Arquivos Diários: 24 fevereiro, 2008

PATIFES ILUSTRES X 22 MILHÕES por walmor marcelino

O fato e o fiat? Um programa de obras que opôs o governo à nação. A nação de todos os nacionais (exceto a elite política e as oligarquias brasileiras) representados por moradores do semi-árido nordestino (912 mil km2) e abrangendo (não albergando) 22 milhões de pessoas apoiadas em estudos científicos e técnicos, mais competentes e aptos (entre eles da Agência Nacional de Águas) do que Lula-Gedel, do que os “notáveis” da base aliada e do PT de Berzoini-Tatto e do que cada ente aplastronado do Supremo Tribunal Federal.Então, como um patife ilustre se instrui sobre assunto de tal natureza? Com a Agência Nacional de Águas (ANA), cientistas e técnicos independentes e lideranças sociais que não recebem do propinoduto? Ou com projeto econômico de governo e sócios, contra a sociedade nacional?

Quem indica, quem decide? Mais do que a credibilidade IBOPE de Luiz Inácio da Silva, do Lula nordestino ou do Lulu estadista, o capitalismo “social” desse novo gerente de marketing do sistema econopolítico propende os aristocratas deste país a creditar-lhe a bipolaridade da administração cabocla globalizada, de superávits primários e déficits secundários. Assim, Luiz Inácio sugere, induz, alicia a aristocracia judiciária àquilo que a plutocracia já convocara: equilibrar os poderes da República com o fazimento de coisas que não só dêem os lucros excedentes como civilizem essa bastarderia nacional.A feitoria: Para reajustar salários, vencimentos e estipêndios equalizando os poderes; para “aperfeiçoar” a Constituição Federal quando os negócios e os contratos discrepem do texto dessa “Cartilha nacional do cidadão”; para lapidar a convivência entre os produtores de bens e serviços e a turba famélica de modo a garantir os negócios; enfim, para sobrestar proteção e salvaguardas contra o poder e o arbítrio, lá está El Supremo, vulgarmente chamado Supremo Tribunal Federal ou, para os íntimos, o STF majestático.

Poderosos aristocratas e inclementes senhores, reunidos no Aerópago, determinaram o destino de 22 milhões de moradores do semi-árido nordestino, para satisfazer 2 mil/20 mil empresários/beneficiários da apropriação do regime de águas do Rio São Francisco. Tudo no conúbio do sestroso burguês Luiz Inácio Lula da Silva e seu capitalismo “social” (enquanto Brás é tesoureiro… ou nem o cavaleiro conduz a besta) associado ao latifúndio (ansioso de ser “mais” produtivo), sob os gedéis e bedéis especuladores das finanças e da política; e com a insigne adesão de todos os patifes ilustres.

Homem judicante com residência (modesta) de escassos 450 m2, com água potável, esgoto ejetável, luz esfuziante, aportes e lazeres (em águas termais), decidiu que ignotos viventes de inóspitos ingressarão nesse capitalismo pela pocilga do quintal, guiados por Lula, em “plantations” agronegociantes, que de sáfaras caatingas farão belas canaãs.

VOZES da MORTE poema de augusto dos anjos

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos

BILHETE poema de mário quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

NINGUÉM VENHA me DAR VIDA poema de cecília meireles

Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis

MANOEL de ANDRADE lança seu livro CANTARES em CAMBORIÚ por garcia de garcia.

 

Depois do surpreendente sucesso de lançamento de seu livro   em Curitiba, Manoel de Andrade  relança agora “Cantares” em Santa Catarina, sua terra natal. A obra, fruto da sua maturidade poética, foi publicada pela Editora Escrituras, de São Paulo e tem sido comentada em vários  jornais do pais e em muitos blogs locais. A sessão de autómanoel-de-andrade-foto-dele-img_7355.jpggrafos, na noite de 7 de março, será o primeiro lançamento literário de poesia na Livraria Catarinense, recém inaugurada  no Balneário Camboriu Shopping.

