O SINTOMA é a DOENÇA por walmor marcellino

Pode parecer alucinação ou mera alienação, mas existem sintomas que são as próprias doenças. Melhor, como na psicanálise, a forma do encobrimento é a razão de ignorar qual a falta; ou, como diria o Conde de Abranhos, a existência é a própria essência, e a manifestação é o fenômeno. Depois dessa enxúndia, vou obrigado a tratar a questão: o Paraná é uma falcatrua intelectual; é uma farsa cultural engendrada pelos políticos. Aqui, os políticos são pobres de espírito; e acusam a população iletrada.
Que me perdoem os estudiosos tantos que há, os cientistas e professores dedicados ao saber e a ensinar; os profissionais (e mesmo os amadores da sabedoria) ainda que ocupados e centrados nas especializações   que assim marcham com os videotontos e celularizados das notícias ligeiras e informações “de passagem”. Que me desculpem os ex colegas da informação e da crítica nos meios macluhanianos; e os intelectuais que perderam a bússola ante as variações de ímãs (não imãs ou xamãs!). Escusem-me a veleidade tardia de comentar aspectos das relações sociais, no ensejo de uma autocrítica; porém não se apoquentem porque são nímias observações, às vezes contundentes, sobre a incultura do Paraná, ou o tratamento que os poderes jurídico-políticos — governo,  prefeituras e entidades interventoras na prática cidadã e sua criação cultural — dão ao que chamamos criação, organização e produção de cultura.
Executivo estadual e prefeituras escolhem espaços onde assentam um coxo com farelo e água, e ali a alimária se espoja, e a saparia deve cultuá-los até que se dê o coroamento — uma homenagem: um retrato, um busto, o nome de uma pocilga em reconhecimento ao imbecil que nem tem consciência de que “sua cultura” é uma incultura pedante, e sua atitude de regente político da sociedade um resultado do famulismo e familismo a que foi submetido o Paraná nos últimos 25 anos.
Esperava-se que dos novos partidos políticos, como das escolas superiores, viesse o sopro renovador, mas qual! Os vícios se entranharam em todas as instituições, e a intelectualidade tornou-se mais servil e oportunista, dando maus exemplos para os disputantes à cidadania. Quem souber diga, relate que estudo universitário se debruça sobre as realidades institucionais e seus agonistas? Que projeto governamental aponta possibilidades sociais nas ciências e nas artes; que instituição especializada mostra o horizonte e descortina os caminhos para as Índias?

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