Arquivos Diários: 6 janeiro, 2008

INDÍGINAS JAPONESES por richard siddle

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MINA SAKAI membro do AINU Rebels

 Os Ainu são o povo indígena do norte do Japão. Sua história constitui, em parte, uma luta por sua representação discursiva. Ideologicamente marginalizados como uma “raça em extinção” necessitando “proteção”, uma imagem que moldou políticas concretas que promoveram sua subordinação ao Estado, os Ainu têm reagido, desde os anos setenta, ao se recriarem como um “povo indígena”. Suas vozes, porém, tem permanecido mudas em um Japão, que continuou a representar-se como “racialmente homogêneo”. Porém tudo isso pareceu mudar no dia 1 de julho de 1997, quando entrou em vigor no Japão a primeira legislação para promover uma cultura étnica anticonvencional e encorajar o multiculturalismo no interior da sociedade japonesa. A promulgação do Ato de Promoção Cultural Ainu (APC) foi recebida entusiasticamente por seus defensores como um evento que “marcou época”. Assim , o governo japonês finalmente resolveu seu “problema Ainu”, fazendo justiça e reconhecendo direitos humanos aos habitantes originais de Hokkaido, despojados, marginalizados e empobrecidos pela exploração colonial daquela ilha após 1869? Ou a retórica de acontecimentos que “marcam época” obscurece uma realidade política que na verdade mudou muito pouco? Nesse paper vou argumentar que o APC representa apenas uma concessão marginal por um estado paternalista. Políticos continuam a fazer afirmações de “estado homogêneo”. Críticos argumentam que o movimento Ainu descarrilhou, e que a cultura Ainu, longe de ser “promovida”, está presa numa estrutura de opressão pouco diferente da que prevalecia durante a política oficial de assmilação. Apesar de passados apenas quatro anos desde a promulgação do APC, vou tentar avaliar nesse paper o impacto inicial dos movimentos Ainu em prol de direitos políticos e humanos e sua posição na sociedade japonesa no alvorecer de um novo século.

AS MELHORES IMAGENS DE 2007

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O BOM JUDEU poema de jairo pereira

vinte anos esperei o bom judeu q. me editaria
mirava os aviões escassos no céu interiorano
amanhã ou depois aterrisaria em Cascavel Foz
Curitiba ou Londrina e depois numa van até Quedas
o bom judeu vindo: e em sua maleta o contrato prévio
visto-revisto em minúsculas letras
de capciosas cláusulas
e onde cegamente eu o poeta otário assinaria
como um cordeiro escalado ao sacrifício
vinte anos convivi com o bom judeu em minha retina
o bom judeu q. era de vir viria um dia nunca veio
todo de negro óculos de aros claros calva ruiva e feio
o bom judeu da minha redenção midiático-financeira
alma numinosa e nas negras vestes botões cifrados
apto a colocar-me
na rica estante dos consagrados. 

BALANÇO de FIM de ANO por eduardo ratton

Para a surpresa da população ou a alegria de alguns interessados, nestes momentos em que 2007 está findo e que 2008 está sendo bem-vindo, não houveram grandes surpresas. Os acordos irresponsáveis do Executivo e o descaso do Legislativo ocuparam as manchetes dos noticiários. Mas, nada mudou, ao contrário, vivenciaremos a continuidade do nepotismo descarado e inconseqüente no primeiro escalão do governo, da incompetência jurídico-administrativa nas negociações do pedágio (embora a COPEL tenha tentado participar deste condenado esquema milionário), da compra da termoelétrica de Araucária, do fracasso da intervenção na SANEPAR, dos escândalos do CEASA e da compra das televisões alaranjadas, dos absurdos ocorridos na administração portuária, enfim, enquanto ninguém foi até então responsabilizado pelos danos ambientais decorrentes da explosão do navio Vicuña (2004), champanhes explodem no carnaval da ilha das Cobras, com risos sarcásticos no festerê de luzes fraternas. Este é o resultado de mais um ano de aclamação do governo pelo povo paranaense. Feliz Ano Novo! 

Eduardo Ratton

Professor da UFPR

DESPEDIDA de SOLTEIRO poema de paulo matos

  

Ontem solto.

Ora salto

Ao matrimonio. De assalto.

Ontem livre

Como um livro.

