VELÓRIO poema de joão batista do lago

No meio da sala velo minh’alma
Que me olha com dentes escancarados
Abrigada nos quatro cantos do mundo
Donde sorri das minhas dores
E qual punhal que sangra ventos
Rasga o meu profundo nada
Donde as vísceras jorram todo escarro
Da hóstia nunca sagrada do homem puro
“És nada!” – grita a alma pois então morta –
Nasceste do miserável sagrado sem Deus.
Como há-de me querer velar como eterno
Se tens apenas teu féretro como única posse?”
E lá do meio da sala onde velo minh’alma
Nada posso fazer para alcançá-la…
E ela se esgarça zombeteira em cada gargalhada
Enquanto eu no meio da sala tramo matá-la
E assim me dano feito cão vagabundo
Que nem mesmo a lepra de Lázaro tem para a lamber
Já que sou única testemunha deste infeliz velório
Da minh’alma que se me sorrir à-toa
 
[…]
 
No meio da sala velo minh’alma que aos poucos se afasta…
E de mim voa.

3 Respostas

  1. ESSE POEMA NÃO E UM POEMA QUALQUER E UM POEMA QUE ATÉ HOJE ESTA SENDO PUBLICADO PRA MAIORIA DAS PESSOAS ISSO NÃO SIGNIFICA NADA MAS PRA MIN ISSO E TUDO ISSO E UMA VERDADEIRA OBRA DE ARTE R.R.F

  2. Como fico feliz por rever a poesia do meu Poeta predilecto brasileiro, João do Lago!

    Um abraço carinhoso ;))

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