Chamado de poeta maior pelo jornalista Aroldo Mura e elogiado pelo crítico Wilson Martins pela sua “grande poesia”, Manoel de Andrade fugiu do Brasil em março de 69, quando era procurado pela Ditadura pela panfletagem de seus poemas políticos. Deixava o país justamente numa época em que sua poesia começava a ser conhecida no Paraná e no Brasil, sobretudo pelo fato de ter seus versos publicados pela Revista Civilização Brasileira, em cujas páginas somente pontificava a elite da intelectualidade brasileira e internacional.

Peregrinou durante muitos anos pela América Latina escrevendo e declamando seus poemas  bem como debatendo a importância do engajamento político da arte e da literatura. Sua poesia revolucionária estreou em janeiro de 70 nas edições panfletárias mimeografadas pelos estudantes peruanos de Cuzco e Arequipa. Em setembro daquele ano, no Teatro da Universidade Maior de San Andrés, em La Paz, seu primeiro livro “Poemas para la libertad” é lançado com prefácio do escritor Jorge Suarez e discurso de apresentação do poeta Pedro Shimose, duas das maiores expressões da  literatura  boliviana.

Pela força declamatória da sua ideologia poética foi “convidado” a sair da Bolívia em fins de 69, depois de participar do Congresso Internacional de Poetas em Cochabamba.

Posteriormente foi preso e expulso do Peru e da Colômbia, sempre pelo caráter destemido de seus versos, marcados pela denúncia política  e social do seu testemunho itinerante e, sobretudo, pela  sua visibilidade pública e participante como intelectual de esquerda.   Jamais se intimidou diante de um roteiro continental marcado por perseguições, torturas e prisões, numa América controlada pela “inteligência” das ditaduras militares.

Persistiu sempre em sua saga viandante de jogral  por todos os países  da América, dando palestras, promovendo debates e oferecendo recitais nas maiores universidades do continente e nos seus mais variados recintos de cultura política e popular. Deixa, com seu livro, “Canção de amor a la América y otros poemas”,  publicado em Manágua, um rastro desafiador em plena ditadura de Somoza, e em fevereiro de 1971, a convite de revolucionários nicaraguenses exilados no México, declama seus versos  nas Comemorações do 37º  Aniversário de Morte de César Augusto Sandino”, em Tampico.

Ainda em fevereiro daquele ano, o brasileiro Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas em Pernambuco e exilado no México, faz a apresentação da sua poesia, no Instituto Mexicano-Cubano, abrindo seus recitais na Cidade do México. À convite de organizações políticas de esquerda mexicanas, parte em seguida para a Califórnia para levar aos Chicanos  — minoria norte americana de origem mexicana que, na época, como os negros, lutavam  por direitos políticos e civis —   a notícia dos movimentos de liberação nacional que, desde os Tupamaros, no Uruguai, até as montanhas de Guerrero, no México, incendiavam a América com seus sonhos de justiça e liberdade. Seus versos foram publicados em revistas, jornais, panfletos e cartazes e muitos deles ilustrados por grandes pintores do continente. Atuou como jornalista, defendendo, na década de 70, em grandes reportagens,  a vergonhosa situação dos Chicanos no sudoeste do Estados Unidos e denunciando o colonialismo português na África.

Depois de uma trajetória poética incansável e intensamente vivida, volta ao Brasil em 72 e por razões de segurança passa a viver no anonimato social e literário. Localizado, em Curitiba, pelos agentes do DOPS, transfere sua OAB para Santa Catarina, mas por estas e outras razões  acaba não exercendo sua profissão de advogado. Com o tempo, a árdua luta profissional pela sobrevivência, bem como o exercício da liberdade sempre ameaçado pelo condicionamento político daqueles anos que precederam a abertura democrática, lhe foram impondo, involuntária  e naturalmente, o afastamento da vivência literária nos atos e nos fatos. Outras inquietudes de ordem intelectual ocupam suas leituras e reflexões, levando-o gradativamente ao esquecimento quase completo da sua condição de poeta e mesmo daqueles anos de peregrinação nos quais, com a poesia, cumprira uma das mais belas missões da alma humana: aquela que nos impõe a realização de um ideal. Pela química do seu lirismo político expressava a plena identificação com um sonho grandioso configurado um processo revolucionário que, a partir da Revolução Cubana, em 1959, passou a recrutar ideologicamente a América Latina inteira. Neste sentido seus “Poemas para la libertad” são a mais legítima expressão desse sonho incorruptível e inegociável, porque nasceram em pleno parto continental de um tempo semeado de esperanças, e porque cumpriram sua missão despojados de qualquer interesse pessoal, direitos autorais e veleidades literárias e, sobretudo, por serem o fruto de sua legítima indignação por tudo o que, naqueles anos, estava acontecendo no Mundo, na América Latina e no Brasil.

