética, a boba, a iludida, a sã e verdadeira, a que engana o artíficie na poesia & prestidigita o conhecimento. Não precisa e precisa, saber que o MOAB (Movimento dos abduzidos do Brasil) me convocou ao sacrifício, e apareço aí em tua vida real, fora da TV, em tua vida de vendaval, em tuas invasões repentinas aos espaços seculares do conservadorismo remanescente que passa de pai pra filho e que ainda, (pasme!) remanesce.

 

uma larva sou eu

de arrasto pelo chão coloidal

depois da chuva

 

Tive um pesadelo horrível uma noite dessas, o Dr. J. Bettoni, pai da Noergologia – autor do livro *Revolução de Paradigma na Psicologia (aí de Curitiba, de Santa Felicidade) resolveu tratar do poético por sua conta risco e dois poetas amigos meus, não lembro quem (ou se foi apenas mais uma variação do meu espíritho), tentavam dissuadí-lo, sem sucesso. Não guentei e interferi como sempre possessivo, aí não Dr. Bettoni, aí não… e o transe hediondo acabou quando retornamos à não-violenta, precária e clandestina posse do nosso objeto do desejo. A poesia nunca mais iria ser a mesma depois do toque de mãos e conhecimento do mago Bettoni.

 

o ditado não nega sentido

os filhos da terra e das águas

hão de sair sempre às claras

hígidos e resolvidos

 

(Cortei o dedo sem querer com um clip oxidado). Uma mariposa estala sob a luz do abajur de latão. A noite continua grande e fria. Um sapo gordo, aconchega-se numa escavação na horta. Um caracol lambeterno ausculta, entre os pés de couve. As bandeiras tremulam na terra recém-conquistada. Muitos os fugidos, os matados e os machucados. E, se nada der certo, tudo passar em branco, sem o poeta, sem a vida contida nos signos!? E se tudo sagrar-se em vida fora da vida/sofrimento do poeta!? Perguntas e respostas nesta vida é o que fica, ficarão. Deixa quieto, como diz o meu amigo Betão da Pedreira Guarani, aqui de Quedas do Iguaçu. Deixa quieto…

Poesia, extrato de experiências cósmicas, produto fenomênico do pensamento, extrema liberdade da linguagem, passos na lama e cal, deixa quieto, no fundo o poeta só quer mesmo escrever & sonhar.

 

é será de capimiã

nossa vida nesses chãos litigiosos

capimiã nossos corpos rasteiros e

fecundos.

 

 

 

jAirO pEreIrA, poeta

Autor de O abduzido, Capimiã,

O antilugar da poesia e outros.

 

 

FANTASIA poema de leonardo meimes

Fantasia

 

 

Nos bailes que a vida promove

Esta cada vez mais comum

O uso de mascaras e fantasias

Nestes nunca mostram o rosto

E é incrível como conseguem ser outros

A cada rima.

 

Num momento eles são tristes

Suas lagrimas caem como se fossem folhas no outono

Cada uma flutua por segundos no ar

Para que quem chora possa contemplá-las.

 

No outro momento são alegria

Ai quem os segure

Fazem tudo que der na telha.

 

Tornam-se grandes, imponentes

Delicados e frágeis quando precisam

Mas tudo sempre é alegoria.

 

Não passa de sonho

Muitas fantasias

Todas combinando

Com cada vida!

 

Nas danças são os mesmos

Não podem dançar todas

Lógico, existem os que são profissionais

 Nem se percebe que sãos os do Mambo

 Dançando a Valsa.

 

Particularmente

Não posso dançar todas

Mas as que não conheço

Faço o impossível e danço

No melhor passo que me lembro!

O passo aleijado, o passo de molejo,

Ao som de um realejo.

 

“Ó prenda minha, me leva para casa

Cansei de ser quem fui hoje!

Arranje-me um novo terno

E serei doutor por instante

Ministro do governo

Ou um negociante!”

 

Nos bailes que a vida promove

Não se usa o nome de pia

Se alguém é famoso, sou irmão dele

Se o sujeito faz alvoroço, conheço de peito

Só não me faço de bobo, nem de prefeito,

Pois esses são leigos, não pego o jeito.

 

Cada dia passa sem perceber

Que muitas destas mascaras estão pra cair

Mas elas fogem sempre

 Para as sombras

Lá irão esperar um novo baile

E vão bailar, e bailar!

POEMA de bárbara lia

Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinski atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira, eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco, eu a olhar estrelas.
E quando secar a minha casa?
E como secar meu coração?

TAVINHO PAES comenta a MORTE DE FAUSTO WOLLF

COMENTÁRIO:

 Tavinho Paes:

 … é com profundo pesar que retiro isso do baú…

… escrevi isto há 10 anos atrás, no meu primeiro site…
… uma reportagem ao vivo com FAUSTO WOLF, escrita à moda cibernética…
… a quem interessar possa!

quem tem mêdo de Fausto Wolf?
por: TAVINHO PAES
publicado no http://www.cultLinkClub.com.br - 1997

…que estamos vivendo tempos muito difíceis, todo mundo sabe.
O problema é que ninguém quer (ou pelo menos está se esquivando) se incomodar com isso para não discordar da maioria e ter, como castigo, que andar por aí falando sobre o assunto com cabos eleitorais do PT, do PSTU, do PCdoB, etc…

A recessão e o desemprego, associadas à celeuma institucional do planalto (onde cada partido quer tirar proveito da situação para figurar bem nas próximas eleições) estão minando lenta e paulatinamente as esperanças dos brasileiros, além de estar levando muita gente à bancarrota, à loucura e ao crime. Isto quando não estão matando de fome e indignação a gente humilde que nosso hino garante que tem braço forte e não foge à luta e/ou prostituindo crianças em nome da Indústria do turismo, para a qual nossa vocaçào tem sido constantemente citada na esplanada dos Ministérios.

O dinheiro está emperrado e armazenado nos ativos fictícios das empresas.
Como é do conhecimento geral, os ricos (que apoiam este o lado selvagem do modelo econômico do Real através de institutos corporativos como a FIESP) não pagam suas contas nem seus impostos (a caixa 2 tem mas recursos que todos os Fundos de pensão juntos) e cagam solenemente para quem as cobram, pois conhecem a prática legal dos embargos (para as quais os desembargadores deveriam dedicar seu tempo de serviço) e contratam advogados hábeis em manter os Processos Cíveis e/ou Penais andando a passo de tartaruga.

Os intermediários, atingidos por tabela, repetem o exemplo de seus suzeranos e também não coçam o bolso para pagar os salários de seus serventes.

Na ponta, os comerciantes e produtores são obrigados a demitir para manterem suas metas orçamentárias e de faturamento, além de compensar a depreciação de suas máquinas e garantirem algum investimento para não perder capacidade competitiva frente aos importados (que, a partir deste lindo empréstimo de U$D 41,5 bilhões negociado pelas malas dos Malans, vão chegar à nossa casa com liberdades e incentivos fiscais inimagináveis).

A bruxa está solta e os economistas dando as cartas num jogo em que as fichas já foram distribuidas a quem tem competência para apostar.
Temos que encapsular grossos supositórios à seco.

O discurso neo-liberal e as medidas planejadas pelos guarda-livros que tomaram conta da economia globalizada no país estão invadindo nossos lares como os marcianos entrevistos no famoso programa de rádio de Orson Welles.

Somos levados a acreditar que a queda da bolsa de Tóquio é capaz de criar sérios problemas para a economia doméstica de um padeiro em Roraima, um dono de botequim em Tocantins, e… até mesmo do dono da boca-de-fumo de uma grande favela na periferia de São Paulo é atingido pela variação da Bolsa da Malásia.

