O NATAL por eduardo ratton

CHEGAMOS AO FINAL DO ANO COM ALGUNS ARRANHÕES E FERIMENTOS, MAS A ONÇA AINDA NÃO CONSEGUIU NOS PEGAR.

A entrada do ano que se acaba foi quase ontem e, novamente,  partimos para outra época. 2007 está findo e 2008 seja bem-vindo!
Correria brava, os anos têm passado batidos, por vezes mais gordos, outros mais magros, mais quentes, mais tristes, mais caros e com mais manchetes nos noticiários. Temos trabalhado para “car-va-lho!!!” Anos duros como a peróba, anos fartos de trampos diversos, enriquecedores ou apenas gratificantes o bastante. Instigantes!
Nestes tempos corridos, mergulhamos na onda caminhando a passos largos. Estreitamos o tempo, os laços, apertamos a marcha, os passos, os nós nos sapatos. Aceleramos as horas, os atos, o tic-tac dos ponteiros, a abertura de nossos compassos. Seguimos assim, amados ou não, amigados talvez, como uma massa comum de companheiros neste barco de Noel, nesta arca de Noé, simbólico Pai da biodiversidade.
Durante o ano nem sempre fomos amigos, mas nem por isso tivemos os punhos cerrados, tampouco braços armados. Essa maratona toda é fruto de nossos projetos de vida, nos chamando para detalhar-los, para que se transformem de desenhos a fatos, originais, verdadeiros, legítimos. Nossas expectativas mais íntimas nos empurram para um abismo, nos jogam na vida, na busca desregrada por uma receita universal, misteriosa, única e pessoal. Talvez, a “tal da felicidade” (como cantavam  as Frenéticas nos anos 80).
Mas talvez estejamos exagerando demais! Eu, talvez estive, creio que estava há tempos atrás!… Corri na velocidade da luz, de uma luz própria e, nas horas da escuridão, acabei sendo cegado pela intensidade do brilho desta minha pretensa luminária, que era apenas uma simples vela no escuro, novamente, tentando ser feliz.
Alguns de nossos pares acabaram sendo atropelados: “Eu fui o primeiro!” E tive que conviver imperativamente com a sensação do “tudo parado”, morto, logo ali caído no chão, na nossa cara! E nós, sempre, carregando este legado de pobres inválidos, feridos, machucados, quase tão sofridos quanto nós mesmo (ou mais).
Mas mesmo isso tudo não comove a todos da mesma maneira, não funciona assim! Somos diferentes, graças ao Deus (de vocês)… O que agora vejo e neste momento desejo é exatamente isso: a preservação da diferença, da diversidade das vidas, das almas, de feras, feridas ou calmas, enfim, não quero mudar ninguém e, tão pouco, modificar minha teimosia que todos olham com desdém. Um dia, talvez, entendam dos porquês e possam, ainda, me dar razão, ou simplesmente comentarem numa mesa de bar que, o “cabra” era teimoso e obstinado, que embora tinhoso tinha suas razões e suas idéias claras, confundidas com algumas paixões (mesmo que, por vezes, exageradas).
Desejo, para todos, que tudo siga os caminhos mais sábios da consciência humana. Precisamos preservar nossa originalidade, nossas peculiaridades, nossas idéias mais ímpares. Sejamos, portanto, pares, parceiros… Nunca competidores, traiçoeiros, párias desnaturados da sociedade… Não precisamos competir, simplesmente porque não há porque competir. Vamos procurar um galho que não tenha macaco! E pronto! Nossa corrida e briga é contra nós mesmo!
Devemos buscar mais cores e muitas mais tintas! Diversos números para não pintarmos apenas os “setes” (quem sabe os oitos, os noves, ou os sessenta e noves). Para sermos melhores que nós, para progredirmos e conseguirmos ser tão rápidos para, repentinamente, ao olharmos no espelho possamos flagrar a nossa imagem de um segundo atrás! Enxergar a própria nuca, antes que o espelho tenha tido o tempo de refletir a imagem de nosso olhar. Este é o desafio simbólico de quem quer melhorar. Seja este o nosso desafio!
Que nossa regra seja partilhar, dividir para somar, trocar idéias, multiplicar, até mesmo criticar nossos mais fraternos ideais. Que tenhamos em mente a lógica de nossos conterrâneos tropicais. Quando os recursos são limitados, o melhor é a instintiva partilha, ao invés de uma competição desmedida no seio da própria matilha.
Somos responsáveis pelo futuro da nossa espécie, das outras também, e de muito mais. Queremos toda essa biodiversidade, de verdade, para uma real sociedade, de cidadãos comuns, comuns no nobre direito de se afirmarem raros! De serem queridos e de “se valerem” caros! Não somos simples coadjuvantes de fúteis e insuportáveis seriados. Não queremos ser nem estar enlatados, como peixes pequenos, descabeçados. Estarmos confundidos e rotulados como a tal farinha de um mesmo saco!
