POETAS FAZEM HONRAS À BIA DE LUNA

 

 

 O FIGURANTE SORRIDENTE

de altair de oliveira
 

Diante de Dante, Bia só me ria
Quando me via rir-lhe radiante
No mesmo instante, eu ressorindo lia
O riso lindo que Bia fazia…
De tão bonito inibia o Dante!
 
Eu no meu canto, Dante no seu canto
Cantava Bia que me via e ria
O riso dela, que era bela, ardia
Todos eternos céus de meus espantos
Pondo distantes os infernos de Dante.
 
E eu comedia o riso desmedido
Retribuído à Bia sorridente
Que prometendo o fogo dos amantes
Deixava Dante a cantar no seu canto
Enquanto eu, dissimulante,  ria
Desinibindo rios que me ardiam
Pra nos lançar num mar de fogo eterno
e por ao léu o belo céu de Dante.

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POR QUE MENTIAS? poema de álvares de azevedo

 

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez- a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó! por que mentias?

 

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SOLIDÃO poema de jb vidal
                   
                                                                                                                                                                              
                                  

andava por andar
não havia nada a dizer

as palavras agarravam-se aos meus cadarços
como se fosse o último a dar-lhes vida

os pensamentos voaram para longe,
atormentar outras mentes

a alma,
bem, a alma sofria  o compromisso com o corpo

o corpo,
ora o corpo,

retive um sorriso,
…e tudo era só

 

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O INCONFORMADO  de léo meimes

 

Que sou dentro desta
Prisão, se não o nu infame da
Carne sempre a definhar?

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SOLILÓQUIO DO CASTIGO poema de alexandre frança
 
A gelosia aprisiona os olhos
E a súplica da sacristia,
Prostrada ao pé do desavergonhado
Recebe um tchau sarcástico da morte.
 
Na lembrança moços de estampas florais
Escolhem quem deflorar
No peito o metrô vazio
Nas mamas bocas sujas a sugar seu leite
A noite, como sempre, reluta a cair hipnotizada
Pensa demais. Raciocina demais…
…até o cigarro pegar carona com a varejeira.
 
Na mesa a cruz,
A navalha,
O cinza-avermelhado que geralmente envolve este tipo de cena…
 
…e o preto dos olhos que novamente escolhe a vingança como remédio para dormir.

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CORPUS poema de joão batista do lago
 
 
A argila
Carne que perambula
Vermes – e alma –
Só tornará calma
Se argila tornar Ser
 
O barro não morre o corpo
Sedento de espírito vira anti-corpo!
 
E quando a morte se dera
Na alma do corpo que se fizera
Verás desta vida apenas quimera
 
Santificada seja a morte que me retorna à vida da terra!
 
Somente lá estarei concluído
Somente lá jamais serei vencido
Somente lá terei a paz sem guerra

POEMA de nelson padrella

   

Com a alegria que outrora possuia
    construí meu planeta. Pedra a pedra
    edifiquei o lar e os caminhos
    que levam ao lar.
    Respeitei as estradas das formigas
    e sobre riscos de água criei pontes.
    Abri a porta da casa para amigos
    e as janelas para que entrassem pássaros
    com seus vermelhos e gritos de alegria.
    E quando olhei pra mim eu era deus
    e gozava o recém criado paraíso.
    Ah! Quanta alma bela flutuava
    na vastidão do planeta que eu criara.

 

 

 

OS LOUCOS de mário quintana

 

“Nossa loucura é a mais sensata das emoções, tudo o que fazemos deixamos como exemplo para os que sonham um dia serem assim como nós:

Loucos, mas felizes!”

 

 

 

PASSAGENS  poema de luis felipe leprevost

 

confirmei que o barulho dói no slogan dos hospitais
onde se recuperam as balas doentes dos xerifes
e senti dores musculares como os papéis
que panfleteiros do centro
batem uns contra os outros de modo a imitar o inseto
zunindo nossa atenção de madrugada

eu pude percorrer as linhas da minha própria mão nos olhos
de Mãe Oriva de Oxossi, suas cartas e búzios distraídos
sem conseguir prever aquele tiro
e adivinhando o retorno da pessoa amada em três dias
quando não haveria o terceiro dia

eu ceguei para crer na chuva, ossos das nuvens
eu deitei no veneno como deitasse na cama do xerife
mas todos os jardins findaram
plantar e colher nuvens é o que me resta

e é tão difícil descrever uma presença
mesmo com lentes visionárias

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TARDE DEMAIS poema de jorge do irajá

velo esta tarde engomada
florida com tanto alinho
que parece que o homem
é o último dentro do inútil agora.

meu olhar vestido de terno
acompanha o cortejo
e tenta crer com respeito
no suspiro final da cidade.

o sol que eternamente enterro
na carne de minhas palavras
é o nosso morto presente

e feito fóssil fogo-fátuo.
sussurra baixinho meu epitáfio:
– tarde de mim, tarde de tudo, tarde demais.

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 POEMA de carolina correa

 

Deitada no sofá
Ela, e um mero copo de vinho.
O cheiro de cigarro
Ainda impregna sua camiseta.
Desilusão é sua cegueira
Asneiras sua surdez.
Cansada,
Cambaleia até sua cama
Lá, deposita suas forças.
Para sempre.
Fecha os olhos
E vê que foi tudo um lindo sonho.

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DOS IMBECIS COMO DONOS DO MUNDO  poema de jairo pereira

   os imbecis na midiosfera investidos de sóis

deuses da mediocridade os imbecis

os imbecis supremos

carnavalizam a vida como podem

enquanto trabalhamos sofremos pensamos

os imbecis resistem dionisíacos

a melhor porção da nathureza pra nós criada

aos imbecis se consagra como totem do supercapital

imbecis: os imbecis estão vencendo

já ganham nossos espaços bebem do melhor vinho

roubam nossas mulheres festejam

os imbecis do mundo inteiro estão vencendo

palavras cobertas de cal :augúrios de má-fé:

soberba nos atos perfídia no modus q. contemplam. 

POEMA de cora coralina 

 

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

POEMA de batista de pilar 

 

Inédito é o poema
Que a gente nunca
Escreveu
Aquele que passa
De relâmpago pelo sonho.
No acordar some
Como a cerração
Sobre a colina.
E vai construindo
Em nada
Aos poucos tornando-se
O reflexo de um raio de sol
Sobre a água cristalina.

Uma resposta

  1. Gostei muito destes poemas.
    Tou a dar o cavaleiro da Dinamarca e é muito intereçante!

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