MANOEL de ANDRADE lança seu livro CANTARES em CAMBORIÚ por garcia de garcia.

 

Depois do surpreendente sucesso de lançamento de seu livro   em Curitiba, Manoel de Andrade  relança agora “Cantares” em Santa Catarina, sua terra natal. A obra, fruto da sua maturidade poética, foi publicada pela Editora Escrituras, de São Paulo e tem sido comentada em vários  jornais do pais e em muitos blogs locais. A sessão de autómanoel-de-andrade-foto-dele-img_7355.jpggrafos, na noite de 7 de março, será o primeiro lançamento literário de poesia na Livraria Catarinense, recém inaugurada  no Balneário Camboriu Shopping.

Chamado de poeta maior pelo jornalista Aroldo Mura e elogiado pelo crítico Wilson Martins pela sua “grande poesia”, Manoel de Andrade fugiu do Brasil em março de 69, quando era procurado pela Ditadura pela panfletagem de seus poemas políticos. Deixava o país justamente numa época em que sua poesia começava a ser conhecida no Paraná e no Brasil, sobretudo pelo fato de ter seus versos publicados pela Revista Civilização Brasileira, em cujas páginas somente pontificava a elite da intelectualidade brasileira e internacional.

Peregrinou durante muitos anos pela América Latina escrevendo e declamando seus poemas  bem como debatendo a importância do engajamento político da arte e da literatura. Sua poesia revolucionária estreou em janeiro de 70 nas edições panfletárias mimeografadas pelos estudantes peruanos de Cuzco e Arequipa. Em setembro daquele ano, no Teatro da Universidade Maior de San Andrés, em La Paz, seu primeiro livro “Poemas para la libertad” é lançado com prefácio do escritor Jorge Suarez e discurso de apresentação do poeta Pedro Shimose, duas das maiores expressões da  literatura  boliviana.

Pela força declamatória da sua ideologia poética foi “convidado” a sair da Bolívia em fins de 69, depois de participar do Congresso Internacional de Poetas em Cochabamba.

Posteriormente foi preso e expulso do Peru e da Colômbia, sempre pelo caráter destemido de seus versos, marcados pela denúncia política  e social do seu testemunho itinerante e, sobretudo, pela  sua visibilidade pública e participante como intelectual de esquerda.   Jamais se intimidou diante de um roteiro continental marcado por perseguições, torturas e prisões, numa América controlada pela “inteligência” das ditaduras militares.

Persistiu sempre em sua saga viandante de jogral  por todos os países  da América, dando palestras, promovendo debates e oferecendo recitais nas maiores universidades do continente e nos seus mais variados recintos de cultura política e popular. Deixa, com seu livro, “Canção de amor a la América y otros poemas”,  publicado em Manágua, um rastro desafiador em plena ditadura de Somoza, e em fevereiro de 1971, a convite de revolucionários nicaraguenses exilados no México, declama seus versos  nas Comemorações do 37º  Aniversário de Morte de César Augusto Sandino”, em Tampico.

Ainda em fevereiro daquele ano, o brasileiro Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas em Pernambuco e exilado no México, faz a apresentação da sua poesia, no Instituto Mexicano-Cubano, abrindo seus recitais na Cidade do México. À convite de organizações políticas de esquerda mexicanas, parte em seguida para a Califórnia para levar aos Chicanos  — minoria norte americana de origem mexicana que, na época, como os negros, lutavam  por direitos políticos e civis —   a notícia dos movimentos de liberação nacional que, desde os Tupamaros, no Uruguai, até as montanhas de Guerrero, no México, incendiavam a América com seus sonhos de justiça e liberdade. Seus versos foram publicados em revistas, jornais, panfletos e cartazes e muitos deles ilustrados por grandes pintores do continente. Atuou como jornalista, defendendo, na década de 70, em grandes reportagens,  a vergonhosa situação dos Chicanos no sudoeste do Estados Unidos e denunciando o colonialismo português na África.