O simples fato da Rússia ter peitado o mundo e declarado uma moratória de prazo indeterminado, afetou a vida das empregadas domésticas de Pernambuco, dos garçons de um bar na favela da Rocinha e dos catadores de siri dos manguezais do Rio Sergipe.

Se, na Indonésia, um banqueiro, cujo banco não tem filiais por aqui, falir, o emprego dos bóias-frias paranaenses estará ameaçado; os porteiros dos prédios à beira-mar, em Fortaleza, terão que renegociar seus salários; os comerciantes que aderiram ao Imposto “SIMPLES”, da SEBRAE, terão suas alíquotas exponencialmente aumentadas e sua atividade micro-empresarial fadada ao transtorno de recorrer a demissões para evitar a falência.

Resultado: está todo mundo duro, tentando manter a pose e fazendo o possível para untar o ânus com manteiga e aguentar a trôlha com o que resta de digninade e vergonha na cara.

1. o parlatório

Tais considerações não são exatamente minhas, embora tenha eu sido seu instrumento na redação e na divulgação de suas teses e idéias. O que estou colocando no ar são temas apontados pelo escritor Fausto Wolf, uma das melhores cabeças críticas do nosso jornalismo, no reservado segundo piso do Restaurante Florentino (Leblon-Rio) – uma espécie de Piantella carioca, onde, além de políticos, é frequentado por grandes jornalistas, artistas, poetas etc… Nesta noite, Chico Caruso lançava um livro com cartuns realizados durante a primeira gestão do re-eleito Fernando Henrique. Muitos acharam que ele exagerou; a seu fígado, atormentado pelo whisky 12 anos da boca-livre, produziu bílis em excesso. Havia uma festa em volta da mesa em que Fausto exibiu sua língua de fogo…

Fausto Wolf tem uma obra literária que, queiram ou não queiram, lhe garantiria confortavelmente uma cadeira na Academia, se este fosse um de seus alvos e desejos em vida. Entretanto, lutando contra uma ponta de faca afiada pelo analfabetismo e pela arrogância dos fisiológicos que se instalaram definitivamente no poder (público e privado) Fausto suporta sua amargura e sua decepção com a postura de um leão.

Não é um imbecil, não tem saco para carolas, não engole sapos e, ao contrário dos que tentam diminuí-lo, taxando-o de bêbado, não bebe para esquecer; muito pelo contrário: cada dose de whisky que ele toma o torna mais arguto e raivoso, o que, para um homem inteligente como ele, se torna um perigo para os contempladores da ideologia do “foda-se os outros desde que eu leve o meu” praticada com sadismo e competência pelo lumpesinato pequeno-burguês transmutado em classe média que povoa a nação.

Naquela noite feliz, remando contra a maré, Fausto levantou a cruel hipótese de que estamos vivendo numa “Ditadura” cínica e fantasmagórica, com bases firmemente cravadas nos “furos” da Constituição-Cidadã de 88, cuja maioria de leis que deveriam favorecer as aclamadas e legítimas exigências que a esquerda supunha ser próprias do povo humilhado ficaram dependendo de regulamentação através de leis ordinárias a serem votadas no Congresso e no Senado; o que, em consequência, propiciou a política das Medidas Provisórias e aos acordos de gabinete que governam o país dos anões-do-orçamento desde então.

Neste sentido, Fausto é brilhante em denunciar que vivemos à merçê uma “Democracia de Gabinete” e uma “Ditadura Neo-Liberal de Medidas Provisórias”, contra as quais o povo só pode se defender através de seus representantes; o que, diante da manipulação das eleições (transformadas em instrumentos de uma política de mercado à mercê das agências de publicidade e lobbies empresariais) não é grande coisa, afinal, não temos nenhum grupo de ninjas no Congresso que resista e não sucumba à maracutaia patrocinada pelos “jetons” e “propinas” empresariais de Brasília.

2. A Lista do Fausto

Para quem estava no bar disposto a se divertir, o anunciar de uma desgraça soou pesado e fora de contexto, mas, horas depois, refletindo sobre o que nos falou o poderoso articulista, creio que todos devem ter surpreendido suas consciências incomodadas com os fatos levantados por ele.

Observando com olho de lince as entrelinhas da crise nacional, Fausto Wolf identifica paralelismos da situação atual com as angústias dos tempos da repressão.
Segundo ele, por exemplo, a “tortura” amplamente realizada por membros das corporações militares envolvidas diretamente com o Poder Executivo usurpado pelo Golpe de Estado de 64, hoje em dia, assim como a maioria dos serviços bancários, foi terceirizada para o próprio cidadão.
Cabe a ele auto-torturar-se sem piedade.
Veja bem as frases que anotei dele nesta noite:

– Não há mais necessidade de choques elétricos (bastam os choques econômicos);

– Não vão mais precisar enfiar coisas nos genitais das guerrilheiras (basta deixá-las tentar a vida na prostituição ou ver suas filhas à mercê da tara de estrangeiros nas melhores praias do país);

– Não se fazem necessários os paus-de-arara (basta o sujeito se pendurar em dívidas com agiotas, cartões de crédito, cheques especiais e esperar que eles mandem seus cachorros virem cobrar – na maioria dos casos, mandam ex-policiais afastados da tropa por crimes que a Justiça Militar ou anistiados pela lei que muitos lutaram para voltarem do exílio e nunca mais irem às cadeias por lutar pela democracia: tudo em nome do boa imagem da corporação que se deixou de julgar com procedência);

– Não é preciso lobotomizar os líderes das esquerdas (basta monitorá-los através dos próprios movimentos que eles resolvem articular e infiltar em suas hostes traficantes de armas e drogas; ou então, basta arranjar empregos públicos para eles, com bom salário e pouco tempo para se dedicarem à militância que, em menos de um semestre ele mesmo se condena e submerge decadente à primeira crise de alcoolismo);

– Não é preciso matar e esconder os cadáveres em cemitérios clandestinos (basta se expor ao poder dos que utilizam serviços de matadores de aluguel, se misturar aos esfomeados do Triângulo da Seca; ou, simplesmente, ter que levar a família para viver entre os caciques do narco-tráfico que mandam nas favelas das grandes cidades)…

Outras coisas também ficaram claras no discurso impiedoso de Fausto: a “Censura”, por exemplo, não acabou.
Hoje, está maquiada e estabelecida pela manutenção dos baixos índices de alfabetização e as baixas notas dos provões universitários.

O ôba-ôba que tomou conta da classe média levou à marginalização a grande maioria das pessoas que pensam e discutem problemas considerados “baixo-astral” pelo lumpesinato que corteja e baba-ovos das elites encasteladas.

Ninguém censura a notícia de que o PROER emprestou dinheiro a canalhas de sobrenomes alegóricos e salvou da cadeia gente como os donos do Banco Nacional e do Econômico. O que está veladamente interdito é a expressão indignada de quem assiste o este carnaval de grosserias e é levado a ter que contemplar passivamente o imbroglio, aceitar passivamente que os beneficiados destas grandes maracutaias continuem merecendo o padrão de vida que conquistaram furtanto os outros e esquecer um assunto que, até segunda ordem, não é da sua alçada.

Reclamar ou tratar destes assuntos pode torná-lo indesejado nas rodas sociais modernas: corre-se o risco de ser considerado um “chato” por amigos e parceiros de boemia, mais interessados no ânus da Tiazinha do que em papao de política.

Fausto Wolf não afirma que estamos com mordaças na boca, mas garante que, na maré de atitudes elegantes protocolada pelo sociólogo Fernando Henrique, tornou-se vital se portar com discreção absoluta quando a discussào chegar aos assuntos políticos, bem como permanecer fiel ao ponto-de-vista de quem usa antôlhos e acredita que, apesar do sacrifício exigido, a nação sairá vitoriosa num futuro tão próximo quanto o da descoberta da vacina contra a AIDS.

