SONETO – de nelson padrella

Onde estão as fêmeas que cercavam
o tempo em que de jovem me vestia?
Das tábuas de tal cerca só os vãos
restaram. Quiçá uma ou outra tia

Gorda, envelhecida, desdentada
ainda busque trepar por sobre o muro
candidatando-se ao cargo de amada
que eu, a essas alturas, não aturo.

Pois o tempo passou. E cá fiquei
assim jovem, assustado com a velhice
em que subitamente me flagrei.

Onde estão Wilma, Célia, onde Alice?
Exatamente ali onde as deixei:
– No Campo Santo, onde ninguém as pice

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