NA CASA de BUSCH – o artista plástico fernando botero – pela editoria

O artista plástico colombiano Fernando Botero afirmou em Washington que suas 79 obras sobre as torturas sofridas por prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib foram concebidas para dar vazão à “raiva” que sentiu diante de uma conduta “inaceitável” do Governo dos Estados Unidos.Botero, de 78 anos, está na capital americana para a abertura, nesta terça-feira 6 de novembro, da exposição que o Museu de Arte da American University montou com seus quadros sobre as atrocidades cometidas no centro de detenção de Abu Ghraib. As imagens, disse, provocaram nele muita “raiva”.Numa entrevista coletiva concedida ontem, Botero disse que pintou as telas em 2005, “para serem vistas” especialmente pelo público que revela consciência política.Porém, o colombiano frisou que prefere não tratar de temas assim, já que, segundo disse, o artista “deve se manter fiel aos ideais da estética”.”Você tem que ser fiel à pintura antes de qualquer outra coisa”, declarou Botero, que também é escultor.O artista plástico enfatizou várias vezes que sua mostra é apolítica. Além disso, declarou que, com os quadros sobre Abu Ghraib, só queria aliviar a raiva que sentiu após ler a respeito das torturas cometidas pelos soldados americanos.”Só fui um artista tentando modelar meus sentimentos numa tela.Não fui um profeta, mas um artista que tentava liberar essa raiva”, acrescentou.Uma vez concluída a série de pinturas, “a raiva desapareceu, porque eu já tinha dito o que precisava dizer”, afirmou.De modo geral, as obras mostram a perspectiva das vítimas, muitas delas nuas, de mãos amarradas, encapuzadas, empilhadas numa pirâmide humana ou aterrorizadas pela presença de um cachorro ameaçador.Um dos quadros mostra um homem vendado e vestindo um sutiã e calcinha vermelhos.A figura do torturador está ausente na maioria das obras, salvo em quadros como o “Abu Ghraib 43”, dividido em três painéis.Pressionado pelos jornalistas sobre a arte como instrumento político, já que uma vez Botero disse que a arte poderia ser um ato de denúncia, o artista disse que “tudo vai se corrigir em 12, 14 meses”.O colombiano se referiu às eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos em novembro de 2008, das quais o atual presidente americano, o republicano George W. Bush, não poderá participar.Botero também disse que, com a série sobre Abu Ghraib, não foi “a primeira vez” que se preocupou com algo que sentia que deveria expressar. Ele lembrou que já criou dezenas de obras denunciando os abusos da guerrilha colombiana contra os direitos humanos.Perguntado sobre se os Estados Unidos devem fechar as prisões clandestinas ou o centro de detenções de Guantánamo, o artista plástico foi evasivo. “Não quero me meter em temas para os quais não tenho preparo nem sobre os quais sou uma autoridade, porque não tenho o conhecimento de todos os fatos por trás”, respondeu.Para Botero, a função do artista é só “fazer arte”, e há uma grande diferença entre “a política ativa e real, que é a que movimenta as coisas, e a opinião política pessoal”.”Propor soluções ou sugerir punições não é meu ofício. Ou seja, não me interessa nem tenho conhecimento de todos os dados necessários para dar emitir um juízo sobre as coisas. Só expresso minha raiva frente a algo que é evidente”, afirmou.A mostra de Botero é uma de três que fazem parte da exposição “Arte de Confronto”, na qual o Museu de Arte da American University reúne obras de protesto social e político dentro e fora dos Estados Unidos.A exposição, que já passou por Nova York e pela Califórnia, chega a Washington diretamente de Milão, e permanecerá na capital americana até 31 de dezembro, quando seguirá para o México.

Maria Peña, Waschington, 6 de nov/07 EFE

Uma resposta

  1. Difícil de se aceitar essas coisas. Mas elas existem. É uma pena.

    HR

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