Depois de uma trajetória poética incansável e intensamente vivida, volta ao Brasil em 72 e por razões de segurança passa a viver no anonimato social e literário. Localizado, em Curitiba, pelos agentes do DOPS, transfere sua OAB para Santa Catarina, mas por estas e outras razões  acaba não exercendo sua profissão de advogado. Com o tempo, a árdua luta profissional pela sobrevivência, bem como o exercício da liberdade sempre ameaçado pelo condicionamento político daqueles anos que precederam a abertura democrática, lhe foram impondo, involuntária  e naturalmente, o afastamento da vivência literária nos atos e nos fatos. Outras inquietudes de ordem intelectual ocupam suas leituras e reflexões, levando-o gradativamente ao esquecimento quase completo da sua condição de poeta e mesmo daqueles anos de peregrinação nos quais, com a poesia, cumprira uma das mais belas missões da alma humana: aquela que nos impõe a realização de um ideal. Pela química do seu lirismo político expressava a plena identificação com um sonho grandioso configurado um processo revolucionário que, a partir da Revolução Cubana, em 1959, passou a recrutar ideologicamente a América Latina inteira. Neste sentido seus “Poemas para la libertad” são a mais legítima expressão desse sonho incorruptível e inegociável, porque nasceram em pleno parto continental de um tempo semeado de esperanças, e porque cumpriram sua missão despojados de qualquer interesse pessoal, direitos autorais e veleidades literárias e, sobretudo, por serem o fruto de sua legítima indignação por tudo o que, naqueles anos, estava acontecendo no Mundo, na América Latina e no Brasil.

Seu primeiro livro, “Poemas para la libertad”,  com três edições  em espanhol e ainda inédito em português, consta de vários catálogos da literatura política latinoamericana, na Internet. Por outro lado as marcas indeléveis da sua poesia revolucionária, escritas há 30 anos, estão vivas e espalhadas pelo continente. No ano 2000 a Epsilon Editores, do México, publicou a importante coletânea Poesia Latino americana – Antologia Bilíngüe” em espanhol e inglês, numa primorosa edição cuja capa e interiores é ilustrada com fragmentos da obra “La destrucción del viejo orden”  do grande pintor mexicano José Clemente Orozco.  Suas páginas são compartilhadas pela poesia de 36 celebrados poetas hispano-americanos, entre eles uruguaio Mario Benedetti e a poetisa equatoriana Sara Vanégas Coveña e por apenas um brasileiro, o poeta catarinense Manoel de Andrade.

A seguir publicamos seu poema “Memória”  um lírico e comovente grito de saudade do Brasil, escrito em agosto de 70 no Equador. Numa época em que lá, a imagem da pátria lhe chegava “como uma mãe em lágrimas”. Chegava “pelos gemidos e os estertores da bravura…e pelos sonhos que a morte silencia”. Chegava “pelo  inquietante dossiê dos tempos e por uma sombra imensa aquartelada sobre o povo.”

 

  MEMÓRIA

De onde venho e por quem sou
desterrado da face do meu povo
desterrado dos amores e do meu sangue…
pelo meu coração de êxodo e batalhas
e pelo nostálgico lirismo da poesia,
eu te saúdo, pátria minha.

Por onde venho e rumo ao norte
sobre o dorso iluminado da América
por minha fé
pelo mágico idioma da utopia
e pelas páginas clandestinas do meu canto, 
pátria minha… eu te saúdo.

Avançando entre o mar e a cordilheira
estrangeiro, bardo e peregrino
semeando a flor do bom combate
aprisionado
silenciado no meu canto
banido pelas tiranias do altiplano
e hoje… enfim…
recebido pelas mãos da liberdade…
passageiro da brisa e do encanto…
hoje, pátria…
é para ti meu canto aberto e solidário.
 
Com  a alma povoada de caminhos
partilhando  meus punhos e meus sonhos
e respirando o ar dessas trincheiras…
daqui,
onde não me alcançam as mãos que te torturam
repartido  entre a dor e a esperança
e pela estrofe combativa dos meus versos,
levanto  minha voz por teu martírio.

