Arquivos Diários: 23 novembro, 2007

POEMA – de carolina correa*

(……………..)
Me dá um charuto
Let me smoke my life away
Olhe nos meus olhos
See the flame growing?

O que? Não tá bom?
Tôo bad, his is how i’m gonna live my life
Posso querer agora, amanhã desprezar
I just discovered my own world.

Romance, terror, comédia…
Why is it that I see it all with the same eyes
Mas as minhs diferentes reações é o que me altera?
It’s all imagination.

Te olho, te vejo, te sinto, te experimento
But are you really there?
Será que tirei os meu pés do chão por muito tempo?
Or is it reality that blinds me?

Não ouse duvidar de minhas inseguranças!
Got fire?
Inspire, expire, vai dar tudo na mesma merda
Just fuckin’ light my cigar please

É assim? Vira as costas e vai embora?
Hey! What the hell? Get yourself a drink…
Porque pensar?
Are you in a hurry to live your poor life…just waste it off faster?

Relax meu caro
Look at yourself in the mirror ‘till you get tired of your pathetic face
Pra que pressa?
Just listen o yourself, do what you like

Eu sei, eu sei. Ta todo mundo olhando né?
Hey! Some advice!
Pega uma bebida, cata uma mulher
And just hope the night never ends!

Agora, se você me dá licença,
My plane leaves in half na hour
É! Vou para Las Vegas!
Isn´t it that: What happens in Vegas, stays in Vegas?

Onde olhos não me incomodam
Where time is infinite, and day and night are party boys.
Tá afim? Aparece por lá
Oh! Pay the bill please, and put my cigar out….
Don’t even like ‘em.

*carolina correa, 17 anos, faz parte do grupo de novos autores do blog.

ARTESÃO das PALAVRAS – poema de cláudio ribeiro

Sou por essência um “ajuntador” de palavras
Nada mais do que ajuntar palavras aqui e ali
Substantivas, verbo, adjetivas.
Dou-lhes ritmo e as faço dançar no tempo
O pulsar da palavra é verbo
Mas viva e vital sua condição adjetiva
Embora a verdade seja substantiva
É no devanear que teço imagens
Filtro emoções e reconto a vida
Por teimosia ou sina
Vou guardando elementos vários:
Lua, flor, árvore, tristeza, água, alegria, mar, dor,

amor
E levado por força persistente
Sacudindo poeiras da subjetividade
Em seus elementos substanciais
Com permissão de tudo sem o certo ou errado
Construo pontes entre futuro, hoje e passado…
Vou pintando cores, ajustando tamanho
Harmonizando em versos
Minhas impressões, minhas intimidades
Cismar e rimar
Marcas do fogo humano que arde dentro de mim

PUNGA – poema de clara cuevas

Querem comprar meu silêncio
Com promessas baratas
Pessoas mesquinhas
Com problemas menores
Com cabeças menores
Com valores menores
Querem ganhar minha fala

Querem roubar minha vez
Sem técnica nem prática
Sem teoria, sem didática
Querem que eu suma
Querem que eu aprenda
A ser apenas mais uma

Querem que eu finja
Querem que eu faça
Calhordas! Mantidos
Por porcos bandidos
Por falsas gravatas
De seda barata
Por luxo, por sede
Papel de ouro verde

Querem que eu cale
Na falta de votos
Na escassa vitória
Dos fracassados natos
Querem que eu me acostume
Com o escárnio do mundo
Com a invalidez dos cegos
Que não querem ver

Quero que morram todos
Um por um!
Enforcados na própria gravata
Sufocados pela moeda cretina
Comidos pelas baratas e
Pelas próprias doutrinas
Quero que sejam banidos
Pela piedade divina
Mas antes disso repudiados
Pelas justiças da vida.

O TAO do TRIO – convite

FÚRIA

sobre o casamento



o fardo do casamento é tão pesado que precisa de dois para carregar – às vezes, três.



alexandre dumas

PODER IDEOLÓGICO e CONSCIÊNCIA POLÍTICA – de gercinaldo moura.

O poder não é algo que existe objetivamente, é fruto de uma relação de consciência. Neste meio existem aqueles que consolidam esta relação inconscientemente, chamados de “analfabetos políticos” e aqueles que pensam na mudança, os chamados “conscientes políticos”. Nenhum dos dois poderá mudar a sociedade com suas ações, mas o segundo poderá com sua consciência.

