Arquivos Diários: 7 fevereiro, 2008

CELEBRIDADES, política e prostituição. VALE a pena ser PROSTITUTA? – por paola rossi


Nunca na história deste país e da humanidade valeu a pena ser vagabundo, ladrão, incompetente, incapaz e ignorante. Nunca na história deste país e da humanidade valeu a pena ser vagabunda, ladra, incompetente, incapaz e ignorante.
Os canais de notícia nos deixam alarmados. Namoros de ocasião, flagras intencionais, uniões e separações planejadas pelas assessorias de imprensa e marketing pessoal das celebridades.

Antes que me aborreçam é melhor esclarecer que existem três tipos de meretriz. As do porão são aquelas que já não tem mais nada para vender a não ser o próprio corpo. Algumas por opção, outras por falta de opção. As do grupo intermediário são aquelas que sonham em ser celebridades. Algumas conseguem, a maioria é reconhecida como prostituta de luxo, mas prostituta de luxo mesmo são as do nível mais alto. Não são necessariamente mulheres, mas são grandes raposas que estão infiltradas nos grandes escalões do poder e da fama. Estas prostitutas são as grandes causadoras da fome e desigualdade no mundo. As dos dois primeiros níveis são apenas coadjuvantes e choram às escondidas por não encontrar o príncipe encantado. As grandes prostitutas se convencem que fazem um grande bem à humanidade. Tomam comprimidos para dormir não porque as suas consciências não deixam, mas devido ao excesso de obrigações.

As grandes prostitutas tem fama, grana e as justiças como aliadas. Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco é melhor ser esperto quando enfrentá-las. Não estou dizendo para você ser covarde, mas canja de galinha não faz mal a ninguém.

As eleições sempre deixam o gosto que vale a pena ter uma moral torta. Milhões de brasileiros mais uma vez foram iludidos com a promessa de um país melhor nas eleições. Milhões debaterem em bares, escolas, praças para impor o seu candidato favorito. Enquanto nós discutíamos as grandes prostitutas riam da nossa cara.

Os péssimos exemplos dado por partidos e políticos são um exemplo que o Brasil nunca será um país sério. O péssimo nível dos candidatos eleitos mostra que o resultado só irá mudar quando as pessoas puderem pensar. Enquanto um prato de comida ou uma esmola-família for moeda de troca nada irá mudar de fato. O resto é papo furado de extremistas políticos.

Vou ao salão e me oferecem revistas femininas para ler. Aceito. Só futilidades. Algumas coisas interessantes, não vou negar. Fico impressionada com a futilidade das celebridades. De repente estou conversando sobre elas. Tenho sempre o pesadelo de ter virado uma mulherzinha fútil. Madame vendida, uma prostituta do sistema. Sussurro para mim ao virar as páginas: “Olha que vagabunda… Que mulher idiota…” Existem variações, claro “Que Piranha, se deu bem…”.

E é para menos? Fulana namora com Beltrano para divulgar o produto de Sicrano. Deputado de 60 casa com menina de 20 anos. Isto é amor! Nada contra homens mais velhos. Chico Buarque foi considerado o homem mais sexy do Brasil com mais de 60 anos. Chico Buarque é Chico Buarque…

Atletas, esportistas, políticos e celebridades em geral dão o exemplo. No mundo todo vale a pena ser “esperto”. Sua carreira está em decadência desde que o pagodeiro lhe abandonou? Não se desespere. Crie um factóide. Deixe ser surpreendida, mas faça a coisa de modo a aparentar que você não sabia de nada, assim como o nosso digníssimo presidente. Se nada funcionar, vire cantora evangélica.

Já se perguntou onde estaria aquela atriz gringa se não fosse flagrada fazendo sexo e o seu vídeo não fosse espalhado na Internet? Seria conhecida admirada e até estaria lançando produtos com o seu nome? Ninguém irá me convencer do contrário. Estes flagras são estudados em confortáveis salas de reunião das verdadeiras zonas de prostituição.

Gostaria de ser uma mosca para ver as reuniões de marqueteiros para alavancar a carreira de pessoas no ostracismo:

– Você, A, vai namorar com B. Não discutam. Vocês não se toleram, mas querem ficar de fora das revistas? Querem ficar de fora dos jornais populares? Já planejei tudo. Vou chamar um amigo nosso paparazzo que vai estar “coincidentemente” (sujeito engravatado fazendo aspas com as mãos e dando uma risada maligna) em frente ao local que vocês darão um beijo romântico. Vocês entenderam? Será comentado a semana toda e vocês vão voltar à mídia.

– Precisa ser de língua. Diz a menina A com medo de B.

– Não. Mas se fosse daria ainda mais matérias.

– Ok.

Esta é a vida moderna. Não estude, malhe. Não malhe, pense como dar um golpe. Não pense muito, dê o golpe. Assim caminha a produção incansável de mulheres e homens preparados para dar o bote. Tornarem-se famosos, muitas vezes muito mais famosos pelos escândalos e notícias do que pela sua produção artística. A maioria não sabe a última peça ou novela que a “atriz/modelo/prostituta de luxo” X participou. A maioria não sabe uma música sequer do “cantor/modelo/prostituto de luxo” gravou. A maioria sabe quem está saindo com quem. Quem não está mais dormindo com quem. O que A acha da camisinha. A última experiência sexual de Y. Quem vai participar do próximo programa de celebridades. Quem teve uma experiência com ET’s. Quem disse o que não tinha nada para dizer nos programas de auditório ou de pseudo-entrevistadores.

Lemos todos os dias nas revistas de futilidades que vale a pena ser prostituta. Lemos todos os dias nos cadernos de economia que vale a pena ser prostituta. Lemos todos os dias nos cadernos de esporte que vale a pena ser prostituta. Lemos todos os dias nos cadernos de política que vale a pena ser prostituta. Lemos todos os dias em todos os cadernos que vale a pena ser prostituta. Assim caminha a humanidade.

Mesmo assim eu prefiro dizer “Não, obrigada”.

 

ALDOUS HUXLEY pela editoria

Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris… Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração… Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que nunca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta.