Arquivos Diários: 28 fevereiro, 2008

meux amiguinhux tão disaprendenu a ixcrever – por jaciara carneiro

Em termos de boa escrita no nosso idioma, não sou “sequer digna de desatar as sandálias” de um Luis Fernando Verissimo, e, portanto, não tenho autoridade para criticar a redação de ninguém.

Entretanto, em “zapeadas” por blogs de diversos portais hospedeiros (Weblogger, Blogger, Zip.Net, entre outros), tenho ficado abismada com os maus tratos sofridos pela Língua Portuguesa. Os carrascos cibernéticos do nosso idioma são em sua maioria “blogueiros” computador-meninoestudantes-usando-computadores-escola-computador-laboratorio-73013870.jpgem idade escolar (muitos deles, prestes a prestar vestibular) ou já cursando uma faculdade.

É fato que a rapidez e o poder de síntese exigidos pela comunicação on line fazem com que, aos poucos, vamos “desaprendendo” a escrever as palavras por extenso. Eu mesma cometo esse cacoete, principalmente ao me comunicar através de programas de mensagens instantâneas. Não raro, me pego usando atalhos tais como: vc, ñ, enqto, msg ou finde. Também é fato que a Internet faz com que o galicismo finque cada vez mais estacas no coração do “Português Brasileiro” (a própria palavra blog é o exemplo mais atual disso).

Porém, ver a garotada postar em seus blogs aberrações como ti adolu, quelidu e meux amiguinhux, é preocupante. Como será que esse pessoal vai encarar processos de seleção a emprego que requerem provas de redação? E os professores que corrigem as redações dos vestibulares? É certo que sempre tiveram muito trabalho, mas, atualmente, este deve estar sendo redobrado, dada a ampla difusão, entre os jovens internautas, do “escrevo-como-falo”.

Penso que, para ajudar a combater esse problema, deveria ser realizado um esforço de “educação de base”: nas escolas em que os alunos tenham poder aquisitivo para manter blogs, poderia ser feito um concurso para aquele escrito com menos erros de Português. Não seria nem questão de verificar se o aluno blogueiro sabe escrever de forma articulada: apenas seria avaliada a capacidade de ele “postar” respeitando regras mínimas de ortografia e concordância.

Já nas escolas em que os estudantes tenham poucas oportunidades de acesso à Internet – geralmente fornecidas dentro da própria instituição de ensino -, tal concurso poderia contemplar o fanzine (outro galicismo aqui!) ou o mural / cartaz com menos erros de escrita.

Enfim, acredito que medidas simples e de baixo custo podem incentivar a garotada internauta a se interessar pelo uso correto da nossa língua. No entanto, é evidente que, para que tais ações sejam levadas a termo, são fundamentais a boa vontade e o envolvimento de pais e professores – e, logicamente, um razoável conhecimento das regras do nosso idioma por parte destes, coisa que já não é lá muito corriqueira entre os adultos de hoje.