Arquivos Diários: 17 janeiro, 2008

BIA DE LUNA: A POETA DA LUA por rosana albuquerque

 

Com o falecimento da amiga e poeta BIA DE LUNA perdi uma referência na noite da cidade, pois sentirei uma imensa falta da sua presença exótica, feminina, insone, elegante e solitária. BIA era uma pessoa de bom caráter, muito intensa e verdadeira tanto na vida como em seus poemas. Gargalhava quando queria e se fechava como caramujo quando bem entendesse, sempre na sua.
A poesia da artista, é permeada de profundo lirismo, feitiço e doçura, assim como BIA. Seus poemas são viscerais, corrosivos, transbordam desassossego, abandono e perturbação; esfaqueando o olhar do leitor com toda a dor e o desespero que houver nesta vida. Seus livros Morfeu Gargalha e Clivagens são feitos de amor com desamor,  sangue  e lágrimas, carregados de escuridão e cheiram a inverno. Sendo BIA DE LUNA, a primeira poeta genuinamente PUNK curitibana. Muitas Saudades!

Em um poema dedicado a Bruno Vasconcelos, intitulado Palavras Cruzadas, incluso no livro Clivagens, BIA diz assim:

 

Palavras urgentes
Transbordando a urgência
De um mergulho
Da lucidez o transporte.
– Palavras que açoitaram até a
exaustão do momento.
despertando as extremidades e
aquecendo as eternidades
translúcidas.

Outra poesia,extraída do livro Clivagens:

É poesia russa a noite paulistana. Da garoa
faço flocos de vodka que me embebedam cada
poro. E assim justifico a covardia da minha
insônia.
Na avenida carótida desfilam palhaços monges
bruxas num samba enfeitiçado pela prece da
palhaçada cardíaca.
O sol espera ávido a hora de desnudar a
floresta e cerrar de vez os olhos em fresta.
Morfeu gargalha.

São Paulo -1.9.79

 

 

Obrigada pelo apoio à poeta BIA DE LUNA.
Abraços,

Rosana Cavalcanti de Albuquerque
Bibliotecária e
Feira do Poeta / Fundação Cultural de Curitiba

IRMÃO HOMENAGEIA BIA DE LUNA.

 

Caro Vidal,

fico feliz em saber que a Bia tinha amigos como você. Eu, o irmão de longe (moro fora de Ctba há mais de 30 anos), não vinha tendo muito contato direto com ela. Sou o Renato que aparece em algumas dedicatórias nos poemas de Clivagens.

Dei a ela, de Natal, a coletânea do Borges de poesias, ed bilíngue recém-publicada. Pelo que minha sobrinha que entregou o livro me disse, ela ficou muito feliz com o presente, o que me alegra, pelo menos nos últimos dias eu estive, de alguma forma, perto dela.

Eu tenho muitos negativos com fotos dela, desde 1974, quando comecei a fotografar mais seriamente (depois parei, recentemente voltei a fazê-lo). Vou ver se acho e depois passo para você, se houver interesse. Estou sem laboratório em casa agora, mas acho que você conseguiria alguém para fazer as fotos, não?

Meu e-mail está aí para contato.

Um abraço, Renato.