Naquela noite de festa, apesar de ter sido um tanto desagradável, Fausto Wolf traçou uma série de comparações entre os anos de chumbo do Regime Militar e os atuais anos de Democracia Lacaniana (o termo é dele):

– O que chamávamos de “Imperialismo”, por exemplo, foi tranquilamente substituido pelo conceito de “franchising” e tornou-se responsável por uma série de bons negócios avidamente desejados por emergentes (ninguém percebe, discute ou reconhece a drenagem das riquezas nacionais por trás desta fachada de oportunidades profissionais).

– O PMDB deixou de ser “histórico” para oferecer à História gente como Sarney, Inocêncio de Oliveira, Itamar Franco…

– A guerrilha, quando não está disciplinada pelas doutrinas do MST (aliás, única rebeldia digna de respeito em ação no país) saiu do Araguaia e levou sua luta armada aos morros, substituindo armas soviéticas (comunistas) por tecnologia israelense e norte-americana…

– Até o Miguel Arraes acabou se misturando com o Maluf, no caso dos precatórios (mais uma bandaleira que não deu em nada).

– O “hippie” perdeu a guerra para o “yuppie”…

3. quem tem mêdo de Fausto Wolf?

Quem ousaria chamar publicamente Fernando Henrique Cardoso de Filho da Puta?

Quem seria este mal-educado, de mal com a vida e sem capacidade de crescer com as inúmeras e maravilhosas oportunidades criadas pela moeda forte que ele nos doou como um ícone de sua saúde política?
Quem tem peito e fôlego para encarar a máquina de comunicação político-social do governo, cujos tentáculos vão da Rede Globo às redações dos principais jornais?
Quem acredita mesmo que, ficando na sua, deixando o barco correr sem se comprometer com nada, vai herdar um país como o prometido pela campanha do re-eleito e seus pares?

Quem tem coragem para agir e pensar como Fausto Wolf?

veja a notícia: AQUI

NOVOS PRODUTOS e PIC NIC – mini contos de raimundo rolim

Novos produtos

 

Os alto-falantes, rádios e televisões anunciavam para breve o novo produto. O interesse era geral e os fabricantes bem sabiam disso. Aliás, há anos que se alardeava ter sido descoberto o processo pelo qual um dia, todos deixariam as velhas células no ralo, enquanto outras, saltitantes de tão novinhas, apareceriam assim, de estalo, para espanto e felicidade geral. E isto em apenas alguns minutos, após secarem-se do pós-banho com toalhas felpudas. O tal produto químico aprovado por especialistas de todos os países em congresso que se pretendera universal, foi adicionado em todas as reservas de água: mananciais, nascentes e olhos d´água.. Um único fato absolutamente imprevisto: A lua mudou justamente naquele dia e não constava da bula nem dos cálculos confidenciais. E a ninguém foi dado recuperar a antiga cobertura de pele. Problema! Parece que é sempre bom cuidar-se com novos produtos… Ou não?

                                                                      

             Pic nic

 

Venham todos, é a última chance… Venham, corram, não deixem para a última hora que pode faltar! Não desperdicem, é agora ou nunca! Rápido, apressem-se, avisem a todos que encontrarem pelo caminho! Mandem garrafas ao mar, balões com as devidas inscrições pelos desertos; façam saltar os pára-quedistas por regiões inacessíveis, levem as boas novas; pois hoje e somente hoje teremos: Pipoca ao Molho Pardo da vovó Dindinha com direito a reprise e mais Molho Pardo da vovó Dindinha aos que gostarem por demais. Não esqueçam de levar guardanapo e talheres. A canja será servida antes, muito antes que o amor da vovó se acabe. Depois não terá mais a mínima graça! Nem a vovó se importará tanto. (Pura falta de conhecimento sobre marketing e sobre alguns assuntos, digamos, mais pragmáticos) Argh!

 

 

São Paulo ganha nova galeria e RETTA inaugura

 

 

Sob curadoria de Sheila Farah, será inaugurada na próxima semana a Experimenta, galeria de arte experimental que terá o artista curitibano, e ex-publicitário, Retta Rettamozo assinando a exposição Jardim do Sorriso Interior. Ocupando uma área de cerca de 350 m2, o novo espaço cultural está instalado no Jardim Europa, Rua Gumercindo Saraiva 54. A exposição de Retta ficará em cartaz de 03 a 13 de setembro.

Retta é ex publicitário, profissional de criação de agências bacanas, que largou tudo e agora é só artista. Pinta, borda, compõe, é músico, cenógrafo, escritor, poeta…. .

Obras suas entraram na exposição Arte Com Questão - Anos 70, que aconteceu no ano passado no Instituto Tomie Otahke, já participou da Bienal de São Paulo e outras mais.

Esta exposição é o resultado do projeto Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito criada por ele, que pretende mostrar o mundo por outro ângulo que não o nosso normal, horizontal, explorando as sombras. As cenas são vistas sempre de cima, um sobrevôo sobre o mundo. Usa sobre a tela uma mistura de terra de vários lugares do Paraná, misturada ao óleo de cravo, massa plástica, bicarbonato de sódio, barro e detergente biodegradável, entre outras substâncias.

A Galeria Experimenta é um espaço dedicado à arte experimental e aos trabalhos mais ousados de artistas já consagrados.

A fusão de mídias, técnicas, temas e a liberdade na utilização do espaço, pautarão a agenda que apresentará mostras de fotografia, pintura, desenho, escultura, cinema, vídeo, música, poesia…todas as expressões artísticas reunidas.

EXPOSIÇÃO: Jardim do Sorriso Interior, projeto de Retta Rettamozo
PERÍODO: de 02 a 13 de setembro                  
Vernissage dia 02 de setembro às 19h

LOCAL: Galeria Experimenta – Rua Gumercindo Saraiva, 54- Jd. Europa – fone 3086-0141
HORÁRIO: segunda a sexta das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h
ESTACIONAMENTO: terceirizado 

NOTA DO EDITOR: retta é um artista visual, gaúcho, residente em Curitiba. o site PALAVRAS, TODAS PALAVRAS dos PALAVREIROSA DA HORA cumprimenta o multi artista que tem uma página exclusiva neste espaço. veja: AQUI

CARTA ABERTA à JB VIDAL – por helio freitas

 

Carta aberta ao Vidal

 

Se as diferenças unem, como há quem afirme, esta carta aberta dialeticamente contribuirá para solidificar uma amizade recente mas autêntica. Meu caro Vidal: você tem todo o direito de reivindicar fumo e bebida para os poetas nos eventos no espaço do mecenas Cadri (o “Alberto Massuda”, na Trajano Reis, para que ninguém fique por fora). A maioria gosta e também não sou um abstêmio radical, embora anti-tabagista intransigente, pois fiquei órfâo de pai “graças” aos quatro maços que ele fumava por dia. Como idealista, poeta impetuoso e dionisíaco, além de devotado webmaster deste blog, meu respeito é grande por você e não seria eu a atirar a primeira pedra. Pelo contrário, até quero lembrar que vinho e poesia estão ligados há milênios. Seis séculos antes de Cristo, bradava o Vidal grego da época, chamado Alceu:

 

“Bebamos! Por que aguardarmos as lanternas? Já só há

um palmo de dia. Retira, célere, dos pregos as grandes taças.

O vinho que dissipa aflições, doou-o aos homens o filho

de Zeus e de Sêmele (* Dionisos*). Deita-o nas taças, uma parte para duas

cheias até a borda, e que um cálice

empurre o outro”

 

Esta outra tradução parece melhor:

 

“Bebamos; porque a lâmpada esperar? Um átimo o dia.