Seu primeiro livro, “Poemas para la libertad”,  com três edições  em espanhol e ainda inédito em português, consta de vários catálogos da literatura política latinoamericana, na Internet. Por outro lado as marcas indeléveis da sua poesia revolucionária, escritas há 30 anos, estão vivas e espalhadas pelo continente. No ano 2000 a Epsilon Editores, do México, publicou a importante coletânea Poesia Latino americana – Antologia Bilíngüe” em espanhol e inglês, numa primorosa edição cuja capa e interiores é ilustrada com fragmentos da obra “La destrucción del viejo orden”  do grande pintor mexicano José Clemente Orozco.  Suas páginas são compartilhadas pela poesia de 36 celebrados poetas hispano-americanos, entre eles uruguaio Mario Benedetti e a poetisa equatoriana Sara Vanégas Coveña e por apenas um brasileiro, o poeta catarinense Manoel de Andrade.

A seguir publicamos seu poema “Memória”  um lírico e comovente grito de saudade do Brasil, escrito em agosto de 70 no Equador. Numa época em que lá, a imagem da pátria lhe chegava “como uma mãe em lágrimas”. Chegava “pelos gemidos e os estertores da bravura…e pelos sonhos que a morte silencia”. Chegava “pelo  inquietante dossiê dos tempos e por uma sombra imensa aquartelada sobre o povo.”

 

  MEMÓRIA

De onde venho e por quem sou
desterrado da face do meu povo
desterrado dos amores e do meu sangue…
pelo meu coração de êxodo e batalhas
e pelo nostálgico lirismo da poesia,
eu te saúdo, pátria minha.

Por onde venho e rumo ao norte
sobre o dorso iluminado da América
por minha fé
pelo mágico idioma da utopia
e pelas páginas clandestinas do meu canto, 
pátria minha… eu te saúdo.

Avançando entre o mar e a cordilheira
estrangeiro, bardo e peregrino
semeando a flor do bom combate
aprisionado
silenciado no meu canto
banido pelas tiranias do altiplano
e hoje… enfim…
recebido pelas mãos da liberdade…
passageiro da brisa e do encanto…
hoje, pátria…
é para ti meu canto aberto e solidário.
 
Com  a alma povoada de caminhos
partilhando  meus punhos e meus sonhos
e respirando o ar dessas trincheiras…
daqui,
onde não me alcançam as mãos que te torturam
repartido  entre a dor e a esperança
e pela estrofe combativa dos meus versos,
levanto  minha voz por teu martírio.

Hoje eu  canto com a memória dos caídos,
escrevendo teu nome  ensangüentado
e do meu refúgio latino e americano
e pelo tempo que te dure esta noite
e este silêncio,
há de ouvir-se o testemunho implacável dos meus versos.

Hoje escrevo sobre a água
e sobre o vento
mas um dia há de voltar meu desterrado canto.
Hei de voltar um dia
levando nos lábios uma canção de trigo
há de voltar minha alma de cigarra
e o marinheiro antigo.

Ó pátria minha…
hoje  te sigo pelos mares mais longínquos
pelos  portos  onde  tua bandeira chega navegando
e pela notícia de uma ação política,
e o impasse de um seqüestro,
sinto no peito que  tua ferida está aberta. 

