CAMALEOA CURITIBANA prosa poética de marilda confortin


 
Eu uso óculos escuros e ela de grau. Faz ponto nos degraus da Rua da Cidadania. Quem a vê, pensa que ela fica vendo navio.
– Não vendo navio, não moça. Só relógio, calculadora, brinquedo, creme de mão e rayto de sol direto del  Paraguai pra praça Rui Barbosa
– O águia de Haia…
– Quem?
– O Rui, ora.
– O Hara?
– Não. O Barbosa.
– É ruim… Só conheço um Rui, fiscal da Urbs, um surd  filho da…
– Kama sutra?
– Não vendo livro, não. Ninguém compra. Mas tenho camisinha maide in taiuan e bolinha tailandesa. Uma beleza. Vendo de dúzia. Faço por oito real.
 – Quero não. E cigarro, tem?
–  Só fri.
– Eu também sofri.
– É loca. Qué uiski. Legítimo. Bem novinho. Truxe domingo. Num trago coisa veia. 
– Sacoleira…
– Sacolera, não! Cameloa! Das boa. Dá licença?!
– Desculpe.
– Vai comprá ou ficá me enrolando outra veiz?
– Vou andando, obrigada.
– Eita conversa fiada que nunca dá em nada.
– Prá mim dá poesia.
– Virgi Maria. Mais uma doida na cidade, né muié?
– É…. Até.
– Inté.

3 Respostas

  1. Só a Marilda para capturar a prosa cotidiana e transformá-la em poesia. Parabéns, parceira.

  2. Genial, Marilda. É para isto mesmo que vivemos: observar, conversar e…capturar! heheheh. Beijão.

  3. Putz… que prosa chinfrim. Enfim, sou assim. Sem trava nos dedos nem no cérebro. Assim como entra sai. Vou caprichar mais, Vidal. Prometo.
    Beijos

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