Arquivos Diários: 9 janeiro, 2008

DESABAFO por “comentário anônimo”

“pelo ritmo em que estão surgindo e fechando pra balanço essa infinidade de supostos sites e blogs literários, será que o que está faltando não é um pouco mais de humildade e semancol e menos pretensão aos candidatos a escritor? Eles têm certeza de que tem alguma coisa de relevante a dizer? Não tenho visto relevancia nenhuma na maioria desses escritos. Que tal viver e ler mais antes de se meter a encher páginas e páginas de coisas nenhuma? Poesia? juntar palavras a esmo não é poesia…”

comentário feito no site ALGARAVÁRIA que está dando um tempo. dá o que pensar.

O NOVO ACORDO poema de remisson aniceto

Uma longa viagem me inspira,
porquanto enjoado e absorto
é quando a palavra transpira.
Tomei um avião para o Porto.

Essa história de uniforme
que tentam vestir na grafia
vai deixá-la mais disforme
pra quem – leigo – escrevia.

Do soneto não me enjôo
e a mudança deu-me a idéia
de escrevê-lo em pleno vôo.

Amanha, em outro voo,
talvez tenha outra ideia
quando tiver outro enjoo.
                               

SOU POETA poema de ítalo agra de oliveira silva*

Como um músico tocando sem retorno
Hesitando que o tempo se disperse
Um pintor distraído que esquece
Dos pormenores contornos,
De suas idéias iludíveis
Nos símbolos incompreensíveis
Que para muitos são meros adornos.

Sou poeta…
Que escreve, mas receia
Pois espera a grande ceia
No porvir que ser arvora
E enquanto a alma não chora
Cumpro vícios e caprichos
Nos pequenos interstícios
Que a intransigência devora.
 

o autor vive em gameleira/pe

DIÁLOGO em NOITE FRUSTRADA por alexandre frança

Ela diz – eu sou um redemoinho de sentimentos e sensações, uma alma pronta para alçar vôos cada vez mais profundos por entre os galhos rotos que a vida nos impõe, pois esta é a minha vida, um rio transbordando e transbordando e transbordando um céu de sentimentos múltiplos, de cores nunca antes vistas queimando o que é diáfano e lacrimoso.

Eu digo – você está carente.

Ela diz – você nunca vai entender o que se passa nesta alma-fênix de mulher rasgada pelas artimanhas ferinas da vida, já que esta sua forma machista de impor a sua opinião será sempre uma barreira entre esta represa tórrida de sentimentos, que sou eu, e esta sua mania irritante e reducionista de limitar todo e qualquer assunto que diga respeito a mim.

Eu digo – você está carente.

Ela diz chorando – você nunca vai me entender. você com este seu ar de pseudo-intelectual, com este cigarro entre os dedos, com este brilho irritante no olhar. sabe o que mais, você é um bêbado, eu nunca deveria ter me envolvido com um tipo escroto como você, já que você, com esta sua enpafiazinha de moleque, nunca irá entender uma mulher de verdade, uma pantera desvairada no cio dos mais puros e impuros sentimentos, uma estrela cadente do eterno brilho da sexualidade feminina de uma fera em extinção

Eu digo – você já não está falando coisa com coisa

Ela diz – e o que você entende disso, seu merda?

Eu digo – me dá um abraço?

O ASSASSINATO de BENAZIR BHUTTO por tariq ali

benazir-bhutto-foto_mat_20993.jpgDomínio militar é tragédia paquistanesa

É difícil imaginar que algo de bom possa surgir dessa tragédia, mas existe uma possibilidade. O Paquistão precisa desesperadamente de um partido político que fale em nome das necessidades sociais da maioria de seu povo. A análise é de Tariq Ali.