Empunha as taças, bem-amado, as grandes, multilavradas,

pois vinho o filho de Sêmele e Zeus a esquecer males

aos homens deu; mistura uma de vinho e duas de água

e enche até o gargalo; e que uma outra taça esta outra

empurre…”

 

A particularidade é que na Grécia antiga, como em Roma, ninguém bebia vinho sem misturar com água. Com um pouco de açúcar, foi esse “ refresco”  que várias vezes saboreei na infância. Hoje, não sendo padre, pastor, médico, nem bom samaritano, não vou falar dos males do álcool e do fumo para um amigo já bem crescidinho e ainda por cima gaúcho bravo e brabo. Mas é aí, no gauchismo, que a porca torce o rabo,  já que pretendo rememorar o paralelo entre paranaenses e gaúchos, feito por Arthur Tramujas Neto, promotor de justiça prematuramente falecido, e que não deve ficar soterrado no pó do esquecimento. E, se me for permitido, daqui p’ra frente passo a palavra ao jornalista Aramis Millarch, grande amigo também morto no vigor da idade e que dizia na célebre coluna “Tablóide”, hoje inteiramente digitalizada e disponível na Internet graças ao filho Francisco e viúva Marilena:

“Tramujas diz que o gauchismo é nosso

…Paranaense de União da Vitória, curtindo e valorizando as coisas do Interior, Tramujas Neto não acha que o Paraná esteja se “gauchizando” apenas agora, e faz uma observação interessante… Assim diz Tramujas, que “existem no Paraná duas culturas bastante distintas, e que, na realidade, dividem o país justamente onde o clima muda; no meio, praticamente, do Paraná, onde desaparece o país tropical” e começa um Brasil temperado ou quase isso, um Brasil menos português. A cultura “caipira”, assim chamada e objeto de interessantíssimos estudos, impera no Norte do Paraná, como em São Paulo, maior parte de Minhas Gerais, metade do Espírito Santo e até mesmo boa parte do Estado do Rio de Janeiro. É a cultura do “Jeca Tatu”, do Tonico e Tinoco, do Leo Canhoto e Robertinho, da viola com aquela afinação que tão bem se conhece”.

“Na região Sul do Estado existe uma única cultura, tipicamente sulina, típica dos planaltos frios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Pode-se chamá-la até de cultura “gaúcha”, desde que não se ligue a palavra “gaúcho” ao Rio Grande do Sul exclusivamente, que é o que normalmente se faz. E desde que se saiba que o termo é castelhano, trazido por espanhóis das ilhas Canárias que por volta do século XVIII foram habitar a região de Montevidéu e que chamavam de “guanches” aos errantes mestiços de índios espanhóis que vagavam pelo pampa”. Tramujas lembra que “gaúcho” é o símbolo nacional da Argentina (como do Uruguai), onde a palavra tem, hoje, ao contrário de ontem, o sentido de lisura, de honradez e até de meiguice (“Juan es un tipo bueno, es un tipo gaucho, macanudo te dás cuenta?…”). “gaúcho” está imortalizado no épico poema “Martin Fierro”.

… Tramujas volta ao nosso Estado para observar:

- “Esqueçamos a região Oeste do Paraná, colonizada por gaúchos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ainda muito ligados a seus municípios de origem, por tudo muito parecidos com nós do lado de cá. Encaremos o Paraná tradicional, aquele que vai até Clevelândia, até Guarapuava, até Pitanga, até Telêmaco Borba, até Jaguariaíva. Ou seja, o Paraná que existia antes da maravilhosa explosão do Norte, do Oeste, do Sudoeste.

- Que Paraná é esse, o tradicional? Bem, este é o Paraná da erva-mate, do chimarrão, da geada, do poncho, do vanerão, do xote, da vanera, da gaita, do pinhão, do quentão de vinho e gemada, da araucária, do cedrinho, da bracatinga, e, às vezes, da neve. É o Paraná do leite-quente, do polaco, do italiano, do alemão”.

Homem do Interior, orgulhoso de suas origens, diz:

- “Quem cresceu no Interior, como eu, conhece xote e vanerão desde “piá” (a palavra “piá”, guarani, vem de tchê-piá, meu coração, a significar, como “china , vem de tche-ina, para as meninas), tomou chimarrão desde sempre (o Paraná é o maior produtor de erva-mate até hoje no país e a árvore é natural daqui), sem que isso tivesse qualquer ligação com o Rio Grande do Sul, no sentido de que esses costumes tenham vindo de lá. Muito pelo contrário. O chimarrão, por exemplo, seu uso como o fazemos hoje, erva e água quente (e nunca fervendo), os curitibanos aprenderam com os índios que aqui viviam e levaram, quando tropeiros, o hábito para o Rio Grande e o Uruguai; de onde se conhecia o hábito através dos índios guaranis que habitavam as margens dos Rios Paraná (já em território argentino) e Uruguai, porém com a forma de tererê, isto é, tomavam-no com água fria, como usam até hoje no Paraguai. Tão somente os guaranis do planalto frio o tomavam com água quente (quando não o mastigavam), o que, aliás, torna-o bastante diferente do tererê quente quanto a sabor e propriedades”.

Nostálgico, Tramujas Neto recorda que “os ritmos do xote, do vanerão, da rancheira, etc., estão entre nós desde sempre. Curitiba, ao cosmopolitizar-se (infelizmente) perdeu muito. Perdeu suas casas de lambrequins, perdeu o fogão de lenha e com ele a sapecada de pinhão e a chaleira de água quente sempre pronta para um bom mate (O mate está em nossa bandeira estadual, é bom lembrar!). No entanto, em muitos bairros ainda vive o hábito e na minha casa está mais vivo que nunca (meus dois guris tomam). No interior, apesar das redes Globo da vida, impondo sotaques, truques e modismos que nada tem a ver conosco, o nosso som de cada dia jamais morreu, sempre esteve por aqui. O que acontece é que, no Rio Grande, o pessoal já se assumiu há muito tempo e passou a gostar de ser o que é”.

… Tramujas protesta:

- “Já ouvi, desgraçadamente, várias vezes, e de gente que se julga culta, que Curitiba e o Paraná não possuem identidade cultural. Isso só significa que essas pessoas fecham os olhos (talvez porque não gostem do que vejam) para o “povão” (o termo é vulgar e enfadonho, concordo), buscando identificar-se com coisas outras que, talvez na sua infeliz ignorância e falta de amor ao próximo, admirem. Mais, mostra o quanto o salutar hábito da leitura está pouco difundido na cidade. Basta ler textos antigos, basta ler Saint-Hillaire, Roberto Avé-Allemand, etc., em suas visitas ao Paraná, enfim, basta um pouco de atenção a leitura histórica local, para que se compreenda que chimarrão, vanerão, ponchos e até mesmo as bombachas, jamais foram exclusividade do Rio Grande do Sul, que estão presentes entre nós há séculos, arraigados na cultura campeira paranaense, no Paraná tradicional.

É em razão desta identidade cultural, que sem dúvida, une nós paranaenses do Paraná tradicional ao Oeste e Sudoeste do Estado, como ao planalto catarinense e rio grandense, e ainda ao Uruguai e a Argentina – (principalmente à “mesopotâmia”, ou províncias do Litoral – Entre Rios, Corrientes e Misiones, como dizem eles), que o nativismo do Rio Grande está encontrando tanto espaço aqui. Tudo bem. Bem-vindos aqueles gaúchos. Mas o que trazem não é novidade. É só roupa nova. E de ótima qualidade, diga-se”.