Hoje eu  canto com a memória dos caídos,
escrevendo teu nome  ensangüentado
e do meu refúgio latino e americano
e pelo tempo que te dure esta noite
e este silêncio,
há de ouvir-se o testemunho implacável dos meus versos.

Hoje escrevo sobre a água
e sobre o vento
mas um dia há de voltar meu desterrado canto.
Hei de voltar um dia
levando nos lábios uma canção de trigo
há de voltar minha alma de cigarra
e o marinheiro antigo.

Ó pátria minha…
hoje  te sigo pelos mares mais longínquos
pelos  portos  onde  tua bandeira chega navegando
e pela notícia de uma ação política,
e o impasse de um seqüestro,
sinto no peito que  tua ferida está aberta. 

Eu nunca quis cantar-te assim,
com amargura…
mas hoje me lembro de ti, do teu regaço …
e a tua imagem me chega como uma mãe em lágrimas.
Chega pelos gemidos e os estertores da bravura…
por esses sonhos que a morte silencia.
Chega pelo inquietante dossiê dos tempos
e por essa sombra imensa aquartelada sobre o povo.
E aqui, onde a Terra em duas latitudes se reparte,
pelo que sei e o que não sei,
em dois pedaços…
meu coração aqui também se parte.

Hoje eu canto pelo amanhecer luminoso que te espera
e te deixo em verso essa memória…
hoje escrevo a palavra: companheiros…
para que não se extinga a fé nesse combate.

Quito, agosto de 1970

3 Respostas

  1. Muito legal esses versos !!!!!!!!!!!!!!!
    demais

  2. Parabéns Manoel pelo livro e pelos poemas, que Deus abençoe você,sua família e suas obras!
    Há alguns dias escrevi um poema,muito simples sobre a mãe da Pessoa com Deficiência.
    Atualmente escrevo também um livro sobre a Violência Social e Sexual contra Pessoas com Deficiência,com relatos pessoais/desenhos/textos de vários alunos(as)com deficiência, sobre a realidade de Curitiba e do Brasil, sobre a violência,que as pessoas c/deficiência são vítimas cotidianamente.
    Tenho recebido auxílio da área jurídica,p/informações s/as questões legais,infelizmente o nosso país,não cumpre as leis,principalmente pertinentes às pessoas com deficiência.
    Estou muito contente por rever você, uma pessoa que me ajudou muito na Editora Delta,a qual sou mto.grata por me fazer acreditar em mim mesma, através das suas técnicas de estímulo!
    Que Deus abençoe você e sua família!
    Vou adquirir o livro e solicitar dedicatória, vou dar para o meu filho Alessander,com Síndrome de Down, que fará no dia 29/04/ a idade de 34 anos,o qual sobreviveu a todas os prognósticos médicos,que provavelmente não sobreviveria ao primeiro ano de vida.
    Jesus o Mestre dos Médicos, vêm nos auxiliando todos os dias, para que possamos continuar a nossa jornada, no Planeta Terra,divulgando conhecimentos e práticas educacionais,a fim de minimizar os mitos e a ignorância, que tanto mal,desencadeiam nas Pessoas com Deficiência e suas famílias.
    Acredito sempre que a Espiritualidade prepara os encontros e re-encontros para o Bem!
    Muito obrigada pelo apoio e pelas palavras!Abraços fraternos.
    Deisy Mohr Bäuml e Alessander Bäuml Orlowski.

  3. Yo conoci a Manoel de Andrade cuando recorria latinoamerica en su juventud y estoy muy feliz de saber que el esta bien, soy hija del poeta Jorge Suarez y quisiera comunicarme con el. Por favor mandenme un email o telefono al que pueda llamarle. Me pueden mandar cualquier informacion a mi email:
    mirella.suarez@hotmail.com

    Gracias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: