Arquivos Diários: 15 dezembro, 2007

A CRIAÇÃO da XOXOTA poema de mario quintana

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro
Com faca afiada deu talho certeiro. 

Um bom marceneiro, com dedicação
Fez furo no centro com malho e formão.

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno
Forrou com veludo o lado interno.

Um bom caçador, chegando na hora
Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor. 

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: “É só pra xixi!”

Por fim o marujo, zarolho e perneta
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a…
Buceta!

SONETO DESPEDIDA de florbela de itamambuca

comunique ninguém pro funeral
não tenho consciência a insana juíza
não conheci a bebê — não quis — precisa?…
te peço então que a entregue a algum casal
 
daquela filha o único sinal
que ainda guardo debaixo da camisa
são os restos dos gestos da sua bisa
e este velho cordão umbilical
 
economize o chão do cemitério
esqueça meu cadáver nalgum brejo
a lápide: o silêncio o luar mistério…
 
cultive esse segredo e eu te protejo
do verme pesadelo que digere-o
morrer foi o meu último desejo
 

ESSÊNCIAS VERDES MASTURBADAS por benny franklin

Frasco n° 7

Por mais
Que as parábolas do mormaço
Gozem flâmulas em porções metafísicas,
Ou em medidas poucas se enervem;
Ou se dêem repartidas
Como etílicas boulevards belemitas;
Ou se dêem esqueléticas às madrepérolas despedaçadas
Embrenhadas de ponta cabeça
Em grande-profundas gretas,
É nelas que o pingar desbotado
De São Paulo se dá —,
Onde as flôres surrealistas do poeta
Prostituem-se em bando
(E sem tempo definido),
Copulam-se em prédios e praças,
Como as libélulas bissexuais
De São Petersburgo
Que veneram a gula sem desdizer das broxas enervadas,
Já que, entre si, todas,
Não se suportam,
Nem temem a fomedez
Do ovário.