Arquivos Diários: 12 fevereiro, 2008

PALHAÇO RA-FACISTA por walmor marcellino

Eu não deveria ocupar o meu e o tempo de vocês com tais assuntos, porém o destino nos cobra ágios, deságios e espantos: Dia 28 último, noite avançada, o palhaço trivial Arnaldo Jabur foi convocado a expender suas considerações filosófico-políticas sobre sociedade, política, cultura e o mundo, a moralidade e seus costumes, o bem e o mal; pois essa é a tarefa prioritária numa “imprensa livre e democrática”  e isso lhe é perfeitamente ajustado. A gente não deveria estranhar essas esdrúxulas coisas, mas existem fatalidades…
E ele então, que vive se excedendo como a Shell, atirou mais última: não disse que os árabes e jabures seriam uma sub-raça comparada com a anglo-saxônica, nem mesmo se referiu dessa vez aos negros, esquimós e curdos, ao modo depreciativo; deixou até asiáticos, chicanos, latinos e brasileiros de lado e… tcham, tcham!… apostrofou os índios bolivianos.
Sabemos que Arnaldo Jabur, Diogo Mainardi et al. são aberrações de circo e ganham notoriedade para sardonizar não ao Sarcosy, que é patife novo no cenário decadente da França, nem ao Uribe, que é um bandoleiro autorizado a traficar com os Estados Unidos em cima. Esses como alguns outros rapazes da imprensa notória têm sido induzidos agentes da civilização ocidental cristã, introduzidos no noticiário das cotações da Bolsa de Nova York, Frankfurt, Londres e Tel-Aviv, o que é uma nobérrima missão ultra-secreta. Porém, sendo trêfegos palafreneiros, bandeirolas ao alto e matracas à frente, das idéias “politicamente confiáveis”, essa escória intelectual a soldo se excede como a Exxon e a Shell.
Não é que o patife do Jabur disse altissonante que os “cholos” (como eles são apontados desprezivelmente pela “aristocracia altiplana” até agora dominante), isto é, os índios bolivianos jamais poderão se igualar a feitos e obras da “sociedade superior boliviana”, ou agir e pensar produtivamente como “seres humanos normais” (brancos, ricos e fâmulos cosmopolitas, quis dizer). Sei que diante de tal acinte racista, os “cholos” bolivianos, o Evo Morales nem os nossos indígenas ou todos nós não vamos invocar a Lei Afonso Arinos contra o pilantra da Rede Globo. Todo mundo anda ocupado com a subsistência honesta.
Pode ser inusitada, mas a expressão ra-fascista é tão só uma síncope de racista e fascista, como deveríamos indexar e condensar esses conceitos chulos (não cholos)… Pois o dia 28 foi uma dessas fatalidades dificilmente explicáveis ao bom-senso, quando eu vi e ouvi à noite mais um aberrante jornalismo da TV-Globo. Imperdoável!

O CÁLICE SAGRADO e a LINHAGEM SAGRADA – de lázaro curvelo chaves.

Ao final do século XIX a pequena cidade de Rennes-le-Château, no sul da França, recebeu um novo pároco, Bérenger Saunière. Dando início a obras de reforma na nave da igreja precisou escavar mais fundo e encosanto-graal.jpgntrou alguma coisa que o projetou internacionalmente dando-lhe incríveis poderes sobre seus pares e superiores da época, além de lhe granjear espantosa fortuna. Desenvolveu um sistema de crenças peculiar e foi tratado com calmo desdém pelo Vaticano. Já em seu leito de morte pediu um sacerdote. Após a confissão o padre chamado estava aos prantos, não lhe concedeu absolvição e deixou a batina pouco tempo depois.

Tudo isto é história. Fato concreto. A partir daí, Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln fazem profunda, bem documentada e demorada investigação buscando pistas ao que não ficou formalmente registrado nos anais da história: o que teria o pároco encontrado? Um tesouro? Pergaminhos? De que natureza? Como aquela descoberta lhe granjeou tamanha fortuna?

Quando em busca de respostas, frequentemente nos deparamos com questões ainda maiores e mais profundas. Foi o que ocorreu com os pesquisadores ingleses.

Os cátaros
No século XIII desenvolveu-se no sul da França um cristianismo diferente. Acreditava que Jesus de Nazaré tinha uma natureza primordialmente humana e a interpretação das Escrituras era feita de maneira independente do Vaticano que, intolerante, ordenou o massacre dos desobedientes. A história dos Cátaros, riquíssima e bem tratada no livro, leva-nos quase a ver pessoas desenvolvendo uma estrutura societária diferente e, por isso, pagam com a vida. O papa ordenou que se passasse a todos os hereges a fio de espada. “Como discernir os católicos fiéis dos hereges?” – ao que o papa teria respondido: “matem a todos. Deus reconhecerá os dele!” Foi o maior genocídio bem documentado da história da Europa. Os Templários tinham simpatias com as crenças dos Cátaros e, mesmo por isso, não participaram do massacre.

Mas… Como essa fé se desenvolveu naquela região? Baigent, Leigh e Lincoln discorrem sobre a tradição ligada à vinda de Maria Madalena e muitos dos primeiros cristãos àquela região, cheia de Igrejas e esculturas a Santa Maria Madalena num período em que, para se contrapor a uma tendência a equipará-la a Maria, mãe de Jesus, o Vaticano difundiu a extravagante idéia segundo a qual Madalena teria sido uma prostituta. Nada exista nas Escrituras a corroborar esta versão que, contudo, ganhou o imaginário popular.

