CHAMAÇÃO de CHUVAS poema de marilda confortin

Acorde a ansiedade da carne mal passada
Doure a aura que te reveste em flamas
Afrouxe a corda que te segura atada
Aporte em meu peito, nave em chamas

Atice a fome com teu cheiro fêmeo
Chame meu nome sobre teu leito aceso
Acate-me frágil sob tuas asas tênues
Ataque de surpresa meu corpo indefeso.

Afague esse fogo que me loura pelos
Contorne a borda, minha orla adorne
Mostre-me atalhos, solte meus cabelos
E depois me chova de saliva morna.

Então se porte como incasta santa
Que acode pronta, enquanto cede a fenda
Que prende o riso enquanto come a fome
E mostra aonde os meus rios acendem

Demore-se amando-me como quem perde hora
More-me inteiro como quem decora a casa
E lembre-me de querer-te novamente, aurora
quando mais tarde, ardente, acordares brasa.

(poema feito para o personagem Dionísio, da peça de teatro Portas Entreabertas)
 

2 Respostas

  1. Nossa!!!! acho que vou acrescentar esse complemento no meu poema…. Você pegou mesmo o espírito, o ritmo e metáfora implicita, Ademário. Até parece que fizemos juntos…
    Muitíssimo obrigada.

  2. E me chame inteiro
    Como se eu fosse um nome
    Vagando flácido no escuro morno
    Me deixe tácito como se fosse um sono
    Flutue insana num dia rasgado
    Como luz presa num céu nublado
    E acorde a vida que eu já tenha gozado!

    Ademário da Silva – 08/03/2008

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