CURITIBA perde HENRIQUE MOROZOWICZ por nájia furlan

Nájia Furlan [24/02/2008]

Arquivo
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O pianista e compositor
era conhecido internacionalmente.

Por último, tristeza pela perda. Porém, antes disso, reencontro, surpresa, inspiração e satisfação. É o que se ressalta. Esta semana, Curitiba perdeu, aos 73 anos, o pianista e compositor Henrique Morozowicz. Pouco antes de partir, em novembro, Henrique de Curitiba, como é conhecido internacionalmente, fez Constatação fatal. Como ele mesmo a apresentou: uma música de canto. Esta, inspirada nos versos do colaborador José Zokner, publicados em agosto, na coluna Rumorejando, em O Estado. É o próprio autor da ópera que assim a explica.A música foi produzida em setembro. Na introdução, os detalhes da produção: “imediatamente recortei e guardei aqueles versos para usá-los numa obra vocal, pois eles me soaram como uma letra feita de encomenda para uma ária de ópera buffa. Representaram muito bem o humor especial de Zokner, autor que tive a satisfação de reencontrar”.Como lembra Zokner, lisonjeado com a lembrança, Henrique era seu contemporâneo (a partir de 1948) no Colégio Estadual do Paraná. “Não tínhamos contato, mas eu lembro, da adolescência, aquele rapaz magrinho e alto que tocava piano”, conta. O colunista ainda completa que, de longe, acompanhou as notícias sobre o sucesso do compositor assim como do irmão, flautista, Norton Morozowicz, com quem Henrique, muitas vezes fez duo. Ele ainda conta que depois de muito tempo, em setembro do último ano, recebeu do músico um e-mail. Na mensagem, Henrique contava do tempo que passou fora de Curitiba e da cirurgia no joelho. E ainda revelava o que para Zokner e para o jornal foi uma satisfação: “nunca deixei de ser seu leitor, pois volta e meia eu recebia O Estado do Paraná. Sempre admirei sua veia de humor que é especial”. Foi quando contou a Zokner da sua nova produção, talvez a última. “Nesta semana da pátria, escrevi a peça para barítono (ou baixo) e piano, como uma espécie de ária independente para cantar em recital”, traz a mensagem enviada a Zokner. A partitura foi apresentada ao autor da letra em novembro. Porém, como Henrique havia adiantado, “não sei quando poderemos ouvi-la, pois não há -que eu saiba – um cantor apropriado em Curitiba. Tem que ser uma voz lírica com uma personalidade vocal apropriada para o humor”. Zokner conta que, tempo depois, em um novo e-mail, Henrique contou-lhe que havia encontrado tal pessoa para cantar a peça. Como Henrique Morozowicz orientou, na mensagem a Zokner, “esta é a terceira peça que faço com letras de autores de Curitiba. A primeira foi 6 Poemas de Helena Kolody (1999), a segunda Poema Claro do João Manuel Simões (2002) – cantadas no Festival de Londrina – e agora a sua. Nos últimos anos, tenho me dedicado a obras vocais, de canto e de coral”.

Henrique

De família de tradição artística, Morozowicz começou a estudar piano com a mãe, mas logo passou a ser orientado por Renée D. Frank, pianista da França, radicada em Curitiba, onde lecionava na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Ele foi para São Paulo, em 1954, onde estudou na Escola Livre de Música, com H.J. Koellreute e Henry Jolles. Durante a formação, o pianista ainda aperfeiçoou-se com Margherita Trombini Kazuro, na Escola Superior de Música de Varsóvia, em 1960. Nessa época ele participou do IV concurso Internacional Frederico Chopin. O compositor voltou a Curitiba em 1965, onde foi professor na Embap e da Universidade Federal do Paraná.


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jornal o estado do paraná

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