SE É QUE TENHO COMPETÊNCIA por walmor marcellino

Todavia, existe uma guerra político-ideológica adversa que se desvela na tradição do consentimento; pela persuasão no ensino conformista, pelos acompanhamentos “politicamente corretos” e pela interesseira simplificação sociológica. Sob essa névoa, as pessoas escolhem o que parece conveniente e a intelectualidade se põe a serviço, secundando “olhaís” e vendendo criatividades.
Como já foi toga arrogar-se vanguarda social — moral, política e estética — passou para a moda ser à “parte”; até nalguma parceria tecnocientífica, como “acompanhante” político ou como “isento observador sem favor nem causa”.
Assim a comunicação social especialmente e até a ensaística — da qual se esperam senão epistemes pelo menos atitude e disposição ético-políticas — têm assumido a parcialidade estentórea do “seu” ponto de vista “democrático” como respeitável e justificável decisão existencial. Ad valorem.
Em nome da positividade capitalista, escriba a soldo, pena a prêmio, caráter em leilão no requisitório de mercado vai de Assis Chateuabriand a Júlio Mesquita, de Carlos Lacerda a Paulo Francis, de Vitor Civita a Francis The Beautifull, da TV-Globo à RCTV, de Arnaldo Jabur a Diogo Mainardi et alii.
Reconheça-se que esse clube de serviço não demanda salvaguardas, porém tenta justificar-se cotejando-se à indigência apologética “de esquerda” e ao fideísmo “socialista” desnorteado. Mas à sabujice ou ao “compromisso” não se deve objetar, senão escusar.
Quanto a mim, tenho a humildade de que de que minha arte e seu engenho não há que esperar demais: algum arrazoado sistêmico ou fundamentada contradita científica ou filosófica; mas acredito que a práxis é ou deve ser a política, sua ética e o compromisso, que podem construir justiça como primeira virtude das instituições sociais. E, se ela não se dá por interesse ou privilégio, resulta do direito à vida, à sobrevivência dignificante e à retribuição social aos frutos do trabalho. Ademais, o capitalismo não nasceu ético, não cresceu ético nem ora se deteriora ético, pois nasceu do confisco da propriedade social e na produção da alienação humana.
À falta de convencimento epistemológico (a perspectiva histórico-social voltou a ser predominantemente essa, a não ser que o positivismo instrumental nos exija uma ciência empírica como ponto circular de partida), não devo me engalanar com propedêuticas artificiosas. No terreno comum da práxis espero aprender com sabedoria ou saber no aprendizado o que são nossos valores nesta produção constitutiva da condição humana. Assim, posso continuar esse discurso, nesse diapasão, sem ofender manoplas, artelhos ou pentelhos de alguém?
Sem a “má-fé” de contrafazer as postulações políticas de pessoas como Adorno, Habermas, Foucault, Deleuze e outros notáveis críticos dos sistemas sociais e do pensamento, porém, ao invés, seguindo-lhes as pegadas, socorro-me da vontade de ação na resolução das pendências sociais (estariam “extintas” as lutas de classe na sociedade contemporânea e seu espólio se encontraria em translação cultural a acompanhar os meandros das ciências naturais… do que resultaria… nossa perplexidade para obter respostas na prática política, social, econômica e científica? — nessa ordem de prioridades). E, à guisa de esclarecimento, devo confessar que a centralidade de Marx ainda hoje, pari passu o crescimento, a decadência e a agonia nuclear do capitalismo, me parece Prometeu ante a Esfinge, profligando, desmitificando-a sem que esta reconheça a verdade da sua decadência e continue a lhe recusar passagem.
Daí que o renascimento dos estudos sobre Marx e da crítica marxista aos doutrinarismos socialistas teoricistas e dogmáticos (até “ortodoxos” mas sem a dinâmica ortodoxia teórico-prática de que o pensamento de Karl Marx e as reflexões prático-teóricas de Lênin constituem o cerne) estariam a nos re-dizer que as expectativas sociais de uma solução política para as crises econômico-sociais acabam gerando a filosofia social de sua superação (ou, ao reverso dialético, a conservação “a-histórica” de que Hegel nos falava). E, esperamos, também a sua prática. Não minha nem de grupelhos, tribos ou hordas, mas de uma inteligência social.
Qualquer tempo é tempo de combate; e se as classes sociais implodiram sob certa “contemporaneidade” ou “pós-modernidade”, sua divisão e multiplicação continua sendo “o social” resultante da base produtiva e das relações sociais. Sua tensão dinâmica teria passado do estado sólido (em que “tudo que é sólido desmancha no ar”) para o estado gasoso, que é “ainda” força da matéria em expansão. E suas tensões ora ampliadas ora dissimuladas ou esmaecidas não infirmam que as contradições sociais vão ocupando os “vazios” (enquanto parecem dissolver-se) modificando o meio. Na atração e espera da corrente ou torrente condutora.
E como a violência social é sudação da sociedade oprimida, podemos até mesmo contemporizar, sem extinguir-lhe os antagonismos. Entretanto, ou proclamar “a certeza do futuro” ou bater pratos e fazer uma “marche aux flambeaux”.

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