E assim transcrevendo, julgando atualíssimas as colocações do Tramujas, coloco ponto final nesta carta aberta, sem nenhum intuito de provocação que não seja o da saudável troca de idéias com os inteligentes amigos palavreiros, aglutinados neste blog do qual você, Vidal, mais do que webmaster, é o enérgico demiurgo.

 

HELIO FREITAS

7/9/2008

                      foto livre. ilustração do site. clique na foto.

“OS CAFUNDÓ” encerra temporada neste domingo/São Paulo, cap.

 

O clima do interior mineiro é o ponto forte da peça “Os Cafundó”, que encerra temporada neste domingo no teatro Imprensa, em São Paulo. A comédia musical da Cia. Dedo de Prosa abusa da simplicidade de uma gente que não tem nada de boba.

O charme da montagem fica por conta da sonoplastia, que é feita pelos próprios atores no pequeno palco do Espaço Vitrine, criando um clima de cumplicidade com a platéia tão próxima. O cenário, em tons pastéis, reproduz uma casa de pau-a-pique, com quintal de chão coberto de folhas secas.

A encenação gira em torno do namoro entre dois jovens e o famigerado pedido de casamento feito pelo noivo ao pai protetor. Tudo é de uma pureza difícil de acreditar que ainda exista em nossos tempos.

A comédia musical é inspirada na obra “A Roça”, de Belmiro Braga, e tem direção de Francisco Bretãs. A direção musical é de Paulo Bordhin, que também integra o elenco, ao lado de Gabriel Godoy, Fernanda Viacava, Helder Mariani, Paulo Bordhin, Renata Fontes e Vânia Borges.

Os Cafundó
Quando: sábado, 21h; domingo, 19h (até 7/9)
Onde: Espaço Vitrine do teatro Imprensa (r. Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo; tel. 0/xx/11/3241-4203; classificação 12 anos)
Quanto: R$ 20

Corpo do jornalista Fausto Wolff está sendo velado no cemitério São João Batista/RJ


O corpo do jornalista gaúcho Fausto Wolff –cujo nome real era Faustin von Wolffenbüttel–, que morreu nesta sexta de disfunção múltipla dos órgãos, será velado a partir do começo da noite deste sábado, na capela 1 do cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio.

A administração do cemitério informou à Folha Online que o velório está previsto para começar às 18h e será aberto ao público.

O corpo deverá ser cremado neste domingo, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na região portuária do Rio. O horário para a cerimônia ainda não foi definido.

Fausto Wolff era jornalista desde os 14 anos, quando começou a carreira como repórter policial no Rio Grande do Sul. Ele foi editor do semanário “O Pasquim”. Participou da reedição do jornal em 2002, batizado de “O Pasquim 21″, ao lado de Zélio e Ziraldo Alves Pinto.

Atualmente era colunista do Caderno B do “Jornal do Brasil” –sempre defensor do pensamento esquerdista. Ele escreveu mais de 20 livros, entre contos, poesias ensaios e literatura infantil.

O jornalista era casado com a psicanalista e escritora Mônica Tolipan. Ele deixou ainda duas filhas e dois netos.

 

folha on-line. 

ARMAÇÕES ELEITORAIS por alceu sperança

As armações eleitorais

Dedicado à memória do jornalista Fausto Wolff

 

A ilusão eleitoral burguesa começa pela idéia de que tudo vai melhorar ao eleger alguém que uma elite dirigente impôs como candidato. Tornou-se popular o ditado “quem vê como a salsicha é feita, nunca mais come uma”. Se o povo conseguisse ver como os candidatos são feitos, também dificilmente os engoliria. Mas é esse o modelo que nos impuseram. Engula quem quiser.

Essa ilusão eleitoral é acompanhada por muitas outras ilusões, as “armações” de campanha. Não é possível abordar todas, mas vamos às principais:

1. Dourar a pílula – Primeiro, a elite dirigente do partido impõe o candidato ou ele resolve sozinho ser candidato. Depois, o partido sai de cena e entra o marketeiro. Se o candidato é nervoso, toma umas pílulas e diz palavras com voz suave. Se é um banana, é aconselhado a gesticular para dar ênfase às palavras moles. O candidato vira marca de iogurte ou sabonete.

2. O ficha-suja – É difícil alguém que já tenha exercido o poder manter a ficha limpa. Sempre tem um descontente que vai lá e tasca um processo nas costas do sujeito. Geralmente ele merece, mas às vezes pode se dar o caso de um aloprado me processar por atitude antidemocrática por afirmar que as eleições são uma ilusão e, assim, sujar a minha ficha.

3. O garanhão – Para melindrar os setores igrejeiros e conservadores, a melhor armação é a história da amante que o candidato tem em cada bairro. As esposas estressadas e com TPM caem como patinhas na esparrela e cria-se uma crise conjugal na família do candidato. Uns têm mesmo, e se vangloriam disso.

4. Os dossiês – Mistura-se verdades com mentiras, mais meias mentiras que meias verdades, e tem-se uma biografia não-autorizada do candidato.

5. Os apócrifos – Variação dos dossiês, falsos jornais caluniosos distribuídos em massa. São os marketeiros ao contrário: ao invés de dourar a pílula, eles a estragam de vez.

6. Os filhos bastardos – Uma variação do garanhão, o candidato passa a ter um filho em cada bairro. Mães solteiras pobres e necessitadas são facilmente aliciadas para jurar que o filho é do cara. Uns têm, mesmo, e se vangloriam disso.

7. O toma-lá-dá-cá – Fulano sem chances eleitorais pegou de Beltrano 200 mil para “bater” em Sicrano nos debates eleitorais. As pessoas acreditam porque os candidatos sempre escolhem alguém no qual bater e tem safado que realmente se vende.

8. Nome de Deus em vão – A maior armação, contudo, é a que os candidatos fazem com o eleitor, ao ficar repetindo o nome de Deus em vão. Se eles não respeitam a própria Bíblia, que proíbe essa malandragem, como querem que as pessoas acreditem neles?

 

Alceu A. Sperança é escritor.

Rumorejando (Felicidades para a Juliana Paes augurando) por josé zokner (juca)

 

Constatação I

Quando a gatona recusou o convite do obcecado para irem para um motel, sob a alegação que ela só iria depois das bênçãos dos sagrados laços do matrimônio, ele retrucou incontinente: “Mas você ainda tem idéias medievais obscurantistas, retrógradas, anacrônicas, reacionárias, tradicionalistas, conservadoras em plena época da liberação feminina?” E completou com dicção, voz empolada, com afetação de candidato no palanque: “Liberação não é libertinagem!”

Constatação II (Via pseudo-haicai).

Fecho a porta, lá, no motel

E, a sós com ela, até rememoro

Que existe o bom Papai Noel.

Constatação III

Rico tem saliva; pobre, cuspe (Perdão, leitores).

Constatação IV

Rico dialoga; pobre, discute.

Constatação V

E como elucubrava o septuagenário, ex-sexagenário, qüinquagenário, etc.: “Depois de certa idade a gente tem o direito de adquirir determinadas manias, inclusive e até o de ser um pouco, não mais que um pouco, gagá”.

Constatação VI

Tem gente que nasce para f. com a paciência alheia; tem gente que vive se f; tem gente que nunca se f. na vida e tem gente que nunca amou em toda a sua vida. Coitados(as).

Constatação VII

Em certos países, os deputados e senadores, também, são politicamente incorretos.

Constatação VIII

Rico refocila*; pobre é preguiçoso.

*Refocilar = Descansar; repousar.

Constatação IX

Não se pode confundir climático com cinemático, muito embora o aquecimento climático esteja nos levando de modo cinemático ligeiro para o caos total. A recíproca pode ser verdadeira, como por exemplo, o caso de um relacionamento amoroso com, pelo menos, beijos e abraços que pode conduzir a um esquema climático que de caos não tem absolutamente nada…

Constatação X

Não se pode confundir tradição “confuncional” com traição confusional, até porque o primeiro ocorre, normalmente, na China e o segundo, comumente, em qualquer país do mundo, muito provavelmente, também na China. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho – explícita e esclarecedoramente – dito.