Com quem mais veio Madalena ao sul da França? Que documentos ou que idéias portava consigo? Há inúmeros vestígios – todos criteriosamente arrolados nesta Obra – e uma rivalidade entre o cristianismo paulino e aquele desenvolvido pelo núcleo de que Madalena fazia parte e que, quase com toda a certeza, estava na raiz dos primeiros lustros da fé cristã. A consideração da mulher, não apenas como “vaso sagrado”, mas como indivíduo humano com os mesmos direitos que os de sexo masculino, suprema ofensa para o machismo que imperou na tradição do Vaticano. Se entre os cátaros as mulheres podiam ser sacerdotes e debatiam as Escrituras em igualdade com os homens, para o Vaticano isto era supremo escândalo.

Mas… Como compreender a devoção dos Templários a Maria Madalena e a São João? Por que se recusaram ou, de qualquer forma, encontraram meios de não participar do infame massacre de cristãos no sul da França no genocídio que entra para a história como Cruzada Albigense? Para isto foi necessário visitar a história dos Templários e, nela, os pesquisadores encontraram referências a uma Ordem que precederia os Templários e teria mesmo sido uma com a Ordem do Templo até o corte do olmo.

O Priorado de Sião
Como rastrear uma Organização Secreta milenar que, sobretudo, luta por manter-se secreta? De novo, há inúmeros vestígios e, mesmo relutando em aceitar esta teoria os Autores precisaram arrolá-la e registrá-la pelo menos até que surja uma explicação mais convincente aos fatos descobertos.

A obra dos britânicos é uma investigação pioneira que Dan Brown utilizou em seu romance “O Código Da Vinci”, escrevendo de maneira mais fascinante, mas sem o compromisso investigativo de Baigent e companheiros.

Fato é que, partindo de premissas diferentes e abordando aspectos distintos, um número cada vez maior de Autores concorda em alguns pontos:
•  Os Templários fizeram escavações nas ruínas do Templo de Salomão e encontraram pergaminhos preciosos;
•  Nove cavaleiros iniciais estiveram por nove anos na Terra Santa dedicados mais à escavação do que propriamente à proteção de peregrinos;
•  A Ordem foi organizada em teoria antes de existir na prática;

POEMA (I) de joanna andrade

Sobre vivo o voo com ventos fortes
Os olhos cheios de lagrimas salgadas
Flutuam tapetes coloridos em busca de Alladin
Cegos por alguns instantes
Corre o risco de ser roubada a vida bem embaixo do nariz
Sobe e desce súbito abre alas
Fecho éclair de creme branco com açúcar de confeiteiro
Num sonho recheado de prazeres
Querubins bisbilhotam com olhares curiosos e cabelos despenteados
A ilusão que transcende a tristeza
O quadro azul de Zephyr
A chuva de anis salpicando as violetas
As bicicletas coloridas rodando
Os homens o arco-íris e o pote de ouro
Sobre vivo o vôo com ventos fortes
Os olhos embaçados e a mente perdida
A verdade não vem para todos com a mesma intensidade da mentira
Asas imaginárias
Planos não atingidos
Sobre vivo o vôo com ventos fortes
Os olhos cansados e a chave de luz desligada
Sem Noel

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MOÇAS das DOCAS poema de noémia de souza/moçambique


Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço.
Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines,
viemos do outro lado da cidade
com nossos olhos espantados,
nossas almas trançadas,
nossos corpos submissos e escancarados.  

De mãos ávidas e vazias,
de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,
de corações amarrados de repulsa,
descemos atraídas pelas luzes da cidade,
acenando convites aliciantes
como sinais luminosos na noite.

Viemos …

Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba,
do sem sabor do caril de amendoim quotidiano,
do doer espáduas todo o dia vergadas
sobre sedas que outras exibirão,
dos vestidos desbotados de chita,
da certeza terrível do dia de amanhã
retrato fiel do que passou,
sem uma pincelada verde forte
falando de esperança.

LUA NOVA poema de jorge barbosa filho

eu não queria ir embora,
embora te esperasse aqui,
fora de mim e de tudo em volta.

esse em volta traz em si
um silêncio mundo afora,
afora a ânsia da demora.

a demora de certa forma,
forma um fino canto
que encanta quem namora:
essa loucura era uma roda

que roda a te chamar a toda hora
e que por ora, no entanto
não preciso mais agora,
agora que já fui embora.

AS SOMBRAS PRÓFUGAS poema de walmor marcellino

As sombras prófugas
Vou só até a esquina,

comprar longos fósforos,

meu aquecedor não aquece

sem fósforos acesos.

Compro pão d’água,

não posso viver a pão e água.

A dignidade me compraz no modo

eternidade sem fim.

Porém posso perturbar-me

se me vou comovido;

posso masturbar-me

nessa dolência

de alguma vontade absurda.

Poderia revoltar-me, mas

não posso bastar

a mim mesmo. Alter eco ma non troppo.

É preciso ajustar esta imagem num canal aberto

tão dissimulada quanto conveniente,

sobremaneira pormenores.

Minha independência é um rasgo

neste céu fundo infinito.