Mesmo aqueles dentre nós que criticavam severamente o comportamento de Benazir Bhutto e as políticas que ela adotou quando estava no poder e depois de perdê-lo se sentem atônitos e enraivecidos diante de sua morte. Indignação e medo tomam o país uma vez mais. Foi essa estranha coexistência entre despotismo militar e anarquia que gerou as condições que resultaram no assassinato de Benazir.No passado, o governo militar tinha por objetivo preservar a ordem. Mas isso deixou de ser verdade. Hoje, o domínio militar cria desordem e destrói o domínio da lei. Que outra explicação poderíamos encontrar para a demissão do presidente e de oito outros juízes da Suprema Corte paquistanesa por terem tentado sujeitar a polícia e os serviços de informações aos ditames da lei? Os substitutos não têm firmeza moral para tomar providência alguma, quanto mais conduzir a investigação sobre os delitos das agências, a fim de encorajar a revelação da verdade por trás do assassinato cuidadosamente organizado de uma importante líder política.De que maneira o Paquistão seria outra coisa que não uma conflagração de desespero hoje? Presume-se que os assassinos sejam jihadistas fanáticos. Pode ser verdade, mas agiram por conta própria?

EUA e coragem
Benazir, segundo fontes próximas a ela, sentiu-se tentada a boicotar as falsas eleições, mas não teve coragem política de desafiar Washington. Tinha muita coragem física, e recusava-se a ceder às ameaças de seus oponentes locais. Bhutto estava discursando em um ato em Liaquat Bagh. É um espaço batizado em homenagem ao premiê que formou o primeiro governo paquistanês, Liaquat Ali Khan, assassinado por um atirador em 1953. O matador foi imediatamente abatido a tiros por ordem de um policial envolvido no complô.

Não muito longe dali, existia uma estrutura da era colonial que servia de prisão aos militantes nacionalistas. Era a prisão de Rawalpindi, o local em que Zulfikar Ali Bhutto, pai de Benazir, foi executado em 1979.

O tirano militar responsável por seu assassinato fez desaparecer o lugar da execução. A morte de Zukfikar Bhutto envenenou o relacionamento entre o seu Partido do Povo do Paquistão e o Exército; ativistas do partido foram torturados, humilhados e, ocasionalmente, mortos.

A turbulenta história do Paquistão, como resultado de contínuo domínio militar e de alianças internacionais impopulares, agora apresenta sérias escolhas à elite governante, que parece não ter qualquer objetivo positivo. A maioria esmagadora do país desaprova a política externa. O povo também se sente irritado pela falta de uma política doméstica séria, se excetuarmos os esforços para enriquecer ainda mais uma elite insensível, cujas fileiras incluem as Forças Armadas, superdimensionadas e parasitárias -as mesmas que assistem, impotentes, ao assassinato de líderes políticos.

Benazir foi atingida por tiros e logo houve uma explosão. Os assassinos garantiram duplamente a operação, dessa vez. Queriam-na morta. Agora, é impossível a realização de uma eleição, ainda que fraudulenta. O pleito terá de ser adiado e as Forças Armadas estão contemplando a imposição de um novo período de domínio militar direto caso a situação se agrave, o que pode facilmente ocorrer.

O assassinato representa uma tragédia multidimensional em um país que está na estrada para novas tragédias. Há despenhadeiros e cataratas à frente. E há a tragédia pessoal. A família Bhutto perdeu mais um membro. Pai, dois filhos e agora a filha.

Morte do pai
Fui apresentado a Benazir na casa de seu pai, em Karachi, quando ela era uma adolescente que só queria se divertir, e voltei a encontrá-la mais tarde, em Oxford. A política não era sua inclinação natural, e ela desejava ser diplomata, mas a história e suas tragédias pessoais a conduziram em outra direção. A morte de seu pai a transformou. Ela tornou-se uma pessoa nova, determinada a enfrentar o ditador militar daquela era.

Estava instalada em um pequeno apartamento em Londres, no qual discutíamos o futuro do país. Ela concordava quanto à necessidade de uma reforma agrária, grandes programas educativos e uma política externa independente, como passos cruciais para salvar o país dos abutres que estavam à espreita, com ou sem uniforme. Sua base eleitoral eram os pobres, e ela se orgulhava disso. Mas Benazir mudou de novo, ao se tornar primeira-ministra.