Constatação XI

E não se pode confundir decente com docente, até porque o que se paga a quem é docente, seja a fonte pagadora governo ou particular, está longe, muito longe, de ser decente. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Afinal, nem todo decente ou indecente está ligado à docência. Basta ver o que tem acontecido no Executivo, Legislativo e Judiciário de certos países…

Constatação XII

Rico é apaixonado; pobre, galinha.

Constatação XII (Dúvida crucial).

Será que os passageiros de disco voador, lá na terra deles, têm atrasos nos aeroportos iguais aos aeroportos dos terráqueos? Quem já foi abduzido ou convidado gentilmente e deu uma volta num, assim chamado, objeto voador não identificado, por favor, cartas a este assim chamado escriba, através do blog http://rimasprimas.blogspot.com/  para esclarecer aos nossos prezados leitores que se interessam pelo assunto. Obrigado.

Constatação XIV (Para os amigos Ernani Buchmann, Gerson Barão e Nireu Teixeira).

Um sujeito lá do nordeste,

Nascido em Pernambuco

Não um cabra da peste,

Tampouco um cafajeste

Muito bem-educado,

Contudo algo ousado,

Me provocou,

Me desafiou

Para jogar um truco,

Aprendido não em Cabul,

Porém aqui no sul

Onde se tem sempre jogado.

Por modéstia,

Não vou comentar o resultado

Porém o cara anda com moléstia

Totalmente desorientado,

Perdeu até o rebolado

E aquele ar empafiado.

Coitado!

Constatação XV

Rico é discreto; pobre, afetado.

Constatação XVI (De mais uma dúvida crucial).

Será que somente em nosso país é que existe brasileiros que gostam de jarro onde podem pôr a pata, digo, a mão? Quem souber a resposta, por favor  comunicar este assim chamado escriba (nunca é demais repetir), através do blog (www.rimasprimas.blogspot.com).

Constatação XVII

Não se pode confundir embate com empate, até porque nem todo embate acaba em empate. No caso do meu time, o Paraná, se a partida acabar em empate já representará uma grande vitória…

Constatação XVIII

Deu na mídia, no dia 5 de agosto próximo passado: SÃO PAULO – Em dois anos, políticos que concorrem às eleições de 2008 enriqueceram 46%, segundo levantamento da Transparência Brasil, Organização Não-Governamental (ONG) voltada para o combate à corrupção”. Alguma surpresa, prezados leitores?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

foto livre. ilustração do site. SEM PALAVRAS!

REZA BRABA por ana maria maruggi

Reza braba

Soco forte no queixo. Tonteou prum lado, e lá vinha outro murro de punho fechado. Tonteou de novo. Caiu o pobre. O rosto inchou na hora. A boca floreou. O sangue verteu. As pernas  trogloditaram pela estrada seca numa fuga desesperada. O homem tinha medo da surra, mas não podia evitá-la. Apenas pedia “PelamordeDeus pára cum isso”.  Já ia pra lá mês que apanhava quando passava por lá, o coitelinho. Apanhava por apanhar…

O amor que morava no coração dele, rareou. Chegou a raiva. Muita raiva dos Nereu.

No espelho de casa viu os olhos avolumando. Pensou nos Nereu.  A cara arredondava pra caber os olhos  crescidos. Inchavam, cresciam de dar medo. Duas bolas acesas na cara redonda do infeliz. Pensou na raiva. Chamou a mulher aos berros. Assustada, benzeu-se e entoou uma reza em voz alta. Era o coisa ruim! -  dizia ela. Ele rezou também. De nada adiantou. Suas orelhas se movimentavam sem querer, à olhos vistos. Incharam e cresceram, cresceram de dar medo. As duas orelhas ficaram enormes, maiores que a cara. A mulher gritava. Ele espumava de raiva.  Ela rezava fazendo o sinal da cruz. De nada adiantou.

POEMA PARA LEVAR NO BOLSO poema de jb vidal

POEMA PARA LEVAR NO  BOLSO

 

JB VIDAL/2008

para ivo rodrigues (banda BLIDAGEM) – música de gerson bientinez                           

 

 

 

                                                                                                                  

 

                                                                                             

 

 

não sou tempo

nem espaço

 

sou átomo desprendido

sou canção universal

 

faço vilas e cidades

estradas e corredores

 

canto a vida

canto a glória

canto o homem

canto a história

 

não canto

os canhões e as espadas

nucleares de outrora

 

canto almas repudiadas

canto santo em procissão

o verbo que se fez carne

mas carne não tem perdão

 

canto à Deus e querubins

aos céus e o próprio chão

 

canto pois ao todo tudo

canto o início e o fim

 

ANDRÉ L. SOARES comenta em ” Q.I. (Quociente de Inteligência), onde o GARRINCHA se encaixa?”

  1. COMENTÁRIO:

  2. Rita Costa & André L. Soares

Essa coisa de Q.I. é, em grande parte, derivada das tendências academicista e tecnicista (muito próprias das décadas de anos 60 e 70), que tentavam vincular o termo ‘inteligência’ exclusivamente aos profissionais e estudantes das Ciências Exatas e Biológicas. Assim, nesse conceito (já superado), ‘inteligente’ acabava sendo tão-somente quem demonstrava maior facilidade no aprendizado de cálculos e lógica.

Pelo lado ideológico, era também parte de um trabalho que visva desmerecer e abafar as idéias (e os ideais) relacionadas às áreas de Educação (principalmente História), Sociologia, Psicologia, Filosofia, entre outros campos de estudo que, grosso modo, nutriam o pensamento da vanguarda revolucionária daquelas décadas.

Hoje, no entanto, estudos mais recentes apontam que há vários tipos diferenciados de inteligência, dentre os quais destacam-se pelo menos 7:

a) Inteligência lingüística: A palavra é o fundamental. Quem tem esse tipo de perfil tem talento com as linguagens escrita e falada, seja para compreender ou para se expressar. Próprio de redatores, escritores, professores e conferencistas.

b) Inteligência lógico-matemática: Talento para o raciocínio, a investigação, caracterizado pela facilidade em lidar com números. Pode ajudar tanto a advogados quanto a contadores e físicos.

c) Inteligência visual-espacial: Coisa de quem sabe lidar com a imagem seja para decodificá-la rapidamente, seja para conseguir visualizá-la mesmo que não esteja impressa.

d) Inteligência musical: Tem facilidade para identificar sons. Pode ser um talento musical. Ou um engenheiro de som. É como se a pessoa enxergasse através dos sons.

e) Inteligência corpóreo-cinestésica: O corpo é a ferramenta, o instrumento, ou seja, o contato físico é básico. O que vale para atores, atletas e para mecânicos, que usam a habilidade para fazer consertos (essa era, provavelmente, a inteligência maior do Garrincha).

f) Inteligência interpessoal: É bom em se relacionar com as pessoas: conhece bem o outro e sabe como tirar, de cada um, o que precisa. Característica de líderes, gestores, relações públicas.

g) Inteligência intrapessoal: É o tipo de pessoa que se conhece muito bem (seus limites e possibilidades), tendo capacidade de automotivação. Reservada, ela também é considerada um bom ouvinte (próprio de psicólogos, gurus e filósofos).

Nesse sentido, ‘gênio’ é considerado quem apresenta desenvolvimento de algum (ou mais de um) desses tipos de inteligência em nível bem acima da média.