Eu nunca quis cantar-te assim,
com amargura…
mas hoje me lembro de ti, do teu regaço …
e a tua imagem me chega como uma mãe em lágrimas.
Chega pelos gemidos e os estertores da bravura…
por esses sonhos que a morte silencia.
Chega pelo inquietante dossiê dos tempos
e por essa sombra imensa aquartelada sobre o povo.
E aqui, onde a Terra em duas latitudes se reparte,
pelo que sei e o que não sei,
em dois pedaços…
meu coração aqui também se parte.

Hoje eu canto pelo amanhecer luminoso que te espera
e te deixo em verso essa memória…
hoje escrevo a palavra: companheiros…
para que não se extinga a fé nesse combate.

Quito, agosto de 1970

RICO tem AMIGOS; pobre, comparsas (Rumorejando) por josé zokner

Constatação I (De um diálogo assaz frustrante, decepcionante).

-“Você é um lírio,
Querida.

Um colírio,

Que me faz ir ao delírio,

E não é um falar gírio”.

-“E você é um tolo.

Meu desconsolo.

Suma-se!

Se não vai dar rolo!

Aí, você entra no rebolo”.

Constatação II

O João Cruz, pai de poucos filhos e muitos netos, conhecido por Vô Cruz, era um sujeito muito pão-duro. Comparado com ele, o pai Grandet, personagem de Balzac, seria considerado um perdulário. Toda vez que a família e/ou algum estranho ou parente que porventura estivessem fazendo alguma refeição na casa de João Cruz, constatava que ele ia logo tapando algum vidro ou lata para que as pessoas não se servissem, segundo ele, demais. Daí, nasceu, na família e fora dela, o verbo, um eufemismo, de “vocruzar”, dado por um dos netos, não significando vou cruzar, mas fechar, cerrar, tapar, atarraxar que se espalhou por todos os que com ele conviveram. Coitado! Coitados!

Constatação III

Rico tem amigos; pobre, comparsas.

Constatação IV (Entreouvido numa manada, quando a mãe elefante tava educando o filhinho de só 300 quilos, via duplo pseudo-haicai)

Quem zomba

Da pomba

Cresce a tromba;

Quem mente pra alguém

Cresce também.

Ouviu bem?

 

Constatação V (De uma dúvida crucial).

Será que o sujeito que vende um rim tem que pagar imposto de renda sobre o valor auferido? Quem souber a resposta, por favor, cartas à redação. Obrigado

Constatação VI (De uma dúvida crucial).

Será que algum dia não vai haver mais escândalos estourando com pessoas pertencentes aos três poderes da nossa República? Quem souber a resposta, por favor, cartas à redação. Obrigado.

Constatação VII

Quando ela passou do limite,

Derivada de uma paixonite

E passou a uma perseguição

Nada infinitesimal

Fiz um cálculo integral

A fim de resolver tal equação,

Por geometria analítica,

Ou por geometria

Descritiva estável,

Como na estabilidade da construção,

De como me livrar

Da sua sucessiva aproximação

E concluí, determinante,

Com certo ar glacial,

Que seria mais viável,

Que a melhor política,

Seria desfrutar

Da topografia

Do seu corpo escultural.

Constatação VIII

O meu time, o Paraná, tem algo em comum com o Real Madrid da Espanha. Ambos não foram bem quando o técnico Wanderley Luxemburgo treinou essas duas grandes e, indiscutivelmente, notáveis equipes…

Constatação IX (Passível de mal-entendido).

Deu na mídia: “Obama encosta em Hillary após vitória em Maine”.

Constatação X

Também deu na mídia: “Acordo abranda CPI sobre uso de cartão corporativo. Governo consegue incluir gestão FHC e aceita CPI mista; PSDB já não fala em investigar gastos de Lula e Marisa”. Com relação a essa notícia, vale a máxima do jornalista Tutty Vasques: “CPI mista é que nem pizza: meia Lula, meia FHC”.

Constatação XI

Por que será que o ex-deputado Roberto Jeferson, ao denunciar o esquema do mensalão e que deitou falação contra a cúpula do PT, em depoimento recente à Justiça e nos anteriores, aceitou deles os quatro milhões que recebeu? E que será que ele fez com os quatro milhões? Quem souber a resposta, por favor, cartas à redação. Obrigado.