No início de seu governo costumávamos discutir, e ela dizia que o mundo havia mudado. Ela não podia se colocar ”do lado errado” da história. E, como outros, fez as pazes com Washington. Foi isso que a levou, por fim, a fechar um acordo com Musharraf e voltar ao país. Em diversas ocasiões ela me disse que não temia a morte. Era um dos perigos inerentes da vida política paquistanesa.

É difícil imaginar que algo de bom possa surgir dessa tragédia, mas existe uma possibilidade. O Paquistão precisa desesperadamente de um partido político que fale em nome das necessidades sociais da maioria de seu povo. O Partido do Povo, fundado por Zulfikar Ali Bhutto, foi criado pelos ativistas do único movimento popular de massa que o país já viu: estudantes, camponeses e trabalhadores que lutaram durante três meses, em1968/9, pela derrubada do primeiro ditador militar do país. Os militantes consideravam a organização como o seu partido, e o sentimento persiste ainda hoje em determinadas áreas do país.

A morte horrível de Benazir deveria fazer com que seus colegas parem e reflitam. Depender de uma pessoa ou família talvez seja ocasionalmente necessário, mas isso representa uma fraqueza estrutural, e não uma vantagem para uma organização política.

O Partido do Povo precisa ser recriado como organização moderna e democrática, aberta ao debate e discussão honestos, defendendo os direitos sociais e humanos, por meio da união dos muitos grupos e indivíduos paquistaneses dispersos que estão desesperados por qualquer opção de governo minimamente decente e que apresente propostas concretas para estabilizar o Afeganistão, ocupado e dilacerado pela guerra. Isso pode e deve ser feito. Não deveríamos solicitar novos sacrifícios à família Bhutto.

* Escritor, historiador anglo-paquistanês e editor da revista New Left Review

agência Carta Maior.

A VILÃ HIPERATIVIDADE por paula lameu

a-crianca-hiperativa.jpg

foto de hélio rocha/br

Carlinhos é hiperativo. A todo momento sua atenção é chamada pelas mais simples coisas: o fechar de porta, o cair do lápis, o cantar do passarinho, o ponteiro do relógio. “Tiiiiiiaaaaaaaa!”. Sempre me chama para mostrar alguma coisa super interessante. Vejo nos seus olhos a indignação por eu não dar a mesma importância. “Me desculpe, mas você pensa muito rápido!”. Desculpo-me sorrindo e confortando-o. Na verdade, gostaria que pintasse o desenho e ficasse sentado como os outros. Mas que chatisse! Nem eu gosto de pintar desenhos. Que besteira a minha.

Carlinhos gosta de desafios. Em seu período pré-silábico, fiz um ditado com ele, em português, inglês e espanhol. A cada escrita, berrava de satisfação. “Coche, termina com E!” E escrevia com um sorrisão de orelha à orelha.

Suas bochechas rosadas pedem muitos beijos todas as vezes que o vejo no recreio. Na escola é feliz: brinca, ri porque é respeitado.

Sua hiperatividade foi diagnosticada com menos de um ano de vida, pois era “esperto demais para a idade”. Foi quando o pesadelo começou. Dois, três dias sem dormir, só querendo brincar. Pais estressados, avós que não queriam ouvir falar. Até que chegaram os “roxos”. Mas não faz mal, porque era para ele deixar tudo sair pela janela que amanhã seria outro dia…

Mas e a medicação? As doses são dadas de acordo com o comportamento do menino, chegando a ficar dias sem tomar, se foi “mau”. Daí começamos novamente desde o início, surto após surto. Quantos Carlinhos não existem por aí em salas de 40 alunos? Seu QI está bem acima da média, só precisa de um educador que antes de tudo o ame como ele é, para depois orientá-lo nas descobertas do aprender.