André L. Soares

 

veja o tema: AQUI

Inauguração da Galeria Experimenta com exposição de Retta Rettamozo

 

Inauguração da Galeria Experimenta com exposição de Retta Rettamozo

 

Aconteceu no dia 02 de setembro o coquetel de inauguração da Galeria Experimenta, reduto das artes experimentais e novos nomes, em São Paulo.

                       Recebidos pela curadora da galeria Sheila Farah, pelo artista curitibano Retta Rettamozo e por Catherine Duvignau, responsável pela apresentação de sua obra a São Paulo, empresários, artistas plásticos, fotógrafos, publicitários, circularam entre a coleção de telas batizadas de Jardim do So rriso Interior. Em clima descontraído, os convidados puderam apreciar o trabalho do multiartista por um ângulo tridimensional, usando os divertidos óculos que foram distribuídos.

                       Entre os convidados, o artista multimídia Guto Lacaz; Michel Farah, presidente da Farah Service, empresa especializada em marketing de responsabilidadesócio-cultural e patrocinadora da galeria; o empresário  Zeca Beraldin; o leiloeiro Roberto Magalhães Gouveia; Johnny Saad, TV Bandeirantes.

                       Retta foi convidado para inaugurar a galeria pelo resultado de seu projeto, em conjunto com a Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito, do Vale do Itajaí, cujas telas são pintadas com terra de diferentes localidades paranaenses.            

                       A coleção de 22 telas, nasceu da oficina Arte, Terra e Retta, obras coletivas dos cinco membros da Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito, criada por ele, e que é composta por : Retta Rettamozo, Patrick Albuquerque, Rafaelo Góes, Odécio Adriano e Carlo Rettamozo. 

 

 

EXPOSIÇÃO: Jardim do Sorriso Interior, projeto de  Retta Rettamozo

PERÍODO: até 13 de setembro

LOCAL: Galeria Experimenta - Rua Gumercindo Saraiva, 54- Jd. Europa- São Paulo

Fone (11) 3086-0141

HORÁRIO: segunda a sexta das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h

 

 

o artista visual retta com seus parceiros da SOCIEDADE DOS PINTORES DO ÂNGULO INSÓLITO odécio adriano (de boné), rafaelo góes (à dir.) e amigos na inaugração.

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retta e amigos.

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retta.

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não foi enviado crédito das fotos.

O ALBATROZ poema de charles beudelaire / paris

O Albatroz

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem
Pegam um albatroz, enorme ave marinha,
Que segue, companheiro indolente de viagem,
O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,
Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,
Deixa doridamente as grandes e alvas asas
Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!
Ave tão bela, como está cômica e feia!
Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,
Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura
Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;
Exilado no chão, em meio à corja impura,
As asas de gigante impedem-no de andar.

Tradução de Guilherme de Almeida

o poeta

CARTA DE AMOR de ludwig van beethoven

 

 

Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?


Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.

Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.

Eternamente teu,
eternamente minha,
eternamente nossos.

Ludwig van Beethoven

 

 

O Autor é compositor erudito Alemão (1770—1827)

O BRASIL NÃO É ISSO por rui barbosa

 

O BRASIL NÃO É ISSO

 

Mas, senhores, se é isso o que eles vêem, será isto, realmente, o que nós somos? Não seria o povo brasileiro mais do que esse espécimen do caboclo mal desasnado, que não se sabe ter de pé, nem mesmo se senta, conjunto de todos os estigmas de calaçaria e da estupidez, cujo voto se compre com um rolete de fumo, uma andaina de sarjão e uma vez d’aguardente? Não valerá realmente mais o povo brasileiro do que os conventilhos de advogados administrativos, as quadrilhas de corretores políticos e vendilhões parlamentares, por cujas mãos corre, barateada, a representação da sua soberania? Deverão, com efeito, as outras nações, a cujo grande conselho comparecemos, medir o nosso valor pelo dessa troça de escaladores do poder, que o julgam ter conquistado, com a submissão de todos, porque, em um lance de roleta viciada, empalmaram a sorte e varreram a mesa?

Não. Não se engane o estrangeiro. Não nos enganemos nós mesmos. Não! O Brasil não é isso. Não! O Brasil não é o sócio de clube, de jogo e de pândega dos vivedores, que se apoderaram da sua fortuna, e o querem tratar como a libertinagem trata as companheiras momentâneas da sua luxúria. Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletício de criaturas taradas, sobre que possa correr, sem a menor impressão, o sopro das aspirações, que nesta hora agitam a humanidade toda. Não! O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliqüescente, cadaverizada, que receba na testa, sem estremecer, o carimbo de uma camarilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem do amante, ou o calceta, no dorso, a flor-de-lis do verdugo. Não! O Brasil não aceita a cova, que lhe estão cavando os cavadores do Tesouro, a cova onde o acabariam de roer até aos ossos os tatus – canastras da politicalha. Nada, nada disso é o Brasil.

O QUE É O BRASIL

 

O Brasil não é isso. É isto. O Brasil, senhores, sois vós. O Brasil é esta assembléia. O Brasil é este comício imenso de almas livres. Não são os comensais do erário. Não são as ratazanas do Tesoiro. Não são os mercadores do Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. Não são os falsificadores de eleições. Não são os compradores de jornais. 
Não são os corruptores do sistema republicano.
Não são os oligarcas estaduais. Não são os ministros de tarraxa.
Não são os presidentes de palha. Não são os publicistas de aluguer.
Não são os estadistas de impostura. 
Não são os diplomatas de marca estrangeira. 
São as células ativas da vida nacional. É a multidão que não adula, não teme, não corre, não recua, não deserta, não se vende. Não é a massa inconsciente, que oscila da servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades pensantes, o oceano das consciências, a mole das vagas humanas, onde a Providência acumula reservas inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação das nossas energias. É o povo, em um desses movimentos seus, em que se descobre toda a sua majestade.

 

Rui Barbosa

 O trecho reproduzido de Rui Barbosa (1849–1923), é de março de 1919.

internet livre.

ELVIS PRESLEY e MARILYN MONROE serão leiloados em LONDRES

            Formulário com as digitais de Elvis Presley é leiloado pela Galeria Idea Generation

 

A Galeria Idea Generation realiza nesta quinta-feira em Londres, Inglaterra, o leilão de um formulário com as digitais de Elvis Presley preenchido pelo Rei do Rock em 1970 na Califórnia, Estados Unidos, para a posse de arma de fogo.

Trata-se de um documento raro, já que nos Estados Unidos ele é comumente destruído após a morte do solicitante. Estima-se que a peça pode ser arrematada por 75 mil libras (cerca de R$ 222 mil).

Outras raridades do leilão são um corpete usado por Marilyn Monroe no filme “Quanto Mais QuenteMelhor”, letras de música deJohn Lennon escritas em um pedaço de madeira, a FenderStratocaster queimada por Jimi Hendrix em 1965 e uma guitarra Yamaha pintada pelo músico dos Stones, Ronnie Wood.

Segundo o jornal El País, as peças mais caras do leilão da Galeria Idea Generation serão um caderno de Jim Morrison e o primeiro contrato de trabalho dos Beatles, com a Brian Epstein. A previsão de arrecadação é de 250 mil libras (cerca de R$ 742 mil).

 


 

SUZANNE PLUNKETT/REUTERS

A FAMILIA VIRTUAL por joanna andrade

A Família Virtual

 

A familia virtual é aquela que na realidade não existe há muito tempo, aquela que nunca existirá fora das telas. O ideal sem compromisso, sem cambalachos, uma alegria desprovida do calor real, vivem num campo onde a expressão é o reflexo de suas carências, um supre o outro no minimo pelo minimo. A realidade é que a família real já esta’desgastada, há tempos, seja pelas guerras em busca neurotizada pela paz ou seja pelo simples comodismo social exigido.

