A ESTRANHA e LABORATÓRIO contos de raymundo rolim

A estranha

Era uma espécie de sabor chocolate e baunilha o beijo quente que aquela moça deixava na boca dos moços a quem beijava e os perpetuavam escravos dos seus lábios e desejos. Sem dúvida que algo  extraordinariamente raro acontecia. Nunca mais os rapazes beijados por ela tornavam a ser os mesmos. Alguns desapareciam sem jamais mandar notícias. Outros, com olhos de quem viam anjos, perdiam-se de suas conformidades em meio a palavras desconexas e deixavam-se passear intransponíveis num bom e desconhecido mundo. Depois de muitos anos, falou-se de um deles que reapareceu, com a mesma razão e idade de quando havia partido e sobre uma moça das redondezas que beijada por ele, passou a dizer amiúde, palavras ininteligíveis e que balbuciava a sós e já exalava agradável aroma de chocolate e baunilha através dos poros.

Laboratório

Algumas gotas de chuva caíram pesadas de inexistentes nuvens. Ao tocarem o solo, fizeram brotar uma espécie de erva que a todo botânico enviou-se alguns exemplares. Nenhum compêndio científico forneceu indícios de similaridade. Com toda a certeza aquela espécie ainda desconhecida não pertencia ao planeta! Foram inúmeras as tentativas de reproduzi-la com muita tecnologia de primeiríssima geração e investigação avançada nos domínios da micro e macro matéria. Mas a criatura de inusitada estrutura não se deu a conhecer. Um dia em sua sala, um cientista deparou-se com singular forma de vida que lembrava planta trepadeira, e que se agarrava às paredes com minúsculas e tenras artérias violeta que cresciam rápidas, céleres, em sua direção. Até o dia de hoje, num laboratório lacrado e declarado inexistente numa instituição de ensino e pesquisas, o vigia da noite teima em dizer que por vezes ouve gargalhadas por lá e que morre de medo nas suas rondas e que evita e bate na madeira quando passa por perto e que se agarra ao crucifixo e que perdeu a conta de quantas Ave Marias e outros tantos Padre-Nossos chamou no rosário e que passa de costas e tal. E que jamais enquanto viver tornará lá os seus olhos que tomados ultimamente de cor e brilho intensos, assemelham-se a inidentificáveis formas e tons vegetais arroxeadinhos.

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