Constatação XII

O presidente Bush, segundo a mídia, disse que “não é tortura ‘afogamento’ utilizado em prisão”. Quanto à pimenta nos olhos dos outros ser refresco ou não, parece que nada foi dito pela maior autoridade da maior Potência do Planeta… 

o autor escreve no jornal o estado do paraná aos domingos.

CURITIBA perde HENRIQUE MOROZOWICZ por nájia furlan

Nájia Furlan [24/02/2008]

Arquivo
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O pianista e compositor
era conhecido internacionalmente.

Por último, tristeza pela perda. Porém, antes disso, reencontro, surpresa, inspiração e satisfação. É o que se ressalta. Esta semana, Curitiba perdeu, aos 73 anos, o pianista e compositor Henrique Morozowicz. Pouco antes de partir, em novembro, Henrique de Curitiba, como é conhecido internacionalmente, fez Constatação fatal. Como ele mesmo a apresentou: uma música de canto. Esta, inspirada nos versos do colaborador José Zokner, publicados em agosto, na coluna Rumorejando, em O Estado. É o próprio autor da ópera que assim a explica.A música foi produzida em setembro. Na introdução, os detalhes da produção: “imediatamente recortei e guardei aqueles versos para usá-los numa obra vocal, pois eles me soaram como uma letra feita de encomenda para uma ária de ópera buffa. Representaram muito bem o humor especial de Zokner, autor que tive a satisfação de reencontrar”.Como lembra Zokner, lisonjeado com a lembrança, Henrique era seu contemporâneo (a partir de 1948) no Colégio Estadual do Paraná. “Não tínhamos contato, mas eu lembro, da adolescência, aquele rapaz magrinho e alto que tocava piano”, conta. O colunista ainda completa que, de longe, acompanhou as notícias sobre o sucesso do compositor assim como do irmão, flautista, Norton Morozowicz, com quem Henrique, muitas vezes fez duo. Ele ainda conta que depois de muito tempo, em setembro do último ano, recebeu do músico um e-mail. Na mensagem, Henrique contava do tempo que passou fora de Curitiba e da cirurgia no joelho. E ainda revelava o que para Zokner e para o jornal foi uma satisfação: “nunca deixei de ser seu leitor, pois volta e meia eu recebia O Estado do Paraná. Sempre admirei sua veia de humor que é especial”. Foi quando contou a Zokner da sua nova produção, talvez a última. “Nesta semana da pátria, escrevi a peça para barítono (ou baixo) e piano, como uma espécie de ária independente para cantar em recital”, traz a mensagem enviada a Zokner. A partitura foi apresentada ao autor da letra em novembro. Porém, como Henrique havia adiantado, “não sei quando poderemos ouvi-la, pois não há -que eu saiba – um cantor apropriado em Curitiba. Tem que ser uma voz lírica com uma personalidade vocal apropriada para o humor”. Zokner conta que, tempo depois, em um novo e-mail, Henrique contou-lhe que havia encontrado tal pessoa para cantar a peça. Como Henrique Morozowicz orientou, na mensagem a Zokner, “esta é a terceira peça que faço com letras de autores de Curitiba. A primeira foi 6 Poemas de Helena Kolody (1999), a segunda Poema Claro do João Manuel Simões (2002) – cantadas no Festival de Londrina – e agora a sua. Nos últimos anos, tenho me dedicado a obras vocais, de canto e de coral”.

Henrique

De família de tradição artística, Morozowicz começou a estudar piano com a mãe, mas logo passou a ser orientado por Renée D. Frank, pianista da França, radicada em Curitiba, onde lecionava na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Ele foi para São Paulo, em 1954, onde estudou na Escola Livre de Música, com H.J. Koellreute e Henry Jolles. Durante a formação, o pianista ainda aperfeiçoou-se com Margherita Trombini Kazuro, na Escola Superior de Música de Varsóvia, em 1960. Nessa época ele participou do IV concurso Internacional Frederico Chopin. O compositor voltou a Curitiba em 1965, onde foi professor na Embap e da Universidade Federal do Paraná.


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jornal o estado do paraná