Teoria livre de lavra

Hoje volto

– E esse o voto –

ao seio da mulher    amada…

REDE de AÇUDES do NORDESTE a maior do planeta Terra por manoel bonfim ribeiro

Discute-se a transposição de águas do rio São Francisco para o Nordeste brasileiro como a grande solução hídrica para o Semi-árido. A aridez desta região se caracteriza pela sua baixa pluviosidade com isoietas de 600 mm/ano. A seca se instala quando o desvio padrão é negativo, chovendo 60, 40, ou apenas 30% das médias anuais. Na grande seca de 1915, a mais tirana de todas, embora curta, o desvio padrão chegou a 75%, isto é, só choveu 25% da média, 150 a 180 mm naquele ano. Foi um horror que mereceu o primeiro livro da escritora Rachel de Queiroz, “O Quinze”. Durante o período de inverno as chuvas se concentram por três meses em média e, geralmente em maio, ocorre um brusco declínio pluviométrico. Isto é próprio dos climas semi-áridos sob latitudes equatoriais.
 Não há seca absoluta, na acepção do termo, com precipitação anual zero. No continente americano só o deserto de Atacama, no Chile, tem zero de precipitação, porque os ventos alísios, carregados de umidade, não conseguem cruzar a cordilheira andina e, por sua vez a evaporação no Pacífico é incipiente naquela faixa fria da costa chilena, não havendo, portanto, formação de nuvens convectivas.
 Todos os anos, impreterivelmente, chove no período das quadras invernais, pouco ou muito, mas chove. Por vezes são chuvas tempestuosas, hibernais. O sertanejo costuma dizer que as chuvas de um ano caem num só mês e as chuvas de um mês caem num só dia.
 Pesquisar técnicas para reter e acumular as águas superficiais nas regiões áridas do mundo foi, sempre, a grande luta do homem para suprir as suas necessidades hídricas nas longas travessias estivais. Assim procederam os povos bíblicos do Oriente, os aborígines da Austrália, os tuaregues do Kalahari, os pastores mongóis da Ásia, os afegãos com o sistema subterrâneo Karez de captação, os pigmeus do Saara e mais outros povos da antiguidade.
 Abriam-se poços, algibes e cacimbas, construíam barreiros, açudes e outras técnicas usadas para a captação das águas de chuva. A luta desses povos foi sempre armazenar água sob qualquer modalidade, cativar a água que cai do céu. Na Mesopotâmia foram construídos muitos açudes entre os dois rios e mais de 300 km de canais de irrigação. Os povos daquela região sabiam trabalhar a água. Os cartagineses foram exímios construtores de açudes. Na Austrália, construíram-se grandes implúvios ao longo das rodovias, em regiões áridas como o deserto de Simpson. Os árabes levaram as técnicas de açudagem para as terras semi-áridas da Ibéria. O Egito antigo foi insuperável no trato dos recursos hídricos. Ramsés II construiu obras monumentais, diques de 1.200 km de extensão para imprensar o Nilo contra a costa líbica, para irrigação por bacia. Construiu o lago Meris para controle das águas do rio, obra semelhante ao Sobradinho de hoje. Este lago foi comparado ao Labirinto de Teseu pela complexidade dos seus canais.
 As técnicas contemporâneas de açudagem começaram a surgir na Índia nas regiões de Madras e Bombaim, onde, além de um grande programa de perfuração de poços, aliou-se um robusto plano de construção de açudes, que se multiplicaram aos milhares. Técnicas modernas surgiram também na Inglaterra. Os EE.UU, por todo século XIX, construíram uma grande rede de açudes na região Oeste, de terras áridas e semi-áridas, conhecida como as Grandes Planícies, onde as isoietas pluviométricas variam de 250 a 500 mm, nunca além. Colorado, Montana, Arizona, Nebraska e outros estados que ocupam quase metade do País, cerca de 40%. O Elephant Bute é um mega açude americano com 3 bilhões de m³ acumulados, construído no século XIX e hoje, já bastante assoreado.
 No Brasil só temos 12% de terras semi-áridas, sujeitas ao flagelo clímico, com chuvas de 500 mm/ano. O estado do Ceará, área de 148.000 km², representando 15% do Polígono das Secas, tem pluviosidade acima de 700 mm/ano, a maior da região. A média mais baixa está na Bahia, 480 mm/ano em 330.000 km² representando 33% do referido Polígono.
 Foi no século XX que surgiram os primeiros açudes no Nordeste brasileiro. O programa de construção começou no advento da República, um pouco antes, quando a terrível seca de 1877/79 crestou todo o Semi-árido nordestino, degradando e desagregando os lares sertanejos. Partiram desta grande seca os programas de açudagem, que logo passaram a ser uma questão nuclear para o Nordeste.