Um poder, seja ele de qualquer natureza ou exercício, se revela na expressão de um coletivo que atribui a um indivíduo a função de exercer um serviço para este povo. Este é o princípio que norteia a Constituição Federal com a expressão: “Todo poder emana do povo para em seu nome ser exercido”. Portanto esse povo é o seu patrão, que paga inclusive o seu salário por este serviço. Aí se insere a idéia de poder como relação e não como algo natural.Portanto, o poder não existe objetivamente, não pode ser encontrado em algum lugar ou como se fosse um objeto. Ele é fruto de uma relação ideológica entre os indivíduos de uma sociedade. O poder político, por exemplo, constituído através de um mandato, existe porque uma parte da sociedade o atribuiu a alguém. Mas não é o voto que foi escrito em uma cédula ou registrado em um computador que dará este poder ao político. O voto, através de uma eleição, é apenas uma simbologia que formaliza as organizações do sistema de estado convencionado pela sociedade. Se fosse ele (o voto) que de fato desse poder ao político, era suficiente rasgar as cédulas ou destruir o computador para interromper o poder. Todavia o poder existe, e agora como algo concreto, consolidado numa consciência que assumimos que atribuído empodera um político (ou qualquer outra situação de poder: militar, empresarial, etc.). Neste caso o presidente é presidente, como os demais políticos são políticos, porque nos (a sociedade) assumimos a consciência de que eles o são. Portanto é o nosso pensar, a nossa consciência que constitui o poder de alguém. Isto quer dizer que somos nós (a sociedade) que decidimos quem tem poder, portanto, decidimos quem vai ser político, até quando terá mandato político, inclusive quanto deverão ganhar. Portanto, decidimos a vida dos políticos. Os interesses da pequena parcela que domina a sociedade (os políticos) exigem imperiosamente que ignoremos este postulado e até cheguemos a pensar que o poder é algo natural, ou seja, quem tem poder tem, porque “já nasceu com a estrela na testa”. Isto garante a possibilidade de uma relação de injustiça e desigualdade, mas de forma harmônica, pois, por este pensamento, o poder trata-se de uma providencia divina ou conseqüência da própria natureza. Isto pode explicar a necessidade de se cultivar o “analfabetismo político” em nossa sociedade. Aquelas pessoas que não sabem que a garantia de escola, saúde e emprego não são gestos de boa vontade, são obrigação do governante e direito do povo. Assim como também não sabem que o preço da sua comida, a possibilidade de seu emprego e o valor do seu salário dependem das decisões dos políticos. Ainda mais: inverte-se no contexto social, por conseqüência deste “analfabetismo político”, o verdadeiro papel dos envolvidos nesse circulo político ideológico. O político que necessita do voto do eleitor não parece ser quem está pedindo e o eleitor que dá o voto ao político, não parece ser quem tem para dar. Esta é uma relação que precisa ser alimentada para ser mantida a lógica do poder ideológico. O maior castigo para estes que não se interessam por política é que serão governados por quem se interessa, como já previa Arnold Toynbee. De qualquer modo é preciso saber que quem decide a vida dos políticos somos nós mesmos, como somos nós que fazemos nossa História e que podemos construí-la de acordo com nossos interesses. Mas isso não pode ser entendido como resultado apenas do fato de termos votado em alguém. Até porque a História contemporânea nos mostra que mesmo tendo votado consciente muita pouca coisa ou quase nada mudou. Poderíamos então dizer que o eleitor consciente não é aquele que apenas vota, mas o que acompanha o mandato do candidato que se elegeu. Mas a partir daí iniciamos uma outra questão: Como acompanhar o trabalho dos políticos que votam secretamente aquelas decisões quando lhes são convenientes o segredo? Isso pode revelar que a distancia que separa o “analfabeto político” do “consciente político” não é necessariamente o efeito de sua atitude frente a um momento de decisão política, mas o efeito de uma consciência numa perspectiva Histórica, que poderá transformar a sociedade, que nem um nem outro conseguira alcançar fisicamente, mas as gerações de um futuro, que poderia ser nós, se a do passado tivesse assim pensado. Em verdade, todo o poder emana do povo, muito embora pouco dele em seu nome seja exercido. Contudo, podemos decidir nossa Historia, fazemos a nossa História, porque se a política decide nossa vida, nos decidimos à vida da política e consequentemente dos políticos