Arquivos Diários: 15 janeiro, 2008

POETAS SE REUNEM PARA HOMENAGEAR BIA DE LUNA.

 
 BIA no habeas coppus em 31 de outubro de 1990 no lançamento da coletânea. foto de rosana albuquerque.
pois é, BIA faleceu no domingo (13/01/08) a tarde, segundo informações, e o sepultamento foi marcado para segunda feira as 11:00, como nenhum de seus amigos foi avisado, ninguém sabia, óbvio. eu fui avisado pela gazeta do povo as 9:50, por mera casualidade, pois não é meu costume ler o obituário, ali encontrei o nome dela. confirmei com o ewaldo, que estava em londrina, o nome completo e me dirigi para a capela 04 da luz. levei alguns minutos para me recuperar do choque emocional e passei a avisar, com alguma dificuldade, o máximo de amigos. mas, a esta altura já eram 10:40. a proximidade do sepultamento e o elemento surpresa dificultou o deslocamento do pessoal, poucos, que consegui avisar. estiveram presentes: elaine, que se encontrava próxima, mauro, que também estava nas redondezas e eu, graças à gazeta do povo. a poeta marize manoel, que chegou para o velório de uma outra amiga, tomou conhecimento, por meu intermédio e, também, foi despedir-se da amiga BIA. só. não por culpa de seus inúmeros amigos, mas pelo prazo curto para que a notícia se espalhasse até o sepultamento. diante deste fato, com muita tristeza e consternação, alguns amigos se reuniram no final da tarde e decidiram que irão convidar os demais amigos de BIA para homenageá-la em diversos lugares da cidade a serem definidos. estavam presentes, luis felipe leprevost, luis alceu (lulo), kambé, miranda, denise, alexandre frança, lurdes, marilda confortin e eu. ficou agendado para o dia 24/01 a primeira manifestação no hermes bar, a partir daí, serão programadas as demais. todos lá! nunca me imaginei escrevendo sobre tal fato.
jb vidal

POETAS FAZEM HONRAS À BIA DE LUNA

 

 

 O FIGURANTE SORRIDENTE

de altair de oliveira
 

Diante de Dante, Bia só me ria
Quando me via rir-lhe radiante
No mesmo instante, eu ressorindo lia
O riso lindo que Bia fazia…
De tão bonito inibia o Dante!
 
Eu no meu canto, Dante no seu canto
Cantava Bia que me via e ria
O riso dela, que era bela, ardia
Todos eternos céus de meus espantos
Pondo distantes os infernos de Dante.
 
E eu comedia o riso desmedido
Retribuído à Bia sorridente
Que prometendo o fogo dos amantes
Deixava Dante a cantar no seu canto
Enquanto eu, dissimulante,  ria
Desinibindo rios que me ardiam
Pra nos lançar num mar de fogo eterno
e por ao léu o belo céu de Dante.

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POR QUE MENTIAS? poema de álvares de azevedo

 

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez- a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó! por que mentias?

 

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SOLIDÃO poema de jb vidal
                   
                                                                                                                                                                              
                                  

andava por andar
não havia nada a dizer

as palavras agarravam-se aos meus cadarços
como se fosse o último a dar-lhes vida

os pensamentos voaram para longe,
atormentar outras mentes

a alma,
bem, a alma sofria  o compromisso com o corpo

o corpo,
ora o corpo,

retive um sorriso,
…e tudo era só

 

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O INCONFORMADO  de léo meimes

 

Que sou dentro desta
Prisão, se não o nu infame da
Carne sempre a definhar?

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SOLILÓQUIO DO CASTIGO poema de alexandre frança
 
A gelosia aprisiona os olhos
E a súplica da sacristia,
Prostrada ao pé do desavergonhado
Recebe um tchau sarcástico da morte.
 
Na lembrança moços de estampas florais
Escolhem quem deflorar
No peito o metrô vazio
Nas mamas bocas sujas a sugar seu leite
A noite, como sempre, reluta a cair hipnotizada
Pensa demais. Raciocina demais…
…até o cigarro pegar carona com a varejeira.
 
Na mesa a cruz,
A navalha,
O cinza-avermelhado que geralmente envolve este tipo de cena…
 
…e o preto dos olhos que novamente escolhe a vingança como remédio para dormir.