 À medida que os açudes iam sendo construídos nas calhas de riachos efêmeros e intermitentes, a sociedade sertaneja começava a crer na solução distributiva dessas águas represadas.
 As águas de chuva seguem três caminhos distintos: evaporação, infiltração e escoamento. A evaporação no Semi-árido é avassaladora, chegando a mais de 80%, no momento da precipitação. A infiltração varia de 10 a 15%. O escoamento é o de águas superficiais e fugidias, formadoras dos riachos. O coeficiente de escoamento (run-off) varia de 10 a 20% das águas caídas, mas é baixíssimo o índice de armazenamento, geralmente, menos de 1% do volume afluente médio anual, por vezes, apenas 0,1%.
 Apesar de índices tão baixos, os reservatórios acumulam grandes volumes de água, com milhões e bilhões de metros cúbicos, como o Castanhão, um açude oceânico que pode ser visto da lua.
 Os açudes são construções públicas federais, estaduais, municipais, particulares e de cooperação, somando, hoje, o fantástico número de 70.000 reservatórios superficiais, tornando o Semi-árido, a região mais açudada do Planeta. Não há região no Globo, árida ou semi-árida, com tamanha capacidade de acumulação, um cubo de 37 bilhões de m³, um terço do que o São Francisco despeja anualmente no Atlântico. Numa distribuição geográfica eqüitativa disporíamos de um açude a cada 14 km² por toda a superfície do Polígono das Secas.
 Os açudes se multiplicaram com métodos construtivos cada vez mais avançados. Vejamos alguns, acima de 100 milhões de m³ acumulados, verdadeiros mares interiores: Aires de Souza, CE (104 milhões de m³), Saco II, PE (124 milhões), Cedro, CE (126), Pompeu Sobrinho, CE (143), Caxitoré, CE (202), Serrote, CE (250), Acauã, PB (250), Eng. Ávidos, PB (260), Gal. Sampaio, CE (320), Pentecostes, CE (400), Boqueirão, PB (420), Pedra Branca, CE (425), Serrinha, CE (500), Poço da Cruz, PE (504), Epitácio Pessoa, PB (536), Araras, CE (1,0 bilhão de m³), Coremas-Mãe d´água, PB (1,4 bilhão), Banabuiú, CE (1,7 bilhão), Açu, RN (2,4 bilhões), Orós, CE (2,5 bilhões), Castanhão, CE (6,7 bilhões). Só estes 22 mega-açudes construídos no Semi-árido acumulam nas suas bacias 20,3 bilhões de m³ de água, volume equivalente a 8 vezes e meia a baía da Guanabara, a segunda maior baía do litoral brasileiro.
 Os açudes não secam, são reservatórios plurianuais, inter-anuais, projetados e construídos, com aprimoramento e rigor técnico, pelos engenheiros do Brasil, sobretudo nordestinos, comparados aos melhores hidrólogos egípcios. Cada projeto exige todos os dados climatológicos da bacia hidrográfica em questão, pluviometrias, fluviometria, vazões, run-off, quociente de evaporação, índice de armazenamento, tudo é definido em projeto, inclusive a ciclicidade das secas da região com toda sua série histórica. São analisados e selecionados os materiais usados em cada obra. É tecnologia avançada de alto nível. Citemos, como exemplo, Pinhões, um açude de 15 milhões de m³, considerado de pequeno porte, construído no riacho divisor dos municípios Juazeiro e Curaçá – BA. Situa-se na região mais árida do Brasil, precipitação de 380 mm/ano e evaporação de 4.000 mm ao ano, quase a mesma evaporação do mar Vermelho, situado entre os desertos da Núbia e Arábico. Pois bem, este açude nunca secou, tendo, inclusive, um pequeno sistema de irrigação. Milhares de outros açudes podem ser citados. Quase todos os grandes açudes de Nordeste têm projetos de irrigação implantados, e muitos deles com geração de energia hidrelétrica. São açudes que não podem secar e, realmente, não secam.
 Construímos, durante 100 anos, com muito orgulho nordestino, o maior patrimônio hídrico do Mundo na captação de chuvas, uma das grandes conquistas da humanidade em terras áridas, uma verdadeira AGUABRÁS, e, num determinado momento, joga-se tudo pela janela, não serve mais, vamos transpor o São Francisco, é melhor.
 Senhores do nosso Brasil, políticos, governantes, religiosos, administradores, profissionais, executivos e toda a sociedade. A solução para o atendimento às comunidades sertanejas está na distribuição dessa água. A infra-estrutura está pronta, basta implantar um vigoroso sistema de adutoras. Os nordestinos serão todos atendidos e assistiremos na AGUABRÁS, o grande naufrágio da “indústria da seca”.

