Arquivos Diários: 22 fevereiro, 2008

EXILADOS poema de jb vidal

para a poeta BIA de LUNA in memorian. 

entre as frestas da folha em branco
os olhos dos sentimentos
viajaram com os raios
até este jardim de lágrimas coloridas

não fossem as frestas
seria o branco tisnado
da folha sobre a mesa
encerrando um só momento de dor
e solidão

eis que escapastes, em silêncio,
como bem sabias,
e nos  deixastes prisioneiros
de palavras e figuras
prosas e versos
que jamais serão escritos

FUGA PICTÓRICA poema de tonicato miranda

  

um piano pulsa teclas soltas e belas

peixes no aquário nadam e param, nadam e param

seguindo os arroubos de Rachmaninov

meus olhos voam além da sacada e varam

todos telhados da cidade, até o fim desta estrofe

 

Curitiba acorda e se põe preguiçosa

sob este lençol de bruma, no céu cinzento

dentro da sala, sobre o móvel, dentro da música

o passado retorna de forma gradual e lento

na voz do oboé, há uma sonoridade lúbrica

 

segue o piano rendilhando sua rapsódia

preso está Rachmaninov na eternidade

seus floreios tocam-me e são passos nos mattos

andando-me dentro do peito, por sobre a cidade

tristeza seguindo-me desde meus primeiros sapatos

 

um último acorde rompe-me da lucidez

as plantas nos vasos observam-me com seus olhos verdes

diferente da moça ao piano, no quadro da contracapa

sentada, de costas, toca Rachmaninov, Paganini ou Verdi

tecendo em mim com os dedos toda uma cidade e seu mapa

PROJEÇÃO poema de sergio bitencourt

“O Amor na projeção dele
 E vindo da sinceridade,
 Faz da trajetória,
 A Sensibilidade.
 
“A deixar a oratória,
 Sem argumento,
 Como o coração,
 A flor da pele.
 
 Pois chega de bobagens,
 Assim são essas viagens.
 
 Ele no fim nos olha,
 Do jeito da folha
 Na brisa do momento.
 
 De resto,
 Somos todos sem voz,
 Achando que somos nós.”