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CORPUS poema de joão batista do lago
 
 
A argila
Carne que perambula
Vermes – e alma –
Só tornará calma
Se argila tornar Ser
 
O barro não morre o corpo
Sedento de espírito vira anti-corpo!
 
E quando a morte se dera
Na alma do corpo que se fizera
Verás desta vida apenas quimera
 
Santificada seja a morte que me retorna à vida da terra!
 
Somente lá estarei concluído
Somente lá jamais serei vencido
Somente lá terei a paz sem guerra

POEMA de nelson padrella

   

Com a alegria que outrora possuia
    construí meu planeta. Pedra a pedra
    edifiquei o lar e os caminhos
    que levam ao lar.
    Respeitei as estradas das formigas
    e sobre riscos de água criei pontes.
    Abri a porta da casa para amigos
    e as janelas para que entrassem pássaros
    com seus vermelhos e gritos de alegria.
    E quando olhei pra mim eu era deus
    e gozava o recém criado paraíso.
    Ah! Quanta alma bela flutuava
    na vastidão do planeta que eu criara.

 

 

 

OS LOUCOS de mário quintana

 

“Nossa loucura é a mais sensata das emoções, tudo o que fazemos deixamos como exemplo para os que sonham um dia serem assim como nós:

Loucos, mas felizes!”

 

 

 

PASSAGENS  poema de luis felipe leprevost

 

confirmei que o barulho dói no slogan dos hospitais
onde se recuperam as balas doentes dos xerifes
e senti dores musculares como os papéis
que panfleteiros do centro
batem uns contra os outros de modo a imitar o inseto
zunindo nossa atenção de madrugada

eu pude percorrer as linhas da minha própria mão nos olhos
de Mãe Oriva de Oxossi, suas cartas e búzios distraídos
sem conseguir prever aquele tiro
e adivinhando o retorno da pessoa amada em três dias
quando não haveria o terceiro dia

eu ceguei para crer na chuva, ossos das nuvens
eu deitei no veneno como deitasse na cama do xerife
mas todos os jardins findaram
plantar e colher nuvens é o que me resta

e é tão difícil descrever uma presença
mesmo com lentes visionárias

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TARDE DEMAIS poema de jorge do irajá

velo esta tarde engomada
florida com tanto alinho
que parece que o homem
é o último dentro do inútil agora.

meu olhar vestido de terno
acompanha o cortejo
e tenta crer com respeito
no suspiro final da cidade.

o sol que eternamente enterro
na carne de minhas palavras
é o nosso morto presente

e feito fóssil fogo-fátuo.
sussurra baixinho meu epitáfio:
– tarde de mim, tarde de tudo, tarde demais.

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 POEMA de carolina correa

 

Deitada no sofá
Ela, e um mero copo de vinho.
O cheiro de cigarro
Ainda impregna sua camiseta.
Desilusão é sua cegueira
Asneiras sua surdez.
Cansada,
Cambaleia até sua cama
Lá, deposita suas forças.
Para sempre.
Fecha os olhos
E vê que foi tudo um lindo sonho.

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DOS IMBECIS COMO DONOS DO MUNDO  poema de jairo pereira

   os imbecis na midiosfera investidos de sóis

deuses da mediocridade os imbecis

os imbecis supremos

carnavalizam a vida como podem

enquanto trabalhamos sofremos pensamos

os imbecis resistem dionisíacos

a melhor porção da nathureza pra nós criada

aos imbecis se consagra como totem do supercapital

imbecis: os imbecis estão vencendo

já ganham nossos espaços bebem do melhor vinho

roubam nossas mulheres festejam

os imbecis do mundo inteiro estão vencendo

palavras cobertas de cal :augúrios de má-fé:

soberba nos atos perfídia no modus q. contemplam. 

POEMA de cora coralina 

 

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

POEMA de batista de pilar 

 

Inédito é o poema
Que a gente nunca
Escreveu
Aquele que passa
De relâmpago pelo sonho.
No acordar some
Como a cerração
Sobre a colina.
E vai construindo
Em nada
Aos poucos tornando-se
O reflexo de um raio de sol
Sobre a água cristalina.