 

o autor é eng civil,  ex-diretor regional do DNOCS, da CODEVASF, sec. executivo do CEEIVASF e consultor da SRH/MMA

açude orós sangrando. foto sem crédito. ilustração do site.

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, na falta de maiores por josé zokner (juca)

Constatação I
Quando o obcecado convencido recebeu um e-mail, cujo título dizia “Cuide bem do seu amor”, incontinente pensou: “Eu já cuido – e bem – de todos os meus amores. Afinal, eu não tenho culpa se a minha fama transcende aos esquemas midiáticos consagrados e é divulgado por elas boca a boca”.

Constatação II

Não se pode confundir devidas com dívidas, até porque nem todas as dívidas, devidas, são quitadas, como, por exemplo, as dívidas de campanha (não confundir com promessas. Essas, nem falar). A recíproca é verdadeira basta ver os cheques devolvidos, os seproc’s da vida e coisas desse jaez.

Constatação III

E como comentava a menininha para sua coleguinha depois da aula: “Acho que a professora esqueceu algo, hoje, na aula de ciências. Ela disse que nós somos formados essencialmente de carne e osso. Será que ela esqueceu do silicone?”

Constatação IV

Deu na mídia: “O cantor e compositor Paulinho da Viola e a atriz Helena Ranaldi foram vítimas da violência do Rio”. Como os meus prezados leitores podem constatar, também, a violência, por não escolher as suas vitimas, está cada vez mais democrática e sem preconceito…

Constatação V

Rico se insinua; pobre é convocado.

Constatação VI

E como dizia aquele sujeito que se considerava de Esquerda quando constatou que o professor que havia sido escolhido para paraninfo de uma turma da faculdade, reconhecidamente de Direita, havia se negado, peremptoriamente, a mostrar, previamente, seu discurso ao reitor e aos censores de plantão, no tempo da ditadura: “Pela primeira vez na minha vida sou obrigado a me solidarizar com um cara da Direita…”

Constatação VII

E na festa a fofoqueira cochichou para sua comadre: “O Braga – não o Ney Geraldo Braga, que é gente fina – tava comendo desbragadamente; o Fraga, nas eleições, foi derrotado fragorosamente e o Franco, aquele que é meio pirado, deu de falar, para ele mesmo, nada francamente”.

Constatação VIII

Ela inovou com verborragia a escrita: A sua carta, de 20 laudas, só continha besteirol, blablablá e nhenhenhém.

Constatação IX

Rico enriquece cada vez mais, pobre empobrece como rico enriquece.

Constatação X

Rico administra com brilho mágico; pobre com realismo mágico.

Constatação XI

Rico guarda seus tesouros a sete chaves; pobre não precisa.

Constatação XII

Rico começa sua vida profissional, na pior das hipóteses, como assistente; pobre, na melhor das hipóteses, como ajudante.

Constatação XIII

Rico é um vulcão no mundo dos negócios; pobre, um iceberg se derretendo pelas lavas do vulcão.

Constatação XIV (Mensagem do Professor Luiz Gonzaga Paul, meu ex-colega no Badep – Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. e meu conselheiro para assuntos relacionados com o nosso rico vernáculo).

Natureza nossa, que estais nos céus e na Terra,
preservada seja vossa beleza e graça dos primeiros tempos.

Tenha o homem senso ecológico em todos os reinos,
reparando os danos causados assim na Terra como nos céus.

Alimentos e águas puras de cada dia, mereçamos hoje,
e longe de nós as ofensas ao meio ambiente
mesmo à custa de nosso lucro e bem-estar.

E não nos deixeis cair na tentação
de achar que a vida na Terra é infinita e tudo vence,
mas fiquemos sempre alerta na defesa do patrimônio natural
Assim seja!