Somos únicos, exóticos por natureza, bizarros até! Somos o puro desejo de nossos genes pareados, de alguns pares de base desparceirados, que livremente se articularam para manter a própria existência, a instintiva excelência, a compartilhada competência. Competência sim, competição não! Até porque não temos adversários com tantos brios, qualidades, estratégias e, infelizmente, com tanto rancor, cinismo e orgulhos com dor! Estes somos nós!
A competência não é competitiva, ela é de responsabilidade, de incumbência, de sabedoria, de discernimento, de consciência, de respeito, de muita força, de coragem, de saber avaliar as conseqüências! Vamos enfrentar as bruxas, desafiar os espinhos do caminho, sem sandálias, sem grandes dilemas. Cada qual tem um papel neste teatro da vida, afinal, tem algo que é seu, apenas seu, que ninguém pode copiar ou roubar.
A tal genialidade está em todos, está em ser por simplesmente ser; está em descobrir o óbvio de cada um e a obviedade de todos; somos, ao fim, uma multidão de míopes, guiando cegos no desvendar das coisas que estão bem aqui na nossa cara! E cada insignificante formiga que se mantiver antenada, trará o indispensável alimento para sua colônia, para várias tribos, para todos os seres vivos.
Que bom se nos próximos tempos diminuíssemos nossas diferenças, sem as insalubres desavenças, evidenciadas por nossos atos mais falhos, inconscientes e intolerantes. Cada um sabe a sua letra decor, sua fala, seu papel, em cima do palco, dentro da sala, nesta “salada da vida”, já tão intensamente temperada.
Somos cartas embaralhadas, mas somente as parelhas formam canastras, canastras reais e, apenas assim, somamos mais pontos, sem jamais “perder o naipe” a que originalmente pertencemos. Sejamos, pois, o coringa, o sete de copas, os audazes ases de ouro, os espadilhas ou os reis de paus, nunca o mole, o caixão o quatro ou o cinco indesejável e que sempre produz dissabor.
Cada qual é uma figura, carimbada, assinada, premiada, fora de série. Não somos meros números, tampouco uma carta qualquer a ser descartada. Somos parte importante desta partida, desta parada, “que não é gay”! Somos todos distintos, cada um e cada qual com suas qualidades e imperfeições.
Quanto mais originais nos prestamos a ser, mais difícil é o processo de nos fazermos compreendidos, integrados e inseridos. É o duelo entre os normais e os demais. Felizes são os loucos, pois não herdam a nossa razão. Precisamos querer “mais erosão e menos granito”, precisamos daquilo que não temos dito, inclusive daquilo que tememos e por vezes sofremos. Precisamos gostar do inacabado, do imperfeito, do estragado. Não queremos só canção, precisamos de gritos e de revolução.
Desejo que todos tenham e mantenham toda a originalidade que contenham; que sejam comedidos ao viver suas verdades; que acreditem nas suas próprias invenções, fugindo das convenções, das doutrinas, das competições, das disputas tolas e sem objetivos claros ou princípios raros.
Que 2008 seja ímpar, embora bissexto! Que todos possamos ser bons pares, parceiros, companheiros de bar e da mesma barca; que a lealdade dos navegadores deste mar, seja nossa marca. Atitudes de fidelidade, de amor e de ajuda. O novo tempo é de mudanças e que estas não sejam apenas políticas ou climáticas!
Que possamos curtir mais os momentos, todas as horas, cada instante; que deixemos nossos troféus na estante e, daqui em diante sempre iremos avante! Passos firmes, definidos, bem distribuídos, acreditando na própria história, valorizando a própria memória, apreciando a sábia trajetória de nosso ser infante, nosso acervo gigante, nossa cabeça grande de um “Ser Elefante”…e “que se foda” o beija-flor e a macacada!
Temos muito para viver até chegarmos a ser apenas uma imagem de seres extintos do passado. Somos nós agora os atores, os principais autores desta história e façamos dela uma narração pictórica.
Mais vida, mais diversão, mais alegria! Vamos ensinar nossos filhos como aproveitar a vida e o Mundo, e não como vencer na vida e vencer todo mundo, cavando trincheiras no solo pantanoso, deste jogo tão marcado. Continuemos radicais nas nossas ações, mas tolerantes nas nossas interpretações. Amigos em todas as horas, originais desde criancinhas.
Saúde, paz, verdade, vida e tudo que o bom vento velhinho nos traz de tempos atrás, de passados Natais, de nossos anseios ancestrais. Beijos e abraços, felicidades, bandeiras brancas e “-Vamos pro Limpo!” A Luta continua e o Luto é passageiro.
Guardem esta mensagem, pois ao longo do ano próximo não custará nada reler e refletir sobre isto, mesmo quando chegarmos de madrugada exalando malte e totalmente liquidados, mais parecendo burros e com outros incorporados. Vamos criar nossa própria oração!
Mais beijos e abraços e não se esqueçam que: ”Pouco conhecemos do que já passou, e menos ainda daquilo que ainda virá!”