NAZISMO BÍBLICO ou ARIANO? por walmor marcellino

Acusam-me de não facilitar a leitura quando o assunto é de alta complexidade; e eu reconheço minha máxima culpa, porém afirmo que os temas são complexos e/ou inextricáveis aos conhecimentos de um desvalido e entediado. Como vocês sabem, a “civilização ocidental-cristã” — abichornada pelo remorso do que o capitalismo imperialista alemão fez na Segunda Guerra Mundial contra comunistas, eslavos, judeus, ciganos, deficientes físicos e mentais, homossexuais e enfim contra os “não-heróicos arianos” e os supostos “traidores” e “algozes” dos alemães na Primeira Guerra Mundial… — bem, um bonachão grupo “democrático” hecatômbico ou holocaustiano deu de presente para uma organização sionista a Palestina. Creio ser esse um final “grotesco” É difícil escrever brevemente sobre tal assunto, embora seja obrigação diária desasnar o gentio sobre a origem do que vai pelo conluio imperial-colonialista Estados Unidos-Grã Bretanha-Israel. Pensar cansa quem como eu não é bem formado (no sentido mental). Daí dou sumário exemplo de uma tentativa de síntese: O nazismo “é um movimento chauvinista [nacionalista exacerbado] de direita, alemão [ou judeu-sionista], nos moldes do fascismo italiano [ou do Partido Likud, apoiado no agressivo e criminoso rabinato de Israel], imperialista [ou da “Eretz” ou “Grande Israel”], belicista [como o colonialismo imperialista de Israel] e cuja doutrina consiste numa mistura de dogmas [como no “Mein Khampf” de Adolf Hitler e nos “tributos” ao Talmude e/ou mandamentos da Torá] e preconceitos [de “povo eleito”, semita, “destinado” às terras que vão do Eufrates ao Nilo, e com predestinação divina ao poder, desde sempre, até antes que Zoroastro inventasse essa fundamentação mística judaico-cristã] a respeito da pretensa superioridade da raça “ariana” [a) invenção paranóica oriunda da etimologia sânscrita “nobre”;b) consta que os árias, esse belo povo da Ásia Central, teriam migrado para a Índia; porém o imbecil do Hitler os relacionou com os nórdicos;c) conforme outro tipo de cretinismo (o arianismo), Jesus Cristo seria uma criatura de natureza intermediária entre a divindade e a humanidade… ufa!]; existência a que se atribuem os nazistas [e os sionistas]…”, cf. registra o dicionário Aurélio e acentuam os parênteses meus.O rebanho político judeu afirma que sua “diáspora” lhe deu os direitos transcendentes à terra palestina [com ou] sem a concordância dos ancestrais moradores palestinos. Também Adolph Hitler afirmava ter direito à expansão territorial [com ou] sem concordância dos austríacos, poloneses, tchecos e periecos.Esses fanáticos judeus falam de um conchavo entre o Ente Superior e o povo semita, mesmo que a ciência diga que eles não passam de filhos da negra Lucy, como nós. Já o ex-cabo Shickelgruber, alcunhado Adolf Hitler, prendeu, seqüestrou, concentrou e torturou todos os que considerava inimigos, especialmente comunistas, eslavos e judeus; os judeus porque ‑ ao contrário do que afirmava Max Weber em “o espírito do capitalismo”‑ teriam sido eles “e sua cobiça” e não os protestantes e a seita calvinista em especial que desenvolveram o capital e a usura. E se Hitler teve uma pré-ciência de que o precípite capitalismo desata coisas incontroláveis, não poderia imaginar que os sion-nacionalistas, alentados pela “Lebensraun” tardia, iriam mais tarde prender, seqüestrar, concentrar, torturar e matar semitas, jafetitas e camitas que se opusessem à Grande Israel. Pelo menos, hoje sabemos que o rabinato fascista e o militarismo colonialista, associados à matriz imperialista, é que dirigem a “democracia judaica” no Oriente Médio. Pra cientista nenhum botar defeito.Curitiba, 2/12/2007