MAIÊUTICO poema de jb vidal

avejão helênico devasso a Hélade anosa,
perscruto Héstia, atenso para copular cioso,

tempestades de parêmias assolam a fleuma,
desértico, acuo na abóbada célica

incidências de ardis no Templo,
inerme ausência de Eros,

zeugmas pairam sobre pélagos,
imanes ofídios balétam virtuosos,

deuteragonista no drama litúrgico,
postergado por Zeus, exsolvido no Olimpo,

Zeus! Ares! Eros! onde estais? por que a indiferença?
novos Titãs fazem guerras de outra essência,
átomos divisos, gases letais descem dos céus!
Hélade existe, também morrem os seus!
amada Héstia, socorra-me com tuas virgens,
permita, por um instante, ser um deus!

retorno exaurido desta viagem reminiscente,
deixei-me levar como se de fato fosse,
ilusão de não estar onde estou e não me sinto,
morre em mim tudo que sonho, nada fica pra depois,
sentidos, pensamentos, escorrem pelas carnes,
resta o tédio, a vontade de não-ser e abandonar-me

4 Respostas

  1. “…resta o tédio, a vontade de não-ser e abandonar-me”

    E assim termina o grito que soltastes às divindades… é assim que eu entendo este poema.

    Um abraço carinhoso 😉

  2. Desdobrável, para ser desdobrado, desventrado, esse poema-viagem alucinógeno, pelos múltiplos concretos-intangíveis gregos parâmetros sem acesso a conceitos gerais para esse eu-poético assim a buscar uma tão impossível contemporaneidade de tais deuses e monstros e bacanais; assim condenado a voltar, a voltar, a voltar sempre ao Agora, ao Agora, ao Agora, com as mãos vazias de deuses e do que os meninos amantes da sabedoria julgavam saber enquanto, astutamente, firmavam, através dos séculos, saberem coisa nenhuma.
    Amigo Vidal, mas que viagem! Valha-nos deuses!

  3. Prezado Vidal,

    Nem Baco, nem JB, nem Vidal, de dez palavras do seu poema, na sonoridade umas seis já tinha guardado o sabor nos meus ouvidos, umas três nem pensar, não sei do que se trata, meu latim não vai a tanto, meu grego é menos do que pelego, não me cobre nem o frio dos pés.

    Uma única palavra duvidosa, talvez “zeugma”, talvez “divisos”, por sonoridade não tão próxima mas por elipse da estétiva. Mas sobre um poema tão hermético assim, lembro de Leminski dizendo

    ” um poema que não se entende é assim como um transatlântico perdendo a rota”.

    Mesmo com tais dúvidas entendi que você queria ser, ao menos por um momento, um Deus, mesmo que apenas Olimpíco, e menos onipresente, apenas para visitar o Olimpo, conhecer Afrodite e alguns dos convivas de Zeus.

    Muito bem, valeram por tantas palavras novas, mesmo que à margem do meu dicionário ou léxico embutido na memória.

    Grande Abraço!
    Tonicato Miranda

  4. Onde li paremias vi paralipses
    então compreendi: não foi Hades
    que te inspirou; apenas as procelas
    te translaram em paralaxe
    aos pródromos do pristino berço.

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