Eduardo
Apagando as luzes de 2007… e acendendo o sol do novo 2008!
 

Uma resposta

  1. Olá!
    Estamos seguindo por esse novo 2008, já trilhado a cinco belos meses que podem retratar um pouco das construções propostas na passagem do Ano Novo.
    Hoje pude dispensar atenção à esta produção que me interessa compreender!!
    Quero poder compartilhar do que me remete tal leitura, porém primeiramente farei a tentativa de abordar alguns pontos:
    Tenho como premissa, preservar questões que não necessariamente precisam ser apontadas por meio divulgável;
    considero ético comentar pontos de vista próprios apenas entre aqueles que estão envolvidos e implicados nas considerações;
    e finalmente, espero construir sempre, quando me volto e dedico atenção a algo ou alguém!!

    Posto isto, abro um convite endereçado ao autor do presente texto, para que possibilite uma profunda troca de opiniões quanto a aspectos que considero importantes nesta breve entrega que realiza nas linhas que produz.

    Sendo assim, faço agora apenas um recorte,
    destacando um trecho para que, considerado pelo autor a possibilidade de troca pareada,
    ai sim emita meus comentários e pontuações.

    Espero que nas mudanças construídas por todos e a cada qual, durante o ano que se realiza, possamos em muito alcançar os desejos mais puros e reais de nosso viver!!
    No aguardo de continuidade destaco…

    ” …Seguimos assim, amados ou não, como uma massa comum de companheiros .
    Durante o ano nem sempre fomos amigos, mas nem por isso tivemos os punhos cerrados, tampouco braços armados. Essa maratona toda é fruto de nossos projetos de vida, nos chamando para detalhar-los, para que se transformem de desenhos a fatos, originais, verdadeiros, legítimos.
    Nossas expectativas mais íntimas nos empurram para um abismo, nos jogam na vida, na busca desregrada por uma receita universal, misteriosa, única e pessoal. Talvez, a “tal da felicidade” (como cantavam as Frenéticas nos anos 80).

    Mas talvez estejamos exagerando demais! Eu, talvez estive, creio que estava há tempos atrás!…
    Corri na velocidade da luz, de uma luz própria e, nas horas da escuridão, acabei sendo cegado pela intensidade do brilho desta minha pretensa luminária, que era apenas uma simples vela no escuro,
    novamente,
    tentando ser feliz.

    Alguns de nossos pares acabaram sendo atropelados: “Eu fui o primeiro!” E tive que conviver imperativamente com a sensação do “tudo parado”, morto, logo ali caído no chão, na nossa cara! E nós, sempre, carregando este legado de pobres inválidos, feridos, machucados, quase tão sofridos quanto nós mesmo (ou mais).

    Mas mesmo isso tudo não comove a todos da mesma maneira, não funciona assim! Somos diferentes, graças ao Deus (de vocês)…

    O que agora vejo e neste momento desejo é exatamente isso: a preservação da diferença,
    da diversidade das vidas, das almas, de feras, feridas ou calmas,
    enfim, não quero mudar ninguém e,
    tão pouco,
    modificar minha teimosia que todos olham com desdém.

    Um dia, talvez, entendam dos porquês e possam, ainda, me dar razão, ou simplesmente comentarem numa mesa de bar que, o “cabra” era teimoso e obstinado, que embora tinhoso tinha suas razões e suas idéias claras, confundidas com algumas paixões (mesmo que, por vezes, exageradas).

    Desejo, para todos, que tudo siga os caminhos mais sábios da consciência humana.
    Precisamos preservar nossa originalidade, nossas peculiaridades, nossas idéias mais ímpares.
    Sejamos, portanto, pares, parceiros…
    Nunca competidores, traiçoeiros, párias desnaturados da sociedade… Não precisamos competir, simplesmente porque não há porque competir.

    “” Nossa corrida e briga é contra nós mesmos! “”

    Aqui, suspendo meu recorte e reforço o convite para que possa em par com o autor, concluir aquilo que desejo comentar, mas que acredito, ser importante primeiramente expor somente ao autor.
    Temos liberdade de expressar nossas opiniões e pontos de vista, mas como seres sociais também a ocasião e oportunidade deve ser pautada pela ética.

    Sendo assim, convido – o para uma conversa e sugiro que possamos realizá-la tão breve possa !!

    Faço as menções quanto ao texto produzido, inclusive salientando que o MESMO será objeto de presente a ser entregue para uma pessoa muito especial, que com certeza guardará o mesmo para reler por muitas vezes quando desejar.
    FAREI A ENTREGA NO PRÓXIMO DIA PRIMEIRO DE JUNHO e torço para que nosso diálogo possa ocorrer antes de fazer este presente, pois, através do diálogo com certeza este texto poderá ter muito mais cor e concretude!!!

    Mônica Caetano

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