A internet é um meio que nao justifica os fins, pois é o próprio the end no final do filme. Muita gente nao aceita o the end e quer continuar a mesma historia, filme numero 2 e por conseguinte o numero 3,4,5….quer os filhos como procriação do belo, da vida, quer um quadro fotografico para ser colocado na parede mofada de seus quartos ou fotografias em porta-retrato assentado nas belas comodas de madeira nobre de suas salas de estar. Esquecem a favela vizinha, esquecem a desunião, nao lembram de seus fracassos, esquecem de pensar nas soluções mais plausíveis.

Nesse momento que venga el toro en forma de bife, a parte sexual, onde os prazeres imediatos são descarregados como trabalho esculpido do que poderia ser e nao é. Um passa a ser o fio terra do outro e nao importa se for por um minuto, duas hrs ou tres dias ou um mes, cansam de brincar de casinha e os bonecos viram os monstros dos próximos capítulos.

Monstro por monstro, procura-se outras formas de realização, agora o network passa a ser bastante importante, quanto mais extenso, mais liberdade terão, para continuar nesse mundinho hipócrita, pulando de e-mail em e-mail, fazendo suruba a tres, quatro ou mais, todos na mesma conversa, um alimentando o outro sem gastar muito, a nao ser as teclas do keyboard, a energia e o tempo. Mas vale a pena, afinal as demandas das familias virtuais não oneram em nada, num simples sign out, colocar off line, pronto, resolvido o problema. A justiça está a um toque apenas, e quem precisa de advogado para isso? A terapia ao alcance de um botão ou dois, e quem precisa de psicólogo ? A responsabilidade é nula em comparação com a liberdade, a qual é exercida desenfreadamente, sem limites.

O que vale nesse momento é o eu pelo eu, o outro é um mero objeto de despejo, de transferencia. O prazer vem com hora marcada, não dá nem tempo de jantar, todos juntos, à mesa, cada um com seu PC e em seu PC com seus pratos bem à frente. Vejamos que a forma primitiva também pode ser trazida a este assunto, todos podem comer com as mãos , cutucar o nariz, arrotar e etc, para isso basta nao deixar o microfone ou a camera ligados. A liberdade é fascinante, não? O mundo está cheio de conveniências ilusórias nesse campo, uns buscam o passado como isca, neste caso o peixe deve morrer pela boca, satisfazer suas necessidades básicas.

Tem mulher virtual que acha que o homem vai ser preso pelo estomago ainda, e tem homem virtual que manda beijos e canta saudades para abrir espaço para um eventual encontro. Isso era dito por nossos avós, que mal sabiam que seria vivido através de chats e emails. Ideal para o real, pela internet as pessoas se acham lindas e amadas, pois o contrário não podem ou não querem viver. Ideal sem compromisso, compromisso ideal, real sem compromisso, compromisso real, qual é a saída?

Brasil importa agrotóxicos proibidos na União Européia

 

O agronegócio brasileiro pode ser responsável por alguns casos de câncer adquiridos pela população. Até julho deste ano, o país importou mais de seis mil toneladas de substâncias que foram proibidas nos países onde são produzidas. Tratam-se de componentes utilizados para fabricar agrotóxicos utilizados em culturas de 24 tipos de alimentosbrasileiros, como frutas, verduras e grãos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que além de câncer, esses produtos podem causar problemas no sistema nervoso e reprodutivo.

As substâncias foram importadas da União Européia (UE). A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, o processo de avaliação de periculosidade destas substâncias começou em 2006, época em que várias delas já haviam sido importadas da UE. No entanto, o trabalho de avaliação foi interrompido por ordem de um liminar expedida pela Justiça Federal de Brasília, em favor do Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas (Sindag). A Anvisa afirma que a decisão foi adotada sob pressão de interesses econômicos.

A Anvisa informou que essa venda de substâncias da UE é uma tática dos europeus de desovar em outros países como o Brasil, os estoques de produtos que foram proibidos dentro do bloco.

Diante da atual pressão do governo e dos alertas dados pela OMS, a Anvisa afirma que adotará atitudes para reavaliar o registro de nove substâncias. Elas fazem parte da composição de 99 agrotóxicos.

 Radioagência NP, Juliano Domingues.

 

GARCIA de GARCIA comenta em carta de LAURITA MARTEL

 

COMENTÁRIO:

 

GARCIA DE GARCIA

Inesquecível Laurita,

Empezo a acreditar que las cosas não acontecem por acaso ou que haja um regente general sobre todos nossotros, o que não me agrada mucho pois me sinto, quiçás, um marionete de algo invisibile. Te peço desculpas por escrivir mesclado com português e muchas veces errado pois como sabes, e te acuerdas, sou uruguayo e estou em Brasil hace pocos años. Faço grande esforço para escrever em português, já falo bem, por isso estoi escrevendo poesias em português como forma de aprender mejor. Desde aquela vez em que me encontré contigo, a lo mejor, nos encontramos por obra dos deuses mi deseo de vivir em Brasil jamás se apagó. Tinha em meu pensamento um dia encontrar-la. Muchas veces sonhei contigo, de cigana, linda cigana, que ha cometido um único erro o de não ler nuestras mãos e ver nuestro relacionamento cerquita do fim quando imaginávamos que seria eterno. Dias felices! Mucho felices! Te agradeço para sempre. No se sinta culpada de nada. Recordo com muita alegria, ahora más, as vezes em que dava um beso atrás de sua orelha, que tenia um perfume mui hermoso. Recordo também de tudo que escrevistes a cerca de nós, porém o que mais se adelanta a mis pensamientos som las noches…eran o paraíso…el céu, teus dedos longos a mi acariciar la face, mi vontade de morde-la de entrar no teu corpo e encontrar com tu alma e aí si decir-le lo quanto te amava! Mi querida Laurita. No creo que seja verdade que te encontré. Que poderei ver-la, toca-la, besar-la! Diós que estou a decir? Não sei como te encontras ahora. Casada? Soltera? Hijos? Diós no! Pero uma mulher como tu jamás quedaria sem um hombre, caliente como eras, indomable, e com um corpo escultural que atraia las atenciones incluso de mulheres.
Mi querida Laurita, no me vou estender porque era para ser um comentário apenas me identificando em tu carta “abierta”. Porque hicieste assim? Mandaste publicar nel blog? Estou curioso para saber-lo. Indomable todavia! No vou deixar mi email porque otras pessoas podrán escrever como se fuera tu. No sé como me comunicar contigo particularmente. Vamos pensar una manera. No deixes tu datos aqui em la net.
Besos y más besos em todas las partes e em la orilla.
Sempre teu

Garcia de Garcia

 

leia a carta de Laurita Martel: AQUI

 

NOTA DO EDITOR: a leitora Laurita Martel pediu que fosse postado o comentário/carta de Garcia de Garcia pelas razões constantes na carta que ela enviou a ele via site e constantes do comentário dele. alertamos os leitores que não se trata de invasão de privacidade, pelo editor, até porque os comentários são públicos. os emails com tal solicitação encontram-se arquivados.

GOSTO DA CONTRADIÇÃO poema de ana carolina cons bacilla

Gosto da Contradição

 

O sentimento de podridão

a consciência de pecar,

como gosto de sabedoria

o gosto da contradição.

 

Se é Deus ou Diabo

que está ao meu lado,

meu pequeno dilema

de uma vida o lema.

 

O Inferno e o Céu

na mentira existente,

sei que sou o réu

do julgamento inexistente.

 

Oh consciência de pecar

ausência de saber amar,

a faca posta no coração,

descance em paz, meu Irmão.

 

 

a autora tem 15 anos, é poeta revelação do site e compõe o grupo de “novos” autores.

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