SONETO do REENCONTRO de manoel de andrade

Na  primavera  tu  voltaste de mansinho
finda a tempestade, surgiste na bonança
me  conjugando o verbo  da esperança
num  íntimo  gesto  de  lírico carinho.

Tu foste  meu fuzil, o meu canto guerreiro
a  voz  peregrina  acesa  no  meu  peito,
ensina-me  a cantar agora de outro jeito
para entoar amor e paz ao mundo inteiro.

Combatente e amordaçada em meu destino
silenciados e por atalhos clandestinos
trinta  anos  se  passaram,  dia-a-dia.

Depois a liberdade chegou para o meu povo
mas  só  agora  eu  te encontrei de novo
para  nunca  mais  perder-te… ó poesia.

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