DOIS POEMAS – de jairo pereira

O thoroughbred (01)

O thoroughbred castanho
em sua prisão velocíssima
entre frascos de medicamentos
e escalas de trato
vê o verde extenso lá fora
um verde de capins maduros
o thoroubhbred
salta no futuro seu salto ergoluz
mede distâncias em galopes noturnos
e resplandesce manhãs afobadas
dali de seu cárcere obrigatório
estima ganhar espaços abertos
no sem-tempo
filhos potrancos em escaramuças
éguas alazãs campeando vadias
os dias longos
o thoroughbred ultraloz
calcula milhas de liberdade
no relincho repetido
de seus dias superiguais.




O thoroughbred (02)

O thoroughbred relincha
testamentos novos
sina de ser sozinho
em cubículo/cárcere
arenáticas incursões
naquelas pistas
o real: um público de só-passar
usufruir do seu talento
a visão: sonha o contrito
os verdes densos iniguais
em espaços longínquos
onde só se chega corrido
galopes de horizontes livres
trotes de passar pontes
relinchos
de assustar pássaros nos ninhos
o thoroughbred
dorme na sua cela exígua
sobre serragem pinho/araucária
& sopra nathurezas novas
pelas ventas.

Uma resposta

  1. muito bom, estranho, mas bom.

    HELLEN

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